Por Daniel Oliveira
Através do inacreditável comportamento do Metropolitano de Lisboa para com Maria Keil, autora dos paineis de azulejos das antigas estações do metro, saiba como é que neste país quem faz qualquer coisa sem cobrar em vez de merecer gratidão merece desprezo. No Cantigueiro.
23 comentários 14 Ago 08 em Sem categoria








A atitude que tiveram com a senhora é de autênticos
filhos da puta. Como são um bando de deslumbrados
e novos-ricos não sabem apreciar nada que não tenha uma etiqueta com o valor o resto para eles é lixo . Há gente que nunca devia ter saido da horta.
O ministro Manuel Pinho também não destruiu a casa do Almeida Garret? Talvez para construir uma casa estilo Sócrates. Estes estão a imitar os queridos líderes.
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Que parte da obra ainda resta?
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Discordo que tenham maltratado um património da cidade de Lisboa. Será que tal património estava classificado? Se não, a responsabilidade de tal ter acontecido é, em grande parte, de quem não o classificou.
Só não percebo porque carga de água é que o autor do Cantiguueiro acha que o Metropolitano deve indemnizar a autora do projecto. Com que fundamento?
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Tarzan, ele explica o fundamento.
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Todas as onze estações iniciais inauguradas em Dezembro de 1959, com excepção da estação Avenida, tinham revestimentos da autoria de Maria Keil que, de acordo com orientações expressas do Conselho de Administração, não deveria utilizar no seu trabalho motivos figurativos.
Do site do Metropolitano
Tenho fotografias de todas as estações do Metro, algumas publicadas no meu blog colectivo de fotografias e considero que a intervenção plástica feitas na maioria são de elevada qualidade e confesso que nunca fui um grande admirador da decoração das estações iniciais.
A ser verdade esta notícia ela é absolutamente natural.
Porquê?
Porque em Portugal quem está nos cargos públicos sabe que, faça o que fizer, nunca poderá vir a ser culpado e muito menos condenado por danos patrimoniais.
É quase certo que os senhores administradores que ordenaram este acto nunca puseram os pés em nenhuma das estações visadas.
Aproveito para dar a minha opinião e dizer que se preparam para torrar alegremente 58 milhões de euros a fazer a ligação Amadora-Este/Reboleira e nas sábias palavras da secretária dos transportes tal é excelente porque depois as pessoas podem sair ali e chegar ao Marquês de Pombal em não sei quantos minutos.
Talvez ela não saiba que as pessoas podem seguir calmamente sentados no comboio e sair em Sete Rios e chegar ao mesmo Marquês nos mesmos ou menos minutos.
Querem uma aposta como está para surgir uma urbanização de alto gabarito na Reboleira ou arredores?
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Caro Daniel,
“porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!!” não é fundamento. Nem lógico nem legal.
Se o Calatrava ou outros têm direito a indemnização é porque tal está previsto contratualmente. Ou a nossa lei prevê indemnizações nestes casos, independentemente de estes serem previstos contratualmente?
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O fundamento é a de que hojem em dia qualquer outra obra artística do género é intocável sem a autorizaçao do autor. De todos os modos, podiam ter retirado os azulejos, nao percebo esta atitude boçal de destruir a obra de Maria Keil.
Em grande parte, foi por este tipo de coisas que emigrei: em Portugal todo o trabalho intelectual, seja artístico ou científico, está sempre votado a um desprezo socialmente consentido. A nao ser que seja elogiado por estrangeiros, ou que seja algo da autoria de um estrangeiro. Aí sim!
De outra forma, um artista, um cientista, sao personagens que em Portugal devem trabalhar por carolice. Pagar a um gajo para pintar um quadro? Pagar a uma senhora que se dedica à investigaçao científica? Vao masé trabalhar! Dessa forma, o facto de Maria Keil ter tido o bonito gesto de oferecer a obra nao pesa nada na consciência desses novos-ricos imbecis, que decidem nos escritórios da Metro. A ferida do atraso cultural em que os portugueses vivem sem se importarem, fica exposta nestas alturas.
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Tarzan, volte a ler.
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Tarzan:
Há uns anos, durante o restauro de uma igreja de uma cidade do centro do País, um jovem pedreiro interrompeu os trabalhos para chamar a atenção do arquitecto responsável para algo que tinha encontrado numa parede que lhe tinham mandado destruir. Ele não sabia o que era, mas sabia que devia ter cautela. De facto, era um fresco do séc.XV.
Os responsáveis do Metro, estão a anos-luz deste simples operário.
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“A ferida do atraso cultural em que os portugueses vivem sem se importarem, fica exposta nestas alturas.”
Estes casos, indignam-me muito. Mas entristecem-me , ainda mais!
A cultura e o conhecimento das gentes colocadas em lugares de responsabilidade ,no Estado, nas empresas, nas escolas, e em muitas universidades está circunscrito a área Informática.
Ser culto, informado em literatura e poesia, pintura, desenho, artes em geral, não é importante. Importante é a máquina. As pessoas, os valores, as artes, o que significam para esta gente???
São uns ignorantes, que apenas conhecem e valorizam as marcas do after shave e dos sapatos que compram!
Os painéis de azulejos de Maria Keil mereciam a preservação, mesmo que retirados, se no Metro de Lisboa os responsáveis não fossem mais ignorantes que os trolhas que picaram as paredes!…
Estas fornadas de arquitectos, designers e outros, que por lá andam, aprenderam o quê?????
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O Santana Lopes fundou a escola. O Lara abriu uma sucursal. Pelos vistos deu frutos. Têm bons alunos.
Esta gente do Metro deve ter crescido a ouvir os concertos para violino de Chopin, e os pobres neurónios faliram.
Mas a falta de cultura não pode ser desculpa para a falta de respeito.
Com gente desta à frente do Metro de Lisboa, os comboios vão começar andar para trás.
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Atenção!
Eu não estou a defender que se atropele património. Também acho que destruir os azulejos do Metro foi um crime. Não baralhem os assuntos.
Daniel,
volte a ler. Verá que as minhas questões têm razão de ser e não são respondidas no post.
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Qualquer projecto de restauro ou ampliação tem um autor. Devia ser publicado o seu nome. Só para sabermos a quem não encomendar o trabalho.
Qualquer projectista que vai intervir numa obra tem obrigação de primeiro estudá-la, pelo que não tem a desculpa da ignorância. Se não estudou o objecto onde ia intervir, então foi incompetente. Se estudou e marimbou-se, então, além de incompetente é estúpido. Devia informar os responsáveis, preservar ou recolher e guardar!
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Há aqui uma série de coisas que me estão a fazer confusão: o metropolitano, para fazer alterações nas estações tem de ter a autorização escrita dos arquitectos autores dos projectos ou dos seus descendentes ou familiares a quem os direitos tenham passado por herança (o direito de autor é hereditário se não estou em erro até 75 anos após a morte do autor da obra).
O mesmo se passa com os painéis de azulejos: a sua alteração tem de ser consentida pela autora. O facto de ter ou não ter sido paga pela obra não tem qualquer influência sobre os direitos autorais, que são inalienáveis.
Têm a certeza que a história é mesmo assim?
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A segunda hipótese é a do Metro ter um documento assinado pelos autores dos projectos, e pela Maria Keil, autorizando a alteração do espaço das estações, e aí o máximo que se poderia dizer era que uma empresa como o Metropolitano de Lisboa devia tratar o seu património com mais cuidado.
Quanto a indemnizações, não sei o suficiente da lei para me pronunciar sobre isso.
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Caso contrário, tribunal com eles.
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Faço aqui um apelo aos escritórios de advogados que têm Colecções de Arte (ex: PLMJ, ABBC ) para “pegarem”, pro bono, neste caso.
Os “bons advogados” do Metropolitano combatem-se com bons advogados.
O problema, é que os bons artistas na sua grande maioria, não tem dinheiro para os contratar.
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Alhos Vedros e Moita: duas estações centenárias que foram destruídas para dar lugar a estações modernas, sem explicação às populações, quer da razão da destruição quer da inviabilidade de manter as ditas. EM Alhos Vedros, a população ainda pernoitou, depois de saberem que a sua estação ía ter a mesma sorte da da moita, mas os buldozers vieram e arrasaram.
Nota: no Pinhal Novo construiram uma moderna, mas nao destruiram a antiga. Moita e alhos vedros- q importancia têm? nao vendem jornais, foram so duas estaçoezitas centenárias abaixo sem discussão. O q importa?
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Deveria saber-se mais sobre esta história, mas de qualquer forma, mesmo se a Artista não cobrou nada, isso quer dizer que a obra artística foi considerada incluída na obra de arquitectura. Entretanto houve uma alteração de projecto, logo o Metro tem a obrigação legal de contactar os descendentes do autor, o Arq. Keil do Amaral, e desejavelmente obter o seu consentimento. Os novos autores (arquitectos que coordenam as intervenções) teriam obrigação de também os ter contactado (estatuto da ordem dos arquitectos). Se assim não foi, há decerto motivo para arranjar bons advogados como já foi dito. Mas é difícil de acreditar que tenha havida tanta boçalidade uma vez que as novas estações e as remodelações contaram também com intervenções de muito bom nível artístico. Acho que falta aqui mais informação… ou então existe mesmo a apregoada Boçalidade do “chico esperto tuga”.
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Que interesses estão por trás destas situações, como aquela de Alhos Vedros? Este comportamento das empresas públicas e do Estado em geral, do posso e mando, merecia aparecer na sua coluna no Expresso – um pouco menos de geopolítica e um pouco mais de interesses subterrâneos era capaz de ser mais útil.
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Daniel
Um abraço e obrigado pelo “eco”. Alguma razão tinha de existir para tantas pessoas terem visitado a minha “loja” especialmente nesse dia. Foram os “ecos” de blogs de gente atenta.
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Sobre o assunto dos paineis da Maria Keil agradecia que passassem pelo meu blog e lessem o meu esclarecimento:
http://www.ascausasdajulia.blogspot.com
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filho da puta cabeça de kilhao kem manda aki sou eu calou
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