subir.JPG

A mulher. Que vê sair da lei a última norma que a continuava a trata-la como um ser fútil, infantil e incapaz de decisões racionais.

José Sócrates. O PS é o principal responsável por esta questão não se ter resolvido há oito anos. José Sócrates sabia que o seu partido tinha esta divida para saldar. Apesar de na marcação do referendo se terem voltado a cometer vários erros, Sócrates envolveu o PS na campanha e deu a sua cara a uma causa que faz perder votos. É bem verdade que durante uns meses o PS conseguiu desviar os olhos do país do que anda a fazer no Governo, o que lhe deu imenso jeito. Mas pôs o PS ao lado dos outros partidos socialistas da Europa, o que não é pequeno feito.

Bloco de Esquerda. O Bloco nasceu da derrota do referendo de há oito anos. E nunca abandonou a causa que o fez nascer. Teve um papel central na campanha, na construção de alianças para a vitória do sim e na definição de um argumentário bem focado e sem exibicionismos infantis. Com raríssimas excepções, o Bloco mostrou ser capaz de fazer pontes que foram do PSD à esquerda mais radical. Misturou-se e não procurou o púlpito. Cumpriu todas as suas promessas e a mim, que entrei nele há oito anos, deu-me todas as razões para não me arrepender dessa decisão.

Direita liberal ou moderada. Quase não existe em Portugal. Mas uns poucos conseguiram fazer a diferença. Um terço do grupo parlamentar do PSD conseguiu perceber que não podia voltar a ficar calado, como há oito anos. Deram o litro, apareceram na campanha e a maioria resistiu a todas as pressões. Fora do PSD, por vezes à direita do PSD, muitos liberais de direita fizeram questão de provar que são coerentes. Posso não concordar com eles em muitas matérias, mas a partir desta campanha merecem de mim esse respeito.

Blogosfera. Teve um papel central no debate político e técnico desta campanha. Mostrou ser mais do que um espaço de picardias e boatos. O blogue do não e o Sim no Referendo (uma experiência única na minha vida política) mostraram que os blogues são muito mais do que uma moda. São um desafio a uma imprensa preguiçosa e desmotivada para a cidadania.

descer.JPG
A Igreja. No inicio, parecia que a Igreja ia ser mais comedida do que há oito anos. Mas rapidamente os sectores mais radicais tomaram conta do púlpito. O poder político da Igreja sai muitíssimo fragilizado deste referendo. Depois deste resultado, dificilmente a chantagem da igreja terá a mesma eficácia.

Marques Mendes. O PSD prometeu neutralidade. A meio do caminho Marques Mendes envolveu-se na campanha do “não” com mais afinco do que qualquer líder partidário. E levou o seu partido consigo. Rapidamente começaram as pressões junto de quem no PSD fazia a campanha do sim. Sem sucesso. Marques Mendes embarcou na última fase da campanha do “não”. Como todas as habilidades que se tentam em debates de valores, correu mal. Conseguiu zangar todos: os do “sim” porque fez campanha pelo “não”, os do “não porque não tendo levado o PSD a tomar posição estagou a campanha do “não” com habilidades de última hora. Com esta dupla derrota, a liderança de Marques Mendes está apensas suspensa do futuro de Carmona Rodrigues. Se ele cai, Marques Mendes cai com ele.

Ribeiro e Castro. Que o CDS seria pelo “não” não era novidade nenhuma. Mas Ribeiro e Castro associou o seu partido à campanha mais radical do “não”, devolvendo-o ao seu passado pouco recomendável. Um partido que sofre de problemas graves de personalidade, demorará algum tempo a atrair algum moderado.

Marcelo Rebelo de Sousa. A sua proposta era o tiro de partida para a segunda parte da campanha do “não”. Como de costume, a argumentação de Marcelo era inteligente mas frágil. Tão frágil, que um genial vídeo de humor a destruiu irremediavelmente. A reviravolta do “não” perdeu qualquer sentido. E todos nos lembrámos porque foi Marcelo um mau líder partidário.

PCP. O PCP opôs-se, desde a primeira hora, a este referendo. Não foi o único, mas foi a voz mais significativa a faze-lo. A sua participação nesta campanha correspondeu, coerentemente, a essa posição. Os seus militantes não participaram nos movimentos alargados, que iam do PSD ao Bloco de Esquerda. Fez o seu próprio movimentos (a direcção da CGTP prestou-se ao triste papel de apêndice, que eu julgava já ter abandonado), fez uma campanha mínima e esperou estar a milhas se o “não” ganhasse, para acusar PS e BE da derrota. Esta vitória provou uma coisa: a democracia é difícil mas é nossa. É sempre o melhor caminho.


Sem respostas ao post “Sobe e desce”  

  1. 1 1  José Manuel Faria

    Sócrates pôs o PS ao lado de outros países socialistas da europa - Quais?

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    “partidos”

  3. 3 3  odete pinto

    Gostei, no geral, da sua análise, sobretudo no que toca à blogosfera:
    “mostraram que os blogues são muito mais do que uma moda. São um desafio a uma imprensa preguiçosa e desmotivada para a cidadania.”

    Penso que será bom destacar que os defensores do SIM não radicalizaram o discurso nem as emoções, como alguns fizeram quando do 1º referendo com exibições básicas como “na minha barriga mando eu”.

    A elevação intelectual do discurso expositivo das causas deve ser considerada em futuras (próximas? - parece que sim) causas, como as que envolvem a homosexualidade. Poupem-nos a exibições histriónicas de paradas e de “orgulhos”.

    Não sendo deficientes, não lhes serão devidas prerrogativas que não sejam atribuídas ou atribuíveis a quaisquer outros portugueses. Ponto.

  4. 4 4  nm

    O PCP parece estar aqui no desce apenas pq sim, pq com Daniel Oliveira tinha de estar. Foi coerente com o que sempre defendeu - embora pessoalmente eu considere que nas circunstâncias de já ter havido um referendo só se podia alterar a lei com novo referendo - e eu, que quase não vejo televisão, sempre que deitei o olho vi muito mais vezes os PCP a defender o sim, do que o BE.

  5. 5 5  Daniel Oliveira

    nm, está para baixo por duas razões que estão escritas:
    1. Porque não se misturou e não contribuiu para a estratégia que permitiu a vitória, tendo mesmo feito muito contra ela.
    2. Mais importante, porque foi contra o referendo quando esta era a forma mais eficaz e correcta de mudar a lei. Ganhasse o “não” e veria o que diriam.

    Está em último entre os perdedores porque, apesar de tudo, fez campanha. Para os seus e para os convencidos, mas fez.

  6. 6 6  Morrer na Praia

    De si,Daniel,nao espero outra coisa:voce é um anti-comunista primário!Se nao fosse o PC,nunca tinha havido uma lei sobre a IVG.
    E digo-lhe desde já uma coisa: NAO ERA PRECISO UM REFERENDO,PORQUE NAO SE REFERENDAM QUESTOES DE CONSCIENCIA,A MAIORIA QUE EXISTE ERA SUFIENCIENTE PARA APROVAR UMA LEI.OLHE PARA O QUE ACONTECEU NOS OUTROS PAISES,ONDE O ABORTO É LEGAL:OS LEGISLADORES TRATARAM DO ASSUNTO,SEM REFERENDO.JA FICOU PROVADO QUE AQUI EM PORTUGAL O INSTITUTO DO REFERENDO NAO FUNCIONA,PARA QUÊ INSISISTIR EM ALGO QUE NAO É VINCULATIVO?NAO SOU SÓ EU QUE ASSIM PENSO OU O PC,HA MUITO BOA GENTE QUE DEFENDE A DESPENALIZAÇAO E QUE ESTÁ A MILHAS DO PCP QUE TAMBEM ACHA O MESMO!

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Morrer na Praia,

    Depois do referendo essa lei seria de uma fragilidade política enorme. Não perceber isso é cegueira. E é por isso que ponho PCP para baixo. A vitória no referendo é a prova de que não tinham razão.

    Não se tratava de uma questão de referendo. A despenalização do aborto é uma questão penal e política. Como o “sim” disse milhares de vezes na campanha.

  8. 8 8  parca

    Se o PS decidisse votar a lei da despenalzação na Assembleia sem passar por referendo, a próxima maioria do PSD (que irá inevitavelmente ganhar mais cedo ou mais tarde, sozinho ou coligado com CDS) poderia revogar a lei ou colocar-lhe uma série de entraves, sob pretexto de que não passara no referendo.

  9. 9 9  Luís Aguiar-Conraria

    Penso que seria justo também destacar o papel de Vital Moreira.
    Acredito que a sua prestação no primeiro debate dos Prós e Contras foi decisiva para a mobilização das hostes do Sim.

  10. 10 10  Nuno Romano

    Outra interpretação, Daniel, seria dizer que o PCP tinha razão desde o início e que este assunto deveria ter sido aprovado em sede de Assembleia da República a partir do momento em que o PS formou Governo governo. Teríamos ganho alguns meses de avanço. Mas enfim, postas de lado as convergências em nome de um referendo, voltamos agora às politiquices do costume. Eis que subitamente este blogue deixa de ter interesse.

  11. 11 11  João Pinto Bastos

    Caro Daniel

    Em primeiro lugar gostaria de frisar que sou militante do Bloco (recente é certo), o que me leva a comungar do sentimento geral de satisfação relativamente aos resultados do referendo. Todavia não poderia deixar de manifestar alguma discordância no que se refere ao papel desempenhado pelo PCP. Não é verdade que os comunistas não tenham participado nos movimentos alargados, conheço bastantes casos de comunistas que deram o seu aporte e contributo nos movimentos sociais que lutaram pela despenalização. Concordo com algumas das críticas que amiúde faz ao PCP, nomeadamente no que toca ao modo de funcionamento e organização do partido, e se quiser à ideologia que o PCP preconiza e defende. Todavia penso que por vezes entra numa hipercrítica ao Partido Comnunista, que acaba invariavelmente por roçar o excesso. Digo-lhe isto como camarada, mas principalmente como alguém que deseja olhar e analisar as coisas com seriedade e transparência. Gostaria igualmente de salientar, aliás o Daniel referiu-o, o papel de José Sócrates e do PS acabou por ser fundamental na vitória do sim. Em dois anos de Governo, esta foi sem dúvida, a acção mais positiva que este governo de cariz direitista protagonizou, permitindo um avanço civilizacional necessário e premente. Para terminar, como militante do Bloco, considero que esta questão poderia ter sido resolvida sem recurso ao referendo, e nisso corroboro inteiramente a opinião dada pelos comunistas, de facto, nada obstaria que a IVG pudesse ter sido alvo de uma lei na Assembleia da república. Ademais o argumento que evocou acerca da suposta fragilidade de uma lei despenalizadora da IVG, fruto da iniciativa legislativa em sede da Assembleia da república, é a meu ver desprovido de qualquer sentido. Há determinadas questões que pelos valores que envolvem, podem ser solucionadas na Assembleia sem ter de recorrer necessariamente ao mecanismo referendário. Mas neste momento parece-me absolutamente estéril discutir estas questões, pois o mais importante e decisivo é salientar a vitória do sim, e todas as consequências que daí decorrem. Portugal como afirmou Francisco Louçã entrou finalmente no século XXI.

  12. 12 12  lúcia gomes

    Caro Daniel,

    como comunista sei o que fez o meu partido e o que fizeram comunistas que se integraram em movimentos. Estivemos na rua, todos os dias, em todo o país. E não vi muitos dos que se disseram defensores do SIM a fazer o mesmo. Chamar a si próprio ou ao Bloco de Esquerda ou ao PS é desonestidade. Foi o ministro da saúde quem melhor fez campanha pelo não, foram membros do PS que só se envolveram na campanha no final do referendo. No final.
    E dizer que não teria validade alterar na AR é ainda mais desonestidade.
    Se o não ganhasse, isso significaria que teríamos que abandonar esta luta?
    Não tendo o referendo sido vinculativo, não legitima a que a direita invoque este factor para fazer retrair a lei.
    Sinceramente, Daniel, o empenhamento não se mede pelas notícias dos jornais.
    E dizer que o PCP não se empenhou é mentir, descaradamente, ao melhor estilo daquilo que o próprio Daniel critica.
    Lamentável.

  13. 13 13  Isabel Coutinho

    “O poder político da Igreja sai muitíssimo fragilizado deste referendo. Depois deste resultado, dificilmente a chantagem da igreja terá a mesma eficácia. ”

    A Igreja, já há muito, que não aspira ao poder político. E muito menos utiliza a chantagem como uma arma.
    Actualize-se, Daniel Oliveira.

  14. 14 14  Ricardo

    Caro Daniel,
    É preciso ter lata!
    Colocar o PCP como um dos derrotados do resultado do referendo é tapar o sol com a peneira. Por muito anti-comunista que seja, por muito que deseje a iniciativa da legalização do aborto partiu do PCP.
    Afirmar que o empenho do PCP na campanha correspondeu ao seu empenho para que o referendo se realizasse é mentir descaradamente!
    Como o Daniel sabe, o PCP esteve na rua antes e durante a campanha do referendo. O Secretário Geral do PCP e os seus principais dirigentes e quadros estiveram em todo o país. Não tiverma foi o destaque na Comunicação Social de outros (já estamos habituados).
    Como o Daniel não consegue acabar com o PCP trata de tentar esconder a realidade.
    O PCP, em momento algum desta campanha, quebrou qualquer unidade em torno do objectivo de legalizar o aborto. Se estas declarações do Daniel reflectem o pensamento da Mesa Nacional do BE, fica claro o seu objectivo instrumental com este referendo.

  15. 15 15  a.pacheco

    Estou de acordo consigo quando diz , que a HIERARQUIA da Igreja Católica sai derrotada desta confrontação.

    Utilizou meios abjectos, pressionou, censurou, prometeu excomunhões, pôs virgens a chorar, serviu-se da Radio Renascença, pôs os pulpitos a fazer campanha , tratou as mulheres de assassinas e terroristas, apontou-lhes o fogo do inferno, desembolsou verbas astronomicas, opus-dei, escuteiros, grupos de oração, tudo serviu tudo utilizou, mas afinal já pouco é ouvida, e pior, muito pouco respeitada.

    Já quanto ao PCP, discordo de uma parte da sua analise, os militantes de base do PCP, empenharam-se com denodo no SIM, e foram DECISIVOS, para alguns resultados historicos.

    Agora não podemos é esquecer, que derrotados tambem foram , Francisco Pinto Balsemão, a SIC foi uma vergonha, os directores de informação da RTP e da RDP CENSORES, e muita da imprensa escrita.

    Quanto ao Bloco fez a sua obrigação, empenhou todas as suas forças, aliou-se sem pretender protagonismos nem controleirismos, a batalha era uma , e a vitoria só era possivel, com o esforço de todos.

    O Bloco até nisto provou, que é capaz de fazer a diferença

  16. 16 16  Anabela Teixeira da Cunha

    Caro Daniel Oliveira,

    Grande lata … Ainda tu não tinhas nascido já o PCP falava do aborto clandestino.

    Agora tudo é fácil. Ganhou o Sim, ainda Bem para as Mulheres. Mas também podia ter ganho o NÃO.E se ganhasse, adeus alteração da Lei, porque o PS não o faria. E tu sabes disso.

    Felizmente para as mulheres portuguesas têm um PCP firme que não se cola ao PS e que não tem medo de dizer o que pensa.

    Ganhou o SIM e isso é o que interessa. Para bem das Mulheres.

    Vai-te encher de moscas

  17. 17 17  João Pinto Bastos

    Eu gostava que esta discussão não enveredasse por acusações de anticomunismo ou de tricas e intrigas partidárias. Sou bloquista, sou marxista e nunca fui anticomunista, antes pelo contrário, sempre valorizei e valorizo o papel do PCP na sociedade portuguesa, não obstante as divergências claras que tenho em determinadas matérias relativamente ao vosso partido. O PCP desde sempre defendeu o não recurso ao referendo, e eu pessoalmente sempre considerei essa posição a mais produtiva e consequente. O Bloco de esquerda optou pelo referendo e como tal dirigiu todos os seus esforços na consciencialização dos cidadãos relativamente a esta questão. Como referi “a priori” esta opção pelo referendo nunca foi a meu ver a mais vantajosa, mas como militante apoiei decididamente todos os esforços do partido, de molde, a obter um resultado favorável às nossas aspirações. Penso sinceramente, que estes desaguisados Bloco-PCP não são nada favoráveis à esquerda, e quando digo isto critico tanto os militantes comunistas como os militantes bloquistas que enveredam por esta via. São vários os pontos que nos afastam, mas também são muitos ( e se me permitem, mais significativos) os pontos que nos aproximam, basta atentar nas posições dos dois partidos nas questões fundamentais da nossa vida política. Por isso, faço um apelo ( até porque jão é a primeira vez que aqui neste blogue, como também noutros locais, bloquistas e comunistas tendem a digladiar-se) para que haja um maior entendimento, até porque a partir de agora, há que combater a política social-liberal do engenheiro Sócrates e seus apaniguados, e não aderir a estultícias que só impedem o premente e indispensável entendimento e diálogo da esquerda.

  18. 18 18  João Pinto Bastos

    Eu gostava que esta discussão não enveredasse por acusações de anticomunismo ou de tricas e intrigas partidárias. Sou bloquista, sou marxista e nunca fui anticomunista, antes pelo contrário, sempre valorizei e valorizo o papel do PCP na sociedade portuguesa, não obstante as divergências claras que tenho em determinadas matérias relativamente ao vosso partido. O PCP desde sempre defendeu o não recurso ao referendo, e eu pessoalmente sempre considerei essa posição a mais produtiva e consequente. O Bloco de esquerda optou pelo referendo e como tal dirigiu todos os seus esforços na consciencialização dos cidadãos relativamente a esta questão. Como referi “a priori” esta opção pelo referendo nunca foi a meu ver a mais vantajosa, mas como militante apoiei decididamente todos os esforços do partido, de molde, a obter um resultado favorável às nossas aspirações. Penso sinceramente, que estes desaguisados Bloco-PCP não são nada favoráveis à esquerda, e quando digo isto critico tanto os militantes comunistas como os militantes bloquistas que enveredam por esta via. São vários os pontos que nos afastam, mas também são muitos ( e se me permitem, mais significativos) os pontos que nos aproximam, basta atentar nas posições dos dois partidos nas questões fundamentais da nossa vida política. Por isso, faço um apelo ( até porque jão é a primeira vez que aqui neste blogue, como também noutros locais, bloquistas e comunistas tendem a digladiar-se) para que haja um maior entendimento, até porque a partir de agora, há que combater a política social-liberal do engenheiro Sócrates e seus apaniguados, e não aderir a estultícias que só impedem o premente e indispensável entendimento e diálogo da esquerda.

  19. 19 19  inês santos

    Passado o referendo, já o Daniel volta ao seu melhor, ou seja, ao ataque descabelado, estupido e infundamentado ao PCP.
    E não só isso: mostra sobretudo a superficialidade e fragilidade do seu pensamento político; com efeito, então a oposição ou o apoio ao referendo julgam-se pelo resultado final ou devem julgar-se pela consistência dos argumentos e das convicções que estiveram na base dessa atitude.
    A Inês Pedrosa,a Clara Ferreira Alves, a Helena Matos e a Maria Antónia Palla entre tantos outros e outras são então palermas e cegos como o PCP ?
    Quanto à integração nos movimentos, importa-se Daniel Oliveira de contar quem é que convidou os comunistas a integrar o Cidadania pelo Sim e quem é que respondeu não ?
    Atreve-se Daniel Oliveira a negar que o «Em Movimento pelo Sim» (que, com outro nome, já vinha da luta pela aprovação da lei na AR)tinha muitos não comunistas como o J.C Malato, a Marta Crawford e o Strecht Ribeiro ?.
    Quanto à actividade desenvolvida, como hoje há a NET, é só comparar a quantidade de iniciativas e acções do PCP com as do Bloco. Aliás, só um sectário como o Daniel é que pode não compreender e não aceitar que, goste ou não, o PCP tem uma implantação organizativa e capacidade de militância que não tem comparação com o Bloco.
    Por fim, Daniel veja os resultados com olhos de ver e terá de concluir que nas zonas e concelhos onde o PCP é mais forte são em regra aqueles onde a abstenção mais diminuiu e a vitória do sim atinge das mais altas cotações.Ou foi o Bloco que garantiu os 85,3% pelo sim em Aviz ou os 90,41% em Aljustrel ?

  20. 20 20  Daniel Oliveira

    Insisto, e nunca o fiz durante a campanha, demonstrando o que era para mim mais importante (o PCP não fez o mesmo): o referendo era indispensável e teriamos hoje uma lei fraca. Este resultado prova que o referendo foi o melhor caminho. E prova que os partidos que foram contra ele estavam enganados na sua estratégia. Assim como a estratégia de unidade nos movimentos teve os seus frutos. E os partidos que a repudiaram estavam enganados na sua estratégia.

    O facto de termos todos defendido o mesmo voto não nos une para sempre. Não tenciono aplaudir o Vasco Rato e a Helena Matos quando o voltar a ouvir falar sobre Bush e o Iraque. Não sei porque hei de ser anti-comunista apenas por achar que o PCP teve a estratégia errada e apenas seguiu esta porque ela não dependia dele.

  21. 21 21  Miguel

    Ao Daniel. Vá ver os gastos do PCP e do BE na campanha deste referendo. Estão disponíveis no site da CNE. A não participação de comunistas em movimentos e plataformas amplas é só um seu delírio. O sectarismo é mesmo demais e enoja…

  22. 22 22  a.pacheco

    Inês Santos eu pensava que o que tinha dito bastava , mas perante o seu comentário….

    A- Se cidadãos ligadas ao PS ao PSD mesmo ao CDS, ao Bloco, á direita liberal, sem filiação partidária, e a outros movimentos de esquerda ,só para falar em movimentos politicos, se conseguiram juntar em movimentos unitários, porque será que o PCP ficou fora desses movimentos?

    Porque não foi convidado, ou porque não quis?

    B-Realmente na plataforma unitaria do PCP estavam algumas caras que não são aderentes ao partido, mas cara amiga isso prova o quê… o movimento EMMOVIMENTOPELOSIM, era um movimento só da area do PCP.

    C-Que nesta batalha o PCP trabalhou E BEM pela vioria eu não tenho a menor dúvida, mas sem o esforço do BLOCO, do PS, da Ala liberal do PSD, de algumas pessoas ligadas ao CDS, aos Renovadores, ao MRPP, ao Movimento Social Liberal, Ao Partido Humanista, mas sobretudo aos milhares de homens mulheres que por esse país trabalharam com denodo nesta campanha, o resultado do SIM de ontem, não teria sido possivel.

    Quanto aos casos de Avis e Aljustrel, ou melhor aos muitos Avis e Aljustrel que houve neste país, foram os CIDADÂOS LIVRES dessas terras, que votaram SIM, os partidos fizeram um trabalho UTIL e necessario,de esclarecimento, mas não comandam a consciência dos cidadãos, esse tipo de linguagem ,ou o que lhe está subjacente cara Inês Santos é mais proprio de uma religião , que de um partido politico.

    Esperemos que não se considere DONA dos votos dos cidadãos LIVRES de Avis e Aljustrel….

  23. 23 23  Carlos Abreu

    Estou de acordo com o Daniel Oliveira. Não se intimide com orquestrações contra o seu pensamento. Eu, por exemplo colocaria nos vitoriosos Vital Moreira, mas como tudo, e felizmente cada cabeça, sua sentença. Continue militantemente livre. O estalinismo já causa mau de mais ao mundo.
    C. Abreu

  24. 24 24  Daniel oliveira

    Miguel,

    O PCP esteve exclusivamente no Em Movimento pelo Sim, onde não havia militante de nenhum outro partido. Minto. Acho que também estava lá alguém dos Verdes. Já nos outros movimentos não havia, por opção do PCP, nenhum militante (pelo menos conhecido) do PCP.

    É uma opção tão legitima como outra qualquer. Mas é uma opção.

  25. 25 25  Luís Lavoura

    Eu não acho que o PCP tenha sido derrotado neste referendo. O facto de a abstenção no referendo ter sido tão alta quanto foi demonstra que, para boa parte do povo português, esta questão do aborto não faz levantar o rabo da cadeira. Demonstra que, para boa parte dos portugueses, o sistema político deveria ser capaz de resolver esta questão sem ter de apelar ao povo. Demonstra que, para metade dos portugueses, isto não é questão que se faça ao povo.

    Fui um dos que andou a dar o litro a recolher assinaturas para a realização deste referendo. Hoje, vista a abstenção que houve, acho que estava enganado. O povo não queria votar numa questão destas. A classe política anda separada do povo, e deveria saber resolver os seus problemas sem apelar a ele.

  26. 26 26  Sérgio

    Escrevo este comentário porque me irrita o anti-comunismo primário, e de resto assumido, que caracteriza o Daniel. Ainda antes de existir Bloco de Esquerda e de se saber quem era o Daniel Oliveira já um partido levantava a questão da IVG. Outros que até há pouco tempo não tinham conseguido representação parlamentar também o faziam. Falo do PSR e da UDP, que nessa altura, e por diversas vezes, integrou coligações com o PCP. Mas em relação a este post, é verdadeiramente fascinante a forma como se coloca no mesmo saco, o que desce, Marcelo Rebelo de Sousa, a Igreja e, pasme-se, o PCP. Continuo a acreditar que o assunto deveria ter sido resolvido na AR. Se o Bloco tivesse feito força nesse sentido talvez se tivesse conseguido inverter a posição do PS. Mas adiante. Quanto à fraca participação do PCP, o Daniel, que por vezes é tão célere na consulta ao Avante, desta vez optou por não o fazer. Mas, se o tivesse feito, talvez tivesse percebido que o PCP optou por acções de campanha um pouco por todo o país e quase diariamente. Em relação aos movimentos, o PCP apoiou um como o Bloco apoiou, em força, outro. Para além disso e quando se fala em retirar dividendos desta questão, se se acusa o PCP de fazer uma campanha própria, o Bloco também o fez. O Daniel deve sabê-lo bem, só que nestas alturas não convém referi-lo. Para terminar, o seu registo dogmático, a sua ironia provocatória retiram seriedade à forma como as questões são analisadas. É pena.

  27. 27 27  Rouxinol

    O PCP opôs-se, desde a primeira hora, a este referendo.
    Não ficaria bem dizer uma coisa há oito anos atrás e outra agora.

    “Os seus militantes não participaram nos movimentos alargados, que iam do PSD ao Bloco de Esquerda.”
    Desconheço que tenha havido algum convite, posso estar errado.

    fez uma campanha mínima

    Orçamento do BE – 133.088

    Orçamento do PCP – 250.000

    Se formos ver os frutos, às câmaras do PCP, deparamo-nos com o seguinte cenário:

    Beja
    SIM - 83.90%
    NÃO - 16.10%

    Évora
    SIM - 78.39%
    NÃO - 21.61%

    Setúbal
    SIM - 81.99%
    NÃO - 18.01%

    Alguns Concelhos

    Benavente
    SIM - 77.63%
    NÃO - 22.37%

    Chamusca
    SIM - 75.24%
    NÃO - 24.76%

    Constância
    SIM - 70.39%
    NÃO - 29.61%

    Peniche
    SIM - 64.33%
    NÃO - 35.67%

    Marinha Grande
    SIM - 83.26%
    NÃO - 16.74%

    Sobral de Monte Agraço
    SIM - 77.66%
    NÃO - 22.34 %

    Só uma pequena curiosidade:

    São Martinho (Alcácer do Sal)
    SIM - 97.24%
    NÃO - 2.76%

    ”esperou estar a milhas se o “não” ganhasse, para acusar PS e BE da derrota”
    Depois de fazer o levantamento dos factos, que sentido é que isto faz?
    Tenho pena que até em momentos como este, o Daniel resolva pôr o seu sectarismo mimado à frente de uma causa. Tenho pena que não saiba fazer críticas construtivas e honestas ao PCP. Esses comportamentos não ajudarão ninguém em futuras batalhas, quiçá mais importantes que a questão do aborto.

  28. 28 28  João Mesquita

    Caro Daniel:

    Uma coisa, penso eu, é discordar da táctica (e de aspectos da prática) do PCP em relação a esta matéria. Outra, bem diferente, é colocá-lo no campo dos perdedores (onde não colocas, por exemplo, Zita Seabra, António Guterrres e a Rádio Renascença). Haverá dúvidas sobre a posição de fundo do partido face à despenalização do aborto? Se não há, porquê transformar uma divergência táctica e conceptual, numa divergência estratégica? Contribuirá isso para a “recomposição da esquerda”, em nome da qual nasceu o Bloco?

    Um abraço
    João Mesquita

  29. 29 29  Tânia Mateus

    “O PCP opôs-se, desde a primeira hora, a este referendo” - Claro que se opôs! Diga-me um artigo do Código Penal que alguma fez tenha sido alvo de um referendo?!? Mais, não foi por falta de vontade política, do PS e do BE que quiseram referendar em vez de despenalizar?!
    Ainda bem que houve partido e movimento, em todo o país a esclarecer e fazer acções.

    “A sua participação nesta campanha correspondeu, coerentemente, a essa posição. Os seus militantes não participaram nos movimentos alargados, que iam do PSD ao Bloco de Esquerda.”
    Dê uma volta por Portugal, e veja, por exemplo, quem esteve na Guarda ou em Castelo Branco?!? FOi o BE?! Foi qualquer um dos seu movimentos?!?
    E Como pode ter a lata para falar em esforços mínimos… e diga-me uma coisa, esses esforços mínimos foram medidos de acordo com a pela participação nos pseudo movimentos alargados? E o que é isso de movimentos alargados. Se me falar no 4 em 1, concordo perfeitamente!
    Sabe é q uma grandes, diferenças é que os militantes comunistas não queriam mesmo o referendo em vez de fingir(como outros) que não estavam de acordo.

    (…)fez uma campanha mínima e esperou estar a milhas se o “não” ganhasse, para acusar PS e BE da derrota.”
    Volto a dizer, dê uma volta pelo país e veja quem foi que fez uma campanha mínima! Abra bem os olhos e deixe de dizer tanto disparate que só lhe fica mal!

  30. 30 30  João Pinto Bastos

    Face aos comentários que li neste espaço, o único, e friso esta palavra, o ÚNICO comentário que, de facto, chegou ao cerne da questão foi o do senhor João Mesquita. Caro Daniel, costumo concordar com muitos dos seus pontos de vista em muitas matérias, mas nesta questão em concreto, como já referi “a priori”, demonstrou um grande sectarismo e estreiteza intelectual. Isto é um facto absolutamente indubitável e incontornável. Como disse no meu primeiro comentário, conheço militantes do PC que participaram em vários movimentos pelo sim, portanto o argumento que evoca não colhe nem é procedente. Como afirmou o João Mesquita, e honra lhe seja feita, uma coisa é discordar da táctica, outra bem diferente é extrapolar e transformar essa divergência táctica numa divergência de cariz estratégico. Aí desculpe, mas dá provas de um grande sectarismo. E quem lhe está a dizer isto não é nenhum estalinista ortodoxo da velha guarda, ou um jovem funcionário arregimentado pelo aparelho do PCP, quem lhe está a dizer isto é um bloquista. Não quero entrar nos ataques que redundam no anticomunismo, porque esse tipo de afirmações e insultos para mim são também ilustrativos de uma mentalidade que desprezo. O que me parece triste e deletério, é que este tipo de discussões obstem a algo que eu considero fundamental e que é inclusive um desiderato do Bloco de esquerda: o entendimento e diálogo das forças de esquerda. Daí que eu reprove tanto a atitude do Daniel Oliveira, que de facto ( atenção, respeito totalmente a sua opinião) é totalmente despropositada e enviesada, bem como os ataques desferidos pelos comunistas que têm vindo aqui comentar o seu post. Se há coisa que eu desejo e pugno, é que comunistas e bloquistas se entendam e dialoguem, isto é absolutamente essencial e primacial. Recordo uma frase que escrevi noutro comentário, o Bloco, partido no qual me integro, tem muitas divergências com o PC, mas as convergências são bastante maiores e mais significativas. Não me interessa como muitas vezes alegam os comunistas, saber se o Bloco de Esquerda deveria ser um partido marxista-leninista, não é e ainda bem que não é (sou um marxista, e o Bloco é um partido bastante plural que agrupa muitas tendências e é bom que assim continue a ser). Nós, os bloquistas, temos pontos de vista distintos no que toca, por exemplo, a alguns conceitos tão importantes como a liberdade de debate e discussão partidárias. Nestes aspectos temos diferenças enormes, mas sejamos consequentes. Deixemos de nos digladiar sem razão nenhuma, e unamos e juntemos as nossas forças nas batalhas que se avizinham. É isto que é essencial e decisivo.

  31. 31 31  José Manuel Faria

    caro joão P. Bastos eu também sou aderente do BE, mas não acredites na possibilidade de criar uma frente ou união com o PCP, eles nunca quereriam, detestam o bloco.

  32. 32 32  João Pinto Bastos

    Caro José Faria, talvez tenha razão no que afirmou. Infelizmente é possivel constatar isso em muitas situações, o que também não exime o Bloco das suas responsabilidades nesta situação. Mas não deixa de ser interessante que um partido marxista-leninista, acabe por ignorar alguns dos principais ensinamentos dados por Lenin, principalmente no que toca ao esquerdismo. Por vezes o PC, de facto incorre em posições dificilmente aceitáveis, isolacionistas e divisionistas. Mas volto a repetir, há que lutar pelo entendimento entre Bloco e PCP, até porque nas actuais condições do nosso país chega a ser até escandaloso, para não dizer mais nada, que as duas únicas forças do nosso espectro político que são reconhecidamente de esquerda, mantenham uma atitude tão irredutível. Por maiores que sejam as diferenças, há que estabeler um diálogo frutuoso. E nisso, o Bloco tem a meu ver um papel a desempenhar, aliás esse sempre foi um objectivo programático do partido.

  33. 33 33  José Manuel Faria

    Estou de acordo com o teu ponto de vista, João Bastos.

  34. 34 34  Rouxinol

    “Mas não deixa de ser interessante que um partido marxista-leninista, acabe por ignorar alguns dos principais ensinamentos dados por Lenin, principalmente no que toca ao esquerdismo.”
    Se o contrário estivesse exposto no ideário de Lenine, também seria condenável a sua dogmatização. O problema não são os projectos realizáveis (de curto prazo) que se inscrevem nos seus conteúdos programáticos do PCP, esses podem estabelecer pontes com o BE. O problema são os aspectos históricos que muito rapidamente são desenterrados, e que por isso, podem estragar a imagem (nova) de quem ainda agora a começou a construir. É isso que impede maior entendimento.

    há que lutar pelo entendimento entre Bloco e PCP, até porque nas actuais condições do nosso país chega a ser até escandaloso, para não dizer mais nada, que as duas únicas forças do nosso espectro político que são reconhecidamente de esquerda, mantenham uma atitude tão irredutível.”
    Concordo inteiramente e se pudesse, assinava já.

  35. 35 35  Margarida

    O que o autor do post quer é ficar com a taça, esquecendo-se contudo que esta questão já podia estar resolvida na Assembleia da República quase há dois anos e só não está porque em 2005 o BE “reivindicou” o referendo de que nem falou na campanha eleitoral…

    E não me venha ele com a desculpa esfarrapada do “défice democrático” ou da maior “facilidade” em derrubar uma lei. Basta ver que a de 84 nunca foi derrubada apesar de 10 anos de governação do PSD, oito dos quais de maioria absoluta…

    Mas a taça é principalmente das mulheres e dos homens que ontem foram (com mais ou menos angústias) votar no SIM. E quer queira quer não queira o autor do post, foi decisivo o contributo que o PCP deu (antes e agora) para este desfecho. E toda a gente sabe isso, a começar pelo autor do post.

  36. 36 36  Daniel Oliveira

    Uma dúvida: porque é que quando eu ataco o PS não sou sectário e quando ataco o PCP sou? Tenho eu mais proximidade política ou mais obrigações para com o PCP do que para com o PS? Sempre que elogio o PS sou um traidor vendido. Quando critico o PCP sou um sectário. Quem disse que eu me sentia mais próximo do PCP do que do PS? Eu discordo com a política do PS. Mas discordo com os principios fundamentais do PCP. E não me sinto na obrigação de ser mais simpático com um do que com outro. Será assim tão dificil de perceber?

    Não é com a vitória do “sim” que o PCP perde. É com a realização do referendo, a diminuição da abstenção, a boa campanha que se realizou e ambiente de unidade de que o PCP fez questão de ficar de fora.

    De resto, tinha havido um primeiro referendo. A realização do segundo para contrariar o resultado do primeiro não era matéria de táctica. Era matéria de democracia e decência. Ao não o perceber o PCP perdeu. Apenas isso.

  37. 37 37  Margarida

    Parece que o autor do post desconhece as circunstâncias infames da realização do primeiro referendo acertado à sorrelfa entre o Marcelo e o Guterres para ANULAR a lei que a Assembleia da República tinha acabado de aprovar.

    E também parece desconhecer o significado do termo “não vinculativo”. Ou até de “branqueamento”.

    Pois foi exactamente tudo isso que fez o partido do autor do post quando ajudou a branquear a infame acção referendária não vinculativa cozinhada pelo Marcelo e Guterres e que trouxe quase nove anos de atraso para a saúde e a dignidade das mulheres. E o autor do post sabe que as coisas se passaram mesmo assim.

  38. 38 38  Daniel Oliveira

    Margarida,
    1º O autor do post tem nome
    2º Não desconheço nem as circusntâncias nem o resultado. Eu, felizmente, posso dizer que depois desta vitória do “sim” a direita não pode ignorar este resultado. A Margarida não, porque acha que não sendo um referendo vinculativo ele não vale de nada.

  39. 39 39  Margarida

    O autor do post sabe perfeitamente que no Congresso do PS o seu secretário-geral e actual PM disse que seguiria o voto maioritário INDEPENDENTEMENTE da sua expressão e que politicamente se vinculava a esse voto. E que portanto são completamente diferentes as circunstâncias dos dois referendos. No primeiro, a única atitude democraticamente correcta era de facto invocar que não fora vinculativo e passar-se à acção parlamentar.

  40. 40 40  Daniel Oliveira

    Margarida,
    1º Insisto que o autor do post tem nome e que a falta de eucação não dá força aos nossos argumentos
    2º Os critérios democráticos, nos países democráticos, não dependem do que se diz nos congressos do partido que terá no poder.

  41. 41 41  a.pacheco

    Mais algumas achas para a fogueira.

    O PCP criou um movimento, que controlou como é seu hábito, o Bloco participou UNITARIAMENTE , em pelo menos 3 dos movimentos registados na CNE com militantes seus, sem tentar qualquer tipo de control…. e nisto há uma grande diferenças….

    O PCP opunha-se á realização de um novo referendo, por entender, E BEM ,que deveriam ser os deputados da nação a resolver este assunto…. só que…

    O PS tinha-se comprometido durante a campanha eleitoral a só modificar a lei , desde que fosse realizado um novo referendo.

    Poderia o Bloco ter feito pressão?
    Poderia.

    Tiraria dividendos politicos?
    Certamente.

    Teria resolvido o problema?
    NÂO……

    A maioria dos deputados do PS, teriam inviabilizado qualquer proposta, que fosse apresentada á Assembleia para a alteração da lei, sem referendo.

    O PCP sabia isso, poderia ENTALAR o PS, mas isso era de somenos, teria aparecido como alguem que tudo tinha tentado para resolver o problema, é só essa gentinha do PS é que não o queria resolver.

    Raciocinio tortuoso, mas que daria votos ao PCP, mesmo que o problema da lei ficasse na mesma.

    O Bloco sabendo da indisponibilidade do PS para qualquer solução sem referendo, apoiou o referendo, e empenhou-se desde a primeira hora na sua realização, sabia os riscos que se corriam, sabia a força, o dinheiro, os métodos do vale tudo do adversário, mas tambem sabia que um campanha esforçada de esclarecimento seria , como foi vitoriosa.
    Se a abstençao foi grande, isso não tira em nada , a vitoria politica ,e democratica, de todos aqueles que apoiaram o SIM.

    Mas esta vitoria não pode nem deve ser reclamada , pelos partidos, em questões de consciência, é o cidadão livre que decide, querer invocar, que foram em zonas em que determinado partido tem mais influência, e que por esse motivo ele terá sido determinante no resultado, é ignorar o que estava em jogo.

    Em Lisboa TODAS as freguesias deram a vitoria ao SIM, no Porto só Uma lhe fugiu, em muitas cidades deste país onde a influência do PCP é NULA, houve votanções muito significativas no SIM , e porquê, porque os cidadãos votaram independentemente dos partidos de que fazem parte, e muitos até sendo católicos, contra as indicações da sua religião.

    Por isso para MIM a haver um vencedor, ele é sobretudo o espirito de tolerancia e de liberdade individual, que o SIM foi capaz de defender durante toda esta campanha, o resto é pura partidocracia.

  42. 42 42  Margarida

    Resumindo: o partido do autor do post (segundo o Pacheco) merece a taça de quem mais fretes tem feito ao PS. Quem sou eu para o contrariar.

    E como é costume o autor do post arma ao calimero e às questões factuais nada diz.

    Mas de facto foram infames as circunstâncias em que (depois da lei ter sido aprovada na AR) apareceu o referendo cozinhado pelo Marcelo e Guterres SÓ para a travar; é um facto que NADA obrigava à vinculação desse 1º referendo; é um facto que nada obrigava a um 2º referendo e é um facto que o partido que tem maioria absoluta disse em Congresso que seguiria o voto maioritário independentemente da sua expressão e já quando estava no poder com maioria absoluta.

    E mantenho que a taça é principalmente das mulheres e dos homens que ontem votaram no SIM. E quer foi decisivo o contributo que o PCP deu (antes e agora).

  43. 43 43  Tânia

    Caro Daniel,
    Parece-me que anda iludido com essa unidade entre partidos e movimentos, aquando do referendo…
    Quer-me parecer que a única unidade que existiu foi o facto de 1/2 partidos terem criado movimentos e mais movimentos e depois quem mexia os cordelinhos desses movimentos eram os mesmos! Isso é que é unidade?!??! e Convergência?!?!
    Afinal andei enganada este tempo tudo!!! Havia uma plataforma pelo SIM e não tinha dado por nada!!

  44. 44 44  Morrer na Praia

    Caro Daniel:a sua resposta é sustentável,mas o que eu gostaria de vincar é que em muitos paises onde a IVG é legal,o assunto foi aprovado por legisladores sem consulta popular e daí nao veio mal ao mundo.Para mim,a haver referendo,seria sobre as “nucleares do estado” que este governo neoliberal agora quer pôr em causa.Aí sim teriamos uma resposta brutal do povo ás pretensões assassinas do que resta do sector do estado por parte deste governo!…

  45. 45 45  manchufk

    … voltou a arrogância, a desonestidade… a mentira ou seja o anti-comunismo….

    é impressionante que este artista “da rádio tv e disco” consiga justificar a importância de esperar 2 anos por um referendo (enquanto milhares de mulheres faziam abostos clandestinos)….

    leis fracas? que é essa merda? isso é conversa da treta, aliás, tanto é conversa da treta que o “artista” não consegue escrver mais de um paragrafo a justificar a opção do referendo…

    mas pronto, haja alguma dignidade e aprove-se rápidamente a lei,

    quanto ao D.O. e aos meninos bem comportados do BE, nada de novo, tudo como dantes….

    e já agora, diz lá quais e quantos foram os textos que escrevestes aqui contra o PS e o seu Governo ao mesmo tempo quantos é que escreveste contra o PCP…. é que o que me chateia não é que sejas um anti-comunista… é que não sejas capaz de o assumir….

  46. 46 46  Margarida

    Nem é preciso sair de Portugal. A primeira lei do aborto a de 84 foi aprovada na AR (governo de Soares). A segunda também (governo de Guterres) e só DEPOIS de ter sido aprovada é que Guterres e Marcelo se lembraram do referendo, o que não passou de uma manobra para travar a lei que com dificuldade - mas com bastante empenho nomeadamente do PCP - tinha acabado de ser aprovada em 1998!

  47. 47 47  Claro que Nao

    Marques Mendes e o grande derrotado deste referendo, mas nao Ribeiro e Castro e o CDS. Tem um milhao e meio de “radicais” que votaram Nao aonde pode ir buscar votos.
    O BE ganhou o referendo, mas perdeu a grande causa “fracturante e moderna”. Nao tem ja uma sensacao de anti-climax ? Que nova bandeira vao levantar ?
    Socrates ganha plenamente. Ganhou o referendo e vai ganhar com a fuga de votos do PSD para o CDS. Tem pelo menos 8 anos de maioria absoluta garantidos.
    Por isso, senhores do BE, ocupem o tempo…olhem, o Bush vai bombardear o Irao. Toca a fazer posts.

  48. 48 48  chicomartins

    esqueceu-se de escrever no sinal mais uma rubrica importante.
    A vitória da desresponsabilização.

    Próxima bandeira do BE: casamento e direito à adopção por parte de pessoas com comportamentos desviantes e antinaturais,vulgo homossexuais.

  49. 49 49  burns

    daniel aminha pergunta é , quando é k voçe acha k se pode referendar novamente o aborto????
    por mim penso k podia ser ja em 2016
    o que é que lhe parece???
    afinal vivemos em democracia

  50. 50 50  JOSE MOTA PEREIRA

    Daniel,
    fazer do PCP um derrotado da noite eleitoeral é um perfeito disparate!!!!!
    Campanha mínima? Participação mínima?
    Repare como o PCP discoradndo do referendo atirou-se ao SIM de peito aberto: para lá das tácticas está o objectivo.
    Daniel, continuas a desiludir-me…Muito.

  51. 51 51  André

    Este referendo provou que a questão do aborto não era de facto assim tão permente na sociedade portuguesa e muito menos para as mulheres portuguesas. Só assim se explica que dos votos sim, a maioria tenham vindo dos homens e que apenas um milhão e picos de mulheres tenham votado favorávelmente à nova lei. A matemática não mente e as mulheres que votarm sim neste referendo representam menos de 13% do eleitorado português. Afinal de contas parece que isto tudo não passou de uma guerrinha política, guerrinha essa que não impressionou, pelo contrário, a parte supostamente interessada, as mulheres portuguesas.

    Ass. André

  52. 52 52  Daniel Oliveira

    “A matemática não mente e as mulheres que votarm sim neste referendo representam menos de 13% do eleitorado português,”

    A matemática não mente, as mulheres loiras, couxas, de olhos verdes e residentes no distrito de Braga que votaram “sim” neste referendo não são mais do que 0,002% do eleitorado português. Vá, concedo, se a elas juntarmos os homens morenos que tenham residido no Luxemburgo nos últimos dez anos, chegamos a uns magros 0,0024%. Um referendo prefeitamente dispensável.

  53. 53 53  a.pacheco

    Vamos á questão da abstenção, será que alguem já fez algum estudo com um minimo de seriedade sobre este referendo.

    Se mais homens votaram do que mulheres,a primeira resposta e simplista, é que em Portugal as mulheres são mais religiosas que os homens.

    NUNCA estariam dispostas a dizer que querem ser presas e julgadas por aborto.

    A Igreja ameaçou-as com a excomunhao se votassem SIM, como tenho a certeza seria o desejo da maioria.

    Assim restou-lhes a alternativa de uma parte delas se absterem.

    Depois os idosos, eu ouvi em Lisboa muitas pessoas idosas dizerem, que não iam votar, porque já não tinham idade para fazerem abortos, e tenho a certeza que esta mentalidade prevaleceu em muitas zonas do país.

    Não podemos , esquecer , a campanha confusa, troca-tintas, e por vezes NOJENTA, levada a cabo por partidários do não, e isso em sectores menos informados da população, desmobiliza.

    Por ultimo há uma população flutuante nos cadernos, pessoas que vivem numa região mas trabalham noutra, pessoas que trabalham em regime sazonal no estranjeiro, e pessoas que morreram mas ainda não foram retiradas dos cadernos eleitorais ( calcula-se que neste 3 grupos existam mais de um milhão de eleitores)

    Por isso a abstenção , deve ser olhada com seriedade.

    Julgo que os militantes do PCP, não leram o que o Daniel disse, eu posso não concordar com a conclusão , agora os factos que ele refere são inquestionaveis, o PCP nunca consegue aderir a acções unitárias, a menos que as control.

    E tentar tirar dividendos politicos, julgo e repito , éum erro, como tambem é um erro quem lutou pelo Sim ,vir agora desvalorizar a votação dos paridários do SIM como o fez o deputado Bernardino Soares, ao pôr a tónica na abstenção , para fazer prevalecer , as posições do seu partido.

    Aliás , pensam que os resultados de algumas freguesias de Lisboa seriam possiveis sem o contributo de Paula Teixeira da Cruz, ou o resultado do Porto sem o apelo de Rui Rio, ou teria sido possivel a vitoria em Gondomar sem a adesão e o empenhamento de Valentim Loureiro….

    Estou nos antipodas da posição politica destas 3 pessoas, mas tenho de reconhecer, que esta batalha foi de todos os portugueses, livres e tolerantes, viessem eles de onde viessem.

  54. 54 54  a.pacheco

    Sr. Andre votaram neste referendo 3.900.000 ( Três milhões e novecentos mil portugueses)portugueses.

  55. 55 55  Margarida

    Custou mas finalmente o Pacheco reconheceu “que esta batalha foi de todos os portugueses, livres e tolerantes, viessem eles de onde viessem.” Antes assim.

  56. 56 56  The Studio

    Falta um grande derrotado:

    O feto humano, que a partir de agora tem menos direitos que os ovos das cegonhas.

  57. 57 57  Margarida

    Há gente que nunca aprende, mesmo quando acaba de sair de uma derrota histórica. É que foi por analogias como essa do ovo da cegonha que o “não” perdeu em toda a linha e mesmo em números absolutos (apesar do aumento de votantes) como aconteceu em Vila Real e Bragança e em Viana do Castelo e Açores.

Leave a Reply