Com excepção da transferência de Alberto Martins da liderança parlamentar para a pasta da Justiça e do regresso de Lacão à ribalta, os novos ministros têm, em geral, pouco peso político. É nos rearanjos entre os ministros do governo anterior que José Sócrates definiu novas prioridades. A passagem de Vieira da Silva para a Economia é, desse ponto de vista, uma boa opção. A escolha de Jorge Lacão para a pasta dos assuntos parlamentares (e comunicação social) também.

A manutenção de Ana Jorge na saúde era esperada, assim como a do bom aluno Luís Amado nos Negócios Estrangeiros. Mariano Gago também fica e nada mudará no ensino superior. O que é uma pena. A Universidade portuguesa continuará a definhar.

Quanto às entradas, elas são quase todas uma incógnitas. Ao escolher Isabel Alçada para a Educação Sócrates joga pelo seguro. É, obviamente, uma ministra para travar os disparates da sua antecessora. Mas se as coisas voltarem a aquecer, falta à nova ministra experiência política. Viu-se, no governo anterior, como esse pode ser um grave problema. A escolha de um técnico para as obra públicas, quando quase tudo o que há para gerir agora é político, é difícil de perceber.

Escolher uma sindicalista da área da UGT para o Trabalho e Segurança Social parece-me um erro. Poderemos assistir a uma tendência para se transferirem para as relações entre a principal central sindical e o governo os conflitos (e a concorrência) entre a CGTP e a UGT.

Na cultura, a escolha de uma figura de 20ª linha (e não de um político), apenas nos garante que nada mudará: este ministério continuará a ser uma inexistência. Sem peso político não há dinheiro. Sem dinheiro não há política cultural.

Santos Silva foi aparentemente promovido. Mas só aparentemente. Trata-se de um chuto para cima. Fica com a Defesa, um lugar de prestígio mas sem visibilidade política. Talvez para tapar o lugar a outros concorrentes. Talvez para deixar de “malhar”, quando se precisa de mais diplomacia.

Conclusão: Sócrates não tinha, fora do seu núcleo duro (governo e liderança parlamentar), reforços políticos.


22 respostas ao post “Sem reforços políticos”  

  1. 1 1  Justicialista

    Não sei se é boa ideia nomear alguém que gosta de “malhar na direita” para a Defesa.

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  2. 2 2  Chico da Tasca

    Quero prestar a minha homenagem a uma excelente ministra, que foi a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que eu esperava que continuasse.

    Foi talvez a governante com mais coragem e determinação, que eu me lembre, desde o 25 de 74.

    Foi sujeita a tudo : a pressões, a chantagens, a insultos, mas foi fiel à sua consciência e não teve medo de afrontar as hordas de parasitas mimados e ultra-privilegiados, pseudo bem fomados, de uma das mais conservadoras e chupistas Corporações da nossa praça : a dos professores.

    A minha homenagem a Maria de Lurdes Rodrigues !

    O meu voto no PS em grande parte foi para ela.

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  3. 3 3  mia

    se calhar melhor que o peso politico é a competencia digo eu não sei

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    Daniel Oliveira Reply:

    mia, o peso político não cai do céu. Corresponderá a alguma competência política. Os ministros são políticos. Os técnicos devem ser directores gerais ou, na melhor das hipóteses, secretários de Estado. Porque um excelente técnico pode ter na cabeça excelentes ideias. Mas é preciso um político para as negociar, para as conseguir fazer chegar ao fim. E se elas não chegarem ao fim, são apenas excelentes ideias. O desprezo pela política é uma das tragédias do nosso tempo.

  4. 4 4  Bota da Tropa

    “Santos Silva foi aparentemente promovido. (…) Fica com a Defesa, um lugar de prestígio mas sem visibilidade política.”

    Pelo contrário, pode ser que venha a ter muita visibilidade política. Os militares têm vindo a acumular razões de queixa (com razão ou sem ela) e devidamente espicaçados com mais algumas “reformas” voltarão aos protestos de rua. Nestas conjunturas é habitualmente ao Presidente da República que se queixam. Se Cavaco Silva morder o isco está montado o cenário para a próxima guerra entre as duas instituções. Será então fácil impingir o argumento de um Cavaco defensor dos “privilégios corporativos dos militares” (coisa que o povo odeia). Com isto Sócrates dará os últimos retoques no retrato de CS como um presidente “completamente descredibilizado” – que é o seu objectivo estratégico a curto prazo.
    Está agora entendido o que é que faz Santos Silva na Defesa?

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  5. 5 5  Rui F

    Uma vez mais, Portugal vai perder!
    Não me considero nem pouco mais ou menos velho de restelo, mas já cá ando há muito mais tempo do que a Rita Rato.

    Resumindo: Continuam-se a colocar pessoas nos postos não pelos seus talentos reconhecidos mas sim pela conivência e lealdade partidárias. Tirando uma ou outra excepção, este governo é demasiado pobre e alinhado com o aparelho do partido.

    Um exemplo.
    O Ministro da Agricultura, António Serrano é sobejamente conhecido em Évora por ter sido administrador do Hospital. Os opositores do PS em Évora, consideram que nunca como agora, entrou tanta gente por via do aparelho partidário no hospital. Provavelmente têm razão.
    Constata-se inclusivamente que os critérios de gestão usados, eram no mínimo duvidosos e que colocaram a qualidade dos serviços em segundo plano. Têm também razão.

    O Pior vem agora.
    No meu ponto de vista, colocar na “pobre” e desprezada agricultura um homem com este CV, é uma COMPLETA ofensa aos poucos agricultores que ainda se preocupam em produzir alguma coisa.
    Evidentemente que o homem foi colocado pelo aparelho para MANUSEAR os milhões e travar os exaltados excedentários – cerca de 3 funcionários para cada 1 agricultor – que existem actualmente no ministério, basicamente “filhos” do PS e do PSD.
    Resta-me ainda outra dúvida.
    Sabe-se que desde que o CDS foi parido, que um dos seus sonhos é a pasta da Agricultura, especialmente após a entrada na Europa: Avultadas somas em subsídios!
    Os tais Subsídios que o CDS adora por a mão!

    O Sócrates, não dando a pasta a alguém próximo do CDS, só tem uma hipótese para os manter de certa forma aliados no parlamento: METER o Serrano a distribuir subsidio aos amigos agricultores do CDS sedentos desse mel delicioso, pelo menos, a avaliar pelo aumento recente de furtos de fardos de palha.

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  6. 6 6  Miguel

    Chico da Tasca, faço minhas as suas palavras.
    Acrescento ainda outros motivos pelo quais votei PS:

    1. Tentativa de pôr todos os professores a trabalhar (e não me venham com tretas, porque eu passei por dezenas de professores desde o 5.º até ao 12.º e apanhei pra aí uma dúzia que fazia mais do que preparar as aulas quando o programa mudava).

    2. Apoio às energias renováveis.

    3. Protocolos com universidades de topo ao nível mundial (MIT, Carnegie Mellon, U. Texas at Austin e Harvard).

    4. Ou eram eles ou a Ferreira Leite (livra!).

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  7. 7 7  josé ricardo

    boa opção vieira da silva porquê? por ter feito um bom trabalho na segurança social, pois seria aí que deveria continuar, eventualmente com competências mais alargadas. não gosto destas trocas. se contabilizarmos os anos que santos silva, por exemplo, já passou como ministro (e as pastas por onde esgadelhou), chegamos à conclusão que é uma verdaedira profissão.

    cumprimentos,

    josé ricardo

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  8. 8 8  Nom_de_Guerre

    Ainda no tópico do peso político fica a completa ausência do mesmo na escolha para o Ambiente, uma área que poucos países já sabem que é fundamental para a economia e emprego.

    É, com a Cultura, uma pasta cada vez mais inexistente e irrelevante, a reboque das Obras Públicas e a quem ninguém, aparentemente sem excepção, dá valor ou atenção.

    É pena que esta pasta seja encarada como um assunto de Relações públicas pelos portugueses, e mais tragicamente, por políticos…

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  9. 9 9  José Bastos

    Quando se sabe que o jogo vai abaixo não se gastam trunfos, queima-se palha.
    Claro que posso estar enganado e isto seja o elenco tipo “A-Team”, feito para durar quatro anos…

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  10. 10 10  Zunkruft

    Eu era um dos apreciadores do anterior Ministro Pinto Ribeiro defendia – identifico-me quase a 100% com a lógica de pensamento daquele senhor. Para mim, é uma pena que Sócrates não lhe tenha dado mais espaço (e tempo) para demonstrar aquilo que vale. Foi uma decepção a sua substituição, para mim.

    Fora isso, nota positiva para a manutenção de Teixeira dos Santos e Ana Jorge e nota negativa para a escolha/manutenção na Agricultura/Pescas e para a continuidade de Santos Silva que, por muito mérito que tenha (que até nem tem), é uma figura pouco simpática e que já em demasiada rodagem em demasiadas carruagens no passado, com a agravante da sua postura se coadunar pouco com aquilo que uma pasta como a Defesa requer.

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  11. 11 11  isagt

    Daniel, é realmente uma tragédia o desprezo pela política, mas a culpa é toda, dos próprios políticos que a abandalham e continuam a utilizar para o que não deviam.
    A ideia geral do comum dos cidadãos é que um político trata mais de negociar a sua vidinha do que dos interesses públicos e até têm razão. Talvez se fossem responsabilizados pelo que fazem essa visão alterasse, coisa que não vejo que possa vir a acontecer. Nós por cá, também estamos fartos de pagar incompetências , eles “aproveitam-se” ou “erram” e continuam, como se nada fosse com eles. Deve ser das profissões onde se encontra o maior número de inimputáveis.
    O mais engraçado é que quem anda a desprezar mais a política, são os próprios políticos.

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  12. 12 12  Ant.º das Neves Castanho

    Sim, concordo que a este Governo falta algum “peso” político. E também me parece que Sócrates guarda trunfos na manga para o caso de as coisas “aquecerem” em 2 011.

    Mais do que um Governo de continuidade, parece-me apenas um elenco de transição, não se sabendo é bem para onde, ou o quê.

    Ok, mantêm-se os melhores – Teixeira dos Santos, Vieira da Silva (mas por que não onde mais se distinguiu?) e Rui Pereira, para além do próprio Sócrates, claro -, mas não se vislumbra fôlego em nenhum dos “reforços”.

    Corrige-se na Educação, na Justiça, nas Obras Públicas e na Agricultura, mas sem tal verdadeiramente se assumir, persiste-se (inútilmente ou não, veremos) no Ensino Superior, nos Negócios Estrangeiros e na Saúde (onde o melhor, que seria o regresso triunfal de Correia de Campos, era políticamente inviável) e altera-se sem qualquer convicção no Ambiente e na Cultura, onde não se compreende a dispensabilidade de um vulto como Manuel Maria Carrilho.

    Pior de tudo, erra-se na Defesa, sobretudo por “descartar” um valor como Severiano Teixeira.

    Faltam manifestamente objectivos novos e mobilizadores a este Governo e revela-se, afinal, a pouquíssima importância que Sócrates atribui, no fundo, a aspectos decisivos para um verdadeiro desenvolvimento SUSTENTADO do País que são, quanto a mim, os Transportes, o Ordenamento do Território e, caramba, senhores, a REGIONALIZAÇÃO!

    Sim, porque os sempre tão empolados “assuntos fracturantes” não são da competência do Governo, mas sim da Assembleia.

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  13. 13 13  Flanger

    Análise fraquita. Fraquita, porque o Daniel costuma ser o melhor analista português.

    Teixeira dos Santos é um bom técnico ou é um bom politico? Pode-se ser as duas coisas ao mesmo tempo?

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  14. 14 14  Raoul de Joinville

    E lá temos o Professor Mendonça, mais um ex-PCP (da onda 1990), nas Obras Públicas…

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  15. 15 15  Antonio Cunha

    Mais um ex-comunista para o governo.

    E ainda dizem que os comunistas nunca governaram.

    Socrates vai deixar o seu estilo arrogante e colocar a postura dialogante.

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  16. 16 16  Filipe Moura

    “Mariano Gago também fica e nada mudará no ensino superior. O que é uma pena. A Universidade portuguesa continuará a definhar.”

    Ainda hoje reencontrei um colega de doutoramento, espanhol, que trocou a Universidade de Princeton (onde esteve cinco anos) pelo Instituto Superior Técnico, para onde foi graças a uma das posições criadas pelo ministro Mariano Gago. A universidade portuguesa definha? Imagina se não definhasse!

    Talvez definhe a clientela habitual da universidade portuguesa. Não há mal nenhum nisso. Era inevitável que definhasse.

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  17. 17 17  Fado Alexandrino

    Daniel Oliveira
    22 Out 2009 às 23:16

    De vez em quando lá tenho que fazer um elogio, não ao post mas a esta sua intervenção.
    Está lá tudo dito.
    A política é uma arte, não se aprende.

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  18. 18 18  CAFC

    Bem, pode ser que sem, sem “pesos” políticos, o Povo, pá, fique com um fardo mais “leve” e já tenha dinheiro p’ra comprar um carro novo, pá!

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  19. 19 19  cafc

    Pá, estou a ficar repetitivo (sem, sem)…???!!!

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  20. 20 20  velho carlista

    Posso perguntar porque não foi contabilizado o voto do ex-comunista miguel portas(fica sempre bem escrever ex-comunista, porque dá estatuto e lugares em governos ps)? Não me digam que não estava no parlamento! Teria ido fumar lá para fora? Quanto às posições do bloco é sabido que iam dar nisto.Se não tivemos engenho nem arte de os enquadrar quando podíamos marcar a agenda (por exemplo quando o ex- secretário de Kaulza foi deputado pela CDU ou termos mais visão e flexibilidade no caso da freguesia de D.Maria em Sintra ou mais tarde noutras situações…). se não quisemos ou não pudemos dar o abraço do urso na devida altura agora temos que assistir ao regabofe dos ex-PCP, carp-ml, ur-ml, fec-ml, lci + não sei de quantos.Quanto à união das esquerdas! o bloco pela sua génese e práticas correntes e diárias não são de esquerda nem de direita porque lhes falta definirem-se ideologicamente. Os assuntos fraturantes não passam de espuma. A base ideológica falta-lhes pois já não defendem o m-l que foi a base teórica dos grupelhos que o constituem + a lci aparentemente ligada à 4ª Internacional.Vamos esperar para ver o que isto dá para já dá muito pouco e mau muito mau mesmo é ver como se critica das bandas do bloco uma jovem que tem a coragem de ser funcionária de um partido como o PCP ( é muito duro sê-lo). Gulags? criticar alguémpor desconhecer os campos de trabalho/morte criados pelos czars e por onde passou dez anos aproximadamente Tolstoi por exemplo e muitos milhares de russos COMUNISTAS é baixo e de pouca seriedade intelectual. O bloco é isto! É pouco ou quase nada!Não é novidade infelizmente.

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