Paulo Pinto Mascarenhas é contra a despenalização do aborto e contra a prisão das mulheres. Para quem é amante da lei e da ordem, a defesa de leis que não são para cumprir parecia-me estranha. Mas ele esclarece, numa caixa de comentários do blogue Atlântico: «a penalizar, para mim, devia ser o homem». Como sabemos, para a malta do CDS a mulher não é um ser especialmente dotado para tomar decisões. Se engravida e não quer, só pode ser por culpa de um canalha. E assim resolve o Paulo todas as suas angústias: mantém-se o aborto como crime mas a senhora se não quer ir para a choldra diz quem foi o violador (quando há sexo sem vontade de procriação, todos sabem, ou é violação ou prostituição) para que ele pague bem caro o seu crime.
PS: No post onde está o comentário, Paulo Pinto Mascarenhas diz que no refereno a «política não é para aqui chamada». Tendo em conta que estamos a falar da aprovação de uma lei, sempre gostava de saber em que momento é que deixou de ser a politica a definir o quadro jurídico em que vivemos.



Esse comentário devia ter-me irritado quando o li a primeira vez, mas não consegui deixar de rir. São tão fofos os homens que se preocupam de maneira tão sentida c’a gente, uns seres frágeis, tão facilmente manipuladas e enganadas por esses manganões que para aí andam que só nos querem comer
Não seja injusto com as gentes do CDS, se reparar, no blog da Atlântico, há vários posts a contestar a incoerência do PPM
Eu não colei o blog Atlântico ao CDS. Já o PPM, é dificil não o fazer. E nisso é acompanhado pelo seu partido. Se não fosse, seria o primeiro a referir que a posição é apenas a dele. Não acho que os militantes representem sempre o partido onde militam. Mas neste caso, há uma coincidência de posições
Pois claro! Então, muda-se a lei, fica (ou agrava-se) o preconceito! Está bem visto! Não se pode dizer que lhe falte imaginação…
Shyznogud, só dá mesmo para rir. É absurdo, não é coisa que se possa levar a sério numa discussão política de adultos.
Compreendo e aceito que as minhas palavras possam ser criticadas. Foram escritas apressadamente numa caixa de comentários, como já reconheci no meu blogue. Mas já não vejo a mesma atitude da parte de quem defende o aborto, ou a mudança da actual lei. Há por vezes uma atitude de sobranceria que pode ser contraproducente, como foi no último referendo. Há muita gente, de esquerda mas também de direita, que tem sempre muitas certezas, demasiadas, sobre um assunto que é extremamente complexo. Não me estou a referir ao Daniel Oliveira, a quem já respondi.
Cumprimentos.
Aceito as criticas que faz a muitos dos apoiantes do sim à despenalização do aborto. Não o terem certezas. Podemos na vida ter certezas sobre alguma coisa, não é pecado, e ter dúvidas sobre tantas outras. Mas sobre a sobranceria. E aceito que se escrevem coisas assim, sobretudo nas caixas de comentários. Eu próprio já o fiz. Não terei problemas nenhuns em colocar o seu comentário como P.S. (salvo seja) do meu post, se assim o entender.
PPM,
o que a sua leitora estava a querer dizer, na minha interpretação, é que os dois deveriam ser julgados. Não concordo, porque não concordo com a proibição, mas é pelo menos uma posição de igualdade efectiva entre homens e mulheres. Os dois são precisos para engravidar, o Estado presume que a decisão do aborto também é dos dois, porque se não é, devia ser, e portanto, os dois são responsáveis.
E de facto, os dois deviam ser sempre responsáveis, independentemente da legalidade ou não do acto…
Na sua resposta, a proposta da leitora não só foi deturpada, como propôs uma coisa ainda mais absurda do que o que existe agora, e como já foi dito, e repito, com um total desrespeito pelas mulheres. E isso, não é aceitável nem que venha mascarado de todas as delicadezas!
Confesso que não tenho uma opinião muito convicta sobre este assunto. Mas reconheço que há muitos homens que são verdadeiros abortadores de bancada…
Abraço