A proposta da CT da Autoeuropa de ocupar os dias menos preenchidos, por causa do atraso do novo modelo, para Formação Profissional, é a demonstração de que há sindicalismo para lá da cegueira derrotada, de um lado, e da concessão sem horizonte, do outro.
Por Daniel Oliveira 8 Mai 07 em Sem categoria


Parece-me algo de profundamente positivo para o Sindicalismo Português. É esperar que quem precisa, aprenda a lição.
Houve tempos em q os sindicalistas da Opel tb andavam mto optimistas.
Um bom acordo é apenas 1 batalha ganha. O sr Daniel devia saber isso e se n sabe tinha obrigação.
É escusado pensar-se que o membro da comissão política do BE e dono do blog deixe de difamar os outros para puxar a brasa à sua sardinha.
…ora nem mais, Daniel.
O sindicalismo teve e tem as suas origens, mas também pode ser de esquerda, liberal, de direita e defender os trabalhadores. Ganham todos. A aprender.
Margarida, quem é que eu difamei?
jb2, claro que é apenas uma batalha. Já agora, a CT da Opel recusou o acordo. Aliás, contra a vontade expressa da maioria dos trabalhadores. Não sei se o desfecho teria sido diferente. provavelmente não. Mas são estes os factos.
Aquilo que se vive na Autoeuropa é a política da cenoura. O patrão coloca-a à frente e alguns vão atrás.
A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa «responsavelmente» dialogando com o patronato tem conseguido travar aquilo que seriam justas e merecidas reivindicações dos trabalhadores, sempre com o argumento de: ou é assim ou eles vão embora.
Nunca ouvimos uma exigência séria face ao outro lado, nunca ouvimos uma voz da CT a dizer chega de chantagem, cumpram a vossa parte, com nós temos cumprido a nossa.
A capitulação permanente, a vassalagem face aos interesses do patrão é sinónimo de sindicalismo reformista, de sindicalistas instrumentalizados pelo patronato.
A proposta da Formação Profissional não tem nada de extraordinário.
Aquilo que é extraordinário é que se batam palmas a um sindicalismo que cede em toda a linha, que é incapaz de cumprir o seu papel histórico de defesa dos interesses de quem trabalha.
Ninguém se importa com acordos, pelo contrário, são desejáveis.
Mas quando traduzem o reconhecimento de direitos e a melhoria das condições de vida e de trabalho.
E quem paga essa formação? Nada mais do que os impostos pagos pelas outras empresas. Há cerca de um ano atrás desenvolvi um post precisamente sobre a imoralidade dessa formação sustentada por todos nós
http://blog.liberal-social.org/o-modelo-visionario-da-autoeuropa
Ganham todos…
Que sociedade bonita a nossa…
Quantas batalhas se ganharão e quando finalmente o governo tirar o tapete das benesses fiscais…acabará como em todos os outros lados…
Mas aí a análise já será outra….
ganham todos???? curiosa esta nossa sociedade… ganham todos, sempre assim foi… ganham é mais uns do que os outros…
Tenho tido as maiores dúvidas sobre algumas posições — e algumas opiniões — da CT da Autoeuropa. Neste caso, parece-me que agiu bem: tomou a iniciativa, com uma proposta que retira margem de manobra ao patronato para penalizar os trabalhadores por eventuais quebras na produção.
O sindicalismo precisa de vitórias — não se mobiliza ninguém quando só se têm derrotas para apresentar. Ponto é que elas não sejam obtidas a qualquer custo. Transformam-se num prenúncio de novos e mais dolorosos fracassos.
Não sei se no verbo do título do post não houve a troca de um «d» por um «c».
Eu não estou muito informada mas se o anterior acordo era tão bom será que não acautelou situações como a que agora aparece a justificar esta proposta ?
Por fim, só uma pergunta que nunca vi respondida : no ano em que a Autoeuropa e a empresa-mãe tiverem brilhantes resultados financeiros acaso os trabalhadores vão ser retroactivamente ressarcidos das cedências ou sacrificios que tiveram de fazer por causa da «crise» ?
Aí concordo consigo. A CT da Autoeuropa, tem dado lições de lucidez a muitos sindacalistas de pacotilha, que berram muito, mas fazem muito pouco pelos trabalhadores e muito mais pelo partido. Chegados à hora da verdade, quem se lixa é o trabalhador, que apenas contou para a estatística da contestação social e da greve.
B, A, BA: As formas de luta devem adaptar-se à relação de forças existente e ao grau de consciência e de mobilização da classe; numa situação desfavorável, subscrever um acordo que salvaguarde o essencial e que permita acumular energias pode ser positivo, o limite são alternativas concretas que existem;
O que é preciso é explicar bem a situação aos trabalhadores e não deixar criar ilusões de que esse caminho funcionará sempre.
Importante também é serem os trabalhadores a votar, depois de discutirem as alternativas.
No caso, submeter as propostas ao voto do plenário de trabalhadores trata-se de uma originalidade tendo em conta o actual panorama do sindicalismo português…
De qualquer forma, na Autoeuropa existe uma corda que já está bem tensa. Falta saber se do outro lado haverá resistência quando a administração a “puxar” até ao ponto em que o sisal não estica mais. Lembro que recentemente fechou uma fábrica do grupo em Bruxelas e depois de manifs de massas e da “solidariedade” veio-se a descobrir que os “solidários” andavam a negociar os modelos para os seus próprios países… “Proletários de Todo o Mundo”… lixai-vos?!
Também já percebi o remoque por aqui: a “solidariedade de classe” esvai-se na cabeça de alguns quando são os outros, que não os do partido, que têm a responsabilidade - porque foram eleitos - de dirigir a classe. Não foi nem será a última vez.
São incapazes de perceber que a CT só deve responder perante os trabalhadores que representa e não perante o partido. Isto não quer dizer que o partido não discuta, ou que não deva ter uma opinião sobre o assunto - o que é bem diferente de manipulação.
Talvez seja por isso que sabotaram a possibilidade de terem um dirigente da Autoeuropa na União dos Sindicatos de Setúbal.
Não se pode querer ter quase só dirigentes sindicais-funcionários e chorar pela não participação dos trabalhadores…
Como diria Carlos Carvalhas: “Querem sol na eira e chuva no nabal”…
susana marques, se tiverem brilhantes resultados isso está no acordo anterior. Nem precisam de ser brilhantes, bastam que sejam os esperados. Por fim, a verdade é que os trabalhadores da Autoerupa estão bem melhor que os seus colegas de outras empresas do sector em Portugal. Com mais regalias e direitos e salários mais altos. Porque os negociaram e o fizeram tendo a força do apoio dos trabalhadores, e não uma directiva de qualquer Comité Central.
Causas Perdidas, os trabalhadores da Autoeropa têm uma ligação com todos os trabalhadores de outros países (há uma Comissão de Trabalhadores comum) e participam em acções de luta comuns. Mais do que em qualquer outra empresa que funcione em Portugal.
caro Daniel,
eu não digo que a CT não faça, ou tente fazer um bom trabalho, mas apresentar esta medida como “a demonstração de que há sindicalismo para lá da cegueira derrotada, de um lado, e da concessão sem horizonte, do outro”, é manifestamente um exagero.
o que seria importante discutir aqui, deixando de parte, ainda que por breves momentos, a utilização da CT como arma de arremesso político contra os restantes sindicatos, é a forma como a empresa manipula os trabalhadores e encara as CT’s como instrumento de gestão de recursos humanos.
chamo a atenção para este artigo, penso que oferece uma abordagem interessante a esta questão:
http://resistir.info/portugal/autoeuropa.html
Por acaso conheço trabalhadores da AutoEuropa e todos me dizem que têm condições de trabalho como nunca experimentaram antes!
E já agora olhem para os lados da Azambuja…