Eduardo Pitta, num artigo originalmente publicado no Diário Económico, e reproduzido no simplex, resume a governação de José Sócrates insistindo na já conhecida narrativa de um primeiro-ministro que colocou em causa as “corporações” e “os famosos direitos adquiridos”. Enumerando vários exemplos, muitos dos quais nasceram de iniciativas conjuntas no Parlamento com a maioria da oposição, Eduardo Pitta defende que Sócrates teve a coragem de se meter no” vespeiro, dando a conhecer ao país um quadro legal que permitia desigualdades gritantes”. Entre as medidas moralizadoras, o autor destaca que “a progressão salarial dos professores passou a depender de quotas e de avaliação prévia”.

Não entrando na velha polémica sobre a justeza do método de avaliação, o que é engraçado é que o artigo foi publicado no dia seguinte a conhecer-se que o Governo decidiu excluir as chefias da administração pública dos efeitos salariais da avaliação de desempenho. Assim, e ao contrário de todos os privilegiados que não ocupam lugares de chefia, os responsáveis públicos nomeadospelo Governo vão continuar a ver o seu escalão salarial progredir, independentemente dos resultados da sua avaliação. A história de um governo resoluto e decidido contra os privilégios e privilegiados é enternecedora, mas não passa disso mesmo. Ficção. Vale a pena pensar no efeito que medidas como esta, assentes numa gritante disparidade de critérios, têm na moralização dos professores ou funcionários públicos. E se não estão a contribuir, decididamente, para transformar alguns lugares de trabalho num vespeiro.


28 respostas ao post “Uma história mal contada”  

  1. 1 1  Miguel

    Apenas para o pôr ao corrente que embora noticiado que as chefias não seriam alvo de avaliação tal como os restantes funcionários públicos, mais tarde o Governo viria desmentir tal notícia. Poderá comprová-lo em http://economia.publico.pt/noticia.aspx?id=1394814

    [Responder]

    Pedro Sales Reply:

    Caro Miguel,

    Sim. Conheço esse patético “desmentido”. Se reparar eu não disse que as chefias não eram avaliadas, mas que a avaliação não tem efeitos na progressão salarial – ao contrário de todos os demais funcionários. Se ler o desmentido do ministério das Finanças que linkou, isso é confirmado pelo próprio governo: “”existe uma norma no Estatuto do Dirigente (que foi aprovado e entrou em vigor durante o mandato de governos anteriores a este) que refere que a alteração do posicionamento remuneratório não está dependente da avaliação de desempenho correspondente.“: Ora, é isso que está em causa. O que é que interessa avaliar, chegar à conclusão que o seu desempenho é, eventualmente, medíocre e continuar a progredir essa pessoa na carreira. Mais a mais quando todos os seus subordinados, se não cumprirem com os objectivos e quotas, ficam com as carreiras congeladas. Hipocrisia, é o que é.

  2. 2 2  Chico da Tasca

    Subescrevo tudo o que o Pitta disse. O Sócrates ao repôr justiça (ainda que só em parte…) entre os “trabalhadores” da Função Pública e os restantes trabalhadores meteu-se num vespeiro dos bons.

    Mas essa é uma das razões porque vou votar nele : a sua coragem.

    E meteu-se num vespeiro por duas razões : porque atacou os privilégios e mordomias de verdadeiros lobbies de interesses, Estados dentro do Estado, até aqui intocáveis, pançudos de regalias, pagos pelos restantes trabalhadores, e quase sem responsabilidades. E sempre insastifeitos, a quererem sempre mais, não pelo seu mérito nem pelo seu trabalho mas pela chantagem, pela gritaria, pela ameaça e pelo insulto.

    A outra razão foi porque os partidos da Oposição, nomeadamente os partidos descaradamente oportunistas da extrema esquerda, BE e PCP, que se consideram donos dos votos dos pançudos da Função Pública, usaram-nos como armas de arremesso e atiçaram-nos como cães raivosos (que de facto são) com intuitos eleitorais e partidários.

    É por isso que nós vemos os porta-vozes dessa gente, espalhados pela comunicação social e pela blogosfera, a fazerem a apologia dos “ataques aos coitadinhos da Função Pública”, como é o caso deste post do Sales.

    É bom que se diga que a Crise que nos bateu à porta só bateu, e duramente, à porta de alguns. Os Funcionários Públicos têm dela conhecimento pelo que ouvem e vêem na comunicação social, não a sentem na pele, muito pelo contrário. Têm emprego garantido dê por onde der, têm o salariozinho e as mordomias garantidas dê por onde der, e até levaram um amuento salarial, completamente imoral, que lhes aumentou o poder de compra enquanto os outros tiveram de apertar,e muito, o cinto !

    Será bom que o próximo Governo, que eu espero que seja o do Sócrates, e com maioria absoluta, acabe com várias injustiças a saber :

    - ponha os Funcionários Públicos a trabalharem o mesmo numero de horas dos outros, porque ao contrário todos sabemos que o país não pode.

    - Ponha as mesmas regras de calculo da reforma e acabe de uma vez por todas com essa imoralidade de haver uma regra de calculo mais vantajosa para os Funcionários Públicos, ainda por cima sabendo nós que eles trabalharam muitas horas menos que os restantes trabalhadores.

    - Dê os mes os dias de férias a todos porque não é imoral que os Funcionários Públicos tenham mais dias de férias que os outros, até porque trabalharam menos.

    - Acabe com esse escandalo e essa injustiça que é a do Orçamento de Estado andar a subsidiar em parte a ADSE, uma vez que ela é totalmente vedada a todos os trabalhadores que não são do Estado. Se os FPs querem ter um sistema de sáude à parte do dos outros portugueses, paguem-no integralmente do seu bolso.

    Por ultimo, quero só comentar esta frase genial np Sales :

    “Vale a pena pensar no efeito que medidas como esta, assentes numa gritante disparidade de critérios, têm na moralização dos professores ou funcionários públicos.”

    Meu caro amigo Sales : se os funcionários públicos e os professores, não gostam das regras que a entidade patronal, no seu legitimo direito, fixou, apresentem a demissão e vão procurar uma entidade empregadora melhor ! Porque meu caro amigo, é o que os trabalhadores do privado ouvem quando vão ter com o patrão e queixarem-se da situação em que se encontram.

    Porque é que os Funcionários Públicos e os Professores hão-de beneficiar de uma atenção especial que não é dada aos outros, quando ainda por cima têm muito mais regalias e privilégios, ganham mais e usufruem de todos os garantismos que os outros portugueses não têm nem em sonhos ?

    [Responder]

  3. 3 3  FP

    Efectivamente, os dirigentes continuam a poder mudar de posição remuneratória de três em três anos independentemente da avaliação. Veja-se a este respeito o que diz a DGAEP em http://www.dgaep.gov.pt/index.cfm?OBJID=b8a129f3-8eb7-4b56-932f-f084b9abab44&ID=28000000
    Por outro lado, o SIADAP continua a não ser aplicado em inúmeros serviços (no Instituto Politécnico de Coimbra, por exemplo). A Lei que institui este sistema de avaliação que, segundo o Governo, iria moralizar a função pública e reforçar o princípio de responsabilização dos funcionários, prevê que os dirigentes que não apliquem o SIADAP por motivos que lhes são imputáveis vejam cessada a respectiva comissão de serviço. Acontece que ninguém está a ser responsabilizado. E basta fazer uma pesquisa pelos sites dos serviços da administração pública e constatar quantos não têm o Quar publicado na sua página para ter a ideia do grau deste incumprimento na AP. Os funcionários são os principais prejudicados pois isto reflecte-se na sua carreira e remuneração. Com um enorme aumento da precarização do seu emprego têm medo de denunciar esta situação ou de contestar a forma como o sistema está a ser implementado. Terão de ser os sindicatos a fazer esta denúncia.

    [Responder]

  4. 4 4  Fado Alexandrino

    Porque é que os Funcionários Públicos e os Professores hão-de beneficiar de uma atenção especial que não é dada aos outros

    Porque o patrão nunca vai à falência e portanto não se percebe porque é que não dá mais e mais aumentos.

    [Responder]

  5. 5 5  FP

    Caro Chico da Tasca

    Na sua análise parte de vários pressupostos errados.
    Este governo não acabou com os lobbies. Reforçou-os. Procure conhecer as alterações que se verificaram em termos de regras para a escolha dos fornecedores pelo Estado dos bens e serviços, como evoluiram as desigualdades sociais, como se regem agora os concursos de acesso à função pública, quais as regras para evoluir nas diversas carreiras dos trabalhadores em funções públicas e tire as suas coclusões.
    Um trabalhador do Estado actualmente pode ser despedido apenas pela invocação de «critérios de racionalidade» e ser posto mais tarde no seu lugar outro trabalhador, amigo do dirigente ou com um cartão conveniente, pelo dobro do salário. Poderá passar a ter trabalhadores sem licenciatura a desempenhar tarefas para as quais anteriormente era exigida uma licenciatura apenas porque quem os seleccionou descortinou um curriculo relevante. Assiste já à substituição de trabalhadores pela contratação dos mesmos serviços a empresas amigas que se fazem pagar a um custo bem mais elevado para oo Estado.
    Por último, tenho a dizer que lamento imenso que, em vez de querer uma melhoria para todos os trabalhadores, queira uma situação pior para os funcionários publicos. É o mesmo poder que lhes tira primeiro direitos que os restringirá aos restantes trabalhadores.

    [Responder]

  6. 6 6  Joana Dias

    Chico da Tasca:

    a prova, entre várias outras, de que é mesquinho é esta: «se os funcionários públicos e os professores, não gostam das regras que a entidade patronal, no seu legitimo direito, fixou, apresentem a demissão e vão procurar uma entidade empregadora melhor ! Porque meu caro amigo, é o que os trabalhadores do privado ouvem quando vão ter com o patrão e queixarem-se da situação em que se encontram.»

    Posso falar à vontade porque não sou funcionária pública, mas gostava de ser. Sempre tinha alguns direitos (mais do que justos) e não apenas uma carrada de deveres como claro falso recibo verde que sou!
    Eu e mais 30% da população activa deste país.

    O que aconteceu aos funcionários públicos foi que perderam muitos dos seus direitos justamente conquistados (e não regalias) para verem as suas condições equiparadas ao que de pior existe no sector privado! E já agora: desde quando é o que o modelo privado é exemplo a seguir?!

    O que mais me entristece neste país não é tanto os empresários e patrões exploradores falarem contra os funcionários estatais… até porque desses não espero grande coisa!
    O que mais me entristece e me deixa até nauseada é ouvir o desgraçadito do explorado dizer: «aquele tem direitos que eu não tenho! Então tirem-lhos que eu sou mais feliz assim!»

    Presumo que não seja um desgraçadito, pois não, Chico da Tasca?! É que caso seja um explorado, deixe-me que lhe diga que não deve muito à inteligência!

    Se for um explorador… acho que todos sabemos o adjectivo que merece!

    A forma mais inteligente de lutarmos pelos nossos direitos é dizer: «aquele tem?! Então eu também tenho que ter!», e não «Tem direitos que eu não tenho!? Então tirem-lhos!»

    Nem duvide que isto é acertar por baixo e que quem mais apanha com este ataque aos funcionários públicos são os mais desfavorecidos, os precários, os explorados!
    Não tenho que lhe explicar como é que isto funciona, pois não?!

    Luto pelos meus direitos sem querer tirar os de ninguém! Luto pelos direitos dos outros! Sou mais feliz assim!

    Estranho é não o ouvir dizer nada sobre bancos e banqueiros e partes orçamentais que o seu tão adorado Sócrates dedica a essa tão ilustre gente!

    Não me vai ver nunca é defender as mordomias desses parasitas!

    Deixe-se de «conversas para boi dormir» e seja feliz!
    A frustração não é boa companheira!

    Só uma pequena nota: corajoso, o Sócrates?! Ó homem, você tem que ir ao médico!

    [Responder]

  7. 7 7  Jaculina

    Onde está a moralidade quando dois professores com classificações iguais progridem de forma diferente devido à existência de quotas?

    [Responder]

  8. 8 8  Antonio Cunha

    Se existe alguma coisa de positiva em socrates é o facto de ter “tentado” limpar a função publica.

    Mas como tantos outros antes dele falhou…

    Não por culpa própria mas porque os poderes instalados são de tal ordem, que é quase impossivel fazer algo.

    Eu como portugues estou farto de pagar religiosamente os meus impostos e ver milhares e milhares de chico espertos que se safam seja com recibos verdes, seja com empregos na FP seja lá como for.

    Portugal é o pais do chico espertismo onde valente é quem consegue enganar o estado e não quem paga os seus impostos.

    A Joana gostava de ser FP, claro, então não gostaria. Agora trabalhar é que é mais complicado.

    [Responder]

    Pedro Sales Reply:

    Caro António Cunha,

    Calma aí. Tentou “limpar” a função pública, para usar a sua expressão, mas “esqueceu-se” de aplicar o mesmo critério às chefias por si nomeadas. Bonito exemplo esse.

  9. 9 9  Chico da Tasca

    Ó Joana Dias, essa argumentação, mais do que estafada de tão usada, não me aquece nem me arrefece.

    Antes de mais, é preciso ver o seguinte : quem paga os vencimentos mais as mordomias dos Funcionários Públicos não são os ministros nem os governos, somos nós !

    E nós os que pagamos, perante o mau desempenho constante dos FPs não temos defesa, porque os garantismos de que os Funcionários Públicos são tantos que os torna virtualmente intocáveis, quase acima da lei, e na maioria dos casos acima dos supreiorres hireárquicos e até dos governos. São um estado dentro de outro estado.

    E a questão é esta : o país pode baixar o numero de horas de trabalho para as 35 horas semanais para todos os trabalhadores ? Não pode. E se não pode não faz sentido que os Funcionários Públicos tenham um regime de horário de excepção, que ainda por cima é dos mais vantajosos da Europa. A canga não pode ser só para uns !

    Como a senhora muito bem sabe, os unicos trabalhadores deste país que estão sujeitos às intempéries da economia e aos desafios da globalização são os do privado, e são eles os unicos q

    [Responder]

  10. 10 10  Chico da Tasca

    que pagam a crise, porque os Funcionários Públicos estão super protegidos.

    A senhora pense o que quiser, isto é imoral !

    É imoral que um Funcionário Público incompetente não possa ser despedido ! Porque o que se passa é que se encosta, deixa passar o tempo, e ninguém lhe toca ! Tem o emprego garantido para o resto da vida, e até há bem pouo tempo, progredia na carreira sem saber ler nem escrever.

    No privado, um trabalhador é incomptetente, pode ter a certeza que vai para o olho da rua mais tarde ou mais cedo.

    Esta dualidade de critérios é inadmissivel !

    Como é inadmissivel que um FP que trabalho menos horas ao longo da vida vá para a reforma com mais de um terço da reforma que um trabalhador do privado, que trabalhou mais horas, porque trabalha 40 horas por semana !

    A senhora chame-lhe o que quiser, esta diferença de critérios, para mim é vergonhosa, e eu não a aceito !

    Este tem sido um ano terrivel ! Pois olhe para os Funcionários Públicos foi um ano bom !

    O emprego está mais do que garantido, com crise ou sem ela, os seus vencimentos aumentaram acima da inflação que não pára de descer, ou seja, é como eu disse atrás essa gente sabe que há crise porque vem na comunicação social, mas quem a sofre são os outros.

    Portanto não venha para cá com essa dos coitadinhos dos Funcionários Públicos porque o que o Sócrates fez foi muito bem feito e só pecou por escasso, devia ter ido muito mais ao fundo !

    [Responder]

  11. 11 11  Chico da Tasca

    Pedro Sales

    ainda recentemente ouvi um membro do governo afirmar que a lei que vai regulamentar a avaliação das chefias, e que vem detrás, está a ser revista e que irá ser aplicada segundo os mesmos moldes dos restantes FPs.

    [Responder]

    Pedro Sales Reply:

    Caro Chico da Tasca,

    O que só confirma que o actual governo elaborou uma lei que excepciona as chefias – por si nomeadas directamente, não vale a pena esquecer – dos efeitos da avaliação dos funcionários públicos. A resposta é ainda mais conveniente quando se sabe que o parlamento está fechado e não há forma de aprovar essa legislação durante esta legislatura. É essa duplicidade de critérios que choca e que corrói o discurso do PM que afrontou as coorporações.

  12. 12 12  renegade

    Tens toda a razão, mas eles ganharam a guerra das consciências.
    Toda a gente “sabe”, como este infeliz chico da tasca, que a culpa de todas as crises nacionais e das explorações dos trabalhadores do privado é dos funcionários públicos.
    Não foi há uns meses que ficámos a saber que a distribuição das classificações nas avaliações de dirigentes e funcionários públicos garantiam invariavelmente os excelentes e muito bons quase todos para os dirigentes? Pois é…

    [Responder]

  13. 13 13  Chico da Tasca

    renegade

    você leu aqui em algum sitio eu dizer que a culpa da crise é dos funcionários públicos ?

    Mas uma coisa é certa : a crise estrutural deste país tem muito a ver com a Administração Pública Central e Local que temos, que consome uma boa parte dos recursos deste país só para existir. E aí tem muito a ver com o desempenho e a mobilidade dos Funcionários Públicos.

    Mas o que eu referi foi a diferença de tratamento gritante entre portugueses trabalhadores do Estado e do Privado.

    Como é sabido que, por exemplo, este país não suporta que todos tenham um horário de trabalho de 35 horas porque diabo hão-de os FPs trabalhar 35 horas e os restantes 40 ?

    E porque é que os FPs hão-de ter um calculo das reformas diferente ? O país não pode alargar essa forma de calculo a todos os trabalhadores publicos ou privados ? Nesse caso, estende a forma de calculo dos privados ao sector publico e acabou-se.

    Isto foram só 2 exemplos.

    Pedro Sales

    eu ouvi um membro do governo afirmar que a lei que regula a avaliação dos dirigentes da administração publica estava a ser revista para entrar em funcionamento com o proximo governo.

    O simples facto deste governo ter introduzido o principio da avaliação com consequencias na carreira já foi uma pedrada no charco que mais nenhum governo ousou fazer, e é obvio que é um processo que não acabou !

    [Responder]

    Pedro Sales Reply:

    Chico da Tasca,

    Em primeiro lugar ninguém sabe qual vai ser o próximo governo. O que ficou para a história foi que o PS criou um regime de excepção à sua lei, que dizia pretender moralizar o sistema, para evitar que a avaliação das chefias comprometesse a sua actualização salarial. Em segundo lugar, não há nenhum obstáculo, que não a falta de vontade, que tenha proíbido o PS de apresentar as duas leis ao mesmo tempo. Para não haver esta duplicidade de critérios era o que se exigia. Têm assessores suficientes para isso.

  14. 14 14  Chico da Tasca

    Eu não tenho nada contra os Funcionários Públicos ganharem mais do que alguns trabalhadores equivalentes do privado. O que eu acho é que isso só deve de acontecer com os melhores, não é distribuir regalias a eito para toda a gente para os que prestam e para os que não prestam.

    E também não acho bem que um portugues possa perder o emprego pelos mais variados motivos e um FP não possa porque existe uma lei especial para eles que o impede !

    Temos portugueses de 1ª e outros de 3ª ?

    Se um FP é reiteramente incompetente e/ou mau profissional deve poder ser despedido, como outro qualquer trabalhador deste país, para dar lugar a outro cidadao português que não o seja !

    [Responder]

  15. 15 15  João Martins

    Joana Dias disse:
    “Só uma pequena nota: corajoso, o Sócrates?! Ó homem, você tem que ir ao médico!”

    A coragem de Sócrates tem a ver com este seu comentário. A Joana e quem não gosta de Sócrates acham evidente o mal que ele fez pelo país. É assim óbvio para vocês que Sócrates perderá as próximas eleições.

    Sócrates terá implementado as suas políticas de modo a perder as eleições.
    Ou então, sabendo que perde as eleições, saberá que ninguém mudará as suas políticas.

    Obrigado pela atenção.

    [Responder]

  16. 16 16  madr

    chico da tasca
    Fica-lhe mal tanta ignorância.
    Nem o Sócrates nem nenhum outro governo vai “limpar” a FP pelo simples facto de, ao contrário do que pensa e/ou diz, todos os funcionários públicos PAGAM IMPOSTOS, não são sustentados, como dá a entender, pelos “trabalhadores” (há-de explicar qual é a diferença entre ser trabalhador do estado ou do privado, só se for nos impostos que uns pagam e outros não).
    Conheço uma cozinheira do “privado” que ganha como auxiliar de cozinha “oficialmente” recebendo o restante como prémio, ou seja os impostos que paga são de auxiliar, o patrão paga para a Segurança Social o correspondente a uma auxiliar, além disso assim que tem a cozinha arrumada (cerca das 14.30h ) vai embora mesmo sendo o horário dela até às 17.30h, em contrapartida a cozinheira “pública” desconta de acordo com o seu estatuto, mesmo que se despache cedo tem de ficar no seu posto de trabalho até ter cumprido o seu horário.
    Este é só um pequeno exemplo de “trabalhadores” com o mesmo trabalho mas situação profissional MUITO diferente.

    [Responder]

  17. 17 17  DSC

    Chico da Tasca, calma.

    O problema das FP não é o facto de serem todos maus. O Problema é mais fundo pois começa pelo número excedentário de funcionários públicos.

    O número de Funcionários públicos está na base do problema.

    A segunda é, como diz, a forma como é gerido a sua carreira, pois a carreira pública é como outra qualquer.

    E o princípio pelo qual o serviço público é um bem prestado pela sociedade à sociedade, com as devidas consequências positivas para a nação (gostaria mesmo de sentir isso em qualquer sector do público) para mim é mais que justificável que tenham o ordenado e as regalias e tudo mais. Não me choca. O que me choca é que o sector público rege-se por critérios incompreensíveis. Alguém incompetente tem, ou pode ter, a mesma evolução na carreira que outro desde que a avaliação seja positiva. E se não tiver, tem a certeza que também não é despedido. O que me choca é precisamente o incompetente, que toda a gente sabe que é incompetente tenha acesso a direitos e regalias que outros muito se esforçaram para as conquistar.

    E o FP tem razão no que diz. O PM não atacou ou fez comixão sequer aos lobbies instalados. E o Xico da tasca acreditar nisto é espantoso. O lobbie das editoras de livros escolares, o lobbie das empresas prestadoras de serviços, a abolição não oficial de concursos públicos (já viu o contrato de sonho da Mota-engil e os contentores?). Se o xico da tasca acha que é em medidas demagogas e bacocas que se vai resolver os problemas é´também espantoso.

    Cumprimentos

    [Responder]

  18. 18 18  Ponto de vista

    Interessante esta “discussão”

    Aqui têm a minha contribuição:

    Isto é tudo muito bonito , esgrimirem argumentos de FP vs Privado, no entanto, se tomarem atenção , muita atenção verão que os primeiros e são sempre os mesmos, a sofrerem represálias do governo são os funcionários públicos, senão vejamos:

    1º No privado, pode até haver avaliação mas para haver “progressão” na carreira, seja a nível salarial ou posicional, basta que quem manda queira e é feito em qualquer momento, por isso se chama sector privado, cada patrão/patroa manda na sua chafarica.

    No público, com todas as regras que existem para progressão no mínimo um trabalhador demora 3 anos a subir um patamar, independentemente de os chefes quererem ou não, têm de cumprir um prazo. Claro que deve haver excepções mas essas devem ser fraudulentas e só para alguns, não é regra geral.

    2º Quanto ao horário de trabalho, os argumentos são ridículos, pois quem estiver atento sabe que no sector privado fazem-se mais horas sim, mas essas horas são pagas e quando não é o caso, é o factor medo que entra em causa, pois o horário de trabalho existe, apenas é ignorado pelos patrões. No caso dos FP, felizmente é cumprido o horário na maior parte dos sitios, havendo no entanto muitas excepções , em que os FP são obrigados, sem direito a a serem pagos em dinheiro, a trabalhar mais horas do que o seu horário normal. Dou um exemplo , pegando no caso dos auxiliares, se estiverem ao serviço de um instituto qualquer em que são eles que fecham as portas, mas se tiverem um presidente ou chefe que goste de trabalhar até as tantas, esse funcionário tem de esperar que o chefe saia para fechar a porta. è pago? não.

    Para aqueles que acham os FP são intocáveis, digo-vos que nunca foi tão fácil despedir os FP como agora, no entanto, acreditem, a serem despedidos serão os que realmente trabalham, porque depois há os amigos e amigas, que por mais porcaria que façam nunca serão despedidos.

    Outra coisinha para acabar, já repararam que com os novos contratos de trabalho, já há assistentes administrativos na FP a ganharem mais do que técnicos superiores? Sabem porquê? porque aqora os contratos são negociáveis…

    [Responder]

  19. 19 19  FP

    Caro Chico da Tasca

    Referiu ser insustentável a redução do horário de trabalho para 35H. Não sei em que se baseou para proferir tal informação. Até que ponto o aumento de emprego necessário e o consequente aumento do consumo não contribuiria para a recuperação da economia?

    Repetiu mais uma vez o slogan de que os funcionários públicos têm um wmprego para a vida. Não sei se insiste em mentir propositadamente ou se é pura e simplesmente ignorante. Actualmente não é isso que acontece.

    Insisiste em falar das reformas melhores da função pública. Digo-lhe apenas o seguinte:
    - os funcionários públicos são os que mais descontos fizeram ao longo da sua carreira contributiva. Ao contrário dos trabalhadores do sector privado que, voluntária ou involuntariamente, não fizeram descontos no passado, os funcionários públicos sempre os fizeram.
    - Actualmente, os funcionários públicos descontam mais para a CGA e ADSE do que os trabalhadores do sector privado.

    Afirmou ainda o seguinte: «Se um FP é reiteramente incompetente e/ou mau profissional deve poder ser despedido, como outro qualquer trabalhador deste país, para dar lugar a outro cidadao português que não o seja !».
    Inteiramente de acordo. Contudo, fiquei na dúvida: será que inclui na sua afirmação os dirigentes da função pública que sobem de posição remuneratória automaticamente na carreira de origem? Que garantias tem de que, com a maior arbitrariedade que o actual governo introduziu nos concursos da função pública, o cidadão que o substitui seja melhor?

    [Responder]

  20. 20 20  Chico da Tasca

    Ponto de Vista

    A progressão no privado até pode nem acontecer, como pode acontecer, de facto, a qualquer momento. Tudo está dependente do desempenho do trabalhador.

    O que é insultuoso é um FP progredir ao fim de 3 anos, obrigatoriamente, mesmo que o seu desempenho seja nulo.

    Quanto às horas, um trabalhador do privado faz mais um hora, no minimo, por dia, 5 por semana, 20 por mes, 220 por ano, 2200 ao fim de 10 anos de trabalho, 8800 ao fim de 40 anos de trabalho. ou seja, mais 1100 dias de trabalho de 8 horas, o que corresponde a mais de 3 anos a mais que um FP. E ganha menos que um FP nas mesmas funções e vai para casa com 2/3 da reform de um FP !

    Quanto às horas extraordinarias pagas, a mama será boa mas é na Função Pública, porque no Privado esse conceito práticamente acabou. Ou são pagas como horas normais ou são compensadas com horas de descanso.

    FP

    Os FPs descontam mais ? Ah pois descontam. Ganham mais, nunca perdem o emprego ao longo da vida de trabalho, as horas extraordinárias sãp pagas religiosamente como manda a lei. A não ser que que em cima disto tudo ainda quisessem pagar menos impostos.

    “Actualmente, os funcionários públicos descontam mais para a CGA e ADSE do que os trabalhadores do sector privado.”

    Meu caro amigo, a CGA e a ADSE são dois sistemas especificos e exclusivos para os FPs , com mais beneficios que o Sistema Geral dos restantes portugueses.

    O imoral, é a ADSE andar a ser financiada em parte com os impostos dos que não a podem usar.

    Os FPs querem sistemas especias e exclusivos para eles ? Paguem-nos na totalidade do vosso bolso, e não vão mamar nos impostos dos restantes portugueses. Os descontos que fazem para a ADSE não chegam para a financiar, por isso descontem mais !

    Nunca foi tão fácil despedir um FP ? Digam só quantos é que foram despedidos nos ultimos 4 anos. Eu já li de FPs corruptos que foram mudados de serviços, despedidos é que não !

    [Responder]

  21. 21 21  FP

    Caro Chico da Tasca

    Sabe o que é uma percentagem? Parece-me que não. Quando aprender o conceito, perceberá porque 10% + 1,5% é mais do que 11% independentemente da base de cálculo.

    Para além das dificuldades em Matemática, também parece ter algumas dificuldades em História. É que no passado uma grande parte da população portuguesa a trabalhar no sector privado não fez descontos para o sistema de segurança social por não serem obrigatórios, enquanto os malandros dos funcionários públicos os faziam. As imoralidades que refere fazem tanto sentido como achar que deve pagar menos impostos do que os outros porque usufrui menos dos serviços públicos, ou que não deve contribuir para o sistema de segurança social porque não tem nada a ver com as gerações futuras. Pois é, a solidariedade social é uma chatice para alguns.

    Quanto às horas extraordinárias, eu continuo a preferir que sejam pagas a todos os que a elas tenham direito.

    Como já percebi que também não conhece a nova legislação relativa ao emprego público, eu vou voltar a explicar devagarinho: um funcionário público não muda de posição remuneratória de três em três anos. 75% dos funcionários publicos, na melhor das hipóteses, mudará de 5 em 5 anos com uma avaliação de desempenho de Bom. Se não houver orçamento, poderá mudar apenas de 10 em 10 anos. Por cada avaliação negativa que tenha adia um ano a mudança de posição remunertória. Dirá que são mal avaliados? No Estado, como no sector privado, isso poderá acontecer. Mas quem os avaliar mal-esses sim- mudará sempre de posição remuneratória automaticamente de três em três anos. Mesmo que tenha tido uma avaliação negativa. É desta forma que o seu amigo Sócrates combate os lobbies…
    Aqui poderá encontrar alguns dos que foram despedidos:
    http://diario.iol.pt/economia/funcao-publica-estado-mobilidade-mobilidade-especial-aposentados-administracao-publica/1076092-4058.html

    Agui, a legislação sobre emprego público:
    http://www.dgap.gov.pt/index.cfm?OBJID=c2f9dc9f-f5bc-4b3e-971c-ea8e16a116fa

    [Responder]

  22. 22 22  AAC

    Caro FP…” Aqui poderá encontrar alguns dos que foram despedidos…” Conte lá a verdade toda, estou curioso. (Despedido, é ficar sem qualquer tipo de remuneração, certo ? )

    [Responder]

  23. 23 23  Chico da Tasca

    Mobilidade especial não é despedimento, como muito bem sabe.

    E tanta não é que na noticia que aí pôs em link se refere que uns quantos foram readmitidos para outros serviços do Estado.

    O Estado não despede ninguém, como muito bem sabe.

    No caso dos que estão em excesso em determinado serviço, até criou um regime especial que permite a esses funcionários trabalharem simultaneamente no privado e no publico, a receberem dos dois lados, durante um periodo transitório.

    Agora vá perguntar aos portugueses que viram as suas empresas fecharem se usufruem de um regime identico.

    [Responder]

  24. 24 24  João Martins

    Eu defino o Funcionário Público a partir de uma expressão de uma amiga professora do secundário:

    “Não nos dão condições por isso não me vou esforçar nem chatear”.

    Quanto não vale esta regalia ou direito, a de não me esforçar ou chatear?

    É isto que se está a tentar mudar ou deveria ser isto, além de querer poupar dinheiro claro.

    No sector privado também há este tipo de reacção, por isso os patrões querem mudar ainda mais a lei do trabalho.

    [Responder]

Leave a Reply