Para além da pertinência deste artigo sobre o Bloco de Esquerda, de quatro páginas inteiras, publicado no “Avante!”, vale a pena analisar o seu conteúdo. Não por o que lá está escrito, já que se trata de qualquer coisa que só pode ser classificada bem abaixo da mais triste indigência teórica (se é que se pode sequer falar de tanto), mas pelos termos usados, sempre a fugir para chinela. Ele diz muito do estado lamentavel em que está a reflexão política e ideológica no PCP. Nem uma tese, a contestação de uma ideia, a reflexão sobre um espaço político. Nada, a não ser umas citações sortidas e uns insultos escolhidos ao acalhas. E para isto, quatro páginas inteiras. O artigo não quer convencer ninguém de nada. Basta lê-lo para o perceber. Quer apenas fazer o costume: erguer um muro mais alto contra a contaminação para tornar mais segura a fortaleza.

O título também é interessante: “Bloco de Esquerda - Um neo-reformismo de fachada socialista”. Ao parafrasear o título de um livro com quase quarenta anos, escrito por Álvaro Cunhal na ressaca do Maio de 68, para definir um espaço político em 2008, o PCP demonstra que não percebeu nada do que tem acontecido pelo mundo nas últimas décadas e o que mudou desde 1971 e, sobretudo, depois da “grave derrota sofrida pelo socialismo a nível mundial, após a restauração do capitalismo na Europa de Leste e na ex-URSS”". Com uma agravante: a cópia é uma desgraça quando comparada com o original. Quem assina este artigo, o ultra-ortodoxo José Manuel Jara, é autor de obras significativas para o debate político à esquerda como “A farsa dos pseudo-radicais em Portugal”.

Vindo a despropósito e não acrescentando nada ao vazio do artigo, tenho a honra de ser referido: “Veja-se o estilo do comentador do BE, Daniel de Oliveira, no Expresso, onde não perde pitada para zurzir no PCP, do alto do seu posto na imprensa burguesa.” Desagradável para o camarada Ruben de Carvalho, que costuma escrever na página ao lado, ocupando assim também o “seu posto na imprensa burguesa”.


46 respostas ao post “Primeiro em tragédia, depois em farsa”  

  1. 1 1  rms

    Doeu? Explique lá quais são as mentiras e as análises erradas…

  2. 2 2  Antónimo

    Não leio o Expresso (tal como não leio o Pacheco Pereira) e não é crime mas de facto parece-me que Daniel de Oliveira não perde pitada para zurzir no PCP - que às vezes, nem sempre, até merece.

  3. 3 3  vermelho

    Percebo que tenha resolvido não discutir os argumentos concretos que o texto do Avante! apresenta. Ironicamente, o seu post, enferma de tudo aquilo aue atribui ao artigo de Jara.

    Se se deu ao trabalho de o ler, viu a análise sistemática, circunstanciada e fundamentada que é feita ao discurso do BE desde a sua fundação.

    Não está de acordo com as conclusões? Perfeitamente legítimo. Agora não diga que é um artigo sem conteúdo. Não se torne no pior cego…

  4. 4 4  Paulo Martins

    Estando longe (muito longe) destas lutas, não deixa de ser verdade que tem sido mais vezes o Bloco de Esquerda, nestes últimos anos, a fazer referências (pouco abonatórias) ao Partido Comunista, do que o inverso.

    É normal em democracia, que dois partidos “lutando” no mesmo espaço político se confrontem. Li o texto, e apesar de não ser claramente o meu estilo (já para não falar do conteúdo), não o acho de todo insultuoso ao BE, nem aos seus representantes.

  5. 5 5  JV

    Agora, o BE contenta-se, no que poderão chamar-se «relações de produção», com uma vaga alusão à não privatização da «água» e da «energia», como bens «públicos»… Acrescentemos poeticamente, e o mar, e o sol, e o céu?…

    De facto, tirando a piada «seca», JMJ nem erra.

  6. 6 6  Orlando

    Fico contente porque vejo que o Daniel lê o Avante. Por acaso também li o referido artigo, e achei de veras interessante. Saber por exemplo que o Drº Lousã acha-se o dono da verdade absoluta e da tão apregoada alternativa de esquerda fez-me de facto sorrir. Quando a dizer que o artigo está a fugir para o chinelo devo-lhe lembrar que as criticas que lá são feitas são criticas politicas. Será que não existe a liberdade de se dizer o que se pensa ??? Não dizem os dirigentes do BE que nesse movimento, ou bloco como lhe chamam cabem todos aqueles que pensam de maneira diferente ???
    Penso que quando o seu nome é citado no referido artigo não é tanto por ser num jornal como o “expresso” mas sim pelas constantes criticas, a maioria das vezes injustas que faz ao PCP, isto no meu ponto de vista. Noto que o Daniel tem alguma coisa contra o PCP. Que eu saiba o PCP é formado por militantes e são eles que escolhem o rumo do seu partido, não será por certo porque os outros que até muitos deles já foram do PCP achem que as têm de mudar que se mudam. E ainda bem, sabe porquê, porque assim não me tenho de subjugar a uma vontade vinda de um só dirigente, a minha opinião também conta.
    E pergunto eu: Que mudança queria o Daniel que o PCP fizesse??
    Por certo leu a tese escrita por Alvaro Cunhal sobre o Aborto. Será que o Daniel não concordará que está bastante actual todas aquelas interogações e analíses feitas por um homem que no meu ponto de vista tinha uma visão do futuro muito à frente ??? Leu a tese ??? Não a acha actual ???
    Então porque diz aqui neste seu post que o PCP parou no tempo ??? Podia dar exemplos dessa paragem no tempo. Assim ficaria mais esclarecido.

  7. 7 7  Hugo

    A imagem do Brezhnev a beijar está demais… lol

  8. 8 8  nuno oliveira

    O que é uma tragédia é o Daniel retratar o seu artigo com a fotografia aposta. Mas afinal o que se passa , já não se pode exprimir uma opinião sobre o bloco???? . O Senhor que passa o tempo a “zurzir no PCP” como diz o autor da peça do Avante (ultra-ortodoxo), claro…fica muito incomodado quando alguem escreve sobre o bloco e a imagem transmitida não é do seu agrado.
    Resposta ao que foi escrito, nada…. ia fotografia a demonstrar de uma maneira clara o seu anti-comunismo, o seu profundo ódio ao PCP. Sr. Daniel, tenho acompanhado o seu blog, e sinceramente não esperava que fosse capaz de descer tão baixo. O que vale é que ninguém já o leva a sério, e o papel de bobo da corte fica-lhe a matar. Vá, continue a fazer-nos sorrir com seus disparates que nisso reconheço que é bom.

  9. 9 9  s.

    tá bem, o pc é o costume. mas o bloco anda péssimo. uma pessoa começa a ver-se sem alternativas de voto, pá.

  10. 10 10  Ricardo Romano

    Caro Daniel. Concordo, no essencial, com a sua análise. No entanto, há uma crítica de José Jara que merece alguma resposta: a alegada confusão ideológica do BE. Por exemplo, não é claro para mim qual a posição do BE (ou a sua opinião pessoal) sobre as seguintes questões: 1) a economia deverá ser totalmente estatizada ou deverá haver uma economista mista?; 2) No caso de se defender uma economia mista, que sectores é que devem ser nacionalizados e que sectores é que devem continuar entregues ao mercado livre?; 3) deverá haver um igualitarismo estrito na distribuição dos rendimentos ou equidade, premiando-se os trabalhadores mais esforçados e produtivos?; 4) qual o lugar da democracia parlamentar numa utopia socialista: “braço armado do capital” a eliminar ou, pelo contrário, garante essencial do contra-poder? Gostaria, se possível, de ouvir o que pensa o Daniel (ou o BE) sobre as questões que lancei. Um abraço.

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    Bresnev e Honecker não representam o comunismo. Uma parte dele. E é esse, o desse tempo, que eu represento na foto.

  12. 12 12  Daniel Oliveira

    Vermelho, teria discutido os argumentos se os tivese encontrado. Como sabe, gosto de o fazer.

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    rms, eu não falei de mentiras e muito menos de análises. Há frases soltas tiradas de documentos enormes e não há análise nenhuma.

  14. 14 14  Tiago R

    Jara parafraseia um livro com quase quarenta anos porque o PCP não aprendeu nada ou porque o Bloco recicla velhas ideias (e ideias velhas)apresentando-as como novas?

    É o PCP que é muito rígido ou é o Bloco que vai apagando todas as referências ideológicas dos partidos que o fundaram, de forma a melhor vender o produto “modernaço”?

    Quanto às perguntas colocadas por Romano, não me parece que sejam as mais importantes e estão no domínio da futurologia política. Nem o PCP nem o BE têm uma resposta para elas.

    Quanto ao PCP, o que propõe é o aprofundamento da democracia nas suas diversas vertentes (económica, política, social e cultural) e a construção de uma democracia avançada, com forte participação popular, como o meio para permitir a tomada do poder político pelos trabalhadores, com vista à cosntrução da sociedade socialistas, que essas gerações futuras é que decidirão como será. (desculpem, não consegui resumir mais…)

    E o Bloco? O que propõe? Alguém sabe?

  15. 15 15  Ricardo

    Ricardo Romano:
    Se até o PCP, mais à esquerda que o BE, defende uma economia mista, suponho que dentro da confusão ideológica interna do BE, e que se esforça por ocultar, estará a ideia de algo como isso. Resta saber se seriam consequentes.

  16. 16 16  Ana

    Daniel, não sei se foi por acaso que colocou a imagem da manifestação de afecto.
    Mas gostei de a ver.
    O PCP tratou sempre muito mal os seus militantes homossexuais e as suas militantes lésbicas. Nunca respeitou a sua sexualidade.
    Apesar de se saber que Bresnev não era gay… não deixa de ser um murro no estomago para um partido que neste aspecto faz “padan” com a Drª Ferreira Leite.

  17. 17 17  mariana

    não estou a ver críticas pessoais no artigo do jara, só no post do daniel…porque será? hum…

  18. 18 18  Daniel Oliveira

    Mariana, onde é que eu disse que havia ataques pessoais? Onde é que eu faço ataques pessoais? Há insultos políticos e eu faço ataques políticos.

  19. 19 19  k7pirata

    O Bloco de Esquerda é uma pedra no sapato do “Avante”.

  20. 20 20  Silvia Santos

    A genealogia ideologica do BE, ou seja a genealogia do pensamento “politicamente correcto”, está bastante bem identificada neste video, que, ao contrário do artigo do Avante, vai à raiz da questão, e onde se responde sinteticamente ás seguintes questões:
    O que é exactamente o “politicamente correcto”? Como e onde surgiu? Quem foram os seus principais teoricos? Que objectivos visavam ao desenvolver esta ideologia?

    História do pensamento politicamente correcto desde o inicio do século XX.
    http://video.google.com/videoplay?docid=8630135369495797236

    http://www.youtube.com/watch?v=_DGoEWjT28Y&eurl=
    http://www.youtube.com/watch?v=PvAshCchGhQ&feature=related
    http://www.youtube.com/watch?v=_iAVOdNIYqU&feature=related

    A autoria do video é de
    http://www.freecongress.org/

    Daniel….será que ficou alguma coisa por dizer, neste magnifico video, acerca da verdadeira genealogia ideologica do BE?

  21. 21 21  Coa língua

    sou do PCP e não fiquei nada incomodado com a imagem. Representa bem a fraternidade e a paixão comunistas!

    Abaixo o beijinho na cara burguês!
    Viva o linguado operário!

  22. 22 22  zémanel

    O mais interessante do artigo é que no funfo ele não foi escrito pelo articulista.
    O artigo não é mais que um sumário das contradições passadas e presentes dos dirigentes do Bloco em relação ao PCP - mantendo
    sempre a mesma linhade rumo assumidamente anti-comunista!
    parabéns ao artigo do avante!
    Daniel.
    a sua escolha da foto para ilustrar este post é reveladora. Muito reveladora. Porque no tempo de brezhnev todos sabemos, quem alguns democratas do Bloco andavam adorando e beijando…De Mao a Enver Hoxha, valia tudo!

  23. 23 23  Daniel Oliveira

    Coa língua, é bom saber que ainda sobrevive no PCP gente com sentido de humor. Disse uma vez ao meu irmão, que é do PCP, que conhecia cerca de sete. Tenho de lhe dar notícia: são afinal pelo menos oito.

    Mas agora a sério: o linguado tmbém tem bastante sucesso na burguesia mais liberal.

  24. 24 24  Daniel Oliveira

    “Quanto ao PCP, o que propõe é o aprofundamento da democracia nas suas diversas vertentes (económica, política, social e cultural) e a construção de uma democracia avançada, com forte participação popular, como o meio para permitir a tomada do poder político pelos trabalhadores, com vista à cosntrução da sociedade socialistas, que essas gerações futuras é que decidirão como será. (desculpem, não consegui resumir mais…)”

    O PCP propõe o aprofundamento da democracia política? Com multipartarismo ou sem? Com ou sem sindicalismo livre do poder de Estado? Com ou sem liberdade de associação, de expressão e de oposição ao poder estabelecido? Se é com, porque apoia (quase exclusivamente) regimes de partido único, sem sindicatos que representem realmente os trabalhadores, sem liberdade de expressão e sem espaço para oposições políticas? O PCP defende o aprofundamento da democriacia cultural? Com o sem censura às artes, ao debate e à imprensa? Se é sem, porque é que apoia (quase exclusivamente) regimes com censura?

    Eu sei o que defende o BE sobre todos estes assuntos (está escrito) e sei que o que defende é coerente com as suas posições em relação a outros países. Não tem uma posição para Portugal e outra para o Mundo. Leio o seu comentário e vejo chavões que não batem certo com as posições do PCP em relação a regimes que realmente existem. O que defende afinal o PCP? Parece-me bem mais contraditório do que o que defende o BE. O problema é que há quem confunda dogmatismo ideológico com coerência.

  25. 25 25  fado alexandrino

    O que eu me ri, com esta guerra de alecrim e manjerona entre dois partidos que disputam o mesmo lugar, isto na pitoresca opinião de um senhor comentador e que foi mesmo origem de uma das maiores gargalhadas.

    A outra foi dedicada a outros senhores que não lêem o Expresso.
    Fazem bem, pois este semanário vêm impresso com uma tinta especial que se entranha na pele e depois na corrente sanguínea chega ao cérebro e faz as pessoas virarem-se para a direita.
    Isto pode ser verificado em qualquer café onde na esplanada esteja um senhor a lê-lo.

    A maior gargalhada foi para a senhora que confundiu a foto com um beijo entre gays.
    Coitada não sabe que é assim que se cumprimenta na Rússia e julga que estes senhores pertenceram á ala BE do PCUS.
    A ignorância tem o tamanho do universo, dizia o outro. É verdade!

    Por último se alguém quiser saber quem foi Erich Honecker compre e leia o livro “O Muro de Berlim” de Frederick Taylor.
    É muito instrutivo sobre o papel do comunismo nas liberdades.

  26. 26 26  Orlando

    Desculpe Daniel mas mais uma vez lhe faço a pergunta, e porque referiu a pessoa de Alvaro Cunhal. Leu ou não a tese feita pelo mesmo sobre o Aborto ??? Deve saber que ela foi escrita à muitos anos atrás. Será que não está ultrapassada ???
    - E por falar em incoerência essa do BE voltar uma moção na AR de apoio ao regime da Colômbia foi de gritos. E depois vêm o ex de outro partido, o Drº Rosas dar justificações.
    Daniel, desculpe mas não acha pouco coerente este tipo de discurso ???
    Torno a perguntar, não acha que o PCP tem direito de criticar o BE, quando este o faz desde a sua aparição ???

  27. 27 27  Ana

    Tenho de reconhecer “Coa Língua”que
    “Viva o linguado operário” é um um humor requintado.
    Os meus parabéns!

  28. 28 28  João Gomes

    É engraçado o debate que este post está a proporcionar. Debate-se ideias, algumas ideias, algumas causas, mas, no concreto, é o vazio.
    E esse é o problema dos partidos em questão: qual é o projecto político e de sociedade de cada um deles? Esses projectos não passam de ideias e de algumas causas ou serão, em ambos os casos, secretos?
    É que no dia a dia, o que eu vejo é o BE e o PC dizerem que se estivessem no poder fariam melhor ou muito melhor do que o PS. E isso é tão pouco para partidos que se dizem comunistas, socialistas, socialistas democratas ou socialistas modernos ou qualquer outro eufemismo que queiram arranjar.
    Claro que isto é debate político, apesar de tudo, porque à direita só se discute quem é quem que se vai sentar nesta ou naquela cadeira. E é também claro que o BE e o PC disputam o mesmo eleitorado, repito, eleitorado, e não pessoas que visem transformar este poder instalado desde o 25 de Novembro de 1975.
    PS: no debate particular entre o Daniel Oliveira e o PC, parece-me, ainda existe um problema edipiano para resolver…

  29. 29 29  António Vilarigues

    Caro Daniel Oliveira,
    1. O livro de Álvaro Cunhal «Radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista» foi escrito em Novembro de 1970 e teve duas edições clandestinas.
    2. Ao contrário do que afirma não foi escrito «(…) na ressaca do Maio de 68 (…)».
    3. O seu objectivo era a luta ideológica. Combater no plano das ideia e da prática os fenómenos negativos que acompanham a radicalização política da pequena-burguesia
    4. Embora escrito numa situação radicalmente diferente a maioria dos postulados teóricos mantêm plena actualidade
    5. Basta ver como Francisco Louçã, Luís Fazenda e Fernando Rosas, citados por José Manuel Jara, 38 anos depois da 1ª edição, ainda não perceberam que um E faz toda a diferença: Revolução Democrática E Nacional.
    6. O caso de Fernando Rosas é particularmente interessante porque já tinha sido «zurzido» (passe a expressão), por esse mesmo equívoco por Álvaro Cunhal no referido livro. Mas, ainda e sempre, insiste no erro…
    7. Curiosa postura a sua. Não cabe neste comentário, mas poderia fazer outro artigo a explicar-lhe os postulados teóricos escritos e demonstrados pelo JM Jara no seu artigo do «Avante!».
    8. Mas creio que não é necessário. O Daniel Oliveira percebeu-os perfeitamente, não concordou e , sobretudo, não gostou. Reagiu negativamente como um radical pequeno-burguês que é. Em vez de os desmontar e os refutar partiu para a “queixinha” e para a negação da realidade.

  30. 30 30  António Vilarigues

    Caro Daniel Oliveira,
    Um enter fora da caixa e antes de tempo e não corrigi o português e a pontuação, nem concluí o meu raciocínio.
    No ponto 3 falta no fim a expressão « ,em si um fenómeno positivo»
    9. Termino com uma citação do JM Jara: «As posições justas que o BE tem assumido contra as guerras imperialistas e pela paz, e outras, em defesa de minorias, não modificam o diagnóstico nem o prognóstico extraídos nesta radiografia sumária.»

  31. 31 31  António Vilarigues

    Caro Daniel Oliveira,
    1. Voltamos ao mesmo (post 24)???
    2. As propostas do PCP são públicas há 87 anos!!!
    3. O actual Programa está aqui há ANOS: http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=39
    4. A democracia política (forma e conteúdo) está aqui: http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=39#28
    5. A económica aqui: http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=39#38
    6. A social aqui: http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=39#48
    7. A cultural aqui: http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=39#58
    8. E a política externa aqui: http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=39#61.
    9. A resolução política do XVII Congresso está aqui:http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=27589&Itemid=564.
    10. O Daniel sabe isto perfeitamente. Ao fingir, com as suas perguntas cínicas, que as desconhece só confirma o que escrevi no meu primeiro post: «(…) percebeu-os perfeitamente, não concordou e , sobretudo, não gostou. Reagiu negativamente como um radical pequeno-burguês que é. Em vez de os desmontar e os refutar partiu para a “queixinha” e para a negação da realidade.»
    Assim de facto é difícil debater ideias…

  32. 32 32  Bang Bang

    “Veja-se o estilo do comentador do BE, Daniel de Oliveira, no Expresso, onde não perde pitada para zurzir no PCP, do alto do seu posto na imprensa burguesa.” Desagradável para o camarada Ruben de Carvalho, que costuma escrever na página ao lado, ocupando assim também o “seu posto na imprensa burguesa”.”

    Que falta de classe, meus Deus. O PCP não existe!

  33. 33 33  Nel

    Qual a posição do BE, e já agora do Daniel em relação à propriedade privada? O PCP defende uma economia mista no seu programa político. O BE o que defende? E o Daniel? O que se deveria nacionalizar? Uma vez entrevistei o Louçã e passo a citar:

    «O BE não tem ideologia, tem um conjunto de propostas»

  34. 34 34  JV

    DO, quando comentei esta manhã tinha feito apenas uma leitura rápida do texto de JMJ. Acabo de o reler com mais atenção, e sinceramente não vejo nada que possa justificar-lhe afirmações como «qualquer coisa que só pode ser classificada bem abaixo da mais triste indigência teórica» ou «O artigo não quer convencer ninguém de nada. Basta lê-lo para o perceber. Quer apenas fazer o costume: erguer um muro mais alto contra a contaminação para tornar mais segura a fortaleza.».
    O que JMJ escreve tem toda a procedência. De facto, desde os finais dos anos 70/inícios dos anos 80, o pensamento político dos nomes mais proeminentes do BE (Francisco Louçã, Miguel Portas, Luís Fazenda, Fernando Rosas) mudou profundamente. Da defesa da colectivização dos meios de produção, da abolição da propriedade privada, da constituição de comités de operários e camponeses, longo foi o caminho percorrido, e hoje nem sequer há a certeza entre os que dirigem o Bloco sobre se o movimento é de carácter revolucionário ou reformista. Louçã, inclusivamente, disse que essa é uma discussão «conceptual» que o partido nunca teve. Ora, para um marxista - e o Bloco é um partido marxista, tanto quanto sei: pelo menos, na hora de referir os seus ideólogos, traz sempre à colacção nomes como Antonio Gramsci, Rosa Luxemburgo, Leon Trotsky, Karl Marx, todos eles marxistas -, saber se pertence a um movimento revolucionário ou não é tudo menos uma mera questão conceptual: o movimento é necessariamente revolucionário, posto que o reformismo, como dizem todos os nomes que cito acima, é a ideologia por excelência dos pequeno-burgueses. Logo, se Louçã não sabe em qual dos lados está, pode com razão ser apodado de inconsequente por qualquer marxista que ande por aí.
    A única coisa temerária que JMJ afirma é o eleiçoeirismo que está por trás das tergiversações ideológicas do Bloco. Não há dados sólidos para afirmar uma coisa destas: a vacuidade do discurso, a circularidade auto-encomiástica, o uso e abuso de expressões como «moderno», «progressista», «novo», «radical», etc., são exacta e efectivamente alardes retóricos com o fim único de granjear votos. Mas as mudanças de cariz ideológico podem não ser oportunistas. Podem ser fruto de uma evolução legítima de posições - o que, se choca com as referências doutrinárias que o BE reclama, não é errado nem proibido -, ou de inconsequência pura e simples. Nada indicia que se trate de eleiçoeirismo: JMJ teria de fundamentar melhor uma asserção desta gravidade.

  35. 35 35  Minhoto

    Censurou-me pelo que eu tinha dito sobre as suas amiguinhas? É contra o lesbianismo? Contra a ménage a trois? Que cota conservador que está a ficar!
    “Reagiu negativamente como um radical pequeno-burguês que é. Em vez de os desmontar e os refutar partiu para a “queixinha” e para a negação da realidade” Daniel esta frase diz tudo de si, e eu a perder tempo a divagar nos comentários, há quem seja acutilante!

  36. 36 36  Tiago R.

    Para tornar as coisas mais claras - e sabendo que os participantes nesta discussão sabem isto perfeitamente:

    O que o PCP propõe (hoje, agora, nesta conjuntura) é o aprofundamento da participação popular no quadro de uma democracia multipartidária, com um Estado que controle as alavancas fundamentais da economia (transportes, energias, comunicações) e que avance com medidas socializantes, ainda dentro ainda do sistema capitalista, mas como via para a sua superação (convém não esquecer…).

    Depois, citando o Programa do PCP: “A acção de vanguarda da classe operária, a luta dos trabalhadores e das massas populares, a política assumida pelas instituições e pelo Estado, a maior ou menor democraticidade das eleições, a evolução da estrutura social e a arrumação das forças de classe, a conjuntura internacional, a capacidade do Partido para ganhar as massas para o seu Programa, são elementos fundamentais que determinarão no concreto o processo de transformação socialista da sociedade.”

    Tudo o que se diga mais do que isto será especulação e, provavelmente, um problema para ser resolvido pelas gerações futuras.

    A nossa tem outros, e grandes.

  37. 37 37  A.R.A

    De facto, eu mais do que ninguém considero que houve uma limpeza intelectual no “meu” vulgo nosso PCP, com purgas internas que me deixaram e deixam vexado porque este não é nem nunca foi o meu ideal comunista, mas ao ler o que li do DO, que eu até considero bastante, fiquei deveras desapontado porque no fundo a amalgama ideológica que defende é que é sem duvida (na maioria dos casos) sem conteúdo e provida de uma subjectividade quase adolescente.

    Acho-lhes piada e têm uma maquina de propaganda (que até vêm do século passado) que aprecio bastante mas ………. é só.

    Põem o dedo nas feridas mas as soluções são de um vazio atroz. É certo que o PCP segue uma via de ortodoxia que não me agrada nada embora deva também afirmar vivamente que nunca as causas ditas ultrapassadas ou até pré-históricas tiveram tanta actualidade ou fizeram tanto sentido como agora, por isso , DO deixe de fazer coro desses latidos “fratricidas” e ou de um esquerdismo desprezível porque o inimigo é comum.

    Aquele abraço
    A.R.A

  38. 38 38  A.R.A

    Já agora oh DO, ainda se lembra da letra da Internacional ou será que está demasiada ultrapassada para se lembrar dela?

    Aquele abraço camarada, isto se no BE ainda se tratam assim?

    Ve-mo-nos no Avante que eu pago 1 “añejo” em Cuba!

    A.R.A

  39. 39 39  Olaio

    A imagem que ilustra este post diz tudo. Nada tem a ver com o artigo é só mera provocação!
    Se no artigo do Avante se foge para chinela, neste post ficamo-nos pelo limite da indigência intelectual.
    Parece que afinal José Manuel Jara tem muita razão no artigo que escreve.

  40. 40 40  Democrata

    A comissâo polìtica tem imediatamente cortar relaçôes com o PCP. Se nâo o fizer essa gente da ex: rda, fica a rir.

    bloquista.

  41. 41 41  José Manuel Jara

    Confesso que apreciei este debate estival bloguista.Sabem como se diz em russo beijo? Patsielui.E em alemão: Kuss…
    Ainda mais um reparo: li a literatura do Bloco e dos seus lideres, tarefa chata, que me levou muito tempo. Quis fazer um trabalho sério e acho que consegui, mesmo quando algumas frases podem suscitar o riso.
    Um bloco como o Bloco tem de resistir. E o DAniel Oliveira, talvez,fazer um sorriso amarelo…

  42. 42 42  mm

    Sou professor de filosofia do ensino secundário, tenho 48 anos, há mais de 20 saí do PCP, nos últimos tenho votado no BE.
    Quase todos os dias vou de metro para a escola por volta das 7.30, ao meu lado vão pessoas que falam em paneleiros e, à maneira do Porto, em drógados, ganham pouco, não têm muitos livros nem vestem roupa de marca, mas é com essa gente que eu me identifico até quando manifestam o seu medo dos delinquentes de qualquer extracto social e a sua deconfiança dos políticos, em geral de forma indiferenciada.
    Nunca fiz opções políticas fundamentado em qualquer filosofia da história, apesar de, em tempos, me ter considerado marxista e agora já não saber o que me considero, essas opções sempre as vi como éticas e, mais do que isso, baseadas no afecto e na solidariedade humana.
    A verdade é que não tenho nada que ver com a maior parte dos comentários do Daniel Oliveira e muito menos com aquilo que o Teixeira Lopes escreveu no artigo citada muito lá para cima.
    Com eles não se aprende nada em termos políticos, teóricos ou ideológicos, julgam, sobretudo o primeiro, que analisam serenamente a realidade, estão enganados, apenas repetem ideias feitas, desconhecem os factos e a maneira como as pessoas reais se vêm obrigadas a lidar com eles todos os dias, e a verdade sobre a realidade está aí, na forma como lidamos com ela, não vale a pena procurá-la noutro lado.
    Votar no PCP está fora de causa, não votar far-me-ia sentir cúmplice do PS(D), será que vou conseguir votar no BE dos queques e das quêcas?

  43. 43 43  Zapata

    mm, eu também já dei aulas de filosofia (agora não consigo colocação). O meu sentido de voto é e sempre foi à esquerda. Já votei PCP e BE. Se vivesse noutro país, votaria sempre à esquerda. Se estivesse na Venezuela, por exemplo, apoiaria o PSUV e o Chávez, como apoiaria o MAS e o Evo na Bolívia. O que quero dizer é que a ética e a solidariedade humana me obrigam, enquanto cidadão livre e responsável, a escolher as opções políticas que, justamente, se orientam pelos valores da liberdade e da justiça. De modo que, meu caro colega de filosofia, são as pessoas de esquerda (do BE e mesmo do PCP) que conhecem verdadeiramente a realidade e, por esse mesmo facto, a querem transformar. Logo, o sentido de voto só pode ser um.

  44. 44 44  José Henriques

    É triste, mas é a realidade. A postura do PCP é esta há muitos anos: quem não é do PCP é contra-revolucionário. Seja quem for. Li o artigo De José M. Jara, assim como li o post que ele deixou. Felizmente, haverá muito camarada no PCP que não está de acordo com o que ele escreveu, nem na forma, nem no conteúdo. As críticas são sempre bem vindas. Estas posturas estilo “Vendetta” só se percebem porque de facto o tal partidito ou movimentozeco como lhe queiram chamar do alto da sua arrogância, tem resistido, tem crescido, e é a prova de que a esquerda não é propriedade de ninguém, de nenhum partido, por muita História ( e o PCP tem-na) que tenha feito.

  45. 45 45  Alfa

    É lamentável, nos tempos que correm, que as esquerdas mantenham este estranho hábito de apedrejamento mútuo.

    Se há alguma razão quanto ao sectarismo e indigencia intelectual do PC - especialmente patente nas visões sobre a politica internacional - estes virus infectam igualmente o Bloco.
    Porque a eloquencia e diletancia mascaram, mas nao escondem, ideias feitas e comportamentos processuais. Mesmo com a ajuda da “modernidade”

    Se é certo que não consigo ser militante de um partido “amigo” de Luanda ou Pequim, também não suporto um outro onde acerrimos detractores - a crítica seria razoavel - de Chavez ou do Marxismo se pavoneiam e arrogam donos da verdade.

  46. 46 46  A.R.A

    Olaio
    “A imagem que ilustra este post diz tudo. Nada tem a ver com o artigo é só mera provocação!”

    Sem duvida que foi uma provocação cheia de …”indigência intelectual”… e mais, foi a demonstração perfeita de como toda a esquerda portuguesa continua a marcar passo com estas tricas sectárias parecendo um cão a tentar morder a própria cauda.

    A acção revolucionária faz-se em uníssono e a uma só voz independentemente do passado, presente ou futuro e este sentimento divisionário foi a principal causa da falência de Abril.

    Sempre votei PCP com a excepção de uma só vez, aquando do aparecimento de um determinado partido chamado BE, pois acreditava e ainda acredito que ao invés de achar que se estava a fracturar a esquerda estava, isso sim, a torna-la plural para todas as frentes de uma batalha COMUM.

    Mediante os erros primários de parte a parte (inclusive do verdadeiro PS que agora chora com o rumo do seu socialismo) continuamos na cepa torta com o povo a perder a olhos vistos aquilo que conquistou num passado recente mas……. que parece tão longínquo.

    Para o Olaio e demais bloquistas, comunistas, socialistas e bloquistas comunistas/ socialistas, e etc………. tenham juízo e trabalhem para aquilo que foram eleitos porque, sinceramente, não vejo onde está a utilidade de andar-mos insistentemente a ver quem é que nasceu 1º se o ovo ou a galinha. A sério! Já estou um bocado farto destas “vendettas” de m….

    A direita continua a olhar com regozijo os D. Quixotes da esquerda que à falta de moinhos marram uns com os outros.

    Leiam Trotsky ou Álvaro Cunhal ou Allende ou revisitem Marx, Leinin… é pá distraiam-se e actuem em conformidade; mas actuem, porra!!

    A.R.A

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