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A RTP tem estado a transmitir a promoção de uma reportagem que passará na terça-feira. Deve ser bombástica. As audiências prometem. O serviço público de televisão entrou com uma câmara escondida numa escola pública de um bairro problemático dos arredores de Lisboa e filmou crianças (segundo sei, entre os 10 e os 13 anos) a ameaçar e insultar professores. O assunto é relevante e merece debate sério. Mas antes de ver a reportagem tenho umas perguntinhas sem importância a fazer:

A RTP teve autorização dos pais para fazer filmagens às escondias?
Teve autorização da escola?
E a escola, quando e se deu autorização, perguntou alguma coisa aos pais?
E ao Ministério, foi informado?
Que raio de director autoriza que uma televisão faça da indisciplina dos seus alunos espectáculo televisivo?
Que raio de autoridade espera este senhor continuar a ter junto dos pais e das crianças? Ou não quer trabalhar com eles?
O Ministério da Educação, vai deixar que a escolas sirvam para isto? Alguma privada deixaria?

Uma coisa é certa: fosse a minha filha a estudar naquela escola, se a direcção deixasse por lá andar uma câmara a filma-la às escondidas sem eu o saber, já estava a preparar uma queixa criminal contra o jornalista, a RTP e a direcção da escola. Claro que, sendo aquela escola o que é, ninguém, nem na RTP nem no Ministério – que já há de ter visto a promoção – se preocupa muito com isso. Aquilo não são bem crianças, não é? Não têm propriamente pais, não é? Não se trata propriamente de gente, não é?

Se o director da escola autorizou esta vergonha e o Ministério não foi informado, o mínimo que se espera é uma acção disciplinar exemplar contra este senhor ou senhora. Alguém que deixa as televisões filmarem as crianças da sua escola para mostrar como são criminosas em potências não se pode dedicar ao ensino.


Sem respostas ao post “Serviço público?”  

  1. 1 1  rr

    Isto é revoltante.É a completa negação de direitos de uma instituição de serviço público
    para com as crianças que tem á sua guarda.E mais uma prova de um tipo de jornalismo que deveria ser condenado, deveriam ser apuradas responsabilidades a todos os niveis tanto na escola como na RTP. Mas não há nada como ver primeiro e depois se o conteudo se confirmar arranjar uma forma de protesto,que vá até onde seja preciso ir.

  2. 2 2  Eduarda Sousa

    Infelizmente o mau jornalismo anda por aí…

  3. 3 3  JG

    Não podia estar mais de acordo.
    Não concedo muito é quando apresenta a RTP como o serviço público de televisão, para imputar melhor ou pior “nódoa”. Não é exclusivo. O centro do debate vai cair no método utilizado para demonstrar o problema da violência nas salas de aula e na sua legitimidade como reportagem jornalística. É uma questão de legalidade, independentemenete pertinência ou importância do assunto. Vamos ter que aguardar pela reportagem. Só apanhei ainda uns poucos segundos, deu-me a sensação que a camara estaria colocada no tecto, deveras estranho. Só vendo.
    Era para os apanhados… Fica pelo “abuso”…

  4. 4 4  supermioleira

    Fiz o meu estágio de licenciatura este ano numa escola do 1º Ciclo - sou aluna finalista do curso de Teatro e Educação pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. Assisti a acções vilentíssimas de uma professora para com os seus alunos. Procurei apoio junto do professor responsável pela minha presença ali numa tentativa de impedir que a situação continuasse. Ele mandou-me estar caladinha e não levantar problemas ou só acabava o curso para o ano.

    Para bem ou para mal das crianças naquela sala não havia nenhuma câmara.

    O ambiente era sempre de cortar à faca e como seria de esperar se a tensão subia os miúdos também assumiam comportamentos violentos.

    Para bem ou para mal das crianças ali não havia nenhuma câmara.

    As imagens podem, por um lado, ser perigosa porque representam uma fracção de tempo e não sabemos o que vem antes nem depois.

    Também me questiono sobre a legitimidade de gravar estas imagens às escondidas mas,… e se fosse o meu filho a ser maltratado na escola e as imagens servissem para desmascarar a situação?

  5. 5 5  a.pacheco

    Os directores das escolas públicas, estão sujeitos ao Ministèrio.

    Num caso desta gravidade, em que os direitos destes jovens não são minimamente respeitados, pois não é desta maneira que se combate o grave problema da indisciplina no ensino,só resta EXIGIR ao ministro da tutela que dispense o director da dita escola , por manifesta INCOMPETÊNCIA.

  6. 6 6  José Magalhães

    Por falar em escolas, tem lá alguma cautela com as gralhas!

  7. 7 7  Anónimo

    Já agora, qual é o crime em causa?…

  8. 8 8  e-konoklasta

    Concordo perfeitamente consigo sobre este assunto. Agora, quem é que vai avançar com uma queixa ? Se acha que podemos, ajudo.

  9. 9 9  morfeu

    …pois…mas são trabalhos destes que são notícia e aguçam essa curiosidade apetitosa…
    A lebre está levantada…
    Morfeu

  10. 10 10  Anónimo

    Mas…as escolas não são lugares públicos?

  11. 11 11  JG

    É complicado… No pressuposto que a RTP não cria uma situação destas de ânimo leve.
    “O interesse público que há em noticiar casos de (…) sobrepõe-se ao interesse lesado com a sua divulgação - a honra e a consideração do ofendido.”
    http://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/0/e2c956e6d7f8eff480256e68002def26?OpenDocument
    Vai por aqui… O problema é se pega a moda!

  12. 12 12  Máquina Zero

    Aqui está algo com que não concordo. Mas depois de ver todos estes comentários, reparo que nada é dito que seja contra o dono/autor do blogo. Claro. Típico de quem milita onde você milita. Qual a diferença entre moderação e censura?

  13. 13 13  Anónimo

    De acordo com o ME a violência nas escolas é residual.Na verdade, apesar de em muitos casos estarmos perante crimes, normalmente não são denunciados às autoridades, mas “resolvidos”na escola. E mesmo assim, só em casos muitos graves é que é mesmo desencadeado procedimento disciplinar. Para o efeito é nomeado um instrutor a quem é fornecido um manual com os procedimentos e as minutas dos autos.Os processos disciplinares já não são pedagógicos, são jurídicos e os professores não têm formação (nem devem ter)para os instruir.Correm o risco de asneirar e vê-lo anulado por vício de forma de modo que só em casos extremos é que metem os ombros à tarefa.Os alunos são, na maior parte dos casos menores e inimputáveis. Conheci escolas que estiveram reféns de 1,2,3 alunos violentos e agressivos, líderes de pequenos gangs, durante um, dois, três anos lectivos (até desistirem, serem presos ou morrerem).A política de avestruz do ME permitiu a impunidade destas situações e a adopção de medidas defensivas certamente condenáveis. Não sei se é o que se passou, nem estou a tentar sequer justificar o injustíficável - uma escola é um serviço da República - mas, mais importante que as aulas(ou actividades) de substituição, mais importante que as horas a mais na escola para os professores é o ambiente de degradação, desalento e medo, sim, medo que se instalou em escolas das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.É tão mais fácil (e interessante) responsabilizar os professores e centrar neles a atenção dos media!

  14. 14 14  Manuel Fonseca

    Oh meu amio! Então gostas ou não do jornalismo de informação? Se fosse a tua menina que estive nessa sala a ser molestada diariamente ias na mesma fazer queixinha? Pois é, quando nos dói na “fazenda” as coisas mudam.

  15. 15 15  Anónimo

    Nao se pode defender a violacao do segredo de justica e ao mesmo tempo nao permitir que se mostre o clima de mau ambiente numa escola…

    Viva a demagogia…

  16. 16 16  cvt

    Carrilho sempre tinha razão:os nossos média são uma vergonha! Essas câmaras ocultas…
    Focando este post: não me parece que abordar esta questão pelo prisma da legalidade seja a melhor maneira de discutir a questão de fundo-a violência nas escolas. Não é que não seja legítima, mas não é pertinente. A questão de fundo tem muito mais força. Parece-me mais a melhor maneira de desviar as atenções do verdadeiro problema.

  17. 17 17  João Rosa

    Eu sou contra qualquer tipo de abuso, mas cuidado.
    A defender as “criancinhas” assim desta maneira, qualquer dia os “pais exemplares” que fiquem em casa a instruír as “criancinhas” porque já não há paxorra para tanta hipocrisia…
    Eu ja disse e repito sou contra “TODOS” os abusos…até aqueles vindos das “criancinhas” mas essas ” são sempre vítimas” coitadinhas.
    Cuidem mas é dos vossos filhos como devem ser, dando-lhesuma educação esmerada e 80% dos problemas das ditas “criancinhas” acabam logo!!!

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