
Petra
À volta deste mar nasceram as religiões do livro, o alfabeto, a cidade, a política e quase todas as abstracções. À volta deste mar cresceram e definharam os grandes impérios. Mesquitas, templos e catedrais foram tomando os lugares umas das outras. Culturas guerrearam-se e conviveram, forjando, em camadas, o que hoje somos. A nossa civilização, judaico-cristã-islamica (era assim que se deveria dizer) é a civilização mediterrânica. Há quem, longe das suas origens, não saiba que vimos todos do mesmo e invente choques entre civilizações tãopróximas. Tudo nos une, a começar por este mar.
Começa hoje, na RTP 2, um documentário de quatro episódios que pretende exactamente passear pela nossa história, a do Mediterrâneo. Marrocos, Tunísia, Líbia, Egipto, Líbano, Jordânia, Síria, Turquia e Itália, é este o périplo, sem ordem, porque nos quer mostrar as semelhanças. Como Bizâncio, Constantinopla e Istambul, que estando no mesmo lugar foram lugares diferentes. Périplo, histórias do Mediterrâneo começa em Berlim, no Museu de Pergamon, na Porta de Ishtar, uma das entradas da antiga Babilónia. E a partir daí não para de reconstituir os movimentos, os mitos, as guerras, as trocas. Raramente fala de países, muitos deles criados a régua e esquadro recentemente. Fala-nos do lugar comum da religião, dos mitos e do comércio. Destes povos que, em busca de paraísos terrenos e celestiais foram tropeçando uns nos outros.
Já vi os quatro episódios de Périplo, de Miguel Portas, Cláudio Torres, Luís Leiria e Camilo Azevedo. Privilégios de se tratarem de quatro amigos. E recomendo. É uma espécie de um mnemónica para uma cultura que perdeu o hábito de se lembrar da sua própria história. Essa é talvez uma grande diferença em relação aos nossos primos árabes: eles vivem soterrados em memória, com o Mundo a ordenar-lhes qe façam em décadas o que fizemos nós em séculos. Nós vivemos soterrados na excitação do presente, fazendo da ignorância a ideologia da moda.
Por Daniel Oliveira 5 Jun 06 em Sem categoria


A cidade, a política e as abstrações não nasceram SÓ à volta do Mediterrâneo. Nasceram independentemente no vale do Indo e na China. Neste último caso, aliás, com muito maior sucesso do que à volta do Mediterrâneo. Durante toda a história da civilização até pelo menos ao século 15, a Europa e a região do Mediterrâneo eram sítios atrasados e semi-desérticos quando comparados com a China.
Talvez devesse ter escrito a nossa cidade.
Luis Lavoura SECULO 15…..?????
Será que Cartago existiu….
Será que o Califado de Cordoba existiu……
E as civilizações Grega e Romana , o MARE NOSTRUM.
Desculpe mas devemos estar a falar de coisas diferentes, os de mares diferentes……
a. pacheco, Você não tem a noção da separação de anos-luz à qual a China esteve do resto do mundo durante quase toda a História.
No século 10, a China tinha 20 cidades com mais de 500.000 habitantes. Em todo o resto do planeta, não havia uma única cidade com 100.000 habitantes.
No século 13, a capital da China tinha dois milhões de habitantes - tantos quantos a Inglaterra toda. Na Europa as maiores cidades tinham menos de um décimo disso.
Os economistas calculam que, no século 15, dois terços do PIB mundial eram produzidos na China. Ou seja, a China sozinha produzia duas vezes mais do que todo o resto do mundo.
Errado Luis Lavoura, Roma no seu apogeu tinha mais de um milhão de habitantes.
Cordova tinha iluminação e uma população bastante numerosa.
Cartago era uma cidade prospera e bastante habitada.
Temos de pensar que na Persia, Persepolis, a cidade que Alexandre veio a conquistar já na sua decadência era uma cidade , aliás como a Babilonia densamente povoada.
Quanto aos ditos economistas do Seculo XV e ao Pib do imperio do meio, não sei em que estudo se baseia, até porque á época seria dificilimo chegar a esse tipo de conclusões, no entanto quando fala no imperio do meio está a referir-se ao periodo da ocupação Mongol?
Se se está é lógico, que um imperio que se estendia das planicies da Mongólia á India, de bastas regiões da Russia ás portas da Europa,que isso fosse consentaneo, com um grande poder economico, lembremo-nos da rota da seda, só que aí não estaremos a falar da CHINA, mas do IMPERIO MONGOL, olhe que há alguma diferença.
Um programa a ver, sem a menor dúvida. O “Mar das Índias”, igualmente da autoria de Portas, era excepcional. Espero que seja mais do mesmo.
Falando das cidades até ao séc. XV, e com a referência a Córdova, há que dizer que a cidade andaluza chegou a ser a maior do mundo há cerca de mil anos, e que Granada não lhe ficava atrás.
E depois havia Bizâncio/Constantinopla e Alexandria, outros exemplos de cidades mediterrânicas que floresceram em diferentes épocas. Sem falar de roma, claro. É possível que a China já na altura tivesse cidades populosas e uma civilização avançada, mas em nada comparáveis à mediterrânica. Vem tudo no Marco Pólo.
Sem dúvida que o programa é bom, mas faltava uma coisa para ser excelente: mapas. Lamento, mas nem todos os telespectadores têm capacidade para situar as cidades antigas sem um auxílio visual. Sugestão: como faz a BBC, à medida que Portas vai falando, vamos vendo um mapinha com as rotas e as cidades assinaladas. Pena passar tão tarde para crianças e adolescentes poderem ver.
Quanto à China, concordo com Lavoura!
Ainda hoje se discute qual delas a maior? Qual a mais populosa? A mais das mais de mais ..quê? Em que campeonato estão?
Ainda estamos a anos luz da luz …infelizmente! Talvez tenhamos sido realmente apagados em memória pela epoca medieval, do antigo ensinamento islão, pouco nos restou …. infelizmente!
MESMO QUE FOSSE EXIBIDO ÀS CINCO DA MANHA FICAVA ACORDADO PARA O VER MAS LAMENTO QUE PASSE TÃO TARDE.