Um post enorme, para ser lido por quem se interessa pelo que se passa na Palestina. Fui numa visita de dirigentes partidários europeus (de esquerda e de direita) que defendem o direito dos palestinianos a um país viável. Não tive muito tempo de rua, porque a visita foi dominada por reuniões e encontros com activistas. Ao contrário dos restantes participantes da delegação – não fui o único português –, foi a minha primeira ida a Israel e à Palestina. Um privilégio começar assim, em conversas com activistas pela paz dos dois lados. Mas terei de voltar brevemente para me perder nas ruas e para ouvir as pessoas comuns. Aqui vai o que aprendi nestes dias que me marcaram. Algumas citações são reproduzidas de memória. E as fotos não são grande coisa por falta de talento do fotógrafo.

O porteiro

Na chegada ao aeroporto de Telavive esperavam-me três horas de interrogatório. Os carimbos da Síria e do Iémen no passaporte, assim como o material de filmagem, não foram do agrado do controlo de fronteiras. Não houve nada que não me fosse perguntado. Nada de especial. Ao meu lado, um brasileiro de origem palestiniana preparava-se para o costume, sempre que visita os seus tios na Cisjordânia. Seis horas de perguntas, bem mais difíceis de engolir do que aquelas que nos são feitas. Diz que o fundamental é não perder a calma para não lhes dar qualquer razão para impedir a entrada. No seu caso, não quer ir a Israel. Quer ir ao país da sua família. Mas Israel é o porteiro e nos territórios palestinianos só entra quem ele quer.

Na Cisjordânia reuni com empresários, cooperantes e estrangeiros casados com palestinianas que dirigem uma campanha internacional pelo direito de entrada no território. Israel só dá vistos de três meses. Dantes, davam um salto à Jordânia e o visto era renovado. Acabou. Se saem, o mais provável e não voltarem a entrar. Resultado: há vários projectos internacionais, incluindo os que são pagos pela União Europeia, que ficam a meio porque perdem os seus principais quadros. Há famílias separadas, em que o marido fica retido no estrangeiro. Israel aplica aos territórios palestinianos as suas leis de imigração, sufocando assim a economia e a reconstrução.

Um americano-palestiniano desabafa: «não queremos ser israelitas, queremos só poder viver na Palestina e saber com o que contamos. A maioria acaba por ir embora, para poder sair de uma forma organizada».

Os buracos do queijo suíço

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Muro e checkpoint à entrada da Cisjordânia

No primeiro dia logo de manhã vamos a Ramala. Vamos pelas estradas reservadas a israelitas, para que possam ir depressa dos seus confortáveis colonatos para Jerusalém. Não se percebe bem de que lado se está, quando se entra na Cisjordânia. Se em território ocupado se em território sobre autoridade palestiniana. Até porque as estradas reservadas a israelitas rasgam muitas vezes os territórios palestinianos. De um lado muro, do outro cerca. Saídos dessas estradas é fácil notar a diferença. Estradas esburacadas. Apenas uma, daquelas em que os palestinianos estão autorizados a circular, liga o sul ao norte da Cisjordânia. Com atenção, vê-se a diferença de cada lado. De um, os colonatos, do outro, casas amontoadas e lixo. Os colonatos, mesmo depois dos acordos de Oslo, continuam a crescer. E as terras, propriedade de palestinianos, continuam a ser confiscadas. Por vezes, entre estradas e muros há espaços vazios, para que os carros de patrulha possam vir a circular. Espaços que deveriam ser da Palestina.

Na Cisjordânia raramente os muros separam território israelita de território palestiniano. Separam território palestiniano de território palestiniano. Separam as cidades das suas zonas agrícolas e industriais. Separam cidades de cidades. Cortam ligações de estrada. São um labirinto que obriga a demorar duas horas para fazer uma viagem que durava dez minutos. E chegam mesmo a separar dois lados da mesma avenida, deixando trabalho de um lado e casa do outro. Berlim.

Em tudo os territórios palestinianos estão dependentes dos humores de Israel. Para receber os impostos que os seus cidadãos pagaram e que Israel rouba há quase um ano, para receber a energia e a água que Israel lhes fornece mediante pagamento especial, apesar de ficarem com os seus impostos. Para entrarem, para saírem, para irem à escola na cidade palestiniana mais próxima, para comercializarem os seus produtos. A Cisjordânia é um labirinto onde a vida é transformada num Inferno, de forma metódica e sádica. Pirralhos de 18 e 19 anos, que servem o exército israelita, humilham velhos e homens feitos. E eles aguentam.

A melhor definição daquele território foi-me dada por uma israelita de esquerda: a Cisjordânia é um queijo suíço. E os palestinianos ficaram com os buracos do queijo.

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Muro na Cisjordânia

Entrando dentro da Cisjordânia a presença israelita vai-se sentido menos. Apenas fica a miséria, em contraste com o conforto do lado de lá e dos colonatos que salpicam o território. Chegados a Ramala, estamos numa cidade árabe mais ou menos normal. A confusão do costume, o trânsito caótico.

Vinte por cento da já pobre agricultura da Cisjordânia perdeu-se com o muro. Os tractores não chegam às terras. Os trabalhadores também não. Nem os seus proprietários. Quando chega a altura das colheitas, fecham-se os “checkpoints”. E mesmo quando conseguem lá chegar, os camponeses palestinianos têm, muitas vezes, de se haver com os colonos, que os atacam. Nem mesmo quando contam com a ajuda de pacifistas israelitas na apanha da azeitona estão a salvo. Os colonos querem que eles desistam das suas terras para se apoderarem delas. E contam, como sempre, com a preciosa ajuda do Estado. Como alguém me disse, há uma deportação silenciosa dos palestinianos.

Para além de separarem as terras das casas, os muros impedem a entrada de maquinaria, fertilizantes e de trabalhadores, assim como o escoamento de produtos. Numa pequena cidade a norte do rio Jordão, bastante fértil e propícia à actividade agrícola, coisa rara nos territórios que sobraram para os palestinianos, está proibida a entrada e saída de pessoas. Onde há mão-de-obra não há trabalho. Onde há trabalho não há mão-de-obra.
Em Gaza, um projecto de estufas, financiado pela União Europeia, foi uma catástrofe. Os produtos ficaram a apodrecer na fronteira.

Este ano teria sido um excelente ano para a azeitona. Mas ela fica na beira da estrada, à espera de poder ser transportada. Como se não bastasse, os colonos israelitas, quando não abatem as oliveiras, roubam a colheita. Nem a presença de ex-soldados israelitas, agora pacifistas, impede a rapina, a intimidação e as agressões aos agricultores palestinianos. Numa das noites conheci alguns dos que ajudam estes agricultores. Uma organização de refusniks israelitas (gente que se recusa a actuar militarmente nos territórios ocupados) e ex-prisioneiros palestinianos, os “Combatentes pela Paz”. Um movimento simbólico que hoje recusa o recurso à violência.

Os israelitas ficaram com os acessos a grande parte da água. Nos últimos anos os palestinianos perderem um terço deste recurso.

A morte da agricultura palestiniana não tem efeitos apenas económicos. É a morte de um modo de vida e de uma sociedade que sempre viveu, acima de tudo, da terra. Mais gente a engrossar o enorme exército de desempregados sem nenhuma perspectiva de vida.

Um povo de prisioneiros

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Ramala

Tive uma reunião em Ramala com o movimento pela libertação de Marwan Barghouti. Não confundir com Mustafa Barghouti, um laico de esquerda que teve um excelente resultado nas últimas presidenciais, que trabalhou de perto com Edward Said, na Iniciativa Nacional da Palestina e que se opõe a militarização da Intifada. Também reunimos com ele e falámos dos esforços de criação de um governo de unidade nacional, em que ele tem tido um importante papel como mediador. Tentarei falar um pouco mais deste homem, um dia destes. É, de longe, aquele que me parece ser o político mais lúcido da Palestina. Voltemos a Marwan. O grupo de pessoas que dirige a campanha para a sua libertação é um excelente retrato da história da Palestina. Na mesa, oito ou nove activistas. Estiveram todos presos em Israel. Quatro, cinco, seis, dez anos. Muitos foram torturados. Mais de setecentos mil palestinianos passaram, nos últimos quarenta anos, por prisões israelitas. Não há um palestiniano que não tenha tido alguém preso na família.

A conquista de Jerusalém

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Jerusalém

Sobre Jerusalém, devo falar com cautela. Fiquei a conhecer pouco. E sei que Jerusalém não retrata com fidelidade Israel. Israel é ainda maioritariamente laico e, do ponto de vista religioso, moderado – o mesmo não se pode dizer da relação que mantém com o povo vizinho. Aliás, a maioria dos chamados ortodoxos não é especialmente radical em relação aos palestinianos. O seu ódio vira-se sobretudo contra os outros israelitas. Mas Jerusalém é um bom retrato (exagerado) do que está a acontecer à sociedade israelita (e à árabe, e à americana…). Os ortodoxos tomaram conta da cidade. Reproduzem-se a um ritmo alucinante, compram ruas inteiras, fecham ruas ao sábado, apedrejam quem se atreve a conduzir naquele dia e, paulatinamente, vão comprando todas as casas numa guerra de posições. Cristãos, já praticamente não existem. Estão dez mil registados, mas imagina-se que este número esteja largamente inflacionado. Os judeus laicos acabam por fugir deste vizinho e vão para Telavive, Haifa e outras cidades mais moderadas.

Andando pela rua, quando se vê alguém com roupa vagamente ocidental, em principio é árabe. É difícil distinguir as milhares de seitas, mas alguns ortodoxos limitam-se a receber dinheiro do Estado para não fazer nada a não ser ler os textos sagrados. As mulheres de outros são obrigadas a rapar o cabelo depois de casar e usam peruca no seu lugar. Recentemente, um representante dos ortodoxos na municipalidade quis proibir homens e mulheres de viajarem no mesmo lugares dos transportes públicos. Se alguém tomasse esta gente por legítimos representantes dos judeus, toda a gente se indignaria. Com justiça. Só que quando se toma a minoria fanática islâmica pela voz dos muçulmanos, toda a gente acha normal.

De resto, Jerusalém é uma cidade em que as duas cidades, árabe e judia, não se misturam. E em que lentamente os palestinianos vão sendo expulsos através de demolições e expropriações de terra, entregues depois a judeus recém-chegados.

Mas há esperança para a paz. Recentemente Jerusalém assistiu a uma improvável unidade entre religiosos judeus, muçulmanos e cristão. A tentativa de organizar uma parada gay (que na moderna em Telavive é um sucesso) esbarrou com os protestos unidos de todos os fanáticos. Conseguisse a vontade de paz no território unir tanto como o preconceito…

Exilados no país de Liberman

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Muro de Kalkilia

De caminho para Haifa, seguimos, do lado israelita, os muros que cercam as cidades do norte da Cisjordânia. Paramos em Kalkilia, uma cidade cercada por muro a toda a sua volta, asfixiada e isolada de tudo. Numa parte do muro foram plantadas árvores que o tapam do lado israelita. A ideia foi de um grupo de consultores que achavam que o muro dava má imagem a Israel. Olhos não vêem, coração não sente.

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Haifa (primeira foto é do templo e arquivo internacional Bahá’í)

Chegados a Haifa, tivemos um encontro interessante com uma associação de palestinianos com cidadania israelita (Mossawa Center). Uso esta expressão porque a usada pelo Estado de Israel (árabes israelitas) não faz qualquer sentido. Há centenas de milhares de árabes judeus e os palestinianos com cidadania israelita consideram-se, mais do que árabes ou israelitas, palestinianos. Principal tema: os apoios aos palestinianos vitimas dos roquets do Hezbollah.

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Sede do jornal do Partido Comunista, destruído pelos roquets do Hezbollah. Árabe mostra botija de gás que decepou as pernas ao seu vizinho depois de ter sido atingida por ataque do Hezbollah

Apesar de quase metade dos que perderam os seus bens serem palestinianos israelitas, estes receberam menos de um terço dos apoios. Os comerciantes palestinianos israelitas esperam ainda pelo dinheiro do Estado, para o qual pagam os mesmos impostos que os outros. Já foi dado aos seus colegas judeus. Mesmo durante a guerra, sofreram de forma diferente. Nos chamados bairros árabes há muito menos abrigos públicos do que no resto da cidade.

Já agora, vale a pena ir ver os números oficiais de Israel e tentar não rir. De 3.970 roquets, apenas 880 terão caído em zonas urbanas. No entanto, Israel diz que foram destruídas 12 mil habitações. Ou os roquets do Hezbollah são iguais à bala que matou Kennedy ou as armas do Partido de Deus têm poderes sobrenaturais. Nos números oficiais, Israel conseguiu ter mais “vitimas” do que os libaneses. Porquê? Porque Israel costuma contar com os que ficam com marcas psicológicas. O que, naquela religião, só se pode tratar de humor negro.

A falta de pontaria do Hezbollah é tal que acertou na sede do jornal do Partido Comunista, pró-árabe, em Haifa.

Outro protesto dos palestinianos de cidadania israelita: se casarem com palestinianos que vivam nos territórios da autoridade, não os podem trazer para Israel. No entanto, se um judeu israelita que viva nos colonatos casar com qualquer israelita, leva-o para o colonato em território palestiniano sem qualquer problema. E há por fim a violência policial, que matou, nos últimos dois anos, 33 palestinianos israelitas que participavam em manifestações pela paz.

A parte mais interessante da conversa foi quando alguém perguntou à principal dirigente da associação como se sentia durante a guerra. Se não havia um conflito de identidades. Disse que sim. Que por um lado estava em pânico pelos seus filhos, pela sua casa, pela sua vida. Por outro, sentia algum alento por haver quem resistisse. «Como feminista e activista pela paz, não gosto desta pessoa que se revelou em mim, nesses dias. Sentia-me esquizofrénica.» Mas uma outra activista, também feminista, mas judia, interrompeu a conversa. «Não acho que essa questão da identidade faça sentido. Eu sou israelita judia e sinto-me exilada no meu próprio país. Não gosto do que este país faz. Nasci aqui, sou daqui, gosto de aqui viver, mas não suporto o que este Estado faz. Não sinto essa identidade de que fala.»

Depois veio, como em todas as conversas, Liberman. Um fascista que propõe que se cerquem as cidades de palestinianos israelitas, lhes tirem a nacionalidade e os entreguem à mesma sorte que os restantes palestinianos. E que se conquiste mais territórios, impondo definitivamente os bantustões palestinianos. Liberman também defendeu a execução, por traição, dos deputados árabes que manifestem simpatia pelo Hezbollah. E, já depois de partirmos, defendeu que Israel faça em Gaza o mesmo que a Rússia fez na Chechénia. Agora é vice-primeiro ministro com a aprovação de todos os ministros dos trabalhistas, menos o da cultura que, mostrando algum brio, se demitiu. O mesmo Javier Solana que se recusa a reunir com o governo eleito da Palestina, porque são (e de facto são) radicais islâmicos, reuniu-se com Liberman, ainda antes de ele se sentar nas reuniões do Conselho de Ministros.

Entre a esquerda israelita o desalento é absoluto. Peretz foi uma tremenda desilusão e a radicalização dos israelitas parece inevitável. Alguns acham que Liberman diz apenas alto o que a maioria dos israelitas pensa baixinho. Rabin é uma memória distante. Uma ucraniana israelita, activista de esquerda, conta-me a sua história. Na Ucrânia, depois do fim do comunismo, era líder da juventude sionista. Tratava-se, diz, de defender uma minoria sempre perseguida no seu país. Foi viver para Israel e deixou de ser sionista. «Aqui luto pelos direitos de outra minoria, os palestinianos. Faço o que gostaria que os ucranianos tivessem feito por mim». É feminista e eu pergunto-lhe como lida com a ausência de direitos das mulheres entre os muçulmanos. «Trabalho com feministas muçulmanas, é isso que faço e é isso que devo fazer. Os direitos das mulheres não devemser impostos de fora. Devo trabalhar com as mulheres muçulmanas que lutam pelos seus direitos, assim como eu luto pelos meus.»

À entrada do gueto

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Posto de controlo de Erez, à entrada em Gaza, e corredor de entrada.

Gaza é uma experiência para a vida. Em Erez, entra-se por um enorme túnel, no meio da muralha de cimento. Completamente vazio. Só jornalistas e muito poucos palestinianos com passe VIP conseguem, nestes meses, entrar e sair. E, claro, os tanques e os bulldozers israelitas que, volta não volta, lá vão fazer o gostinho ao dedo. De resto, ninguém entra e ninguém sai. Mas o muro que cerca Gaza e que a isola do Mundo é apenas a parte visível do gueto.

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Muro, polícias palestinianos e fábrica destruída por Israel

Quando, duas horas depois de chegarmos (os miúdos de 18 e 19 anos que tomam conta da entrada do gueto resolveram embirrar com dois membros da delegação, ao calhas, apenas porque foram os dois últimos a entrar), atravessamos finalmente o enorme túnel. Esperamos que nos abram a porta automática. Uns metros depois, o túnel, em muito pior estado, já é palestiniano. Polícias armados e dois membros do Parlamento Palestiniano esperam por nós. Logo à entrada, uma fábrica está destruída. Foi bombardeada há quatro dias e depois arrasada por bulldozers blindados. A comitiva segue em grande velocidade. À frente, uma carrinha de caixa aberta leva vários polícias de metralhadora em punho. No fim, vai outra. Uma chinfrineira de sirenes. Um espectáculo de fanfarronice, bem ao gosto árabe. Chegamos à sede do Conselho Legislativo. Já tínhamos estado na secção da Cisjordânia.

Gaza é uma espécie de bairro social interminável, com um milhão e meio de habitantes. Os campos de refugiados com ruas estreitas, com ruas abertas à força por demolições israelitas que assim preparam a passagem dos tanques deixando um rasto de destruição por onde passam, com praças planeadas (se é que alguma coisa aqui é planeada) e com praças de entulho abertas pelos bombardeamentos… Já estive em várias cidades árabes. Esta é mais soturna do que qualquer uma que eu tenha visto. A miséria é absoluta, o ambiente pesado e triste. A sensação de claustrofobia e de clausura sente-se desde o primeiro segundo.

O Parlamento está virtualmente morto. Porque os deputados de Gaza e da Cisjordânia estão incontactáveis e porque mais de quarenta deputados estão nas prisões israelitas. Quem lhe disse que queria uma Palestina democrática mentiu-lhe. Mas a isso irei depois. Não fico na reunião. Será uma repetição do que vi em Ramala e a delegação tem de se dividir. Vou para o Hospital Central de Gaza (Al-Shifa). A delegação, sempre chefiada por uma deputada do Parlamento Europeu, independente italiana, passa nesta parte a ser chefiada pelo deputado do Partido Conservador inglês, eleito por Londres. Ex-ministro da Saúde e um thatcherista ferrenho e um convicto apoiante dos direitos dos palestinianos..

No hospital, como há cem anos

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Sobrevivente de bombardeamento israelita no Hospital Al-Shifa, em Gaza

No principal hospital de Gaza falta tudo mas reina, apesar de tudo, uma surpreendente organização. Os médicos começam por nos mostrar fotografias de vítimas dos bombardeamentos. Garantem que foram utilizadas armas químicas. O inglês diz que o tipo de ferimentos assim o indica. Eu, absolutamente leigo nestas matérias, limito-me a registar a informação. No hospital faltam os medicamentos. Quando se pode comprar, não há dinheiro, quando há dinheiro os israelitas não deixam passar na fronteira. E falta material de todo o tipo. O director do Hospital de Al-Shifa queixa-se que voltou a operar como se fazia há cem anos atrás. Com os cortes permanentes de electricidade parte das máquinas de hemodiálise está irremediavelmente danificada. Falta tudo quando tudo é mais necessário. Não há vacinas e os médicos chamam à atenção para os riscos para a saúde pública não apenas em Gaza mas em toda a região. A falta de electricidade afecta o bombeamento de água e a falta de água é um enorme risco para a saúde. E há os bombardeamentos permanentes. Um hospital que costuma ter duas ou três amputações por semana teve 51 nos últimos dois meses.

Como transformar um povo num pedinte

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Ruas de Gaza e edifício destruído por Israel

A reunião seguinte é das mais interessantes em que estive. Um grupo de empresários, gestores, escritores e jornalistas – uma espécie de comité das “forças vivas” de Gaza – quer-nos explicar o drama económico do território. Com o encerramento das fronteiras, a maquinaria para fábricas não entra e não há investimento possível. Quando chegam ao mercado os custos de transporte representam o dobro dos custos de produção. Depois de verificados ao milímetro, e esperarem durante dias no porto israelita de Ashdod (os palestinianos têm de pagar a espera), os produtos só podem ser transportados por empresas israelitas certificadas. Elas aproveitam o monopólio e inflacionam os preços. Depois, em princípio, ficam semanas ou meses à espera na fronteira, ao sabor dos humores do oficial de serviço. Se forem perecíveis, já nem vale a pena saírem de lá. Os produtos de consumo de produção israelita entram, claro. Há que fazer negócio. Os preços são muito mais altos do que em Israel e os salários infinitamente mais baixos. O pouco que os palestinianos ainda conseguem produzir para exportação só sai depois de apodrecer. O funcionamento do porto em Gaza seria uma grande ajuda para os palestinianos. Mas os israelitas não permitem que ele reabra. Entre as duas partes dos territórios (Gaza e Cisjordânia) praticamente não existem movimentos comerciais possíveis.

Como ninguém entra ou sai, o investimento externo é uma miragem. Ninguém quer empatar dinheiro com tanto risco se nem pode ter contacto com o seu negócio. Os empresários de Gaza não podem ir a reuniões no estrangeiro, tratar de negócios. Estão presos. Um gestor explica-me: «Israel retirou mas continuamos ocupados, muito pior do que antes, estamos aqui presos e condenados à miséria. Somos pessoas educadas, preparadas para os nossos negócios. Não precisamos de caridade. Apenas queremos que nos deixem trabalhar.»

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Ruas de Gaza

Há sete meses que os funcionários públicos de Gaza e da Cisjordânia não recebem um tostão. É Israel que colecta os impostos dos palestinianos. Desde que o Hamas ganhou as eleições que fica com eles. São dois terços do Orçamento da Autoridade Palestiniana que Israel rouba e usa para seu proveito. Só os médicos recebem: 300 dólares por mês. O resto, de professores a polícias, nada. Num território com mais de 3500 pessoas por quilómetro quadrado, o poder está na rua. Não há dinheiro mas não faltam armas. Estão três mil para entrar. E os EUA fazem pressão junto de Israel para que autorize. Quer armar a Fatah para uma provável guerra civil que se avizinha. Assim como quer que entrem mais homens para engrossar a guarda pretoriana do Presidente Abbas.

A Europa (que paga tudo, das infra-estruturas que os israelitas se divertem a desfazer às ajudas ao governo) descobriu o ovo do Colombo. Vai criar um regime extraordinário em que o dinheiro é entregue directamente aos funcionários, através de bancos, sem passar pelo governo. Outra parte do dinheiro irá directamente para pagar a electricidade e água que Israel fornece à Palestina. Fica-lhes com os impostos e cobra-lhes pela energia. A ideia europeia é de tal forma engenhosa que todos desconfiam que o regime transitório será definitivo. Mas ele destrói qualquer ideia de Estado e de democracia. Se a polícia não recebe do Estado porque raio há de obedecer ao Estado. É a destruição final da Nação Palestiniana. Mas nem com este esquema Israel entregará o dinheiro que roubou aos palestinianos. E a Europa ainda lhe pagará o fornecimento de electricidade e água aos territórios palestinianos.

Sem economia privada, sem dinheiro público, a Palestina é, como lamentou um empresário que viveu vinte anos em Londres e é um fã do Partido Conservador, «um país de pedintes».

A traição e a sede de poder

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Parlamento Palestiniano na Cisjordânia atacado por grevistas

A estratégia europeia para com o Hamas (já nem falo do governo israelita, que apenas sonha com a auto-destruição da Palestina) foi absolutamente idiota. Haniya era dos poucos homens que poderia fazer com o grupo radical o que os islamistas turcos fizeram com o seu: chegado ao poder, converte-lo em qualquer coisa de minimamente aceitável. Não era fácil, não era seguro, mas era melhor do que temos hoje. A vitória do Hamas não correspondeu apenas ou especialmente a uma radicalização dos palestinianos, mas a um merecido castigo à corrupção generalizada que se instalou na Fatah. Em vez disso, a Europa assistiu impávida à destruição da cúpula do Hamas, quase toda na prisão, e à criação de um vazio de poder.

A Fatah sentiu o cheiro do poder e a burguesia nacional, ligada àquele partido, pressiona para uma solução que possa abrir as fronteiras dos negócios. Um movimento grevista da função pública dominado pela Fatah, na Cisjordânia, pressiona o poder político falido e ataca violentamente as sedes do governo. No Hamas, falta experiência política aos que não foram presos e a pressão dos mais radicais deixa pouco espaço de manobra. A guerra civil ou qualquer coisa de semelhante, que os EUA, irresponsáveis, parecem querer instigar, está iminente. Os partidos laicos e muitos palestinianos sensatos pressionam para um governo de unidade nacional. Muitos empresários parecem querer um governo de tecnocratas, mas que nunca teria autoridade para manter a ordem. O interesse dos palestinianos deveria obrigar Fatah e Hamas a entenderem-se. Mas a defesa dos interesses dos palestinianos nunca foi o forte destes dois partidos.

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Sede do Parlamento em Gaza

A questão do reconhecimento de Israel pelo Hamas é obviamente uma rábula sem sentido. Todos sabem que não mudaria nada. Israel está-se absolutamente nas tintas para se é reconhecido ou não. E, já agora, também nunca reconheceu uma Palestina independente. Não passa de retórica. Israel quer apenas que os palestinianos desistam, fujam ou se matem uns aos outros. Já estiveram mais longe. E o governo de unidade teria sido uma excelente resposta, depois da derrota israelita no Líbano. A sede de poder interno ditou outras prioridades. Os negócios da Fatah e a tentativa de sobrevivência do Hamas falam mais alto.

À noite, reunimos com o gabinete de Abbas e no fim com o próprio presidente. Escuso-me a dizer com que impressão fiquei. Penso que o que escrevi até agora a deixa suficientemente clara. O jogo de sombras em que vivemos, na divisão simplista entre moderados e radicais, não deixa perceber bem o papel de cada um na Palestina. A paz não será feita por quem trata dos seus negócios. A paz será feita por quem consiga representar aquele povo. De Arafat, tinha a pior das opiniões. Era corrupto, penso que ninguém o discute. Mas ao menos representava qualquer coisa que se assemelhasse à identidade daquele povo. Abbas nem isso tenta. E o Hamas parece não conseguir dar o salto do fundamentalismo religioso para um movimento político nacional. A militarização da Intifada matou a própria Intifada. Já só resta a violência e os negócios. Como os políticos mais radicais de Israel querem que seja.

À noite, peço para sair para a rua para filmar qualquer coisa de Gaza. Os palestinianos estão nervosos. Naquele mesmo dia um jornalista espanhol foi raptado. Dizem primeiro que não. Acabamos por ir com três polícias armados de metralhadora. Um deles conta-nos que perdeu uma das suas filhas, há três semanas. Um helicóptero israelita bombardeou o seu prédio. A mãe da sua mulher também morreu. Pergunto a outro o que fariam aos raptores em caso de tentativa de rapto. «Matávamo-los». Isso não é bom, digo. «Fazem mal à Palestina», responde.

Saímos de Gaza. No caminho para o muro que cerca o gueto, está tudo às escuras. Chegados de novo ao túnel, temos apenas uma pequena amostra do que viviam os palestinianos quando ainda podiam de lá sair. Esperavam horas no enorme túnel, obedecendo a gritos transmitidos por altifalantes, em hebreu. Depois, entravam, como nós entramos, numa caixa que, usando um dispositivo de infra-vermelhos, os revistava, como nos revista a nós. Passadas horas de espera, tinham de responder às perguntas de miúdos de 18 e 19 anos, lançadas como insultos. Fossem para Israel ou para qualquer outra parte do Mundo. Do gueto só sai ou entra quem Israel entende. Agora não sai ninguém.

A descrição do ambiente que se vive m Gaza é difícil de se fazer. Só me vem uma imagem à cabeça: Varsóvia, 1940. No túnel, ouvimos os helicópteros israelitas. Mais um bombardeamento que começa no dia seguinte.


Sem respostas ao post “Uma viagem à Palestina”  

  1. 1 1  Sérgio

    Já sabe o insulto que o espera, não sabe?

  2. 2 2  rui

    bom texto.
    boa sorte com as reacções.

  3. 3 3  Rodrigues

    Leitura interessante.
    De lamentar apenas o filtro ideológico que lhe permite ver coisas para além da realidade e lhe esconde a realidade de outras.

    Já no tempo dos sovietes, cada um via naquelas sociedades apenas que estava predisposto a ver.

    É como ir a New York, ver americanos obesos e dizer que os americanos são obesos, mas não ver os milhares que passam por nós a correr no Central Park a qq hora do dia e da noite.

    A ideologia é uma máquina de recusar factos…um deliberado fechar de olhos para aquilo que não se quer ver.

    Gostei especialmente daquela dos direitos das mulheres… ostais que não se devem impor.
    Porquê?
    Há seres humanos de 2ª categoria?
    Curiosamente era a mesma justificação que se usava para defender a escravatura…há pessoas e sociedades que não são bem como nós…são talvez marcianos…enfim..incapazes de ascender às nossas subtis visões dos direitos humanos universais.

    Pois é, meu caro Daniel, vistas as coisas desse prisma, o canibalismo é apenas uma qustão de gosto.
    Ponha a perna em vinha de alhos….

  4. 4 4  agitador

    bom texto.

    equilibrado, mostra que esta questão não é a preto e branco, mas mais complexa.
    e como tal não faltam alternativas à necessidade de tomar medidas maquiavelicas e/ou de fervor ao bom estilo envangelizador (o rodriguinho estava optimo).

    caro rodrigues,

    tem toda a razão em relação à questão ideologica que põe na mesa, incluindo o seu filtro ideologico.

    “incapazes de ascender às nossas subtis visões dos direitos humanos universais.”

    as nossas “subtis visões” demoraram seculos até se tornarem realidade, e muito ainda está por ser feito no que toca ao direito das mulheres, como por exemplo nas relações laborais.

    por fim, trabalhando com os “grass root movements” é que as mudanças são eficazes.
    a historia demonstra isto mesmo, desde as sufragistas, passando pelos sindicalistas, a famosa mother jones (apelidada de “a mulher mais perigosa” do seu tempo), etc etc etc.

    daniel, já agora contactou com o movimento de mulheres israelitas que vigiam os postos “fronteiriços”, por forma a evitar conflitos e eventuais abusos por partes dos guardas?

  5. 5 5  a.pacheco

    Pois é Daniel já aguardava um texto deste tipo.

    O Daniel escreve aquilo que viu, dá uma visão pessoal, sem esconder as suas opiniões.

    Espero que aqueles que tão cegamente têm defendido os governantes de Israel , até aqui no Arrastão, lessem este texto, e o comentassem com inteligência, infelizmente quanto de trata de pessoas pró-Israel , raramente se consegue debater com seriedade, fazem lembrar certos paridários do NÃO á Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, lembrar se calhar é pouco preciso, são iguais, o que os do,motiva é o FANATISMO.

  6. 6 6  abego

    Sítio pouco recomendável para se viver, e duvido que com tantos fanatismos a coisa tenha cura. Parece que voltou do inferno na terra,inflizmente a chamas vão muito altas.A estupidez de deus é misteriosa.

  7. 7 7  Valentim Beçutsiu

    Estava tudo muito aceitável, e, discordando de algumas coisas, uma imagem fiel da situação actual. Há outras que só o tempo, a permanência, permitem perceber. Nomeadamente a mudança, que infelizmente ainda não terminou, da consciência colectiva dos israelitas após o fracasso do governo de Barak e da II intifada.

    Mas isto: “Só me vem uma imagem à cabeça: Varsóvia, 1940.”?

    Eu sei que é uma metáfora, uma hipérbole, um arrufo poético. Mas seja o que for, é um absurdo. O senhor não tem na cabeça uma única imagem, por mais pálida que seja, de Varsóvia em 1940 (presumo que se refira ao ghetto). Felizmente. Pode agradecer por isso.

  8. 8 8  Daniel Oliveira

    Valentim, acho que muita gente não tem uma única imagem do que se passa em Gaza. E repare que eu não falei do Holocausto. Falei do geto, que é anterior a ele.

  9. 9 9  Anónimo

    post estúpido!

  10. 10 10  pedecabra

    Gostei.
    Óptimo relato da vida no inferno.

  11. 11 11  Anónimo

    Ao ler este texto não se pode deixar de sentir um inconformismo e revolta pela infelicidade injustiça com que as vitimas (palestinianos ) estão sendo tratadas para quem tenha um mínimo de noção de justiça.
    Mas ao ler este texto também não se pode sentir um misto de ódio e antipatia por uma das partes (Israel) que do relato resulta num agressor implacável impiedoso brutal.
    É claro que quem chegue aqui sem nenhumas noções do conflito pode vir a ser sensivel a historia da vitimazinha que existe de facto. Mas a historia não começou assim.
    A juventude actual que até não sabe muito de história de Portugal saberá alguma coisa de historia universal e relações internacionais? Tirando alguns, outros tomam o que lhes servem e actualmente como Israel esta na mó de cima é o mau da fita. E isso vê-se pelos comentários
    Muitos não saberão como a historia começou nem sequer os antecedentes da autoridade palestiniana, da OPL provavelmente ouviram falar em Arafat. Que pertencendo a essa organização que dava cobertura a facções terroristas (como o Hamas agora) e que nos anos 70 /80 espalhavam o terror mas muito mais mitigado. Na impossibilidade de o fazerem em Israel devido a estarem catalogados pelos serviços de segurança e ainda não ter sido descoberta essa arma secreta que da pelo nome de homens bomba, faziam-no sempre que podiam e quando os israelitas se deslocavam ao exterior,

    Dois exemplos marcantes e que quem não sabe pode confirmar pois foram passados a filme. O ataque a aldeia olímpica em Munique 1972 massacre de atletas inocentes israelitas. Desvio de um avião suponho que da Air France que após recusa de muitos países para aterrar vai aterrar no Uganda de Idi Amin, os israelitas aqui brilharam e num golpe relâmpago fazem uma operação de comandos a milhares de km levam equipamento aterram ludibriam tudo e libertam os reféns e quando o Idi Amim começa a dar por ela já os aviões estavam de regresso a Israel. Claro que tudo isto como se vê criou condições propicias aos dois povos em causa se passarem a odiar e não estreitarem relações.
    Israel sé é o que é sobreviveu e chegou onde chegou foi porque usou a cabeça e não foi um coração mole caidinho nas vitimas inocentes, caso contrario já não existia. Suponho que se fosse com Portugal se calhar isso já tinha acontecido.

    Também não deixa de ser engraçado que se fale na miséria de um lado nas vitimas de um lado, pois sim os palestinianos querem levar uma vida tranquila de paz e sossego, os israelitas também mas explodindo dentro de autocarros restaurantes cafés esplanadas etc isso é impossível de aceitar? como eu já os ouvi dizer a israelitas que quando saem de manhã podem não regressar a casa. São estas pequenas coisas acumuladas a outras que levam a esse cenário securitário, as pessoas acabam por sentir-se seguras se isolarem as outras, ou controlando-as o mais possível para evitar surpresas. perante o fundamentalismo com que o Hamas defende a continuação de actos terroristas Concerteza que quem vive em Lisboa nem pensa nisso, mas se tivéssemos uma etnia no território fazendo isso viveríamos num clima diferente no dia a dia e basta ver quando entramos num aeroporto como a vida mudou.

    O texto não faz uma única menção ao controle dos homens bomba. Das respectivas famílias, donde foram recrutados, por quem, que subsídios recebem após a morte. Não é que eu precise saber isso já sei por informação segura mas tendo ido lá teria essa curiosidade. Qual foi um dos povos que se regozijou com o ataque as torres gémeas.
    Bom e deixando de parte a verdadeira historia e respectivas guerras, ocupações de terrenos etc só isto quanto a mim basta para explicar um pouco o clima de impossibilidade de concórdia.

    Por isso não me parece descabida de todo esta opinião.
    (“A construção do muro na parte Ocidental do Jordão não se revelará como negativa na procura duma solução pacífica. De facto com a sua construção, por muito grotesco que pareça a sua construção tem salvado vidas; além disso um muro em qualquer altura se pode deitar abaixo, como argumentam os israelitas (Logo que o terror acabe!). A questão do muro só se porá, a nível internacional, se ele for construído para lá da linha verde, da fronteira de 1967.
    No futuro, o maior problema existencial para Israel será, porém, o da bomba demográfica. Em 2003 dos 6,7 milhões de habitantes de Israel, 81% eram judeus ou de outra origem étnica, enquanto que 19% era árabe. Com o crescimento da população árabe são criados factos que superam qualquer previsão porque o problema se põe especialmente no momento em que a cultura árabe domine. Esta inclina-se a viver em guetos até se poder pronunciar maioritariamente. Segundo as contas de cientistas, daqui 20 anos, a etnia árabe passará a constituir a maioria da população de Israel. Nesse momento o estado de Israel deixaria de existir… É natural que Israel não poderá impor um sistema de Apartheid como acontecia na África do Sul. Facto é que os árabes não se mudarão tão rapidamente nas suas atitudes e isso terá como consequência medidas muito difíceis para todas as partes.”)
    Um outro problema é o da independência dum estado palestiniano só ser possível com grande apoio económico de Israel. De momento a Autoridade Autónoma Palestiniana depende economicamente 75% de Israel. Um Estado Palestiniano não será viável sem a ajuda de Israel. Um busílis portanto! A Israel só parece restar a alternativa de fortalecer o seu inimigo figadal. Por outro lado não se conhece nenhum estado muçulmano com vocação multicultural… Ainda temos muito que andar e ver Israel entre a Guerrilha e a Bomba Demográfica Árabe!

    Mas vendo uma cronologia histórica detecta-se um erro grave por parte dos palestinos no passado que se repercute no presente
    Israel foi fundado legalmente, pela ONU. Em 1947, a Assembleia-geral da ONU determina a criação de dois estados na região: um estado judeu Israel e outro árabe. Palestina Isto em consequência do mandato do protectorado britânico na palestina vir a terminar em 1948.

    Os países árabes não aceitaram a existência de Israel, pretendendo invadir logo a zona israelita após a saída das tropas britânicas. Começou desta maneira o conflito israelo-palestiniano. O novo estado de Israel repele as forças árabes e ocupa a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, territórios do planeado estado árabe/palestino. Em 1948 é declarada a fundação do estado de Israel e logo no dia seguinte, sete exércitos árabes atacaram Israel. Foi provocada uma onda de refugiados (7000.000) que, para fugirem às contendas, se instalaram nos países vizinhos. Com a vitória de Israel, a maioria desses refugiados foram proibidos de voltar para suas terras. Em 1964 o Alto Comissariado da Palestina solicita à Liga Árabe a fundação de uma Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Em 1988, a OLP proclamou o estabelecimento de um estado palestiniano. O principal líder da organização foi o falecido Arafat.

    O mundo árabe rejeitou a divisão proposta pela resolução da ONU em 1947. Mas, vendo isso a partir de hoje e com olhos de hoje, mesmo admitindo a injustiça de toda essa partilha e suas consequências - pensando na fuga e abandono de terras dos palestinianos induzidos erradamente que voltariam com exércitos vitoriosos dos arabes que dizimariam e expulsariam os judeus isto foi dito por um dirigente da liga árabe na época, A recusa palestino/árabe foi um erro tremendo. Que levou também à realidade que o senhor descreve hoje. Isso é reconhecido hoje também pelos palestinianos, pois acabaram por perder a criação de um Estado próprio soberano no passado pelo qual lutam ainda hoje em dia. E que poderiam ter desde essa época reconhecido pela comunidade internacional, caso aceitassem a partilha proposta, Com governo exercito etc. podendo lutar legalmente nos órgãos próprios associando-se aos árabes na ONU, na liga árabe em todo o lado para fazer valer as suas pretensões mas lutando diplomaticamente e não cair num estatuto de terrorista para conseguir fazer ouvir a sua voz, com aconteceu com Arafat que só tardiamente foi levado em conta e foi aceite a discursar na ONU 1974 onde propunha novamente a destruição do estado judaico e a criação de um único estado laico e democrático .
    Entretanto, o Estado de Israel continua a não ser aceite por muitos árabes e há judeus que acalentam a tentação do sonho de um Estado que abrangesse toda a Palestina. E aí está um dos focos principais de instabilidade mundial.

    Quanto a realidade descrita acerca do gueto, (vou focar só a parte de quem vem de fora e tem liberdade de movimentos, não estou a comparar as condições de vida de quem vive la diariamente) para mim é muito diferente de um filme com 60 anos, não me faz lembrar uma realidade do género da dos anos 40 na Polónia ocupada, no gueto de Varsóvia, como a visita da Cruz Vermelha ao gueto ao tempo guiada por judeus em conjunto com nazis, e recebida por judeus em “fato de cerimonia”, criancinhas prendadas e tudo o mais que compõe um cenário grandioso de bem estar e felicidade, mesmo que a cruz vermelha desconfiasse, não podia fazer muito quando as vitimas põe a cabeça no cepo, estava tudo bem estava tudo ok.

    Pelo contrario, visitou livremente pessoas, interrogou, viu o que quis suponho, não foi guiado por nenhuma potencia ocupante ( talvez controlado em pontos estratégicos ) que lhe mostrou o que queria mostrar, nem encontrou pessoas dóceis e amáveis em tudo, reconhecendo o bom tratamento que levam para não enfurecer o opressor. Qual a comparação então para recuarmos 60 anos que não seja uma comparação de conflito e possíveis consequências na população civil?

  12. 12 12  Budapeste

    Apesar dos milhares de jornalistas que se acotovelam em Israel e na Palestina à procura das fotografias do sofrimento dos outros, aquelas que valem dinheiro, a verdade é que a informação que vem daqueles lados é demasiadamente filtrada pelas ideologias que mais parece propaganda que outra coisa…
    Mesmo sendo óbvia a posição politica que tem sobre o conflito, penso que há um esforço de dar informação objectiva que é mesmo interessante.
    Já a comparação com Varsóvia em 40 me parece forçada… (Se bem me recordo,os judeus de Varsóvia não lançaram qualquer intifada, não bombardeavam a Alemanha ou a Polónia, nem com rockets nem com suicidas bombistas…
    E aí, eu e o Daniel talvez tenhamos opiniões diferentes, mas eu continuo a achar que o conflito gera mais conflito e que a paz teria sido mais fácil se as duas partes tivessem feito outras opções no passado e aí também os palestinianos erraram… Levados pelos Senhores da guerra e da corrupção agudizaram um conflito, que de qualquer forma, reconheço, é muito difícil e para o qual nem vejo luz no fim do túnel…)
    Por outro a tolerância para com os hábitos e costumes do muçulmanos,quer seja relativamente ao papel da mulher,quer relativamente a muitos outros, reconheça que continua a ser muito assimétrica…
    Da sua descrição fiquei com a ideia de que viajou acompanhando um grupo com contactos já preparados, pessoalmente gostaria de saber mais de como é que isso se processa…
    Finalmente, gostaria de lhe perguntar se se vai limitar ao seu inferno de estimação ou se as suas visitas se vão alastrar a outros dos muitos infernos que infelizmente abundam no Planeta?
    Dafour, por exemplo?
    Ou será que os Muçulmanos do Sudão ainda são mais chatos e garantem menos a segurança dos visitantes que os filhos da … (como é mesmo?) dos israelitas?
    Ou será que o Daniel não tem estômago para esse inferno?
    É que pode não estar na moda, mas também morre gente para esse lado e não são menos que outros, ou são?
    Talvez não marquem é os mesmos pontos políticos…

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    Budapeste,
    Lembra-se da revolta do gueto de Varsóvia? E ainda bem que existiu. Infelizmete não resultu em nada.
    A visita foi preparada pela delegação europeia e não teve como principal interlucutor a Autoridade Palestiniana. Contou sobretudo com apoio das ONG’s a trabalhar no terreno.
    Sobre a Darfur, não tenho nem menos um milimetro de solidariedade com as vitimas daquela barbárie do que por outro. E se surgir tal oportunidade quererei seguramente lá ir.

    Anónimo,
    A história não é bem a que o senhor contra. Mas por uma vez deviamos começar a discutir aquele conflito sem ser m tira teimas do passado. Há quem, na Palestina e em Israel, o tente fazer. Se eles podem, de certeza que nós podemos.

  14. 14 14  a.pacheco

    Pois é o gueto de Varsóvia….

    E já agora a direcção do gueto, que tão colaboracionista foi com os nazis….

    Uma história que Israel não lhe interessa que seja contada, o colaboracionismo,
    as alianças, e as negociatas de individuos de religião judaica com os nazis.

    Ou os banqueiros de Hitler, a começar na familia portuguesa Espirito Santo, cujo um dos ramos, o realmente rico, eram pessoas de religião judaica, o que não impediu que durante guerra tenham feito optimos negócios com a Alemanha Nazi, e serem um dos bancos em que os nazis fizeram chorudos depositos, que tão uteis lhes foram depois da derrota.

    Será porque algumas dessas personagens passaram por vários governos de Israel.

    E que dizer de dois TERRORISTAS confessos, que foram primeiros ministros de Israel, Begin e Shamir.

  15. 15 15  JoaoLuc

    Lê isto com regularidade:
    http://blogs.20minutos.es/enguerra/

  16. 16 16  Anónimo

    Daniel:

    O que me “recordo” do gueto de Varsóvia e da sua revolta não tem nada a ver com Gaza…

    Os judeus de Varsóvia não queriam lançar nem Polacos nem Alemães ao mar, reconheciam o país onde viviam, não tinham qualquer preparação militar especial…

    Durante muito tempo não imaginaram que os nazis os queriam exterminar daquela forma metódica (não foi aí um dos primeiros trabalhinhos da IBM?), determinada e continua e foram contemporizando com todas as exigências nazis até que as deportações em massa e as suspeitas do Holocausto os fizeram perder toda a esperança de sobrevivência.

    Não foi a perda da esperança de se autogovernarem, de viverem com dignidade que os fez revoltarem-se foi a de sobreviverem.

    Foram perseguidos por questões rácicas e não comportamentais, porque eles não saíam do gueto para assassinarem nem polacos nem alemães…
    Quando se revoltaram ninguém tinha a esperança de vencer os nazis, queriam apenas comprar algum tempo de vida, foi pouco, também acho, foi o que puderam…

    Não tinham nenhuma Europa a pagar-lhes as contas, não tinham milhões de vizinhos a pagarem-lhes pensões como recompensa por assassinatos, não tinham a cobertura continua da imprensa e das televisões…

    Do outro lado, que eu saiba, os palestinianos ainda não são deportados em massa para câmaras de gás…

    As diferenças entre Varsóvia e Gaza são tantas que só quem não quiser ver, não vê…

    Mas está muito na moda fazer estas comparações…

    Mas a verdade é que em 1940, quando os judeus lutaram pelos Aliados, os árabes alinharam com os Nazis, não foi?

    O mufti de Jerusalém dava-se muito bem com eles…

    Ao contrário do que tinha acontecido na 1.ª Guerra Mundial, em que lutaram com os ingleses, para se livrarem dos turcos…

    Nem digo que não fazia sentido, tentavam livrar-se dos ingleses…

    Mas escolheram mal o lado, não foi?

    Primeiro porque os nazis eram mesmo uns filhos da…
    e depois porque os nazis perderam…

    E, neste caso, quem fica do lado de quem perde, nem pode desculpar-se com qualquer vitória moral…

    Não acha?

  17. 17 17  Daniel Oliveira

    “Os judeus de Varsóvia não queriam lançar nem Polacos nem Alemães ao mar, reconheciam o país onde viviam, não tinham qualquer preparação militar especial…”

    OS palestinianos, a esmagadora maioria deles, também não quer lançar os judeus ao mar. Quer ser livre, ter direito a viver e ter o seu país. Nada mais.

  18. 18 18  J

    “OS palestinianos, a esmagadora maioria deles, também não quer lançar os judeus ao mar. Quer ser livre, ter direito a viver e ter o seu país. Nada mais.” - wishful thinking

    Pena que, então, não escolham, democraticamente, líderes que pensam da mesma maneira.

    Arafat teve uma oferta séria e válida de constituição de um Estado Palestiniano por Ehud Barak em Camp David, 2000. Saiu das negociações, não apresentou nenhuma contra-proposta. Continuou a gritar nos discursos internos “jihad!” e nunca mandou tirar da constituição da Fatah o objectivo de eliminação do Estado de Israel. Morreu como um herói para os Palestinianos.

    Em 2006 os Palestinianos escolheram o Hamas para governar a Palestina, com 43% de votos. O Hamas tem, como primeiro princípio, e de forma declarada, exterminar o Estado de Israel. A escolha do Hamas é, no mínimo, uma declaração de guerra contra Israel.

    Israel ofereceu paz e o reconhecimento em 2000. Acreditavam na paz. Os Palestinianos responderam com guerra.

    Para quem verdadeiramente pretende a paz na zona, está na altura de se mudar o discurso de vitimização para um discurso de responsabilização. E de se deixar de focar nas consequências, e começar a olhar para as causas.

    A comparação de Gaza com o gueto de Varsóvia é maliciosa e de muito mau gosto (acho que o Daniel sabe o que aconteceu às pessoas que estavam no gueto de Varsóvia).

  19. 19 19  Filipe Rosas

    Boa reportagem. Cumpre um papel importante bem para além daquele que as reacções ao post deixam descortinar. O blog é lido por uma imensa maioria silenciosa, para quem a matéria apresentada tem uma impotância que os “comentadores de serviço” não descortinam. Não podem, têm o umbigo à frente. Bom trabalho.

  20. 20 20  a.pacheco

    Arafat recusou uma proposta HONESTA de Barak…..

    Jerusalem seria a capital do estado Israelita, mas nunca o seria de uma PALESTINA LIVRE.

    Os milhões de palestinos expulsos pelos sionista e que sobrevivem em campos de refugiados, NUNCA poderiam regressar ás suas casas.

    Os colonatos só seriam desmantelados a conta gotas.

    Em suma proposta honesta, ou desonesta, até figuras importantes da AdministraçãoClinton são hoje unanimes em dizer que seria un suicidio politicoArafat ter aceite as prospostas de Barak.

    Até porque se sabe, que os Israelitas são mestres em dizerem uma coisa e fazerem outra.

    Quanto À MENTIRA de que as pessoas de religião judaica seriam teriam combatido ao lado dos aliados por contraponto aos palestinos que se teriam colocado ao lado dos nazis.

    A DESONESTIDADE INTELECTUAL das pessoas pro Israel é incrivel

    As pessoas de religião judaica ( algumas) lutaram ao lado dos aliados, como as pessoas de religião muçulmana, ou pensa que a maioria das tropas da Africa francesa era de que religião, e muitos soldados ingleses, e certamente americanos…

    O que deveria dizer, é que houve SIONISTAS que na ALEMANHA primeiro e na PAlestina depois, tentaram alianças , no caso da Palestina houve grupos sionistasde religião judaica que COMBATERAM AS TROPAS INGLESAS ( SHAMIR por exemplo) em apoio dos nazis.

    O muffti de Jerusalem teve encontros com Hitler, e era ferozmente anti-sionista, mas os sionistas tambem eram ferozmente anti-arabes, equivaliam-se fanaticos sempre houve e há dos dois lados.

    Talvez por vingança Israel inpediu que o seu filho fosse há pouco sepultado na sua terra de Jerusalem.

  21. 21 21  jms

    “Israel ofereceu paz e o reconhecimento em 2000. Acreditavam na paz. Os Palestinianos responderam com guerra.”
    Esta é a chalaça do ano! Ó homem, se você é um completo ignorante, se não quer saber de se informar, se os factos para si não significam nada, por que é que não assume a sua insignificância intelectual e não vai antes opinar sobre futebol ou sobre a Floribella? Olha que há sites para isso, sabe? A não ser que prefira ridicularizar-se a si próprio, a não ser que tenha gosto em ridicularizar-se a si próprio, o que é sempre uma opção válida em democracia.

  22. 22 22  J

    JMS

    não lhe vou responder aos seus insultos gratuitos

    mas se não sabe o que se passou em 2000 em Camp David, pode tirar alguma informação daqui

    http://www.indybay.org/newsitems/2002/05/08/1266411.php

    http://www.palestinefacts.org/pf_1991to_now_campdavid_2000.php

  23. 23 23  J

    “I regret that in 2000 Arafat missed the opportunity to bring that nation into being and pray for the day when the dreams of the Palestinian people for a state and a better life will be realized in a just and lasting peace”
    Bill Clinton

  24. 24 24  Anónimo

    Em camp david Barak tentou negociar com Arafat e propôs um Estado Palestiniano na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza, um regresso de um número limitado de refugiados e uma compensação para os restantes, sendo lhe atribuída como capital Jerusalém Leste, também não havia acordos sobre questões como economia, segurança, assentamentos judeus ou água. Mas numa negociação tem que haver cedências ou posteriores negociações.
    Numa decisão muito criticada, Arafat rejeitou a oferta de Barak, e não fez qualquer contra-oferta.

    Textualmente e citando disse “Minha resposta é que o povo palestino vai continuar no caminho de Jerusalém, a capital de nosso estado palestino independente. Não importa se Barak aceitar isso ou não. Ele que vá para o inferno!”, Numa visita altamente polémica de Ariel Sharon à área delimitada da Mesquita Al-Aqsa da origem a violência que se seguiu, traduzida na chamada Segunda Intifada Palestiniana.

    Esta, mais uma, rejeição por Arafat dos acordos de Camp David. Há quem considere mais um erro político. Depois, o encadeamento de factos posteriores e o começo da 2ª Intifada, levam muita gente a pensar que a rejeição fazia parte de um plano mais vasto de levar os israelitas a ceder pelo terrorismo. Sendo completamente estúpido como forma de luta e que leva cada vez mais os palestinianos à situação actual.

    Mas o que não deixa de ser engraçado é que a teoria da vitimização funciona no ocidente os resultados da Intifada foram vários espancamentos, detenções em massa e deportações. A acção judaica foi condenada pelo Conselho de Segurança da ONU, o que influenciou a opinião pública mundial a favor da OLP.
    Como resultado da Intifada, as facções da OLP uniram-se na intenção de criar um Estado palestino e, em Novembro de 1988, o Conselho Nacional Palestino proclamou o Estado Independente da Palestina, ao mesmo tempo em que aceitava a existência de Israel.

  25. 25 25  gonçalo

    Parabens pela descrição da tua vivencia!! e importante ter a nocao do q a outra parte passa… bem sei que tb o povo israelita sofre c toda esta situacao, mas o q passa para a opiniao publica ocidental e q todos os palestanianos s possiveis homens bomba, q n respeitam os direitos das mulheres etc e isso n e tao assim. vamos ter mais respeito uns pelos outros, pois esse principio estasse a perder. podem comecar por este blog… se tivessem aquele abicionado “Poder”; ficava preocupado c as repercussoes.

  26. 26 26  a.pacheco

    A verdade objectiva ,Israel NUNCA cumpre acordos.

    A-Situação do Libano Israel continua a violar o espaço aereo deste país.

    B-Fim dos colonatos, Israel, continua a construi-los na Cisjordania.

    C-Retirada de Gaza,ocupação e matança indiscriminada de pelestinos, não poupando mulheres e crianças.

    D-Paz em troca do reconhecimento do Estado de Israel, não só Israel não reconhece o direito dos palestinos a terem uma patria, como se prepara para dentro de alguns meses atacar a Siria e o Libano.

    Aliás a duplicidade dos sionistas vem desde os primordios de Israel, não eram na altura o polaco David Grun, e a ucraniana Golda Mabovitz, que afirmavam em 47-48 que nenhum arabe seria expulso de Israel, ao mesmo tempo que na sombra levavam a cabo um plano de LIMPEZA ÈTNICA….

    Quanto a Camp David senhores, vamos a factos, são membros da administração Clinton que dizem preto no branco, qua a aceitação dos acordos tal como Barak e Clinton queriam seria o suicidio politico de Arafat.

    Em politica quando se negoceia tem de haver cedências dos dois lados, só que o arbitro não era impacial, e Israel ficava com o pão e dava magnanimamente MIGALHAS aos palestinos.

    Para haver negociação a sério Israel terá que se retirar para as fronteiras de 1967, terá de reconhecer o direito aos palestinos a terem uma patria viável com continuidade territorial,terá de permitir o regresso dos refugiados, terá que encarar Jerusalem como cidade livre, terá de respeitar os seus vizinhos, devolvendo os Montes Golam á Siria, e as quintas de Shebaa, em suma terá de dar provas de que é um estado que respeita os compromissos.

    Mas isto NUNCA será aceite pelos defensores do Grande Israel, da patria para todos os judeus, da limpeza étnica, dos traficantes de armas….

    Basta ler a recente biografia de Ariel Sharon para perceber a mentalidade desta gente.

  27. 27 27  Budapeste

    a. pacheco:

    “Quanto À MENTIRA de que as pessoas de religião judaica seriam teriam combatido ao lado dos aliados por contraponto aos palestinos que se teriam colocado ao lado dos nazis.

    A DESONESTIDADE INTELECTUAL das pessoas pro Israel é incrivel

    As pessoas de religião judaica ( algumas) lutaram ao lado dos aliados, como as pessoas de religião muçulmana, ou pensa que a maioria das tropas da Africa francesa era de que religião, e muitos soldados ingleses, e certamente americanos…”

    Não me vai dizer que as tropas muçulmanas da África Francesa eram palestinianas, pois não?
    É QUE SE É ISSO QUE É SER INTELECTUALMENTE HONESTO… ESTAMOS CONVERSADOS…
    a África Francesa a que, penso, se está a referir fica bem longe da Palestina, que era o tema da conversa…
    Daqui a bocado até os Indonésios são palestinianos e jordanos…
    Claro que do lado dos ingleses lutaram muçulmanos, nomeadamente paquistaneses, mas, mais uma vez, essa nunca foi a questão…
    (Quanto aos muçulmanos americanos devem ter sido muito poucos porque a emigração de muçulmanos para os Estados Unidos é bem recente…)

    Quanto aos judeus tinham uma brigada própria no exército inglês…

    Quanto à continuidade territorial, uma coisa é a porcaria que se está a fazer com o muro, outra é unir Gaza à Cisjordânia…
    a qual se refere?

    É que mesmo que os Palestinianos tivessem aceitado o desenho dos dois estados, da ONU em 47, isso não lhes garantia continuidade territorial (nem a Israel… ficava cada um dividido em três partes…) e depois da guerra essa possibilidade foi-se…
    A única hipótese realista de discussão pacífica das fronteiras é a de adoptar as de 67…

  28. 28 28  sm

    Os Acordos de Oslo, Camp David e Taba foram uma mão cheia de nada. Em Oslo Yitzhak Rabin prometeu autonomia para Gaza e Cisjordânia, mas Israel não se retirou e até continuou a instalação de colonatos nas melhores terras da Palestina. Em Camp David (e depois Taba) Barak não propôs nada formalmente, nem listas de colonatos a evacuar, nem datas para um processo de paz (Aluf Benn, Ha’aretz de 15-01-2001). Barak apenas dissertou sobre modelos abstractos em relação aos colonatos: ficavam onde estavam, eram reordenados e concentrados em parcelas de território palestiniano ou eram evacuados. E, entretanto, a expansão dos colonatos continuou… Sharon anunciava a retirada Isrealita mas começava a construção de um muro que deixava do lado isrealita terras palestinianas (e dividia aldeias palestinianas e separava-as de terras agricolas)… A posição de Arafat foi sempre a de não abdicar do seu já reduzido território da Faixa de Gaza e da Cis-Jordânia (já só 25% da Palestina em lugar dos 50% previsto na Resolução 181 da ONU), do Templo do Monte, de Jerusalém capital dos dois Estados e do regresso dos refugiados.

  29. 29 29  a.pacheco

    Budapeste….

    A-anoto que muçulmanos nos USA é coisa recente….

    B-que para si judeu não é uma religião e sim outra coisa que não entendo, se poder explique….

    Claro que se se fala de judeu por contraponto a palestino, o raciocinio estaria certo, só que isso é uma falácia, judeu será sempre E SÒ contraponto de muçulmano, ou católico, ou budista, ou indu, ou seita maná.

    Contraponto de palestino só poderá ser israelita.

    E a discussão vinha de afirmações de um comentador pro-Israel, que afirmava que os palestinos, e os arabes seriam pro-nazis, e eu na altura afirmei, que havia sionistas, que afirmavam lutar por um país para pessoas de religião judaica, que estavam dispostos a tudo, tentaram alianças com Hitler, aliaram-se ás tropas nazis na Palestina com o único objectivo de DERROTAREM os ingleses.

    Já que estamos e só no dominio religioso, seria bem mais justo falar dos HEROIS do exercito vermelho, aí sim MUITOS de religião judaica, que de armas na mão,e no comando de alguns corpos do exercito vermelho,derrotaram a besta nazi.

    Sim porque muitas pessoas de religião judaica, da França, á Jugoslavia, da Russia, á Holanda, na resistência, ou em exercitos regulares, fizeram pagar bem caro aos nazis , os crimes que cometeram, contra a gente da sua religião.

    Mas parece que este não é o tema desta discussão.

    Há hipotese de continuidade territorial, isto se algum dia Israel aceitar a possibilidade da existência de uma Palestina Livre, o que eu duvido, por causa dos fundamentos da criação do Estado de Israel.

  30. 30 30  Budapeste

    a. pacheco:

    Desde a formação do reino de Judá à 3500 anos que judeus é, não só, a designação de pessoas de uma religião, mas também de um povo…
    A Bíblia está cheia de referências a judeus que não seguiam o judaísmo mas religiões ditas pagãs…
    Era quando apanhavam uns tabefes de Deus…
    Por outro lado muitos nacionais de outros povos seguiam a religião judaica como por exemplo etíopes e gregos…

    Contemporâneo do Reino de Judá existia um outro Reino, o de Israel, que embora tivessem a mesma origem, não adoptavam os mesmos preceitos religiosos e que até se davam bastante mal… (estilo Portugueses e Espanhóis).
    No tempo de Jesus ainda havia um preconceito dos judeus para com os descendentes desse Reino de Israel que eram, por exemplo, os Samaritanos…

    As definições de judeu e israelita que usa são as que conhece e as que lhe convém, mas não são universais e incontroversas como lhe parecem…

    Aliás uma boa fatia dos judeus (e desculpe-me mas vou continuar a utilizar a designação de judeu na acepção de povo) são bastante ateus, declaradamente ateus e não querem saber do judaísmo (religião) para nada…

    Para os Nazis, em Varsóvia, o factor religião, também não parece ter sido decisivo…
    Eles estavam-se borrifando se os judeus lhes dissessem que eram católicos, como os polacos…
    Eles verificavam as ascendências, verificando registos de nascimento e se pertenciam ao povo judeu… estavam lixados com F (bem grande, mesmo bem grande…)

    Vá lá, reconheça que, judeu pode ser aplicado a um povo e não só à religião…

    E já agora:
    Qual é a possibilidade de continuidade territorial entre Gaza e a Cisjordânia?

    Essa ultrapassa-me…

  31. 31 31  Máquina Zero

    Horst Vessel, camarada Daniel Oliveira, Horst Vessel! O general Jurgen Stroop gostaria deste seu texto…

  32. 32 32  anonymous

    carissimos

    peço desculpa por escrever um mês depois do ultimo post
    não sei se alguem vai ler esta mensagem mesmo assim aqui vai ela

    voces sabem tao bem como eu qual è o verdadeiro alvo.somos nós europeus.e porque ainda nâo têm t……
    para nos enfrentar declaradamente andam às voltas com israel.quando as potências ocidentais mandavam naqueles territorios(e é algo que os europeus procuram esquecer o mais rapido possível)“rebeliões“ arabes eram esmagadas sem contemplações.
    toda esta conversa è de alguem ´´que já mandou e não manda mais mas que ainda pensa mandar alguma coisa“.a europa está cada vez mais pequena e menos influente e os valores culturais que identificamos como ocidentais no resto do mundo já não sâo defendidos por nós ,e por isso ,estão sujeitos a mutações.o mundo antigo ,no qual eramos uma pequena peninsula da eurasia,está de volta e o futuro das democracias liberais não passa necessariamente por nós.se havia algo a fazer pela palestina arabe e judia era em 47/48 ,pelos responsaveis ingleses,não abandonando precipitadamente os territorios(a inglaterra estava tecnicamente falida) aos apetites dos contentores e garantindo que a democracia liberal tal como era entendida na altura pelos ingleses seria respeitada por arabes e judeus.e agora ,se queremos fazer algo para remediar a situação temos de mendigar a ajuda de quem é mais poderoso .é como os comboios,perdemos um e apanhamos outro,mas quando chegamos á entrevista de emprego atrasados já perdemos todas as hipoteses .as coisas podiam ter corrido de outra maneira mas não correram .a situação foi criada por nós está fora do nosso control
    e no fundo é isso que atormenta a europa.

    uma reportagem sobre a siria ou sobre o iemen seria menos mediatica mas mais interessante`.fala-se muito sobre a tensao israelo arabe porque não há mais nada que dizer sobre esta região.falar sobre algo exterior ao conflito e ´´mais normal´´,como por exemplo o crescimento economico sirio, as universidades sirias,a medicina siria ,os ecologistas sirios,os tecnocratas,uma boa revista de investigação cientifica siria com artigos cientificos sirios,software sirio,falar sobre a educação ,a formação,o rigor do funcionalismo publico,a banca ,o codigo civil e penal,o codigo comercial,potenciais negocios em territorio sirio,empresarios sirios em territorio portugues,pelo amor de deus !!!!,qualquer coisa siria que não tenha nada a ver com o conflito israelo palestiniano!isso sim seria um lança em africa !e material original sobre o egipto ,a jordania,o proprio israel, o irao.

    quando se fala na china as pessoas pensam imediatamente em artigos baratuchos e abundantes .fala-se no japão aaahhh ahhhh alta tecnologia, alemanha rigor empresarial,frança boa cozinha e moda,portugal hotelaria,suiça a banca,o sudoeste asiatico respira vitalidade e confiança e é maioritariamente muculmano a triste realidade é que voces só vêm aquilo que querem ver.

  33. 33 33  Fernanda Marques

    Caro Daniel Oliveira,
    Vivi em Israel durante cinco anos em companhia do meu marido. Sou testemunha de tudo o que nos aqui nos relata, enfim, digamos que da forma como pode. Refiro-me a iniquidades de toda a ordem, das mais gritantes às quase invisíveis mas que se constituem em gás que vai intoxicando lentamente. No entanto, lamento o seu deplorável português que, de facto, pela falta de qualidade e absoluta falta de cuidado, põe em causa a veracidade dos factos e acima de tudo a Justa Luta do Povo Palestiniano. Todas as ajudas, creio, são bem-vindas mas não lhe custaria, Daniel Oliveira, rever a sua prosa lamentável. Era um favor, isso sim, que fazia à Causa que defende e que, assim sendo, lhe exigiria, naturalmente, mais brio. Para a próxima, peço-lhe encarecidamente, reveja atentamente a sua prosa ou dê-a a rever a quem desta cuide com o esmero que merecem as ideias que defende mas, acima de tudo, a Luta pela Paz!
    Obrigada e desculpe o tempo que lhe roubei.
    Fernanda Marques

  34. 34 34  Jorge Prestes

    Em breve, se Deus quiser, esta vergonha da humanidade ira se acabar, uma CONSTITUIÇÃO MUNDIAL vem ai, e não deixara nem raiz nem rama, deste maldito sistema socio economico mendial, imposto por luzbel, ate o ano de 2010 havera mudanças,e serão terriveis para aqueles que pensam que DEUS se esqueceu de suas promessas.
    Desde as colinas de golan, descendo ate a faixa de gaza, e ate o sul do iraque, serão do GOVERNO MUNDIAL, o qual sera instaurado, quer queiram ou não.CONSULTE o LIVRO do PROFETA DANIEL- Capitulo 2

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