Longe da Ibéria, só agora me chegam novas da polémica em torno da edição de um jornal humorístico espanhol que teve o desplante de representar os príncipes das Astúrias em cenas pouco aristocráticas mas fundamentais para a descendência. Brincava o jornal com o facto de, pagando o Governo de Zapatero por cada rebento pátrio, o aspirante a monarca ter finalmente qualquer coisa que se assemelhasse a um emprego. Um tribunal achou que a coisa ofendia um símbolo pátrio e mandou confiscar o jornal.
O caso causou indignação entre alguns colunistas desta república vizinha. Andam desatentos. Diz o Código Penal português que brincadeiras com a bandeira ou com o hino dão pena de prisão até 2 anos. Todos nos indignamos muito com as censuras alheias, sejam para defender príncipes ou Maomé, mas achamos normal que a prisão esteja destinada a quem resolva ultrajar um bocado de pano ou uma canção. E, no entanto, não deveria haver nada de mais natural do que a liberdade de qualquer cidadão expressar o seu desprezo pelos símbolos de uma nação que não escolheu. Porque nenhuma bandeira pode querer valer mais do que a liberdade. Aqui está um caso em que tiro respeitosamente o chapéu aos Estados Unidos da América. É o único país que conheço em que a bandeira nacional pode ser queimada, pisada e maltratada sem castigo. Isso sim, é uma bandeira que se dá ao respeito.
4 de Ago de 2007
Por Daniel Oliveira 4 Ago 07 em Sem categoria


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