
Não deixo de me espantar como tantos que vivem numa cidade que tem uma das artérias mais poluídas da Europa, que assistem anualmente às baixas de uma autêntica guerra civil nas estradas nacionais, que não conseguem andar num passeio porque os carros são donos e senhores de todo o espaço público, que são obrigados, de manhã à noite, a ouvir um coro de buzinas ensurdecedor, apenas porque quase nenhum português se dá sequer ao trabalho de dividir o carro com as pessoas com quem divide a casa, que sabem que o excesso de carros está destruir a nossa saúde, as nossas cidades e o nosso planeta, vivem obcecados com o secular cigarrinho.
PS: Estou orgulhoso de ter escrito a minha frase mais longa de sempre na blogosfera.
Por Daniel Oliveira 29 Mar 07 em Sem categoria


“uma cidade que tem uma das artérias mais poluídas da Europa”, pois é… mas nunca imaginei que pudesse ficar tão poluída como o mostra a 1ª página do DN de hoje!!! (peço desculpa por fugir ao tema do post)
esse é o típico argumento dos fumadores… como se umas coisas pudessem estar ligadas umas às outras assim dessa forma… esse é um comentário demasiado demagógico para aquilo que estamos habituados a ver aqui… uma coisa de cada vez…
Este é talvez o caso moderno onde a intolerância e a incongruência atinge o seu máximo. Parece que existe uma guerra santa contra os fumadores. Um pouco de bom senso é preciso neste caso para poder existir co-habitação entre fumador e não-fumador. Eu sei que o fumo de tabaco pode ser muito incomodativo por isso existem várias situações que o evito fazer, mas não me peçam para ter que ser sempre eu alterar o meu modo de vida. Exemplo (já me aconteceu várias vezes): estou em pleno café e existem dois lugares livres. Um ao meu lado e outro bem distante. Tenho o maço de tabaco em cima da mesa. Uma pessoa entra e escolhe sentar-se ao meu lado. Puxo do cigarro e 5 segundo depois essa pessoa começa a tossir sempre que eu dou um bafo no cigarro. E eu pergunto-me duas coisas: Porque é que essa pessoa tinha que escolher o lugar ao meu lado? Será que essa pessoa também vai tossir sempre que um carro passar por ela?
É incrivel a sua crusada contra a lei do tabaco. Toda a argumentação é válida. Primeiro temos de resolver o problema dos escapes, das businas, dos estacionamentos e finalmente quando o mundo for perfeito, “matam-se” os fumadores.
Francamente Daniel, eu que aprecio os seus comentários, que me identifico em muitas das suas opiniões, não percebo tanta cegueira e tanta falta de respeito pelos não fumadores.
Post de um nível intelectual muito baixo. Trivial, mesmo.
Claro que muitas pessoas se preocupam com tudo isso: os carros nos passeios, a poluição do ar, e mais isto e mais aquilo, tudo. Mas o facto de uma pessoa se preocupar com tudo isso não impede que se preocupe também com o fumo nos locais de trabalho. Não é óbvio?
Além disso, todos os estudos indicam que, de facto, em termos de perigosidade para a saúde, é muitíssimo pior permanecer num ambiente interior cheio de fumo de tabaco do que num ambiente exterior poluído por automóveis. É uma diferença de ordens de grandeza, mesmo - não tem comparação. O Daniel deveria saber isso.
Se o Daniel não tem nenhuma boa ideia para um post, não poste. Acima de tudo, evite posts disparatados.
miguel, o senhor tem carro? Eu não. Devo começar uma cruzada contra si?
Luís, os estudos sobre a amplitude do efeito do fumo passivo são tudo menos consensuais.
Quanto tempo passas exposto ao fumo do tabaco? E quanto passa exposto ao dos carros?
A nossa saúde acaba nos pulmões? Não tenho a menor dúvida que os carros, que são a praga deste século, têm efeitos muito mais devastadores para a nossa saúde que os cigarros. Vale a pena comparar vários indicadores de saúde de uma pessoa com as mesmas condições económicas que viva no campo ou na cidade.
Os efeitos para o ambiente do tabaco são nulos. Os dos carros são devastadores. E os efeitos para a nossa qualidade de vida?
Queria apenas mostrar como temos as prioridades invertidas pela facilidade . Mas não deixo de achar extraordinário que o Luís venha explicar para não escrever nada quando vou escrever disparates. Já tive para lhe dizer o mesmo várias vezes. Mas no seu caso essa regra diminuiria em muito o número de comentários que faz.
Daniel, então só podemos proteger os não fumadores depois de proteger os não condutores? O que é que uma coisa tem a ver com a outra?
Esta é a maravilhosa lógica de que, enquanto houver um problema mais grave por resolver, é moralmente censurável falar de problemas menos graves.
Por esta lógica nunca falariamos de aborto, casamento homosexual, eutanásia. Pelo menos enquanto houver fome, tortura e coisas do género no planeta…
Concordo plenamente que os problemas que referes têm que ser atacados e provavelmente só se resolvem à “bruta”… isto por causa da falta de respeito pelo espaço público, pelo espaço dos outros… cortesia da nossa cultura católica…
Tiago
PS - Em Lisboa, o problema dos carros no passeio é grave, mas uma brincadeira quando comparado com o Porto…
APOIADO !
E que tal uma de desobediência quando vier a tal lei ?
Não Tiago, eu acho que podemos falar de todos os problemas ao mesmo tempo. Mas não é por acaso que o tabaco é obsessão do momento. É a única que não custa um centavo, não afecta a economia e só chateia uma minoria.
Conduzo, não fumo.
Mas francamente penso ao contrário do que faço.
Eu não fumo mas não tenho nada contra quem fuma. Tenho muito respeito pelas pessoas e pelas suas opções. Evito bastantes vezes frequentar cafés ou restaurantes onde sei que, invariavelmente, existe uma nuvem de fumo permanente. Se não estou em erro, o Daniel disse uma vez no Eixo do Mal que não pode ser privado da sua liberdade de fumar onde bem lhe apetecer. Concordo. Mas eu penso que a Lei, a existir no futuro, não será criada por causa de pessoas educadas e civilizadas como o Daniel ou como grande parte dos meus familiares que também são fumadores. Será por causa de pessoas que não respeitam quem não fuma.
Só um exemplo. Há uns dias estava num café (coisa muito rara) com uns amigos que não via há bastante tempo, com a minha mulher e o meu filho de 8 meses. Como estava algum frio não ficámos na esplanada e entrámos para uma espaço coberto. Dado que estavamos sozinhos não havia qualquer problema de fumo. Passados 2 ou 3 minutos, sentaram-se duas senhoras na mesa mais próxima do meu filho de 8 meses e começaram a fumar. O fumo começou a ir directamente para a cara do bebé. Eu levantei-me peguei nele e saí com a minha mulher despedindo-me dos meus amigos que não via há alguns meses.
Quanto aos escapes, também concordo consigo. Não devia haver veículos automóveis. Também devia deixar de haver indústrias porque as fábricas poluem muito a atmosfera. Aliás deviamos voltar à pré-história.
«Se não estou em erro, o Daniel disse uma vez no Eixo do Mal que não pode ser privado da sua liberdade de fumar onde bem lhe apetecer.»
Engana-se. O que terei dito, porque é o que digo há muito tempo, é que ninguém me pode limitar o direito de fumar, apenas pode criar regras e limitações para defender o direito dos outros de não serem perturbados pelo meu fumo. Como lerá num post que escrevi ainda há um ou dois dias, acho bem que não se possa fumar no local de trabalho. Acho que em empresas de maior dimensão deve ser obrigatório, perante esta justa interdição, a criação de espaços para ir fumar. É esta a minha posição. Não é que fumo onde me der na gana.
Quanto aos carros, eu não disse que eles não deviam existir. Como deve imaginar, apesar de não conduzir, não faço a minha vida a pé. Acho que não pode existir um carro por pessoa e isso não ter um preço. Acho que o estacionamento, a ocupação do espaço público por um carro, não deve ser por regra gratuito. Apenas o deve ser na zona de residência e apenas gratuito para um carro por familia. O resto, como aliás acontece com tudo o resto que não sejam carros e ocupe o espaço público, deve pagar o prejuízo que causa. E deve pagar a poluição que cria nas cidades. E deve ajudar a pagar o sistema de transportes públicos.
Por fim, devo dizer que tenho uma filha e simpatizo com a sua situação. Mas um espaço de lazer de adultos, ainda mais à noite, não é nem tem de ser pensado para uma criança de 8 meses. Caso contrário a nossa vida (incluindo a sua, quando o seu filho for mais velho) seria um inferno. Não fumo em espaços fechados onde haja bébés (nem próximo de bebés em espaços abertos), mas não acho que cafés, bares ou restaurantes tenham de ser pensados tendo em conta a eventualidade de ali estar um bebé.
A mim incomodam-me mais os cagalhotos nos passeios que o fumo dos cigarros…
Daniel, peço desculpa pela incorrecção. Estava realmente convicto que tinha dito qualquer coisa do género. Talvez tenha sido o José Júdice a demonstrar uma posição mais vincada, e na altura pareceu-me estarem de acordo.
O “café” a que me refiro fica numa praia e a situação passou-se à 15h, num dia em que estava muito pouca gente no local. Como disse não frequento muito essse tipo de estabelecimentos e muito menos com o meu filho. Obviamente que acho “criminoso” levar bebés ou crianças para bares, cafés ou outros locais similares à noite ou em alturas em que haja muitas pessoas.
E repito a minha ideia. Se vivessemos num País em que a grande maioria da população fosse educada e respeitasse os outros, esta questão nem se colocava. Assim, têm que existir Leis que “obriguem” as pessoas a respeitar os outros. É como os limites de velocidade. Se não houvesse regras e punições o trânsito seria uma selva ainda maior e haveria dezenas de mortos por dia.
Desculpe a maçada e obrigado por se ter dado ao trabalho de responder.
Aqui me confesso:
Ja fumei. Entretanto vivi em dois paises que baniram o fumo, ou que estavam em processo de o banir. Deixei de fumar, e respiro melhor.
Ja nao sendo interessado na materia cada vez me convenco mais dos argumentos contra o fumo publico. Os trabalhadores dos bares que fumam macos sem fim num dia de trabalho. A comida e as bebidas que ganham o sabor da fuligem. E a maceracao dos corpos pelo vicio.
este blog é muito fixe