O Parlamento francês resolveu nomear uma comissão para debater um magno assunto: o uso de véu integral no espaço público. A coisa é de uma enorme importância. Afinal de contas, o niqab e a burka são usados por menos de duas mil mulheres num total de cinco a seis milhões de muçulmanos. Ou seja, menos de 0,1% das muçulmanas em França.

O conselho parlamentar é o de proibir o uso destas vestimentas em edifícios e transportes públicos. Segundo a comissão, não se pode permitir que as mulheres sejam obrigadas a tapar a cara. Claro que é difícil determinar as que são obrigadas e as que querem mesmo usar a coisa. Por isso, em defesa da liberdade da mulher, o Estado determina o que pode e não pode vestir a mulher.

Não tenho qualquer esperança de que aqueles que se dizem liberais percebam a contradição de defender a liberdade e pôr o Estado a determinar como cada um se pode vestir. Que aqueles que dizem defender a liberdade compreendam que ela nem sempre nos é confortável. Mas espero ao menos que percebam qual é, tendo em conta o reduzidíssimo número de mulheres que em toda a França usa o véu integral, o objectivo desta encenação.

A recente obsessão pelo véu, mesmo quando não é integral – apesar de em versões diferentes também ser comum entre as judias ortodoxas casadas (no caso, o uso de peruca) e, por exemplo, as freiras católicas -, merecia séria psicanálise. Quando da sua glória passada restam pouco mais do que cacos, sobram estas patéticas demonstrações de testosterona para a França e a Europa encontrarem a sua própria identidade. E este é o campo de batalha de políticos que nada têm a fazer pelo seu povo e precisam, como sempre precisaram os medíocres, de perigos externos.

Disse o presidente do Parlamento: “O véu integral representa de uma maneira extraordinária tudo o que a França espontaneamente rejeita”. Está quase tudo dito sobre o entendimento que um eleito tem da democracia quando fala de rejeições espontâneas. E explicou: “É a bandeira do integrismo extremista”.

É coisa sabida que a simplificação é filha da ignorância – pensa-se que o niqab é anterior ao próprio Islão. Mas não se queixe dos resultados dos seus actos quem faz de uma prática que é excepção entre as mulheres muçulmanas a sua bandeira política pela intolerância. Apenas darão força ao que dizem querer combater. Muito provavelmente muitas muçulmanas que nunca usariam tal coisa terão agora um pouco mais de vontade de o fazer.

A comissão parecia querer ir mais longe e proibir pura e simplesmente o uso do véu em todas as circunstâncias (é provável que o partido de Sarkozy tente chegar aí). Mas tal seria inconstitucional. Contrário, isso sim, aos valores da República. Um ataque a esse valor que eu gostava de acreditar que ainda é europeu: o da liberdade individual. E essa liberdade individual inclui o direito a ser conservador. Posso não gostar. Mas a liberdade dos outros é para isso mesmo: para aquilo que eu não gosto nos outros.

Publicado em stereo no Expresso Online.


105 respostas ao post “Tirar o véu e a liberdade”  

  1. 1 1  DSC

    É pela mesma razão que uma mulher, e já agora um homem, não podem andar sem roupa.

    [Responder]

  2. 2 2  GMaciel

    Está tudo dito, e muito bem, pelo que me limito a susbcrever na íntegra.

    Ou, como era costume dizer-se em assembleias populares, faço minhas as palavras do orador antecedente.

    [Responder]

  3. 3 3  Socrates

    Se eu entrar num banco com a cabeca tapada, o que sera’ que as pessoas vao pensar e como sera’ que os segurancas vao agir?

    Ate’ quando algum iluminado verificar que os veus ate’ sao tolerados agora e usar isso a seu favor para esconder a sua entidade no crime que esta’ prestes a cometer, sendo bastante facil ver-se livre da sua vestimenta e continuar com a que tem por baixo, sem grandes hipoteses de ser identificado?

    Todas as pessoas devem andar em publico de forma a poderem ser identificadas, havendo as excepcoes (proteger a cara do frio, calor, quando se tem ferimentos, etc). Ainda ha tempos num programa acho que da SIC Noticias se via um lobbyista do veu islamico nos hospitais ingleses que em publico e’ moderado e em privado confidencia que o objectivo e’ tomar conta disto tudo.

    Eu nao me importo com os muculmanos moderados que valorizam valores como a Liberdade, Fraternidade e Igualdade, nao mais que com os cristaos e hindus que partilham desses mesmos valores. Preocupo-me isso sim que haja radicais que usem esses valores como desculpa para espalhar as suas ideias retrogradas e criminosas.

    As mulheres que usem o lenco, agora veu completo, nao obrigado, que se habituem porque a Europa nao e’ a Arabia Saudita e outros paises com lei islamica e ainda bem.

    Ainda bem tambem que a Franca tenha uma lei que permite julgar cidadaos franceses ou pessoas que vivam em Franca por certos crimes cometidos fora do pais, o que torna mais facil apanhar aqueles que vao para paraisos sexuais explorar menores mas tambem quem leva transporta outras pessoas para outros paises por forma a serem submetidos a praticas desde o apedrejamento, excisao feminina, amputacao, etc.

    Voltaire disse “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”, nao disse que defenderia ate’ ‘a morte o direito da pessoa concretizar o que prega.

    [Responder]

    Helder Reply:

    Nesse caso vamos proibir as barbas e óculos escuros? E proibimos só nos Bancos ou em todo lado? Ou proibimos os barbudos de andar com óculos escuros? Ou proibimos quem usa óculos escuros de deixar crescer a barba? E barba ,óculos e chapéu de pala?

    Socrates Reply:

    E’ mais facil obter a fisionomia da cara de uma pessoa a partir de uma imagem de uma pessoa com barba e oculos escuros que de alguem com mascara.

  4. 4 4  Manolo Heredia

    O que está em causa é a possibilidade de alguém poder ou não andar com a cara tapada em espaço público. O resto é mistificação.
    Quem não que mostrar a cara não sai à rua!

    [Responder]

    LR Reply:

    Claro que não é isso que está em causa. Ou alguém se lembrou de proibir as máscaras anti-gripe?

  5. 5 5  A. Dias

    Parece-me que o assunto é abordado de forma simplista.
    Em primeiro lugar, a proibição proposta do uso do véu integral (integral, note-se) não é absoluta; é limitada a locais e serviços públicos.
    Depois, apesar de uma eventual “reserva mental” dos deputados da maioria, há uma evidente coerência com o princípio de laicidade da República; uma proibição paralela do uso do solidéu judeu ou de “cruzes grandes” e ostensivas já existe em em circunstâncias e casos semelhantes.
    Terceiro, a questão não se põe só em França, embora aí, dada a tradição republicana, ela assuma formas mais radicais. A questão põe-se em Inglaterra, na Espanha, na Bélgica e, pasme-se, no Egipto onde, recentemente, o Imam da Universidade do Cairo proibiu o uso do niqab durante os exames.
    Por muito que se não queira, o uso do véu integral é uma manifestação de extremismo religioso, um símbolo de discriminação e repressão da mulher.
    Basta conhecer as considerações dos teólogos e comentadores do Corão que lhe são favoráveis (que não são a totalidade).
    Já agora, cocordo que a “liberdade individual inclui o direito a ser conservador”; mas penso que uma mulher muçulmana apenas conservadora se limitaria a cobrir a cabeça e só uma extremista (ou vítima de homens extremistas…) aceitará cobrir o corpo todo, incluindo a face..
    Por último, falar em “recente obsessão” é distorcer a realidade. O problema foi levantado em França há cerca de 20 anos, durante o primeiro mandato de Mitterrand e durante o Governo da União de Esquerda.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    “uma proibição paralela do uso do solidéu judeu ou de “cruzes grandes” e ostensivas já existe em em circunstâncias e casos semelhantes.”

    Foi só nas escolas. E mal, muito mal.

    Daniel Oliveira Reply:

    Mesmo que seja verdade que seja “uma manifestação de extremismo religioso” (coisa que, essa sim, me parece um pouco simplista), também o são as autoflagelações de alguns católicos e nem por isso eu acho que devem ser proibidas.

    Gostei da parte em que define o que uma mulher conservadora faria. Tapar o cabelo não é sinal de conservadorismo nenhum. Conheço muçulmanas laicas e progressistas que nem casadas são, que trabalham e vivem do que fazem, que usam lenço. Muitas vezes como simples afirmação da sua identidade cultural.

    “o Imam da Universidade do Cairo proibiu o uso do niqab durante os exames”
    É verdade. As razões pelas quais o fez, e que tratarei no texto que estou a escrever sobre Gaza, é que são muito pouco nobres. São as memas que o levaram a apoiar o muro de Gaza, para espanto de quase todos os egípcios: agradar a Mubarak e à sua ditadura. As coisas às vezes são menos simples do que parecem.

    20 anos é recente.

    A. Dias Reply:

    Exactamente: as coisas às vezes são menos simples do que parecem.
    Também gostei (e concordo) que tapar o cabelo não é sinal de conservadorismo nenhum; muito menos o é usar o niqab.
    Não quero usar qualquer argumento de autoridade mas invoco alguma experiência sobre e em países islâmicos. E não há volta a dar-lhe: o uso do véu integral é, objectiva e (na maior parte dos casos) subjectivamente um sintoma, uma consequência e um símbolo da opressão sobre a mulher.

    LAM Reply:

    “E não há volta a dar-lhe: o uso do véu integral é, objectiva e (na maior parte dos casos) subjectivamente um sintoma, uma consequência e um símbolo da opressão sobre a mulher.”

    Esta questão não se pode pôr nesses termos. Se vamos por aí podemos dizer o mesmo das mulheres que não fazem topless na praia.

  6. 6 6  José Bastos

    Eu e os meus amigos termos o hábito de andar encapuzados na rua. No outro dia o Chico precisou de ir levantar 600 euros ao banco e pediu-nos para o acompanhar porque estava com medo de ser assaltado. Achámos normal, com a malandragem que prá’í anda…
    Mal entrámos no banco os clientes ficaram brancos com a cal e desataram aos gritos, o caixa quis-nos dar o dinheiro que tinha, todo desarrumado, num saco, e sem o respectivo talão!…ficámos a a olhar uns para os outros…
    De repente começou a tocar um alarme e pensámos logo que havia um fogo!
    Entrámos em panico e fugimos, cada um para o seu lado. Mas o pior ainda estava para vir.
    Já na rua, em plena cidade da Amadora, fomos perseguidos, aos tiros, pela GNR.
    Enquanto corria pensei; “Queres ver que os gajos ainda acham que fomos nós que pusemos o fogo!?…”

    Por acaso a história até teve um final feliz. Como conhecemos bem a zona conseguimos escapar à bófia e refundimo-nos em casa, mas só por mera sorte é que ninguém se aleijou.

    No dia seguinte soube pelos jornais que tinha havido uma tentativa de assalto ali na zona. Razão tinha o Chico, que isto não está para brincadeiras…

    [Responder]

    João Reply:

    Não há como uma história bem contada para se perceber o cerne da questão. Porque raio a discussão vai para o campo religioso?
    O problema é de segurança, não tem que ser discutido como uma medida de libertação de quem quer que seja. Na nossa sociedade (e não só) é a nossa cara que nos identifica, por esse motivo quando não queremos ser identificados pomos bigode óculos perucas etc…

    PS. Já agora já pensaram como é fácil vestir uma farpela daquelas, por um lança granadas por baixo e ir resolver os problemas de governo deste pais?

  7. 7 7  Paulo barata

    Não tenho dúvidas que a avançar a proibição no uso do dito véu integral, um dos resultados muito em breve será o elevar a tal percentagem de 0,1 % das islâmicas que actualmente seguem a prática;

    Um abr e garnde post de entrada, cujo conteúdo e sentido partilho totalmente.

    Paulo

    [Responder]

  8. 8 8  nuvens de fumo

    Daniel Oliveira,

    Acho que fiquei mais ou menos convencido , mudei de opinião sobre a burca, depois de ter ficado aqui a pensar uma hora sobre o tema. mudei de campo :)

    De facto, não será pela proibição que derrotaremos esta interpretações extremistas.

    Vou fechar para remodelação de pensamento :) , este tema fascina-me : é simples na formulação mas de difícil análise, pelo menos para a minha mente…

    [Responder]

  9. 9 9  Helder

    Se descobrirmos que alguns homens obrigam as mulheres a usar saias ou o cabelo comprido devemos proíbir as saias e os cabelos ou lutar pelo direito das mulheres decidirem o que vestir e como pentear as melenas?

    Quanto á questão de segurança já larguei o bitaite mais acima , mas deixo mais uma pergunta.
    Quantos assaltos foram cometidos com falsas burcas ou véus? e quantos com outro tipo de disfarces ?

    [Responder]

    cafc Reply:

    Meu caro Hélder

    Então para a questão da segurança, lá vai mais um “bitaite”, este de carácter extremista:

    Passa a ser obrigatório o traje natural, ou seja, como “viémos ao Mundo”. Toda a gente será obrigada à depilação total. Assim:

    1- Seremos todos, facilmente, identificáveis;

    2- Será, extremamente, dificultada a posse de armas, qualquer que seja o fim a que se destinem;

    3- Não haverá mais queixas (ou desculpas) de alguém ter sido “enganado por um travesti”.

    O frio que esta medida pode provocar será compensado pelo “alívio do Verão”. Com a vantagem económica de, nos dias de chuva, podermos levar o sabonete na mão. Duche natural.

    Uma lei desta natureza só precisa de 1 artigo:

    “Toda a (não) nudez será castigada”.

    Um abraço.

  10. 10 10  umignorante pergunta

    Uma pergunta incómoda, mas…

    Quantas mulheres muçulmanas não serão obrigadas pelos pais e maridos a usarem a burka?

    Como alguém já disse, a proibição visa apenas os espaços públicos -a escola, por exemplo – nos quais as mulheres terão a liberdade de não usar burkas. Dá que pensar?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    E os transportes públicos, por exemplo. E Sarkozy quer ir mais longe.

    Nuno Reply:

    E quantas mulheres ciganas são obrigadas a vestir preto enquanto viúvas? Proiba-se também o luto imposto por terceiros.

    José Reply:

    “Proiba-se também o luto imposto por terceiros.”
    Nuno, ninguém pode obrigar ninguém a vestir-se de preto. Para sua informação já é proibido.

  11. 11 11  João Costa

    Para o Daniel, o rosto, como marca distintiva entre os seres humanos, que lhes confere, entre outras coisas, dignidade própria, é coisa de somenos importância, que ao abrigo de preceitos religiosos, deve poder ser sujeito a restrições de exibição em público, preceitos esses impostos pelos mais fortes.

    Pois para mim, para além de uma série de outras razões, entre as quais as de segurança, não aceito que alguém possa ser obrigado a anular-se como ser humano, só porque uma qualquer tradição religiosa o impõe.

    Pelas mesmas razões que defende a liberdade do uso do véu integral, o Daniel devia aceitar a excisão do clitóris como prática de uma determinada comunidade, desde que isso fizesse parte da tradição. O argumento de que se trata de uma imposição intolerável por parte dos “mais fortes”, não colhe, já que o mesmo se pode aplicar à obrigatoriedade do uso do véu. No limite, e mesmo que possa parecer absurdo, haverá mulheres para quem tal mutilação faça sentido.

    Por fim, obrigar alguém a tapar o rosto, não deixa de ser também uma forma de mutilação.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    João Costa, nuna falei da tradição. Se acha que tapar a cara é equivalente à excisão (que pela enésima vez nada tem a ver com questões religiosas), estamos conversados sobre a importância que dá à excisão.

    João Costa Reply:

    Daniel, eu dou importância às duas coisas. O Daniel, é que parece não querer perceber.

    Já agora, é capaz de citar alguma passagem do Corão, em que esteja inscrito o preceito da obrigatoriedade do uso do véu integral por parte das mulheres?

    Eu sei que a excisão não tem directamente a ver com preceitos religiosos. O mesmo acontece com a obrigatoriedade do uso do véu, que no fundo não andarão muito longe uma da outra nos objectivos: subjugar as mulheres. Percebeu agora?

    Daniel Oliveira Reply:

    Eu não falei de religião. Até desmenti essa ideia, dizendo que é anterior ao Islão. Quem referiu a religião foi o Presidente do Parlamento francês.

    Nuno Pinto da Cruz Reply:

    Estou de acordo a maior parte do que afirma o João Costa.

    A lei deve proteger os mais fracos de tradições impostas pelos mais fortes. é abusivo falar recorrentemente de liberdade, porque os mecanismos sociais são muito mais complexos. A lei pode causar efeitos perversos, mas o tema não se presta a absolutismos.

    João Reply:

    A subjugação das mulheres é anterior ao Islão e ao cristianismo, mas dizer isso não implica que estas religiões não contribuam para que essa subjugação se mantenha. Porque, como é óbvio, no dia em que as sumidades religiosas decidirem que a burka é uma palhaçada o seu uso extingue-se em pouco tempo.
    Por acaso ninguém se lembra do tempo em que as mulheres portuguesas tinham de usar lenço nas igrejas? E não é óbvio que esse lenço era transportado para o espaço público com pretextos de proteger o cabelo?

  12. 12 12  Nuno Pinto da Cruz

    Não percebo como é que se pode relativizar a importância do porte da burqa, apesar de eu ser contra a proibição pela razão que o Daniel apontou no penúltimo parágrafo. é evidente que é uma bandeira do integrismo islâmico. é evidente que é a anulação da individualidade que se reflecte, antes de mais, nos traços físicos do nosso corpo. Voluntária ou não.

    Assumir a burqa como um acto livre é a interiorização da repressão. Se quisermos levar ao extremo, nunca nenhum membro de uma seita dirá que não é livre.

    De resto, o problema é antes de mais de segurança pública: uma mulher de burqa não é reconhecível e vários problemas se levantam na vida de todos os dias, desde ir ao banco até ir buscar os filhos à escola.

    Reduzir o problema à glória passada da França e a perigos imaginados é um insulto a todo o trabalho de defesa das mulheres muçulmanas que é levado a cabo como associações como a Ni putes ni soumises. Por outro lado, basta ver a quantidade de ameaças de morte ao imã de Saint-Denis que é contra o porte da burqa para perceber que o assunto ainda é, apesar de tudo, importante.

    De resto, não existe nenhuma contradição entre, por exemplo, defender a liberdade e proibir o uso do véu nas escolas. Da mesma maneira que a direita francesa usa e abusa do eleitoralismo, também a esquerda, na sua febre de relativismo, esquece que nem sempre o perigo se reduz a essa mesma “liberdade” absoluta. Como se não existissem proselitismos, relações de poder, violência social.

    [Responder]

  13. 13 13  José

    Volto à questão que referi há uns meses. O uso do véu integral ou de burka é um claro indício de violência doméstica (psicológica e/ou física).
    Não sendo proibido, então cada caso devia desencadear uma investigação, pois a violência doméstica é um crime público.

    De resto, concordo que tão grande ou maior atentado à liberdade é não poder andar nu ou parcialmente nu em em público.

    O outro argumento de uma pessoa ter que mostrar a cara em público em vez de se esconder, não só por questões de segurança, também não me parece errado. Viver em sociedade implica algumas regras. Cuspir para o chão é punido por lei. Há vários argumentos a favor dessa proibição, sobretudo civilizacionais. Há também diversos argumentos a favor de não se esconder a cara em público, sobretudo civilizacionais.

    Discordo do argumento de dizer que são poucas as mulheres que usam o véu integral, como tal não deve ser proibido, pois irá aumentar. Então e se não for proibido e mesmo assim o número crescer muito? Proibimos então nessa altura?
    Os números não devem interessar muito para esta discussão. É mais uma questão de principio e qual a melhor forma de garantir a liberdade individual (e creio que o véu integral é muito mais uma demonstração de falta dela do que dela)

    De resto isto é uma questão que, como tantas outras, não há soluções perfeitas. Há que respeitar e tentar compreender os argumentos do “outro lado”. Estar a colocar as decisões como óbvias, não serve de muito. Não o são.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    “Volto à questão que referi há uns meses. O uso do véu integral ou de burka é um claro indício de violência doméstica (psicológica e/ou física).”
    Lamento informa-lo que, ache o que achar do véu integral (e eu também acho algumas coisas) essa afirmação, para qualquer pessoa que conheça bem os países muçulmanos, é um disparate absoluto. Há imensa violência doméstica em países em que as mulheres se vestem de forma bastante ousada. Não há qualquer relação entre as duas coisas. Há violência doméstica e desrespeito pelas mulheres na maioria dos países muçulmanos e nas comunidades mais conservadoras (usem a roupa que usarem). Não desminto isso. O que fará esta proibição contra isto? Rigorosamente nada. Aliás, tenho visto entre os maiores defensores desta proibição alguns dos que mais firmemente se oposeram à violência doméstica como crime público. Ironia.

    Gostaria é de saber, se a argumentação vai ao absurdo da nudez, se posso, para vos poder acompanhar, defender a proibição das saias até aos pés. Pelo menos no verão. Que tal ficarmos pelo debate normal?

    Nunca disse que deveria ser proibido se aumentar. Disse apenas o óbvio: que aumentará por ser proibido. E que quem o quer proibir se está nas tintas para isso. A razão do seu combate é outra, como salta a vista pelo pormenor de serem as correntes políticas que menos activas são na defesa dos direitos das mulheres aquelas que tanto se dedicam a esta causa. Porque será?

    José Reply:

    Não acho o argumento da nudez um absurdo. É uma questão de princípio. Não afecta a liberdade dos outros. Não devia ser proibido. No entanto, a sociedade ainda não está em condições de a aceitar. O véu e a burka seria a mesma coisa, em principio não afecta a liberdade dos outros, por isso não deve ser proibido. No entanto, acho que afecta a própria liberdade de quem o usa. Como não há relação? Qual é a base de sustentação para o uso da burka? Não é uma colecção de um costureiro, a base está toda escrita, dita e defendida, basta ler e ouvir.

    Claro que há mulheres que usam mini saia e sofrem de violência domestica. Mas muito mais dificilmente se relaciona a violência doméstica (e digo desde a tenra idade, não só na relação matrimonial) com a mini-saia, do que com a burka.

    Estar a levar isto para “correntes políticas”, não vou por aí. Numa discussão, só quando não há argumentos é que se refere a “qualidade” das pessoas que defendem posições contrárias.

    Daniel, acho que tem razão em grande parte da sua defesa da não proibição do véu. Acho é que também há argumentos muito razoáveis em sentido contrário. Lamento que não veja nenhum.

  14. 14 14  Nuno Pinto da Cruz

    “é evidente que é uma bandeira do integrismo islâmico.”

    Antes que o Daniel Oliveira diga que a burqa é anterior ao Islão, uma coisa não impede a outra. A burqa foi apropriada pela religião, como toda uma série de tradições e costumes: o Islão tem traços culturais e políticos profundos.

    Não é o mais importante saber se a burqa nasceu antes ou depois de Maomé, mas as razões pelas quais é hoje o seu porte enraizado e instrumentalizado.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Antes não, já o disse. Leu o texto?
    Enraizado? É usada por menos de 200 mulheres em quase 3 milhões em França. E o niqab por pouco mais de 1.700. Está é enraizado na propaganda, como símbolo de um combate político que nada tem a ver com as mulheres. Porque entre as muçulmanas é uma excepção. Tornem a questão no centro de um debate identitário e o niqab e a burka (são coisas diferentes, coisa que tenho percebido que a maioria das pessoas, jornalistas incluidos, desconhece) e eles passarão a ser importantes para os muçulmanos. Agora são raros, como provam os números em França: quase seis milhões de muçulmanos, pouco mais de 1900 mulheres os usam. Sim, está a ser instrumentalizado. Por quem tenta aprovar esta lei, por exemplo.

    Nuno Pinto da Cruz Reply:

    Li o texto, por isso é que queria sublinhar o facto que conheço esse argumento. Quando falo de enraizado refiro-me às raízes afgãs, machistas e patriarcais da burqa, embora Olivier Roy afirme que é uma reinvenção recente do movimento salafista.

    Não conheço a validade dos números relativos a França, embora já tenha visto burqas em Bruxelas (niqabs nunca). Elas existem.

    Como já referi antes, não nego as razões eleitoralistas do UMP e do governo francês. Estou totalmente de acordo com o Daniel. Por outro lado, os políticos que conheço melhor (os franceses e os belgas) fecham frequentemente os olhos às correntes islamistas por razões eleitoralistas.

    é injusto dizer que este é um combate político que nada tem a ver com as mulheres, porque o porte da burqa é a ponta de um icebergue complexo que muitas feministas elegeram como terreno de luta.

  15. 15 15  Nuno Pinto da Cruz

    “Nunca disse que deveria ser proibido se aumentar. Disse apenas o óbvio: que aumentará por ser proibido. E que quem o quer proibir se está nas tintas para isso. A razão do seu combate é outra, como salta a vista pelo pormenor de serem as correntes políticas que menos activas são na defesa dos direitos das mulheres aquelas que tanto se dedicam a esta causa.”

    Isso não é verdade, Daniel. Existem muitas e muitos feministas a favor da proibição.

    [Responder]

  16. 16 16  Dazulpintado

    Deixem-se de tretas, o véu não prejudica ninguém, terá tendência a desaparecer com o tempo e as mulheres que se sentirem oprimidas lutarão concerteza contra ele. Há quarenta anos, as viúvas da província vestiam-se de preto, cobriam o cabelo e não saíam de casa durante um ano. Hoje há mais viúvas alegres em Paris do que burkas na A. Saudita. Deixem cada um viver como gosta e na luta pelos direitos das mulheres comecem por ser justos com aquelas que vos estiverem mais próximas.

    [Responder]

    Nuno Pinto da Cruz Reply:

    Se tudo fosse assim tão simples…
    As novas gerações são mais radicais e a tendência não é para que o véu desapareça. O ideal seria cada um viver como gosta, mas esse ideal ainda parece muito longínquo.

    http://www.bivouac-id.com/2010/01/27/belgique-menacee-de-mort-karima-lutte-contre-le-voile-et-pour-les-droits-des-femmes-video/

  17. 17 17  Vicente de Lisboa

    …Mas a que propósito é que os “liberais” são chamados a esta história?

    Será que o Daniel quer mudar o significado de “liberal” para “conservador democrata cristão”?

    [Responder]

    Não Interessa Reply:

    Não, acho que o que o Daniel quis dizer foi que os “liberais” se encarregam disso e até com assinalável eficácia.

  18. 18 18  larissa

    Eu tenho tb que ter o direito de ver quem me vê.

    [Responder]

  19. 19 19  Sonso

    Sempre muito coerente esta esquerda de salão. A seguir ao 25 de Abril queriam acabar com o uso do soutien porque diziam que era um simbolo da opressão machista…agora entusiasmam-se com a defesa das burkas.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Diga lá quem é que queria acabar com o uso do soutien. Isto não é só mandar postas de pescada. Venha daí um qualquer facto que lhe permita afirmar tamanha barbaridade.

    Sonso Reply:

    Não me diga que nunca ouviu falar nas feministas queimadoras de soutiens. Não vai concerteza dizer que o feminismo queimador de soutiens não é, ou não foi, uma das componentes importantes da esquerda “Moet et Chandon”.
    E tambem por cá elas tentaram avançar nesse sentido….lembra-se da queima de soutiens no Parque Eduardo VII?

    Daniel Oliveira Reply:

    Em Portugal? É um mito urbano. Nunca aconteceu.

    Sonso Reply:

    Se aconteceu o acto em si ou não é irrelevante. O espirito era esse, como qualquer feminista esquerdista desse tempo, e o BE deve estar cheio delas, lhe pode explicar. Volto a referir ser ironico que os herdeiros espirituais das queimadoras de soutiens do passado andem agora com estas conversas das burkas.

    Daniel Oliveira Reply:

    A questão é que se queimaram soutiens, mas se se queimaram ou não é irrelevante.

    Sonso Reply:

    Se não se queimaram fisicamente….queimaram-se, de certeza, espiritualmente.

  20. 20 20  chapeleiro louco

    esta lei a proibir determinadas vestimentas é tão ridícula e tão abjecta como aquela iniciativa sobre a lei da blasfémia.

    afinal são ambas atentados à liberdade de expressão, e a ideia que eu sempre tive de uma sociedade livre, pluralista e inclusiva não era esta.

    no outro dia estava a falar com uns amigos catolicos e não é que eles concordavam com a lei da blasfémia!?
    entao pego na minha carteira olho para o dinheiro que tenho lá dentro e pergunto: sabem aquela piada da freira e da prostituta?

    está tudo louco, deviam era gastar tempo e energia a combater o fenomeno de mutilação genital que acontece no mundo e mais recentemente na europa.

    [Responder]

  21. 21 21  mário borges

    Correndo o risco de ser demasiado radical a coisa é assim:

    A religião tem de se submeter à lei geral de um estado democrático e não pode cercear direitos fundamentais e garantias de liberdade de circulação. Se agora aparecer uma religião que advogue o direito de andar com a genitália à mostra nós temos de concordar? E se depois der na telha de outra andarem todos em escafandros isso tem de ser tolerado? Onde é que pára o abuso de um crente e o direito a que todos os cidadãos circulem livremente independentemente da religião?
    Ou agora tudo o que um islâmico quer fazer pode e se for um cristão já é dogma?
    Não andarão por aí demasiadas pessoas com receio de um Bin qualquer lhe meter uma granada no correio?
    A manifestação religiosa como é óbvio tem de ter limites. Já basta a liberdade “financeira” que foi dada a certos cultos e é vê-los por aí a esfregarem milhões na cara do comum dos cidadãos comprando rádios, televisões, seguradoras e etc…
    Uma religião não é nem pode ser um “paraíso fiscal e moral”…

    [Responder]

    AP Reply:

    “E se depois der na telha de outra andarem todos em escafandros isso tem de ser tolerado?”
    Isso não é proibido.

    “Ou agora tudo o que um islâmico quer fazer pode e se for um cristão já é dogma?”
    Quem é que quer proibir a vestimentas dos católicos? O próprio post fala dos véus das noivas como algo perfeitamente aceitável.
    Esta proibição é que tem dois pesos e duas medidas.

    “Uma religião não é nem pode ser um “paraíso fiscal e moral”…”
    Fiscal concordo.
    Moral, não é o Estado que tem que decidir sobre isso.

  22. 22 22  cafc

    Subscrevo, inteiramente, o texto do Daniel Oliveira.

    “Há coisas extraordinárias, não há?”.

    Cada vez é mais recorrente a frase “menos Estado, melhor Estado”. Que é utilizada por sectores bem definidos no plano “ideológico”. E não venham dizer que se referem, exclusivamente, à Economia.
    São esses sectores que querem ver o Estado a interferir, cada vez mais, na liberdade individual dos seus cidadãos. Curiosamente, ou talvez não, no campo das proibições:

    1- Mantenham-se as proibições já existentes;

    2- Arranjem-se novas proibições.

    Os que, em Portugal, afirmavam que o casamento homossexual não era prioritário, pertencem à “família” política dos que, em França, querem legislar sobre uma questão da “mais premente prioridade”. Com uma “pequeníssima” diferença. Em Portugal, tratava-se de permitir. Em França, trata-se de proibir.

    Na mesma França da “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.
    Com notícias destas, a minha “costela anarca” voltou ao “Maio de 68″.

    “É proíbido proíbir!”.

    [Responder]

    cafc Reply:

    Digamos que é assim uma “espécie de parte II”.

    A primeira foi “política”. Esta é da área da saúde.

    O Daniel utilizou a palavra psicanálise. Que, como é sabido, constitui uma das partes integrantes da saúde mental.

    Depois do que se tem dito e escrito sobre a pandemia da “gripe A”, talvez pudéssemos reflectir um pouco sobre isto.

    É muito provável que estejamos sob a ameaça de uma nova pandemia, com origem na “nossa querida Europa”, através de organizações “político-partidárias”.

    1- O 1º caso foi detectado na Suíça, com a proibição da construção de minaretes;

    2- O 2º caso foi detectado na França, com o assunto que motiva este post do Daniel Oliveira.

    Podemos estar perante um “vírus psicótico” que se transmite por vias audio-visuais, orais e escritas, “afectando” um número significativo dos cidadãos comuns.

    Estabelecendo o paralelo com a “gripe A”, estaríamos perante um caso inicial de “vírus suíço”, posteriormente designado como “vírus X” (de xenofobia).

    Para bem da Humanidade, desejo que esta nova ameaça tenha o mesmo fim da outra. Só que, para o “vírus X”, a única vacina depende de cada um de nós.

    1-

  23. 23 23  nuvens de fumo

    Daniel Oliveira,

    Uma questão: a identificação destas mulheres pode ser feita por um polícia sem a presença do marido , certo?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Pode. Assisti a isso mesmo no aeroporto de Bruxelas. E com a presença do marido também. E é costume. Aliás, se não sabem, na identificação destas pessoas elas aparecem da cara descoberta. Talvez seja bom algumas pessoas que opinam sobre estas matérias terem alguma noção da realidade em vez de se basearem em mitos urbanos.

    nuvens de fumo Reply:

    Deveríamos era obrigar da cabeça para baixo o uso de lingeri La Perla : )

  24. 24 24  DSC

    É curioso toda esta história. Há uns tempos atrás, os guardiões da moralidade insurgiram-se contra o acesso de pessoas na igreja sem ser com trajes, mais ou menos, decorosos. Decorosos nos termos estabelecidos pela Igreja. Isto foi um posterior chorrilho de indignação etc. Uma minoria, tal qual diz o DO, quer usar burka, e todo um estado social tem de baixar as calcinhas, porque, onde antes a emancipação das mulheres foi uma vitória da sociedade, todos aqueles que vivem de uma forma diferente no seu país, imigram, e as pessoas do país que os acolhe têm de dizer que sim.. Porque sim. Porque é uma vitória da liberdade. Ai sim? como diziam os turcos: Não gostam? sempre podem voltar.

    [Responder]

    AP Reply:

    Os “guardiões da moralidade” queriam proibir as pessoas de usarem os trajes que lhe apeteçam, exactamente como agora estes querem proibir as pessoas de usarem os trajes que lhe apeteçam.

    “Porque é uma vitória da liberdade.”
    A vitória da liberdade é a proibição da escolha da roupa pessoal. Boa vitória essa.

    DSC Reply:

    AP, leia o que escrevi. Eu não escrevi: “Os “guardiões da moralidade” queriam proibir as pessoas de usarem os trajes que lhe apeteçam”, mas sim os guardiões da moralidade insurgiram-se… (figura de estilo: ironia). A mesma figura de estilo usada na vitória da liberdade.

    Segundo ponto, e eventualmente a mais importante. Que eu saiba, a sociedade francesa (sociedade no sentido de ter existido um percurso com mais ou menos liberdades, ao longo dos séculos, nas pessoas) não têm um único antecedente islão ou outro na sua história. Se a sociedade francesa não quer que se use Burqa (que não faz parte da sua história), em LOCAIS PÚBLICOS, ou se não está preparada para aceitar esse uso então deve avançar no sentido de proibir, tal como resolveu avançar com a proibição do uso de outra indumentária de outras religiões, incluindo a católica.

    Se o DO está tãããão preocupado com o que se passa em França (?????) (bem longe deste cantinho), então que fique preocupado com as leis “modernas e sofisticadas” dos países onde as pessoas não têm outra hipótese se não usar burka (também bem longe deste cantinho). Se você for lá, adapta-se ou leva nos cornos. Se eles vêm cá só têm de se adaptar. Ou é toda uma sociedade que tem de se adaptar a novos costumes no seu próprio país.

    DSC Reply:

    Até porque, como eu vi em algumas discussões no casamento gay (que não tem nada a ver com isto), se as pessoas votaram com partido socialista, e se o partido socialista tinha no seu programa é porque se revém no seu programa. Se as pessoas votaram em sarkozy, ainda que não esteja no programa, votaram porque confiam que ele dê resposta aos problemas da sociedade. Se ele acha que é um problema, que resolva.

    Não me lembro de terem perguntado aos meninos da direita se queriam ou não um casamento gay..

  25. 25 25  J Claro

    É obvio que o uso da burka e também a sua proibição são actos carregados de simbolismo. Independentemente de algumas considerações válidas e objectivas eu prefiro mergulhar nas minhas raízes culturais e deixar-me levar pelo meu instinto. Não gosto do que a burka representa.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    E gosta do que a proibição representa? É que é essa a questão. Eu não gosto do que imensas coisas representam (um exemlo: o cilício) e nem por isso as quero proibir.

    nuvens de fumo Reply:

    O cilício ou o cirílico ?
    :S
    é que um elemento ( com s by the way ) não tem culpa de nada . loll

    Daniel Oliveira Reply:

    Nem silício, nem cirílico, que um alfabeto ão em culpa nenhuma. Cilício. Com “c”, by the way.

    nuvens de fumo Reply:

    Escapou-se-me essa palavra.

    J Claro Reply:

    Ora aí está DO. se a pessoa quizer autoflagelar-se nos seus domínios, nada com isso, mas em público já é outra coisa. Algumas regras não fazem mal. Às vezes apetece-me passar um sinal de stop mas os outros carros não me deixam. Porra para as proibições.

    Daniel Oliveira Reply:

    Quero proibir a gravata. Acho que ela é um sinal de submissão. Pode ser? Tem que haver algumas regras.

    J Claro Reply:

    Isso não é sério. Estou-me borrifando para a história da gravata e outras. Eu até consigo compreender o perigo de algumas proibições que podem abrir caminho a outras. Mas tentemos ver por outro prisma. As permissões seguramente vão abrir caminho a outras permissões, estes avanços são premeditados e planeados. Temo que se houver cedências aqui, mais ali ainda teremos quem sabe, tribunais islamicos, etc. (parece que já os há, clandestinos, em Paris). Está claro que o governo Francês está a actuar com isto em mente. Só lamento que seja um governo de direita a fazê-lo porque será sempre considerado politicamente incorrecto. Objectivamente e friamente é assim. Lá se foram os meus instintos.

    AP Reply:

    Porque é que as permissões têm de abrir caminho a outras?
    O problema desta proibição não é poder levar a outras, é ela própria já ser abusiva.

    J Claro Reply:

    Chegados aqui estamos bloqueados. A decisão que se tomar agora sobre o assunto vai projectar-se no futuro. Iremos ver as consequências dessas decisões nos países que proibiram e nos que não proibiram. Os princípios são muito bonitos mas esbarram por vezes na realidade. É a natureza humana.

  26. 26 26  Lisboeta

    Nada me move contra o Islão, até porque nem tão pouco professo qualquer credo religioso. Mas há uma coisa que se chama respeito pela cultura dos outros povos. Por isso, quando as mulheres ocidentais visitam países de índole islâmica é natural usarem um lenço na cabeça. Isso é bastante comum de se ver em jornalistas / repórteres televisivas. E eu acho muito bem. Nada tenho a contrapor.

    Mas acharia muito mal que as mulheres ocidentais tivessem que usar esse adereço por força da lei local. E, se calhar, é o que acontece na Arábia Saudita, no Iémen, etc. Sinceramente, não sei… (*) Assim, por coerência de princípios, só posso discordar que a lei francesa queira obrigar as mulheres islâmicas a tirar o niqab e a burka.

    No entanto, e se virmos bem as coisas, julgo que deveriam ser as próprias mulheres islâmicas a não o usarem, quanto mais não fosse por respeito para com a cultura dos países que as acolhem. É que, na realidade, ninguém as obrigou a ir para França ou para qualquer outro país ocidental. Se não querem respeitar os hábitos locais, poderão sempre regressar ao seu país de origem.

    O multiculturalismo é muito bonito nas suas intenções, mas parece-me estar cada vez mais assente numa lógica de limitação dos direitos dos locais em função dos direitos dos forasteiros. E é isto que tem vindo a alimentar a clientela eleitoral da extrema-direita europeia. Só não vê quem não quer…

    Mas em vez de todo este folclore, talvez o poder francês devesse deixar as mulheres muçulmanas em paz e estar muito mais atento à crueldade que está a montante dos restaurantes de carne “halal” que alastram por toda a França e, acima de tudo, aos tribunais da “sharia”, cada vez menos clandestinos em território francês.

    (*) Caso assim seja, tenho pena de nunca ter visto nenhum comentador da nossa praça a insurgir-se contra tal ditame.

    [Responder]

    Pãozinho de Cristo Reply:

    mas para o daniel oliveira “o respeito da cultura dos outros povos” é sempre só num sentido.

    para ele a “nossa” cultura não vale nada.

    acho muito bem que o uso da burca seja proibida.

    quantas não serão as mulheres obrigadas a usar essa porcaria?

    Daniel Oliveira Reply:

    Não falei em cultura de outros povos, falei em liberdade.

    Lisboeta Reply:

    Então em nome da Liberdade, vamos aceitar tudo o que nos quiserem impôr, mesmo que se trate de algo que vá contra os direitos pelos quais muita gente morreu a lutar.

    Então em nome da Liberdade, vamos deixar que judeus e muçulmanos façam com os animais para abate as carnificinas que bem entenderem.

    Então em nome da Liberdade, vamos permitir que – em território europeu e à total revelia dos sistemas de justiça dos países de acolhimento – a sharia imponha junto dos fiéis muçulmanos uma justiça sem quaisquer direitos para os potenciais arguidos.

    Então em nome da Liberdade, vamos cedendo até que a liberdade se esfume…

    AP Reply:

    Não. Vamos proibir *todos* de fazerem os seus próprios julgamentos, à revelia da lei geral.

    E vamos permitir a *todos* usarem a roupa que entendam.

    Não devemos criar leis especificamente para este ou aquele grupo. Se não são gerais não são justas.

    Pãozinho de Cristo Reply:

    “Não falei em cultura de outros povos, falei em liberdade.”

    olhe que liberdade é coisa de liberais. para si é mais ditadura do proletariado.

    Pãozinho de Cristo Reply:

    “E vamos permitir a *todos* usarem a roupa que entendam”

    AP, olhe que não estamos aqui a discutir a colecção da casa channel para a próxima estação.

    e caso não tenha percebido a burca não é uma tendência para o próximo inverno.

    é um SÍMBOLO da submissão feminina. mas claro, isso não interessa nada.

  27. 27 27  nuvens de fumo

    LOLLLLLLLLL

    [Responder]

    nuvens de fumo Reply:

    confusão de caixas de comentário, LOL era para o cilício do Daniel.

  28. 28 28  Teixo

    Para a identificação, exige-se sempre a visibilidade do rosto. Porque razão se há-de permitir a burka se a mesma impede aquele acto?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Já respondi: todas as mulheres que usam niqab mostram a cara quando assim é necessário, como ainda há poucos dias pude verificar no aeroporto de Bruxelas, sem que tal lhe fosse sequer pedido.

    Pãozinho de Cristo Reply:

    porreiro, pá!

  29. 29 29  António Viana

    Aos Zés, Daniéis, Manuéis, Mários, Manolos, Nunos e Joões

    Onde andam as três Marias quando são precisas?

    [Responder]

  30. 30 30  chapeleiro louco

    agora apareceu-me uma dúvida.

    as crianças de pais muçulmanos tambem jejuam…

    esta situação deve ser vista do ponto de vista do superior interesse da criança?

    todos sabemos que, mesmo que os pais sejam jeovas, o médico deve fazer a transfusão de sangue para proteger a criança dos delirios dos pais. e neste caso?

    [Responder]

    Pãozinho de Cristo Reply:

    neste caso temos de respeitar os valores culturais dos outros povos.

    chapeleiro louco Reply:

    cristo,

    não tem nada que ver com respeito pelos outros povos, é uma pratica religiosa…

    eu sei que o jejum é facultativo para as crianças, mas se os pais imporem aos menores?

    AP Reply:

    Muçulmanas?
    http://www.escoladominical.net/forum/viewtopic.php?f=4&t=4247

    Para mim, todo aquele que puser em perigo a saúde das crianças deve ser julgado por isso, independentemente¹ da sua religião.

    ¹ E isto é que é importante.

    Sonso Reply:

    E a circuncisão por motivos religiosos? Devem os pais judeus continuar a ter, num estado laico, o direito de continuarem a impô-la aos filhos?
    Não seria de proibir essa prática?

    chapeleiro louco Reply:

    se puser a integridade da criança em perigo sim, que remédio.

    até vou mais longe eu sou contra a endoutrinação que os pais fazem, mas isso é mais uma questão de bom senso do que lei.

  31. 31 31  Pãozinho de Cristo

    eu nem sei o porquê de a violência doméstica ter passado a ser crime público.

    afinal as mulheres espancadas deveriam ser livres de poder apresentar queixa contra o agressor ou não.

    [Responder]

    chapeleiro louco Reply:

    sim que usar um bocado de roupa a mais é equivalente a levar uma coça….

    Pãozinho de Cristo Reply:

    bocadinho de roupa?!!!! a sua ignorância não tem limites.

    chapeleiro louco Reply:

    caro amigo,

    algumas freiras tambem usam rituais medievais. os sikhs tapam o cabelo. os hindus usam pintas. alguns cristãos pregam-se a bocados de madeira com formato de cruz, outros andam com argolas com picos, mas com os picos virados para o lado errado.

    e não vou proibi-los.

    se a pessoa não for forçada, e estamos a falar nesses casos, a usar a burqa não vejo porque não.

    para mim, e como já deve ter reparado, cada tolo a sua mania, e a burqa é simplesmente um bocado de tecido.

    e quem forçou a semelhança entre usar burqa e levar uma porrada foi você.

    aliás se compreende-se o medo e o desespero de uma mulher agredida que muitas vezes as leva a silenciar os casos de abusos, teria vergonha na cara.

    repare, eu não me importo que as pessoas andem com mantos a imitar fantasmas, mas a conversa muda quando decidem atirar paralelos uns contra os outros. há uma grande diferença.

  32. 32 32  Fado Alexandrino

    Parcialmente de acordo com as ideias do senhor Daniel Oliveira.
    Algumas mulheres, e não só as muçulmanas, deviam usar burka, outras pelo contrário deviam ser incentivadas a usar roupa muito ligeira, quase nenhuma.
    Devia haver até um Instituto Público para decidir em caso de dúvida.
    A haver eu devia ser presidente.
    Escusam de empurrar, a ideia foi minha.

    [Responder]

  33. 33 33  Fado Alexandrino

    A propósito da burka carta que o Minstro enviou a uma cidadã preocupada, Se fosse cá podia por esemplo ser enviada ao senhor Daniel Oliveira.
    Com licença:


    Obrigado pela sua recente carta exprimindo a sua profunda preocupação a propósito da sorte dos terroristas da Al Qaida capturados pelas forças canadianas, transferidos de seguida para o governo afegão e presentemente detidos pelos seus oficiais nos centros nacionais de reagrupamento de prisioneiros no Afeganistão.
    A nossa administração toma este assunto muito a sério e a sua mensagem é recebida com muita atenção aqui em Ottawa.
    Ficará feliz de saber que, graças à preocupação de cidadãs como a senhora, criámos um novo departamento na Defesa Nacional, que se chamará P.L.A.R.A., isto é, «Programa dos Liberais que Assumem a Responsabilidade pelos Assassinos».

    De acordo com as directrizes deste novo programa, decidimos eleger um terrorista e colocá-lo sob a vigilância pessoal da senhora.
    O seu detido particular foi seleccionado e será conduzido sob escolta fortemente armada até ao domicilio da senhora em Toronto a partir da próxima segunda-feira.
    Ali Mohammed Ahmed bin Mahmud (poderá chamar-lhe simplesmente Ahmed) será tratado segundo as normas que a senhora pessoalmente exigiu na carta de reclamação.
    Provavelmente será necessário que a senhora recorra a assistentes. Nós faremos inspecções semanais a fim de nos certificarmos, com a mesma firmeza da sua carta, de que Ahmed beneficia realmente dos cuidados e de todas as atenções que nos recomenda.
    Apesar de Ahmed ser um sociopata extremamente violento, esperamos que a sensibilidade da senhora ao que descreve como o seu «problema comportamental» o ajudará a ultrapassar as suas perturbações de carácter.
    Talvez a senhora tenha razão quando descreve estes problemas como simples diferenças culturais.
    Compreendemos que tenha a intenção de lhe proporcionar conselhos e educação ao domicílio.
    O seu terrorista adoptado é temivelmente eficaz nas disciplinas de close-combat e pode dar fim a uma vida com objectos simples, tais como um lápis ou um corta-unhas.
    Aconselhamo-la a não lhe pedir para fazer uma demonstração durante a próxima sessão do seu grupo de yoga.
    Ele é igualmente especialista em explosivos e pode fabricá-los a partir de produtos domésticos. Talvez seja melhor que a senhora os guarde fechados à chave, salvo se considerar (segundo a opinião que exprime) que isso o possa ofender.
    Ahmed não desejará manter relações com a senhora ou com as suas filhas (excepto sexuais), na medida em que considera que as mulheres são uma espécie de mercadoria sub-humana.
    É um assunto particularmente sensível para ele, que é conhecido por manifestar reacções violentas em relação a mulheres que não se submetem aos critérios de vestuário que ele recomenda como mais próprios.
    Estou convencido de que, com o tempo, virá a apreciar o anonimato que oferece a burkha. Recorde que isso faz parte do «respeito pelas crenças religiosas», como escreve na sua carta.
    Mais uma vez, obrigado pelos seus cuidados. Apreciamos bastante que cidadãos nos indiquem como fazer bem o nosso trabalho e ocupar-nos dos nossos congéneres.
    Tome bem conta de Ahmed e lembre-se de que a observaremos.
    Boa sorte e que Deus a abençoe.
    Cordialmente,
    Gordon O’Connor
    Ministro da Defesa Nacional

    [Responder]

  34. 34 34  Luís de Aguiar Fernandes

    Andas imaginativo, ó Daniel! Mas espera, onde é que eu vi essa imagem? Ah, já sei, foi no meu blog, num post sobre o mesmo assunto escrito no dia anterior! Olha aqui: http://corta-cola-bloga.blogspot.com/2010/01/liberte-egalite-fraternite.html

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Eu via-a no google, quefoi provavelmente o autor do post também o encontrou.

    João L. Reply:

    E está também noutros 49 sites:
    http://www.tineye.com/search/f3f5bd7eb2e043bf6347e0d44fff83b0102dd141

  35. 35 35  mancha negra

    «Não tenho qualquer esperança de que aqueles que se dizem liberais percebam a contradição de defender a liberdade e pôr o Estado a determinar como cada um se pode vestir.»

    A questão de fundo é, direitos e deveres (cujo conceito o Daniel Oliveira se olvida concomitantemente), eu tenho o dever de mostrar a minha identidade na rua, diga-se, rosto.

    Não é por coincidência que os assaltos se alheiam a esta regra e usam sempre a omissão do rosto (identidade).

    Usar véu ou não é indiferente, não me confunde o turbante ou o véu (só o véu), confunde-me sim a cobertura do rosto e, pior, a ideia que é um atentado à liberdade a quem quer andar com o rosto tapado…

    Eu se quiser usar um gorro de assalto ou uma meia na rua, decerto que sou abordado pelo agente da autoridade não acha Daniel?

    [Responder]

  36. 36 36  Antonio Cunha

    Aqui não existe duvidas.

    Então esta malta que defende os gays, o aborto, o direito ao divorcio e sei lá mais o quê dentro da nossa sociedade “capitalista”, vem agora defender os direitos e a cultura dos povos àrabes, bla bla bla wiskas saquetas ????

    Isso é conversa da treta, e sabem bem disso. Aliás só defendem esses principios porque lhe dá jeito.

    Uma mulher é uma mulher aqui e em teerão. Por isso esses argumentos não colam. O direito a serem livres é o mesmo aqui e lá.
    E não me venham com tretas de serem elas a quererem o uso dos veus. Elas são obrigadas a isso, e levam a bela da lavagem cerebral.

    Que raio de humanistas são estes que só na europa civilizada é que vale defender as “gaijas”

    Eu imagino o que dirão as amigas jugulares do Daniel sobre este assunto !!!!

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Vá ler o jugular.

  37. 37 37  Luis

    Em desacordo com o DO sobre este tema. A proibição em espaços públicos é um mal-necessário para garantir a “liberdade” dessas mulheres ao que lhes é imposto pela família / marido / etc.

    Tendo que optar entre a imposição da família / marido ou a do Estado francês, mal por mal é preferível esta última.

    Claro que este assunto não é preto vs branco e se quiseremos extrapolar o mesmo raciocínio para outros cenários chegaremos a ideias absurdas.

    [Responder]

  38. 38 38  GROMA

    A liberdade/indiferença tende em tornar-se uma regalia e não um estado de direito.

    [Responder]

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