Não tem sido falado por cá, mas os estudantes da mais importante universidade brasileira, a USP de São Paulo, ocuparam há um mês e meio a reitoria, em protesto contra a diminuição da autonomia da Universidade imposta pelo Governador Estadual José Serra e por melhores condições para os estudantes. E um mês e meio depois, lá continuam, com o apoio de muitos professores. Aqui ficam alguns vídeos, a maioria feito pelos próprios ocupantes.


Por cá, a autonomia da Universidade, a única garantia de que o conhecimento e o avanço da ciência não vivem dependentes de cada poder circunstancial, também está em risco. Mas ninguém parece querer perder um segundo a debater o assunto.

Não conheço em pormenor o que se passa em São Paulo. Não faço ideia se os estudantes têm ou não razão nem o real apoio que esta ocupação teve entre eles. Por isso deixo apenas aqui estes vídeos e um link para um artigo da Folha de São Paulo sobre as razões do protesto. Não sei se o artigo é ou não exacto. Também poderão encontrar na site da “Folha” dezenas de notícias sobre o assunto: basta fazer busca escrevendo “USP”. E fica aqui o blogue dos estudantes que ocupam a reitoria, feito pelos próprios.

Do que percebi, a ocupação, que dura deste 3 de Maio, está agora na sua fase final. Mais do que o assunto em discussão em São Paulo, o que acho mesmo preocupante em relação ao tempo que vivemos, é que a reitoria de uma das maiores universidades da América Latina, que tem quase cem mil estudantes, esteja ocupada durante um mês e meio e isso não seja motivo de notícias. Pelo menos em Portugal. Fica aqui a minha ajuda.


Sem respostas ao post “São Paulo, Maio de 2007”  

  1. 1 1  Margarida

    É de facto estranho. Até porque a UL e a UNL têm acordos bilaterais do género programa ERASMUS com a USP.

  2. 2 2  Luís Lavoura

    “Por cá, a autonomia da Universidade” é um eufemismo para se referir ao corporativismo e à autogestão que imperam nas universidades públicas. Ou seja, as universidades públicas, em vez de serem geridas pelo seu proprietário (o Estado) a favor de toda a população, estão em regime de autogestão corporativista. Três corpos (os estudantes, os professores e os funcionários) gerem a universidade, não em função dos interesses do povo, mas sim em função dos seus próprios interesses. E o Estado, que é o proprietário, paga as contas e não resmunga.

    É isto a autonomia da Universidade, estilo português.

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    A autonomia, como tudo, resulta ou não dependendo da matéria prima. Acabando com a autonomia não se resolve o problema a que te referes. Só muda a clientela.

  4. 4 4  Jam

    «Por cá, a autonomia da Universidade, a única garantia de que o conhecimento e o avanço da ciência não vivem dependentes de cada poder circunstancial, também está em risco. Mas ninguém parece querer perder um segundo a debater o assunto.»

    Sem dúvida. Mas há coisas que me fazem ficar de pé atrás, em relação aos protestos.

    Por exemplo, a preocupação da associação nacional de funcionários das universidades (não sei agora o nome ao certo) não é exactamente essa. Estão preocupados porque acham que nem sequer haverá quorum para decidir, porque as “personaliades de mérito reconhecido”, de fora da universidade, não vão ter interesse em comparecer.

  5. 5 5  FT

    Só soube disto através do blog Boa Sociedade, do Prof. Elísio Estanque, que está a viver no Brasil. Nos media de cá nada se diz.

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