Banco de Portugal, BPN e empresas de auditoria escudaram-se atrás do confortável chapéu do sigilo profissional para se recusarem a prestar a informação solicitada pela comissão parlamentar de inquérito ao BPN. Entre a informação “sigilosa” estavam os secretíssimas relatórios de auditoria e a troca de correspondência entre o Banco de Portugal e o banco de Oliveira e Costa. Uma das auditoras, a Ernst & Young, chegou mesmo ao desplante de dizer que “não tem em arquivo a informação solicitada”.

Para que se perceba o absurdo desta decisão, basta lembrar que os mesmos deputados sem os quais seria impossível nacionalizar o BPN se encontram assim impedidos de aceder aos documentos necessários para avaliar as condições que conduziram à intervenção pública neste banco e ao modo como o processo foi acompanhado pelo supervisor.

É normal que, perante o descrédito de partidos e parlamentares, tal decisão não cause grande indignação ou mereça o apoio mais ou menos encoberto de muito boa gente. Mas não nos enganemos. Uma tão grande convergência só é possível graças à sensação de impunidade e à opacidade que norteia a actuação destas entidades. Banco de Portugal, auditores e bancos vivem num circuito fechado de interesses coincidentes e convergentes, nos quais todos se conhecem e tratam por tu.

É neste restrito clube das “pessoas respeitáveis”, para usar a sintomática expressão de Vítor Constâncio, que os truques de uns tendem a ser abafados e esquecidos porque expõem os erros e omissões dos outros. Entretanto, a comissão parlamentar de inquérito, que dispõe de poderes equiparados aos de uma investigação judicial, admite recorrer para o tribunal da relação para obter os referidos documentos. Quem sabe continuam a dizer que não os encontram. O pior, bem, o pior é se é mesmo verdade…


15 respostas ao post “Tudo em família”  

  1. 1 1  Manuel Leão

    Será que ainda alguém se espanta com estas atitudes do Banco de Portugal?

    O contrário é que seria de estranhar.

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  2. 2 2  Ideafix

    Haja vontade e aparece. Nem que seja noutra garagem, num apartamento, como da outra vez , ou, se calhar no piso inferior de onde eu cá sei.

    Esperemos é que não seja tudo surripiado, arquivado e selado como na UnI.

    Mas, também para quê? Alguém quer mesmo a verdade? A bomba atómica? Prender, julgar e condenar um Dias Loureiro ou um Vakil? Dissemos desde o dia de posse da Comissão que era outra encenação.

    Ora aí está. Arrasta-se e aquilo morre por arrastamento.

    Boa noite.

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  3. 3 3  larissa

    Uma das muitas coisas que não entendo é porque raio ninguém pergunta como foi possivel chegar até aqui ? E para além de tapar buracos o que é que se vai (está) a fazer para que não volte tudo ao mesmo?

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  4. 4 4  Perplexo

    Mas há alguém que espere que estes senhores vão parar à cadeia? Mário Soares ontem bem disse que espera que “não fiquemos por um bode espiatório”, quando todos sabemos muito bem que ficaremos. Além do Vale e Azevedo, já houve mais alguém condenado por alguma falcatrua das grandes? Ou mesmo das pequenas? Facturas falsas, receitas ocultas, fuga aos impostos… E mesmo num processo diferente, o da Casa Pia, onde estão os outros? Ou só há sete pedófilos em Portugal? Isto para não falar no chamado “tráfego de influências” que, esse então, nem o sistema jurídico está equipado para o detectar.
    É que realmente não há interesse em resolver estas questões. Nem outras…

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  5. 5 5  LAM

    Já é o Robert Mugabe que manda nisto?
    Oops, claro. O Mugabe é no Zimbabwé. Mas que até parece…

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  6. 6 6  Bolota

    O BPN em discussão é o mesmo que no jogo Guimarães v Benfica dispõe de grandes espaços de publicidade??
    É que, como diz o povão, quem não tem dinheiro não tem vícios. No caso esta máxima não se aplica…melhor, se calhar aplicasse mas ao contrário.
    Estes ditos da ralé, só se aplicam á ralé, claro

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  7. 7 7  opinião
  8. 8 8  o sátiro

    Como Gaza totaliza as notícias, não esqueçamos o DARFUR (ou o Tibete):

    24 Horas por Darfur – Sê parte desta campanha de solidariedade

    A plataforma porDarfur convida-te a associares-te a centenas de pessoas solidárias com a população martirizada do Darfur. Participa com o teu comentário de sensibilização na mega-mensagem vídeo que faremos chegar aos mais altos responsáveis nacionais e internacionais.

    O procedimento é muito simples e acessível:

    Basta utilizares a tua webcam, para enviares directamente para a Organização do “24 Hours for Darfur”, (não é preciso ser um “Spielberg”!) e enviar o teu comentário usando o link abaixo.

    Podes também enviar os teus vídeos para a plataforma “porDarfur”, através do email 24hpordarfur@gmail.com, para que, posteriormente, sejam visualizados por todos em http://youtube.com/user/24hpordarfur. A plataforma “porDarfur” responsabiliza-se pelo envio dos teus vídeos para a Organização “24 Hours for Darfur”.
    O teu sketch pode ter até 1 minuto, faz uma chamada de atenção ou pedido dirigido aos nossos decisores, por exemplo, no sentido de que Portugal assuma as suas responsabilidades no compromisso de acabar com o genocídio no Darfur.

    A organização da «24 Hours for Darfur», que pretende lembrar à comunidade internacional as suas responsabilidades para com os milhões de vítimas da região de Darfur, no Sudão, compromete-se a fazer chegar as mensagens aos seus destinatários.

    Por cá, a plataforma porDarfur irá também fazer chegar as vídeo-mensagens aos Exmos. Sr. (s) Primeiro-ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados e ao Presidente da República, entre outros, como um abaixo-assinado, em formato vídeo.

    Envia o teu vídeo para a Plataforma “porDarfur”
    24hpordarfur@gmail.com

    Podes também gravar o teu vídeo directamente para a Organização “24 Hours for Darfur”

    http://www.24hoursfordarfur.org/

    Faz chegar esta mensagem a todos os teus contactos. A tua voz pode salvar.
    Mais informções em http://www.pordarfur.org.

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  9. 9 9  Tonibler

    Confortável chapéu do segredo profissional, Sales???? O sigilo profissional das pessoas envolvidas existe por variadas razões, todas elas mais importantes que a curiosidade dos deputados por se relacionarem com os direitos fundamentais de pessoas. Os deputados precisam disso para a nacionalização do BPN? Então não nacionalizem. Ou a devassa da propriedade alheia agora é livre?

    No entanto, se os deputados abdicassem da imunidade parlamentar e se sujeitassem às mesmas responsabilidades profissionais que os envolvidos pela divulgação de informações confidenciais, e que representam prisão efectiva, se calhar pode ser que lhes dêem essa informação. Senão, confiam nas pessoas que se arriscam a ser presas se não cumprirem com esse segredo.

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  10. 10 10  Pedro Sales

    Tonibler,

    Não ponho em causa o sigilo e segredo profissional, mas o que me parece o evidente abuso do estatuto neste caso. Desde quando é que o relatório de uma auditoria deve ser sigiloso?

    Os deputados podiam não ter aprovado a nacionalização do BPN? Claro, mas vale a pena dizer que ela foi apresentada como uma necessidade vital para manter a confiança no sistema financeiro, nomeadamente evitando uma corrida aos balcões, por algumas das entidades que agora recusam ceder informação. Estou a falar do BP que, como estamos recordados, deu uma conferência de imprensa escassas horas depois do governo anunciar a intenção de nacionalizar o BPN, dizendo que era a única coisa a fazer.

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  11. 11 11  olmer

    Por mim, entravam já em Monsanto ao pontapé e com as justas perspectivas de lá passarem muito tempo,que era por causa das tosses….É mesmo,o que eles andam à procura se o caldo entornar,pq com o sócas esta bandidagem,goza.

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  12. 12 12  teofilo m.

    Se não põe em dúvida o sigilo e segredo profissional, porque é que – sem conhecimento de causa – afirma a evidência do abuso da sua invocação?

    Parece-me que por detrás de muitas afirmações existe uma vontade firme de encontrar um bode expiatório de que já se conhece o nome, e um firme propósito de denegrir uma Instituição.

    Pode ser que me engane, veremos o que terá a dizer o STJ que negou o levantamento do sigilo bancário à máquina fiscal quando esta quis investigar de onde chegavam os proventos a certos figurões.

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  13. 13 13  Pedro Sales

    A existência de segredo profissional não quer dizer que todos os documentos do sistema financeiro sejam sigilosos. Desde quando é que o relatório de uma auditoria é matéria de sigilo profissional?

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  14. 14 14  Tonibler

    Sales,

    O relatório de auditoria está sujeito ao segredo profissional dos auditores. Cabe aos proprietários fazerem do relatório o que bem entenderem, no caso os (ex-)accionistas do BPN. É a eles que devem pedir o relatório, coisa que se fosse eu, mandava os deputados irem montar-se uns aos outros.

    Quanto à questão da nacionalização e do papel dos deputados, a responsabilidade é deles e façam o que bem entenderem. Para tal não precisam do parecer ou autorização de ninguém, muito menos do governador do BP, que é criadagem, não manda nada.

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  15. 15 15  rosinha dos limões

    os documentos comprometedores ou relevantes para informação, já foram levados pela PJ, e os que não foram (caso dos do Banco de Portugal, por exemplo, já estão desaparecidos…Ora pois, do que estavam à espera os senhores deputados????
    Razão tinha a Procuradora Cãndida Almeida…Esse inquérito, não passa de uma espécie de “fofoquice”!

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