Durante anos fui defendendo, sempre sem grandes certezas, que talvez a melhor solução para resolver o problema da saturação da Portela fosse, em vez de um aeroporto completamente novo, a versão Portela+1. Um Aeroporto menos ambicioso, muitíssimo mais barato, talvez um já existente ou um novo, para charters, low cost e alguns voos de escala. Ouvi sempre como resposta, dos indefectíveis da Ota, que tal não seria possível. Como estou longe de ser um especialista, mantive-me apenas céptico. Agora, vejo o ministro Mário Lino defender esta solução como provisória. E fica a pergunta: se é provisoriamente possível, qual era a urgência da Ota?
Por Daniel Oliveira 19 Abr 07 em Sem categoria


Eu acho que é melhor ter a certeza de que daqui a 20 anos ainda há aviões a voar do que empatar aquele dinheiro todo…
Apesar de parecer uma coisa mais megalómana, ligar-nos à Europa com um TGV daqueles de 350 km/h é capaz ser mais interessante a longo prazo.
ESTE PAÍS CONTINUA AÉREO -
NUNCA MAIS ATERRA POR FALTA DE ESPAÇO ESQUECIDO QUE TEMOS UM VASTO TERRITÓRIO LÍQUIDO.
Este Daniel é porreiro a entender adiante de todos, quando lhe dá gosto, mas, se não dá, vira-se atrás a perguntar-nos, a coibir-nos de lhe responder o óbvio, entendidos da matéria.
E desta Lino passou-lhe à frente, demonstrando como a Ota é iniludível, tão indefectível e incontestável, que até merece o adiantamento de um aeroporto transitório e preventivo, assim como antes de casar um tipo lá vai às mulheres da vida.
e do que é que o Mario Lino percebe, hein?
E a segurança caro Daniel? Não conta?
Miguel Sousa Tavares – Expresso – 07/01/2006
«É como a Ota e o TGV: ninguém ainda conseguiu explicar direito a lógica de interesse público, de rentabilidade económica ou de factor de desenvolvimento. Mas todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos, não apenas os directamente interessados - os empresários de obras públicas, os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos - mas também flutuantes figuras representativas dos principais escritórios da advocacia de negócios de Lisboa. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. E o grande dinheiro agradece e aproveita.»
«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro -, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre. Jogando com o que resta do património público, com o dinheiro que receberemos até 2013.
LM, o que tem a segurança?
O que tem a segurança? O facto de termos aviões em Lisboa a “razar” as casas em certas zonas da cidade não tem nada a ver com insegurança?
Não é uma preocupação pós 9/11, mas sim uma preocupação que já vem de há muito, e sou claramente a favor de que o aeroporto de Lisboa se afaste do centro da cidade.
Que venham os defensores do actual sistema, porque traz mais-valias relativamente ao facto de estar mesmo coladinho a Lisboa. Mas se se construirem infra-estruturas de qualidade que liguem a cidade ao aeroporto, não é por meia-hora que as pessoas não deixarão de andar de avião, ou virem visitar o país.
E será que temos sempre de pensar em provisoriamente? Já agora, provisoriamente de quê? De um novo aeroporto de larga dimensão? Ou seja, adia-se o inadiável, e daqui a 15, 20 anos voltamos à mesma história… bah!
Segundo um professor meu, que esteve envolvido no metro do terreiro do paço, santa apolonia, baixa-chiado, entre outras obras interessante.., a ota sairá muito mais cara do que alguém possa pensar, uma vez que não existe qualquer construtora que assuma o risco geotécnico da obra, ou seja, se algo correr mal será o estado a pagar.
Infelizmente, a factura já não será paga pela vossa geração mas sim pela minha.
A solução do daniel é interessante, mas em ultima instância constitui um mal menor.
Penso que, apenas com o orçamento preliminar para a ota, seria bem melhor proceder à requalificação da cidade aeroportuária da portela, mesmo que esta implique demolições em magnitude e consequente agitação social. A localização actual é excepcional, e a diferença de custos seria suficiente para reabilitar a zona ocidental de lisboa, realojando as cerca de 10000 pessoas que vivem “no aeroporto”. Certamente a qualidade de vida das mesmas melhoraria, a dos lisboetas também, sem comprometer o futuro da minha geração.
Portugal é o único país onde a ignorância é mesmo um ponto de vista. Porque se ufana um leigo de ter “defendido” um ou outro ponto de vista sobre uma questão técnica que patentemente não conhece a fundo nem tem aptidões ou estudos para compreender?
Eu tendo a concordar com o Daniel.
Pura e simplesmente, não acredito que haja petróleo suficiente para que, daqui a dez anos, se ande tanto de avião como se anda hoje. E não há forma de fazer voar aviões sem ser a petróleo. Estar a construir um aeroporto novo quando daqui a 20 anos o petróleo estará tão caro que pouca gente terá vontade de voar, parece-me uma total asneira.
Lucas Soromenho, as prioridades de investimento é uma questão política. Nenhum debate que a envolva é entregue ou pode ser entregue exclusivamente a técnicos. Tenho a humildade de reconhecer que não domino todos os assuntos. Isso não me pode impedir de participar no debate. Sobretudo porque fiz o esforço de falar com quem perceba (várias pessoas com opiniões divergentes).
Fiquei sem saber se é um especialista. Se é, podia contribuir com um pouco mais do que arrogância no debate, como outros tentam. Se não é, não imagino como pode avaliar o meu grau de ignorância na matéria.
Tiago Salgado, segundo me dizem entendidos, a localização da Portela está longe de ser insegura, porque os aviões não costumam cair a metros do aeroporto nem enganar-se (o 11 de Setembro não foi um acidente) e bater contra prédios.
Daniel, não sou especialista na matéria e reconheço que não estou muito a par dos últimos desenvolvimentos, mas tenho lido nos jornais vários entendidos na matéria a reconhecer esse perigo.
E também já vi acidentes de aviões que caíram bem perto dos aeroportos.
Não quero dizer com isto que esteja correcto, mas é a minha opinião. Acho que a segurança da cidade de Lisboa deveria ser um dos aspectos fundamentais a ter em consideração quando se pensa em alternativas à portela. Já para não falar da poluição sonora, do ar, do facto de estar a rebentar pelas costuras, não ser sustentável a curto prazo, para além de achar que se deva fazer a coisa como deve de ser, em vez de andar a remendar provisoriamente…
A palavra provisório, quando metida em obras públicas, é bastante perigosa. Faça-se o levantamento das obras provisórias construídas por cá (em particular há quanto tempo é que são provisórias), e depois tirem as conclusões…
Já agora recomendo a leitura deste artigo.
http://www.maquinistas.org/pdfs_ruirodrigues/lowcostportela.pdf
EB, aquilo que diz é capaz de fazer sentido. Jamais teria sido necessário construir um outro aeroporto se a Câmara de Lisboa não tivesse avançado para a construção desse subúrbio chamado “Alta de Lisboa”, o qual ocupa boa parte do planalto que deveris servir para ampliar o aeroporto. Talvez mais valesse demolir a Alta e ampliar o aeroporto para lá. Era capaz de ficar mais barato do que construir um aeroporto novo.
A opnião de Lucas Soromenho tem uma implicação séria: só podemos debater quando estamos na posse de dados que nos tornam esclarecidamente competentes para o fazer… “Ups”, que lá se vai a base da democracia paricipativa. Decisões muito mais importantes são deixadas ao povo… Ignorante. Ou o Zé da Esquina, especialista em copos de três, pevides e benfica ,não devia poder votar e exprimir a sua estulta opinião? Democracia, Sr. Lucas Soromenho, tem também como premissa que a ignorância colectiva é mais inteligente que a iluminação individual ou o esclarecimento de qualquer elite.
É só por causa da subida de 5 000%(SIC!!!!)dos terrenos à volta da Ota…bussiness as usual
Não era preciso ser um iluminado ou um técnico de renome para vaticinar que grande parte dos estádios do euro 2004 ficariam desaproveitados e sem retorno. Da mesma forma, pese embora os distintos estudos (que não são unânimes nem indiscutíveis) a Ota será uma solução muito pior que a ampliação máxima da Portela conjuntamente com Alverca ou Montijo, esta sim, uma solução muito mais rentável para o Estado e para o dinheiro de todos nós já que é certo a crescente alta do preço do petróleo bem como a limitação de ampliação da Ota.Mas para os engenheiros de elite ou os bancos àvidos, os construtores, os particulares dos terrenos, diversas clientelas etc. etc., é sempre melhor a Ota e não deixará de haver estudos à la carte para o demonstrar, nem as omnipresentes justificações ambientais, como se a Ota não tivesse um aquífero debaixo nem fossem necessários remover 50.000.000 de m3 de terras, valor próximo do valor do primeiro plano do Canal do Panamá.Quanto ao TGV é muito mais viável a médio e longo prazo e coloca Portugal na linha de alta velocidade reduzindo o seu caracter periférico do Pais. Por isto, deve-se apostar no TGV e no Portela + 1.
um leigo plebeu e não iluminado
Uma coisa boa que os portugueses têm, á a capacidade de opinar sobre tudo!
Quem é que disse que o petróleo vai ficar mais caro? Quem é que disse que o petróleo não pode ser substituído por hidrogéneo? Quem é que disse que os aviões sõ podem andar a petróleo? E que tal um pouco mais de rigor?