Durante anos fui defendendo, sempre sem grandes certezas, que talvez a melhor solução para resolver o problema da saturação da Portela fosse, em vez de um aeroporto completamente novo, a versão Portela+1. Um Aeroporto menos ambicioso, muitíssimo mais barato, talvez um já existente ou um novo, para charters, low cost e alguns voos de escala. Ouvi sempre como resposta, dos indefectíveis da Ota, que tal não seria possível. Como estou longe de ser um especialista, mantive-me apenas céptico. Agora, vejo o ministro Mário Lino defender esta solução como provisória. E fica a pergunta: se é provisoriamente possível, qual era a urgência da Ota?


Sem respostas ao post “Qual é a urgência?”  

  1. 1 1  l.rodrigues

    Eu acho que é melhor ter a certeza de que daqui a 20 anos ainda há aviões a voar do que empatar aquele dinheiro todo…
    Apesar de parecer uma coisa mais megalómana, ligar-nos à Europa com um TGV daqueles de 350 km/h é capaz ser mais interessante a longo prazo.

  2. 2 2  eufrazio filipe

    ESTE PAÍS CONTINUA AÉREO -
    NUNCA MAIS ATERRA POR FALTA DE ESPAÇO ESQUECIDO QUE TEMOS UM VASTO TERRITÓRIO LÍQUIDO.

  3. 3 3  simonon

    Este Daniel é porreiro a entender adiante de todos, quando lhe dá gosto, mas, se não dá, vira-se atrás a perguntar-nos, a coibir-nos de lhe responder o óbvio, entendidos da matéria.

    E desta Lino passou-lhe à frente, demonstrando como a Ota é iniludível, tão indefectível e incontestável, que até merece o adiantamento de um aeroporto transitório e preventivo, assim como antes de casar um tipo lá vai às mulheres da vida.

  4. 4 4  JP

    e do que é que o Mario Lino percebe, hein?

  5. 5 5  LM

    E a segurança caro Daniel? Não conta?

  6. 6 6  Sofocleto

    Miguel Sousa Tavares – Expresso – 07/01/2006

    «É como a Ota e o TGV: ninguém ainda conseguiu explicar direito a lógica de interesse público, de rentabilidade económica ou de factor de desenvolvimento. Mas todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos, não apenas os directamente interessados - os empresários de obras públicas, os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos - mas também flutuantes figuras representativas dos principais escritórios da advocacia de negócios de Lisboa. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. E o grande dinheiro agradece e aproveita.»

    «Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro -, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre. Jogando com o que resta do património público, com o dinheiro que receberemos até 2013.

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    LM, o que tem a segurança?

  8. 8 8  Tiago Salgado

    O que tem a segurança? O facto de termos aviões em Lisboa a “razar” as casas em certas zonas da cidade não tem nada a ver com insegurança?
    Não é uma preocupação pós 9/11, mas sim uma preocupação que já vem de há muito, e sou claramente a favor de que o aeroporto de Lisboa se afaste do centro da cidade.
    Que venham os defensores do actual sistema, porque traz mais-valias relativamente ao facto de estar mesmo coladinho a Lisboa. Mas se se construirem infra-estruturas de qualidade que liguem a cidade ao aeroporto, não é por meia-hora que as pessoas não deixarão de andar de avião, ou virem visitar o país.

    E será que temos sempre de pensar em provisoriamente? Já agora, provisoriamente de quê? De um novo aeroporto de larga dimensão? Ou seja, adia-se o inadiável, e daqui a 15, 20 anos voltamos à mesma história… bah!

  9. 9 9  EB

    Segundo um professor meu, que esteve envolvido no metro do terreiro do paço, santa apolonia, baixa-chiado, entre outras obras interessante.., a ota sairá muito mais cara do que alguém possa pensar, uma vez que não existe qualquer construtora que assuma o risco geotécnico da obra, ou seja, se algo correr mal será o estado a pagar.
    Infelizmente, a factura já não será paga pela vossa geração mas sim pela minha.
    A solução do daniel é interessante, mas em ultima instância constitui um mal menor.
    Penso que, apenas com o orçamento preliminar para a ota, seria bem melhor proceder à requalificação da cidade aeroportuária da portela, mesmo que esta implique demolições em magnitude e consequente agitação social. A localização actual é excepcional, e a diferença de custos seria suficiente para reabilitar a zona ocidental de lisboa, realojando as cerca de 10000 pessoas que vivem “no aeroporto”. Certamente a qualidade de vida das mesmas melhoraria, a dos lisboetas também, sem comprometer o futuro da minha geração.

  10. 10 10  Lucas Soromenho

    Portugal é o único país onde a ignorância é mesmo um ponto de vista. Porque se ufana um leigo de ter “defendido” um ou outro ponto de vista sobre uma questão técnica que patentemente não conhece a fundo nem tem aptidões ou estudos para compreender?

  11. 11 11  Luís Lavoura

    Eu tendo a concordar com o Daniel.

    Pura e simplesmente, não acredito que haja petróleo suficiente para que, daqui a dez anos, se ande tanto de avião como se anda hoje. E não há forma de fazer voar aviões sem ser a petróleo. Estar a construir um aeroporto novo quando daqui a 20 anos o petróleo estará tão caro que pouca gente terá vontade de voar, parece-me uma total asneira.

  12. 12 12  Daniel Oliveira

    Lucas Soromenho, as prioridades de investimento é uma questão política. Nenhum debate que a envolva é entregue ou pode ser entregue exclusivamente a técnicos. Tenho a humildade de reconhecer que não domino todos os assuntos. Isso não me pode impedir de participar no debate. Sobretudo porque fiz o esforço de falar com quem perceba (várias pessoas com opiniões divergentes).

    Fiquei sem saber se é um especialista. Se é, podia contribuir com um pouco mais do que arrogância no debate, como outros tentam. Se não é, não imagino como pode avaliar o meu grau de ignorância na matéria.

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    Tiago Salgado, segundo me dizem entendidos, a localização da Portela está longe de ser insegura, porque os aviões não costumam cair a metros do aeroporto nem enganar-se (o 11 de Setembro não foi um acidente) e bater contra prédios.

  14. 14 14  Tiago Salgado

    Daniel, não sou especialista na matéria e reconheço que não estou muito a par dos últimos desenvolvimentos, mas tenho lido nos jornais vários entendidos na matéria a reconhecer esse perigo.

    E também já vi acidentes de aviões que caíram bem perto dos aeroportos.

    Não quero dizer com isto que esteja correcto, mas é a minha opinião. Acho que a segurança da cidade de Lisboa deveria ser um dos aspectos fundamentais a ter em consideração quando se pensa em alternativas à portela. Já para não falar da poluição sonora, do ar, do facto de estar a rebentar pelas costuras, não ser sustentável a curto prazo, para além de achar que se deva fazer a coisa como deve de ser, em vez de andar a remendar provisoriamente…

    A palavra provisório, quando metida em obras públicas, é bastante perigosa. Faça-se o levantamento das obras provisórias construídas por cá (em particular há quanto tempo é que são provisórias), e depois tirem as conclusões…

  15. 15 15  schleibinger

    Já agora recomendo a leitura deste artigo.
    http://www.maquinistas.org/pdfs_ruirodrigues/lowcostportela.pdf

  16. 16 16  Luís Lavoura

    EB, aquilo que diz é capaz de fazer sentido. Jamais teria sido necessário construir um outro aeroporto se a Câmara de Lisboa não tivesse avançado para a construção desse subúrbio chamado “Alta de Lisboa”, o qual ocupa boa parte do planalto que deveris servir para ampliar o aeroporto. Talvez mais valesse demolir a Alta e ampliar o aeroporto para lá. Era capaz de ficar mais barato do que construir um aeroporto novo.

  17. 17 17  Junq

    A opnião de Lucas Soromenho tem uma implicação séria: só podemos debater quando estamos na posse de dados que nos tornam esclarecidamente competentes para o fazer… “Ups”, que lá se vai a base da democracia paricipativa. Decisões muito mais importantes são deixadas ao povo… Ignorante. Ou o Zé da Esquina, especialista em copos de três, pevides e benfica ,não devia poder votar e exprimir a sua estulta opinião? Democracia, Sr. Lucas Soromenho, tem também como premissa que a ignorância colectiva é mais inteligente que a iluminação individual ou o esclarecimento de qualquer elite.

  18. 18 18  ezer

    É só por causa da subida de 5 000%(SIC!!!!)dos terrenos à volta da Ota…bussiness as usual

  19. 19 19  Justino Flores

    Não era preciso ser um iluminado ou um técnico de renome para vaticinar que grande parte dos estádios do euro 2004 ficariam desaproveitados e sem retorno. Da mesma forma, pese embora os distintos estudos (que não são unânimes nem indiscutíveis) a Ota será uma solução muito pior que a ampliação máxima da Portela conjuntamente com Alverca ou Montijo, esta sim, uma solução muito mais rentável para o Estado e para o dinheiro de todos nós já que é certo a crescente alta do preço do petróleo bem como a limitação de ampliação da Ota.Mas para os engenheiros de elite ou os bancos àvidos, os construtores, os particulares dos terrenos, diversas clientelas etc. etc., é sempre melhor a Ota e não deixará de haver estudos à la carte para o demonstrar, nem as omnipresentes justificações ambientais, como se a Ota não tivesse um aquífero debaixo nem fossem necessários remover 50.000.000 de m3 de terras, valor próximo do valor do primeiro plano do Canal do Panamá.Quanto ao TGV é muito mais viável a médio e longo prazo e coloca Portugal na linha de alta velocidade reduzindo o seu caracter periférico do Pais. Por isto, deve-se apostar no TGV e no Portela + 1.

    um leigo plebeu e não iluminado

  20. 20 20  Quintanilha

    Uma coisa boa que os portugueses têm, á a capacidade de opinar sobre tudo!

  21. 21 21  Perguntas

    Quem é que disse que o petróleo vai ficar mais caro? Quem é que disse que o petróleo não pode ser substituído por hidrogéneo? Quem é que disse que os aviões sõ podem andar a petróleo? E que tal um pouco mais de rigor?

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