

Como muitíssimo bem escreve hoje o Rui Tavares no “Público” a greve da fome de Aminatu Haidar, resultando do desespero e da derrota quase absoluta, consegue inverter a relação de poderes. A fraqueza extrema torna-se forte, porque transporta para os outros o sofrimento do oprimido. A força do outro torna-se uma fraqueza porque o exibe como ele é: impiedoso e brutal.
É partindo desta ideia que a negação intransigente da violência como arma política pode ser ganhadora. Como o militarismo ou a “violência revolucionária”, também o pacifismo perde muitas vezes. É muitas vezes ineficaz. Mas, nos momentos certos, ele pode ser uma arma temível. Com duas vantagens em relação à violência política: provoca sofrimento apenas aos próprios e mantém a superioridade moral em relação ao adversário. Ao contrário do que pensa alguma esquerda (e quase toda a direita), o pacifismo não é nem moderado nem desistente. Ele é profundamente radical – transporta no processo os seus fins – e terrivelmente exigente.
Já nem comento a cegueira táctica e a boçalidade política de quem se alegrou com a agressão a Berlusconi. Apenas registo a pobreza moral de quem olha para acção política como uma simples forma de descarregar a frustração da derrota. Pouco interessa o que se conquista desde que o nosso inimigo sofra. Olhando para Aminatu Haidar conseguimos experimentar o seu exemplo, a sua força, a sua exigência, a sua resistência e a sua superioridade face ao ocupante marroquino e ao cinismo europeu. Olhando para a agressão a Berlusconi conseguimos apenas sentir o embaraço de ver o agressor transformado em vítima e a vítima transformada em agressor.
Esta é a razão profunda porque sou pacifista. Porque o pacifismo e a não-violência é a mais revolucionária das formas de intervenção. Aquela que nega ao adversário o papel que ele reserva aos que oprime. Aquela que se nega a si própria o papel que é, por natureza, do opressor. Escrevia Brecht: “Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.” A conhecida frase, que é extraordinária e acertada, já foi usada para justiçar todas as arbitrariedades. Mas, na realidade, a radicalidade só poderia estar em transbordar as margens para não arrastar tudo o que se encontra pela frente. Está em negar às margens o poder de determinar a nossa própria violência.
Carlos Vidal por ele próprio: “O meu apreço por estes actos de “dementes” (mas dementes lógicos, pá) aproxima-me de uma circulação fluxista e energética proto-fascista (como aqui alguém debitou sobre um dos meus textinhos) que muito me agrada. É pois nessa ligação entre proto-fascismo e comunismo que eu trabalho.” Já tinhamos dado por isso. E ainda não perdi a esperança de, nessa “circulação fluxista e energética”, o ver passar para o lado de lá e deixar de fazer estragos no lado de cá.
Já o Renato resolveu seguir o seu novo mestre e dar-nos, veja-se bem, uma aula (nesta vida temos de estar preparados para tudo) de literatura revolucionária ou uma aula revolucionária de literatura. Como me acusa de “exorbitar o conteúdo de um poema” (coisa grave, já se vê) acrescentei um “Mas, na realidade, a radicalidade só poderia estar” antes de “em transbordar as margens para não arrastar tudo o que se encontra pela frente”. Talvez assim, com tudo mesmo muito bem explicadinho, consiga salvar a humanidade de mais aulas de literatura vindas do Renato. E juro nunca mais exobitar. Não exorbitarei.
68 comentários 14 Dez 09 em Sem categoria68 respostas ao post “Transbordar as margens”
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Daniel Oliveira:
Já pensou que talvez Jesus Cristo seja o seu ídolo (oferecer a outra face)?
Acho que a coragem de Aminatu Haidar iria ter vergonha se soubesse que anda a servir de argumentário para uma certa esquerda justificar o injustificável.
Gostava que fosse passear o seu pacifismo para um cenário de guerra civil, repressão, ou para a tão por si visitada Gaza. Aliás, se tivesse tido o azar de nascer num dos bairros periféricos de Lisboa com muito pouco dinheiro e a pele mais escura, já teria tido a oportunidade de pôr na prática esse seu pacifismo com o Corpo de Intervenção e os Serviços de Intervenção Rápida Deve ser muito útil. Não a um turista como você, mas a quem vive em situações dessas. Você é uma inspiração para todos os oprimidos e lutadores…
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 14th, 2009 at 15:50
Filipe, a Aminatu Haidar assume-se como pacifista e partidária da não-violência. Não vejo como poderia ter vergonha disso.
Há pacifista em Gaza. Conheço alguns. Posso apresenta-los e o senhor explica-lhes que são uns idiotas.
Meu caro Daniel
Um texto “pacificamene violento”. Agora, não há dúvidas que foi Brecht o autor da frase que citaste.
O que escreveste é, para quem o queira entender, uma “lição” de humanismo.
Citando Luís Cilia: “Contra a ideia da violência, a violência da Ideia”.
Um abraço.
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O governo italiano prepara-se para atacar o Indymedia e outros sites devido à exaltação do acto de ontem por parte dos users:
Il governo è all’attacco dei siti internet che in queste ore stanno esaltando il gesto violento e sconsiderato di un uomo psichicamente labile, contro il presidente del Consiglio, Silvio Berlusconi. Il ministro del Pdl per le politiche comunitarie, Andrea Ronchi, ha chiesto l’oscuramento dei siti web e dei social network “in cui si inneggia alla vigliacca aggressione subita dal presidente Silvio Berlusconi. E’ scandaloso e moralmente inaccettabile – ha detto – ciò che stiamo leggendo in queste ore: si tratta di espressioni vergognose. E’ ora di dire basta ai seminatori d’odio e a chi vuole instaurare in Italia un clima da guerra civile”.
napoli.indymedia.org/node/11211
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já agora Daniel, condena o ataque ao Berlusconi ou não condena?
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 14th, 2009 at 16:40
Anom, mas isso é sequer pergunta que se faça? Leu os meus posts? Foi uma pessoa com disturbios mentais que o agrediu. Nem politizo sequer o caso. Condeno é os que festejam este acontecimento ou os que o aproveitem para seu benificio. Quem agrediu, suponho, será inimputável.
DO,
a Aminatu Haidar também diz que ELA é pacifista, mas em relação à Frente Polisário põe todas as hipóteses em aberto (inclusive a guerra). Porque será? Digo, que a coragem dela sentiria vergonha de andar a servir de argumentário para você atacar quem ficou contente com a porrada que o Berluscas levou (portanto, um grande parte dos italianos também). Ou seja, não acho legítimo o paralelismo que faz. Percebeu?
Sim, sei que há pacifistas em Gaza. E então? Também há muitos anti sionistas em Israel, inclusive gente (israelita) que é contra a existência do Estado de Israel. Posso-lhe apresentar-lhos e o senhor explica-lhes que são uns idiotas, está bem?
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 14th, 2009 at 16:44
“a Aminatu Haidar também diz que ELA é pacifista, mas em relação à Frente Polisário põe todas as hipóteses em aberto (inclusive a guerra). Porque será?”
Se concordamos que ela é pacifista não vejo como e pode envergonhar por outros pacifistas usarem o seu exemplo.
Quanto à Frente Polisário, opta, e bem, por não querer determinar a acção de uma organização com a qual é solidária, mas não é membro.
Não acho que os que quem Israel defendem o Estado palestiniano sejam idiotas. Pelo contrário.
Os que falo são os que, vivendo em Israel, defendem que não exista Estado de Israel. Ou seja, não é bem igual a defender o Estado Palestiniano como o senhor faz. E sim, do que sei o senhor acha que quem defende esta posição é idiota.
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 14th, 2009 at 16:51
Filipe, os irsaelitas que conheço e são contra a existência de Israel são-o por razões religiosas pelas quais duvido que tenha grande simpatia. Os activistas que conheço defendem em paz e seriam a favor de um só Estado se considerassem que havia condições para isso. São por dois Estados por razões práticas que me parecem razoáveis. Aliás, o mesmo acontece no campo palestiniano.
Razões práticas!!! Essa é boa!
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Em relação à Aminatu Haidar, você faz uma transplantação de exemplos para reforçar o seu ponto de vista. Não acho legítimo. Só isso.
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 14th, 2009 at 17:30
Filipe, apenas usei dois casos para ilustrar a minha defesa do pacifismo. E isso serve também de resposta à Mariana. São dois exemplos, nada mais.
Daniel,
sejamos humanos. Um acto isolado de agressão não pode ser comparado a uma forma de luta que embora levada a cabo por uma mulher tem por trás toda a resistência de uma comunidade, e que terá por fim mais provável a sua morte e não um par de dentes partidos.
Por isso, não exageremos o compreensível regozijo por ver o berlusconi a apanhar porrada – a única leitura política desse regozijo é a consciência generalizada de que foi merecido (e para a maioria dos regozijantes achar que alguém merece levar com uma catedral no focinho será certamente uma situação excepcional, que só realça a gravidade – e a violência, que não a há só física – dos actos do alvo em questão).
Não costumo moldar os meus sentimentos em prol dos eventuais ganhos políticos para terceiros. e é disso que estamos a falar: do sentimento de que há justiça neste acto imbecil.
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Quanto à Frente Polisário, opta, e bem, por não querer determinar a acção de uma organização com a qual é solidária, mas não é membro.
Fiquei um bocado confuso.
Então podemos apoiar um grupo revolucionário que actua pela força das armas matando aqueles que considera opressores manifestar-lhes a nossa solidariedade, mas como não somos membros continuarmos com as mãos limpas de sangue?
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 14th, 2009 at 18:14
Fado, a Polisário abandonou a luta armada há séculos. É um movimento independentista.
São, na minha opinião, maus exemplos para ilustrar uma má estratégia.
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Daniel, toda a gente de bom senso tem de concordar com o que voce escreveu. Ninguem no seu juizo perfeito é a favor da violencia, mas dai ao pacifismo vai um passo largo… Infelizmente ha causas que não se resolvem com greves de fome e a historia diz-nos isso mesmo (citando Obama).
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Hum… Hum… Digamos…
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“Esta é a razão profunda porque sou pacifista. Porque o pacifismo e a não-violência é a mais revolucionária das formas de intervenção.”
Poderei deduzir então que face à barbárie nazi o Daniel optaria pela não violência?
Pessoalmente prefiro o realismo de Barack Obama: “For make no mistake: evil does exist in the world. A non-violent movement could not have halted Hitler’s armies. Negotiations cannot convince al Qaeda’s leaders to lay down their arms. To say that force is sometimes necessary is not a call to cynicism – it is a recognition of history; the imperfections of man and the limits of reason.”
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PJ, qualquer princío absoluto é absurdo. Qualquer relativismo absoluto em relação às circunstâncias também.
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As reacções das vítimas da opressão, que cada vez mais só podem contar com elas próprias, não se compadecem com exemplos morais por muito nobres que sejam. E porque é de pessoas que estamos a falar, há um politicamente correcto e vias nobres e respeitadoras que vão às malvas quando não dá mais para aguentar o desespero e a arrogância do poder se torna insuportável. Aí, se organizadamente não houver respostas, serão cada vez mais os free-lancers a tomar iniciativas. Os exemplos multiplicam-se por esse mundo fora e, naturalmente, um dia chegarão a Portugal. Talvez nesse dia o “centrum” descubra que lhe escapou qualquer coisa e que afinal para as vítimas da fome, do desemprego, da arrogância, do desprezo, não bastavam meia dúzia de conferências, e-petitions, boas prosas e uns jogos florais para as causas fracturantes.
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A alegria de muitas pessoas por este acto é, LAM, uma confissão de derrota. Não o acto – haveria sempre alguém capaz de o fazer – mas a satisfação que ele provoca em gente que já não confia em ninguém para fazer frente a Berlusconi.
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The SPLA’s armed units are considered to have a manpower of possibly 6-7,000 active soldiers today
É para fazerem guardas-de-honra?
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 14th, 2009 at 20:28
São um Estado, fado. Reconhecido pela ONU. Têm militares, como seria de esperar.
Por mim está coberto (em várias camadas até!) de razão, e tiro o meu chapéu, perante o seu texto.
…mas já agora faço minha a pergunta de “pj”(p/ curiosidade).Eu p/ mim, penso que o pacifismo é a resposta certa, em todas as situações.É só ver pensar em gandhi, p/ex.º.
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“Qualquer princípio absoluto é absurdo. Qualquer relativismo absoluto em relação às circunstâncias também.”
Vamos supor que é vegetariano por convicções filosóficas profundas. Se eventualmente estivesse a morrer à fome e só tivesse carne para comer é razoável defender que o princípio não fosse aplicado para assegurar a sua sobrevivência. Mas salvo estas circunstâncias excepcionais os vegetarianos não comem carne e alguns não utilizem nenhum artefacto derivado de animais.
Na sequência deste raciocínio gostava de lhe perguntar que tipo de pacifismo defende? Por exemplo, sustenta que o Estado português deva abandonar a NATO e eliminar as suas forças armadas? Vender o seu material bélico e manter somente forças policiais para efeitos de segurança interna? E se algum estado estrangeiro nos ameaçar ou atacar? Como sustenta neste caso o seu pacifismo?
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 14th, 2009 at 21:29
PJ, sou contra a existência da NATO, por isso a resposta fica dada automaticamente. Fiz a tropa mas hoje considero-me objector de consciência. Sou anti-militarista e pacifista. Mas a minha posição sobre a existência da NATO nem tem nada a ver com tudo isto. A NATO é hoje um bloco militar ofensivo. De resto, não faço esse exercício “e se….” A minha posição ficou clara: a defesa de princípios nunca é absoluta. Isso chega. E isto não é dizer o mesmo que afirmar que há guerras justas. Nenhuma guerra é justa porque todas as guerras matam sem qualquer justiça. Poderei, no limite, dizer que há guerras inevitáveis, às quais podemos não conseguir fugir, mas suponho que com isto não quererei dizer o mesmo que o PJ. Mas neste post nem sequer estava a falar de conflitos tradicionais, mas de acção política.
“Poderei, no limite, dizer que há guerras inevitáveis, às quais podemos não conseguir fugir, mas suponho que com isto não quererei dizer o mesmo que o PJ.”
Se existem guerras às quais não se pode fugir isso pressupõe a existência de forças armadas. Integradas na NATO ou não. Não coloco em causa a objecção de consciência, que defendo sem hesitações.
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“A alegria de muitas pessoas por este acto é, LAM, uma confissão de derrota”.
Não é Daniel. Politicamente e no imediato pode não levar a muito, os grandes problemas ficarão sem solução, mas sentem uma coisa muito importante e que, essa sim, será relevante politicamente: sentem que não estão sozinhos prisioneiros da sua impotência.
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Em relação a Aminatu Haidar, apenas gostava de ver da parte de quem agora comenta este assunto o mesmo tipo de solidariedade para com as centenas de presos politicos Bascos e a sua luta, e o mesmo tipo de condenação ao terrorismo do estado espanhol e as suas practicas de tortura.
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O último ataque da Frente Polisario aconteceu a 2 de Julho de 2007, tendo resultado do mesmo o ferimento de 3 polícias na cidade de Laayoune.
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26 rosa pires
que giro(a)!! hás-de ensinar essa técnica do pacifismo à malta quando é assaltada nas caixas multibanco
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O objectivo da Frente Polisario é a separação do território do Sahara Ocidental de Marrocos com vista à instituição de uma República Islâmica.
A senhora Haidar que pense bem quem anda a apoiar… A não ser que não goste de usar calças.
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 14th, 2009 at 23:33
Fuser, a Polisário é laica e socialista.
E não quer a separação porque o Sara não faz parte de Marrocos.
O seu objectivo é a instituição da republica Arabe saraui ocidental.
Lamento informar-te mas neste momento o Sahara Ocidental é território pertencente a Marrocos. Que o direito internacional não o reconheça é outra coisa.
Isso seria a mesma coisa que dizer que o Tibete não é China.
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 15th, 2009 at 1:05
Fuser, Republica Árabe não tem nada a ver com religião, por amor de Deus. Bolas, escreve-se aqui cada coisa.
De colónia espanhola, o Sara Ocidental, a duas léguas de Lancelote, nas Canárias, rica em praias, deserto e pescaria, a dever ser reivindicado de alguém, fora o seu povo, em luta pela sua independência há bem meio século, com despachos favoráveis da inútil ONU, em barda e sem efeito, só o deveria ser da Mauritânia, a Ocidente, tolhida do acesso ao mar por essa extensa faixa costeira, e não da curta linha de areia que o separa do Marrocos do rei-soba, sucedido em igual filho, protegidos dos EUA e da EU, como da França e da Espanha, à cause de l’haxixe, de l’incence et des citrines.
E à semelhança faz lembrar o que seria, que, num salto de geografia política, o Líbano sujeitasse Israel, ao Sul, e, por força dos EUA, da Inglaterra e da EU, nem este dominasse a Oeste a Palestina, negada ao mar e à liberdade do seu povo.
Mistérios que nem um Nobel da Paz vislumbrará algum dia.
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Reproduzo mais ou menos na integra a minha opiniao sobre esta questao, à qual dediquei um post. A certo ponto parece estar-se a discutir qual das duas formas é que é legitima para a Esquerda “tomar” o poder ou, colocando de outra forma, como o povo ou as populaçoes conseguem ser a parte mais ouvida, mais atendida, aquela que tem a voz determinante na definiçao dos rumos da sociedade (esta é a minha definiçao de a Esquerda tomar o poder, é o que é).
As duas teses em confronto, embora também me pareceu ler quem partilhe da minha opiniao, seriam, por um lado, um encarar o pacifismo como acto ultimo e derradeiro, verdadeira superioridade da luta dos Povos e, a outra, seria a da necessidade da violência, cruzando-se aqui com se a porrada que Berlusconi sofreu foi um acto licito moralmente ou nao. Pareceu-me em certa altura que, do lado dos “pacifistas”, se condenava o recurso à luta armada. E pareceu-me ler, nao sei se motivado pela intensidade do momento, a condenaçao da acçao nao-violenta como forma de luta.
Tanto uma como outra posiçao parecem-me algo tolas. Passo a explicar a minha opiniao. Qualquer luta politica e social tem um objectivo concreto: a conquista do poder, reivindicaçoes laborais, apoio a uma medida governamental, enfim, podem ser a favor ou contra instituiçoes, a forma da relaçao com o Estado para a questao importa pouco, pois tanto o Estado como o Povo sao entitades/ estruturas que através de si ou por si conseguem gerar, potencialmente, violência ou nao-violência.
A prossecuçao desse objectivo ultimo que pode ser atingido na totalidade o parcialmente deve ser conseguido com o minimo de esforço possivel, sendo aqui um pouco abstracto o conceito de esforço, podendo estarmos a falar de vidas humanas (em lutas pela autedeterminaçao, por exemplo) ou em dias de salário (uma greve) ou ainda retaliaçoes sociais e profissionais (a expulsao de universidades, o ser preso numa manifestaçao). Este balanço tem de ser sempre feito durante um processo de luta, de modo permanente, tanto pelas estruturas dirigentes/ coordenadoras desses processos como pelos “reivindicadores” ou seja o Povo, os Estudantes, os Trabalhadores ou os Benfiquistas, nao interessa particularmente nem a luta concreta, nem quais as aspiraçoes.
E é nesse equilibrio entre auscultar de forma permanente as pessoas, perceber a real capacidade e empenho das mesmas, perceber que vias podem ser mais onerosas à causa defendida e decidir que rumo tomar que creio que se joga o pacifismo com a luta armada.
Por exemplo, o pacifismo está a trazer para a ribalta o Sahara Ocidental, proporcionando-lhe uma visibilidade assombrosa, grajeando apoios vários e de todo o mundo [à excepçao da direita e centro português (PS incluido)], enfim tornando a sua luta um pouco mais eficaz, um pouco mais perto do seu objectivo. A Frente Polisario deixou a luta armada há 18 anos. Suponho que o tenham feito crentes que existiam condiçoes objectivas para atingir mais facilmente (com menor perdas, o fácil aqui nao é depreciativo, muito pelo contrário) o seu objectivo. No entanto, esta recusa de usar as armas nao parou que pessoas fossem torturadas, assassinadas, perseguidas, ostracizadas. Todas essas pessoas que durante esses 18 anos sofreram a acçao repressiva de Marrocos, muitas pagando com a vida, será que concordam ou concordariam com essa opçao? E, pelo lado contrário, pessoas que teriam morrido ou ficado mutiladas em combates e enfrentamentos entre o exercito marroquino e a Frente Polisario, teriam concordado com a persistência no caminho da luta armada?
Este é um exemplo bastante dramático, extremo, onde se joga entra a vida e a morte, mas a lógica de funcionamento, a ordem, o comportamento funcional enquanto estatégia de actuaçao aplica-se a qualquer tipo de luta social e politica. Mais que defender o pacifismo ou a luta armada, eu defendo a luta social e politica organizada, unitária, se quiserem dirigida. Uma direcçao que tem de ser fundada nos seus “dirigidos”, que tem força a partir da sua razao de ser, da sua existencia e nao por externalidades mediáticas, amplificadores financeiros e de interesses, por compadrios de vontades.
Uma direcçao que tem a capacidade de encontrar esse equilibrio que falava acima – entre auscultaçao, ponderaçao e decisao – desde que tenha sempre um forte controlo democrático (mas mesmo democrático, de falar e ser ouvido) terá sempre a sua moralidade como superior, seja a via armada, seja a via pacifica a eleiçao, porque fá-lo consciente da precariedade do seu poder, do seu papel claramente instrumental, da sua insignificância quando comparado com a vontade Popular. A luta social e politica é mais forte, quanto mais forte for a sua Direcçao. A Direcçao terá a força porpocional à democracia verdadeira e efectiva (livre de externalidades) do seu processo. Se nao a luta esvazia-se como um balao sem ar…
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Sugiro, porque o debate se foi particularizando que se encaminhe a conversa para onde ela foi melhor resumida. Mesmo que não concordem… eu por mim, continuo lá, que não tenho tempo nem vida nem dinheiro para continuar a manter a mesma polémica aberta em meia dúzia de “frentes”: http://5dias.net/2009/12/15/renato-teixeira-e-ou-daniel-oliveira/
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Daniel, apreciei a beleza das suas palavras e, sobretudo, a força dos seus argumentos pacifistas. Seria extraordinário, também, que o pacifismo fosse sempre a forma mais eficaz de combater as opressões do mundo. Por isso também concordo consigo quando afirma que não há princípios absolutos. Logo, o pacifismo não pode ser um princípio absoluto, especialmente quando confrontado com as circunstâncias concretas da história.
O que quero dizer é que existem várias formas de lutar e de combater os opressores. O pacifismo pode ser uma delas. Mas o recurso às armas também o será (quando outra hipótese se comprova ser impossível de praticar ou resultar absolutamente inócua, sobretudo se não se puder evitar perda de vidas).
Aqueles que, por exemplo, resistiram, pela força das armas (e da razão), ao nazismo, aos golpes fascistas, às ocupações territoriais, etc., não devem, a meu ver, ser considerados moralmente inferiores aos que resistiram a essas barbáries por meios pacifistas. É só esta a minha observação divergente em relação ao seu belíssimo texto.
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 15th, 2009 at 10:25
O problema, José, é que o recurso à violência não é visto como a última forma de acção política mas como uma entre várias.
Considero virtudes, ser pacifista e partidária da não-violência e como tal; “Dá-se com certas virtudes o mesmo que com os sentidos:são incompreensíveis para aqueles que são privados deles” La Rochefoucauld (1613-1680)
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Li isto no “i”
Em tempos de primazia absoluta do económico sobre o político, o eco internacional do caso de Haminatou Haidar reflecte, acima de tudo, a saturação internacional em relação ao impasse em que a questão sarauí caiu. Pode, por essa razão, constituir uma oportunidade para uma nova abordagem, passe esta pela imposição da “terceira via”, pelo referendo de autodeterminação ou pela divisão do território entre Marrocos e a Frente Polisário.
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Daniel,
“o ver passar para o lado de lá e deixar de fazer estragos no lado de cá. ”
humm, sempre se confirma que existe os de “CÁ” e os de “LÁ”.
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Uma igreja , ainda que em miniatura , serviu para alguma coisa de util .
Para a próxima , vão sair com mais seguranças , se mais dentes partidos houver acabarão por nem sair das torres de marfim . E mesmo só por isso já valeu a pena,é que nenhuma cidade sitiada resiste para sempre.
P.S. Que se passeiem pelos tribunais enquanto podem
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DANIEL OLIVEIRA#42
Não Daniel, infelizmente, a violencia é de facto a unica forma de acção politizada mais eficiente que o Homem conhece.
No presente vemos Il Cavaliere vitima de uma realidade violenta que ele proprio tem vindo a alimentar com politicas xenofobas e ou segregacionistas, politicas desastrosas a nivel socio-economico, culminando com provas da sua duvidosa conduta moral que desesperam ainda mais os que não veem uma saida politica viavel para a crise, neste lider politico “democrata-cristão”.
Por outro lado vislumbramos uma activista vitima de uma realidade opressiva que lhe tem sido imposta, a si e ao seu povo, que num determinado momento optou por dizer basta .
Usando tambem a analogia de Brecht; o rio de tão reprimido pelas margens entrou cara a dentro do seu repressor.
(Se foi planeado? Nunca saberemos, tal como nunca saberemos se Mario Soares nas presidenciais de 86 não tivesse sido agredido na Marinha Grande, talvez não tivesse experimentado o volte-face de subir nas sondagens, passar a 2ª volta e derrotar Freitas do Amaral.)
Assim, na minha opinião, ambos incitam a que o rio transborde:
(Berlusconi antes do incidente e perante as criticas)
«- Tenham vergonha!»
(Aminetu Haidar perante a possibilidade da Frente Polisario pegar em armas caso ela venha a perecer)
«- É um movimento de libertação e, como tal, todas as possibilidades de acção são legítimas para este movimento.»
Portanto é impossivel afirmar que ambos não incitam a violencia.
A.R.A
[Responder]
carissimo
enquanto persistir a sua ideia de censura a comentários politicos que lhe sejam inconvenientes, pode ficar descansado porque não vou pôr aqui mais as teclas. Para que conste e não fique no anonimato saiba que decalquei o comentario censurado e publiquei-o no 5 Dias
passar bem
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 15th, 2009 at 15:29
xatoo, não me lembro de não ter publicado qualquer comentário seu. Era insulturoso? Se era, nem costumo ver quem é o autor. Se não era, sabe bem que já aqui publicou inúmeros comentários em que discorda de mim (quase todos, por sinal).
Não era preciso nenhuma tradução mas era de evitar o mau uso da imagem. Ter-lhe-ia poupado a minha falta de modéstia. À mulher de César não basta ser séria… por certo sabe o resto.
Deveria mostrar alguma gratidão pela aula de literatura revolucionária (nos tempos que correm quase me apetece cobrar-lhe uma propina). Da minha parte agradeço a aula de reformismo militante.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 15th, 2009 at 16:46
Renato, quando chego à literatura a revolução e o reformismo interessam-me pouco. Defeito meu, com toda a certeza.
Para os não pacifistas há sempre um Cónego Melo para lhes ensinar a missa.
[Responder]
Daniel
“não se lembra”, mas já é pelo menos a segunda vez que me censura: E vc sabe bem, já o reconheceu aqui por sinal, que nunca lhe dirigiria qualquer insulto – apenas usei uma alegoria em que o reconhecia na figura de um dragão que espumava votos pelas narinas em virtude da sua posição de considerar normal (legitimidao pelo voto) aquilo que se passa em Itália. Se isto é insultuoso…
[Responder]
Pobre Berlusconi, um tipo já farto de merdas, de poucas vergonhas e abusos, não suportou mais e, num desvario, foi-lhe com a torre às trombas.
E tirem disto só o que seria, se, para azar, um doido, assim tão farto de abusos, arremessasse à fronha de algum político solene da moirama capital os clérigos cá do rectângulo.
[Responder]
Caros,
a mim isto parece-me sintomático das guerras intestinas à esquerda. PC v.s BE. Como sempre.
O Daniel Oliveira ao lançar o debate pós-autárquico lançou o ponto da convergência local. Eu cheguei a reflectir sobre isso. Pura ilusão. Basta ler o ping-pong entre arrastão e 5dias para realizar que essa sim é a derradeira utopia.
Nem a nível local, nem a nível nenhum. Acontece que nesta discussão todos os pormenores contam e quando PC e BE se decidem discutir pormenores… bem, como diria o outro, “vocês sabem do que eu estou a falar”… todos sabemos até onde pode chegar o debate, quer na web, quer com um amigo, sendo certo que será bem mais caloroso do um entre ideologias afectas ao PS-PSD-CDS ou entre estas e PC’s ou BE’s.
E eu, sendo do BE, reconheço nos meus amigos mais ligados ao PC grandes valores, de grandes pessoas que estimo e admiro, e que tomo como exemplo em muita coisa e discordo noutras.
Então porque é que as nossas discussões são sempre mais exacerbadas? Porque é que acabam por cair no pormenor que nos dividiu ontem, divide hoje e dividirá?
A agressão de Berlusconi enquanto”guerra” entre partidários do pacifismo e da acção directa é o pretexto, como tantos outros, para marcar a linha daquilo que nos separa.
Este Sábado também tive essa experiência. Um resumo:
Chavez vai multar as estações que transmitirem o Family Guy. Motivo? O cão defendeu supostamente a legalização da canabis. Para não dessacralizar chavez, podia ser Cuba ou a ex-URSS que seria igual, um amigo meu chegou a afirmar que aquilo só estupidificava as pessoas e apoiava a medida! Claro que apoiava! Ele vê, ele ri-se, ele estupidifica-se com o Family guy, defende para Portugal a legalização das drogas leves. Apenas não quer isso para os Venezuelanos… E isto sim é o que nos separa!
E aquele episódio em Itália não passou de um doente mental que agrediu um primeiro-ministro e fez aquilo que muitos quereriam fazer.
Qualquer semelhança entre aquilo e a acção directa da luta de classes é uma estupidez. Berlusconi ganha uns dentes e uns novos eleitores, sempre na demanda pelos “coitadinhos” (Sócrates ou PSL são exemplo). E sendo doente mental, o pacifismo não será certamente para aqui chamado pois é um acto isolado derivado de doença psíquica.
Ou não. Ele é que a sabe toda! A mim não me custou muito ver o galã vexado na sua masculinidade, confesso. Mas não apoio. É um copo meio cheio, meio vazio.
Ânimo mas é! A legislatura está no início! Enquanto nos entretemos com estas e futuras lutas à esquerda, a direita sorri. Paulo Portas quase se sente de novo um homem de estado. Pode influenciar. E influencia.
E nós, não querendo claro ser os “Paulos Portas” à esquerda, continuamos a deixar de facto, o rumo do país à direita, influenciando só em questões ditas fracturantes como a IVG ou o Casamento Gay. Muito pouco!
Apesar disto, eu próprio não consigo resistir a um bom debate à esquerda! E saberemos sempre que é mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa!
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 15th, 2009 at 22:40
Daniel Nicola, não há rigorosamente ninguém com que eu esteja a debater que seja do PCP ou, que eu saiba, seu simpatizante sequer. De onde, parece-me um bocadinho metida a martelo a martelo a sua leitura.
DANIEL OLIVEIRA & DANIEL NICOLA
Sendo eu um orgulhoso simpatizante comunista tenho que agradecer o facto do DO me ignorar pela discordancia (#47) que tenho sobre a sua visão acerca deste tema, só para poder afirmar que não esta a debater com ninguem afecto ao PCP.
Quanto a si, Daniel Nicola, e tal como voçe nada me faz apartar de um bom debate a esquerda sabendo de antemão que esse é exactamente o ponto fulcral da incapacidade conciliadora das esquerdas, os bons e profundos debates que, como disse e bem, se perdem em pormenores e como o diabo esta nos pormenores…………
Sem duvida que gostava que aqui houvessem mais camaradas meus comunistas afectos ao PCP que pensassem o mesmo que eu e que no BE o mesmo se passasse em relação ao Daniel N. para que a esquerda deixasse de ser apenas um apendice alegorico na AR para o deleite humoristico do centrão ou para não cair no ridiculo em epoca eleitoralista para ver quem fica a frente de quem.
Insistir no sectarismo reaccionario e fracturante das esquerdas já deixou de ser apenas um “case study” da Historia das esquerdas em Portugal para passar a crime lesa-patria tal a necessidade governativa dessa concertação.
O medo acusatorio para ver quem é de facto mais radical para captivar a simpatia dos “moderados” não deixa de ser confrangedora e se voto PCP não é por mero eleitoralismo mas sim por convicção.
Isto foi apenas e só um acrescente aquilo que escreveu pois tem a minha total concordancia no que pensa.
Aquele Abraço
A.R.A
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 16th, 2009 at 3:16
ARA, acho que se percebeu que eu me estava a referir ao debate inicial, com o 5 Dias. Mas tinha de haver, escrevesse eu o que escrevesse, uma maneira qualquer de eu estar a atacar (ou ignorar, ou outra coisa qualquer) o PCP. Por isso é indiferente. Siga.
“O problema, José, é que o recurso à violência não é visto como a última forma de acção política mas como uma entre várias.”
Caro Daniel, defendo o recurso à violência como última forma de acção política. E muitos movimentos de libertação a ela tiveram que recorrer em última instância. É disto que estou a falar.
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DANIEL OLIVEIRA
Bem sei ao que se referia portanto não vá pela onda da vitimização
e é por isso que gostaria de saber se discorda de alguma coisa que lhe escrevi, pois o Daniel adora criar cavalos de batalha do nada e o que começou como uma declaração de apelo a não violencia perdeu-se em exageros radicais de repudio esmiuçando os pormenores ao ponto de apresentar lado a lado uma vitima que decidiu lutar e um agressor que foi agredido.
Queria com isto explicar o quê?
Que ambos foram vitimas; distintas formas de lutar; ambos incitam a violencia; apenas juntou as fotos para dar enfase a um fait-diver que de tão absurdo, diverte a direita cá do burgo e retira a propriedade do rio a Brecht, para levantar um muro pseudo-intelectual mesmo a meio do seu violento caudal.
Será que existe algum conflito do foro psicologico entre o discordar da acção violenta e o deixar-se levar pelo sentimento de satisfação populista de ver um intocavel ser “tocado” pela realidade que criou, que nos leve a secretamente a dizer em surdina, – bem feito?
A.R.A
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Caro DO
A NATO poderia ser melhorada, estou certo, mas como propõe que as tenções militares nas fronteiras da Europa sejam resolvidas ?
Ficaríamos reféns da ajuda americana em caso de uma ameaça com tudo o que isso implica em termos de força negocial noutros campos?
Num mundo que se sabe irá ser dividido entre EUA e China, a Europa não deve ter forças próprias capazes de nos defender de agressões ? não devemos ter capacidade de projecção de forças para defender interesses que mesmo podendo ser injustos, nos são fundamentais ? como impor sanções sem força militar que a possa implementar ?
Ou propõe apenas uma força defensiva, estilo linha maginot moderna ?
Fico curioso em saber a sua alternativa.
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DO, então vai-me fazer crer que o crescendo de “ódios” à esquerda, desde a questão do voto da Ilda á queda do muro passando agora pelo Berlusconi são apenas coincidências? Isto só nos últimos meses…
Não são. Afirmo outra vez que apesar de vermos no outro o melhor ser humano do mundo, sentimos sempre a necessidade de marcar uma linha divisória, por mais invisível que seja à generalidade das pessoas.
Isto chega a ser irracional porque em 35 anos acabámos por influenciar pouco ou muito pouco quando a direita, independentemente dos seus resultados eleitorais, é que se chega à frente, engole alguns sapos e leva a àgua, mesmo que seja pouca, ao seu moínho. Com isto vai fazendo alguma farinha e algum pão.
Nós, que não temos fome de poder, continuamos à míngua. E arrastamos os votantes à esquerda, que desesperam por mudanças, para a inércia da luta intestina. A crise é do capitalismo e à esquerda discute-se o Umbiguismo.
ninguém quer corromper o voto de ninguém. Mas é de esperar que os eleitores do BE e PCP espectem algo do seu voto, vejam traduzida a sua esperança no concreto, em medidas reais.
Talvez por isso muitos desiludidos acabem teorizados pelo Banqueiro Anarquista. Se não podes vencê-los junta-te a eles.
Continuo a achar que este assunto não deverá servir para nos entrincheirar-mos ainda mais.
Mesmo sem dentes, é a direita que se continua a rir.
ARA-subscrevo.
“Insistir no sectarismo reaccionario e fracturante das esquerdas já deixou de ser apenas um “case study” da Historia das esquerdas em Portugal para passar a crime lesa-patria tal a necessidade governativa dessa concertação.”
é o tal sentimento: sou contra a agressão em si, mas não posso deixar de me deleitar. A humanidade tem destas contradições e ainda bem que tem dúvidas!
Abraço a todos!
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