Pelos meus calculos, 100 anos com algumas bolsas de resistência!
Der Spiegel
Era uma vez um príncipe que estava procurando sua futura rainha. Ele foi apresentado a uma princesa, duas princesas… e se apaixonou por outro príncipe. Eles se casaram em uma linda cerimónia e viveram juntos felizes para sempre. Parece uma comédia gay underground? Não é - o texto em questão é de um livro escolar.
Os alunos no Reino Unido aprendem sobre a diversidade sexual e estruturas familiares alternativas desde muito cedo. Um esquema piloto patrocinado pelo Estado em 14 escolas elementares - frequentadas por crianças de quatro a 11 anos - está gerando problemas por sua mensagem sexual liberal.
Pais conservadores e grupos religiosos temem que histórias como essa, dos dois príncipes apaixonados, possam corromper moralmente as crianças e promover a homossexualidade. “Não me incomodo com o que adultos fazem em consenso mútuo, mas não tenho certeza que isso deva ser imposto às crianças”, diz Andy Hebberd, fundador do grupo Organização de Pais.
Os responsáveis pelo projecto, chamado “No Outsiders”, dizem que os livros corrompem tanto a moral quanto Cinderela - o amor, não o sexo, está no coração da questão. As crianças não têm problema com isso, mas seus pais sim, diz Mark Jennett, responsável pelo treino dos professores. “O problema não vem das crianças, mas da ansiedade dos adultos.”
Além de “King & King” (rei e rei), haverá outros livros com pais de mesmo sexo. “Tango Makes Three” (Tango faz três) apresenta um filhote de pingüim com dois pais, enquanto “Spacegirl Pukes” é um livro de fotografias sobre duas mães que enviaram sua filha em uma viagem espacial.
Os textos constam da lista recomendada para as crianças nas escolas. “A coisa mais importante nesses livros é reflectir a realidade das crianças. Sou formada em literatura infantil e sei como é poderosa para formular os valores sociais e promover o desenvolvimento emocional”, disse a directora do projecto, Elizabeth Atkinson, ao “The Observer” no domingo (11/3).
Ela acrescentou que livros escolares tradicionais - que não incluem relacionamentos homossexuais - “silenciam uma mensagem social” e podem levar as crianças a serem alvos de provocação na escola mais tarde, se forem homossexuais ou assim consideradas. Se tiver sucesso, o esquema será estendido por todo o país. Ele conta com um patrocínio de 600.000 libras (em torno de R$ 2,4 milhões) do Conselho de Pesquisa Social e Econômica do governo e tem o apoio do Sindicato Nacional de Professores e Conselho Geral de Ensino.
Enquanto Jennett chama o “No Outsiders” de “vanguarda”, Simon Calvert, do Instituto Cristão, acredita que a maioria dos pais ficaria “abismada” com os personagens gays. Ao promover activamente a homossexualidade nas escolas, o “No Outsiders” está voltando a uma antiga batalha legal, disse ao Observer. O parágrafo em questão é a secção 28, uma emenda do Ato de Governo Local de 1988 que proibiu as escolas e autoridades locais de “promoverem a homossexualidade” ou sua aceitação como “relacionamento familiar pretendido”.
O parágrafo foi publicado em resposta a uma publicação escolar chamada “Jenny Lives with Eric and Martin” (Jenny mora com Eric e Martin), que gerou um debate raivoso quando foi publicado, há vinte anos. Mas os tempos mudaram, e o governo liberal de Tony Blair tem sido muito mais tolerante com a homossexualidade que seus predecessores.
A secção 28 foi revogada em 2003 e o casamento homossexual legalizado em 2005. O projecto “No Outsiders” é a primeira tentativa em grande escala de colocar livros sexualmente tolerantes de volta à lista de leitura recomendada às crianças - mas talvez sejam seus pais que precisem de professores de tolerância.”
São assustadores esses manuais escolares ingleses que promovem a homosexualidade em crianças dos 4 aos 11 anos.
Não penso que a homossexualidade seja algum tipo de desvio, pecado, doença ou perversão. Não acho aceitável então que se possa apontar o dedo a um homossexual por causa das suas preferências.
Agora, não admito de maneira nenhuma que uma escola possa promova esse tipo de informação aos meus filhos, especialmente nessa idade, entre os 4 e os 11 anos.
A homossexualidade é uma realidade que deve ser assumida. Estima-se que uma percentagem significativa das pessoas -superior a 5% - sejam homossexuais, (independentemente de serem assumidas ou não). Não sendo a homossexualidade rara nem excepcional, não será também uma regra a ser dada como exemplo a uma criança através de uma história de principes e principes.
As crianças aprendem com exemplos e com histórias, brincam aos principes e princezas. Sinceramente, ficaria preocupado se apanhasse um filho ou filha de cinco anos a brincar aos principes gays, não por preconceito, mas por achar o tema sexual completamente desenquadrado da sua idade.
Se muitos adolescentes poderão passar por fases de ambiguidade e dúvida relativamente às suas preferências sexuais (estes preferências manifestam-se maioritariamente durante ou depois a adolescência), o mesmo não se passará com as crianças entre os 4 e os 11 anos. Para quê estar a lançar uma potencial confusão tão cedo? Para quê explicar a uma criança de cinco anos que um dia ela terá de decidir se é ou não é homossexual? Não quero que um filho meu de cinco anos me pergunte se homossexual ou não. Tão pouco pretendo pré-configurar à partida um filho meu, nem para a homossexualidade nem para a heterossexualidade. As crianças fazem perguntas e elas devem ser respondidas à medida que vão surgindo.
Neste sentido, acho que a questão da homossexualidade está a ser ridicula e perigosamente sobrevalorizada nas escolas inglesas - é a melhor caricatura do politicamente correcto que cega a razoabilidade de muitas pessoas que se auto-reclamam de bem pensantes.
Para mim, a questão mais importante no meio de tudo isto é a questão da tolerância. Devemos ensinar aos nossos filhos a tolerância para com outros modos de vida, outros credos, outras raças, outras nacionalidades, outras escolhas sexuais, etc. Enquanto pais, devemos desde cedo incutir nos nossos filhos a aceitação da diferença dos outros, a tolerância perante outros modos de vida, o respeito por outros valores. As escolas deverão promover também a mesma tolerância. Centrar a questão da tolerância na homossexualidade, especialmente entre crianças de 4 a 11 anos, parece-me sintoma de uma sociedade sexualmente obcecada.
A questão não é somente que tipo de escola queremos, mas sim que tipo de educadores devemos ser: devemos previlegiar a tolerância enquanto valor a ser promovido em relação a todos os que são diferentes ou devemos dar um especial enfoque na homossexualidade? É porque não sendo propriamente um conservador também não me incluo no grupo dos educadores sexualmente obcecados.
Li atentamente o que escreveu, com calma e ponderação, respeito a sua opinião e reflecti sobre ela.
Leio com assiduidade ao meu filho os contos de Oscar Wilde entre eles o fantástico “O rouxinol e a rosa” , é uma historia que é um poema, não é preciso ser formada em psicologia para entender que a essência do conto é homossexual. Se isso me preocupa? Obviamente que não! Se acho que faz parte da educação afectiva do meu pequenito? Claro que sim!
Esqueça a sexualidade, não seja sexualmente obcecado, agarre apenas nos afectos. Que um homem pode amar outro homem, que uma mulher pode amar outra mulher, que uma mulher pode amar um homem, são coisas securizantes para qualquer criança em qualquer parte do mundo. Seguramente para mim teria sido muito útil, que alguém me tivesse dito que um homem pode amar outro, visto que o que me ensinaram é que eles estavam programados para lutar. Sim, as guerras são verdadeiramente assustadoras, e estão nos manuais escolares desde tenra idade.
Pela mesma lógica espero a remoção de todo conteudo ou referência heterossexual de qualquer programa escolar. Se é para ser neutro é preciso ser coerente.
Sebastião Dias e Pedro Fontela, a orientação sexual dita heterossexual entra-nos pelos olhos dentro, a cada segundo, via Média, via práticas sociais, etc, etc, etc… A ausência de outros modelos de comportamento (tanto aqui como noutros contextos - a reduzida visibilidade das mulheres em situações de poder político, por exemplo) provocam comportamentos de intolerância em relação a quem assume comportamentos ditos desviantes (ou seja, que fogem à norma).
A presença de exemplos de comportamento diversificados em função do género, da orientação sexual, da etnia, da religião quer nas práticas educativas quer nos manuais escolares é um exemplo de uma boa prática e o ponto de partida para não criar pessoas misógenas, homofóbias, racistas e, em geral, intolerantes.
Concordo com o seu «esqueça a sexualidade, não seja sexualmente obcecado, concentre-se apenas nos afectos», pois foi exactamente nesse sentido que eu escrevi o meu post. Um homem e uma mulher não se define pela sua sexualidade. Um individuo define-se pelas suas ideias, pelo seu carácter, pelo que sabe, pelos seus feitos, pelos seus erros, pelo seu potencial, pela soma de todos os seus minutos vividos e, claro, também pela sua sexualidade. É nesse sentido que digo que a sexualidade é hoje em dia sobrevalorizada - e eu até acho que os aspectos ligados à sexualidade devem ser abordados com normalidade.
Por isso digo que o valor que deve ser ensinado não é o da homossexualidade, mas sim o da tolerância e, como referiu, do amor.
E já que falou de amor, não se concentre apenas na sua manifestação sexual. O amor pode assumir imensas formas, o amor filial, fraternal, o amor que se sente por alguém que nem conhecemos, etc, etc. Quanto a guerras não me parece que aquelas das quais se deve estar a queixar se resolvam na cama, mas sim através do respeito pelas diferentes ideologias, credos, raças, em suma, e em última análise, do valor da vida (bolas, com esta até pareço um padre!)
Quando um manual escolar para crianças de 4 anos (4 anos!!) tem uma história de um principe, que procura por uma princesa para casar e acaba por casar por um principe, admira-me até que não haja mais pessoas com bom senso digam… que o rei vai nu.
Estou de acordo consigo mas se o Sebastião Dias acha que as referências homossexuais devem ser removidas acho justo que se faça o mesmo às heterossexuais. Apenas por uma questão de principio de igualdade.
Quando era miúda liam-me as mil e uma noites, e não sou poligâmica, talvez poligâmica faseada, não acredito que isso se deva ao livro. Quando eu tinha quatro anos, a minha boneca preferida namorava com um urso de peluche de nome Armando, o urso acumulava com uma boneca muito peneirenta de nome Nancy que andava envolvida com um palhaço que tinha uma guitarra com uma caixa de música. Verdade que na idade adulta já namorei com muitos ursos e palhaços com ou sem guitarra, não considero no entanto eu tal se deva ao facto de ter lido livros demais.
Deixe fluir…vá por mim deixe fluir.
Maria João,
O valor da tolerância ensina-se e pratica-se em relação a todos, creio estar a ser abrangente e acho que certamente ambos concordamos com isso.
A não existir esta abrangência, talvez então tenha de elaborar o seu raciocínio e propôr então um manual escolar em que uma princesa homossexual encontra um sem abrigo alcoolico e juntos têm vários filhos, um paraplégico que virá a ser o futuro rei, um segundo filho japonês mormon poligâmico, e cinco gémeos anões que se apaixonarão por um esquadrão de mutilados do Iraque, etc, etc. A história será mais rica quanto maior o número de grupos eventualmente excluídos da sociedade que esta aborde - presumo que a pedagogia que defende não pretenda apenas previlegiar os homossexuais. Antecipemos então eventuais melindres de outros grupos que poderão vir a sentir-se acossados (e, se calhar, com toda a razão).
Olhe que o politicamente correcto é um exercicio que pode ser maçadoramente interminavel.
Os contos de fadas, não são inocentes. Lembra-se de ter lido o “Barba azul” a historia de um assassino em série, do “capuchinho vermelho” um caso típico de sexo entre uma octogenária um lobo insaciável, a “bela adormecida” a historia patética de uma jovem imatura e dependente, a “casinha de chocolate” que retrata pais abandonicos, o “Peter Pan” um quarentão que se negava a crescer, a aldeia de Asterix onde todos sofriam claramente uma dependência a um tipo de droga psicotrópica …etc
Quanto às suas ideias, acho que os anões e os paraplégicos (nem entendo a sua referencia a eles, que a meu ver foi chocante) podem e devem muito bem aparecer nos manuais escolares, bem como os malefícios das drogas, evidentemente que dar a conhecer outras formas de família e culturas também me parece razoável. Obviamente existem diferenças entre exclusão e se auto excluir, bem como a promoção de comportamentos destrutivos como a toxicodependência. Bem, Sebastião acho que se encontra confuso?
Quando eu era pequenina havia uma vendedora de amendoins constantemente alcoolizada, mendigos como lepra e muitas famílias poligâmicas e estropiados em todas as esquinas, também me lembro que o meu macaco fugiu com o meu papagaio e nunca mais voltou (uma historia de amor seguramente), sem falar de uma guerra que decorria prazenteiramente a poucos metros do meu recreio, não li estas histórias elas são reais e lhe garanto que nenhuma me passou de lado. De resto é esse um dos meus papéis como educadora, apontar a realidade ao meu filho, dando-lhe armas para ele conseguir lidar com ela, trilhando os caminhos certos, sem se alienar e com valentia, tarefa megalómana eu sei. O meu filhote conhece os meus amigos, e dentro da minha tribo existe um casal homossexual, ele miúdo sensato como é processou essa informação com naturalidade, se esse casal acha que a sua cara-metade é um príncipe acho que provavelmente sim. É a vida, por tanto…deixe fluir…
Maria João, lamento que tenha preferido ficar chocada com o meu exemplo em vez de perceber que há exclusões sociais bem mais pesadas do que aquela que merece toda a sua discriminação positiva.
Acho também alguma graça à interpretação que faz das histórias para crianças, com cenas de zóofilia entre octogenarias e lobos, asterixes toxicodependentes e sei lá que histórias mais você, enquanto educadora, contará ao seu filho para adormecer à noite.
Sigo o seu conselho de me deixar fluir (whatever…) mas concluo que o que para si é um homossexual, para mim é uma pessoa como as outras.
Sebastião misturou toxicodependentes com anões, paraplégicos e mutilados. Enfim, cada um faz as misturas que faz, e o discurso certamente para si fará sentido. Uma coisa é promover a ideia de igualdade e aceitação da diferença e outra bem diferente são os graves problemas de dependências às drogas.
Pelo que entendi, o Sebastião acha que contar historias com principies e principies (o nosso Rei D. Sebastião tinha fama de ser por isso mais uma vez a realidade e o real se confundem), pode causar confusão na cabeça do(a) sua filho(a) que levem a que uma criança de 4 anos tenha a duvida metafísica de “serei ou não homossexual?”, estaríamos por tanto perante uma criança super dotada.
Enfim, eu opto por mostrar a realidade ao meu filhote, tentado enquadra-la e explica-la, são opções. Podia preferir coloca-lo numa redoma, se calhar seria mais fácil. Na realidade o faço, porque me lembro bem da minha infância, de como construí a realidade a processei e a digeri. E é claro a minha infância foi muito animada, não propriamente um bocejo.
Não sei que historias conta ao(s) seu(s) filho(s), provavelmente as mesmas que eu, não se interroga é sobre o conteúdo subliminar das mesmas.
Continuando, para mim um homossexual é um ser igual a todos os outros, sinceramente não acho que para si seja.
Deixe fluir e uma pequena nota de esperança: deixe que cresça dentro de si
Sebastião, se um homosessxual fosse para si uma pessoa como outra qualquer será que esta discussão tinha surgido??? e SIM, concordo com a Maria João: as histórias, os manuais, os anúncios de TV e tudo o amis que se lembre podem e devem promover formas alternativas de estar e de ser. Porque, ao contrário do que o Pedro Fontanela quer fazer pensar, na nossa sociedade, ser homossexual, ser de uma etnia ou religião diferente da da maioria é estigmatizante. A visibilidade e valorização de modelos alternativos de comportamento é uma forma relativamente rápida de promover a aceitação à diferença e como tal pode e deve ser efectuada.
a vossa incapacidade de compreender a ideia que eu estou a transmitir não fará de mim certamente uma pessoa pouco tolerante que certamente não sou. Faço uma última tentativa, isto partindo do principio que não me estou a dirigir a analfabetas funcionais.
1) A tolerância deve-se praticar em relação a todos.
2) A sexualidade de uma pessoa não é uma característica que se sobreponha à demais, é apenas uma característica como qualquer outra, que não deve ser valorizada nem desvalorizada. Aceita-se e deseja-se que cada um conviva bem com a sua.
3) A marginalização pior não acontece em relação aos homossexuais, há certamente outras formas bem piores, pelo menos para mim: acham que integramos bem os emigrantes? Acham que um deficiente motor tem as mesmas oportunidades de trabalho que uma pessoa no pleno uso das suas capacidades físicas? Acham que prestamos a devida atenção aos nossos idosos? Acham que aceitamos bem religiões diferentes? Bem, avaliar por este blog os níveis de tolerância em relação a quem professa uma religião estão no nível zero.
4) O cerne da questão para mim é: apoiamos a discriminação positiva ou consideramos que esta é também uma forma de estigmatização?
Maria João, acho que foi você que falou em drogas, certo? Qualquer coisa sobre a aldeia do Asterix. Eu falei mais em mutilados e pessoas com deficiências físicas como exemplos de pessoas que são colocadas à margem e que não merecem nenhuma espécie de atenção (já olhou bem uma pessoa em cadeira de rodas a circular na rua?).
Perceba, se quiser. Se não, ao menos respeite as opiniões dos outros - talvez até eles estejam em maioria.
Essa do «deixe fluir» ficou aida mais cool na segunda vez que disse do que na primeira.
Que a força esteja consigo! (estou a fazer o gesto do mr.Spock)
Caro Sebastião,
Gostei do seu ar paternal, apesar de um pouco estafado, enfim, a sua missão de mestre o obrigaram a responder, compreendo, todos temos uma missão na vida.
Apenas uma pequenita pergunta, para iluminar as hostes que obviamente não possuem a sua elevada sensibilidade, pobres seres analfabetos funcionais.
O Sebastião, que na sua prosa já deu provas de ser um príncipe do renascimento, concorda obviamente com a adopção de crianças por parte de casais homossexuais? Já agora uma duvida mais comezinha, se a sua filha(o) de quatro anos, criança(s) super dotados certamente (puxaram ao pai), perguntar(em) porque um casal de homens andam de mão dada e trocam beijos, o caro senhor; fala de afectos, da-lhe a ler o Kamasutra gay, ou acha que é melhor assobiar para o lado para a pobre criatura não ficar atormentada com a duvida existencial “Serei ou não homossexual?
Estou ansiosa pelas respostas.
Já agora o Spock, tinha uma vida sexual muito complicada, diria mesmo alternativa, procriava por mero conatacto da sua orelha pontiaguda, pelos vistos o Sebastião é mais espiritual do que eu pensava.
Memória descritiva cito a sua douta pessoa “uma princesa homossexual encontra um sem abrigo alcoolico” hummm ai ai
Sebastião, concordo absolutamente com a sua opinião acerca de respeitar as opiniões das outras pessoas. Acho é que o respeito começa começa, por exemplo, por não se tentar insultar as outras pessoas… As minhas afirmações, opiniões e factos resultam de trabalho efectivo ao nível da promoção da igualdade, são sustentadas pela teoria e pela prática. Já agora lhe digo que a acção positiva (ou discriminação positiva como lhe quer chamar - traduzo para garantir que me entende) é uma prática recomendada pela ONU, Conselho da Europa, Comissão Europeia, diversos governos europeus - incluindo actualmente o português - e mostram que a sua aplicação dá origem a resultados efectivos e rápidos em termos de mudança. Eu não estou a escrever de cor. Dado que aquilo que escrevo é sustentado por indicações, reomendações e políticas internacionais lhe pergunto: as suas opiniões são sustentadas por algo mais do o senso comum e má educação?
Má educação? Insultos? Não deve ser comigo concerteza. É que não tenho mesmo por hábito insultar os outros, especialmente quando não os conheço. Desafio-a a transcrecer o meu insulto.
A que acções da ONU, do Conselho da Europa e da Comissão Europeia se refere especificamente? Gostava de saber, pois certamente não está a referir-se apenas a esta experiência piloto em Inglaterra. É que há uma grande diferença entre eliminar a factores de descriminação ou promover a descriminação positiva. Poderá a si parecer uma pequena diferença, mas esta existe e é importante. E sim, as minhas convicções são convicções próprias, não resultam de nenhuma doutrina partidária, de nenhum trabalho em prol de alguma organização civil ou religiosa, o que num país democrático certamente não anulará o seu valor.
Fragmentada, creio que o que nos divide é tão somente eu achar que as formas de vida alternativas devem ser aceites como válidas e normais, enquanto a Fragmentada pensa que devem ser promovidas (o que na minha gíria se chama de descriminação positiva. Pelo que percebi, ambos concordamos com a necessidade de , e cito-a, «não criar pessoas misógenas, homofóbias, racistas e, em geral, intolerantes»: esse é talvez o ponto mais importante e que não nos está a dividir. Decerto concordará com o que não me canso de repetir que a tolerância deve-se praticar em relação a todos.
Maria João, de facto não sei nem quero saber nada em relação às subtilezas da vida sexual do mr. Spock, nunca me passou pela cabeça que a aldeia do Asterix andasse toda na dependência de uma droga psicotrópica, nunca vi na história do Capuchinho Vermelho uma relação zoófila entre o lobo mau e a avózinha, mas enfim, uma das vantagens da leitura é que esta estimula a imaginação de cada um, cada leitor constroi uma versão sua da história em função do seu background.
Não respondeu às minhas perguntas! HUMMM Isso não interessava, pois não, dava cabo do seu discurso hiper tolerante. Pois santos com pés de barro….
Quanto à sexualidade do Mr. Spock essa era extremamente interessante, era fan da série, confesso que nutria uma paixoneta por ele, não sei se isso me marcou na idade adulta? ehehehe
Também não lhe vou dar detalhes sobre o meu ET favorito, imagine que o Sebastião ainda se interrogava “Serei ou não de Vulcano?” ou então a sua consorte lia e se interrogava “Será que o meu Sebastião é um ET?” ou os seu filhotes super dotados “Será que os extraterrestres são bons para acasalar?” ou mais dificil ainda “Serei um homossexual alienígeno?”, já viu as duvidas em cadeia que eu iria causar, e eu não o quero atormentar a si nem à sua família tão arrumadinha com esse tipo de questões existenciais..”Quem somos, de onde viemos, para onde vamos?” o caos a anarquia a loucuraaaaa a insanidade… “tiro niro tiro niro… you are entering in a new dimension of sound, leith..”
Caro Sebastião Dias;
Já agora o meu background nesta conversa da treta foi:
“Contos de fadas politicamente correctos” de James Finn Gardner
“Psicanálise dos contos de fadas” de Bruno Bettelheim
“Mulheres que correm com lobos” de Clarissa Pinkola Estés
“O triunfo dos porcos” de George Orwell (esta é uma indirecta eheh)
Quanto ao mr. Spock existe uma leve alusão à “Barbarella” de Jean Claud Forest.
Tudo devidamente misturado com o “sexo dos anjos” de Júlio Machado Vaz e “na roça com os tachos” de João Carlos Silva
-Estou?! Maria João?? Não consigo perceber o que diz. Estou a deixar de a ouvir… Estou? Deve ser interferência das ondas electromagnéticas aí de Marte. Diga depois qualquer coisa quando descer à terra. Estou??
…
«Porque, ao contrário do que o Pedro Fontanela quer fazer pensar, na nossa sociedade, ser homossexual, ser de uma etnia ou religião diferente da da maioria é estigmatizante»
Eu disse o quê? Leia lá bem o que eu escrevi. Nem sei como é que posso interpretado dessa forma.
Caro Sebastião acredito ue não entenda, tem falta de background, mas já dá um toques em criatividade, nada mau, ainda faço de si um tipo interessante. Eheh
Maria João, se quiser debater este assunto de uma maneira séria e sem as suas piadinhas com subtilezas de mau gosto que só deixam adivinhar um lado menos tolerante por parte da sua pessoa relativamente a sexualidades alternativas, o que não parece estar muito de acordo com o que papagueia («Será que o meu Sebastião é um ET?” ou os seu filhotes super dotados “Será que os extraterrestres são bons para acasalar?” ou mais dificil ainda “Serei um homossexual alienígeno?”, já viu as duvidas em cadeia que eu iria causar…»), e se quiser debater sem os seus recursos a alguma linguagem que presumo ser ascético/paranóica que, talvez incapacidade minha, não consigo descodificar(«Deixe fluir e uma pequena nota de esperança: deixe que cresça dentro de si» ou «o caos a anarquia a loucuraaaaa a insanidade… “tiro niro tiro niro… you are entering in a new dimension of sound, leith..»), terei todo o prazer em abertamente responder às suas perguntas, pedindo desde já que me poupe à exibição das maçadoras referências bibliográficas. Pergunte lá…
Se qualquer pessoa idónea e emocionalmente estável tem a capacidade e o direito de adoptar uma criança, claro que um homossexual também deverá ter a direito de o fazer, pois, em primeiro lugar acredito que por principio as pessoas são todas iguais, em segundo, não devem ser alvo de qualquer discriminação e terceiro, a sexualidade de cada um não é certamente factor que o mais caracteriza, é apenas uma opção. Nesta linha de pensamento que, certa ou errada, é a minha, coerentemente sou levado a responder que sim: mas este sim de principio tem algumas reservas (que não se prendem com a capacidade que um casal homossexual tenha para educar bem uma criança). Acho que ainda não tenho uma opinião definitiva.
As minhas reservas prendem-se a duas questões: um, com o factor discriminação, dois, os direitos da criança.
A Maria João seguramente concordará comigo que bem ou mal, o facto é que vivemos num país bastante conservador em termos de costumes. A discriminação faz-se entre novos e velhos. Falemos então nos novos sem sermos irrealistas: as crianças conseguem ser bem crueis, inocentemente ou não. As crianças são capazes de discriminar alguém porque o outro é pobre ou é rico, porque alguém não tem as sapatilhas de marca, porque usa roupa velha, porque o pai é careca, porque não tem a última consola, porque a mãe morreu. Acha improvável que descriminassem uma criança por ter um pai ou uma mãe gay? Infelizmente parece-me natural que tal viesse a acontecer.
O que de certa forma me remete para a segunda questão. Havendo a grande probabilidade dessa criança poder vir a sofrer grandes dissabores por causa da sua vida familiar alternativa, que direito temos nós de colocar uma criança - que provavelmente já sofreu o suficiente - numa situação em que terá probabilidades fortes de ser segregada pelos outros? E já que falamos no nosso direito, porque não pensamos no direito da criança (que até me parece mais importante)? Qual seria a sua decisão se pudesse optar por ser adoptada por um pai e uma mãe ou por um casal gay? Deve dar-se o direito de escolha? E que capacidade terá uma criança para tomar tal decisão? Não acha que estas questões são relevantes?
Portanto, como vê, não estou ainda nada esclarecido em relação a este assunto,não por uma questão de principios, mas sim por uma questão de consciência social e de conjuntura: as pessoas em Portugal não estão preparadas para a adopção de crianças homossexuais e caso uma lei desta natureza viesse a ser aprovada, provavelmente seriam alvo de uma enorme discriminação - o que seria uma boa lei para os casais homossexuais talvez acabasse por ser uma má lei para as crianças para adopção. E sejamos realistas, quando acha que será aprovada uma lei dessa natureza? Daqui a 35 anos? É claro que podemos pôr na cara uns óculos de realidade virtual e fingir que somos todos holandeses ou dinamarqueses.
Sebastião, mas decida-se lá: afinal quer referências bibliográficas ou não??? Num local pede-as, noutro acha-as maçadoras… Abstenho-me de lhas dar, já que pessoas que não são analfabetas funcionais como é o seu caso, conseguem procurar as ditas referências e boas práticas de instâncias internacionais.
Agora já percebemos que que está a discutir o que não sabe. Não possuir conheciemnto ou sensibilidade para uma determinada área não tem mal; o que tem de mal o seu discurso é a compelta inflexibilidade e incapacidade para aprender. Maria João, admiro-lhe a perseverança, mas eu já perdi há muito tempo a paciência para estas posturas. Há batalhas que não valem a pena. Esta é uma delas.
Caro Sebastião Dias;
Achei curioso os seus argumentos, e mais uma vez acho que o facto de ter referido o
“0 triunfo dos porcos” de George Orwell faz todo o sentido.
Provavelmente quando se fez a 1ºlei da adopção em Portugal, houve almas caridosas que com esse mesmo argumento - dos direitos das crianças, equacionaram se minorias étnicas deveriam adoptar filhos, das tremendas dificuldades que uma criança branca teria se fosse criada por alguém que não viesse do mesmo nobre caldo genético, da troça, da dificuldade de identificação etc. Por vezes com os mais nobres argumentos se fazem atrocidades, e se observarmos de perto não passam de baluartes de preconceitos como a descriminação.
Sinceramente acho que o critério basilar em qualquer adopção, é a capacidade de nutrir, amar, acarinhar e cuidar. Quando se é criado num lar contigente ganham-se armas tremendas para lutar contra às adversidades da vida, quando se sabe que se é amado vai se à vida de peito feito, quando se tem a sorte de ter santuários somos um com a força de muitos. Acredito firmemente nisso. Acredito nos afectos.
Por isso para mim é SIM OBVIAMENTE e de preferência para ontem, que a mudança tarda neste País.
Fragmentada, já calculava que escolhesse não explicar as teses que fundamentam a sua linha de pensamento, que escolhesse também não dizer onde eu a tinha ofendido e que me acusasse de completa inflexibilidade e incapacidade para aprender (quando até digo que não tenho uma opinião definitiva) só porque não partilho algumas das suas opiniões.
É um estilo muito próprio de quem não gosta de questionar, debater com quem tem ideias diferentes e viver em circuito fechado. Achei piada ao remate: dar a ideia que se coloca num plano superior, já está farta de ser tão altruista num mundo que não a compreende, «vocês não me merecem». Tem sobretudo piada quando me apercebo que apenas atirou umas postas para o ar, mas que nem se deu ao trabalho de defender uma ideia. O seu sistema deve ter sido pré-configurado pelo bloco ou estou enganado? Estranha forma de vida
O Arrastão é um blogue de Daniel Oliveira, Pedro Sales e Pedro Vieira.
Para contactar cada um deles faça o favor clicar nos seus nomes e dizer de sua justiça: Daniel Oliveira Pedro Sales Pedro Vieira
Há quem nunca entenderá que a orientação sexual não é defeito, nem doença.
Pelos meus calculos, 100 anos com algumas bolsas de resistência!
Der Spiegel
Era uma vez um príncipe que estava procurando sua futura rainha. Ele foi apresentado a uma princesa, duas princesas… e se apaixonou por outro príncipe. Eles se casaram em uma linda cerimónia e viveram juntos felizes para sempre. Parece uma comédia gay underground? Não é - o texto em questão é de um livro escolar.
Os alunos no Reino Unido aprendem sobre a diversidade sexual e estruturas familiares alternativas desde muito cedo. Um esquema piloto patrocinado pelo Estado em 14 escolas elementares - frequentadas por crianças de quatro a 11 anos - está gerando problemas por sua mensagem sexual liberal.
Pais conservadores e grupos religiosos temem que histórias como essa, dos dois príncipes apaixonados, possam corromper moralmente as crianças e promover a homossexualidade. “Não me incomodo com o que adultos fazem em consenso mútuo, mas não tenho certeza que isso deva ser imposto às crianças”, diz Andy Hebberd, fundador do grupo Organização de Pais.
Os responsáveis pelo projecto, chamado “No Outsiders”, dizem que os livros corrompem tanto a moral quanto Cinderela - o amor, não o sexo, está no coração da questão. As crianças não têm problema com isso, mas seus pais sim, diz Mark Jennett, responsável pelo treino dos professores. “O problema não vem das crianças, mas da ansiedade dos adultos.”
Além de “King & King” (rei e rei), haverá outros livros com pais de mesmo sexo. “Tango Makes Three” (Tango faz três) apresenta um filhote de pingüim com dois pais, enquanto “Spacegirl Pukes” é um livro de fotografias sobre duas mães que enviaram sua filha em uma viagem espacial.
Os textos constam da lista recomendada para as crianças nas escolas. “A coisa mais importante nesses livros é reflectir a realidade das crianças. Sou formada em literatura infantil e sei como é poderosa para formular os valores sociais e promover o desenvolvimento emocional”, disse a directora do projecto, Elizabeth Atkinson, ao “The Observer” no domingo (11/3).
Ela acrescentou que livros escolares tradicionais - que não incluem relacionamentos homossexuais - “silenciam uma mensagem social” e podem levar as crianças a serem alvos de provocação na escola mais tarde, se forem homossexuais ou assim consideradas. Se tiver sucesso, o esquema será estendido por todo o país. Ele conta com um patrocínio de 600.000 libras (em torno de R$ 2,4 milhões) do Conselho de Pesquisa Social e Econômica do governo e tem o apoio do Sindicato Nacional de Professores e Conselho Geral de Ensino.
Enquanto Jennett chama o “No Outsiders” de “vanguarda”, Simon Calvert, do Instituto Cristão, acredita que a maioria dos pais ficaria “abismada” com os personagens gays. Ao promover activamente a homossexualidade nas escolas, o “No Outsiders” está voltando a uma antiga batalha legal, disse ao Observer. O parágrafo em questão é a secção 28, uma emenda do Ato de Governo Local de 1988 que proibiu as escolas e autoridades locais de “promoverem a homossexualidade” ou sua aceitação como “relacionamento familiar pretendido”.
O parágrafo foi publicado em resposta a uma publicação escolar chamada “Jenny Lives with Eric and Martin” (Jenny mora com Eric e Martin), que gerou um debate raivoso quando foi publicado, há vinte anos. Mas os tempos mudaram, e o governo liberal de Tony Blair tem sido muito mais tolerante com a homossexualidade que seus predecessores.
A secção 28 foi revogada em 2003 e o casamento homossexual legalizado em 2005. O projecto “No Outsiders” é a primeira tentativa em grande escala de colocar livros sexualmente tolerantes de volta à lista de leitura recomendada às crianças - mas talvez sejam seus pais que precisem de professores de tolerância.”
Tradução: Deborah Weinberg
Maria João;
São assustadores esses manuais escolares ingleses que promovem a homosexualidade em crianças dos 4 aos 11 anos.
Não penso que a homossexualidade seja algum tipo de desvio, pecado, doença ou perversão. Não acho aceitável então que se possa apontar o dedo a um homossexual por causa das suas preferências.
Agora, não admito de maneira nenhuma que uma escola possa promova esse tipo de informação aos meus filhos, especialmente nessa idade, entre os 4 e os 11 anos.
A homossexualidade é uma realidade que deve ser assumida. Estima-se que uma percentagem significativa das pessoas -superior a 5% - sejam homossexuais, (independentemente de serem assumidas ou não). Não sendo a homossexualidade rara nem excepcional, não será também uma regra a ser dada como exemplo a uma criança através de uma história de principes e principes.
As crianças aprendem com exemplos e com histórias, brincam aos principes e princezas. Sinceramente, ficaria preocupado se apanhasse um filho ou filha de cinco anos a brincar aos principes gays, não por preconceito, mas por achar o tema sexual completamente desenquadrado da sua idade.
Se muitos adolescentes poderão passar por fases de ambiguidade e dúvida relativamente às suas preferências sexuais (estes preferências manifestam-se maioritariamente durante ou depois a adolescência), o mesmo não se passará com as crianças entre os 4 e os 11 anos. Para quê estar a lançar uma potencial confusão tão cedo? Para quê explicar a uma criança de cinco anos que um dia ela terá de decidir se é ou não é homossexual? Não quero que um filho meu de cinco anos me pergunte se homossexual ou não. Tão pouco pretendo pré-configurar à partida um filho meu, nem para a homossexualidade nem para a heterossexualidade. As crianças fazem perguntas e elas devem ser respondidas à medida que vão surgindo.
Neste sentido, acho que a questão da homossexualidade está a ser ridicula e perigosamente sobrevalorizada nas escolas inglesas - é a melhor caricatura do politicamente correcto que cega a razoabilidade de muitas pessoas que se auto-reclamam de bem pensantes.
Para mim, a questão mais importante no meio de tudo isto é a questão da tolerância. Devemos ensinar aos nossos filhos a tolerância para com outros modos de vida, outros credos, outras raças, outras nacionalidades, outras escolhas sexuais, etc. Enquanto pais, devemos desde cedo incutir nos nossos filhos a aceitação da diferença dos outros, a tolerância perante outros modos de vida, o respeito por outros valores. As escolas deverão promover também a mesma tolerância. Centrar a questão da tolerância na homossexualidade, especialmente entre crianças de 4 a 11 anos, parece-me sintoma de uma sociedade sexualmente obcecada.
A questão não é somente que tipo de escola queremos, mas sim que tipo de educadores devemos ser: devemos previlegiar a tolerância enquanto valor a ser promovido em relação a todos os que são diferentes ou devemos dar um especial enfoque na homossexualidade? É porque não sendo propriamente um conservador também não me incluo no grupo dos educadores sexualmente obcecados.
Sebastião Dias;
Li atentamente o que escreveu, com calma e ponderação, respeito a sua opinião e reflecti sobre ela.
Leio com assiduidade ao meu filho os contos de Oscar Wilde entre eles o fantástico “O rouxinol e a rosa” , é uma historia que é um poema, não é preciso ser formada em psicologia para entender que a essência do conto é homossexual. Se isso me preocupa? Obviamente que não! Se acho que faz parte da educação afectiva do meu pequenito? Claro que sim!
Esqueça a sexualidade, não seja sexualmente obcecado, agarre apenas nos afectos. Que um homem pode amar outro homem, que uma mulher pode amar outra mulher, que uma mulher pode amar um homem, são coisas securizantes para qualquer criança em qualquer parte do mundo. Seguramente para mim teria sido muito útil, que alguém me tivesse dito que um homem pode amar outro, visto que o que me ensinaram é que eles estavam programados para lutar. Sim, as guerras são verdadeiramente assustadoras, e estão nos manuais escolares desde tenra idade.
Pela mesma lógica espero a remoção de todo conteudo ou referência heterossexual de qualquer programa escolar. Se é para ser neutro é preciso ser coerente.
Sebastião Dias e Pedro Fontela, a orientação sexual dita heterossexual entra-nos pelos olhos dentro, a cada segundo, via Média, via práticas sociais, etc, etc, etc… A ausência de outros modelos de comportamento (tanto aqui como noutros contextos - a reduzida visibilidade das mulheres em situações de poder político, por exemplo) provocam comportamentos de intolerância em relação a quem assume comportamentos ditos desviantes (ou seja, que fogem à norma).
A presença de exemplos de comportamento diversificados em função do género, da orientação sexual, da etnia, da religião quer nas práticas educativas quer nos manuais escolares é um exemplo de uma boa prática e o ponto de partida para não criar pessoas misógenas, homofóbias, racistas e, em geral, intolerantes.
Cara Maria João,
Concordo com o seu «esqueça a sexualidade, não seja sexualmente obcecado, concentre-se apenas nos afectos», pois foi exactamente nesse sentido que eu escrevi o meu post. Um homem e uma mulher não se define pela sua sexualidade. Um individuo define-se pelas suas ideias, pelo seu carácter, pelo que sabe, pelos seus feitos, pelos seus erros, pelo seu potencial, pela soma de todos os seus minutos vividos e, claro, também pela sua sexualidade. É nesse sentido que digo que a sexualidade é hoje em dia sobrevalorizada - e eu até acho que os aspectos ligados à sexualidade devem ser abordados com normalidade.
Por isso digo que o valor que deve ser ensinado não é o da homossexualidade, mas sim o da tolerância e, como referiu, do amor.
E já que falou de amor, não se concentre apenas na sua manifestação sexual. O amor pode assumir imensas formas, o amor filial, fraternal, o amor que se sente por alguém que nem conhecemos, etc, etc. Quanto a guerras não me parece que aquelas das quais se deve estar a queixar se resolvam na cama, mas sim através do respeito pelas diferentes ideologias, credos, raças, em suma, e em última análise, do valor da vida (bolas, com esta até pareço um padre!)
Quando um manual escolar para crianças de 4 anos (4 anos!!) tem uma história de um principe, que procura por uma princesa para casar e acaba por casar por um principe, admira-me até que não haja mais pessoas com bom senso digam… que o rei vai nu.
Fragmentada,
Estou de acordo consigo mas se o Sebastião Dias acha que as referências homossexuais devem ser removidas acho justo que se faça o mesmo às heterossexuais. Apenas por uma questão de principio de igualdade.
Caro Sebastião Dias
Quando era miúda liam-me as mil e uma noites, e não sou poligâmica, talvez poligâmica faseada, não acredito que isso se deva ao livro. Quando eu tinha quatro anos, a minha boneca preferida namorava com um urso de peluche de nome Armando, o urso acumulava com uma boneca muito peneirenta de nome Nancy que andava envolvida com um palhaço que tinha uma guitarra com uma caixa de música. Verdade que na idade adulta já namorei com muitos ursos e palhaços com ou sem guitarra, não considero no entanto eu tal se deva ao facto de ter lido livros demais.
Deixe fluir…vá por mim deixe fluir.
Maria João,
O valor da tolerância ensina-se e pratica-se em relação a todos, creio estar a ser abrangente e acho que certamente ambos concordamos com isso.
A não existir esta abrangência, talvez então tenha de elaborar o seu raciocínio e propôr então um manual escolar em que uma princesa homossexual encontra um sem abrigo alcoolico e juntos têm vários filhos, um paraplégico que virá a ser o futuro rei, um segundo filho japonês mormon poligâmico, e cinco gémeos anões que se apaixonarão por um esquadrão de mutilados do Iraque, etc, etc. A história será mais rica quanto maior o número de grupos eventualmente excluídos da sociedade que esta aborde - presumo que a pedagogia que defende não pretenda apenas previlegiar os homossexuais. Antecipemos então eventuais melindres de outros grupos que poderão vir a sentir-se acossados (e, se calhar, com toda a razão).
Olhe que o politicamente correcto é um exercicio que pode ser maçadoramente interminavel.
Caro Sebastião
Os contos de fadas, não são inocentes. Lembra-se de ter lido o “Barba azul” a historia de um assassino em série, do “capuchinho vermelho” um caso típico de sexo entre uma octogenária um lobo insaciável, a “bela adormecida” a historia patética de uma jovem imatura e dependente, a “casinha de chocolate” que retrata pais abandonicos, o “Peter Pan” um quarentão que se negava a crescer, a aldeia de Asterix onde todos sofriam claramente uma dependência a um tipo de droga psicotrópica …etc
Quanto às suas ideias, acho que os anões e os paraplégicos (nem entendo a sua referencia a eles, que a meu ver foi chocante) podem e devem muito bem aparecer nos manuais escolares, bem como os malefícios das drogas, evidentemente que dar a conhecer outras formas de família e culturas também me parece razoável. Obviamente existem diferenças entre exclusão e se auto excluir, bem como a promoção de comportamentos destrutivos como a toxicodependência. Bem, Sebastião acho que se encontra confuso?
Quando eu era pequenina havia uma vendedora de amendoins constantemente alcoolizada, mendigos como lepra e muitas famílias poligâmicas e estropiados em todas as esquinas, também me lembro que o meu macaco fugiu com o meu papagaio e nunca mais voltou (uma historia de amor seguramente), sem falar de uma guerra que decorria prazenteiramente a poucos metros do meu recreio, não li estas histórias elas são reais e lhe garanto que nenhuma me passou de lado. De resto é esse um dos meus papéis como educadora, apontar a realidade ao meu filho, dando-lhe armas para ele conseguir lidar com ela, trilhando os caminhos certos, sem se alienar e com valentia, tarefa megalómana eu sei. O meu filhote conhece os meus amigos, e dentro da minha tribo existe um casal homossexual, ele miúdo sensato como é processou essa informação com naturalidade, se esse casal acha que a sua cara-metade é um príncipe acho que provavelmente sim. É a vida, por tanto…deixe fluir…
Maria João, lamento que tenha preferido ficar chocada com o meu exemplo em vez de perceber que há exclusões sociais bem mais pesadas do que aquela que merece toda a sua discriminação positiva.
Acho também alguma graça à interpretação que faz das histórias para crianças, com cenas de zóofilia entre octogenarias e lobos, asterixes toxicodependentes e sei lá que histórias mais você, enquanto educadora, contará ao seu filho para adormecer à noite.
Sigo o seu conselho de me deixar fluir (whatever…) mas concluo que o que para si é um homossexual, para mim é uma pessoa como as outras.
Falando de preconceitos…
Sebastião misturou toxicodependentes com anões, paraplégicos e mutilados. Enfim, cada um faz as misturas que faz, e o discurso certamente para si fará sentido. Uma coisa é promover a ideia de igualdade e aceitação da diferença e outra bem diferente são os graves problemas de dependências às drogas.
Pelo que entendi, o Sebastião acha que contar historias com principies e principies (o nosso Rei D. Sebastião tinha fama de ser por isso mais uma vez a realidade e o real se confundem), pode causar confusão na cabeça do(a) sua filho(a) que levem a que uma criança de 4 anos tenha a duvida metafísica de “serei ou não homossexual?”, estaríamos por tanto perante uma criança super dotada.
Enfim, eu opto por mostrar a realidade ao meu filhote, tentado enquadra-la e explica-la, são opções. Podia preferir coloca-lo numa redoma, se calhar seria mais fácil. Na realidade o faço, porque me lembro bem da minha infância, de como construí a realidade a processei e a digeri. E é claro a minha infância foi muito animada, não propriamente um bocejo.
Não sei que historias conta ao(s) seu(s) filho(s), provavelmente as mesmas que eu, não se interroga é sobre o conteúdo subliminar das mesmas.
Continuando, para mim um homossexual é um ser igual a todos os outros, sinceramente não acho que para si seja.
Deixe fluir e uma pequena nota de esperança: deixe que cresça dentro de si
Sebastião, se um homosessxual fosse para si uma pessoa como outra qualquer será que esta discussão tinha surgido??? e SIM, concordo com a Maria João: as histórias, os manuais, os anúncios de TV e tudo o amis que se lembre podem e devem promover formas alternativas de estar e de ser. Porque, ao contrário do que o Pedro Fontanela quer fazer pensar, na nossa sociedade, ser homossexual, ser de uma etnia ou religião diferente da da maioria é estigmatizante. A visibilidade e valorização de modelos alternativos de comportamento é uma forma relativamente rápida de promover a aceitação à diferença e como tal pode e deve ser efectuada.
Fragmentada e Maria João,
a vossa incapacidade de compreender a ideia que eu estou a transmitir não fará de mim certamente uma pessoa pouco tolerante que certamente não sou. Faço uma última tentativa, isto partindo do principio que não me estou a dirigir a analfabetas funcionais.
1) A tolerância deve-se praticar em relação a todos.
2) A sexualidade de uma pessoa não é uma característica que se sobreponha à demais, é apenas uma característica como qualquer outra, que não deve ser valorizada nem desvalorizada. Aceita-se e deseja-se que cada um conviva bem com a sua.
3) A marginalização pior não acontece em relação aos homossexuais, há certamente outras formas bem piores, pelo menos para mim: acham que integramos bem os emigrantes? Acham que um deficiente motor tem as mesmas oportunidades de trabalho que uma pessoa no pleno uso das suas capacidades físicas? Acham que prestamos a devida atenção aos nossos idosos? Acham que aceitamos bem religiões diferentes? Bem, avaliar por este blog os níveis de tolerância em relação a quem professa uma religião estão no nível zero.
4) O cerne da questão para mim é: apoiamos a discriminação positiva ou consideramos que esta é também uma forma de estigmatização?
Maria João, acho que foi você que falou em drogas, certo? Qualquer coisa sobre a aldeia do Asterix. Eu falei mais em mutilados e pessoas com deficiências físicas como exemplos de pessoas que são colocadas à margem e que não merecem nenhuma espécie de atenção (já olhou bem uma pessoa em cadeira de rodas a circular na rua?).
Perceba, se quiser. Se não, ao menos respeite as opiniões dos outros - talvez até eles estejam em maioria.
Essa do «deixe fluir» ficou aida mais cool na segunda vez que disse do que na primeira.
Que a força esteja consigo! (estou a fazer o gesto do mr.Spock)
Caro Sebastião,
Gostei do seu ar paternal, apesar de um pouco estafado, enfim, a sua missão de mestre o obrigaram a responder, compreendo, todos temos uma missão na vida.
Apenas uma pequenita pergunta, para iluminar as hostes que obviamente não possuem a sua elevada sensibilidade, pobres seres analfabetos funcionais.
O Sebastião, que na sua prosa já deu provas de ser um príncipe do renascimento, concorda obviamente com a adopção de crianças por parte de casais homossexuais? Já agora uma duvida mais comezinha, se a sua filha(o) de quatro anos, criança(s) super dotados certamente (puxaram ao pai), perguntar(em) porque um casal de homens andam de mão dada e trocam beijos, o caro senhor; fala de afectos, da-lhe a ler o Kamasutra gay, ou acha que é melhor assobiar para o lado para a pobre criatura não ficar atormentada com a duvida existencial “Serei ou não homossexual?
Estou ansiosa pelas respostas.
Já agora o Spock, tinha uma vida sexual muito complicada, diria mesmo alternativa, procriava por mero conatacto da sua orelha pontiaguda, pelos vistos o Sebastião é mais espiritual do que eu pensava.
Memória descritiva cito a sua douta pessoa “uma princesa homossexual encontra um sem abrigo alcoolico” hummm ai ai
Sebastião, concordo absolutamente com a sua opinião acerca de respeitar as opiniões das outras pessoas. Acho é que o respeito começa começa, por exemplo, por não se tentar insultar as outras pessoas… As minhas afirmações, opiniões e factos resultam de trabalho efectivo ao nível da promoção da igualdade, são sustentadas pela teoria e pela prática. Já agora lhe digo que a acção positiva (ou discriminação positiva como lhe quer chamar - traduzo para garantir que me entende) é uma prática recomendada pela ONU, Conselho da Europa, Comissão Europeia, diversos governos europeus - incluindo actualmente o português - e mostram que a sua aplicação dá origem a resultados efectivos e rápidos em termos de mudança. Eu não estou a escrever de cor. Dado que aquilo que escrevo é sustentado por indicações, reomendações e políticas internacionais lhe pergunto: as suas opiniões são sustentadas por algo mais do o senso comum e má educação?
Má educação? Insultos? Não deve ser comigo concerteza. É que não tenho mesmo por hábito insultar os outros, especialmente quando não os conheço. Desafio-a a transcrecer o meu insulto.
A que acções da ONU, do Conselho da Europa e da Comissão Europeia se refere especificamente? Gostava de saber, pois certamente não está a referir-se apenas a esta experiência piloto em Inglaterra. É que há uma grande diferença entre eliminar a factores de descriminação ou promover a descriminação positiva. Poderá a si parecer uma pequena diferença, mas esta existe e é importante. E sim, as minhas convicções são convicções próprias, não resultam de nenhuma doutrina partidária, de nenhum trabalho em prol de alguma organização civil ou religiosa, o que num país democrático certamente não anulará o seu valor.
Fragmentada, creio que o que nos divide é tão somente eu achar que as formas de vida alternativas devem ser aceites como válidas e normais, enquanto a Fragmentada pensa que devem ser promovidas (o que na minha gíria se chama de descriminação positiva. Pelo que percebi, ambos concordamos com a necessidade de , e cito-a, «não criar pessoas misógenas, homofóbias, racistas e, em geral, intolerantes»: esse é talvez o ponto mais importante e que não nos está a dividir. Decerto concordará com o que não me canso de repetir que a tolerância deve-se praticar em relação a todos.
Maria João, de facto não sei nem quero saber nada em relação às subtilezas da vida sexual do mr. Spock, nunca me passou pela cabeça que a aldeia do Asterix andasse toda na dependência de uma droga psicotrópica, nunca vi na história do Capuchinho Vermelho uma relação zoófila entre o lobo mau e a avózinha, mas enfim, uma das vantagens da leitura é que esta estimula a imaginação de cada um, cada leitor constroi uma versão sua da história em função do seu background.
Caro Sebastião Dias;
Não respondeu às minhas perguntas! HUMMM Isso não interessava, pois não, dava cabo do seu discurso hiper tolerante. Pois santos com pés de barro….
Quanto à sexualidade do Mr. Spock essa era extremamente interessante, era fan da série, confesso que nutria uma paixoneta por ele, não sei se isso me marcou na idade adulta? ehehehe
Também não lhe vou dar detalhes sobre o meu ET favorito, imagine que o Sebastião ainda se interrogava “Serei ou não de Vulcano?” ou então a sua consorte lia e se interrogava “Será que o meu Sebastião é um ET?” ou os seu filhotes super dotados “Será que os extraterrestres são bons para acasalar?” ou mais dificil ainda “Serei um homossexual alienígeno?”, já viu as duvidas em cadeia que eu iria causar, e eu não o quero atormentar a si nem à sua família tão arrumadinha com esse tipo de questões existenciais..”Quem somos, de onde viemos, para onde vamos?” o caos a anarquia a loucuraaaaa a insanidade… “tiro niro tiro niro… you are entering in a new dimension of sound, leith..”
Caro Sebastião Dias;
Já agora o meu background nesta conversa da treta foi:
“Contos de fadas politicamente correctos” de James Finn Gardner
“Psicanálise dos contos de fadas” de Bruno Bettelheim
“Mulheres que correm com lobos” de Clarissa Pinkola Estés
“O triunfo dos porcos” de George Orwell (esta é uma indirecta eheh)
Quanto ao mr. Spock existe uma leve alusão à “Barbarella” de Jean Claud Forest.
Tudo devidamente misturado com o “sexo dos anjos” de Júlio Machado Vaz e “na roça com os tachos” de João Carlos Silva
-Estou?! Maria João?? Não consigo perceber o que diz. Estou a deixar de a ouvir… Estou? Deve ser interferência das ondas electromagnéticas aí de Marte. Diga depois qualquer coisa quando descer à terra. Estou??
…
«Porque, ao contrário do que o Pedro Fontanela quer fazer pensar, na nossa sociedade, ser homossexual, ser de uma etnia ou religião diferente da da maioria é estigmatizante»
Eu disse o quê? Leia lá bem o que eu escrevi. Nem sei como é que posso interpretado dessa forma.
Caro Sebastião acredito ue não entenda, tem falta de background, mas já dá um toques em criatividade, nada mau, ainda faço de si um tipo interessante. Eheh
Maria João, se quiser debater este assunto de uma maneira séria e sem as suas piadinhas com subtilezas de mau gosto que só deixam adivinhar um lado menos tolerante por parte da sua pessoa relativamente a sexualidades alternativas, o que não parece estar muito de acordo com o que papagueia («Será que o meu Sebastião é um ET?” ou os seu filhotes super dotados “Será que os extraterrestres são bons para acasalar?” ou mais dificil ainda “Serei um homossexual alienígeno?”, já viu as duvidas em cadeia que eu iria causar…»), e se quiser debater sem os seus recursos a alguma linguagem que presumo ser ascético/paranóica que, talvez incapacidade minha, não consigo descodificar(«Deixe fluir e uma pequena nota de esperança: deixe que cresça dentro de si» ou «o caos a anarquia a loucuraaaaa a insanidade… “tiro niro tiro niro… you are entering in a new dimension of sound, leith..»), terei todo o prazer em abertamente responder às suas perguntas, pedindo desde já que me poupe à exibição das maçadoras referências bibliográficas. Pergunte lá…
Caro Sebastião
A pergunta é simples.
Concorda ou não com a adopção de crianças por parte de casais homossexuais?
A pergunta é simples mas a resposta não.
Se qualquer pessoa idónea e emocionalmente estável tem a capacidade e o direito de adoptar uma criança, claro que um homossexual também deverá ter a direito de o fazer, pois, em primeiro lugar acredito que por principio as pessoas são todas iguais, em segundo, não devem ser alvo de qualquer discriminação e terceiro, a sexualidade de cada um não é certamente factor que o mais caracteriza, é apenas uma opção. Nesta linha de pensamento que, certa ou errada, é a minha, coerentemente sou levado a responder que sim: mas este sim de principio tem algumas reservas (que não se prendem com a capacidade que um casal homossexual tenha para educar bem uma criança). Acho que ainda não tenho uma opinião definitiva.
As minhas reservas prendem-se a duas questões: um, com o factor discriminação, dois, os direitos da criança.
A Maria João seguramente concordará comigo que bem ou mal, o facto é que vivemos num país bastante conservador em termos de costumes. A discriminação faz-se entre novos e velhos. Falemos então nos novos sem sermos irrealistas: as crianças conseguem ser bem crueis, inocentemente ou não. As crianças são capazes de discriminar alguém porque o outro é pobre ou é rico, porque alguém não tem as sapatilhas de marca, porque usa roupa velha, porque o pai é careca, porque não tem a última consola, porque a mãe morreu. Acha improvável que descriminassem uma criança por ter um pai ou uma mãe gay? Infelizmente parece-me natural que tal viesse a acontecer.
O que de certa forma me remete para a segunda questão. Havendo a grande probabilidade dessa criança poder vir a sofrer grandes dissabores por causa da sua vida familiar alternativa, que direito temos nós de colocar uma criança - que provavelmente já sofreu o suficiente - numa situação em que terá probabilidades fortes de ser segregada pelos outros? E já que falamos no nosso direito, porque não pensamos no direito da criança (que até me parece mais importante)? Qual seria a sua decisão se pudesse optar por ser adoptada por um pai e uma mãe ou por um casal gay? Deve dar-se o direito de escolha? E que capacidade terá uma criança para tomar tal decisão? Não acha que estas questões são relevantes?
Portanto, como vê, não estou ainda nada esclarecido em relação a este assunto,não por uma questão de principios, mas sim por uma questão de consciência social e de conjuntura: as pessoas em Portugal não estão preparadas para a adopção de crianças homossexuais e caso uma lei desta natureza viesse a ser aprovada, provavelmente seriam alvo de uma enorme discriminação - o que seria uma boa lei para os casais homossexuais talvez acabasse por ser uma má lei para as crianças para adopção. E sejamos realistas, quando acha que será aprovada uma lei dessa natureza? Daqui a 35 anos? É claro que podemos pôr na cara uns óculos de realidade virtual e fingir que somos todos holandeses ou dinamarqueses.
A resposta é SIM MAS
Sebastião, mas decida-se lá: afinal quer referências bibliográficas ou não??? Num local pede-as, noutro acha-as maçadoras… Abstenho-me de lhas dar, já que pessoas que não são analfabetas funcionais como é o seu caso, conseguem procurar as ditas referências e boas práticas de instâncias internacionais.
Agora já percebemos que que está a discutir o que não sabe. Não possuir conheciemnto ou sensibilidade para uma determinada área não tem mal; o que tem de mal o seu discurso é a compelta inflexibilidade e incapacidade para aprender. Maria João, admiro-lhe a perseverança, mas eu já perdi há muito tempo a paciência para estas posturas. Há batalhas que não valem a pena. Esta é uma delas.
Caro Sebastião Dias;
Achei curioso os seus argumentos, e mais uma vez acho que o facto de ter referido o
“0 triunfo dos porcos” de George Orwell faz todo o sentido.
Provavelmente quando se fez a 1ºlei da adopção em Portugal, houve almas caridosas que com esse mesmo argumento - dos direitos das crianças, equacionaram se minorias étnicas deveriam adoptar filhos, das tremendas dificuldades que uma criança branca teria se fosse criada por alguém que não viesse do mesmo nobre caldo genético, da troça, da dificuldade de identificação etc. Por vezes com os mais nobres argumentos se fazem atrocidades, e se observarmos de perto não passam de baluartes de preconceitos como a descriminação.
Sinceramente acho que o critério basilar em qualquer adopção, é a capacidade de nutrir, amar, acarinhar e cuidar. Quando se é criado num lar contigente ganham-se armas tremendas para lutar contra às adversidades da vida, quando se sabe que se é amado vai se à vida de peito feito, quando se tem a sorte de ter santuários somos um com a força de muitos. Acredito firmemente nisso. Acredito nos afectos.
Por isso para mim é SIM OBVIAMENTE e de preferência para ontem, que a mudança tarda neste País.
Fragmentada, já calculava que escolhesse não explicar as teses que fundamentam a sua linha de pensamento, que escolhesse também não dizer onde eu a tinha ofendido e que me acusasse de completa inflexibilidade e incapacidade para aprender (quando até digo que não tenho uma opinião definitiva) só porque não partilho algumas das suas opiniões.
É um estilo muito próprio de quem não gosta de questionar, debater com quem tem ideias diferentes e viver em circuito fechado. Achei piada ao remate: dar a ideia que se coloca num plano superior, já está farta de ser tão altruista num mundo que não a compreende, «vocês não me merecem». Tem sobretudo piada quando me apercebo que apenas atirou umas postas para o ar, mas que nem se deu ao trabalho de defender uma ideia. O seu sistema deve ter sido pré-configurado pelo bloco ou estou enganado? Estranha forma de vida