Sobre a disciplina de voto ds deputados do PS na lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o vice-presidente da bancada socialista Ricardo Rodrigues disse: “Entendemos que cabe no conceito de excepção quem, ao longo dos últimos anos, tem defendido publicamente, de forma sustentada e continuada a existência de casamentos homossexuais”. Vários vice-presidentes do Grupo Parlamentar do PS adiantaram à agência Lusa que a intenção é permitir que apenas o ex-líder da JS Pedro Nuno Santos tenha “de forma simbólica” liberdade de voto.

As declações de Strecht Ribeiro também são interessantes: diz que “desde 1995 que existe uma inconstitucionalidade por omissão” quando o Código Civil define que o casamento é entre duas pessoas de sexo diferente. Para rematar: “Não votaremos contra o casamento entre homossexuais, mas contra o oportunismo político do Bloco de Esquerda. O PS entende que tem de ser feita ainda uma avaliação política sobre o momento em que esse obstáculo é removido”.

Ou seja, são a favor da mudança e até dizem que não mudar é manter uma inconstitucionalidade por omissão. Por isso, claro, votam contra. Porquê? Porque não dá jeito à agenda eleitoral do PS remover uma inconstitucionalidade e aprovar uma coisa com a qual diz concordar. Um partido de princípios, portanto.


11 respostas ao post “Só damos liberdade de voto aos que tenham provas escritas de que estariam a trair a sua consciência”  

  1. 1 1  armenio

    por sorte o jsf n esta no parlamento. certamente ia votar junto com o ps.

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  2. 2 2  João Gomes

    Porra, Daniel, queres discutir putas, as “putas” (vê lá o meu cuidado!) do PS, o que dizem e contradizem, o que é e não é, o que parece e não parece, o que querem e não querem? Não tem por onde se lhe pegue, aquilo é um saco de lacraus!!!
    E tenho dito.

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  3. 3 3  jjleiria

    Está mal. Só deviam poder votar a favor @s deputad@s do PS que tivessem processos a correr no TC para se poderem casar. Isso sim, era disciplina.

    «Ao longo dos últimos anos», «publicamente, de forma sustentada e continuada» é o quê, quantas vezes ao dia, na televisão ou só nos jornais, no café ou em casa de amigos?

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  4. 4 4  Yuppie Boy

    o PS está preocupado com outra disciplina de voto. Com o voto do cidadão nas próximas legislativas. Pouco importa se a lei passa ou não. Pouco importam os direitos e as igualdades. Mesmo a constituição, é coisa ultrapassavel. Sócrates tem um compromisso com os Portugueses, – ser eleito no próximo ano, de preferência com maioria. Se esta lei passasse ia beliscar o seu eleitorado de centro, centro-direita e o engenheiro sabe que essa franja lhe faz falta. Fazem-se contas às espingardas e dá-se pólvora seca a meia dúzia… Dois coelhos com uma cajadada. Dá-se uma falsa ideia de liberdade de voto e chumba-se uma lei potencialmente incómoda.

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  5. 5 5  Pedro Sá

    O que se vê é a extensão da lógica de Jorge Miranda da inconstitucionalidade por omissão quanto às confissões religiosas minoritárias a isto…

    O que existe, pelo contrário, é uma omissão legislativa que redunda em inconstitucionalidade por acção.

    Mas tudo isto é assumir uma lógica conservadora que sacraliza o casamento.

    Abolição do estado civil JÁ !

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  6. 6 6  PR do Suck,

    Não calha na agenda eleitoral. Percebi. A malta está contra, aprova-se no Parlamento.
    Cinismo e oportunismo político no seu melhor.

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  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Não, PR, as coisas são um pouco menos simples. Cria um novo flanco, com o eleitorado conservador, quando o PS já perdeu muito voto para a sua esquerda. A táctica política não se resume à minoria e maioria. Quem é a “malta”?

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  8. 8 8  PR do Suck,

    O Povo, acho. E eu sei que não é simples. Mas, opinião minha, é de um cinismo enorme. Mesmo concordando com o teu raciocínio. Mas esperas alguma coisa do PS? No caso, defendo um estatuto, não um casamento como o que abrange os hetero. Mas isto assim não é nada. Nem carne, nem peixe. Uma cobardia política pautada por agendas eleitorais.
    Abraço.

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  9. 9 9  Stran

    Não percebo o stress com este caso. Se os deputados fizessem o seu trabalho à muito que tinham apagado a referência a sexo diferente passando apenas a ter:

    “define que o casamento é entre duas pessoas”

    em vez de

    “define que o casamento é entre duas pessoas de sexo diferente”

    Não é preciso uma nova lei, só retirar da lei a inconstitucionalidade.

    Realmente qual é o drama de se fazer isto?

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  10. 10 10  Manuel Leão

    Esta frase é brilhante e demonstra qual o conceito de liberdade de voto, numa questão de consciência: «Só damos liberdade de voto aos que tenham provas escritas de que estariam a trair a sua consciência». Eu sublinho o «só damos».

    Só faltou acrescentar: E já vão com uma grande sorte!

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  1. 1 Felizmente a Merkel perdeu na Baviera e não paga as caganças do Durão. « Suck and Smile

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