Bom dossier do “Público” (sem link) sobre o caso da licenciatura de José Sócrates. Não é fácil o primeiro-ministro escudar-se no discurso da vítima de uma campanha depois de o ler. Nada ali o condena, mas ficam muitas dúvidas fundadas no ar. Dúvidas que o primeiro-ministro tem de esclarecer na entrevista de amanhã. Num país onde o Parlamento e as instituições democráticas tivessem credibilidade, era aos deputados que o chefe de governo responderia, com toda a naturalidade. Infelizmente, esse país não é Portugal. Espera-se, por isso, que o jornalista da RTP se prepare para fazer todas as perguntas difíceis. Pode começar por ler o dossier do “Público”. Seria péssimo para José Sócrates que algum pormenor ficasse de fora, para o perseguir mais umas semanas. Deve responder a tudo e tudo lhe deve ser perguntado. Se, como acredito, não tiver qualquer culpa nesta trapalhada, só tem a ganhar com isso. Suponho que Sócrates saberá que é a sua credibilidade e autoridade que estarão em jogo nestes dias. E sem elas não governa.
Uma segunda nota: Mariano Gago, ao misturar a decisão de encerrar a Independente com considerações a propósito do percurso académico de José Sócrates, cometeu um erro estrondoso. É precisamente o que não podia ter feito. É precisamente este conflito de interesses que torna esta história explosiva.
E uma terceira nota: começa a ser cansativo ouvir o coro de indignação que confunde exigência de clareza com maledicência, obrigações de qualquer cidadão com vida privada. Correm o risco de, como o pequeno Pedro, ninguém os ouvir quando gritarem de novo que vem aí o lobo. Ninguém tem uma vida sem falhas e erros. Eu por mim falo. Não serei um exemplar em todos os domínios da minha vida como cidadão. Ninguém é. Mas há momentos em que o que está em jogo é a resposta a uma pergunta simples: somos todos iguais perante a lei e exigência de procedimentos burocráticos? O Estado tem autoridade quando torna claro a todos que sim. É apenas isto que está em debate.
Por Daniel Oliveira 10 Abr 07 em Sem categoria


“Mariano Gago, ao misturar a decisão de encerrar a Independente com considerações a propósito do percurso académico de José Sócrates, cometeu um erro estrondoso.” DO
Isso é visto assim apenas pelos individuos muito enpenhados na causa politica. Para individuos como eu, que tem muito mais que fazer na vida ( que somos a grande maioria) O ministro fez muito bem em responder às perguntas dos jornalistas, que no fundo eram as nossas perguntas. Se não tivesse respondido, isso sim, seria um erro estrondoso.
Daniel,
Tens duvidas que o teu camarada José Manuel Fernandes só pegou agora neste caso (que há anos anda pela blogosfera) porque a OPA da Sonae fracassou?
Isolando a questão das declarações de Mariano Gago: pelo que vi e ouvi ontem na SIC, o ministro “acabou por se referir à questão, depois de grande insistência dos jornalistas” e fê-lo, quanto a mim, de uma maneira genérica e sem entrar em grandes pormenores.
O que teria sido se se tivesse recusado a comentar, perante a “grande insistência dos jornalistas”? Certamente que seriam levantadas ainda maiores suspeitas e dúvidas. Acho eu.
GrassKirt, adoro quando pessoas vestem a capa de legítimos representantes do sentimento popular. O senhor acha uma coisa e eu acho outra. Como sabe como ela é vista por todos os que não estão “muito enpenhados na causa politica”. Perguntou-lhes?
Bang bang, tenho todas as dúvidas. Sou pouco dado a teorias da conspiração.
Sérgio Ganges,
Respondia o óbvio: este não é nem o lugar nem o momento. As duas coisas devem ser tratadas em separado e o primeiro-ministro já anunciou que falará na quarta-feira sobre o assunto.
Os políiticos respondem ao que querem responder. Como Sócrates tem mostrado.
O problema dos jornalistas e que aos seus proprios olhos são invisiveis. Eles é que provocam as reacções das pessoas e depois dizem que o discurso foi “livre”, ontem na conferência de Imprensa, a mediocridade era tanta, as perguntas todas dirigidas insistentemente ao caso Sócrates, e agora dizem que a culpa é do homem ter respondido às perguntas que lhe colocaram.
Já agora o Publico que fça o link entre a entrada de MMendes e o companheiro Alvaro, como professores na UNI e a outorgação de utilidade publica pela ministra F.Leite à UNI.
Pode verificar datas e tudo.
Não é que eu esteja a pôr em causa a excelência de MMendes como professor do que quer que seja bem como do seu companheiro Àlvaro, o que eu quero é ilibar o Público de todas as suspeitas de revanchismo por causa da OPA.
Curiosamente esta “cacha” do DN, nem um alinhamento mereceu na tv ou radio.
Não será suficientemente….óbvio???
“O ministro fez muito bem em responder às perguntas dos jornalistas, que no fundo eram as nossas perguntas. Se não tivesse respondido, isso sim, seria um erro estrondoso”
GrassKirt: a verdade é que o ministro não respondeu de forma esclarecedora a nenhuma pergunta dos jornalistas. E as considerações que teceu sobre o percurso académico de José Sócrates foi mais areia para os olhos do que outra coisa qualquer. Achei muito interessante saber que o PM fez um bacharelato em Coimbra, e que depois foi para o ESEL e que depois passou para a Independente para concluir a licenciatura, qual cachopo muito dedicado e expedito, o que, segundo Mariano Gago, nos deveria encher de regozijo. Contudo, o que importa realmente saber é em que turmas esteve inscrito José Sócrates. De que outros alunos foi colega. Que disciplinas fez e onde estão os exames que lhe deram aproveitamento. Onde estão os registos das matrículas não só de Sócrates como dos seus colegas de ano lectivo. Porque consta uma carta da secretaria de estado do ambiente do processo de licenciatura de José Sócrates. Quanto foi pago pelo PM para obtenção do diploma? E de que forma o pagou? Porque não consta no tal levantamento do ministério nenhum licenciado em Engª Civil pela UNI? E há ainda outra pergunta fundamental? Se há suspeições sobre a forma como os reitores da UNI atribuíam diplomas, como poupar a reputação de todos aqueles que frequentaram a UNI e que efectivamente levaram a cabo o seu percurso académico sem irregularidades?
Em primeiro lugar é necessário ter em conta que contariamente ao que José Manuel Fernandes, Contança Cunha e sá e agora Daniel de Oliveira deixam entender, na sua declaração o Ministro não se referiu ao caso Sócrates.
Só se referiu a este caso quando um jornalista ,na sessão se perguntas e respostas que se seguiu à declaração, tocou no assunto.Quem misturou as coisas foi um jornalista.
Já pensaram nos títulos dos jornais , no dia seguinte, se Mariano Gago se tivesse recusado a responder ao Jornalista?
“MINISTRO RECUSA SOLIDARIEDADE A SÓCRATES!” “CISÃO NO GOVERNO” etc. etc.