
1. A primeira e mais urgente: o desemprego. É curioso que tenha sido com um governo supostamente de esquerda este tenha atingido o recorde da história recente: 8,4%, (sabendo-se que, ao contrário da maioría dos países europeus, qualquer biscate ocasional retira o trabalhador dos números do desemprego).
Um governo de esquerda, em qualquer país do Mundo, tem o emprego como a prioridade acima de todas as prioridades. A defesa do pleno emprego é talvez a mais permanente e definitiva tradição de todas as esquerdas. Para Sócrates o emprego parece ser a última das prioridades. Sócrates adoptou o discurso que responsabiliza os supostos excessos de direitos dos empregados pelo índices de desemprego. A realidade está aí para o desmentir. A cada medida para diminuir os mal chamados “direitos adquiridos” (a expressão deveria ser “direitos conquistados”) não tem correspondido criação de emprego. Pelo contrário. Um governo de esquerda que apresenta, ao fim de dois anos, estes índices de desemprego devia pintar a cara de preto e perceber porque está a falhar em tudo o que é essencial.
2. O aumento das relações laborais precárias, ao qual não tem correspondido nem um aumento dos postos de trabalho disponíveis nem um aumento do poder de compra.
Em Portugal existe uma dupla realidade: o que está na lei e o que acontece. Há uma parte substancial da população, sobretudo a mais jovem, que trabalha sem qualquer vinculo - vale a pena ver o peso que as empresas de trabalho temporário têm hoje no mercado de emprego. Com baixos salários e nenhuma perspectiva de futuro esta situação cria problemas sociais graves. Mas também problemas económicos. Sem saber o futuro e vivendo em instabilidade e incerteza permanente, o planeamento financeiro da maior parte das famílias, um endividamento sustentável, o pequeno investimento pessoal e a assunção de riscos profissionais são impossibilidades. Quem não sabe se daqui a um mês terá dinheiro para pagar a casa, os estudos dos filhos e as despesas mais elementares não arrisca em nada. No caso dos mais jovens, a decisão é simples: prolongar a dependência em relação aos pais. A precariedade absoluta cria uma sociedade infantilizada e medrosa, e não o oposto.
O grande argumento tem sido este: é porque as gerações mais velhas têm excesso de direitos que as mais novas não têm direitos nenhuns. A mentira é uma evidência. Em nenhum país a diminuição de direitos dos mais velhos correspondeu a um aumento de direitos dos mais jovens. Imaginar isto é imaginar que a perda de direitos não cria um padrão nas empresas.
3. A perda de direitos na função pública. A estratégia de concentrar o fogo sobre os trabalhadores do Estado é inteligente. Criar um bode expiatório, isola-lo socialmente e começa por aí o combate político e ideológico. A extrema-direita faz isso com os imigrantes, a direita conservadora com os miseráveis que vivem “à custa dos subsídios” e os liberais com os funcionários do Estado.
É evidente que se o nosso Estado é irracional no uso dos seus recursos financeiros, também o é no uso dos seus recursos humanos. Há situação disparatadas em quase todos os serviços públicos. Mas devemos ser claros: num país em que se recebe mal, o “emprego para a vida” foi a forma do Estado compensar a fragilidade do tecido económico do país. Se à perda de direitos dos funcionários do Estado não corresponde um aumento de direitos dos funcionários do privado, não estamos a equilibrar, estamos apenas a baixar a fasquia. Sobretudo quando sabemos que em países pobres o sector público funciona como padrão para o resto do mercado de trabalho (vejam-se os aumentos salariais).
Infelizmente, os sindicatos do sector do Estado não têm sabido falar com o resto dos trabalhadores. Numa lógica corporativa, abandonaram o discurso político capaz de ganhar a solidariedade dos restantes trabalhadores.
4. A reforma da segurança social é um remendo e não resolve a o problema da insustentabilidade do sistema diminuindo ainda mais as já paupérrimas reformas em Portugal. É na receita e na redistribuição das contribuições que o problema pode ser resolvido.
A formula encontrada cria uma injustiça indefensável: o trabalhador que não queira prolongar o tempo de trabalho (tendo em conta a indexação da idade de reforma à esperança média de vida) tem duas possibilidades: ou desconta mais ou recebe menos. Como é evidente, para os trabalhadores com menores recursos estas duas possibilidades são impossibilidades. Ou seja, os trabalhadores que ganham menos e que, em muitos casos, têm trabalhos mais violentos, trabalharão até mais tarde do que os mais privilegiados. Inaceitável.
5. A redução do poder de compra dos portuguesas é uma marca deste governo. A inflação foi, em 2006, de 3,1%. 63% superior à média europeia (1,9%). A electricidade é 24% mais cara do que a média europeia, o gás doméstico 38% e a gasolina aumentou de 20% a 34%, muito mais do que na UE. As despesas em saúde, transportes e habitação tiveram também aumentos muito superiores ao habitual. Dois milhões de portugueses tiveram aumentos inferiores ao da inflação e estamos com um poder de compra 29% abaixo da média europeia (contando com os 25 países). O custo médio do trabalho é 49,5% inferior à média da UE.
À sensível e quase insignificante retoma económica não corresponde nem criação de emprego nem, para quem trabalha, um aumento da qualidade de vida. Pelo contrário. O aumento da emigração e a inversão do saldo migratório é a mais clara prova do falhanço deste governo em todas as áreas que para si deviam ser prioritárias.
6. A diminuição, em quantidade e em qualidade, dos serviços públicos disponibilizados aos cidadãos, em que a saúde, o serviço mais básico para qualquer sociedade que se pretenda socialmente democrática, é o melhor exemplo, parece ser um cavalo de batalha de José Sócrates.
7. Será o assunto da Presidência portuguesa da União Europeia e dominará os próximos dois anos da política de emprego: a flexigurança.
Trata-se da importação de um conceito escandinavo, mas é uma contrafacção. Na realidade, o modelo escandinavo tem uma premissa: ao aumento da flexibilidade do mercado de trabalho corresponde a qualificação (que dá maior autonomia ao trabalhador) e o aumento da protecção do Estado (que garante apoio social e económico ao desempregado em transição, formação profissional e recolocação). Mais: corresponde a uma imposição de regras às empresas. Nem ela é comportável para os magros cofres públicos portugueses, nem ela é adaptável ao mercado português, nem ela tem qualquer correspondência com a realidade política e social nacional, nem é nesse sentido que têm ido todas as reformas que este governo tem feito. Mais valia que dissesse, como ouvi da boca do presidente da CIP, ao que vem: o que se quer não é flexigurança nenhuma, é mesmo e apenas flexibilidade sem qualquer medida de segurança.
O governo promete com o uso desta palavra mágica que à flexibilização do mercado de trabalho corresponderá um aumento das prestações sociais. Só acredita quem passe o dia no largo do Rato. É isto que mais irrita: Sócrates propõe na realidade o mesmo que qualquer neo-liberal mas sempre com uma farpela muito modernaça. O que Sócrates nos propõe é a desregulação do mercado de trabalho sem qualquer garantia. Daí resultaria um desastre social.
Feito o balanço destes dois anos, o país está pior e nada de fundamental distingue José Sócrates de Durão Barroso. A prioridade do combate ao déficit (importante, mas inútil se esmagar tudo o resto) é a única linha política deste governo. Aliás, a haver alguma distinção (sobretudo se acrescentarmos as manobras para reduzir a liberdade de imprensa), ela será para pior. Pelo menos do ponto de vista de qualquer pessoa que se considere de esquerda ou que tenha as preocupações sociais como o centro do seu pensamento político. Talvez Sócrates vença apenas numa coisa: conseguido o que o PSD nunca conseguiria - queimar a oposição à sua esquerda - anulou igualmente a oposição à sua direita. Assustador para um país mergulhado numa grave crise social. A greve geral é a forma mais eficaz de travar esta vertigem “socialista” (com muitíssimas aspas).
Nada disto retira as críticas que fiz ao método de marcação e à estratégia e táctica definidas para esta greve geral. As lutas têm o seu modo e o seu tempo. Falhar nelas é piorar o que já está péssimo. As boas razões para esta greve são as que mereceriam os melhores procedimentos. Esperemos que as agendas partidárias não funcionem contra os objectivos justos desta greve. Esperemos que com tantas boas razões para ser punido, José Sócrates não saia dela reforçado. Se assim for, alguém terá de explicar porquê. Se assim não for, estão de parabéns e serei o primeiro, com genuína alegria, a rejubilar. Esperemos que eu me engane.
PS: Os serviços mínimos definidos são uma violação sem precedentes do direito à greve. Se a definição de serviços mínimos é que todos os serviços regulares de uma empresa funcionam, a greve passa a ser irrelevante. Quem quer por via administrativa inviabilizar greves é bom que seja claro e diga a todos que defende a restrição deste direito constitucional. Não deixa de ser curioso que o governo que de forma mais clara desrespeita esta conquista da democracia seja um governo do PS. Mais um elemento de reflexão para a base eleitoral socialista.
Por Daniel Oliveira 29 Mai 07 em Sem categoria


A greve já não é o que era. Transformou-se numa liturgia sem consequências.
O problema é que o Lic. Sócrates é tão de esquerda, como o Dr. Paulo Portas é de centro-direita.
O que é preocupante não é só a interpretação dos serviços mínimos feita pelos patrões e pelo Estado. O problema situa-se a montante, nomeadamente no actual Código do Trabalho e no Tribunal Constituconal, que legitimou a existência de retrocessos sociais inconstitucionais.
“o desemprego. É curioso que tenha sido com um governo supostamente de esquerda este tenha atingido o recorde da história recente: 8,4%”
Daniel,
a principal fonte de desemprego em Portugal são os partidos de esquerda, os sindicatos e os apoiantes das greves gerais!
É porque a esquerda exige tantos direitos, que as empresas evitam Portugal. Não havendo empresas suficientes em Portugal, há desemprego.
Curiosamente, quando a esquerda quer encontrar empregos, faz uma greve geral. Os investidores estrangeiros, conhecedores destas coisas, vão para outros países e vocês conseguem aquilo que verdadeiramente queriam:
- Mais desemprego!
- Mais subsídio de desemprego!
- Mais possibilidades de eleger deputados do BE!
- Mais tachos para sindicalistas!
Na verdade, o poder da esquerda conquista-se pelo fomento do desemprego!
Se é assim, porque é que a medida que diminuem os direitos não aumenta o emprego?
Depois do terramoto de 1755 o governo de Sócrates foi o que de pior aconteceu ao país
“É porque a esquerda exige tantos direitos, que as empresas evitam Portugal.”
Com-ple-ta-me-nte de acordo! É preciso que os trabalhadores portugueses concorram com os chineses e os indonésios. É um absurdo pagar-se salários médios 600 euros por mês a 40 horas de trabalho por semana, quando a China está a oferecer 100 euros por mês mais o bónus de 60/h semanais! Privilegiados, é o que são os trabalhadores portugueses. Se os chineses vivem com 100 euros por mês, e os moldavos com 50, é criminoso, cri-mi-no-so, que os portugueses exijam “tantos direitos”, explorando impieddosamente a classe patronal, que está (todas as estatísticas o indicam) cada vez mais pobre e deprimida e endividada. O que os privilegiados trabalhadores portugueses estão a fazer à classe empresarial, com as suas exigências exorbitantes, é pouco menos do que um Holocausto! O que nós estamos a fazer, (snif, até me vêm lágrimas aos olhos, desculpem) é a DEPORTAR os pobres empresários portugueses! Nem mais! Nós estamos a exterminar a classe mais laboriosa, inteligente, generosa, criativa e bonita do tecido social tuga. Eu confesso que não tinha consciência disso até ter lido o extraordinário documento humano (e literário) do amigo “Sinfonia”, mas agora que um clarão de inteligência me inundou o crânio, começo a sentir-me culpado pelos meus privilégios assassinos (não há outra palavra para os qualificar) e desde já anuncio urbi et orbi que amanhã mesmo irei trabalhar para uma fábrica chinesa. Aconselho o Mr. “Sinfonia” e todos os neo-liberais a acompanharem-me nesta nova aventura existencial. Vamos viver em conjunto as alegrias do capitalismo selvagem! “Sinfonia”, amanhã na Portela às 7 da manhã. Pode ser?
Este texto do Daniel mostra que ele não se sabe qual a razão de ser da greve. Pode fazer-se uma greve exigindo o aumento dos salários, pode fazer-se uma greve exigindo o cancelamento do congelamento das progressões, etç. Quando nas razões para a greve, cabe tudo e mais alguma coisa, isso significa que ninguém sabe ao certo o que se pretende com esta greve.
O que se entende ao ler o texto do Daniel, é que esta greve é contra “as políticas do governo”. Obviamente eu não votei PS, mas a verdade é que o PS ganhou as eleições com maioria absoluta e está legitimado para levar a cabo as suas políticas, com as quais por sinal discordo. O que os grevistas pretendem é que sejam executadas as políticas derrotadas nas urnas mas que são as políticas que eles defendem. Esta greve é portanto um atentado à democracia.
The Studio, as razões de uma greve geral não são nem nunca foram da mesma ordem que as razões de uma greve sectorial ou de empresa. sempre foram e só podem ser políticas. O governo não decide a progressão na carreira de toda a gente, nem os aumentos salariais de toda a gente. O que está a dizer é que qualquer greve geral é ilegítima, o que é absurdo. Ainda assim, concordo e já o disse que a greve deveria ter um objectivo concreto. O da flexigurança seria um, mas para esse ainda seria cedo.
“O que os grevistas pretendem é que sejam executadas as políticas derrotadas nas urnas mas que são as políticas que eles defendem. Esta greve é portanto um atentado à democracia.”
Por essa ordem de ideias, nenhuma greve devia ser permitida nunca, em circunstância alguma. Já que as greves têm sempre por função o protesto contra políticas fomentadas por governos democraticamente eleitos. O mesmo se pode dizer, já agora, em relação à opinião. Como é que eu posso estar aqui a criticar o governo PS se ele foi democraticamente eleito? Não estarei a querer impôr a minha opinião à maioria de eleitores que decidiu nas urnas? Obviamente que sim! Portanto, proibam-se imediatamente as greves e o exercício da opinião. Pois são anti-democráticas.
A concepção de democracia do studio é uma em que os cidadãos só podem manifestar a sua opinião num sítio (a urna de voto) e só de quatro em quatro anos. E mesmo isso, não será talvez já conceder demasiados privilégios à populaça? O ideal seria o deferimento tácito. Só havia eleições de 50 em 50 anos, por exemplo, e só no caso de 50% mais um dos cidadãos manifestarem a sua discordância em relação a um determinado decreto é que esse decreto não seria implementado. Muito mais funcional, esse modelo de democracia. Ou não?
“porque é que a medida que diminuem os direitos não aumenta o emprego?”
Os direitos não têm diminuido, têm aumentado tal como o desemprego.
O que aumentou foi o regime de recibos. Guterres ladrou quando foi proposto o pacote laboral. A matilha foi toda a trás. Houve greve geral. Quando subiu ao governo, implantou o pacote laboral chamando-lhe “recibo verde”.
O recibo verde não atrai empresas estrangeiras. Os contratos de trabalho - mais vinculativos do que a versão bloquista do casamento -, as resmas de direitos, a chorinquice dos sindicatos, as ameaças de greves são a verdadeira razão pela qual em Portugal há cada vez mais desemprego, pobreza, emigração, diminuição da produtividade e disparates!
Se houver lizura de processos e boa fé, a Flexisegurança é uma resposta muito capaz aos problemas mais exigentes do nosso país.A flexibilidade em empresas pequenas e médias que não têm margens para absorver tempos de crise e, a segurança, para trabalhadores que não ganham o suficiente para acumularem poupanças!
Oxalá tenhamos humildade para aproveitar o que serve aos outros, bem mais capazes do que nós.
Companheiro, este é um movimento novo! Há poucas horas está a ser posto um movimento em marcha que visa paralisar a blogosfera.
Existe uma certa blogosfera que quer, também ela, participar na GREVE GERAL, só que não sabe como.
É simples, basta colocar esta imagem no teu blog:
http://img409.imageshack.us/img409/9072/grevegeralvz7.jpg
Porque tu tens um amigo que tem um blog, porque alguém do teu livro de endereços tem outro amigo que tem um blog, é importante que contribuas para o movimento “assim não!”.
Antes de reenviares a todos os constantes do teu livro de endereços, apaga por favor o remetente (from): estamos num estado de pré-ditadura
Que mais não fosse pela dignidade dos trabalhadores.
Para ajudar à abordagem transcrevo notícia do esquerda.net e comunicado dos trabalhadores da Auto-Europa:
«Autoeuropa vai parar a produção amanhã, dia da greve geral, confirmam os membros da Comissão de Trabalhadores. “Fizemos dois plenários que reuniram cerca de dois mil dos 2.700 trabalhadores da empresa, e houve grande receptividade aos motivos da greve”, disse ao Esquerda.net António Chora, coordenador da CT. “Os nossos motivos são essencialmente políticos, têm a ver com a política do governo”, aponta Chora, esclarecendo que com a direcção da Autoeuropa há acordos assinados e a ser aplicados.
COMISSÃO DE TRABALHADORES
VOLKSWAGEN
Autoeuropa e A-Vision contactos: telef. 212112606 Fax+351212113195
A CT apoia e apela à TUA ADESÃO À
GREVE GERAL
As razões do nosso descontentamento
No Emprego
Aumento do desemprego pelo 6.º ano consecutivo
Taxa superior à média da U.E. (contando os 27 países): Portugal 8,4% a média europeia 7,6%
Na Contratação Colectiva
Ataque à Contratação Colectiva com a manutenção no Código de trabalho da caducidade dos contratos
Na Saúde
Tornou-se a área de negócios mais significativa depois do armamento
Destruição do SNS; com os grandes grupos nacionais/multi-nacionais a tomarem o sector e as pessoas a
pagarem mais pelos serviços de saúde;
No Ensino
A contradição entre objectivos e resultados. As medidas de encerramento de escolas tornam o país menos
coeso e não é com elas que se combate o abandono escolar;
Na Justiça
Na Inspecção Geral Trabalho temos apenas 187 inspectores e precisávamos de (+/- 650).
Os tribunais de trabalho. Em Lisboa e Porto encerrarão 3 juízos 4.500 processos a distribuir pelos que ficam.
Na Segurança Social
Redução progressiva das Pensões de Reforma para todos os portugueses, nomeadamente os que estão a
chegar agora ao mundo do trabalho.»
Se o BE estivesse no governo estes problemas estariam todos resolvidos ( em três tempos).
Bem sei que o Sr. já começou a longa marcha da desvinculação….
1. Em Espanha, o PSOE de Gonzalez também fez aumentar o desemprego durante os anos 90, deixando morrer empresas pouco competitivas e arranjando assim espaço para novas empresas com mais hipóteses de sobrevivência. Parece que resultou. Ah, e o PSOE também é um partido socialista. A esquerda gosta muito de falar de emprego e alguma esquerda gosta ainda mais de falar de direitos adquiridos para toda a vida. Uns confundem emprego com mama. Trabalho é uma palavra que decididamente faz mais parte do meu vocabulário.
2. O aumento das relações de trabalho precárias é resultado directo de uma lei laboral inflexível, que na prática não permite que os empregadores queiram estabelecer vínculos mais duradouros com os seus colaboradores. Ganha-se assim uma classe trabalhadora pouco motivada, com pouca produtividade e precária, classe esta que coabita com outra classe trabalhadora pouco motivada, com pouca produtiviade mas com emprego garantido. Quanto aos problemas laborais das classes mais jovens, logicamente estes prendem-se com a falta de oportunidades de emprego. E as faltas de oportunidades de emprego óbviamente relacionam-se com a pouca rotatividade nos empregos, com a inflexibilidade das leis laborais, com os direitos adquiridos, com a miopia dos sindicatos em proteger os mais fortes e esquecer os mais fracos nesta cadeia. Que tristeza ver tanta gente jovem, na força da vida, cheia de vontade de trabalhar, mas sem grandes perspectivas disso. Que vergonha ver tanta gente com cinquenta e poucos anos, ainda com muita vida pela frente, sem fazer nada, à sombra de uma reforma. Não há mentira nenhuma. Precisamos de um Sarkozy, com um discurso novo. Precisamos também de um sindicalismo do século XXI e não de um sindicalismo do século XIX, que ainda baseia o seu discurso na cartilha de uma ideologia que está morta, que já cheira e que teima em achar que o que está na base da sociedade é uma luta de classes. Bem, de certa forma é: a luta em quem quer mudar as coisas e a luta de quem as quer conservar. Neste dialética, os chamados conservadores de direita são os progressistas enquanto os de esquerda são os mais conservadores. Enfim.
3. Curiosa argumentação. Pelo discurso de esquerda do Daniel, quase adivinho que o paraíso na terra não é Cuba, não são os outros países comunistas, não são os países nórdicos (que gosta de achar que são de esquerda, á falta de uma verdadeira ideologia para o bloco de esquerda). Não fosse Alberto João Jardim das direitas e arrebatadoramente contra as esquerdas, quase poderia dizer-se que a Madeira seria o modelo a seguir. Num «país» em que se recebe mal, o emprego para a vida foi a forma do governo regional compensar a fragilidade do tecido económico da ilha. O povo aplaude. E vota cada vez com mais convicção. As teses da esquerda baseiam-se no pressuposto que o emprego pode ser elástico, que o dinheiro é elástico. Na Madeira são elásticos – à custa do continente. Na Madeira sim, aqui funciona o pressuposto da esquerda.
4. E onde está o grosso dos mais previlegiados? Sim, eu sei que são as reformas milionárias depois de poucos anos de trabalho, mas são também…
5. É tudo verdade. A gasolina está mais cara do que no resto da Europa, a electricidade idem, o gáz doméstico aspas. Tive uma ideia maluca. Vamos fazer uma greve geral entre todos os funcionários públicos. Um dia de greve. Os resultados além de previsíveis são também garantidos.
6. É necessário fazer-se uma remodelação profunda de alguns serviços públicos. Com os meios de comunicação actualmente ao dispor de todos, com a facilidade de transporte que hoje existe, é natural reequacionar-se alguns serviços. O Ministério da Agricultura é anedótico. Algumas maternidades foram bem fechadas. Algumas escolas também. Haja critério e algum juízo no que se fecha. Mas acabe-se as torneiras a pingar água para o ralo.
7. Para a esquerda os países nórdicos são um bom exemplo no que convém, um péssimo exemplo no que não convém. Queremos os mesmos salários dos países n´rdicos. Queremos a mesma saúde. Queremos os mesmos esquemas de protecção social. Queremos as empresas com a mesma produtividade. Queremos os mesmos patrões tão responsáveis socialmente. Não queremos flexisegurança. Queremos manter sempre os smesmos empregos até morrermos. Queremos evoluir sempre na carreira com o passar do tempo com a classificação MUITO BOM. Não queremos cuprir novas funções, não queremos mudar de local de trabalho, não queremos horas extraordinárias. Queremos um emprego (o que é diferente de querermos trabalho).
Se a flexisegurança não é comportável para os cofres do estado português, menos comportáveis serão as políticas demagógicas propostas pelo bloco de esquerda, pelos comunistas, pelos sindicalistas. Querem apenas conservar o que o sistema tem de pior. Querem que continuemos a ser os primos pobres da Europa. Pobres, mas com dignidade, «com o Estado a compensar a fragilidade do tecido económico do país», como diz o daniel, numa frase que poderia também ser dita por Salazar.
Brilhante, JMS. No entanto, para combater a invasão de bugigangas e fancaria que nos chega da China e da Indonésia, países nos quais os trabalhadores ganham 100 Euros mensais, talvez seja melhor impôr algumas barreiras alfandegárias aos seus produtos à entrada na Europa. Já agora se cá vierem os chineses bater à porta a pedir emprego, não abrimos a porta e dizemos que não gostamos de Pato à Pequim. Tudo isto, óbviamente, em nome da defesa da classe trabalhadora portuguesa, honrada e virtuosa. Os patrões, esses não precisam de defesa, que se lixem, essa cambada de chupistas que não fazem mais do que sugar o sangue das carótidas do povo que trabalha. E isso dos empresários em Portugal darem emprego à esmagadora parte da população activa em Portugal é apenas um pormenor sem importância. Se é empresário é culpado. Se é trabalhador mas um dia cria a sua empresa e passa a ser patrão, passa a ser culpado. Se é filho de empresário já vem com o pecado original - é culpado. JMS, você é um racista, mas noutro género de preconceito, é claro.
João, já me tinha chegado e já cá estava
É óbvio que não estamos perante uma legítima greve. Por todo o lado vêem críticas ao governo explícitas misturadas em textos sobre a Greve Geral. Perdeu-se a noção daquilo que é a greve, do seu objectivo legítimo que é de restaurar as condições contratuais acordadas com a entidade patronal quando estas tenham sido modificadas.
Nada tem a ver com o Estado a não ser no que diz respeito às condições de trabalho dos funcionários públicos. Mas o motivo dessas alterações todos nós sabemos. Essas medidas tinham de ter sido tomadas. Basta ver o fosso que havia entre função pública e privados. O Estado tem como um dos principais fins a justiça. Além de que outros motivos que já são mais que conhecidos como, a título de exmplo, o défice contribuiram para essas modificações.
Tudo o resto é irrelevante. Estamos perante uma greve, não interessa a inflacção, não interessa o desemprego, etc.
“A primeira e mais urgente: o desemprego” DO
Estás enganado Daniel. Nunca em Portugal, em tempo algum, houve tanta gente empregada como agora. É claro que se pode sempre pedir mais, mas….
O aumento das relações laborais precárias DO
É verdade que assiste-se hoje a uma redução do emprego estável e a tempo integral a favor da difusão de uma grande variedade de formas de trabalho cujo denominador comum é a flexibilidade em termos contratuais, de tempo de trabalho, de espaço e de estatutos (trabalho a tempo parcial, contratos a prazo, trabalho no domicílio, trabalho independente, trabalho temporário, teletrabalho, entre outras. Mas também é verdade que há cada vez mais trabalhadores que isto seja assim.
Bang Bang, adorava conhecer as suas fontes. Este ano o desemprego atingiu os níveis mais altos da história da democracia portuguesa. Realmente não faço ideia como pode dizer o oposto.
A maior parte do trabalho precário é trabalho temporário que ninguém deseja ter. O trabalho precário de quadros, que preferem trabalhar assim (o meu caso) é, em Portugal, residual.
“A perda de direitos na função pública”
Eis um excelente motivo para NÃO fazer greve. Basta falar com alguém que não seja funcionário público, se é que você conhece algum…
A defender ‘causas’ destas o BE não vai lá…
poor daniel!
Sebastião
Os seus projécteis feitos com resíduos de jornal são vistosos mas não me atingem. Não desperdice balas.
A minha ideia de democracia é: o governo ao serviço do povo. Para que a maioria (trabalho) não seja devorada pela minoria (capital) é necessário haver uma intervenção reguladora do Estado na economia. Isso é esquerda. Os governos nórdicos são de esquerda porque não se preocupam só com o patronato, mas também com o trabalho.
As barreiras alfandegárias não são proibidas por Deus, que eu saiba. E sempre foram uma arma dos países ricos contra os países pobres. Tambem os agricultores africanos adorarariam poder exportar para a Europa os seus produtos, mas a subsidiada agricultura europeia não o permite. Acha bem? Eu não. Acha bem as barreiras alfandegárias que Bush II institui para proteger a indústria do aço, logo no início do seu 1º mandato? Essa história do mercado livre é gira mas só quando nos favorece. Pessoalmente, tento não comprar produtos chineses, nem indonésios nem de qualquer país onde suspeite existir esta forma de escravatura encapotada promovida pela globalização dos capitais. Sou pelo boicote à escravatura.
Não sou contra a existência de patrões e empregados. Sou é contra o facto de um governo que se diz socialista governar sistemáticamente contra a maioria (que o elegeu) e em favor da minoria (que lhe pagou a campanha). Ás vezes os patrões têm que ser protegidos (o proteccionismo económico pode ser um mal, mas é necessário por vezes), mas a prioridade do trabalho não é o rendimento do patrão, é o do empregado.
A conversa de que os portugueses são pouco produtivos e tal visa esconder que se são pouco produtivos é porqure os patrões portugueses não sabem gerir, muitos não tem nem 4 anos de escolaridade, e a maioria só consegue ter olhos para lucros imediatos, favorecimentos ilícito por parte do Estado e para o stand da Mercedes mais próximo. Depois vêm deitar a culpa para cima dos trabalhadores… Também não me parece legítimo esperar que quem ganha 400 euros tenha a mesma produtividade de quem ganha, opelo mesmo serviço, 3000. Quando se dão incentivos à produtividade, ela aparece. Quando se passa o tempo a apontar o dedo aos trabalhadores, a cortar-lhes nos direitos conquistados em cento e cinquenta anos de duras lutas sindicais, é claro que os índices de motivação já não serão os mesmos.
Chama-me racista, mas quem acha perfeitamente legítimo que se pague 2 euros por dia aos trabalhadores asiáticos é você; tal como seria capaz de apostar que o Sebastião é dos que acha que os árabes são todos terroristas, que desejam exterminar os cordeiros judeus, e que os xiitas, blá-blá-blá.
Compreendo que você goste de cantarolar a canção do momento, a que passa na rádio e na tv (esses instrumentos de democracia) 24 horas por dia, mas essa cantiga não passa de um remaking de uma velha ária do século XIX. É uma cassete com barbas, barbas ainda mais compridas e sujas do que as do vituperado avô Marx.
“Este ano o desemprego atingiu os níveis mais altos da história da democracia portuguesa. Realmente não faço ideia como pode dizer o oposto.” DO
O desemprego atingiu os níveis mais altos em termos de percentagem sobre a população activa. Mas isso não quer dizer que há menos população empregada. Na verdade, hoje temos 5 120 000 trabalhadores, um número nunca antes atingido. Foi sempre inferior.
Não tenho salário. Passo fome sete dias por semana. Peço aos senhores empresários que me dêem um emprego de 100 euros por mês. Para mim a diferença entre ganhar 0€ ou 100€ é a diferença entre nada ou tudo.
Se fizer o que os sindicalistas e comunistas portugueses defendem, ganho 0€. Se trabalhar honrosamente para um capitalista, ganho 100€. Antes os que me exploram, do que os que me defendem!
Senhores, por favor,
EXPLOREM-ME!!!
Mao Jin,
um pseudónimo de Sinfonia do disparate consonante
José Soctrates está a fazer a política do seu primitivo partido. O PSD. Este partido só faz barulho mas lá no fundo, deve estar a esfregar as mãos de contente por o PS estar a fazer a sua política. No futuro irá tirar os beneficios desta (sua) política sem se chamuscar.
JMS,
O desencanto com a esquerda é seu. Comunista militante, comunista refundido em bloquista, socialista até agora convencido que o PS é um partido de esquerda, a esquerda que você gostaria que existisse não existe e a esquerda que você até há alguns anos você acreditava revelou-se um logro, que trouxe pobreza em vez de infelicidade, que trouxe atraso em vez de desenvolvimento, que matou muitas pessoas em vez de as ter protegido. Agora gosta de acreditar que os países nórdicos têm uma democracia de esquerda, porque atingiram um patamar equilibrado, mas não se engane. Não foi pela esquerda que eles lá chegaram, foi pela direita. Primeiro trataram de ser prósperos, depois trataram de fazer da sua prosperidade algo de sustentável, então construiram estados sociais eficientes, com verdadeiras políticas sociais orientadas para os mais desfavorecidos. Pelo seu discurso, vejo que é necessário lembrar-lhe de duas coisas: a primeira é a de que ainda continua a ser impossível fazer-se omoletas sem ovos; a segunda é que, como se diz hoje com tanta razão, o monopólio das boas intenções não é da esquerda.
Quanto ao resto, acho que não vale a pena entrar numa discussão consigo, acho que o seu género musical é fraco, as suas canções são parolamente antiquadas e os refrões das músicas são sempre os mesmos, falam sempre do capitalista de chapéu e charuto montado no mercedes desfilando numa estrada asfaltada com os direitos dos trabalhadores. Já não há pachorra para discursos maniqueístas como o seu, que é o discurso de quem nunca pagou do seu bolso um salário a alguém, só sabe reclamar por direitos, estende a mão ao fim do mês e cospe na mão de quem lhe paga o seu salário.
Já agora, JMS, entrei no seu blogzito, feito citações, de cartoons e de muito nobres intenções, presumo que esteja a pagar os devidos direitos de autor aos cartoonistas pela publicação dos seus trabalhos, ou acha que a eles não são devidos direitos porque na sua perspectiva eles são uns patrões ricos? É só para saber se você não passa apenas de um balão de ar quente.
Pelo que li nos nos pré-avisos de greve, estas 7 razões não são bem correspondentes às razões apontadas pela CGTP para que se fizesse greve…
Mas adiante. Esta greve teve objectivos nublosos que se espelharam no seu diminuto sucesso.