Este debate não se passou numa série de humor. Os Estados Unidos começam a discutir com preocupação se o seu presidente é realmente um idiota. Quando se chega a este ponto…

Dirão que não é importante se o Presidente da maior potência do Mundo é idiota, inculto, sem qualquer curiosidade intelectual e incompetente para qualquer tipo de função. Que essa é a espuma da política. Mas não é. Um presidente inculto é um presidente que não entende nem a história nem as diferentes culturas com as quais tem de se relacionar. Um presidente idiota é um presidente fácil de manipular por gente que não foi eleita. Um presidente sem curiosidade intelectual nunca aprende com os seus erros. Um presidente incompetente não merece o respeito dos que dirige. E quem perde a confiança dos outros perde confiança em si próprio e faz disparates. Serei snobe? Talvez. Mas sou dos que acham que, tendo como primeiro critério as afinidades políticas com os eleitos, devemos tentar escolher os melhores, os que se distinguem da mediania, para nos dirigir. Sim, um líder deve ser invulgarmente inteligente, ser carismático, ter instinto político, estar informado e ser, de preferência, culto.

Uma democracia em que os eleitores querem escolher aqueles que «se parecem connosco», que quer eleger «gente normal», não deixa de ser uma democracia. Mas é uma democracia decadente. E espanta-me que tantos que defendem a importância do mérito para escolher um escriturário o achem irrelevante para eleger um Presidente. E espanta-me que o fanatismo pró-americano de muitos os impeça de ver a evidência: que George W. Bush é um idiota e que o facto de ser presidente da maior potência que a humanidade jamais conheceu o torna num idiota perigoso.

Eu acho que Hugo Chavez é um populista impreparado. Mesmo tendo sido eleito e mesmo batendo-se contra uma política internacional que eu desprezo, não acho irrelevante a sua falta de preparação e o seu populismo. E é só presidente da Venezuela. Aceitar este facto não faz de mim uma pessoa especialmente moderada. Só mostra que não sou cego. Custaria assim tanto assumir que os neo-conservadores se enganaram no seu homem? Ou, provavelmente, o que é pior, acertaram. Não queriam um Presidente, queriam uma marioneta.

Não se trata apenas das gaffes. Reagan também as cometia com regularidade. Só que George Bush não é Ronald Reagan. Aceito que, em relação a Reagan, tenha havido, por parte de intelectuais, de políticos de carreira e da esquerda, um preconceito, por ele chegar a Washington vindo de Hollywood. Reagan tinha a destreza intelectual para compreender o que via à sua frente. Reagan era um conservador agressivo inteligente com uma estratégia política e que cultivava uma determinada imagem. Bush é uma anedota de mau gosto. Um dia, ao olhar para o que escreveram e disseram, muitos dos que hoje o apoiam e que fingem não ver a evidência sentirão vergonha. A política americana não é o que é por Bush ser uma absoluta nulidade intelectual. Mas ajuda. Para quem pensa como eu, há uma vantagem: ao ser o que é Bush fragiliza internacionalmente a política que serve. Mas para quem o apoia…


15 respostas ao post “Um idiota é um idiota”  

  1. 1 1  notproud

    ao que eles chegam. agora até dizem que o “reagan era um conservador agressivo inteligente”. vou ali vomitar e já venho.

  2. 2 2  hefastion

    V parece um discípulo de Platão. Eh lá!

  3. 3 3  anónimo

    Excelente post.
    Os EUA funcionam muito bem como democracia nas coisas locais. Na eleição presidencial, e dado os níveis de abstenção, temo que já nem uma democracia seja!

  4. 4 4  Aristóteles

    Então agora ser discípulo de Platão é uma coisa má! “A República” deve ser boa só para queimar, ou destruir com o terrível machado Popperiano. Mas o Karl Popper também já deve estar ultrapassado. Deve parecer hoje um pobre e cinzento conservador. Isto precisa é de umas Hayekadas valentes ou de umas Friedmanadas poderosas. Ronaldo - o do cinema, não o do futebol – volta que tás assim a modos d’aperdoado.

  5. 5 5  Budapeste

    Bush é o exemplo acabado dos riscos dos sistemas monárquicos.

    Com a idiotia a apurar de geração em geração, como seria um George Bush III?

    Infelizmente, a eleição de Bush não pode dizer muito bem da própria democracia…

    Porque um país de idiotas elege com facilidade um idiota e infelizmente isto não se passa só nos states…

    Basta olhar para Cavaco Silva.

  6. 6 6  Bruno Peixe

    Caro Daniel, desculpa a provcação, mas quem lê este post pensa que o que te separa do blogue da atlântico é a questão de admitir ou não admitir que o Bush é “idiota”. De resto não posso encontrar um princípio menos de esquerda do que o que tu enuncias, de que “devemos tentar escolher os melhores, os que se distinguem da mediania, para nos dirigir.” Reservar o governo a quem, como tu dizes, deve ser “invulgarmente inteligente, ser carismático, ter instinto político, estar informado e ser, de preferência, culto.” tem um nome: tecnocracia. Este princípio representa hoje o maior perigo para a democracia porque, assente na ideia de que o mérito atribui a cada um o lugar que merece na ordem social, o que faz é afastar do condução dos assuntos comuns aqueles que não partilham da cultura, da informação e da inteligência. Tal como a oligarquia afasta os pobres ou a aristocracia os plebeus.

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Bruno, olha a frase completa: «Sou dos que acham que, tendo como primeiro critério as afinidades políticas com os eleitos, devemos tentar escolher…»

  8. 8 8  miguel vale de almeida

    Outro dia fiquei surpreendido quando soube, de fonte bem informada (acredita…), que o Bush é absolutamente competente nas reuniões, domina-as mesmo, bem como aos dossiers. Será que a idiocia é uma conspiração?

  9. 9 9  Daniel Oliveira

    Miguel,

    O que dizem os homens que já trabalharam com ele é que é um homem com enormes dificuldades e sem qualquer curiosidade intelectual. Eu vou mais para a pequena estupidez do que para a grande conspiração.

  10. 10 10  AB

    Espuma é achar que Bush e EUA são rigorosamente a mesma coisa e que, por arrasto, todos os americanos são Bush e Bush representa todos os americanos.

    Compreendo que face aos seus ideais, Daniel Oliveira, lhe seja difícil perceber o que é verdadeiramente uma democracia. E sabe porquê? Porque no fundo, lá no fundo, ela é demasiada imperfeita para si.

    É tão imperfeita que você não a entende e acha que é imperativo “escolher os melhores, os que se distinguem da mediania, para nos dirigir. Sim, um líder deve ser invulgarmente inteligente, ser carismático, ter instinto político, estar informado e ser, de preferência, culto.”.

    Dever deve, hipotetica e teoricamente é melhor que assim o seja. Mas a democracia é isto: poder pôr lá o indivíduo e poder tirá-lo na próxima eleição.

    Outra coisa, já alguma vez se tentou informar por fontes não ligadas à sua ideologia, o que são os EUA?

    Já foi aos EUA? Já lá viveu?

    Será que sabe verdadeiramente o que é a sociedade americana?

    Será?

    Então porque é que toma a maioria dos americanos como apologistas do criacionismo?

    Então porque é que toma a maioria dos americanos por ignorante?

    Então porque é que desconhece que no sistema americano, o presidente não toma decisões sozinho?

    Outro facto que comprova o seu desconhecimento, é a extrapolação que faz no seu artigo do Expresso desta semana.

    A meritocracia é uma constante na sociedade americana, por muito que isso o irrite.

    A liberdade também o é.

    E cada um ter a sua vida muito mais independente do Estado do que cá no burgo, também.

    Diz que 40% dos pobres não conseguem sair da pobreza numa geração, não é?

    Sabe o que eu vejo, é que 60% conseguem.

    Não faça comparações entre um país com quase 300 milhões de habitantes e países com 3 milhões de habitantes, no máximo 9 milhões (Suécia). É um erro.

    É muito curiosa a forma que pessoas que não defendem a democracia encontram para a criticar.

    Curioso também é o facto de essas pessoas nem se aperceberem diariamente que é graças à democracia que podem repudiar a própria democracia.

    Bom dia,

    AB

  11. 11 11  jbau

    Dicese que durante este debate de sim Bush é ou nao é idiota…a Casablanca suspiravam aliviados.

    Por fim!!!!!! Alguem que é capaç de ponher em duvida a certeça de que ele nao seja.

    Cumps

  12. 12 12  Bruno Peixe

    Eu li o resto da frase, Daniel, e não acho que obsta em nada ao que eu escrevi. O que tu defendes é que, dadas as afinidades políticas, aqueles a quem cabe conduzir o estado são uma minoria de gente iluminada. O que é anti-democrático é isto, achar que cabe a uns poucos conduzir o destino dos outros muitos. Claro que existem aqueles que acham que esses poucos se distinguem pelo sangue. Tu achas que é pela inteligência ou pelo saber. Não deixa por isso de ser uma oligarquia, sendo que isso que chamas a cultura ou inteligência é a coisa menos bem distribuída do mundo. A igualdade não deve ser um objectivo da acção política, porque senão já sabemos no que isso dá: a necessidade de engolir as hierarquias do partido revolucionário até que chegue a sociedade sem classes. Um dia talvez…. Mas também não deve ser a igualdade formal das sociedades capitalo-parlamentaristas. A igualdade é uma axioma da acção política justa, e não um valor orientador. Um princípio que tem de estar sempre presente. O que é grave no facto de Bush ser um presidente idiota não é o facto de ele ser idiota, mas sim de ser presidente.

  13. 13 13  sergio

    George Bush é um tremendo idiota, eu acho que esses americanos ainda vão dar de predador, destruindo e matando por onde passam.

  14. 14 14  Henrique Freitas

    Caro Daniel,

    não é preciso muita desenvoltura intelectual para saber que Bush é um idiota. Mas acho ainda mais idiota quem o colocou na Casa Branca por 2 vezes.
    Contudo, a discussão se é um idiota, não é novidade para quem acompanha os “trabalhos parlamentares” dos deputados da Assembleia Legislativa Regional da Madeira: há uns anos, o grupo parlamentar do PSD deliberou no plenário (e há documentação que o comprova) pedir um atestado de sanidade mental a um deputado do PS.

    Melhores cumprimentos
    Henrique Freitas

  15. 15 15  Haddammann

    Os Rumores dos Ventos …
    OSAMA, OBAMA, OSANA (Algum problema de coincidência?)
    Será OBAMA o mesmo Jesus encarnado de Bush e Ratzinger, Macedo e Mafafaias?
    Será que chegaremos ao ponto de trocar nossos filhos e amigos por cachorros? E implorar para comer bosta e cheirar urina de cães? Triste, lamentável.
    Lívidos assistimos um povo inteiro repetir: Como merda para continuar na condição de ficar à mercê do que me faz ter braços, pernas, e cabeça, desprezíveis.
    Isto aqui NÃO É logosofia, não tem nada a ver com isso, é o murmúrio dos ventos apenas …
    A hipocrisia pode muito, mas a Justiça pondera. E a Natureza sacode os intentos. Hora de espanto na Terra, de euforias bizonhas, de ócio fútil, e indiferença.
    Como um elemento que sabe que vai ser usado como despiste para massacrar de vez a sua pátria primeva na Natureza aceita isso por vaidade pessoal? Como alguns chegam ao cúmulo de se envolver em tremenda vergonha em aviltar a honra de seu pigmento natural?
    Um negro contando a história de seus ancestrais disse: Quando INSISTIRAM fortemente para que aceitássemos o Cristianismo dissemos: Como cantaremos seus cantos se aos nossos olhos vemos cruamente seus propagadores empurrarem sofregamente seus vergões nos nossos meninos?
    Depois o negro arrematou: Você sabe por que nem ainda as meninas é que queriam, mas os menininhos? Porque era o intento deles humilhar todo o valor de uma nação.
    O Cacique Seattle pode atravessar com o murmúrio dos ventos nessa história. Porque olhando a pradaria antecipou seus valorosos cambaleando embriagados, e viu nos erros de seus antepassados a ganância dos que se alastraram sem escrúpulo algum ufanados por uma pavorosa mentira. E essa mentira comera o miolo e apodrecera a carne de toda uma admirável gente, que só tarde demais viu os enganadores que vitimaram suas filhas e filhos com espertezas, que os vendeu para um embusteiro em troca de quinquilharias, que aproveitou também e apegou-se à carona da pavorosa mentira e arremeteu contra todo aquele povo; que só no ficar diante do espanto de ver seus restos, foi em cima dos enganadores divinos e os exterminou com ódio e mágoa. Mas já era tarde; haviam sido sugados até á última gota por virulenta e inescrupulosa falta de caráter.
    Atitudes mínimas de cada um podem se avolumar e se tornar imensos transtornos na História.

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