“Os mercados ficaram enervados com a perspectiva de uma vaga de protestos sindicais contra as medidas de austeridade em Espanha, Portugal e Grécia.”

Financial Times

Os “mercados”, e sobretudo muitos dos que escrevem sobre os ditos, coitados, enervam-se com sindicatos, partidos de esquerda e toda a tralha da democracia: uma fonte de perturbação, rigidez e fricção. A expressão rigidez, aplicada às relações laborais, por exemplo, é todo um manual de intoxicação ideológica, que muito contribui para esta crise.

A utopia dos “mercados”, na ausência de contrapoderes fortes, tende a trabalhar para a limitação e erosão da democracia. Por isso, a minha única esperança é que tenham muito, mas mesmo muito, com que se enervar. Ontem parece que houve uma manifestação concorrida em Lisboa. O desafio, como o Nuno Teles argumenta, é enervar à escala europeia. Enervar para reformar.

Por outro lado, sabemos, pelos estudos na área dos determinantes sociais da saúde, que certas formas de instituir os mercados com vista à sua expansão, e a injustiça social que assim é gerada, fazem mesmo mal aos nervos, à saúde, das pessoas propriamente ditas…


9 respostas ao post “Quem é que fica enervado?”  

  1. 1 1  chapeleiro louco

    nunca pensei dizer isto, mas este é provavelmente um momento historico na curta vida da europa.

    se houver vontade para fazer algo é agora, é preciso agitar as águas e dar um sinal claro a todos os trabalhadores e aos mercados, democracia e mais democracia já.

    mais transparencia, mais participação, mais europa.

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  2. 2 2  Jorge

    Já foi assim no século XIX, a cujo capitalismo predador infelizmente voltámos: enervar, pressionar, lutar. Deu resultado. É só recomeçar.

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  3. 3 3  Antonio Cunha

    Enervar ??

    Como diz o Medina Carreira, o que falta neste pais é politicos com tomates.

    A função publica neste pais é uma vergonha. E mesmo assim asinda refilam. Deviam ers estar bem caladinhos.

    Mas enervem à vontade. Falta pouco para se fazer aqui o que fizeram na Grécia.

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    chapeleiro louco Reply:

    oh meu amigo

    qual função publica? ja leu o estudo do eugenio rosa sobre a suposta barrigada dos funcionarios publicos?
    devia ler…

    http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2009/34-2009-Media-manipulam-dados-para-atacar-Funcao-Publica.pdf

  4. 4 4  chapeleiro louco

    e penso ser inevitavel, que quem está por dentro dos meios de divulgação de informação, e partilha da necessidade de mudança, alargar e delinear o confronto com fúria e cabeça fria. já o fizeram e bem, é preciso voltar a fazê-lo.

    se estou a pressionar? estou sim, porra, o momento assim o urge.

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  5. 5 5  MP

    Tenho fontes seguras, em wall street, que me asseguram que os mercados ficaram enervados e inseguros com o post do Daniel Oliveira sobre o bónus do presidente do JP Morgan.
    Julgo que existe mesmo grandes hipóteses de um crash no domingo á noite na abertura dos mercados asiáticos.
    Pelos vistos agora há mais enervados. É de um ridículo…!

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  6. 6 6  LINGRINHAS

    EU devo ser muito ignorante porque ainda não cosegui perceber porque é que os sindicatos só convocam manifestaçoes daqueles que comem á mesa do orçamento e do atestado tenham mas é vergonha e trabalhem .

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    Samuel Reply:

    Ó lingrinhas, a média salarial na função pública é uma bela bosta. Se é isso que chama “comer à mesa dos orçamento”…
    Já agora, muitos outros milhares e milhares de trabalhadores, gostariam também de se manifestar, não estivessem a recibos verdes, com contratos ao mês… e com a ameaça de despedimento imediato e sem direitos se ousarem levantar problemas.
    Abra os olhos!

  7. 7 7  cafc

    “Proletários de todos os Países, uni-vos!”

    Esta frase marcou gerações. Hoje, sugiro outra:
    “Cidadãos de toda a União Europeia, uni-vos!”

    Julgo não ser necessário explicar a diferença e os seus “porquês”. Limito-me a expressar o que pretendo com esta “palavra de ordem”. Tal como o amigo chapeleiro louco, também nunca pensei “dizer” isto. Até porque me faz “regressar” à adesão de Portugal à CEE.

    1- O capitalismo (então, menos selvagem) já estava organizado. A CEE correspondia à organização dos Governos, como garantes da “velha ordem”;
    2- Nessa altura, dentro do meu modesto campo de opinião, defendi a organização de uma Central Sindical Europeia, a sério:
    a) Diálogo aberto entre as várias Centrais Sindicais dos diversos Países, com um programa de reivindicação e luta comuns;
    b) Não “fui ouvido”. O resultado está à vista. Perante a organização de quem os subjuga, os trabalhadores estão no “salve-se quem puder”. Com a triste realidade de já os termos visto uns contra os outros, até com “argumentos” xenófobos.

    Tudo indica que os Sindicatos (de toda a União Europeia) vão continuar “refugiados nas suas tasquinhas”. Entretanto, os Governos (a soldo da globalização neo-liberal), vão fazendo “liftings” à “velha ordem”. E, os trabalhadores desunidos só podem ser “comidos”, com um “F” do tamanho do Everest.

    Só “falei”, propositadamente, dos trabalhadores.
    Incluo, agora, todas as outras “classes sociais” que são prejudicadas. Desde os “nano até aos médio-empresários”, qualquer que seja o seu ramo de actividade.

    Escrevi “classes sociais”. Dirão que é uma terminologia “marxista”, caída em “desuso”. Para mim, não é. Pela simples razão de nunca ter considerado “O Capital” como uma espécie de “Bíblia”. Com mais ou menos “liftings”, as classes sociais continuam a existir.

    Por tudo isto, é imprescindível que todas essas classes sociais, encontrem uma plataforma comum. Não só de resistência ao “Invasor neo-liberal-global”. É “preciso, imperioso e urgente” (desculpa, Fanhais) que essa plataforma seja de Governo para todos os Países da UE.

    Mais uma utopia? Quero lá saber. Quando alguém disse “I have a dream”, também era utópico. Não me comparo, minimamente, ao Martin. Mas, só quero ter o direito de “sonhar”. Quem sabe, talvez as minhas netas vejam concretizado o sonho do seu avô tonto!?!

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