
Foto DN Madeira/Arquivo
Para lá do que o Daniel já aqui referiu sobre a notícia de ontem do Público sobre o envolvimento, dado como provado pelo Tribunal da Relação, do vice-presidente da bancada socialista com um “gang internacional”, vale a pena ler as reportagens do Expresso, há coisa de dois anos, para perceber bem o papel de Ricardo Rodrigues num negócio que levou todos os envolvidos, descontando o actual porta-voz do PS contra a criminalização do enriquecimento ilícito, a cumprir pena de prisão.
Nessas operações no exterior, a arguida e os seus colaboradores viajavam em primeira classe e hospedavam-se em hotéis de luxo. Em Buenos Aires, por exemplo, instalaram-se no Sheraton – a mesma cadeia usada por Débora Raposo em Lisboa -, numa suite, durante cerca de dois meses. Simultaneamente, no Funchal, Débora ocupava outra suite, no Savoy, e por sua conta tinha ainda mais um apartamento de luxo no Reids… Durante os anos de 95/96, a arguida nunca usou cheques nem cartões de crédito, pagava sempre em “cash”, mesmo quando as somas eram de centenas de contos. Na operação ‘Buenos Aires’ contou com três ‘assessores’, financeiros e jurídicos, nomeadamente Ricardo Rodrigues, então sócio e procurador da “offshore”, Hartland Holdings, na sociedade Colégio Internacional do Funchal, para quem, e em nome de quem, se procurou um alegado “financiamento externo”. mais informação aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Bem sei que o PS passa a vida a insinuar que os professores ganham fortunas, mas, por mais que uma pessoa se esforce, não há forma de entender como é que alguém, de boa fé, alguma vez pensou que os rendimentos de uma professora do ensino básico pagavam estas actividades e estilo de vida. Uma coisa é certa. Independentemente do que se pense sobre o envolvimento do actual vice-presidente da bancada parlamentar do PS com este gang internacional, Ricardo Rodrigues já provou ter a capacidade de discernimento semelhante à de quem viu as seis temporadas dos Sopranos convencido que Tony era um honesto homem de negócios.
E foi este o homem que o PS escolheu para dar a cara para desancar nas propostas da oposição sobre o combate à corrupção… Porreiro, pá.
PS: O Eduardo Pitta chama a atenção para o engano do Público que, na capa de ontem, indicava que o “líder do PS esteve ligado a gang, diz Relação”. É um erro incompreensível. Tão incompreensível como o post do Eduardo, onde, pretendendo chamar a atenção para a falta de rigor do jornal, incorre ele próprio no mesmo pecado e demonstra ser capaz de uma leitura bastante criativa das notícias.
Não, Eduardo, o processo da Relação não tem nada a ver com um artigo escrito sobre o envolvimento de Ricardo Rodrigues, na “qualidade de advogado de pessoas envolvidas no escândalo de pedofilia de São Miguel”. Não sei como chegou a essa conclusão, mas aconselho-o a ler novamente o artigo. Talvez assim repare que o processo que origina a notícia tem a ver com um caso de enriquecimento ilícito, burla e branqueamento de capitais. Quando se pretende corrigir alguém apresentando um “facto”, convém que o post seja mesmo factual.
2 comentários 21 Dez 09 em Sem categoria



Lá está voce com o seu mau feitio Pedro. O homem concerteza tem uma explicação para tudo isso. Podem não ser robalos ou equipamentos de futebol, mas será alguma coisa do género.
E até aposto que o amigo Sócrates está envolvido.
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