Não tem sido falado por cá, mas os estudantes da mais importante universidade brasileira, a USP de São Paulo, ocuparam há um mês e meio a reitoria, em protesto contra a diminuição da autonomia da Universidade imposta pelo Governador Estadual José Serra e por melhores condições para os estudantes. E um mês e meio depois, lá continuam, com o apoio de muitos professores. Aqui ficam alguns vídeos, a maioria feito pelos próprios ocupantes.
Por cá, a autonomia da Universidade, a única garantia de que o conhecimento e o avanço da ciência não vivem dependentes de cada poder circunstancial, também está em risco. Mas ninguém parece querer perder um segundo a debater o assunto.
Não conheço em pormenor o que se passa em São Paulo. Não faço ideia se os estudantes têm ou não razão nem o real apoio que esta ocupação teve entre eles. Por isso deixo apenas aqui estes vídeos e um link para um artigo da Folha de São Paulo sobre as razões do protesto. Não sei se o artigo é ou não exacto. Também poderão encontrar na site da “Folha” dezenas de notícias sobre o assunto: basta fazer busca escrevendo “USP”. E fica aqui o blogue dos estudantes que ocupam a reitoria, feito pelos próprios.
Do que percebi, a ocupação, que dura deste 3 de Maio, está agora na sua fase final. Mais do que o assunto em discussão em São Paulo, o que acho mesmo preocupante em relação ao tempo que vivemos, é que a reitoria de uma das maiores universidades da América Latina, que tem quase cem mil estudantes, esteja ocupada durante um mês e meio e isso não seja motivo de notícias. Pelo menos em Portugal. Fica aqui a minha ajuda.
Por Daniel Oliveira 16 Jun 07 em Sem categoria


É de facto estranho. Até porque a UL e a UNL têm acordos bilaterais do género programa ERASMUS com a USP.
“Por cá, a autonomia da Universidade” é um eufemismo para se referir ao corporativismo e à autogestão que imperam nas universidades públicas. Ou seja, as universidades públicas, em vez de serem geridas pelo seu proprietário (o Estado) a favor de toda a população, estão em regime de autogestão corporativista. Três corpos (os estudantes, os professores e os funcionários) gerem a universidade, não em função dos interesses do povo, mas sim em função dos seus próprios interesses. E o Estado, que é o proprietário, paga as contas e não resmunga.
É isto a autonomia da Universidade, estilo português.
A autonomia, como tudo, resulta ou não dependendo da matéria prima. Acabando com a autonomia não se resolve o problema a que te referes. Só muda a clientela.
«Por cá, a autonomia da Universidade, a única garantia de que o conhecimento e o avanço da ciência não vivem dependentes de cada poder circunstancial, também está em risco. Mas ninguém parece querer perder um segundo a debater o assunto.»
Sem dúvida. Mas há coisas que me fazem ficar de pé atrás, em relação aos protestos.
Por exemplo, a preocupação da associação nacional de funcionários das universidades (não sei agora o nome ao certo) não é exactamente essa. Estão preocupados porque acham que nem sequer haverá quorum para decidir, porque as “personaliades de mérito reconhecido”, de fora da universidade, não vão ter interesse em comparecer.
Só soube disto através do blog Boa Sociedade, do Prof. Elísio Estanque, que está a viver no Brasil. Nos media de cá nada se diz.