Rui Rio acabou com todos os subsídios camarários no Porto. Menos aqueles que correspondam a compromissos escritos ou verbais. Adoro esta dos compromissos verbais, mas adiante. Os mais delirantes dos neo-liberais, que ninguém com juizo se atreveria a pôr à frente de uma Junta de Freguesia, aplaudiram. Quem deve estar a esfregar as mãos de contente é Luís Filipe Menezes, que, mesmo não sendo conhecido pela sua apetência pelo consumo de bens culturais, tem apanhado tudo o que Rio deixa cair. No fim, quando este desastre que se abateu sobre o Porto acabar o seu mandato, a cidade vizinha será o centro cultural do Norte. Sobra aquilo que Rio não pode destruir – Casa da Música (quase conseguiu) e Serralves. Do ponto de vista cultural, o Porto está a transformar-se numa pequena cidade de província.
Por Daniel Oliveira 7 Nov 06 em Sem categoria


O que pensará Rui Rio da frase: “Quando ouço falar de cultura, puxo logo da pistola”?
Se calhar julga que foi ele que inventou a frase.
Infelizmente, tens toda razão. é deprimente tudo isto.
eu ainda espero que ele chegue a Primeiro Ministro, qq politico que tenha como cavalo de batalha o combate à subsidio dependência tem o meu voto.
e se vocês querem irem ao teatro, paguem !! …arranjem um mecenas que vos patrocine!
num pais com “2 milhões de pobres” considero obsceno como se gasta milhões de euros em “cultura” para gáudio de meia dúzia de intelectuais de treta
Com enorme pena, tenho que subscrever. O Porto está uma enorme merda desde que o energúmeno aterrou na paróquia. Mas é assim e não tem que ver só com a cultura, tem a haver com a merda toda que inundou a cidade. Essa besta é fedorenta.
È preferivel acabar com os subsidios a deixar uma continua massa de pseudo cultura que não presta contas a ninguem subsistir sem um juizo critico(penso que esse tipo de discuções, excepto na nossa parvónia fazem parte do desenvolvimento cultural) .Se um grupo de amigos gosta de um determinado tipo de cultura que a faça ou a vá ver,eu não tenho que pagar repetidamente algo que não tenho a minima hipotese de escolher.o problema dessas elites culturais é que fazem para eles não para quem esta de fora e quem esta de fora paga os seus gostos.Se investirem eles proprios na conquista de publicos,como fazem outras actividades vão ver que começam a ter receitas.O problema é que eles pensam que a sua “arte” não é para todos.então paguem-na
Está visto que Rui Rio enerva a esquerda bem pensante e culturalmente presumida que porventura o teme por ser um provável candidato a bom governante, e, quando é assim, tudo o que faça é alvo de crítica. Se a prioridade de Rio for a subsistencia dos mais desfavorecidos e a habitação destes, faz muito bem em abdicar dos subsidiodependentes, por muito que custe aos letrados bem pensantes, que ousam criticar, mas, se o subsídio saísse do seu bolso prefeririam uma boa dose de caviar ou lagostim. Subsídios são bonitos desde que não saiam do bolso do crítico.
Dez anos atrás o FITEI, o Fantas, o Intercéltico, o Ponti… hoje?
É tristre o que se está a passar no Porto. É tristíssimo ler estes neo-liberais que agora invocam a luta contra a pobreza como prioridade face à cultura, mas que tanto se opuseram ao Rendimento Mínimo Garantido. A cultura, a arte e o teatro em particular - como a educação, a saúde, a justiça, a habitação … - terão que ser considerados uma necessidade básica das populações. É através do contacto com a cultura que podemos crescer quer individualmente,quer colectivamente. É a cultura que nos provoca, que nos interroga e nos faz seres melhores.
“Perdoai-lhes, senhor, porque não sabem o que fazem!”
Não sei se terão de ser consideradas “necessidades básicas”, nanda, pelo menos se falamos do país que falamos, mas são sem dúvida parte indispensável de qualquer país civilizado. e num país sem mecenato (que era o ideal), o estado tem as suas responsabilidades no apoio a criação nacional. quantos aos criterios e aos amigos, isso é um segundo passo e uma outra discussão. o que está em causa é o princípio.
daniel estás enganado numa coisa: quando o rio acabar o mandato, matosinhos será o centro cultural da área metropolitana do porto. aliás, já o é. de resto, o marasmo cultural existente no porto (cidade) é preocupante. salvam-se (e salvam-nos)algumas iniciativas privadas e serralves.
O Porto está, de qualquer forma, a transformar-se numa pequena cidade de província devido à sua enorme perda de população. A população do Porto já hoje é apenas 50% superior à do Funchal.
Vistas as coisas deste prisma, muita sorte têm os portuenses que a sua cidade ainda tenha tanta cultura.