Politicamente, o dia 9 de Novembro de 1989 foi um dos mais felizes da minha vida. Tinha saído há umas semanas da JCP mas era um comunista tão convicto como antes. Acreditava que era possível ser comunista e defender a democracia e a liberdade. E que para os comunistas começarem de novo era fundamental o “socialismo real” e as suas ditaduras serem derrotadas.
Via a queda do muro como qualquer pessoa que tivesse algum sentido de humanidade: quem poderia ficar indiferente perante aquela alegria? Mas também via a queda do muro como o primeiro passo de uma nova era para o socialismo. Como uma nova oportunidade. Como um peso que nos saía de cima.
Enganei-me. O comunismo não era reformável. Com tudo o que sucedeu depois ficou para mim assente que o que aconteceu a Leste estava no DNA do próprio movimento comunista. Não, não havia nada que por lá tivesse acontecido que qualquer comunista medianamente informado não soubesse. Mas, para mim, a novidade era que, provavelmente, não podia ter sido diferente. E, acima de tudo, que não era possível regressar a um suposto comunismo original quando esta, e não outra, era a história do comunismo enquanto forma de poder. Que as ideologias não são como as religiões. Não há uma pureza corrompida pelos pecados dos homens.
Nenhum movimento político emancipatório de esquerda poderia ignorar os contributos do marxismo. Nem mesmo a social-democracia os desprezou. Mas dificilmente se poderia recuperar uma palavra que ficou marcada por décadas de opressão. E aquele muro, que ninguém queria passar de oeste para leste e qua tantos arriscaram a vida para passar de leste para oeste era a prova mais contundente. A palavra “comunismo” carregava consigo demasiadas memórias terríveis.
É verdade que o poder unipolar de uma só potência imperial trouxe novos riscos e novos abusos depois de 1989. Mas nem por isso quem tenha o anti-imperialismo como elemento central do seu combate político pode ter saudades do implacável império soviético. As imagens do terror estalinista, dos gulags, da invasão da Hungria e da Checoslováquia e da construção de um muro que dividiu um povo contra a sua vontade não podem deixar que ninguém tenha saudades daquela experiência de mais de meio século.
É verdade que o capitalismo falhou em muitos dos países de Leste. Que as fortunas se construíram como sempre nas fases iniciais do capitalismo: através do saque. E não deixa de ser curioso que os protagonistas desse saque fossem em muitos casos os mesmos que antes detinham o poder nas máquinas dos partidos únicos. Que em alguns países de Leste onde, apesar de tudo, não se vivia mal – RDA, Hungria ou Checoslováquia – muitos foram os excluídos depois da queda do comunismo. É verdade que a liberalização violenta de algumas daquelas economias criou um rasto de pobreza e abandono (apesar de em países como a Roménia ou a Bulgária a pobreza não ser uma novidade). É verdade que a perda de referências ideológicas deu força a sinistros nacionalismos xenófobos. É verdade que a reunificação deixou muitos alemães de leste numa situação subalterna e socialmente difícil. Mas isso não chega, nunca pode chegar, para ser benevolente com regimes ditatoriais e desumanos que, no essencial, foram mais injustos do que aqueles que ali agora se estabeleceram. Só a esquerda que acredita na liberdade tem alguma utilidade. Isso é hoje para mim uma certeza inabalável.
Por isso, quando me chamam de anticomunista nem sequer me dou ao trabalho de reagir. Do comunismo terei herdado a escolha de um lado em que estou: a defesa intransigente dos direitos de quem trabalha; a certeza de que é ao produtor que devemos tudo o que conquistámos em bem estar no último século; a convicção de que tudo o que o capitalismo nos deu lhe foi retirado através da luta organizada; o empenhamento na solidariedade internacionalista.
Mas da experiência comunista herdei outras lutas que só me podem colocar do lado contrário ao do “socialismo real”: pela liberdade de expressão, de opinião, de associação e de imprensa; pela democracia pluripartidária; pelo respeito pelo indivíduo; pela recusa de que apenas o nosso lugar na produção explica quem somos. Não dou menos relevância a isto do que à igualdade social. Estas são causas primeiras.
Se ser anticomunista é dizer que o que se passou no Leste da Europa foi, não um conjunto de erros ou desvios, mas um crime contra a humanidade, sou anticomunista. E isto só é um insulto para quem ache que a luta pela dignidade humana só é viável com a supressão da dignidade de milhões de homens e mulheres. Para mim, não são apenas os fins que não justificam os meios. Os meios são os fins. Não se liberta ninguém sem liberdade, não se conquista a igualdade com opressão, ninguém se emancipa se for transformado num mero um instrumento ao serviço de uma causa. E isto para mim já nem tem discussão. Entre a pobre democracia em que vivo e qualquer ditadura escolho o que tenho. Nem que seja apenas um mal menor.
A única coisa que lamento é que tantos comunistas queiram fingir, como a personagem de “Good Bye Lenin”, que nada aconteceu. A sua nostalgia nada tem de revolucionário. Porque se do comunismo enquanto poder sobra apenas um cemitério de estátuas decapitadas, falta-lhes fazer o luto e seguir em frente. Provavelmente na mesma luta que realmente os fez ser comunistas.
Mas não foi apenas o comunismo que entrou em crise com a queda do Muro. Também a social-democracia, dispensável para o Capitalismo, agora que já não havia o “perigo comunista”, entrou em colapso. E a esquerda teve toda de se reinventar. É isso que está a fazer, com erros e acertos, há vinte anos. No caminho, uns desistiram e renderam-se a um “neoliberalismo de rosto humano”; outros desistiram e ficaram, rodeados de memórias e símbolos, a chorar por um passado perdido. Mas estou seguro que muitos continuarão a tentar novos caminhos. Nunca esquecendo aquele dia em que um muro em Berlim foi derrubado pelo povo. Foi um dia feliz. Foi a partir dali que seguimos um rumo muito diferente.
169 comentários 9 Nov 09 em Queda do Muro169 respostas ao post “Especial 20 anos: Good Bye Lenin!”
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Nem vale um comentário.
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Sobre os regimes da orbita soviética já todos conhecemos a opinião do Daniel. Sobre a Albânia é que nunca aqui no Arrastão o Daniel exprimiu uma opinião…. será medo de ferir susceptibilidades no BE?
Acho que todos os leitores do Arrastão iam gostar de saber a opinião do Daniel sobre o regime de Enver Hoxa, que tão gabado foi pelas gentes do BE.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 0:48
Aspirante, o senhor deve ser jovem e ter o discurso colado com cuspo Ou é apenas ignorante em relação à esquerda. Tudo o que aqui eu diga sobre os regimes de leste funciona a duplicar para a Albânia. A ver se lhe explico isto sem perder muito tempo: eu fui comunista no PCP. Nunca fui nem pró-albanês nem maoista. Não é esse o meu percurso. Vá ler umas coisas sobre as correntes que deram origem ao Bloco. Depois informe-se. Depois comente.
é só larachas
“a esquerda teve toda de se reinventar” como? o que se vê é que tudo aquilo que chama de esquerda aderiu de armas e bagagens ao neoliberalismo – e a verdadeira esquerda que resta é diabolizada como sendo “extremistas” de esquerda
Convinha ao Daniel, mas aqui ninguém chora nada pelo passado. Pela simples razão que, por muito que inventem, só existem três opções politicas em cima da mesa: 1. o conservadorismo tal como o conhecemos desde sempre, 2. o liberalismo social democrata como alternativa falida uma vez que, como diz, resvalou para o alinhamento bovino com os neoconservadores e 3. o marxismo como única alternativa (que mesmo revisto no que resppeita à teoria das classes sociais será sempre a propriedade pública dos meios de produção)
Não há 4ªs vias e a 3ª foi o Giddens e o Blair, o Guterres e o Partido Democrata dos EUa na Internacional Xuxialista (isto é que é ter vergonha do passado)
Até os próprios alemães nunca esperariam para tão breve o desmoronamento do muro,,, porém ele ruiu em 3 dias… por que é que os muros construidos pela santa aliança Neocons-Sociais democratas não há-de também vir abaixo? o que restará depois?
Há que ter saudades sim da honestidade e rigor comparados com as análises ligeirinhas a roçar para a boçalidade que se fazem hoje; Ora veja o que dizia o PSR em 2004:
“O inicio do século é um tempo de transformações brutais na politica mundial, marcado em particular pela afirmação da ofensiva imperialista com a recuperação do controlo directo sobre zonas importantes como os paises de Leste”
Estavam errados?. Basta olhar para o mapa de 1989 e para o actual em 2009 para se compreender que estamos em presença de uma guerra de conquista, como tantas outras; Estranho é que haja tipos que se dizem de esquerda a alinhar com isto, quais virgens impolutas, como se tivessem descoberto a pólvora no saco das novas oportunidades teóricas…
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 0:50
xatoo, o marxismo é uma corrente de penamento, não é uma alternativa política. Essa é, se quiser, o comunismo.
De resto, imaginaria que o senhor pensasse isso mesmo. Por isso discordamos mais vezes do que concordamos.
Estupenda análise Daniel, que subscrevo. Sigo o mesmo percurso ideológico que o seu e para quem queira que assim seja, um estado de auto-crítica que nos leve a entender, que há ideologia de esquerda que não passa pelo comunismo, nem precise de se escudar, num falso utilitarismo, para justificar permanentes concessões à direita.
Estamos ainda a a aprender a seguir esse caminho, onde o respeito pela liberdade é fundamental,mas onde se exige como linha central a defesa intransigente dos desfavorecidos
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Eu sei que é muito mais fácil ser ex-comunista do que comunista e, por isso desculpe, que lhe diga mas as suas posições, as suas críticas e a sua prosa não são de quem alguma vez foi comunista convicto como diz.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 0:58
manuel, se eu fui ou não convicto não é coisa que o senhor tenha quaisquer dados para avaliar.
Se é mais fácil ser ex-comunista, não sei, porque ser ex-comunista não é um posicionamento político. Fui comunista. Hoje sou outra coisa. E essa coisa que sou é que é o meu posicionamento político. Ser ex-comunista é apenas um dado biográfico. Que o que sou hoje depende de menos certezas, isso seguramente. Isso é mais fácil? Duvido.
Ao contrário das opiniões já expressas, dou-lhe os parabéns por este texto; e nem sempre estou de acordo com os textos que escreve, antes pelo contrário…
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Não era preciso ter caído o “muro” para se sa ber,de prova provada, que “ser comunista e defender a democracia e a liberdade” era uma impossibilidade lógica,de que,aliás,sempre houve gritantes provas concretas ao longo de toda a história do comunismo,em qualquer país onde se implantou,não por acaso,sempre pela força. Teremos de concluir,pois,que “ser comunista e defender a democracia e a liberdade” não resultava de mera ingenuidade ou falta de informação. Limito-me a perguntar:de que resultaria,então?
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 1:58
ó és tão linda!, se não ser tão esperto como você. De quem, no entanto, por o que leio aqui, dificilmente aceitaria grandes lições em matéria de defesa da liberdade e da democracia.
“a certeza de que é ao produtor que devemos tudo o que conquistámos em bem estar no último século;”
Páre de ser bovino e vá estudar um pouco, se faz favor.
Quem produz conhecimento, nomeadamente, conhecimento científico e científico-tecnológico é que deve ocupar esse lugar. É à ciência que toda a modernidade deve o bem estar.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 1:57
Concerteza, Anónimo. Ainda bem que os cientistas inventaram as férias. E que construiram as máquinas. E que as usaram. E que, veja lá, não são eles próprios produtores. Desculpe, mas esse tipo de raciocínio fazia sentido n inicio do século XX. Hoje é um pouco estranho. Estude o senhor: história, sociologia, etc.
o revisionista/amarelo/menchevique Daniel largou a máscara: olá, pessoal, sou um social-democrata. No PCP, já há muito que se sabia.
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Escorpião, ainda bem que há muito o sabiam porque há muito o disse e escrevi. Por isso, não vejo onde estivesse a máscara.
Devo recordar-lhe que o comunista e a social-democracia pretencem ao mesmo tronco histórico. Por isso, não vejo porque escreve como se de um insulto se tratasse.
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DO:as evidências não precisam de espertezas para se imporem.A questão é outra e você sabe.Dar a mão à palmatória é uma chatice.Quanto ao resto,não desvie a conversa,como é seu hábito,porque eu nunca me propus dar-lhe lições,seja do que for.Quem tem esse vezo professoral é você,como toda a gente sabe.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 2:35
Não se trata de me dar lições. Não o considero um democrata, apenas isso. Leio coisas suas absolutamente abjectas de intolerância, racismo, ódio pelo o outro. Não vai esperar que esteja aqui a fazer um debate ameno consigo sobre as minhas dúvidas, erros ou falhas. Todos as temos. Se bem que o senhor (ou senhora) abuse um pouco.
De resto, escrei há uns meses um texto longo sobre esse tema (a quando do congresso do BE). E há um ano outro (a quando dos 80 anos da revolução russa). Pode ir lê-lo. Se conseguir perceber os textos, claro. Tenho, ao contrário do que diz, facilidade em reconhecer quando segui o caminho errado. Não sou é dado a penitências. Tiro conclusões, mudo e ando para a frente. O que adoro é ver tantos simpatizantes da ditadura que aqui tivemos (e essa foi aqui, bem próxima e vivida), a pedir explicações a todos. Isso sim, é que eu acho estranho.
“Concerteza, Anónimo. Ainda bem que os cientistas inventaram as férias. E que construiram as máquinas. E que as usaram. E que, veja lá, não são eles próprios produtores. Desculpe, mas esse tipo de raciocínio fazia sentido n inicio do século XX. Hoje é um pouco estranho. Estude o senhor: história, sociologia, etc.”
Máquinas? A contribuição do conhecimento científico esgota-se em “máquinas”? A revolução industrial foi a contribuição última da ciência? Está a querer admitir o analfabetismo científico, ou nem por isso?
Será que não se apercebe que vive completamente imerso em tecnologia?
Por exemplo, o que facilitou o salto qualitativo que redistribui o poder por cada vez mais pessoas? Não terá sido a tecnologia? Não é possibilidade de trocarmos informação de forma quase instantânea a grandes distâncias?
Outro exemplo, o que é isto aqui da WEB? Não terá a WEB sido criada no CERN? A ideia de WEB podia ter sido criada por qualquer pessoa, é verdade, mas foram os cientistas do CERN. Sabe o que é o CERN?
Os grandes avanços civilizacionais são conquistas científicas que podem, elas sim, dar espaço à ocorrência de conquistas sociais.
No entanto, acho que essa sua lógica é perniciosa. Porque os produtores não são nada se não souberem como produzir, o que produzir e quando produzir.
Todas as pessoas são importantes.
Mas ao admitir esse tipo de análise, creio que o único critério minimamente razoável é determinar o grau de excepcionalidade da contribuição. E aqui, sem dúvida, enquanto produtores há milhões e são facilmente substituíves, cientistas há poucos e são mais difíceis de substituir.
Segue daqui que o lugar deverá ser ocupado pelos cientistas.
Nota: no role dos cientistas incluo também os tecnológos que desempenham um papel de crucial importância, uma vez que fazem a transferência do conhecimento científico para a sociedade, para a tecnologia.
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Mais uma bela produção de retórica do Daniel. Há o Comunismo dos horrores, das perseguições políticas, do PCP, dos gulags que não tem redenção possível. E depois há o moderno e fresco Comunismo Social Democrata que defende a liberdade e a democracia. Oh Daniel, não acha que estaria melhor no PSD?
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Estou-me absolutamente borrifando para o que você pensa de mim e para os textos “históricos” que tenha escrito e me aconselha a ler. E se de vez em quando aqui meto o bedelho é porque me irrita o seu chico-espertismo,às vezes bastante primário,a fazer dos outros parvos. Tenha paciência,mas esse é um risco de quem quer ter um blogue,um espaço público(com as naturais consequências), para armar ao pingarelho. Claro que eu tambem corro o risco(como já tem acontecido) de ser apagado pela sua ira democrática.
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A extensa dissertação do Daniel de Oliveira tem interesse por diversas razões. Primeiro porque contém uma quase auto-critica, portanto é prova que a passagem pelo PCP teve alguma utilidade!. Seguidamente tenta limpar-se desse passado, fazendo lembrar os Hindus purificando as almas nas águas conspurcadas do Ganges. Mas Daniel por mais essências que tente usar esse bafio jamais desaparecerá!
Depois o discurso vem recheado de surpresas.
Muito a custo lá reconhece que as condições de vida de muitas dessas populações se agravou. Empasta ali um pouco ao tentar justificar que muitas fortunas se constroem na fase inicial do capitalismo. E as restantes como se acumulam? De seguida para a pílula não ser tão amarga adocica-a com um pouco de Bulgária e Roménia . Mas porque razão não ajudaram a melhorar as vidas desses povos? Tiveram 18 anos para o fazer? Pelo contrário degradaram-se ainda mais. Quem são os responsáveis por essa situação senão aqueles que têm mentido descaradamente, fazendo promessas que jamais irão poder cumprir?
De resto é liberdade e mais liberdade e ainda mais liberdade, empanturra-se em liberdade. Afinal essa liberdade que tanto idolatra alimenta famintos?
Qual é liberdade que pode ter um terço da população da Letónia se nem a um documento de identificação que lhes permita sair do país têm direito? São considerados não cidadãos!
Qual a liberdade tem um cidadão Russo ou Ucraniano se não dispõe de qualquer protecção social tal como nós a conhecemos. Qual a liberdade de garantias no emprego para os trabalhadores dos mesmos países, se é permitido à entidade patronal despedir, suspender o trabalho, baixar ordenados sempre que entender, não existe qualquer vinculo entre o empregador e o trabalhador.
Creio que o Daniel esteja a par das lutas recentes dos trabalhadores da Dácia?
Dá o braço a torcer quando reconhece que em alguns desses países afinal até tinham um nível de vida razoável. Não tinham só um nível de vida razoável como no campo da protecção social, da formação e do ensino estavam a milhas adiantados em relação aos países Ocidentais.
Se é um critico declarado do Socialismo tal como é conhecido. Se não morre de amores pelo capitalismo como diz. Qual é o sistema politico que preconiza e considera justo e viável? Talvez uma amalgama de todos? Supervisionado pela ordem capitalista! Devia ser uma experiencia fantástica.
Sabe Daniel sem ser enfadonho vou lembrar-lhe alguns dos pensamentos de Marx e Engels que estão tão actuais como na época em que foram escritos. Dizem assim; “ as camadas médias, o pequeno industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o camponês com posses, todos eles face ao declínio combatem a burguesia ( combatem-na ferozmente quando vêem os seus interesses em risco) para assegurar a sua existência como camadas médias. Não são, pois, revolucionários, mas conservadores. Mais ainda, são reaccionários, procuram fazer andar para traz a roda da história. Isso é bem visível quando se aliam à burguesia na defesa dos seus interesses, traindo a luta do operariado”.
Na sua condição de pequeno burguês, como pode constatar estes escritos com mais de um século assenta-lhe que nem uma luva. Portanto o Daniel não traz nada de novo.
Está sim tentando acomodar-se no lugar que lhe pertence, prestando um péssimo serviço à luta dos trabalhadores explorados. Sabe muito melhor que ninguém que a vida dos trabalhadores na Europa se tem vindo a degradar velozmente depois da queda do Socialismo. A esse respeito o seu silencio é total sem uma única palavra.
O resto fica para depois
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O que a eurodeputada Ilda Figueiredo disse é pura verdade: actualmente existe um muro invisível que divide a Alemanha de leste da Alemanha ocidental.
A Alemanha oriental é muito mais pobre que a ocidental e os ex-comunistas têm quase a maioria em muitos daqueles lander. Tenho só 24 anos mas acho que isto significa que o comunismo não foi assim tão mal como o pintam.
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“o que se passou no Leste da Europa foi, não um conjunto de erros ou desvios, mas um crime contra a humanidade”.
Claro. Ia lá o DO perder a possibilidade de entrar na vanguarda da contra-revolução! Lá está ele já a pôr-se na primeira fila dos que apelam à criminalização dos que se empenharam na construção do socialismo no leste europeu. Quer lá ele saber da enorme tragédia que foi para os povos da região a vitória da contra-revolução. Não, ele quer aproveitar-se desta tragédia e à conta dela já anda a facturar há mais de 10 anos. E quer continuar a facturar. Cada vez mais.
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“eu fui comunista no PCP” diz agora o DO nos comentários, esquecendo-se que antes tinha escrito “Tinha saído há umas semanas da JCP”.
Mas claro, para aumentar o cachet, dá mais auto-qualificar-se ex-PCP mesmo nunca tendo sido membro do PCP. O DO mais não é que um profissional da indústria do anti-comunismo com um falso curriculum vitae.
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À volta das ideologias ou circulo vicioso?!,
“Existe uma consciência colectiva partilhada, que opera para além da nossa consciência individual? E se esta consciência existe, como é influenciada e como é determinado o seu conteúdo? (Mack, 1994: 9).
Sim, a visão da verdade, do espírito enquanto realidade suprema representa a consciência colectiva, sendo o espírito único o auto – conhecimento de cada um e na constatação de que o próprio espírito é inseparável de outros espíritos (Jung, 1971: 21-30).
Neste contexto, também o conceito de poder é considerado mais ideológico e filosófico, não sendo dotado de cientificidade (Maltez, 2002:209).
Então, o poder político será futuramente o poder dos sem poder, como imaginou Vaclav Havel (Maltez, 2002:211) e da governação sem governo, da falta de verticalidade da autoridade central, da governança
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A vitória da contra-revolução no leste europeu traduziu-se numa enorme tragédia para os povos da região. O capitalismo triunfante impôs tremendas “terapias de choque” cujo efeito económico e social foi devastador.
Em poucos meses, milhões de pessoas foram lançadas no desemprego; sectores inteiros da economia foram abatidos ou abochanhados pelo grande capital estrangeiro e por novas classes dirigentes locais; destruíram-se sistemas públicos de saúde, ensino e segurança social.
O PIB dos países ex-socialistas caiu vertiginosamente, nalguns casos para menos de metade dos níveis de 1989.
A riqueza existente passou a ser distribuída de forma drasticamente desigual.
A queda dramática dos níveis de vida de vastas camadas da população reflectiu-se no aumento em flecha da pobreza e mesmo miséria extrema, da emigração em massa, da prostituição, toxicodependência e outros flagelos – que, por sua vez, são fonte de lucros chorudos que alimentam o sistema financeiro internacional.
A dimensão da catástrofe social que acompanhou a restauração do capitalismo reflectiu-se num facto inédito em tempos de paz: a quebra na população e na esperança de vida, nalguns desses países.
É esta a realidade que DO agora comemora de forma tão efusiva, juntamente com o grande capital internacional – o principal obreiro e beneficiário da tragédia humana que acompanhou os 20 anos de restauração do capitalismo a leste.
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Estes acontecimentos de há 20 anos que são, mais uma vez, utilizados para difundir as teorias do “fim do comunismo” e do “triunfo do capitalismo” são inseparáveis do enorme ataque aos direito e às condições de vida dos trabalhadores e dos povos, em curso a nível global.
Na nova correlação de forças mundial criada após 1989, as “terapias de choque” do neoliberalismo foram generalizadas a todo o planeta.
A globalização imperialista provocou um dramático retrocesso nas condições de vida de muitos milhões de seres humanos.
Numa corrida para o abismo, a destruição das condições de vida impostas a uns é utilizada como chantagem para justificar a destruição das condições de vida de outros.
Em nome da “competitividade” agravaram-se drasticamente as desigualdades entre pobres e ricos, a exploração e a opressão de grandes massas de trabalhadores.
Países e regiões inteiras são submetidos a uma autêntica pilhagem.
O desemprego – gigantesco flagelo social e ataque frontal à liberdade e à vida de milhões de homens e mulheres em todo o mundo – é a marca indelével de um sistema injusto que estas “comemorações” tentam mitigar, integrando-se assim na campanha mundial de reabilitação do capitalismo face à crise em que está mergulhado e de reescrita revanchista da História do Século XX e do papel libertador que nela tiveram os comunistas.
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Ainda bem que o Daniel percebeu a tempo que os comunistas são uns autênticos “monstros”, já agora, e porque q
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Saúdo-o pelo facto de ter tido a clarividência de se desvincular do PCP antes da queda do muro. Infelizmente para alguns dos seus ex-camaradas, de uma geração mais velha (Pina Moura
Vital Moreira, José Magalhães, etc.) foi preciso que literalmente a perestroika e depois o muro de Berlim lhes caísse em cima da cabeça para compreenderem que o sistema político que tinham defendido com tanto ardor era um monumental embuste político.
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O Daniel vá mas é perguntar aos operários alemães que hoje ouvi a serem questionados pela SIC, o que eles pensam sobre estes 20 anos. Voçê enche a boca de “liberdades etc, etc” porque tem a barriguinha cheia que a sua condição social lhe permite ter neste paraiso capitalista. Tivesse voçe sem emprego, e se calhar voltava ao PCP.
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Será que foi mesmo derrubado ?????? Olhe já que é uma pessoa informada devé saber que mais de 60% dos alemães de Leste (segundo sondagens publicadas pelo jornais capitalistas) preferiam viver no regime de há vinte anos. Pode explicar isso ??????? E já agora, porque não fala o Daniel da diferença, passados 20 anos, que existe entre os dois lados. Explique lá porque é que o salário de um trabalhador, para as mesmas funções, seja mais baixo para os trabalhadores que nasceram no “Leste” e mais elevado para os do “Ocidente” ???? Podia falar um pouco dessas gritantes diferenças ???? E não se esqueça de falar da estatistica, é que parece interessante, que passados 20 anos e depois de tanta propaganda, 60% dos alemães do Leste ainda clamam pelo socialimo. (Isto é duro de escutar, não é Daniel ???)
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“o marxismo é uma corrente de penamento, não é uma alternativa política. Essa é, se quiser, o comunismo”
Daniel, não se enterre com mais disparates. Vc dá mais trabalho a desmontar que os gajos do cds.
O comunismo, (segundo Marx e não segundo os xico-espertos pós-modernos que andam por ai agora a inventar para se ficar pelas meias-tintas) seria o estádio ultimo da construção da sociedade sem classes. Uma mera etapa na construção do socialismo. Então não será viável existir programas de construção do socialismo? (se existem para os fautores de embustes, tb podem existir concebidos por gente com ética, ou não?)
De resto em si, carissimo Daniel, nada já nos surpreende. Vc tem exactamente a mesma forma de pensar e defende a mesma politica do ministro “socialista” Augusto Santos Silva (quando era ministro da propaganda). O que deve ser um grande orgulho para si; que o seu anti-comunismo seja reconhecido como spin de utilidade pública…
De resto isso é visivel pela quantidade de pensamento reaccionário que consegue atrair a este blogue. Se se dedicasse a uma plantação de nabos não teria mais lucro…
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 11:04
Xatoo, não se irrite. Apenas disse que o marxismo não é uma alternativa, é uma corrente de pensamento. Aliás, são varias e quase todas com um parentesco distante com a obra de Marx que é complexa e até contraditória. A maioria fos marxistas são, na realidade, mais influenciados pela vulgata estalinista do Marx do que por Marx.
perdão, saiu ao contrário:
O socialismo como uma mera etapa na construção do comunismo
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Excelente texto. O regime era tão do agrado dos trabalhadores que milhões deles combateram o derrube do Muro, basta estar atento às imagens, o saudosismo é tal que o partido comunista alemão, no leste, tem % avassaladoras.
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Os blogues têm esta coisa interessante: os comentários são sempre dos ofendidos.
Leo, facturar o quê? Não seria mau discutir sem processos de intensões. Tem de tentar um dia.
Já agora, os operários alemães vivem um bocadinho melhor do que os portugueses. E sim, nós também nos alimentamos de liberdade.
The Studio, só falta vir aqui o MárioMachado explicar os encantos da democracia.
ó és tão linda, então agradecia que deixasse de vir. Se a única razão porque aqui vem é para poder insultar, arranje outro exercício ou ocupação.
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Ultimamente tenho comparado os comentários no Facebook e no blogue (estes posts são publicados na minha página). O espirito é o oposto. E fica-me apenas a pergunta: não conseguirão aqui as pessoas comentar sem parecer que lhes matámos a mãe?
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Como é que se pode dizer isso do Comunismo?
Um regime que tanto bem-estar e riqueza proporcionou aos seus povos. Que tantas regalias sociais lhes deu. Onde os trabalhadores tinham horários laborais dignos e condições excepcionais. Onde as horas extraordinárias eram bem pagas e as férias e folgas condizentes. E claro, onde o sindicalismo era incentivado e apoiado!
Eles tiveram que construir os muros apenas para sobreviver às invasões de trabalhadores ocidentais que para lá queriam fugir, procurando um vida melhor.
“passados 20 anos e depois de tanta propaganda, 60% dos alemães do Leste ainda clamam pelo socialimo”. Claro, como por cá o Salazar é a personalidade do século passado preferida dos Portugueses (com Cunhal à perna, é certo). Bons velhos tempos… Há que lutar por eles.
Proponho uma solução que talvez pudesse deixar todos felizes: porque não criar uma espécie de quintas e indústrias estatais, onde todos estes bons saudosistas pudessem desfrutar do tratamento e condições que o comunismo proporcionava ao seu proletariado? Pelo que por aqui (e ali) se diz, devia ser um sucesso garantido. E se possível, com um enorme muro!
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Sr. Faria,
Talvez uma leitura atenta dos resultados eleitorais na ex RDA lhe traga surpresas…. vá aprender, aprender sempre……
[Responder]
mal comparado o 25 de Abril derrubou o nosso Muro e as queixas sobre os dias de hoje são mais suportáveis que a falta de liberdade de ontem.
vivemos pior? não creio.
somos todos felizes? duvido.
podiamos estar melhor? podiamos.
mas a noite escura e fria de 24 de Abril, nunca mais!
[Responder]
Se não gosta das intervenções, acabe com o blogue, sr. Daniel.
[Responder]
Só os empedernidos, os fanáticos e sectários, presos a uma ideologia anquilosada que fez mais contra o comunismo do que todos os capitalistas juntos, podem continuar a defender o que não tem defesa. São os mesmos que pregam as virtudes socialistas de Cuba, da China, da Coreia do Norte e nos dias de sol, até de Angola.
Daniel, para mim a questão é outra. Como podemos recuperar uma ideia de esquerda, fraterna, justa e solidária, sem estarmos presos aos dogmas tenebrosos do maior embuste do século XX, mas sem cairmos igualmente no capitalismo neoliberal de que as actuais correntes sociais democratas se tornaram nos principais arautos? Como poderemos reinventar a esquerda? Esse é o debate que se deve manter todos os dias, para quem já não suporta as injustiças do presente, mas também não esquece as lições do passado.
[Responder]
Se o Marxismo não é uma alternativa, qual é caminho a seguir? Talvez o capitalismo dourado!
A presente crise está a espelhar claramente essa falácia. Com o Estado a intervir fortemente na economia. Ou acabaram de inventar o Marxismo capitalista?
Daniel seja coerente, não entre em contradições consigo próprio e no que manifestamente está à vista.
[Responder]
Não será tanto com a fobia que lhe matem a mãe. Deve-se sim a não permitir que torture a verdade.
[Responder]
Li um bocadito da prosa e dois ou três comentários.
Quem foi comunista convicto é comunista convicto toda a vida.
É nisto que para o bem e para o mal se distinguem de todos os outros.
Quem não o foi até pode vir a acabar como apoiante do Paulo Portas.
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Já o botas era da mesma opinião. Quem não fosse por ele só podia ser comunista. Aqui quem não concordar com o “dono” da casa tem que ser Estalinista.
Ao que parece a peçonha não foi contraída na JCP, tem outra fonte de infecção. Sabemos que existem vírus com longos períodos de incubação.
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“Tudo quanto nos rodeia, estabelece connosco uma relação de intimidade escravizadora. Rompê-la é próprio dos temperamentos superiores e originais”
Teixeira de Pascoais (1877-1952)
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Revejo-me por completo no seu texto, Daniel, excepto em questões biográficas, claro. Parabéns e obrigado!
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O dia da queda do comunismo foi um episódio histórico. Comprovou que qualquer regime, mesmo que pareça muito sólido, pode ser derrubado pelo seu povo, quando este reclama por liberdade.
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Aliás, se não fossem os argumentos dos tanques soviéticos, nunca teria existido o bloco de leste. As intervenções na RDA (1953), Polónia (1953), Hungria (1956) e Checoslováquia (1968) são a prova disso.
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“The Studio, só falta vir aqui o MárioMachado explicar os encantos da democracia.”
Verdade. Se o Daniel Oliveira defende um Comunismo de liberdade e democracia, o Mário Machado tem toda a legitimidade para defender um Nazismo de liberdade e democracia. Afinal os Nazis sempre mataram menos gente que os Comunistas.
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Bom texto Daniel.
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Sinceramente, só celebrarei a queda do muro (e do comunismo enquanto alternativa sistémica e histórica ao capitalismo):
1º – Quando a maioria dos próprios alemães de leste tb achar que o deve fazer (vejam as recentes sondagens…http://www.ionline.pt/conteudo/31936-alemaes-leste-lamentam-quedo-do-muro)
2º – Quando a “Esquerda” conseguir reconstruir uma grande narrativa (ou pelo menos uns tópicos estruturados) que seja percepcionada pela maioria (ou um grupo significativo) como resposta à crise actual e alternativa ao sistema capitalista que nos está a conduzir ao abismo (http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1414528)
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…e para todos os outros que não param de vomitar as virtudes da URSS ou da RDA, devo lembrar-lhes, e pondo ja de parte as questoes humanitarias e toda a sanguinaria anexada a este regime que parece não ter qualquer efeitos nas vossas cabeças “democraticas”, que outra das causas fundamentais do calapso do muro foi a bancarrota em que se encontrava o sistema (final que parece estar irremediavelmente ligado ao comunismo). Não é por acaso que a China, aprendeu e se abriu ao capitalismo, pois sabia que o seu fim iria ser o mesmo. Só que o muro por la vai-se mantendo de pe. Infelizmente.
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«Eu sei que é muito mais fácil ser ex-comunista do que comunista»
Não sei se será mais fácil. Ser-se comunista nos dias de hoje é não querer ver o que foi a realidade comunista, é não querer ver os milhões de mortos que morreram à conta de uma ideologia totalitária, é não querer ver o definhamento que todas aquelas economias sofreram comparativamente ao mundo democrático. No fundo é ser-se autista por convicção, por assim dizer, é ser-se completamente parvo.
Ser-se ex-comunista é capaz de ser mais difícil, pois é carregar o peso de quem advogou, fez militância ou trabalhou ao serviço de países ou ideologias que dizimaram milhões de pessoas que pensavam de maneira diferente. É reconhecimento e – devia também ser – arrependimento.
Falam alguns senhores ex-comunistas desse seu «engano» esquecendo que eles, como outros que defenderam e apoiaram a ditadura em Portugal, são exactamente farinha do mesmo saco.
O Daniel Oliveira diz, talvez com alguma ligeireza, que é ex-comunista e que evoluiu para o que é agora. É comparável a um ex-fascista, que faz o seu acto de contrição e que hoje se integra na democracia. É bom, sempre é mais uma alma que se salvou.
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A vitória da contra-revolução a Leste é também inseparável da outra face da moeda da globalização imperialista – a guerra e o militarismo.
A palavra paz será mil vezes repetida nos discursos destas “comemorações”, mas nada será dito sobre os processos que estão em curno na NATO para aprofundar o seu carácter agressivo nem sobre a acelerada militarização na União Europeia.
O imperialismo aproveitou-se da nova correlação de forças mundial criada com o desaparecimento da URSS e outros países socialistas para lançar uma ofensiva violenta visando impor a sua hegemonia planetária.
Centenas de milhar de mortos e milhões de feridos, desalojados e refugiados – do Iraque ao Líbano e aos Balcâs, do Afeganistão à Palestina – são o saldo da cruzada de guerra que ilustra bem a natureza agressiva e assassina do imperialismo.
A guerra é acompanhada pelas limitações da liberdade, pela tortura, pelos campos de concentração e prisões secretas à margem de qualquer legalidade, pelos assassinatos selectivos ou indiscriminados.
Esta é a verdadeira face do capitalismo, que as classes dominantes e o DO celebram hoje com entusiasmo.
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A “queda do muro” foi acompanhada pela queda das amarras que condicionavam o funcionamento do sistema capitalista.
Mas 20 anos de “liberdade” para o grande capital trouxeram ao planeta a maior crise económica dos últimos 80 anos, com o seu cortejo de sofrimento e miséria.
Uma crise que é enfrentada com uma clara marca de classe: milhares de milhões de subvenções estatais para os banqueiros e capitalistas responsáveis pela crise; desemprego e miséria para quem vive do seu trabalho.
Uma crise da qual o grande capital vai procurar sair através de um novo e brutal agravamento das condições de vida da grande maioria da população e, com grande probabilidade, através de novas e maiores guerras.
A angústia, incerteza e medo que a esmagadora maioria da população sente hoje em relação ao seu futuro não pode ser separada dos acontecimentos de há 20 anos que hoje são comemorados por governos e por parlamentos e convenientemente ampliados pelos media dominantes.
Mas as “comemorações de regime” q que hoje assistimos dizem mais sobre o presente do que sobre o passado.
A campanha mundial que a propósito da abertura do muro de Berlim se desenvolve essencialmente contra uma ideologia, contra os Partidos Comunistas e contra a luta dos trabalhadores e dos povos pela sua real emancipação e pela sua real liberdade, revela, por si, as contradições, limites e profundas dificuldades do sistema que as “comemorações” procuram apresentar, mais uma vez, como o final da história da humanidade.
Se hoje, 20 anos depois, recrudesce com tanta violência o anti-comunismo, a revisão e falsificação históricas, a intimidação e as perseguições e restrições à liberdade, os ataques à democracia, a promoção de velhos e novos fascismos, é porque o grande capital não se sente seguro.
É porque o grande capital teme a resistência, luta e revolta dos povos.
É porque, longe do triunfalismo e euforia de há 20 anos, percebeu já que se torna mais clara para grandes massas a natureza agressiva e exploradora do seu sistema sócio-económico que, na corrida desenfreada pelo lucro, não só é incapaz de resolver os grandes problemas da humanidade e do planeta, como é o principal factor do seu agravamento.
É porque sabe que cresce a resistência e luta dos povos e trabalhadores. da América Latina ao Médio Oriente, na Ásia e na Europa.
É porque sabe que os comunistas são os principais organizadores da resistência e luta e são os portadores da alternativa de sistema ao capitalismo.
P capitalismo quer intimidar e reprimir, para continuar a explorar e dominar.
Mas, como a realidade demonstra hoje com particular evidência, o futuro da humanidade não está nas contra-revoluções que há 20 anos varreram o Leste europeu.
O futuro pertence ao sistema que irá derrotar e substituir o capitalismo: o socialismo, cujas portas foram abertas pela Revolução de Outubro, faz agora 93 anos.
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Daniel
Grande texto. Nisto estamos de acordo.
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O Leo é um excelente entertainer. Os meus parabéns.
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Quem lê os comentários, até se esquece de que a maioria dos leitores não deixa comentários: é por isso que quem sai à liça para comentar, fá-lo muitas vezes apenas pelo medo, ou pânico, de que o Artigo seja mesmo capaz de influenciar muita gente, sobretudo essa maioria esmagadora de leitores que nem o comentam!
Claro que este texto é muito poderoso, parabéns por ele e pela humildade de o escrever.
Seguramente que não é destinado a quem só vê a realidade a preto-e-branco, porque ela, queiramos ou não, é mesmo muito mais complexa.
Para quem se aventura a tentar percebê-la, este texto tem de facto pistas muito sérias, pois não poderá nunca fazer o Futuro quem não sabe tirar as lições do Passado.
A queda do Muro foi apenas o fim de uma teimosia criminosa. Não foi sequer a vitória do Capitalismo sobre o Comunismo (como simplóriamente sobressai, aliás, do tom das “comemorações” oficiais com a chancela da O. T. A. N.), pois o próprio triunfador, o Estado Social vigente na Alemanha, está bem mais próximo, na prática, do ideal Socialista do que da selvajaria liberal das américas. Foi apenas a vitória do Humanismo sobre a instrumentalização do homem para fins falsamente humanos, ou mesmo cruelmente desumanos.
“Ick” bin auch ein Berliner!
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#55 Sebastião Dias
Eu como nunca fui comunista assumidamente mas que votou CDU em Portugal algumas vezes e por convicção, estou à vontade para opinar sobre a matéria.
Diga-me uma coisa.
Para si, qual a diferença (para melhor evidentemente) em ter sido comunista que coloca a liberdade física e de expressão à frente da ideologia, ou ser conservador de direita que, baseado em mentiras e falácias apoia a evasão e a morte de milhares de pessoas, desde o Vietname até ao Iraque?
Quem carrega o fardo maior?
Durão Barroso e os seus apoiantes em Portugal, ou os comunistas e ex-comunistas?
E os Ex-comunistas que estão no CDS e no PSD carregam duplo fardo não?
E os Ex – Combatentes do Ultramar quantos fardos carregam por terem matado os pretos?
Já agora…os familiares dos ex combatentes do ultramar carregam também fardos, pelo facto de terem sido coniventes?
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Seja como for, a verdade é que, pelo que se pode ler nesta caixa de comentários, muita gente continua imbuída de crenças ingénuas, quer no Comunismo, quer no chamado Liberalismo.
Ainda que por vezes disfarçado de “progresso”: então não querem lá ver que a nossa Felicidade e bem-estar agora dependem das… descobertas científicas??!!!
Felicidade e bem-estar não é ter mais carros na Garagem, televisões na Sala e comprimidos na Farmácia. Como diz e muito bem o Daniel, aquilo que caracteriza as sociedades desenvolvidas são conquistas de outro cariz, que efectivamente igualizam os Homens, como as Férias pagas, o acesso ao Ensino, o direito às Liberdades fundamentais e à Segurança, a igualdade perante a Lei!
É isto que nos diferencia da Idade Média, não é a “internet” nem a bio-tecnologia! Sem todas estas conquistas CIVILIZACIONAIS, mesmo com todas as descobertas tecnológicas e científicas, o Mundo hoje seria muito mais bárbaro e selvagem do que no tempo da Inquisição, pois o desenvolvimento material é completamente neutro em termos de Felicidade e Bem-estar: depende de como for UTILIZADO…
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Rui F., os ex-comunistas, claro. Em nome de uma ideologia recusaram-se a integrar todos os que com ela não concordaram, resolvendo a questão com o assassínio em massa.
Confundir a questão do Iraque com o resto é confundir alhos com bugalhos.
No Iraque houve um ditador sanguinário que mandou assassinar milhões de pessoas dentro do seu país, nomeadamente os de étnia curda, fazendo uso de armas químicas. Tudo levava a crer, e Saddham dizia-o com a boca cheia, que ainda o país ainda tinha armas químicas e que estava disposto a utilizá-las. Os próprios militares estavam disso convencidos. E ele resolveu continuar a brincar com a ONU.
Dir-me-á que a intervenção foi ilegal, pois não houve o consentimento da ONU. Claro, assim como foi a intervenção militar na Bósnia, a qual talvez o Rui F talvez tenha aplaudido apesar de ter sido tardia.
Poderá ainda o Rui F replicar que ambas as intervenções se fizeram apenas por interesse. Respoder-lhe-ei que muito ingénuo será se acha que a maioria das decisões em política não têm na sua base interesses. Ou acha que a invasão da Checoslováquia pela URSS foi uma decisão altruísta?
Já agora, diz que fala à-vontade e eu percebo bem porquê. Nunca foi comunista mas vota CDU por convicção. Presumo mal ao pensar que me quer dar lições de coerência?
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“Tinha saído há umas semanas da JCP mas era um comunista tão convicto como antes. Acreditava que era possível ser comunista e defender a democracia e a liberdade.”
Daniel,
Se deixou de ser “comunista convicto” por causa do muro , duvido muito das suas convicções; se coloca em dúvida que se pode ser comunista da JCP e do PCP e defender a democracia e a liberdade é porque nunca foi verdadeiramente da JCP e do PCP, ou nunca foi comunista, ou não sabe o que é a democracia e a liberdade.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 16:51
manuel, não foi por causa do muro. Remeto-o para um texto que escrevi há um ano. O muro é um símbolo de muitas das razões que me levaram a deixar de ser comunista. Quanto às convicções, elas não são uma fé. Se os factos, a nossa experiência e as nossas convicções morais põem em causa as nossas convocções políticas devemos pensar, pôr em causa e, se necessário, mudar. Falta de firmeza nas convicções é falta de espinha. Excesso de firmeza nas convicções é falta de inteligência.
“No dia em que se comemoram os 20 anos sobre a queda do Muro de Berlim, uma sondagem conclui que os alemães de Leste consideram que a reunificação não foi consumada e que a esmagadora maioria sentia-se bem na antiga Alemanha Democrática.”
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(Ele há cada sondagem!)
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#O estudo indica que 50 por cento dos cidadãos da antiga Alemanha Democrática lamentam diferenças reais do nível de vida, lembrando que no Leste o desemprego é maior, os salários são mais baixos e o PIB é de apenas de um terço do registado no lado ocidental do país.”
“Doze por cento dos inquiridos recordam com saudade os tempos da RDA e outros tantos defendem mesmo que o muro devia ser reconstruído.”
“Somente um quinto dos alemães de Leste considera que a reunificação vai no bom sentido e muitos outros dizem que os irmãos do ocidente os tratam com arrogância.”
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«“No dia em que se comemoram os 20 anos sobre a queda do Muro de Berlim, uma sondagem conclui que os alemães de Leste consideram que a reunificação não foi consumada e que a esmagadora maioria sentia-se bem na antiga Alemanha Democrática.”»
É natural que lá também haja a versão traduzida do «isto só vai ao sítio com 2 Salazares», seja os que traduzem com Hitler ou com Honecker (Onécker?, Honnecker?).
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55 Sebastião Dias 9 Nov 2009 às 14:11
O Sebastião quando fala em milhões de mortos, pode dar-me a estimativa dessa macabra aritmética? Não faça uso do lápis de dois bicos como qualquer guarda-livros de vão de escada. Não esqueça que as contas já foram feitas e apresentadas. Porque razão as escondem?
Se contabilizar bem, a guerra do Vietname fez mais vitimas civis!
Esse Robert Service e outros tirocinantes que levaram uma vida a despejar fantasias sobre o assunto , qual foi a razão que os levou a calarem-se depois de consultados os arquivos? É que a mentira tem pernas curtas!
Para o poupar a grandes maçadas vou dar-lhe uma ajuda, colocando-lhe uma catrefada de números à sua disposição, o Senhor o que tem que fazer apenas é escolher o que mais lhe agradar.
Comecemos por; Jean Ellenstein em “Histoire de l´URSS” Paris 1973. Diz Alguns milhões de pessoas foram deportadas, muitos acabaram por não resistir à falta de condições.
P J D Wiles em; “As Lutas de Classes na URSS” 1974 refere 1,6 milhões nos anos 1931 a 1937 e de 4,3 milhões a partir de 1938, no entanto acrescenta que lhe parece este numero elevado. Tome nota que até aqui só se mencionam deportados.
André Gluccksman (um ex Maiosta) apoiante de todos as intervenções Americanas. Em “O Fogão e o Comedor d´Homens” 1975 , diz «15 milhões de mortos prováveis» para dois anos depois em; “Os Soberanos Pensadores” 1977 acrescentou a alucinante contagem de 40 milhões de mortos provavelmente. Este “senhor” já fala em mortos
Os Euro comunistas em; “A URSS e Nós” 1978 dizem 10 milhões de mortos.
Aleksandr Soljenítsin em ; “Arquipélago de Gulag” 1983 assegura que na URSS morreram 66 milhões de pessoas.
Por fim Michael Voslensky em; “Nomenklatura” cita a fabulosa quantia de 110 milhões de mortos.
Quando da abertura dos arquivos em 1989 o que encontraram foi uma desilusão angustiante, cerca de 2,1 milhão de vitimas.
Qualquer pessoa sensata não pode negar este drama, e o sistema de terror que se abateu como uma placa de cimento sobre aqueles povos.
Mas também não é a qualquer charlatão oportunista que lhe cabe o direito de à custa dos horrores sofridos, propagar mentiras a seu belo prazer para daí obter dividendos políticos e materiais.
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Marcelo do Souto Alves
Para que conste e não sinta que esteve a escrever em vâo, subscrevo tudo, mesmo tudo, o que “disse”
Sem mais comentários, porque desnecessários.
Um abraço, meu caro!
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É curioso, nestes dias, não se falar do homem que esteve por trás da queda do murro: Helmut Köhl. Democrata-Cristão e chanceler até ser derrotado nas eleições de 1998.
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Pelos comentários que li aqui parece que falta cair outro muro: O muro que separa os cérebros dos comunistas da realidade.
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#63 Sebastião Dias
“…No Iraque houve um ditador sanguinário…”
Também a indonésia dizimou a “etnia Maubere”…Os seus amigos Americanos que fizeram? Um barril de petróleo vale muito mais que umas caixas de bananas e café, não é? OBVIAMENTE que, sabendo-se agora da existência de petróleo na zona, os seus amigalhaços chamavam-lhe um figo!
Pela mesma ordem de ideias “sanguinárias”, porque não seguem os seus amigos Barrosos e afins a mesma filosofia na Coreia, sabendo-se que aquilo é uma ditadura tão ou mais raivosa que a do Sadam? Ou ficaram convencidos pelo Bernardino que quilo é mesmo uma democracia?
Lição de coerência, não é, Sebastião?
Sabe Sebastião…ainda não vi nenhum Comunista Português, comer criancinhas – passe a expressão – na Margem Sul ou no Alentejo!
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Partizan,
Só na Estrada dos Ossos, com 2000 km através da Sibéria até Mogadan – o maior Gulag da URSS, estão enterradas por debaixo do asfalto 2 milhões de prisioneiros que à medida que foram morrendo gelados foram sendo «incorporados» na estrada, numa média de uma pessoa por metro.
Este é apenas um «trivia detail» para se ir entretendo, mas entre tantos países comunistas não faltarão certamente parcelas para ir somando às suas contas. Não que isto lhe interesse por aí além, pois segundo o que julgo depreender das suas palavras, 2,1 milhões de mortos, perdão, vítimas, até é um número perfeitamente acetável.
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A questão, Daniel, é que a música por trás dos seus escritos cada vez mais me soa aos vangelis que passavam aquando do Guterres.
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Rui F, conheço a argumentação, se fossem à Coreia imediatamente me iria perguntar porque é que então não iriam à China, se por medo ou por falta de petróleo.
Pois bem, por um lado não me lembro de que o Kosovo seja rico em petróleo, diamantes, ouro ou gás natural e os americanos foram lá enquanto o resto da Europa assobiava para o ar.
Depois, pela sua argumentação «-Então porque é que eles não vão…» presumo que é favorável a uma intervenção generalizada e simultânea em vários locais problemáticos do globo, o que deita por terra a tese de que é um pacifista.
Quanto a comerem criancinhas nada sei, mas que esses comunistas negam os assassinatos e outros crimes dos seus camaradas doutras nacionalidades, isso negam. Será que é acharem que não é crime ou por não acreditarem que aconteceu?
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Marcelo do Souto Alves: deixo-lhe o conselho de Georges Gastaud: “OS POVOS DE LESTE FIZERAM UMA EXPERIÊNCIA HISTÓRICA DE MASSAS: ESCUTEMO-LOS!
E, antes do mais, escutemos os povos de leste; não esses anticomunistas profissionais que ousam falar em nome dos seus respectivos povos depois de os ter devorado e arruinado, mas os trabalhadores, os camponeses, os reformados da Rússia e da RDA, da Hungria, da Roménia, etc., que viveram e avaliaram na sua vivência quotidiana a restauração capitalista mascarada de «democratização»: porque, feita a experiência, e sem ter esquecido de modo algum as repressões arbitrárias e os aspectos burocráticos que em graus muito diversos caracterizaram a época precedente, os povos fazem o balanço; comparam os «méritos» do euro-capitalismo (pauperização galopante das massas, enriquecimento fabuloso das máfias) a essas conquistas bem reais do socialismo que se chamaram pleno emprego, educação de bom nível, cultura, desporto, férias e cuidados de saúde acessíveis a todos, habitação garantida a baixo preço, criminalidade baixa, segurança da existência, espírito de solidariedade na vida quotidiana. É o regresso racionalizado do socialismo nas memórias, atestado por todas as sondagens realizadas na RDA, na Hungria ou na Rússia, e ainda melhor nessa sondagem continental de grande envergadura que viu há pouco tempo os povos de leste a boicotar ainda mais maciçamente do que os povos do ocidente essas eleições europeias por ocasião das quais o Partido Maastrichtiano Único convoca periodicamente o bom povo a «escolher livremente» entre a versão da direita e a variante de «esquerda» da clique social e do declínio nacional…”
http://odiario.info/articulo.php?p=1350&more=1&c=1
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“Que em alguns países de Leste onde, apesar de tudo, não se vivia mal – RDA, Hungria ou Checoslováquia –”
Daniel, se já tiveste o privilégio de visitar alguns destes países, devias andar distaido. Eu só posso falar da Checoslováquia, que visitei e onde contactei com diversas testemunhas do regime comunista; o que me descreveram das zonas rurais não é compatível com “não se viva mal”.
Com esta festa toda da queda do muro, reapareceu alguma nostalgia incompreensivel acerca da realidade vivida nestes países, durante décadas.
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“facturar o quê? Não seria mau discutir sem processos de intensões.” ???
Mas eu nem sequer lhe dou o benefício da dúvida. Eu faço uma afirmação. Eu digo com toda a clareza que o DO é um profissional da indústria do anti-comunismo com um falso curriculum vitae.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 18:09
Leo, como queira. Felizmente não existe a Stasi para o senhor tratar disso como gostaria.
# 20 milhões na União Soviética
# 65 milhões na República Popular da China
# 1 milhão no Vietname
# 2 milhões na Coreia do norte
# 2 milhões no Camboja
# 1 milhão nos Estados Comunistas da Europa de Leste
# 150 mil na América Latina
# 1,7 milhões na África
# 1,5 milhões no Afeganistão
# 10.000 mortes “resultantes das acções do movimento internacional comunista e de partidos comunistas não no poder”
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Uma lista parcial mais detalhada de alguns crimes cometidos na União Soviética durante os regimes de Lenin e Stalin descritos no livro inclui:
* As execuções de dezenas de milhares de reféns e prisioneiros e o assassínio de centenas de milhares de operários e camponeses rebeldes entre 1918 e 1922.
* A fome russa de 1921, que causou a morte de 5 milhões de pessoas.
* A deportação e o extermínio dos cossacos do Don em 1920.
* O assassínio de dezenas de milhares em campos de concentração no período entre 1918 e 1930.
* A grande purga que acabou com a vida de 690.000 pessoas.
* A deportação dos chamados “kulaks” entre 1930 e 1932.
* A morte de 10 milhões de ucranianos (Holodomor) e de 2 milhões de outros durante a fome de 1932 e 1933.
* As deportações de polacos, ucranianos, bálticos, moldavos e bessarábios entre 1939 e 1941 e entre 1944 e 1945.
* A deportação dos alemães do Volga.
* A deportação dos tártaros da Crimeia em 1943.
* A deportação dos chechenos em 1944.
* A deportação dos inguches em 1944.
O livro, entre outras fontes, usou material dos recentemente abertos ficheiros do KGB e de outros arquivos soviéticos.
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E depois o Alberto João Jardim é que é maluco.
O homem pode ter todos os defeitos do mundo, mas teve tomates para dizer o que muitos pensam.
A diferença entre haver um partido fascista e um partido comunista não é nenhuma.
Devem ambos ser imediatamente ilegalizados.
Ou então o PCP que mude de nome.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 18:30
António Cunha, refere-se ao simpatizante da ditadura que tivemos aqui? É esse Alberto João Jardim?
Quanto à comparação vale zero: uns apoiaram uma ditadura no seu próprio país, outros combateram uma ditadura no seu próprio país.
83 Daniel Oliveira
Está a esquecer-se de qq coisa nessa sua frase.
“… uns apoiaram uma ditadura no seu próprio país, outros combateram uma ditadura no seu próprio país.”,
(Agora acrescento eu )…para poderem instaurar outra ditadura quicá ainda pior no seu próprio pais.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 18:47
António Cunha, sou contra a criminalização a partir de suposições. Mesmo que suponha isso, só tivemos uma ditadura e essa foi de direita. Não pode reescrever a história.
Leo
Eu apoiei (e apoio) tudo o que o Marcelo do Souto Alves aqui escreveu.
Mas o Leo, imbuído desse entusiasmo “anti-contra-revolucionário”, utiliza expressões que…
Se quiser dialogar um pouco (sem qualquer preconceito de afrontamento), pedia-lhe que me “dissesse” o que entende por:
1- Ditadura do Proletariado, expressa por Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista;
2- Aplicação prática deste conceito, desde 1917 até 1924, na URSS;
3- Como foi aplicado nos anos subsequentes.
Acredite que só pretendo um diálogo sério e não agressivo. Até porque nem estava para me “meter nisto” a este nível.
Se aceitar esta proposta (e como temos todo o tempo do mundo), poderemos “ir por partes”, calmamente ( mesmo que, entretanto, o “post” vá para o Arquivo).
Pode ser, camarada?
Um abraço.
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Basta olhar para meia dúzia de comentários de alguns serventurários do PCP para se concluir que essa gente não é boa da cabeça, é desonesta até à medula ou vive numa realidade paralela. Um certo Leo, com a sua pitoresca linguagem bolchevique,escreve mesmo isto:
“A vitória da contra-revolução no leste europeu traduziu-se numa enorme tragédia para os povos da região. O capitalismo triunfante impôs tremendas “terapias de choque” cujo efeito económico e social foi devastador.”
Tragédia maior era serem constantemente ameçados por invasões de tanques se ousassem pôr em questão o domínio efectivo da URSS, estarem constantemente a ser vigiados pelas polícias políticas ou passar horas numa fila para conseguirem alguns pães duros, habitando em cubículos esconsos com um quarto de banho para vinte pessoas. Eles que vão à Roménia defender o belo regime que lá vigorava até Dezembro de 1989, se tiverem coragem.
[Responder]
«uns apoiaram uma ditadura no seu próprio país, outros combateram uma ditadura no seu próprio país.»
Não deve ser o caso do Daniel ter combatido a ditadura no seu país, pois tem precisamente a minha idade: apesar de o imaginar comuna desde muito cedo não o vejo aos 5 anos de bibe a distribuir panfletos comunistas contra os crucifixos aos seus companheiros de creche; no entanto já o imagino aos 10 a brincar com chaimites e migs em miniatura e a pintar paredes, em nome da transformação da sociedade numa ditadura a la União Soviética. Com a idade chegou a razão e ainda bem, pois nem todos podem dizer o mesmo.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 19:04
Sebastião, felizmente nunca tiver de combater nenhuma ditadura. Presto apenas a minha homenagem e respeito aos que o fizeram.
Mesmo que suponha isso, só tivemos uma ditadura e essa foi de direita. Não pode reescrever a história.
Ó meu senhor, ou era muito novinho ou esqueceu-se do que aconteceu em Portugal desde o 26 de Abril até ao 25 de Novembro.
O nome CopCon diz-lhe alguma coisa?
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 19:16
Fado, se foi uma ditadura, foi um pouco confusa e anárquica, não?
Mas adoro comparações entre 48 anos de fascismo e uns meses de confusão.
Daniel
Com tanta ” porrada ” que levou só pode estar no caminho certo…
Gostei do seu texto e gosto das suas opiniões, sábios aqueles que mudam de opinião é sinal que crescem, envelhecem e que a vida lhes ensinou algo!
Alguns nascem velhos e assim morrem, sem nenhuma lição a levar do mundo, temos de ter pena destes pobres. coitados.
[Responder]
Diz agora o DO: “sou contra a criminalização a partir de suposições.” Esqueceu-se que no posto escrevera: “o que se passou no Leste da Europa foi, não um conjunto de erros ou desvios, mas um crime contra a humanidade”, certo?
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Sim, João Pedro. A vitória da contra-revolução no leste europeu traduziu-se numa enorme tragédia para os povos da região. O capitalismo triunfante impôs tremendas “terapias de choque” cujo efeito económico e social foi devastador.
No plano social e humano os resultados do colapso do socialismo são desastrosos. Os antigos países socialistas da Europa e a ex-URSS foram directamente atingidos, facto bem espelhado no insuspeito relatório do PNUD sobre o processo de «transição para a economia de mercado»(1) que aponta para as suas consequências calamitosas: colapso económico, emergência em massa da pobreza, desigualdade e ruína social, explosão do crime, quebra drástica da esperança de vida, etc. Embora não qualifique o processo de genocídio – a quem depois apresentaria a factura? -, o citado relatório informa que «vários milhões de pessoas não sobreviveram à década de noventa o que teria acontecido se o nível de esperança de vida existente em 1990 tivesse sido mantido» e conclui, referindo-se à gravíssima depressão populacional e demográfica que afecta a maioria destes países, «ser difícil imaginar que algo similar pudesse alguma vez ter acontecido em tempo de paz e numa região tão vasta». O relatório do PNUD, que encontrou pouco eco entre os grandes media e a elite pensante da «sociedade global», tem a coragem de reconhecer que a transição para a economia de mercado – que admite ser um eufemismo para designar o que apelida de «grande depressão» – «ter sido literalmente letal para uma vasta camada de população» e de estabelecer, mesmo que não aprofundando, a ligação entre o aumento da desigualdade que acompanha a transição e o processo de privatizações resultante na «constituição de uma reduzida e opulenta classe capitalista e de uma sociedade altamente polarizada». A par da hecatombe social e económica (só na Rússia o PIB decresce 40% em menos de dez anos), o processo que levou ao desaparecimento da URSS e à restauração capitalista fez eclodir um conjunto de guerras fratricidas de invólucro nacionalista. A receita é antiga: o imperialismo sempre usou o nacionalismo para semear o ódio e a divisão quando lhe foi conveniente. Na ex-URSS, a lista é longa e inclui guerras civis, separatistas, religiosas e territoriais – Azerbaijão, Arménia, Tadjiquistão, Moldova, Geórgia, Rússia, Usbequistão e Quirguistão. Na Rússia, onde se travou a guerra na Tchetchénia, o nacionalismo tchetchene surgiu não como movimento de libertação mas antes como parte integrante do amplo processo contra-revolucionário, com a conivência e instrumentalização do Krémlin e os apoios externos aos quais os EUA não são alheios.
1. Transition. Human Development Report For Central and Eastern Europe and the CIS 1999, UNDP
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Daniel, parabens pelo post, gostei muito.
E a todos os que comentam os meus parabéns, sem excepções, neste blog podemos encontrar autenticas pérolas geniais. Vou adorar daqui a uns anos poder voltar para rever algumas coisas e voltar a rir como hoje.
Cada um representa o seu papel, mais ou menos informado, mais ou menos alienado, o importante é não pararem pq isso seria uma pena.
Aproveito para lançar uma pérola tb, e minha, não a fui buscar a livro nenhum, nem de história nem de economia. E que tal todos tentarmos dar o passo seguinte (à esquerda pois claro que para a outra banda nada de bom parece surgir), que tal ajudarmos a criar o GAÍSMO???
Podia terminar o meu comentário assim, mas não permito a mentes de direita virem com reparos sexistas e puritanos.
Deixo só uma pista, já que o planeta está mesmo ameaçado, já ouviram falar da teoria de GAIA?
Vamos lá gente, dar o passo seguinte!
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cafc: acredito que tenha todo o tempo do mundo mas eu não tenho.
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Sebastião
Nem vale a pena argumentar mais consigo.
Você só vê para um lado, tal como os comunistas e as mulas – peço desculpa se o ofendo.
È tão ou mais faccioso quanto eles, quando não quer admitir os crimes cometidos pelo Ocidente, especialmente Americanos e Ingleses!
Você um assumido capitalista, certamente iria achar de “peanuts”, se lhe dessem de herança uns milhões de dólares, correspondendo exactamente ao numero de mortes que as balas das M16 já assassinaram por esse mundo!
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Daniel,
Apesar de muitos desacordos que tenho consigo, este seu artigo é de uma honestidade e coragem que admiro.
Obrigado por partilhar connosco aquele dia feliz. São sempre felizes os dias em que caem muros, mesmo que depois as nossas misérias fiquem à vista.
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Envio-lhe as melhores saudações pelo seu artigo.
Vale a pena ser lido e divulgado.
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DANIEL:
Você está de facto muitíssimo bem acompanhado: Merkel, Sócrates, Sarkozy, Brown, o criminoso de guerra Barroso, o assassino do Blair, o Assassino do Reagan, o criminoso de guerra Solana, enfim, é um nunca acabar.
Mas creio que deve sentir-se bem. Porque é que não faz companhia ao Paulo Portas, porque é que não vai pôr uma velinha pelos seus camaradas mortos, o Silva Pais, toda a gloriosa fila de torcionários que estão a pedir perdão a nosso senhor?
Não sei porque é que lhe respondo. É que você não passa de um obcecado bem pago pela burguesia a quem serve no jornal, na televisão e agora, que triste, arriando as calças na praça pública.
Ouça, a gente compreende que se venda, mas poupe-nos as explicações. Explique o seu “complexo de Portnoy” ao pai da Joana Amaral, o menino Reboredo. Certamente ele não vai curá-lo, mas como teve um percurso semelhante ao seu (só que, mais esperto, está muito melhor na vida): foi da extrema esquerda à extrema direita. Aliás é esse o glorioso percurso dos filhos de alguma pulítica, perdão, política. Mas se não quiser consultar o Reboredo, talvez possa experimentar trabalhar, fazer qualquer coisa útil. Ir, por exemplo, para o raio que o parta, em vez de chatear quem está quedo com merdas de há vinte anos. Ainda por cima você anda a imitar a Zita Seabra, essa tóla genial que chegou à conclusão que o comunismo é irreformável. Olhe, se quer reformar alguma coisa, reforme-se a si mesmo. Mude de obcessão.
Ou então vá dar uma mãozinha aos sionistas de Israel ou dos EUA que esses sim, esses é que sabem fazer muros. Ou você, seu jornalista, não sabe que já morreu muito mais gente nos muros do México e da Palestina do que em Berlim? Ou é tão tapado que ainda não percebeu que esta caldeirada toda é para ver se os trabalhadores esquecem que viviam melhor, mas muito melhor, antes da queda do tal Muro de Berlim.
Daniel, saia da cova dos leões e vá até Fátima visitar, beijar e acariciar o fragmento de muro que lá existe, foi feito em Portugal mas para os saloios dá no mesmo. Vá, moço, vá, e leve os seus colegas intelectuais do “Eixo”: a Pirua, o Careca e O-Cabelo-Às-Ondas. Ah, e o seu patrão Xico Balsas, pode ser que lhe faça bem à asma. E levem farnel, não vão por lá comer-se uns aos outros.
Ai Daniel, isto é que você me saiu um banana, rapaz. Olhe, adeus. Saúde e bichas. Mas trate-se. Para seu bem e de todos nós. Vá filho, faça essa florinha a Nossa Senhora.
Luis Nogueira
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 21:25
Luiz Manuel, esqueceu-se de Pinochet, Bush, Salazar. Porque como se sabe há dois tipos de pessoas: os comunistas e os escroques? É isto, não é?
Uma simples frase de Daniel Oliveira neste texto diz tudo:
“É verdade que o capitalismo falhou em muitos dos países de Leste.”
E onde é que triunfou? e quando?
o sub-consciente traíu DO: o Comunismo não é reformável, o capitalismo sim! DO é um reformista do capitalismo. É esse o seu papel e do seu partido:
Tudo dito, tudo esclarecido.
Lamentável.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 21:22
Zé Manel, que eu sou um reformista não é novidade para ninguém que esteja atento. E o senhor é o quê? Arqueólogo?
Leo
Acredito que não tenha tempo.
Só o trabalho que tem tido hoje a mandar os mesmos textos para “tudo quanto é sítio”, é mesmo extenuante.
Eu também vou descansar.
Até amanhã camarada.
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Daniel, excelente texto! Parabéns!
Eu só acho que a esquerda anda a tentar reinventar-se não há 20 mas há mais de trinta anos. Basicamente desde que o Estado Providência entrou em crise na década de 70 e desde aí nunca mais se endireitou… mellhor, esquerdizou!
Precisa-se urgentemente de uma terceira via, mas desta vez uma que funcione mesmo! e não marketing político para inglês ver…
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Daniel,
Subscrevo quase na totalidade os seus comentários.
Quero realçar duas ideias:
1) Mais vale viver numa democracia imperfeitíssima como a nossa, a viver em qualquer tipo de ditatura
2) No nosso tempo, depois de deixados o comunismo e as suas monstruosidades no caixote de lixo da história, quem queira construir um mundo mais justo para todos, tem de entender que isso tem de ser feito passo a passo, pelo método de tentativa e erro.
Estamos a pisar um novo terreno, temos de aproveitar da experiência passada o que de positivo ela teve, quanto ao resto temos de ser nós a inovar e a tentar construir esses novos caminhos.
Como diz o outro “Yes we can”
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O sr está agarrado ao capitalismo, assume (!) e eu é que sou o arqueólogo?
olhe que não…olhe que não…
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Daniel Oliveira ( e o seu partido?) quer reformar o capitalismo.
Fraca ambição: ser gestor de conta corrente de um sistema falhado!
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 9th, 2009 at 22:52
zé mael, no meu partido as pessoas têm opiniões individuais.
Fado, se foi uma ditadura, foi um pouco confusa e anárquica, não?
Mas adoro comparações entre 48 anos de fascismo e uns meses de confusão.
Para aqueles que foram presos (sim é incrível que no pós 25 de Abril houve presos por ideologia) e para os que morreram abatidos pelas forças revolucionárias a diferença não deve ter sido muito grande.
Mas se tem dúvidas pode perguntar ao senhor Major Tomé e Capitão Duran Clemente (já devem agora ser quase generais) que militam no mesmo partido que é o seu.
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95 Esquerdino
9 Nov 2009 às 19:37
“Deixo só uma pista, já que o planeta está mesmo ameaçado, já ouviram falar da teoria de GAIA?”
Quem é o autor dessa teoria? O Luís Filipe Meneses?
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Concordo inteiramente. Antes esta pobre democracia do que qualquer uma daquelas ditaduras. De esquerda ou de direita, uma ditadura é uma ditadura. Pena é que grande parte daqueles que se dizem de esquerda recusem assumir algo tão óbvio.
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111 bico de lacre
ahahahahahaha
Já não me ria tanto à muito tempo.
Ó Azevedo isto tem mão sua ?
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Daniel:
É possível discordar de algumas coisas do seu texto, inclusivé no essencial, e ao mesmo tempo ver nele coerência, verticalidade e sinceridade. Lamento que a maior parte dos comentadores não veja isso e se atire a si como gato a bofe, atacando a pessoa e não o que ela diz. Muitos destes comentadores não se dão conta de transparentemente estarem a passar a imagem daqueles gangs dos quais não se pode sair, por isso ser traição. Enfim.
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Carlos Azevedo
“Pena é que grande parte daqueles que se dizem de esquerda recusem assumir algo tão óbvio.”
Nao sei entao de que grande parte da esquerda fala. Todos nos sabemos que os extremos se tocam. Uma ditadura, de esquerda ou direita, sera sempre isso apenas: um regime de um ou uns loucos.
Havera por ventura uma minoria de esquerda que desculpa determinadas coisas de determinados regimes. Para mim, esses sao iguais a muitos da direita.
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Os comentadores que aqui têm vindo defender com unhas e dentes a “outra senhora” dos países de leste, e se dizem comunistas, deviam intitular-se “muristas”, pela maneira, diria heróica, com que defendem esse que foi o grande bastião da protecção das regalias da classe operária, apenas alcançadas nesse paraíso perdido que também ficou conhecido como cortina de ferro.
Ou talvez apelidar-se de Comuniteístas, este pessoal que sente a política como uma religião. Quando vêem alguém passar com um bom carro e sentem o desejo pequeno burguês de possuir um igual, vão rapidamente ter com o orientador do seu centro de trabalho, que lhe lê passagens do “Manifesto do Partido Comunista” e do “O Estado e a Revolução”, e depois os manda em paz, mas com a obrigação de recitar 3 “Avante Camarada” e 5 “A Internacional”, bem como de comparecer a 2 manifestações da CGTP, mas carregando um cartaz, como penitência.
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Rui F, crimes de guerra não significam a mesma coisa que guerra criminosa. Eu também, confesso, já tenho pouca paciência para discutir com as suas frases feitas e ideias «full of bullshit»
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1. 73 Sebastião Dias 9 Nov 2009 às 17:41
Só na Estrada dos Ossos, com 2000 km através da Sibéria até Mogadan – o maior Gulag da URSS.
pois segundo o que julgo depreender das suas palavras, 2,1 milhões de mortos, perdão, vítimas, até é um número perfeitamente acetável.
O Senhor leu com atenção o que eu escrevi? Vou repetir. Disse; nenhum charlatão (acrescento mentiroso) oportunista deve servir-se do infortúnio das vitimas para fazer propaganda. Não foi bem isto; mas quase, assim assenta-lhe melhor a casaca.
Ainda menos dei a minha opinião quanto ao numero das vitimas. Desmascarei as suas falácias com elementos concretos.
Quanto a essa tal estrada de Magadan com 2 mil km vai perdoar-me por ser tão frontal mas isso não corresponde à verdade, por todas as razões que o Senhor desconhece ou quem inventou essa patranha. Também quando afirma que o maior campo presidiário se situava nessa região ainda menos. Esses campos situavam-se na sua maioria entre os rios Obi e Lena, existiam outros no Norte do Cazaquistão, Tselonigrad, actual Astaná ( para os locais Akmolá em língua Cazaque quer dizer cemitério de brancos). Ouviu falar no livro “a Ilha dos Canibais” ? Refere-se a uma ilha no rio Yenissei!
Também não julgue que esses presídios foram uma criação dos Soviéticos. Isso já vinham do tempo dos Czares, a Sibéria inicialmente foi povoada com deportados. Assim como algumas das colónias Europeias.
Eu tive a (in)felicidade de conviver na Rússia com alguém que passou por um desses campos.
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Partizan, você sabe tudo, até conviveu na Rússia com alguém que passou por um desses Gulags – pelas ideias que tem e pelo facto dessa pessoa ter sobrevivido deveria ser um dos guardas…
Nem vou ter trabalho a discutir números consigo, eles estão nas enciclopédias, na wikipedia e foram bem enunciados por outros neste post. Uma rápida pesquisa na net e poderá confirmar o que lhe digo. Experimente googlar «road of bones» e «Magadan» e aprenda.
Há sempre loucos negacionistas para acreditar no que já ninguém acredita, sejam eles neonazis ou comunistas recauchutados. Evolua.
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As contas do Amigo Cunha anda ao arrepio da inflação, enquanto esta desce, as contas dele disparam. Chama-se a isso mesmo contas de merceeiro feitas à luz da candeia.
Acrescente à sua lista mais200 milhões , publicados no livro de Vladimir Volkoff em; O Fim do Comunismo” .
Mais 100 milhões em “O Livro Negro do Comunismo” de Robert Laffont.
Sabe Cunha qual é o meu grande receio? Com todo esse ódio aos comunistas você não siga o exemplo dos Romanos, depois de terem crucificado Cristo, moverem uma perseguição sangrenta aos seus seguidores, acabaram por abraçar os seus fundamentos .
Quem sabe se o Amigo Cunha um dia num momento de reflexão não reconsidera e segue o mesmo caminho? Se isso lhe acontecer esqueça os campos de reeducação!
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No seu partido têm opiniões pessoais e objectivos pessoais. No PCP, há objectivos colectivos e exógenos ao Ego – por isso, alguns narcisos filhos da Burguesia não aguentam…
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 10th, 2009 at 3:16
Escorpião, o ego não tem classe social. E à supressão do ego e do indíviduo dá-se o nome de totalitarismo. Sim, eu não aguento. Os objectivos individuais fazem parte da vida. A diferença é que em alguns sítios eles são disfarçados, escondidos, dissimulados. Mas olhe para o culto da personalidade na URSS e verá como o ego de um só individuo foi elevado à sua máxima potência. A diferença é o que dele esmagava os dos demais. A humildade comunista é uma treta tão grande como a bondade cristã. Os jogos de poder, as vaidades, as ambições estão lá todas. Os códigos é que são diferentes. Geralmente mais dissimulados e claros. O que é pior e não melhor.
E se houver um fascista no Bloco, também é uma opinião individual?
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Sebastião Dias:
Tire os seus apontamentos de onde muito bem entender, há por aí acepipes para todos os gostos e paladares. Na net encontra tudo depende das suas preferências.
O que eu disse foi o que se encontrava nos arquivos Soviéticos quando foram vasculhados de cima a baixo. O Senhor depois é que veio com essa treta se eu considerava que eram poucos.
Não tenho nada que revelar a minha opinião, tenho sim que impedir , que o Senhor ou qualquer outro fantasista tenham o atrevimento e a imoralidade de em nome dessas ou de quaisquer outras vitimas, espalharem ladainha enganosa, para obterem dividendos políticos e materiais.
Tenham ao menos dignidade, para saber respeitar a memoria de quem passou por esses martírios. Não façam disso uma arma de propaganda para mentir a quem não está a par da situação.
Tem duvidas que eu convivi com alguém que passou por esses locais? E por conviver já tive que ser guarda? Também o Senhor de certeza que já conviveu com gente de diversas índoles. Por esse facto tem que estar ligado a eles?
Eu não fui para a URSS enviado por qualquer partido. Fui trabalhar por conta de uma firma Italiana.
Quando tem a veleidade em fazer afirmações que uma estrada foi pavimentada com os corpos dos trabalhadores mortos, revela bem o que vai nessa cabeça .Não deixa de ser um infame medíocre, um anti-Marxista quezilento. Ou mais grave ainda trata-se de um néscio qualquer que acredita em tudo quanto ouve e vê.
Instrua-se, não queira passar de bestial a besta.
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Daniel, não partilho do seu júbilo. E olhe que concordo consigo em vários pontos. De facto, um regime onde as liberdades de expressão e de imprensa não existiam, ou onde uma polícia política espalhava o medo entre as pessoas, não poderia durar muito mais tempo. A queda do muro simbolizou, por isso, a conquista de umas liberdades. Mas, como o Daniel sabe, perderam-se outras, nomeadamente a avançada protecção social, o sistema de educação, o direito efectivo e real à habitação, o pleno emprego, etc. A contradição – uma trágica contradição – marcou a RDA, assim como os outros países de Leste e outros de diferente geografia. Penso, pois, que qualquer pessoa de esquerda deve pegar sem receios nestas contradições. Tudo o que foi feito para tentar mudar a sociedade, para construir uma alternativa ao capitalismo, é (goste-se ou não) património da esquerda. Muito desse património é detestável. Aprendamos com o mal que foi cometido no passado. Mas nunca, nunca baixemos os braços para prosseguir na busca de um mundo diferente, que seja justo, livre e solidário.
Por isso não concordo consigo quando diz que o comunismo é irreformável, dando a entender que só o capitalismo o é. É que as sucessivas reformas do capitalismo dão sempre no mesmo resultado: exploração, miséria, desigualdade, desemprego, guerra, etc. Mas outra das razões porque discordo, neste sentido, da sua afirmação, tem a ver com o facto de o comunismo, aquilo que verdadeiramente deve ser chamado de comunismo, nunca ter efectivamente existido, na medida em que, no entendimento de Marx, ele seria o estádio último da sociedade socialista. Implicaria a própria inexistência de um Estado, como o Daniel sabe. Podemos falar (ou não) de utopia, mas o comunismo seria esse estádio. O que existiu na RDA e demais países de Leste foi um regime socialista, em que o Estado, ao mesmo tempo que garantia direitos sociais e laborais bastante avançados, exercia de modo autoritário o seu poder, cerceando outras liberdades.
Sabe, Daniel, eu ainda acredito numa sociedade justa e igualitária, e essa sociedade, sem dúvida, só pode ser livre e democrática. Mas jamais conseguirei chamar crime contra a humanidade a existência do comunismo, que em bom rigor nunca existiu.
E para que não me classifiquem ou etiquetem, defino-me como um homem de esquerda, e se me chamarem socialista, comunista, até anarquista (no seu exacto significado), não me ofenderei, pois é o que eu sou. Alguém que não acredita no capitalismo e nas suas reformas, alguém que sonha com uma sociedade nova. E mais ainda: sou aderente do Bloco de Esquerda. E ainda: respeito muito o PCP. E acredito que um dia as esquerdas terão que se unir.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 10th, 2009 at 4:48
José Dourado, como não acredito no fim da História, não sei onde está escrito que comunismo e capitalismo serão sempre as únicas alternativas. O que acho é que o comunismo já nem sequer é uma alternativa. Cá estaremos para construir outras. E, até lá, já agora, tentar ajudar a melhorar a vida das pessoas. Pela via reformista, que é, ao que parece, a que esta mais à mão.
101 ze manel disse:
“DO é um reformista do capitalismo. É esse o seu papel e do seu partido.”
Tenha calma, ze manel. Garanto-lhe que o BE não é isso. E cada um responde por aquilo que pensa e diz.
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«A diferença é que em alguns sítios eles são disfarçados, escondidos, dissimulados.» Certamente, não conheceu os camaradas que eu conheço. Lá está: já na altura se dava com os renovadores, mais próximos do PS.
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Ramos de Almeida e Zé Neves…
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117 Sebastião Dias
“…crimes de guerra não significam a mesma coisa que guerra criminosa…”
ahahah.
Aposto que para si Sebastião, crimes de guerra são bastante mais perdoáveis que guerra criminosa! È católico não é? “Nice Image” (usando dos seus termos em “inglish”) que católicos como o senhor deixam aqui para muçulmano ver!
“go there, go there” ou em Português, “vai lá vai”!
Tenho a certeza absoluta que o senhor se passeia nos países da costa Atlântica de África, dizendo orgulhosamente á boca cheia que é Português com toda a cagança!
Os descendentes dos pretos, que os Portugueses usaram como escravos ou que afundavam em mar alto só porque não valiam $$$ porque tinham a dentadura estragada, vão achar imensa piada à sua visão actual “about crimes”!
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Resposta a José Dourado #126 e DO #127:
DO afirma taxativamente no texto:
“É verdade que o capitalismo falhou em muitos dos países de Leste.”
Ou eu já não sei português ou isto quer dizer que o capitalismo a ocidente não tem falhado. Ou pelo menos não tem falhado como no Leste.
Sendo assim, fica perfeitamente identificado o pensamento de DO: resignado ao reformismo do capitalismo – como reafirma em #127.
Insisto: fraca ambição.
Legítima é certa – mas nada, nada, nada revolucionária nem com os olhos postos no futuro!
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Daniel, parabéns pelo bom post, com o qual concordo e parabéns paciência democrática desta caixa de comentários.
A tua gestão dos comentários no blogue demonstra bem a diferença entre uns e outros…
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subscrevo na integra o texto do daniel oliveira. a queda do muro acabou c um regime de repressao cujo a imagem de marca foram as purgas feitas pelos sucessivos lideres. dps deste fracasso deste regime de esquerda obrigou sem duvida que este espaço politico tentasse reinventar.
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#85 Daniel Oliveira
“(…) só tivemos uma ditadura e essa foi de direita. Não pode reescrever a história.”
Não percebi onde queria chegar…
Se por termos tido uma ditadura de direita, seria admissível termos então uma de esquerda, para ficar empatado?
Em termos abstractos, uma ditadura de esquerda é melhor que uma de direita?
O facto de alguém (ou organização) ter lutado contra o regime de Salazar, por si só quer dizer alguma coisa? Ou não importa aquilo por que se luta? “Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão”? É isso?
É que essa lógica leva a que se tenha que defender de igual modo um nazi que tenha lutado contra o comunismo apenas para poder impor a sua ditadura, certo?
E isso não explica o facto da constituição banir a ideologia nazi. Nós não tivemos nenhuma ditadura desse tipo. Salazar desprezava tanto uns como outros.
Já agora, apenas por curiosidade: o DO faz alguma distinção entre ditadura e regime autoritário? É uma discussão (e conceito) interessante que, sinceramente, nem sei se terá alguma aplicação prática no nosso caso.
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Rui F, Guerra criminosa pode ser, por exemplo, uma jihad, com actos terroristras dirigidos a civis. Crimes de guerra podem ser, por exemplo, as violações de direitos humanos a prisioneiros de guerra que tinham entre mãos. Não é complicado.
De certeza que não tenho, como você deve ter, sentimentos de culpa por ser português, nem qualquer sentimento de culpa por ser branco. Esses sentimentos de culpa deixo-os todos à esquerda caviar, pasteurizada e liofilizada. Eu sou mesmo pão pão queijo queijo e, Rui F, trato os bois pelo nome.
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Partizan, tirado da wikipedia
ROAD OF BONES
The M56 Kolyma Highway (Russian: Федеральная автомобильная дорога «Колыма», “Federal Automobile Highway ‘Kolyma’”), also known as the Road of Bones, is a road through Russian Far East. It connects Magadan and Yakutsk – actually, Nizhny Bestyakh on the eastern bank of Lena River at Yakutsk, which itself lies on the western bank, as there is no bridge; this is not a problem in the dead of winter, as crossing over ice is the most reliable way to cross a Siberian river. A ferry operates during the short summer. The length of the road is 2032 km or 1260 miles. At Nizhny Bestyakh it connects to the Lena Highway, also designated M56. Locally, the road is known simply as Trassa (Russian: Трасса – “The Route”), or Kolymskaya trassa (Russian: Колымская трасса – “The Kolyma Route”), since it is literally the only road in the area and therefore needs no special name to distinguish it from other roads. It was constructed in the Stalin era of the USSR by Dalstroy construction directorate. The first stretch was built by the inmates of the Sevvostlag labor camp in 1932. The construction continued (by inmates of gulag camps) until 1953. The road is treated as a memorial, because the bones of the people who died while constructing it were laid beneath or around the road.
Tem lá a bibliografia, para consulta, para ver se os autores são ou não merecedores da sua aprovação – presumo que não.
MAGADAN
Magadan é uma cidade e o centro administrativo do oblast de Magadan, na Rússia, fundada em 1933. Tem uma população aproximada de 99.399 (Censo russo de 2002); 152.000 (Censo de 1989). As atividades mais importantes são construção naval e pesca. A cidade tem um porto navegável de maio a dezembro e um aeroporto. Uma auto-estrada leva à região das minas de ouro de Magadan, no alto Rio Kolyma. Ela é conhecida como a “estrada dos ossos”, devido aos prisioneiros que morreram durante a sua construção.
http://www.youtube.com/watch?v=bujyV-Kp_UQ
Já agora veja também este link, um pequeno documento sobre o gulag de Magadan onde morreram 2 milhões de prisioneiros.
Infame medíocre presumo que seja o seu filho, por ter o azar de ser educado por um imbecil do seu calibre.
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cafc, obrigado pelo tempo que “perdeu” a responder-me. Um grande abraço.
Leo, obrigado pelos conselhos de leitura. Para perceber melhor o que eu digo e não pensar que não sou sensível a vários pontos de vista, deixo-lhe com esta frase singela mas muito significativa da minha humilde mas extremamente competente e educada empregada doméstica (ucraniana, de Lvov, outrora Lemberg, hoje Lviv), que me respondeu à minha natural questão “o que acha melhor, o Comunismo onde nasceu, ou a situação actual do seu País?”.
Resposta dela: “- olhe, dantes tínhamos algum dinheiro, mas não havia nada nas lojas para comprar; hoje há tudo do bom e do melhor à venda, mas nós não temos dinheiro para comprar nada!”. E disse-me muitas outras coisas mais sobre a Ucrânia, donde dantes não poderia ter saído, mas agora era mesmo obrigada a saír para escapar à miséria. E disse-me também que achava o nosso sistema de saúde razoável, mas o deles antigamente era muito melhor e gratuito, ao contrário de agora, em que ela se sentia escandalizada com os preços e dizia: “até para ter filhos temos de pagar, onde é que já se viu!”.
Cumprimentos.
[Responder]
Para os camaradas do PCP que vieram apregoar, quais virgens ofendidas, que a maioria da população da antiga RDA preferia o comunismo: li um artigo de propaganda neo-nazi alemão, que dizia que em Portugal a votação para o maior português de sempre tinha indicado o ditador fascista como vencedor, de onde concluiam que Portugal preferia o fascismo. Alguma coisa contra?
E mais, a realidade, que vos é ditada pelo Avante! o que vos diz, além de saudosismos de comunismos autoritários derrotados? Nada. Vocês viveram lá? Viram com os próprios olhos? Pois.
Para o Daniel Oliveira:
Cada vez me custa mais meter a cruzinha no Bloco, enquanto lá militarem kamaradas como tu. Uma frase deste calibre “Com tudo o que sucedeu depois ficou para mim assente que o que aconteceu a Leste estava no DNA do próprio movimento comunista” mostra bem a educação ortodoxa que tiveste: ou este comunismo ou nada. É estranho que milites num partido de esquerda radical, menos estranho é que queiras as tais pontes com Manuel Alegre e os dissidentes Carlos Santos e Miguel Vale de Almeida. Pertences ao PS e nem te dás conta.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Novembro 10th, 2009 at 13:38
Nando, não só sou do Bloco (seu fundador), como o senhor nada pode fazer contra isso.
#135 Sebastião Dias
Bem me parecia que você prefere o homossexualismo pela calada da noite bem como o aborto em clínicas privadas.
[Responder]
Não conspire, Daniel, não posso e não quero fazer nada contra isso. Posso votar, quando muito, noutro partido.
[Responder]
Rui F, pela confusão de temas você deve ser um analfabeto funcional com tempo de antena e eu um gajo algum tempo para matar.
[Responder]
Sebastião Dias
Você não se consegue desenvencilhar do cabresto. Peça ajuda…
Tem a compreensão lá em casa ou já não o conseguem aturar?
[Responder]
Amigo Marcelo do Souto Alves
Permita-me que me dirija a si desta forma mas, a
resposta que me deu é sublime. Espero que haja quem a consiga interpretar na sua grandeza.
Um grande abraço, meu amigo e volte sempre, por favor.
[Responder]
Como qualquer texto forte, os comentários sucedem-se. Não tie (ainda)oportunidade de ler todos, mas parece-me que há um assunto central que passa pela defesa da liberdade individual. Essa será a linha condutora das políticas futuras, estando a esquerda na sua defesa, na sua consagração e espero que na sua aplicação também.
Chegaram os tempos em que, havendo liberdade de expressão e de opinião, não há liberdade social, económica ou financeira. Podemos resmungar, acusar, chamar nomes mas não conseguimos fugir à cartelização dos bancos, dos interesses mobiliários, do consumismo. Podemos manifestar apoio às LGBT’S e aos Legalize’s mas não podemos casar na diferença ou cultivar a erva-louca. E não tarda, nem liberdade cultural haverá tal será o sufoco de editoras e grupos mediáticos. Discuta-se o passado, que se zanguem as comadres, e, sendo a esquerda nova ou renascida, que se faça algo para além da discussão.
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Daniel Oliveira, eu também não acredito que a História tenha um fim, um ponto final a partir do qual nada mais acontecerá de novo. O melhor será, porventura, utilizar outras palavras que não apenas as do capitalismo e comunismo. O que sempre esteve e está em causa (e perdoa-me a expressão simplista) é a exploração do homem pelo homem, e aí temos o capitalismo como a máxima expressão dessa realidade. Ora o socialismo continua a ser, para mim, uma alternativa válida, e ela assumirá diferentes expressões e concretizações consoante a história e as características de cada povo. Seja por meios reformistas ou por meios revolucionários. Não concordamos pelo menos nisto?
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Direitos humanos não é só liberdade de expressão. Há tudo o resto. O pão, a educação, a saúde. Quanto à educação é o que se vê. Cada vez mais mercantilizada. A saúde idem. O pão vai faltando com o desemprego, a precariedade. Sim, ao menos podemos falar. Mas de que nos vale quando o sistema está construído para que não nos façamos ouvir? Quando prometem que nos vão ouvir e depois viram-nos as costas? Na RDA havia educação, cultura, saúde, segurança. Não havia luxos, é verdade. Mas, ao contrário do que se vai dizendo por aí, não faltava nada nas lojas. Não havia marcas, mas não faltavam os bens de primeira necessidade e eram muito baratos quando não eram gratuitos. Um pouco como acontece em Cuba. Quem sao os que saem de Cuba? Quem quer Ipods e telemóveis topo de gama.
Queixamo-nos do consumismo, mas diabolizamos sistemas sem consumismo.
Sinceramente, preferia viver num país que me oferecesse educação, alimentação, saúde, cultura, desporto. De que me poderia queixar? Só se fosse vaidoso, arrogante e individualista.
é o que somos todos, por isso nunca nenhum sistema irá ser suficientemente bom para todos. Era necessário haver um planeta para cada ego…
Gostava apenas de deixar esta questão: não considerarão que a crescente escalada do desemprego não é um atentado aos direitos humanos? Pensem um bocado e ouçam as pessoas que viveram na RDA e não se limitem a emprenhar pelos ouvidos. Vivia-se melhor na RDA do que se vive actualmente em Portugal e o resto é paleio de saco… Não tenham dúvidas disso.
Claro que o DO não concorda. Pois, se eu tivesse os seus rendimentos também não concordaria.
Egos…
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«Nada nem ninguém protege estes milhares de portugueses sem trabalho que já deixaram de acreditar no céu; que blasfemam porque largados, desamparados, danificados; que não prevêem aquilo que dista; que se abandonam aos piores calvários e aos mais rudes sacrifícios; que acumulam fadigas e resignações e que morrem na inóspita desolação da ausência e do anonimato.
Que pensaria aquele português com as pernas sob toneladas de entulho?, na noite gelada, gelada e sem razão, na noite desprovida de misericórdia, naquela noite sem Deus, sem nada, sem milagres, sem explicação; uma noite arruinada e um homem meio soterrado a olhar atónito para aqueles que tentavam consolá-lo.
Que pensaria?»
Baptista-Bastos
É por esses trabalhadores que o PCP existe. E é para eles que o capitalismo de cara lavada, fresco e perfumado do Bloco não tem resposta.
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O Rui F é mais um desgraçado etno-masoquista, que pobreza de alma… pode sempre seguir o exemplo do desaparecido Michael Jackson e “pintar-se” de preto,aí já pode passear pela costa de África sem complexos. Há gente mesmo triste!!!
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“Vivia-se melhor na RDA do que se vive actualmente em Portugal”
Essa é que é a verdade que o DO não quer admitir…
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 11th, 2009 at 17:55
HH, nem tenho dificuldade em admitir (apesar de o senhor ter de admitir que se vivia bem pior do que na RFA, que é a comparação que faz sentido e que estraga tudo). Mas sem liberdade. Um pormenor, com toda a certeza.
Escorpião, chega. Não é justo. Eu sou do BE e não represento qualquer capitalismo de cara lavada, fresco e perfumado. Sou anticapitalista. Sei bem o que é a exploração, porque sou filho e neto de gente operária e trabalhadora. Tenho a consciência histórica do que significaram e significam os movimentos de libertação comunista. Insiro-me nessa tradição de luta e nesse espírito militante. E não aceito que me chamem um tipo da esquerda caviar ou um reformista deste sistema abjecto. É verdade, não sou militante do PCP. E depois? Isso faz de mim um anticomunista ou um burguês disfarçado? Chega, basta, estas quezílias são próprias de outros tempos, que estão ultrapassados. Quem é de esquerda, é-o de peito aberto, seja do BE ou do PCP.
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Ah, o Daniel admitiu que se vivia bem melhor na RDA que em Portugal. Afinal nem tudo era mau “lá atrás do muro”…
Tanto caracter gasto, tanta palavra e afinal em Portugal hoje em dia, quase em 2010, vive-se bem pior do que na RDA. Afinal o comunismo não é assim tão mau..
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 11th, 2009 at 22:53
João Freitas, repito que a comparação justa é com a RFA, já que eram, antes da divisão, o mesmo país, e partiram do mesmo patamar. Se não eu digo-lhe que na Suiça se vive melhor do que em Cuba e que raio de conclusão podemos tirar daí?
“Mas sem liberdade.” ???
Pelo menos com muita mais liberdade do que há na actual Alemanha e na ex-RFA. Basta ler o que Anna Voronova nos revela o que Gerd-Helmut Komossa escreveu na “Carta alemã”. Está aqui:
“Não é todos os dias que um antigo chefe do Serviço de Segurança do Ministério da Defesa alemão revela informação acerca das correias que atam o regime político da República Federal da Alemanha (RFA). O livro de Gerd-Helmut Komossa, intitulado “A carta alemã. O jogo obscuro dos serviços secretos” (Die Deutsche Karte. Das verdeckte Spiel der geheimen Dienste. Ares-Verlag, Graz 2007.-230 S.) é uma verdadeira raridade. Ao focar as questões mais penosas para os alemães, o autor apela às profundezas da sua auto-consciência nacional, ignoradas durante décadas pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais.
“A carta alemã” narra as contradições escondidas mas extremamente agudas entre os EUA e a RFA – o que ainda não é muito falado nem muito livremente. O livro foi publicado em Julho de 2007, na Áustria. Naturalmente, o aparecimento e a promoção de tal espécie de livros na Alemanha seria impossível. Contudo, o facto de o livro ter sido publicado, contra todas as probabilidades, mostra que a sociedade alemã não aprecia ser tratada como “o vassalo dos EUA” (expressão introduzida pelo antigo conselheiro de segurança nacional dos EUA Zbigniew Bzhezinsky para descrever a Europa pós-1945) e está pronta para perceber a verdade acerca da sua discriminação após a Segunda Guerra Mundial.
É sobre tudo isso o livro do Sr. Komossa. Um pacto datado de 21 de Maio de 1949, o qual recebeu a categoria de “máximo nível de confidencialidade” no Serviço de Inteligência Federal do país, contem restrições relativas à soberania da Alemanha até 2099. O pacto diz que os países aliados tem controle total sobre os mass media e as comunicações da Alemanha. Cada ministro dos Negócios Estrangeiros federal deve assinar o chamado “acto do chanceler” (“chancellor act”) antes de tomar posse. As reservas ouro do país são tomadas pelos países aliados. Na verdade, todos o ministros alemães dos Negócios Estrangeiros, incluindo a actual, Angela Merkel, efectuou em Washington as suas primeiras visitas ao estrangeiro. A administração estado-unidense continua a imiscuir-se nos assuntos internos da Alemanha. Todos os partidos políticos na RFA estão sob controle estado-unidense, e a chamada imprensa “licenciada” na Alemanha acabou por ter um mesmo ainda mais enviesado de lavagem cerebral do que costumava ter sob o regime nazi. Os territórios da RFA permanecem sob ocupação dos EUA. Tudo isto podia ser tratado como uma ficção imaginativa de alguém se nada soubéssemos acerca do autor do livro.
O autor de “A carta alemã” acumulou a experiência de várias épocas históricas significativas da Alemanha, da Europa e do mundo. Agora general reformado da Bundeswehr, Komossa tomou parte na Segunda Guerra e posteriormente desempenhou um certo papel durante a confrontação da Guerra Fria. Possuindo uma plétora de informação, ele decidiu exprimir o seu criticismo quanto aos actuais mecanismos políticos internacionais.
Em 1943 Komossa entrou voluntariamente na Wehrmacht e foi enviado para a Frente Leste. Desde 9 de Maio de 1945 até 1 de Abril de 1949 ele foi mantido como prisioneiro dos soviéticos. Komossa descreve aqueles tempos como úteis para ele pois conseguiu fazer amigos entre muitos russos e entendeu que eles eram “outros russos”, não aqueles descritos pelos apoiantes dos nazis alemães.
Em 1956 Komossa começou a sua carreira na Bundeswehr. É preciso ler “A carta alemã” para entender como aconteceu que aos alemães fosse permitido ter o seu exército nacional. Sob o pacto acima mencionado, à Alemanha foi concedida suficiente soberania para formar o exército em 1955. Segundo a Constituição, a Bundeswehr (“força de defesa federal”, em alemão) trata apenas assuntos de defesa nacional. Contudo, os aliados ocidentais, liderados pelos EUA, perseguiam objectivos absolutamente diferentes. Queriam aumentar o número de tropas pelo recrutamento de soldados alemães, a quem dariam novo uniforme sem sinais de pertença a qualquer nação. Eles sabiam quão perfeitamente os alemães combateram durante a II guerra e queriam utilizá-los para a expansão global em grande escala. Os aliados gostariam de ter 500 mil soldados alemães. Também se esperava de Berlim que comprasse armamento e equipamento dos Estados Unidos.
Ao longo dos últimos 20 anos, a administração americana tem estado a tentar arduamente envolver a Alemanha nos seus projectos globais por todo o mundo. Mas todas as suas tentativas para pressionar Berlim em relação à Somália, Bósnia, Sérvia, Afeganistão e Iraque tiveram efeito contrário e provocaram o surgimento de novas abordagens em círculos políticos e públicos na Alemanha. O ressentimento encoberto em relação à política dos EUA atingiu um ponto crítico. Berlim e Washington têm visões polares do papel e do lugar da nação alemã no mundo moderno.
Desde o princípio da década de 1990 muitos militares alemães mudaram a sua atitude em relação aos EUA e à NATO. A princípio, muitos oficiais alemães nada tinham contra os EUA e fizeram o seu serviço militar além mar, mas hoje a maior parte deles sente-se desapontada com a política de Washington. Eles vêem que a hegemonia americana conduz à destruição do sistema económico e social de estados separados e de todas as macro-regiões, ao passo que a “ordem americana” não é nada senão outro nome para um caos…
Gerd-Helmut Komossa ocupou postos importantes na Bundeswehr, chefiou o Serviço de Segurança Militar nacional, e era muitas vezes chamado de “soldado com pensamento político”. Hoje ele fala contra a ideia de utilizar a Bundeswehr como exército de intervenção uma vez que as forças armadas alemãs tem objectivos puramente defensivos.
Nesse meio tempo, Washington está a tornar-se cada vez mais persistente na atracção de alemães para que se juntem a tropas de coligação em diferentes regiões do mundo. Berlim foi forçada a enviar tropas para o Afeganistão. Mas os aliados americanos disseram que não era bastante. O secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, recentemente acusou unidades da Bundeswehr no Afeganistão de tentarem permanecer neutras nas regiões do norte enquanto outras tropas estavam a combater no sul. Ele também exigiu que a Bundeswehr ampliasse a sua missão para o Sul e fosse mais flexível na cooperação com o exército da coligação.
No seu livro, Komossa pergunta-se se é possível que jovens alemães sejam recrutados não para defender a sua pátria mas para assistir diferentes estruturas internacionais na implementação dos seus projectos, os quais nada têm a dar à Alemanha e à região europeia em geral. “Será isso que o nosso povo espera da Bundeswehr? E não será isto, mais uma vez, tornar os soldados alemães ‘assassinos’ aos olhos de outros povos?”, pergunta Komossa. Contudo, os EUA e seus aliados não estão preocupados com questões de moral uma vez que o pacto secreto expira apenas em 2099.
A elite intelectual da Alemanha agora gastará muito tempo a pensar acerca da chocante informação do Sr. Komossa, revelada no seu livro. Contudo, já é claro que uma nação com tão ricas tradições culturais e históricas não mais suportará estas humilhantes circunstâncias. “A carta alemã” de Gerd-Helmut Komossa marcou outro passo rumo à ordem mundial multipolar, e a adiada transformação da Alemanha num país soberano também será um passo importante na direcção certa. Podemos dizer isso com certeza.”
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José Dourado, com todo o respeito uma pergunta. O Daniel Oliveira é social-democrata e cada vez mais se assemelha a fazer a história do comunismo a la Pacheco Pereira. Mas e o Bloco é o quê? É uma pergunta de tanta gente… e que ainda não teve resposta.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 12th, 2009 at 1:52
Escorpião, o uso da expressão social-democrata como insulto demonstra um desconhecimento da história do movimento operário e até do comunismo.
E, do ponto de vista meramente programático, sou tão social-democrata como PCP.
Economia mista, transitória na construção do socialismo. Não é o seu capitalismo remendado.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 13th, 2009 at 2:17
Escorpião, eu lei o programa do PCP das últimas eleições e tudo o que lá está poderia, do ponto de vista ideológico, ser subscrito por um social-democrata. Não vejo caminho nenhum para o socialismo. Dirá que é transitório. OK. Então eu sou transitoriamente social-democrata. Depois, noutras condições, logo se verá. Assim como o PCP.
Discordo muitas vezes do senhor Daniel Oliveira e, outras vezes, acho que responde com alguma agressividade a quem o crítica.
Mas reconheço-lhe duas qualidades: não tem problemas em admitir que se enganou e dá a cara e o corpo às balas defendendo com frontalidade a sua opinião.
Em Portugal isto não é coisa pequena. Antes pelo contrário.
Dito de outra forma, ele é um homem de grande coragem!
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Escorpião, o Daniel já respondeu. E respondeu bem.
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Se leu os programas, sabe qual dos dois (BE e PCP) tem uma extensão mais alargada das nacionalizações e do controlo do Estado da economia.
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E é por isso que a imprensa burguesa não nos dá o tratamento privilegiado que o iluminado e refrescante bloco tem…
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163 Escorpião Vermelho
Vocês até ao 25 de Novembro tiveram todo o tratamento que quiseram. Aliás a TV, Rádios e Jornais eram quase todos vossos.
O que não esperavam foi a reacção do povo.
Portugal é do povo não é de Moscovo.
25 de Novembro sempre comunismo nunca mais.
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PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO UNI-VOS! O COMUNISMO VENCERÁ!
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Agora mesmo, acabo de ouvir no telejornal da RTP1, um casal de invisuais, com dois filhos, que estão na iminência de ficarem no desemprego porque a empresa onde trabalham está em vias de fechar “portas”. Este processo de “LEVANTAR-A-TENDA” tem rosto: CAPITALISMO-SELVAGEM! O comentário anterior só vem dar-me razão!
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