O que se está e irá continuar a passar no Irão é determinante para a estabilidade na região. Determinante para o que irá acontecer no Afeganistão – e por isso também no Paquistão. Determinante para o que vai acontecer no Iraque, na Palestina e no Líbano, e por isso em todo o Mundo árabe. Determinante para o apoio ocidental ao novo governo de Israel. Determinante para a economia mundial, já que se trata de um grande produtor petrolífero e o que ali acontecer vai afectar outros grandes produtores. Mas ontem, quem queria saber alguma coisa sobre o que se passava no Irão teve de esperar, nos três canais de televisão, mais de três quartos de hora. Antes, ficou a saber coisa nenhuma, em intermináveis directos de Madrid para encher chouriço, sobre os 94 milhões de Ronaldo.
Um dos jornalistas enviados pela SIC deve ter dado por isso. Depois de mostrar como assunto era tratado nos jornais espanhóis parou no “El Pais” e disse que o tema não tinha tratamento na primeira página. Acrescentando que isso talvez resultasse de ser um jornal generalista e de não haver, ontem, sobre o assunto, grandes novidades. E quando finalmente chegaram ao Irão, SIC e RTP (a TVI deu mais algum tempo e mais alguma informação), dedicaram-lhe uns 30 generosos segundos para dizer que Ahmadinejad tinha sido reeleito e que havia confrontos em Teerão. Ponto.
Quando todas as pessoas medianamente informadas deixarem de ver os telejornais (incluindo o do serviço público) talvez quem os dirige perceba que fazer alinhamentos informativos a olhar para as audiências é um suicídio a longo prazo. Depois venham explicar que, ao contrário do jornalismo, a blogosfera não é de confiança. Seguramente fico a saber mais do que se passa no Mundo fazendo uma ronda rápida por blogues do que a ver uma hora e meia de telejornal. E isso é triste.
12 comentários 14 Jun 09 em Sem categoria12 respostas ao post “Televisão, uma janela para o recreio”
- 1 Pingback on 14 Jun 2009 às 13:45



Triste ou não….talvez comece a ser a afirmação da blogosfera como alternativa credível às fontes de informação tradicionais!
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Concordo inteiramente com o que disse. A qualidade dos nossos telejornais deixa de facto muito a desejar, mas creio que isso também um reflexo do nível intelectual da maioria dos portugueses. Para estar a par do que se passa no Médio Oriente (e no resto do Mundo em geral) prefiro consultar, não apenas a blogosfera, mas também jornais israelitas e a Al-Jazeera.
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Uma sugestão para quem não tem “cabo”: http://www.livestation.com
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De facto, a Comunicação Social não consegue perceber que a informação, mais que um produto que se compra e vende é um serviço público à disposição da sociedade para que os seus indivíduos tenham fontes fiáveis de informação. A net tem um maior potencial de informação do que a CS tradicional.
Como exemplo enorme da estupidificação em massa e de massas a que a CS tradicional se dedicou, veja-se o ignorar total da repressão que as populações indígenas do Perú estão a sofrer às mãos do governo neoliberal de Alan Garcia. Os indígenas estão a ver o local em que habitam, a selva amazónica, a ser privatizada e a ser entregue às multinacionais e aos interesses económicos capitalistas.
Para quem queira saber mais…
http://pimentanegra.blogspot.com/2009/06/os-povos-indigenas-da-amazonia-resistem.html
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O Daniel Oliveira tem razão, mas a conclusão a tirar não é a do João, mas sim a que está implicita no post. O que a Blogosfera faz é editar. Substitui o director de informação ou lá quem é que dita o que é relatado e com que ênfase. Mas não substitui as fontes que em principio são os jornalistas no terreno.
Por isso é que os jornais e telejornais parecem suicidas: têm meios únicos (e dispendiosos) mas não dão visibilidade ao que esses meios proporcionam. Assim não rendem…
É como uma estação de tv que produz uma série caríssima, a coloca num horário que ninguém vê, não a promove, e depois deixa de apostar na produção porque o publico não está interessado…
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I.Rodrigues, concordo consigo.
O que remete a responsabilidade pelo fogo de artifício da informação (que o Daniel bem ilustra com o caso Ronaldo), para o poder discricionário dos editores ou dos directores de informação nas tvs.
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à muito que deixei de ver os 3 canais generalistas. Salvo a RTP2 que todos criticaram mas que continua a ser um oásis neste deserto comercial. Mais uma grande vitória do PSD contra toda a esquerda pseudo-intelectual.
A verdade é que não existe mercado para os canais existentes, e por isso anda tudo a ver se corre com a publicidade para fora da RTP.
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Totalmente de acordo. Os responsaveis pelos nossos telejornais fazem de nós atrsados mentais. Parecem cada vez mais uma revista cor-de-rosa a mostrar as férias do Ronaldo e as suas amigas. Não há paciência. Quem tiver net e computador ainda se safa, os restantes estão praticamente condenados à ignorância.
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Eu ainda não tinha visto as coisas dessa forma, mas agora que falam nisso, constato, no meu caso, que já não sinto tanto aquela necessidade de ver os telejornais, pois , quando os vejo, já sei tudo sobre as notícias que estão a dar, pois é nos blogues que recolho toda a informação. Com a vantagem de podermos ler opiniões diversas, de pessoas “anónimas”. Isso é bom.
Quanto ao fenómeno ronaldo, nunca me interessou qualquer tipo de informação dele, desde sempre. Não só dele, mas do futebol em geral, pelo que são os canais do cabo, o meu escape ao degradante massacre com que nos bombardeiam a toda a hora. Isso e saber daqui a 3 anos o que vai acontecer. Possivelmente a morte agonizante de alguns jornalistas, paineleiros e outros que tais…
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Concordo com o Daniel Oliveira. A informação televisiva é de uma superficialidade entediante. Parece que os responsáveis não se dão conta de que a internet, com os blogues, o twitter e o youtube os podem substituir, mesmo que tenham menos meios, mesmo que sejam pouco fidedignos. Na verdade a informação televisiva também é pouco fidedigna.
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Concordo totalmente com o teor deste Artigo e também acho a situação actual muito triste, sobretudo quando comparada com a esperança de uma informação livre e de qualidade que o 25 de Abril, primeiro, e a liberalização da tv, depois, nos criou, infundadamente, pelos vistos…
Por outro lado, constato a partir dos comentários uma dependência geral da população ainda muito grande face à informação televisiva (que também já abandonei completamente), pois até parece que só existe o telejornal e a “net”!
Pessoalmente, prefiro informar-me (quase em exclusivo) a partir da RÁDIO (unicamente na TSF), mas parece-me que também ainda existem por aí jornais e revistas, onde a informação tem (em certos casos) bastante mais qualidade do que no “Jornal da Noite” da TVi…
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