
Foto: TPA/Associated Press
Na imagem vemos Emmanuel Adebayor após o ataque da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda. Ao acompanhar as notícias reparo como, a esta distância, acabo por dar maior importância a todo este incidente precisamente em função das lágrimas de Adebayor. Haverá nisto, talvez, uma empatia selectiva para com as vítimas do terrorismo, no caso, um sinal evidente da comoção acrescida incitada pelo “efeito celebridade”. Não sem absurdo, o facto é que a fama de Adebayor acaba por relevar em dois sentidos: porque a circunstância de o ver jogar há anos confere-me uma sensação de familiaridade, no fundo dá-me a presunção de que o conheço; porque a súbita vulnerabilidade de um “herói mediático” acaba por encenar mais claramente a nossa própria vulnerabilidade aos contingentes desmandos da perfídia.
O triste facto é que a FLEC terá conseguido os seus objectivos: a selecção do Togo prepara-se para regressar a casa, a CAN dificilmente será lembrada por outra coisa e a publicidade pretendida foi mais que alcançada.
20 comentários 10 Jan 10 em Sem categoria



a FLEC só faz o mesmo que fizeram o MPLA a UNITA
e a FNLA. Como deu resultado a FLEC mantém a sua luta contra o colono.
Acho que nada mudou, pois antes de ganharem os outros movimentos de libertação também eram apelidados de terroristas.
Quando cabinda for independente a FLEC fará a mesmas asneras do MPLA…
É A VIDA…
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triste facto porquê?
há que tomar partido. Quem alinha passivamente em esquemas de corrupção sujeita-se às consequências, ao aceitar representar-se e ganhar imagem ou dinheiro tendo como pano de fundo uma oligarquia do tipo da angolana. Como disse o comentador anterior a FLEC já era um movimento de libertação como os outros antes do colonialismo europeu ter abandonado Angola. Sairam uns, entraram outros piores ainda pq o kimbundo ainda é mais algoz para outros negros que considera inferiores e aos quais tenta escravizar (por isso lá diz o ditado angolano: “lerpas que nem um cabinda”) – a luta permaneceu. Pq não negociaram com eles? pelos mesmos motivos que Salazar também não negociou. Compromissos com as petroliferas oblige.
sempre a favor do mais fraco
cumpr. amistosos
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José Peralta Reply:
Janeiro 11th, 2010 at 12:55
xatoo-(2)
O seu cérebro, está completamente obnubilado por uma tara, desculpe, quero dizer, pelo seu “fervor revolucionário”, não está ?
(Antes que despeje 2 toneladas de adjectivos e teorias, saliento que é uma pergunta, não uma afirmação…)
Sendo as grandes marcas tão zelosas com a pureza das suas imagens, o que se pode dizer da PUMA cujo logótipo é bem evidente na camisola de Emmanuel Adebayor e se calhar no corpo do atleta que morreu???
Por outro lado, quantos Angolanos morrerão diariamente ás mãos de… sem que isso seja noticia??
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Qual a diferença entre a FLEC e a ETA, por exemplo?
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Os tipos da FLEC também são muito modernos. Já sabem usar aqueles argumentos muito fundamentados, muito lógicos, que derrotam qualquer outro argumento: “nós não queríamos atacar a selecção do Togo!”
Ai, não? E atacaram?
E reparo que por aqui não se dá muita importância quando criminosos atacam inocentes.
Foi mais fácil do que atacar o exército angolano. Quem tem cu tem medo.
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Atentado à parte (pode ser verdade que visava a polícia), não entendo como se pode ser anticolonialista e, simultaneamente, defender a ocupação (e opressão) de Cabinda por Angola. Talvez seja ignorância acerca do processo histórico.
Cabinda até na constituição de 1933 era referida como um território à parte. Era um protectorado português (Tratado de Simulambuco). Só passou a ser “Angola” com o Tratado do Alvor. Os movimentos de libertação de Cabinda combateram o colonialismo português e continuam a combater o colonialismo angolano (não é por não serem brancos que não são colonialistas). Qualquer comparação com a ETA é abusiva: Angola não é uma democracia e os cabindas não são angolanos.
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JDC Reply:
Janeiro 10th, 2010 at 23:01
“Qualquer comparação com a ETA é abusiva: Angola não é uma democracia e os cabindas não são angolanos.”
Ora nem mais. Seria muito mais justificavel a luta armada da FLEC do que a da ETA. No entanto, as simpatias não são distribuidas desta maneira…
subcarvalho Reply:
Janeiro 12th, 2010 at 17:21
E quem vos disse que os bascos são castelhanos? Seria de bom tom uma primeira travessia na história do país basco e só depois afirmar determinadas conjecturas, sob pena de se dizerem disparates…
Como deu resultado a FLEC mantém a sua luta contra o colono
Os senhores deculpem-se, sou branco e fui colonizador.
Que agora os pretos também o sejam causa-me profunda interrogação.
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A “vitória” de qualquer ataque terrorista está sempre assegurada pela publicidade que gera, mesmo no fracasso.
Curioso, no caso deste ataque, é que não se comente que possa ter tido também motivações racistas.
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Meu caro Bruno
Se bem entendi o teu “post”, é um apelo a que não nos esqueçamos que, como seres humanos, não devemos “disfarçar” que somos sensíveis.
Sim, resumindo e, contrariando uma ideia ainda hoje muito arreigada, os homens também choram.
Sobre a questão política, talvez volte. Por agora, apenas a minha homenagem a todas as vítimas de todos os terrorismos.
Um abraço.
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Entendo que é possível condenar o ataque sem que com isso estejamos a tomar uma posição política, seja em relação às reivindicações independentistas de de cabinda, seja em relação ao regime angolano. No post, limito-me condenar o ataque e a lamentar as vítimas inocentes que causou.
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Cafc, a questão terá mais a ver com o facto de sermos diferentemente sensíveis às vítimas de terrorismo em função dos diferentes graus de proximidade e ide dentificação que estabelecemos com elas
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Pura e simplesmente um acto condenável. A selecção do Togo nada tem a ver com Cabinda. O Togo não coloniza nem oprime Cabinda. O desporto não deve ter nada a ver com política.
Este acto é um grande golpe para os independentistas de Cabinda. Apenas motiva os angolanos para os reprimirem ainda mais. E como bónus põe a opinião publica mundial do lado dos angolanos.
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para quem não sabe, convem fazer uma busca nas memorias que se vão perdendo…
A FLEC é uma construção do tempo da guerra colonial, promovida pela PIDE como forma de minimizar a acção dos movimentos de libertação angolanos.
Actualmente existe quase uma facção da FLEC para cada membro da dita…
O atentado é um desastre.
Para além da tragédia humana, fica a destruição de um esforço do governo angolano de promover um país, que após dezenas de anos de guerra, procura agora reabilitar-se.
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Sr. Martins:acabou de chegar e uma das primeiras coisas que fez foi cortar um comentário de que não gostou,apenas porque lhe criticava a incipiência da escrita e alguma dificuldade em transmitir ideias numa prosa com alguma qualidade.O sr Martins,grande democrata,pelos vistos, parece convencido de que censurando,melhor,cortando tais críticas(quantas outras já terá cortado?)ninguem dá pelas suas mazelas e a sua canhestra escrita fica escorreita,talvez até deslumbrante.O sr martins gosta de se enganar a si próprio e não tem o sentido do ridículo.Mostra ser um covardolas,incapaz de enfrentar,e não percebe que a única forma de evitar que lhe vergastem as orelhas(mesmo aqueles que por piedade não o façam visivelmente)é deixar de escrever “coisas” ou meter explicador.Vá,corte lá mais esta,seu desgraçado.
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Coincidência ou aviso?
India, Angola to get big stake in Iran gas project:
http://www.presstv.ir/detail.aspx?id=112655§ionid=351020103
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Se existem guerrilheiros inteligentes, estes concerteza não pertencem ao tal restrito grupo.
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Geograficamente Cabinda não é Angola. É apenas um território anexado. Não houvesse tanto dinheiro angolano nos nossos meios de comunicação e o conflito de Cabinda teria tido mais destaque. Em Cabinda houve uma situação de guerra e tanto a selecção do Togo como a organização angolana sabiam do que se passava e por isso houve a escolta policial. A situação prevista foi parecida com a mesma que não deu segurança para a realização do Dakar há algum tempo em que havia perigo de ataques.
Nos tempos que correm, chamar a este tipo de ataques terrorismo é, se calhar, muito forte. Nessa lógica todos os movimentos anti-colonialistas eram terroristas e até a resistência francesa o seria.
Quanto ao resto, se Cabinda não tivesse petróleo, certamente que há muito seria independente. Falta-lhes o reconhecimento internacional e uma cara para a luta deles. Talvez o reconhecimento chegue agora. Espero que sim. É merecido.
E por favor, não venham com as tretas hipócritas de homem branco civilizado, todos cheios de pena dos que morreram… nenhum dos civilizados homens brancos vai perder muito tempo ou muitas linhas para lá da fachada dos jogos e perceber o que passa o povo angolano que não faz parte das elites. Estes jogos angolanos não estão muito longe de Berlin dos anos 30, e em Cabinda alguém se lembrou de Munique dos anos 70. Simple as that!
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