Não foi uma decisão fácil. Nos últimos seis anos dediquei uma parte razoável das minhas energias ao Bloco de Esquerda. Primeiro de uma forma profissional, como assessor parlamentar e assessor de imprensa, o que me levou a abandonar o jornalismo, depois, já sem qualquer (por assim dizer) vinculo laboral, como dirigente, estando na Comissão Política e na Mesa Nacional do Bloco. Comuniquei à maioria dos membros da Comissão Política que não pretendia concorrer, na próxima convenção do Bloco, em Junho, à Mesa Nacional e, por arrasto, não faria parte da próxima Comissão Política. Ou seja, que deixarei de ocupar qualquer cargo no partido, experimentando o sempre muito nobre estatuto de militante de base.

A decisão prende-se com uma escolha de vida. Grande parte da minha vida pública faz-se no comentário político. Fui gerindo como pude este duplo estatuto, nem sempre fácil e nem sempre justo. Injusto para o Bloco, muitas vezes conotado com as minhas posições públicas, para o qual nunca foi tido nem achado. Injusto para quem me leia, que nem sempre consegue descortinar onde começa a minha opinião e acaba a posição do dirigente político. E até, se me permitem, injusto para mim, tendo que responder enquanto dirigente a polémicas que começo enquanto comentador, e vice-versa. Fui gerindo, mas essa gestão empobreceu as minhas duas funções: a de dirigente político e a de polemista. Quero que fique claro que não pretendo conquistar a neutralidade que nunca quis ter. Quem se dedica à opinião deve ter opiniões claras e elas devem ser coerentes. Análise objectiva devem fazer os analistas. A opinião é uma outra coisa. Quero apenas separar as águas e ganhar um espaço que algumas vezes me obriguei a não ter.

Dos dirigentes e militantes do Bloco nunca encontrei menos do que o respeito pela minha autonomia. Nunca fiz de qualquer discordância bandeira para me valorizar enquanto comentador. Se discordava, a minha opinião era expressa sem que o facto de ser uma discordância fosse relevante no meu comentário público. Fui criticado umas vezes e elogiado outras, no Bloco, por várias posições que tomei. Como em qualquer outro lugar. Nunca ninguém pôs em causa o meu direito à minha opinião própria. Essa cultura de tolerância interna que o Bloco se conseguiu impor a si próprio é para mim um ganho político enorme à esquerda. Mas ainda assim senti a necessidade de fazer a escolha entre a política partidária e a opinião publicada. Escolhi a segunda, sabendo que na vida há poucos caminhos sem retorno. Serei, a partir de Junho, apenas um militante de base. Terei o prazer de me despedir das minhas funções com uma campanha que me mobiliza: a de José Sá Fernandes para a Câmara de Lisboa.

A escolha que faço, entre a política e o comentário político, é uma escolha que me imponho a mim próprio, resultado da minha experiência. Não tem sido comum noutros dirigentes de todos os partidos. Nem tem de ser. Não a transporto para mais ninguém, como se fosse uma exigência ética. É apenas a minha escolha.

Depois de alguns título de notícias tenho de reafirmar aqui que não saí nem tenho qualquer intenção de sair do Bloco de Esquerda.


Sem respostas ao post “Uma escolha”  

  1. 1 1  peter

    Escolha correcta daniel, escolha correcta.

  2. 2 2  Miguel Carvalho

    tiro o chapéu a isso…

  3. 3 3  a.pacheco

    Posso entender os motivos, mas quer queira quer não ,o problema vai-se manter.

    Continua como militante e como tal os criticos continuaram a ligar sempre as suas posições , ao partido de que faz parte.

    Mas o fundo do problema é mais preocupante, pois cada vez mais e por diferentes motivos as pessoas vão-se afastando da politica activa e de cargos de responsabilidade nos partidos, excepto aqueles que estão em transito, e aproveitam o espaço que generosamente os medias lhe propocionam, para preparar as suas carreiras partidarias.

    Se a participação civica é um dever, tambem é um direito de todos os cidadãos, e desde que se não reneguem as convicções mais profundas a troco de um prato de lentilhas, pode-se ser tão útil como militante de base assim como na direcção….

  4. 4 4  sarkozy

    despede-se das suas funções lutando para que António Costa não ganhe a câmara de Lisboa, ou seja, fazendo, consequentemente, para que ganhe o PSD, no fundo, termina como começou, fazendo o jogo da direita.
    É pena, mas não vamos ter saudades

  5. 5 5  PlayGirl

    é tão bom poder fazer escolhas. parece fácil, óbvio, um dado adquirido. mas hoje em dia temos tão pouca consciência desse modo tão íntimo, tão legítimo, tão autêntico de sermos verdadeiramente livres. e vivos.

  6. 6 6  Filipe

    Yeeees!!

  7. 7 7  Paulo

    Caro Daniel, respigando post anterior, “tiro o chapéu” à sua decisão e a esta clarificação das águas, se é que alguma vez pareceram mais turvas. O meu amigo sempre disse ao que vinha e nunca ocultou ” sob o diáfano manto da neutralidade e da independência ” as suas ligações, matriz e origem. è assim que deve ser, regras claras. Transporto este exemplo para o resto da visa nacional e como todos tinhamos a ganhar se muitos outros seguissem este tipo de exemplo. Ah, apesar do texto, não sou dos que partilho da “superioridade ética e moral das esquerdas..” . Esta, ao contrário dos discursos, só se adquire das práticas e da congruência entre o que se proclama e aquilo que se faz. E foi precisemante neste território, o das práticas, que o amigo Daniel somou mais uns pontos. Parabéns, e seja bem vindo ao pouco lucrativo território, mas de grande superioridade moral,dos militantes de base.
    Receba um arrastado abraço, Paulo

  8. 8 8  jb2

    A partir de hoje o Sr.Daniel Oliveira passa a ser o Marcelo do BE.

  9. 9 9  Sebastião José

    Acho que você não é nem nunca foi do BE. Você não pensa como eles, não age com eles, não fala como eles, não escreve como eles, não é como eles. É tudo uma questão de tempo até chegar a altura de decidir que nem militante de base quer ser.

  10. 10 10  João Dias

    Esta notícia é preocupante, não tanto pela saída, mas porque numa democracia madura (se a fosse) seria bastante fácil perceber e lidar com esta situação. Digamos que alguém que assume as suas posições políticas e assume a responsabilidade pelo que diz é alguem que se limita a exercer cidadania, no entanto as críticas surgem, como se isenção fosse o mesmo que ser apartidário. Isento é assumir, não é dizer que se é isento (apartidário) e depois emitir opiniões que claramente têm fins políticos, é bastante simples de perceber. E não vale a pena dizer que a democracia é jovem e tal…que as pessoas ainda não se habituaram, porque basta querer para perceber os mecanismos da democracia.

  11. 11 11  palhaçadas

    parabéns Daniel.
    é sempre bom separar as águas.
    Mas como diz “sarkozy” por outras palavras, as últimas derrotas da esquerda, à esquerda se deveram…

  12. 12 12  José Manuel Faria

    É uma opção respeitável, caro camarada, mas a tua presença e opinião na direcção do Bloco era importante no sentido de dar uma amplitude mais alargada ao leque ideológico do BE, a corrente não marxista também tem o seu lugar no movimento/partido chamado de Bloco de Esquerda.

  13. 13 13  ANTÓNIO OLIVEIRA GOMES

    MUITO BEM
    CONCORDO PLENAMENTE
    DESEJO-LHE SUCESSOS
    SÃO NECESSÁRIOS BONS COMENTDORES DE ESQUERDA.

    NÃO GOSTO DAS SUAS COMPANHIAS TELEVISIVAS NEM BLOGUEANAS.
    ISTO TERÁ A VER COM A SUA CREDIBILIDADE FUTURA.

  14. 14 14  esquecimento_global

    Caro Daniel
    Para pôr a coisa de uma maneira simples: Parabéns!

  15. 15 15  JC

    Optou por aquele que lhe paga. Tão simples quanto isso. Não condeno, mas acho rídiculo justificar-se para ganhar uns aplausos.

  16. 16 16  Daniel Oliveira

    JC, nunca ninguém que me pague me pediu ou deu a entender que devia deixar de ser dirigente do Bloco. Mas se você precisa de viver com essas certezas sobre a humanidade, longe de mim querer desiludi-lo. Passar bem.

  17. 17 17  Jose antonio

    Caro Sarkozy,
    Jogo da direita fazem aqueles que há 33 anos andam a dizer que o PS é de esquerda!

  18. 18 18  marisa

    lembro-me quando deixou o jornalismo para ser funcionário do bloco, e lembro-me de admiração que senti pela atitude do daniel, depopis lembro-me do sucesso do barnabé e da coluna no expresso, e comecei a lamentar-me por mais uma vez ser enganada. Compreendo que será certamente mais cómodo e compensador ser “o marcelo do BE” - que por acaso é uma comparação com piada!

  19. 19 19  M&M

    Duplo estatuto?
    Nada irá mudar, e ninguém notará diferença alguma.

  20. 20 20  Joao Bacelo

    eu tambem nao percebo bem as razoes de tal afastamento. Tenho pena que o bloco perca um dirigente assim.

  21. 21 21  esquecimento_global

    “Optou por aquele que lhe paga. Tão simples quanto isso.”
    Posted by: JC | maio 11, 2007 07:32 PM

    É claro…
    Quem normalmente opta por quem lhe paga e “com toda a tranquilidade” diz o que lhe mandam, recusa-se, por princípio a admitir que há mais mundo fora da sua pocilga.
    É a (triste) vida!…

  22. 22 22  Margarida

    “uma amplitude mais alargada ao leque ideológico do BE”???

  23. 23 23  Pedro

    Ainda bem que esclarece a sua posição. Você é uma pessoa tão importante que já quase ninguém dormia a pensar na sua (dramática) situação.

  24. 24 24  bukthekingofpoets

    Não sei, mas depois uns anos de blogosfera (e de vida) começa-se a perceber que em muitas situações o que se diz é exactamente o contrário do que se sente. O Daniel termina o seu post afirmando que é uma questão ética que reserva para si mesmo e que não a reclamaria a mais ninguém, precisamente naquele estilo que o torna por vezes indigestamente self-righteous e de uma falsa modéstia que não engana ninguém. È uma pena.

  25. 25 25  Daniel Oliveira

    Ó Pedro, e eu não durmo a pensar naquilo que lhe interessa ou não lhe interessa no meu blogue…

  26. 26 26  Mané

    “o marcelo do BE” ora aí está um bonito estatuto que nem todos podem adquirir! o poder de confirmação ou validação de opções politicas alheias. Se lá chegares será merecido.

    “uma amplitude mais alargada ao leque ideológico do BE”???
    Aí cara Margarida (ou margarido), eu sei que o conceito de “leque”, quanto mais “ideológico”, é muito dificil de digerir para puritanas centralmente democráticas como você.
    Mas acredite, a democracia existe. Só que fora do PCP.

  27. 27 27  José Manuel Faria

    No BE convivem várias correntes políticas, felizmente margarida, é muito diferente do pensamento único do PCP.

  28. 28 28  dsm

    E se Francisco Louçã deixasse de ser dirigente do BE alegando que não queria que confundissem o que diz ou escreve enquanto académico com as posições do BE? Ou o rigor e isenção que esperamos de um economista e professor universitário é inferior ao que exigimos de um “opinador”? Não brinque comigo, Daniel, não sugira exigência ética onde não há senão conveniência (legítima). Está no seu direito, isso é inquestionável. Mas a verdade é que Loução já lá estava quando você chegou e lá fica agora que você parte. E, como Louçã, tantos outros, que arrostam com as dificuldades que o estatuto de dirigentes de um partido como o BE trazem às suas vidas profissionais. Está o Daniel no seu direito, o ambiente nos media não vai fácil para a esquerda, a um “opinador” de esquerda é exigida a independência que se não exige aos de direita, tudo isso. A gente sabe. A gente respeita a sua opção. Mas, por favor, não meta a ética nisto.

  29. 29 29  Daniel Oliveira

    dsm, volte a ler o texto: «Não a transporto para mais ninguém, como se fosse uma exigência ética.» Ou seja, não é uma exigência ética.

  30. 30 30  a.pacheco

    Interessante as várias opiniões , mas ressalvo duas, o caso do Antonio Costa, e a pluralidade do Bloco.

    No caso do Antonio Costa, que para mim está muito longe de ser a personagem tão competente, ( aliás como a Fereira Leite que como Ministra de Cavaco na Educação foi um desastre, e nas Finanças tomou medidas mais que discutiveis), como os seus apoiantes pretendem fazer crer.

    A cidade de Lisboa pede neste moomento alguem rigoroso, mas com um projecto para a cidade, o estado caótico a que chegou Lisboa, é fruto das muitas politicas erradas, que ao longo dos anos têm sido levadas a cabo, e que que se acentuaram nestes seis anos de desgoverno PSD , com a dupla Carmona-Santana.

    Por isso não basta falar no Costa ou na Ferreira Leite , como dirigentes providenciais para salvarem a capital, alguem sabe algum projecto, ou alguma opinião destas duas personagens, ao longo dos anos, para a cidade de Lisboa.

    José Sá Fernandes, tem ideias, Ruben de Carvalho tambem,Maria José Nogueira Pinto idem, a propria Helena Roseta tem por varias vezes avançado com soluções para a cidade , Antonio Costa tal como Ferreira Leite são uma perfeita incognita, e mais nada.

    Eu por mim irei a apoiar o Sá Fernandes, pois demonstrou estar há altura das suas obrigações como vereador de oposição.

    Um partido plural, onde não existe pensamento único, nem a ideia justa, e onde se apela sucessivamente ao sentido critico dos militantes, é algo pouco comum na democracia portuguesa.

    Essa tem sido a principal virtude do Bloco, isso por vezes pode confundir quem está habituado aos partidos da cassete, ou aqueles que fazem do chefe o todo poderoso, onde ninguem se atreve a emitir opiniões diferentes, para não querer correr o risco, de perder as boas graças de quem manda.

    Talvez por isso, tenho algumas reservas, a esta tomada de posição do Daniel Oliveira, as suas opiniões aqui os nos jornais são as SUAS opiniões, e quer como militante de base quer como dirigente , serão sempre consideradas como opiniões do Bloco, mas isso tambem faz parte da propria intervenção civica, e se o Daniel entende seguir esse caminho , só há que respeitar, apesar de pessoalmente discordar.

  31. 31 31  dsm

    Daniel, volte a ler o meu comentário: “Não brinque comigo, Daniel, não sugira exigência ética onde não há senão conveniência (legítima)”. Eu escrevi: “sugira”, não escrevi “invoque” ou coisa que o valha.
    Como deve saber, se eu escrever, por exemplo, “se tu [...] então eu [...]“, e acabar com a consagrada expressão “isto não é uma ameaça”, só estou a reforçar o carácter ameaçador da minha afirmação. Percebe? Da mesma forma, quando Daniel afirma “isto não é uma exigência ética”.

  32. 32 32  Mário Tomé

    …«e se lá no assento etéreo onde subiste/memória desta vida se consente/ roga ao Expresso onde escreves semanalmente/ que não torne uma posição séria em puro chiste*
    *quer dizer, sacanice,
    ao anunciar na primeira página “Daniel Oliveira abandona BE”. Nem sequer respeitam a tua atitude de assumires o “sempre muito nobre estatuto de militante de base” do BE. E o Expresso é um dos tais de referência. Grau zero.
    A diferença é que tu dirigente político comentador/polemista fazes política com seriedade. E os de referência, distantes dos cargos políticos, fazem política sem seriedade e com a mentira soez. Eu sei, eu sei que depois do título, no corpo da notícia eles compõem a coisa…o costume
    Na minha opinião, caro Daniel, a tua atitude – que obviamente respeito - só ajuda à confusão que por aí vai e se pode ler nos post’s dos teus amigos e/ou críticos.
    Como é que pertencer à direcção do Bloco pode empobrecer a função de polemista e vice-versa? Que deve ser um político de esquerda senão um impenitente polemista?
    Mesmo que tenhas escrito o contrário vai ficar a lamazinha dos pudibundos: o pluralismo do Bloco é conversa, o Daniel afinal não pôde compatibilizar a sua liberdade de pensamento e opinião com os cargos na direcção do partido.
    A malta da pureza genética e da isenção e do independente e do apartidário ficou de parabéns. Eu sei que não terão razão para isso. Mas o que parece, acham eles, é.
    Resta-nos a certeza de que com os teus comentários e polémicas quem fica, continua a ficar, mesmo assim, a ganhar é o Bloco de Esquerda.
    Até logo no debate das 4 moções, quatro, para a Convenção do BE.
    Abraço

  33. 33 33  james

    As suas motivações são as suas, as quais considero eminentemente pessoais e que só a si dizem respeito. Logo, não tenho que as comentar.

    Agora, sobre as suas justificações neste post, não encontro diferença alguma em ser V. a subscrevê-lo ou o Dr. Bagão Félix, por exemplo.

  34. 34 34  Sebastião Dias

    O exercício de um cargo num partido não tem necessáriamentre de condicionar o desempenho de um comentador ou opinador, é mais importante a pessoa ser ou não intelectualmente honesta e em muitos casos o Daniel não é intelectualmente honesto. O Daniel navega em águas turvas quando, como diz no seu post, se dedica a fazer opinião, polémica e comentário. Águas turvas porque em grande parte dos casos não se sabe que pele o Daniel tem vestida. Quem escreve opinião tem de ser coerente e muitas vezes o Daniel não é coerente. Critica sempre violentamente a extrema-direita quando esta espirra, fecha os olhos quando a extrema-esquerda é arruaceira, preferindo destacar a violência das forças policiais - veja-se, por exemplo, o caso da manifestação de anarquistas na Baixa ou os distúrbios pós-eleitorais em França. A sua falta de coerência nas questões esquerda-direita tolhe bastante a sua capacidade de fazer opinião. É maniqueísta nestas questões. È também incapaz de ir contra o seu partido, como tantas vezes vão Marcelo, Lobo Xavier ou Pacheco, apesar das consequências. Os leitores não o vêem como sendo alguém com independência, portanto não o podem ver como analista político. Não é um opinion-maker, não faz opinião, é apenas a estrela da sua companhia, os simpatizantes do Bloco de Esquerda, um verdadeiro opinion-maker tem um peso que o faz transbordar do seu quadrante político e ser respeitado pessoas de outros quadrantes. Enquanto leitor vejo-o apenas como comentarista e como polemista. No Eixo-do-Mal faz comentário ao estilo da Noite da Má Língua. Sabemos sempre as suas posições, o Bloco e os seus membros são sempre irrepreensíveis e intocáveis, todos os políticos dos restantes quadrantes têm um valor igual a nada. A superioridade moral não é exclusivo da esquerda mas sim do Bloco. E todos os seus comentários vão finalmente cair neste remoinho. No seu blog, lança constantemente polémicas, provoca a fricção entre a esquerda e a direita ao combate no espaço por si gerido. É esse espaço que lhe permite não ter de exercer a carreira jornalística e lhe dá a visibilidade para escrever no Expresso ou participar no Eixo, que certamente tanto gosta. A polémica no seu blog é o melhor garante deste modo de vida, quando deixar de ser polémico tudo isto se acaba. Só que é incompatível, na maior parte dos casos, escrever-se polémica e a opinião. Há muitas demasiadas contradições que muitos lhe apontam mas que o Daniel teima em não conseguir perceber. O abandono do seu cargo político no seu partido é a procura de uma maior clarificação das posições por sui publicadas. Mas, como comecei, não é incompatível a opinião e o cargo político que se desempenha (talvez o seja no Bloco). Mas é preciso uma grande arte para se misturar no mesmo saco a polémica e a opinião, tendo a certeza que o leitor sabe distinguir claramente uma da outra. No seu caso, o leitor não sabe e a culpa não é necessáriamente dele.

  35. 35 35  JC

    “JC, nunca ninguém que me pague me pediu ou deu a entender que devia deixar de ser dirigente do Bloco. Mas se você precisa de viver com essas certezas sobre a humanidade, longe de mim querer desiludi-lo. Passar bem.”

    Você conclui coisas que eu nem disse, mas quem lhe paga - concerteza - é mais liberal e democrático que o seu partido.

    Você simplesmente prefere os eróis, é simples. E eu não o condeno por isso, é simples.

    “longe de mim querer desiludi-lo”

    Fique descansado, só me deixo desiludir por quem gosto.

    Passar bem

  36. 36 36  Paulo

    Universo em expansão. Compreendo perfeitamente e, pessoalmente, até aplaudo. Muito para além das “conveniências” que por aí se insinuam, a sua decisão soa-me a necessidade em ir-se libertando das maiores amarras para poder fazer o que me parece que gosta mais: pensar e opinar. Não há partido político, por mais aberto e tolerante à diferença (não sei se é o caso do Bloco, sê-lo-á incomparavelmente mais do que o PC, e os outros dois da alternância de poder podem dar-se ao luxo de tolerar quase tudo, porque a sua sobrevivência não depende da congruência ideológica dos seus dirigentes), não há partido, dizia, que por mais tolerante à diferença que seja, não funcione sempre como uma limitação ao livrepensar. A incongruência é o luxo dos solitários, que o pagam com a ausência das redes que lhes amparam as quedas.
    Eu teria feito o mesmo.

  37. 37 37  bang bang

    Daniel,
    Se calhar a tua decisão também a ver com facto de, não raras vezes, as tuas posições/opiniões não coincidirem com as do BE. Eu acredito genuinamente que não te tenham feito reparos, apenas te sentiste de alguma forma desconfortável. Mas uma coisa é certa: o BE só tem a ganhar se constatarmos que no BE não existe uma cartilha

  38. 38 38  Daniel Oliveira

    «Fique descansado, só me deixo desiludir por quem gosto.»

    JC, nós conhecemo-nos pessoalmente para você gostar ou não gostar de mim? Ou você gosta ou desgosta das pessoas dependendo da dua cor política? Se sim, isso explica os seus comentários.

    Paulo e Bang Bang, nenhum desconforto. Mas evidentemente um dirigente não tem, pelas razões que explico no post, o mesmo grau de liberdade. Mesmo que o partido decida que tem, os eleitores, os leitores e os jornalistas não o entendem assim. Nesse sentido, talvez muita coisa tenha ainda de mudar na política, e isso, como se vê neste caso e em muitos comentários aqui feitos, não depende apenas dos partidos.

    De resto, agradeço os comentários, mesmo os que ultrapassam os limites do respeito pelas decisões pessoais dos outros, fazendo avaliações de carácter. Felizmente são poucos. E já começo a estar habituado à agressividade virtual. Não é por acaso que apesar de não me recandidatar a cargos internos ao Bloco tive aqui, dos militantes do Bloco que comentaram, todo o respeito pessoal pela minha decisão. É uma cultura de que me orgulho.

    Por fim, caro camarada e amigo Mário Tomé, não me espantam os abusos interpretativos de alguns. Como sabes melhor do que eu, por teres mais experiência e vida, temos de viver com isso. Continuaremos a encontrar-nos em muitas lutas e a divergir pontualmente em algumas opiniões, sempre com o respeito e lealdade mutuas a que nos habituámos. Até já.

  39. 39 39  JC

    “JC, nós conhecemo-nos pessoalmente para você gostar ou não gostar de mim? Ou você gosta ou desgosta das pessoas dependendo da dua cor política? Se sim, isso explica os seus comentários.”

    Felizmente, você não tem esse prazer.

    Já lhe disse que respeito a sua atitude, mas achei infeliz a sua justificação. Não tem nada de mal escolher os eróis, parece-me é que tem algum problema em admiti-lo. Será por ser de um pivado?

    Não gosto de muitos dos seus comentários. Acho-o populista,demagogo,chegando a ofender gratuitamente em certos momentos.

    E tente respeitar melhor o raciocínio dos outros, sem concluir imediatamente outras ilações que você tanto gosta de forçar.

  40. 40 40  Marco Oliveira

    Há decisões que exigem coragem.
    Boa sorte nesta nova etapa da tua vida.

  41. 41 41  Margarida

    “Depois de alguns título de notícias tenho de reafirmar aqui que não saí nem tenho qualquer intenção de sair do Bloco de Esquerda.” Por agora?

  42. 42 42  José Teófilo duarte

    Não vejo qualquer espanto nesta opção.
    É sempre bom mudar. E é bom ter essa oportunidade. Só me resta desejar tudo de bom nesta nova etapa.
    Um abraço

  43. 43 43  palhaçadas

    Regressado finalmente à terra, um casal de reformados passa o tempo como pode. Confirmado o páteo que é o mundo, ambos procuram agora recuperar o que, na verdade, não haviam chegado a perder.

    À tarde, a ‘senhora’ joga uma partida de petanca com um grupo de amigas gordas, entroncadas, enquanto o ‘senhor’, very male indeed, se entretém a fazer um crochet ali por perto. Um napron. Que podia ser de linho, seda, lã, ou cetim. Mas por acaso não. Aquele não. Aquele era lavrado a 0s e 1s. Puro tecido da virtualidade, ainda que o ‘senhor’ o quisesse desconhecer.

    E o mundo, que se julgara maior, muito maior, era afinal um berlinde lascado.

    Um impasse binário que se entranhara de tal forma, como a própria celulite ideológica que nos engorda o parco espaço livre entre os neurónios.

    Sucede por isso que, estar informado pelos “mass media” passou a ser tão “fundamental” como alimentar um tamagotchi. A tirania da informação não conhece limites. Para além do cartão de eleitor, o cidadão haveria de ter um cartão de telespectador.

    Em nome da transparência, clama-se pela clarificação ideológica dos jornais. Sou jovem. Talvez por isso, pela imprudência, me faça tanta confusão, essa ideia estanque, sedimentada, de só se poder estar ou “à esquerda”, ou “à direita”, ou a “favor” ou “contra” Deus, ou com a “América” ou contra ela. Há uma amplitude tão diversificada de pontos de vista, que me custa aceitar que o mundo se esgote nessa dicotomia. Que seja tragado por ela, sem hipótese de reconhecer a sua própria longitude. Toda a palavra é intenção. Mas se tudo é maniqueísmo, então a palavra não serve. Os media mataram a palavra. Parece que já nada merece ser dito. Titubeante, a ‘parole’ vai resistindo no espírito de alguns, filósofos, faróis. Mas são cada vez menos. E apesar disso, nunca precisámos tanto deles. A arena pública e política é de tal forma estrangulada, conservadora, conservada e estranguladora, que a liberdade essencial à acção não desponta, o que de alguma forma vem colher toda e qualquer hipótese de desenvolvimento. Ao mesmo tempo que se alimentam dois mundos: o de dentro da esfera, cada vez mais anorético, e o de fora da esfera, cada vez maior e entorpecido.

  44. 44 44  a.pacheco

    Margarida pode ficar descansada, no Bloco não empurramos ninguem pela porta fora.

    Aliás como não contratamos acessores a peso de ouro, como o PCP fez na Camara do Barreiro, que óptimo exemplo, para um partido que se reclama da defesa dos mais desfavorecidos, pois mas a vida custa a todos.

    E como vai a deputada Luisa Mesquita já conseguiram correr com ela, ou a senhora acabou por aceitar o tal tacho numa autarquia da Margem Sul, não me digam que estavam a pensar colocá-la no Barreiro como Acessora, já agora depois do Antonio Abreu….

  45. 45 45  jb2

    Sr a.pacheco, mas que custa ao sr reconhecer que isto dos tachos é sobretudo uma questão estatistica.
    n me diga q não leu no Público o q se passou em salvaterra de magos? andou distraido?
    e já agora q lhe importa a si alguém ser contratado como acessor? ficou de fora no concurso? tem o sonho trabalhar para uma câmara e n consegue? é pq o bloco n dá esses empregos? sim é verdade q n dá, mas olhe que é pq n tem câmaras n é por ser adepto da democracia franciscana. se fizer as contas de situações menos claras versus números de câmaras verá q o bloco tb nesse campo está na pole position. n puxe sempre para o mesmo lado e verá q se fará luz na sua cabeça.

  46. 46 46  Margarida

    Mantenho a pergunta que deixei aí em baixo:

    Depois de alguns título de notícias tenho de reafirmar aqui que não saí nem tenho qualquer intenção de sair do Bloco de Esquerda.” Por agora?

  47. 47 47  Margarida

    Pelo silêncio gritante aconselho o Pacheco e o Faria a irem pondo as barbas de molho…

  48. 48 48  Daniel Oliveira

    O silêncio é apenas falta de paciência.

  49. 49 49  Margarida

    Lacónico. Ambíguo. Fruta da época.

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