Entrevista de Bagão Félix ao Correio da Manhã.

Correio da Manhã – Foi o autor político do anterior Código de Trabalho, de 2003. O que acha destas propostas?
Bagão Félix – Antes de mais, deixe-me dizer que ainda não li o Livro Branco. O conhecimento que tenho é das notícias dos jornais mas estou surpreendido porque algumas das pessoas que me criticaram há quatro anos agora foram ainda mais longe. São ex-marxistas mais neoliberais do que os neoliberais.
CM – O que pensa da questão da adaptabilidade?
BF – Os tempos de trabalho têm um princípio subjacente de ajustar o ciclo de trabalho ao das empresas e nesse sentido admito que se aprofundasse nesse sentido. Mas tem de ser com o mínimo de respeito pelo tempo de lazer, de família e de descanso das pessoas. Reduzir a pausa para meia hora, como se consegue almoçar?
CM – E quanto às reduções salariais?
BF – Algumas parecem-me mais uma dádiva ao patronato do que uma necessidade. Aliás, as propostas parecem-me mais uma coligação PS/CIP. Vou estar muito atento a qual vai ser a reacção do Governo. Há quatro anos o PS votou contra e algumas das pessoas disseram que iriam repor uma série de direitos que eu tinha retirado.

Via Troll Urbano.


Sem respostas ao post “PS ultrapassa Bagão Félix pela direita”  

  1. 1 1  Luís Lavoura

    Eu já vi muitas pessoas a almoçar em meia hora.

    Qaundo eu trabalhava na América as pessoas lá na universidade almoçavam assim: paravam um bocado de trabalhar para comer duas sandes que tinham trazido de casa. É por isso que os americanos trabalham das “9 às 5″: porque não perdem tempo com o almoço.

    Os jardineiros que tratavam do jardim à minha tia faziam o mesmo: paravam de trabalhar, abriam uma marmita com o almoço quente que tinham trazido de casa, e comiam em bem menos do que meia hora.

    É tudo uma questão de gostos. Eu não gosto de comer em meia hora, gosto de ter hora e meia de paragem ao almoço. Mas tenho colegas de trabalho que fazem como os americanos.

    E a lei não tem nada que se imiscuir nestes assuntos. Deve dar aos patrões e empregados a liberdade de ajustarem a coisa.

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  2. 2 2  jojo

    Tou à espera que o Manel Alegre bote faladura sobre isto e faça algo consequente.A propósito tou a ouvir o ministro que nunca foi a um SAP nem há-de ir, a balbucinar uma melopeia marada.Com esta podridão socialista não vamos lá.Estão cada vez mais parecidos com os aparatchiks salazaristas.Enfim,a democracia …Triste

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  3. 3 3  JV

    São ex-marxistas mais neoliberais do que os neoliberais.

    Nada de surpreendente: nos EUA passa-se exactamente a mesma coisa – os actuais neo-conservadores começaram todos no socialismo revolucionário. Dava um estudo sócio-político interessante…

    E a lei não tem nada que se imiscuir nestes assuntos. Deve dar aos patrões e empregados a liberdade de ajustarem a coisa.

    Como se o patronato e o assalariado estivessem em pé de igualdade para fazer uma negociação dessas! Imagine que um patrão diz que quer estipular 10 minutos como tempo máximo de paragem para almoço. O empregado tem uma de duas hipóteses numa situação dessas: ou recusa, e mais dia menos dia é posto no olho da rua; ou, para manter o emprego, aceita.
    A única entidade que pode impedir a implementação de uma regra tão draconiana é o Estado: se deixarmos os horários, os salários, etc., à livre negociação entre empregados e patrões, estamos a lançar o assalariado para a escravatura, porque parte sempre para essas negociações numa posição de fraqueza: ele precisa do emprego – já o patrão tanto se lhe dá se quem fica com o posto de trabalho é o primeiro ou o último da fila na sala de espera. E se não estiver, legalmente, obrigado a respeitar determinadas normas, pode ditar as que quer, e o trabalhador fica entre a espada e a parede, que é como quem diz entre a Servidão e a Fome. É isto que o Neo-Liberalismo não quer entender.

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