Acabei de ouvir, durante meia hora, o juíz Rui Rangel a comentar, um pouco a despropósito, a legislação deste governo que afecta o funcionamento da justiça. Concordo com algumas das críticas e com outras nem tanto. Mas no fim o senhor juíz deixou-me baralhado. Comentando o comentário feito por José Sócrates à sentença sobre Paulo Pedroso (em que este se limitou a insinuar a sua satisfação pessoal), disse que o primeiro-ministro não o deveria ter feito. A bem da “separação de poderes”. Se percebi, a separação de poderes impede um titular do poder executivo de mostar satisfação, a título pessoal, por uma decisões do poder judicial que por acaso até afecta o poder político. Mas a mesma separação de poderes não impede que um titular do poder judicial critique, de forma bastante violenta e clara, as decisões do poder legislativo e executivo que por acaso afectam o poder judcial. É isto, não é?
Por Daniel Oliveira 2 Set 08 em Sem categoria


É sim ! Também ouvi. Também me surpreendi com o desplante do Dr.Juíz!!
Há dias no Correio da Manhã, deixei um pequeno comentário ao escrito do juíz Rangel.
Estava ele preocupado com a independência do poder judicial.
Comentei:
Se eu fosse juíz, tambem estaria preocupado. Ninguem gosta de perder poder, não é?
O comentário, não foi publicado.
É.
Então mas mexeram na prisão preventiva para reduzir o poder dos juízes ou para corrigir uma situação injusta?
Mexer na prisão preventiva para mexer nos poderes dos juízes é mais uma trapalhada em que isto anda enredado. O que é que os juízes perderam se continuam a não ser eles a pagar as indemnizações? Só se foi a possibilidade de impedir que um suspeito possa dizer ao polícia que o prendeu e levou a tribunal: “Adeus bófia, até logo.”
É…é.
Mas isto será caracteristica dos Rangeis ou dos Juizes?
Por muito maus governos que tenhamos tido - e tivemos - nada está tão mal em Portugal do que a Justiça.
Por causa da Legislação? Por causa dos magistrados? Por causa de ambos.
Esta é um bocado ao lado do post mas o Correio da Manhã publica os mais bárbaros comentários e incitamentos à justiça popular, linchamento, destruição do bom nome: Mata, esfola, enraba, puta. Se criticarem o CM ou algum cronista a crítica não sai.
No outro dia publicaram um artigo onde diziam que um jornalista da SIC tinha casado no Canadá com o companheiro e que o Balsemão lhe concedido a licença de casamento. Nunca disseram quem era o jornalista. Pois o tipo que põe os comentários online publicou alegremente um comentário que dizia: “parabéns, senhor fulano de tal, que sejas muito feliz”
Bem observado.
Não é só as criticas ao poder legislativo e executivo,esse Sr.tambem costuma criticar as decisões dos seus colegas.Quanto á questão das indeminizações concordo plenamente que o Estado seja processado pelos cidadãos que sentem que foram prejudicados por decisões erradas.Tenho pena que isso tambem não aconteça com a comunicação social pois por vezes com toda a impunidade lançam calúnias que destroem a credibilidade das pessoas,que só ao fim de uma série de anos é que se prova que as calúnias não correspondem á realidade o desmentido é velado e passa despercebido e a vitima fica sempre com um rótulo para o resto da vida
Tal e qual, Daniel. Também ouvi e pensei o mesmo. E o PM limitou-se a dizer pouco menos que nada. E pelo meio, o juiz ainda gracejou com a história da cabala perguntando em que sentido era e afirmou que o Estado era mau pagador, creio que não do seu próprio vencimento…
E note que, de entre os juízes mediáticos, Rangel é dos mais civilizados e menos arrogantes…
Plagiando o Bang Bang: “É”
Eu não ouvi o juiz Rui Rangel dizer que Sócrates não «deveria ter dito», mas que «preferia que Sócrates tivesse ficado pela primeira parte da resposta», ou seja, pela separação de poderes.
E, como é evidente, manda o sentido de Estado que um primeiro-ministro não fique publicamente satisfeito com a vitória judicial de um amigo, ainda para mais num caso tão grave para o país, que ainda está por concluir.
Comparar o comentário do juiz, que «preferia» não ter visto a satisfação do primeiro-ministro, aos comentários do juiz sobre as leis que são aprovadas é, no mínimo, estrambólico.
JCS, a comparação peca por injusta, mas ao contrário. A satisfação de Sócrates é nada ao pé do que disse o juíz. Ou a separação de poderes tem dias?
… não vamos ser inocentes!
Sócrates é do mesmo PS que fez tudo ao seu alcance, para impedir o processo contra Paulo Pedroso, se o 1ºministro fosse de outro partido, certamente o juiz Rui Rangel não se mostraria desconfortável …
http://videos.sapo.pt/aWCBzS2SIhahWzoftzgZ
Não levo muito a sério o que dizem os juízes na Comunicação Social. Na maior parte dos casos, dizem disparates. O que se espera deles é que, quando decidem sobre a vida das pessoas na barra dos tribunais, os disparates sejam minorados.
Isto da separação de poderes é uma treta. Os poderes, todos eles, guerreiam-se todos os dias de forma aberta ou camuflada.
Que falem, que critiquem, que ponham a nu os podres de cada um desses poderes…
Sobre o que disse o juiz Rangel acerca da satisfação pessoal de Socrates pelo desenlace do processo do PP só vem dar razão ao Marinho Pinto quando disse que a corporação judiciaria pouco ou nada tinha sido tocada pelo 25 de Abril.
Até simpatizo com o juiz Rangel mas, não sei se sem querer, ele queria pôr um tampão na boca do Socrates. Não que ele não merecesse, mas por outras razões.
“o tipo que põe os comentários online publicou alegremente um comentário que dizia: “parabéns, senhor fulano de tal, que sejas muito feliz” ”
convive mal com a liberdade de expressão?
volte para os canais generalistas !
… esquerdistas politicamente correctos, sempre a impor censura
«Ou a separação de poderes tem dias?»
Daniel, não sei se tem dias mas está, pelo menos, ameaçada. E não será certamente por causa dos comentários de um juiz em relação à satisfação (pessoal, mas também pública) do primeiro-ministro em relação a um caso concreto. É certamente por força da lei e por força das leis que têm saído. Um secretário-geral de segurança interna na dependência directa do primeiro-ministro faz o que nenhum comentário de nenhum juiz, sobre o estado de espírito do primeiro-ministro, faz.
Por outro lado, comentar leis não será o mesmo que comentar decisões judiciais. Uma lei nasce da vontade política; uma decisão judicial nasce da aplicação dessas leis e nunca (enfim, em teoria) de uma decisão política.
Assim, na minha opinião, um juiz não viola a separação de poderes quando critica vigorosamente as leis. Ele está obrigado a aplicar a lei, mesmo a lei que critica.
Já um primeiro-ministro, quando fica satisfeito com uma decisão judicial que afecta um amigo e um companheiro de partido, não está a comentar a «vontade política» de um juiz. Está a comentar uma decisão judicial, da qual ainda pode haver recurso, e que condena o Estado onde ele exerce o cargo de primeiro-ministro, por «erro grosseiro».
Que satisfação é esta? E agora, havendo recurso? O primeiro-ministro continua satisfeito ou vai gritar com muita gente? O primeiro-ministro gosta, não gosta? Fica feliz ou incomodado?
É! É isso mesmo sem tirar nem pôr!
JCS,
Mas que confusão vai na sua cabeça!
Então a liberdade de expressão e de crítica de um qualquer detentor de poder está-lhe vedada por essa condição? O primeiro-ministro dizer que está satisfeito ou insatisfeito com uma determinada decisão judicial é invasão do poder autónomo dos tribunais? O primeiro-ministro dizer que não concorda com os fundamentos de um determinado veto do PR é invasão do poder Presidencial? Claro que não, expressa apenas uma opinião!
«Eu não ouvi o juiz Rui Rangel dizer que Sócrates não «deveria ter dito», mas que «preferia que Sócrates tivesse ficado pela primeira parte da resposta», ou seja, pela separação de poderes.
E, como é evidente, manda o sentido de Estado que um primeiro-ministro não fique publicamente satisfeito com a vitória judicial de um amigo, ainda para mais num caso tão grave para o país, que ainda está por concluir.
Comparar o comentário do juiz, que «preferia» não ter visto a satisfação do primeiro-ministro, aos comentários do juiz sobre as leis que são aprovadas é, no mínimo, estrambólico.»
Não fui eu que escrevi, mas é como se fosse.
O Daniel Oliveira parece ser boa pessoa e quase sempre gosto do que escreve e diz…
Mas, ás vezes, “disfarça” mal.
É isso mesmo. A ideia da separação de poderes é que o político nunca interfira com o judicial, e não o contrário. Aliás, o judicial é sempre preponderante nesta dialéctica.
Lembro-me do ridículo do Ministro da Saúde ao dizer que “as providências cautelares ordenadas pelos tribunais contra o encerramento das urgências não respeitam a separação de poderes executivo e judicial”!!
A separação de poderes, caro Arrastão, apenas tem um sentido, e não dois.
Lamento, João. O poder judical pode interferir no poder político através de decisões judiciais, assim como o poder político pode interferir no poder judical através, por exemplo, de decisões legislativas. O que o poder judicial não pode é interferir em decisões políticas por outras vias. E vice versa.
juízo!

cada vez gosto menos do poder político e do poder judicial. Não sei qual deles interfere mais na esfera do outro, mas sei bem que ambos interferem na vida de toda a gente. Os políticos são lá colocados por nós, os juízes temos que gramar com eles sem opção de escolha, o que parece dar uma ligeira vantagem aos políticos, ou então, como eu acho que é, nós também não ficamos muito bem na fotografia.
Com efeito, é preciso ter “lata”.
Cumprimentos