Entrevista de Bagão Félix ao Correio da Manhã.
Correio da Manhã – Foi o autor político do anterior Código de Trabalho, de 2003. O que acha destas propostas?
Bagão Félix – Antes de mais, deixe-me dizer que ainda não li o Livro Branco. O conhecimento que tenho é das notícias dos jornais mas estou surpreendido porque algumas das pessoas que me criticaram há quatro anos agora foram ainda mais longe. São ex-marxistas mais neoliberais do que os neoliberais.
CM – O que pensa da questão da adaptabilidade?
BF – Os tempos de trabalho têm um princípio subjacente de ajustar o ciclo de trabalho ao das empresas e nesse sentido admito que se aprofundasse nesse sentido. Mas tem de ser com o mínimo de respeito pelo tempo de lazer, de família e de descanso das pessoas. Reduzir a pausa para meia hora, como se consegue almoçar?
CM – E quanto às reduções salariais?
BF – Algumas parecem-me mais uma dádiva ao patronato do que uma necessidade. Aliás, as propostas parecem-me mais uma coligação PS/CIP. Vou estar muito atento a qual vai ser a reacção do Governo. Há quatro anos o PS votou contra e algumas das pessoas disseram que iriam repor uma série de direitos que eu tinha retirado.
Via Troll Urbano.
Sem comentários 29 Jun 07 em Sem categoria



Eu já vi muitas pessoas a almoçar em meia hora.
Qaundo eu trabalhava na América as pessoas lá na universidade almoçavam assim: paravam um bocado de trabalhar para comer duas sandes que tinham trazido de casa. É por isso que os americanos trabalham das “9 às 5″: porque não perdem tempo com o almoço.
Os jardineiros que tratavam do jardim à minha tia faziam o mesmo: paravam de trabalhar, abriam uma marmita com o almoço quente que tinham trazido de casa, e comiam em bem menos do que meia hora.
É tudo uma questão de gostos. Eu não gosto de comer em meia hora, gosto de ter hora e meia de paragem ao almoço. Mas tenho colegas de trabalho que fazem como os americanos.
E a lei não tem nada que se imiscuir nestes assuntos. Deve dar aos patrões e empregados a liberdade de ajustarem a coisa.
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Tou à espera que o Manel Alegre bote faladura sobre isto e faça algo consequente.A propósito tou a ouvir o ministro que nunca foi a um SAP nem há-de ir, a balbucinar uma melopeia marada.Com esta podridão socialista não vamos lá.Estão cada vez mais parecidos com os aparatchiks salazaristas.Enfim,a democracia …Triste
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São ex-marxistas mais neoliberais do que os neoliberais.
Nada de surpreendente: nos EUA passa-se exactamente a mesma coisa – os actuais neo-conservadores começaram todos no socialismo revolucionário. Dava um estudo sócio-político interessante…
E a lei não tem nada que se imiscuir nestes assuntos. Deve dar aos patrões e empregados a liberdade de ajustarem a coisa.
Como se o patronato e o assalariado estivessem em pé de igualdade para fazer uma negociação dessas! Imagine que um patrão diz que quer estipular 10 minutos como tempo máximo de paragem para almoço. O empregado tem uma de duas hipóteses numa situação dessas: ou recusa, e mais dia menos dia é posto no olho da rua; ou, para manter o emprego, aceita.
A única entidade que pode impedir a implementação de uma regra tão draconiana é o Estado: se deixarmos os horários, os salários, etc., à livre negociação entre empregados e patrões, estamos a lançar o assalariado para a escravatura, porque parte sempre para essas negociações numa posição de fraqueza: ele precisa do emprego – já o patrão tanto se lhe dá se quem fica com o posto de trabalho é o primeiro ou o último da fila na sala de espera. E se não estiver, legalmente, obrigado a respeitar determinadas normas, pode ditar as que quer, e o trabalhador fica entre a espada e a parede, que é como quem diz entre a Servidão e a Fome. É isto que o Neo-Liberalismo não quer entender.
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