José Adelino Maltez disse, na SIC Notícias, uma daquelas certezas ideológicas que se arriscam a tornar verdade apenas por serem muito repetidas: que a corrupção é tanto menor quando menos Estado houver (e vice-versa). A minha pequena contribuição para o debate: entre os países com menor corrupção estão a Dinamarca, a Suécia, a Finlândia, a Islândia e a Noruega. Exemplos de economias e sociedades com pouca presença do Estado, supõe-se. Entre os países com mais corrupção estão o Haiti, o Iraque, o Sudão, o Afeganistão e a Somália, onde, como se sabe, o Estado é omnipresente.


62 respostas ao post “Verdades à força”  

  1. 1 1  LAM

    Também vi. O mais grave no entanto do que disse Adelino Maltês ainda me parece a atribuição das culpas exclusivamente à justiça, à demora de processos etc., defendendo que a aplicação da justiça de forma agilizada, por si só, resolveria os problemas de corrupção. Não que isso não contribuísse, mas fazer depender o combate à corrupção a uma grande reforma da justiça é remeter o problema para as calendas gregas. Adiar sine die qualquer meio eficaz de combate à corrupção. Uma falácia.

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  2. 2 2  JAMaltez

    Disse menos aparelho de Estado e melhor Estado, porque o Estado somos nós, menos por ideologia,e mais como técnico experimentado n velha direcção-geral do comércio que acabou com heranças salazarentas como os preços máximos para os preços ficarem mais livres e beixos e pelaq revogação dos lucros excessivos que duraram sessenta anos, acabando com um atradiçao que reomtava ao marqês. não foi ideológico foi de perente proponente da lei daq concorrência, De menos e mais forte Estado que não seja capturado pelasforças vivas do spoil system Velho liberal e velho buocrata, mão cconhece melho do que a forma webereiano do poder comendara economia em áras que são da natureza da justiça. Adam Smith e Hayek são meus eternos mestres contra os liberais a retlaho do estrutura banco-burocrática que denunciava o nosso Antero…

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    Daniel Oliveira Reply:

    Carlo Adelino Maltez, antes de mais seja bem vindo aqui ao nosso cantinho. Segundo, vamos partir do princípio que melhor Estado queremos todos. A questão não é mais ou menos Estado, é Estado para quê. Há quem o queira muito nas ruas a vigiar-nos e não me revejo neles. Há quem o queira mais nas funções sociais e com um papel importante em alguns lugares chave da economia e com esses eu alinho. E os resultados, como se vê na Escandinávia, não sao obrigatoriamente maus. A corrupção, na minha opinião, tem mais a ver com a democracia no seu sentido mais profundo: transparência, regulação, independência do poder político, fiscalização dos cidadãos. E aí, provavelmente, estamos de acordo.

  3. 3 3  PJ

    Não seria bom ter um site deste género -http://www.recovery.org/ –
    para monitorizar para onde vai o dinheiro dos contribuintes nacionais? (e já agora, dos contribuintes da U.E., dos que contribuem para o QREN). Talvez desse para saber que entidades estão a ser apoiadas, com quanto e quais os resultados que se esperaria obter com esse dinheiro em determinado período de tempo, quantos empregos criados, etc.

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  4. 4 4  Maria

    Ouço sempre o Adelino Maltez.
    Mas nem sempre concordo com ele.

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  5. 5 5  estouxim

    Haiti, o Iraque, o Sudão, o Afeganistão e a Somália…
    Haiti, Iraque, Afeganistão estão ocupados para salvar os pobres nativos dos regimes corruptos e opressores que tinham tido o mau gosto de escolher, e são agora democracias exemplares, não?
    Na Somália não tentaram também fazer o mesmo por interposta Etiópia? Se bem que há uns anitos tinha sido ao contrário, a ideia era salvar os etíopes, que tinham tido muito mau gosto na escolha do regime, por interposta Somália…
    E o Sudão não é aquele enorme naco em via de desertificação onde parece que também há um bocado de petróleo que concessionaram à China?
    Isto das más escolhas paga-se sempre, e caro.
    Pergunte aos Haitianos que ainda estão a pagar a péssima ideia que tiveram de levar à letra a abolição da escravatura.

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  6. 6 6  Rui F

    O Daniel disse tudo.

    Provavelmente o Sr Maltez explicou-se mal, mas a resposta que deu aqui no Arrastão foi uma amálgama difusa
    Se a imagem de MENOS ESTADO (logo menos corrupção na óptica deles) é aquela que CDS/PSD – e outras direitas – preconizam, então o Sr Adelino Maltez vai ter que rever as suas convicções.
    Citando apenas um caso, a ultima coligação PSD-CDS só não ganha a este PS em maré de corrupção, tráfico de influência, derrapagens nos custos das obras, e outras alhadas, porque só lá estiveram 3 anos.

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  7. 7 7  antónimo

    O mais grave é que Adelino Maltez é um dos promotores da vinda para Portugal do franchising de uma muito promovida organização de avaliação da corrupção.

    A ver pela qualidade das análises já se sabe o que nos espera.

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  8. 8 8  João Pedro Lopes

    Ouvi e ouço frequentemente o Sr. Maltez. O seu texto é um sinal de esperança para os disléxicos, mostrando que mesmo com algum tipo de dificuldades podemos ser uma opinião considerada e escutada (não lida) com consideração.
    Obrigado

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  9. 9 9  Samuel

    O comentário de João Pedro Lopes, #9, valeu largamente a visita! :-) :-)
    Não gosto de Adelino Maltez… mas já há muito tempo que, nestas situações, me habituei a comer só as batatas…

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  10. 10 10  Marisa

    Adoro ouvir o professor Maltez, é sempre um enorme desafio intelectual tentar perceber o que ele quer transmitir!! Quando ele diz uma ideia/opinião/facto que eu percebo do início ao fim, dou pulos de felicidade! Um pouco de humildade não lhe ficava nada mal, agora que está na televisão a discursar (supostamente) para todos os cidadãos. Acredito que não mais de 10 ou 20 pessoas sejam capazes de perceber eficazmente todo o seu discurso. Em todo o caso, é uma figura fascinante, sem dúvida!

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  11. 11 11  Pão Metálico

    Se o estado »é« nós, haverá alguma diferença significativa, ou pelo menos que justifique algo, entre o »nós« nórdico e o »nós« do Haiti, Iraque, Sudão, Afeganistão e Somália?

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  12. 12 12  Antonio Cunha

    Daniel, o problema Português é, e todos sabem disso, um problema de contas publicas.

    Agora podem esconde-lo como quiserem, mas ele está lá.

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  13. 13 13  isagt

    O problema não está, em mais ou menos Estado, mas na qualidade dos gestores, dos bens públicos e os portugueses ”começam” a duvidar se será apenas incompetência.
    Um bom começo, seria ter acesso às listas de “todas” as despesas, de cada Ministério. Nada difícil para um simplex e um Magalhães ;-)
    Também há perguntas que eu gostaria de saber as respostas, como é que uma empresa pública pode ter departamentos com apenas 1 trabalhador que tem 3 directores, cujos carros de serviço não são só para ir e vir de casa, mas para fins de semana, férias e ainda lhes pagamos o combustível. Isto é só um exemplo e há muitos mais. Será de admirar o défice estar nos 113%?

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  14. 14 14  LAM

    António Cunha #13

    É (e há) de facto um problema ancestral de contas públicas. Mas eu diria de outra maneira qur penso ser a mais correcta e que melhor caracteriza:
    há vários problemas, baixa produtividade, pouca competetividade das empresas, população sem poder de compra, poucas exportações. Tudo isso, no final, inaplavelmente se vai refletir nas contas públicas. Enquanto os outros não forem sendo resolvidos serão sempre as contas públicas e a intervenção do estado a “atravessar-se”. Mais do que “o” problema, as contas públicas são o reflexo.

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  15. 15 15  Luis

    As privações é que originam os grande desejos. Sabem de que livro é esta ideia?

    Em Portugal temos um grande problema de privação a nível de necessidades básicas na classe mais baixa e um grave problema de privação intelectual em todas as classes.

    Os mais pobres infelizmente ainda precisam de pão para a boca para que possam mudar de patamar. Os remediados e os ricos precisam de comer papa intelectual para re-equacionarem os seus valores.

    Se nos mais pobres o desejo de riqueza vem da sua efectiva pobreza, nos restantes o desejo de riqueza vem da sua própria concepção de necessidades que a sociedade lhes incutiu e sobre as quais não reflectem. As suas “privações” levam-nos a sacrificar a ética em função de conquistas que no momento lhes parecem importantes.

    A fonte da corrupção é a “privação”.

    Por exemplo não andar de Audi, Mercedes ou BMW é considerado uma privação para um número demasiado grande de pessoas. Depois são precisos os fatos Armani, as gravatas, os botões de punho, as canetas de ouro, os restaurantes etc etc.

    Claro está que uma vez ultrapassadas estas “privações”, um corrupto fica com outras piores. Deixa de ter tempo – o bem mais precioso da vida – e calma para reflectir porque está preocupado com tribunais e processos disciplinares. Deixa de poder andar na rua ou na praia misturando-se anonimamente com a multidão. Deixa de ser um bom exemplo para os seus filhos, netos e amigos. Deixa de poder sentir-se tranquilo por saber que a sua conduta se rege por valores. Mas tem um Mercedes. E vale a pena?

    Quem achar que sim ou é pobre (e devemos lutar para que a pobreza deixe de existir) ou não consegue pensar (outro problema social: a falta de incentivo à reflexão).

    Daniel Oliveira: se eu lhe der um Mercedes e um dinheirinho num envelope você deixa de pôr o dedo na ferida neste blog?

    (se calhar vai dizer que tem que lhe chegue para viver decentemente e ficar rico a todo o custo não é uma prioridade)

    LL

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  16. 16 16  JMG

    O meu agradecimento a quem não entendeu patavina do que JAMaltês escreveu e se deu ao trabalho de o dizer: sinto-me menos só.

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  17. 17 17  antonioNinguém

    Na Alemanha,locomotiva da europa,o dinheiro usado para untar as mãos é taxado,na boa.O que é preciso é que o marfim continue a correr para os bolsos dos mesmos.
    Mete nojo,q os partidos do ‘arco do governo’ (expressão idiota dos corruptos que nos têm governado) falem da dita cuja,qdo todos sabemos que estão no cerne do problema; só q não entendo q haja uns expertos q defendem q estes são os q estão preparados pra governar.Rigorosos,competentes e responsáveis,por isso foram a seguir para os bancos—-ROUBAR!E não vão dentro!Ás malvas,o regime(podre)

    [Responder]

  18. 18 18  Antonio Cunha

    Mais uma vez, chamo medina carreira ao palanque:

    ” O ataque às despesas públicas é, de há muito, um completo fracasso, tentado por todos os governos. Estes saem e tudo fica pior.

    Duas razões o explicam: a primeira é a quase estagnação da nossa economia (0,8% anuais, entre 2000 e 2008); a segunda é a natureza das despesas que mais pesam nas contas públicas e que são as do ‘pessoal’ e as das ‘prestações sociais’. Muito rígidas, correspondiam já a cerca de 78% da despesa primária (total menos juros), em 2008.

    Quem é beneficiário destes pagamentos?

    São 700 000 funcionários, cerca de 3 400 000 reformados, perto de 350 000 titulares do RSI, uns 300 000 desempregados e outros centos de milhares de subsidiados diversos, num total superior a 6 milhões de indivíduos.

    Isto é: temos estes 60 a 70% de eleitores inscritos, que são militantes atentos e empenhados do ‘Partido do Estado’!

    Quem vai ‘tocar-lhes’, num prazo que ainda possa ser útil?”

    O problema de Portugal é que todos os politicos sabem o que deve ser feito, mas ninguem tem coragem de o fazer.

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  19. 19 19  Vicente de Lisboa

    O Daniel que me perdoe, mas está a fazer comparações despropositadas. A Suécia, Noruega, Islândia, Dinamarca e Finlândia não têm pouca corrupção porque têm muito Estado. É ao contrário: elas podem ter muito Estado porque têm pouca corrupção.

    Portugal, onde o Estado foi há muito capturado pelos partidos e empresas amigas, só aumenta o problema quando põe mais e mais dinheiro e cidadãos dependentes do Estado.

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  20. 20 20  Libertário

    E o Canada e a Australia têm pouco estado e pouca corrupção e óptima distribuição de riqueza. Qual é a sua logica Daniel?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    A minha lógica, libertário, é exactamente que não há uma relação entre as duas coisas e que a relação é outra.

  21. 21 21  Libertário

    Gostava igualmente de deixar uma questão: Qual a diferença a nível de corrupção desde que existem notários privados? O Daniel lembra-se como funcionavam as coisas antes de existir privados?

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  22. 22 22  João Cerqueira

    É verdade que os países nórdicos são os menos corruptos do planeta.
    Mas tal nada tem a ver com o peso do Estado.
    A razão é outra: eles são os povos mais educados e com maior civismo do mundo_ e isto deve-se ao seu modelo social-democrata e de economia capitalista. Tivessem portanto muito ou pouco peso do Estado nos seus países e os seus cidadãos e os seus políticos continuaram a pautar a sua conduta por elevados níveis de ética. Essa ética e esse sentido de responsabilidade, aprendem-nos desde muito cedo com as suas famílias e em escolas muito diferentes das portuguesas. Porque lá, se toda a gente tem direito a «tudo» também toda a gente é fortemente responsabilizada desde que entra numa escola pública.

    Assim, os outros países referidos, devido ao atraso, à pobreza e, quiçá, a factores culturais _ que no Brasil são bem evidentes _ continuarão infelizmente a ser corruptos, haja ou não Estado.
    Angola é um bom exemplo contrário.

    Já no caso que mais nos interessa, em Portugal os mais graves casos de corrupção estão ligados ao Estado, por nos encontrarmos algures entre o Haiti e a Suécia.
    Logo, é pertinente supor que menos Estado possa significar menos corrupção.

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  23. 23 23  Maria

    António cunha

    Infelizmente o medina carreira que outrora já foi um homem lúcido , anda cada vez mais chato.
    Para exemplo escolha outro que esse pelo menos por agora não diz coisa de muito nexo.

    [Responder]

  24. 24 24  jca

    Diverte-me imenso ver o Sr. Daniel Oliveira a recorrer aos exemplos escandinavos para fundamentar as suas opiniões! Saúdo-o por isso..mas terá que compreender que esses exemplos não abonam muito a favor da sua ideologia política, portanto não considero que seja intelectualmente honesto consigo próprio quando faz comentários deste género. Mas não há motivo para grandes preocupações, o senhor não é o único! Espero que continue a adoptar cada vez mais as ideias dos modelos escandiavos, são sem dúvida exemplos de sociedade. No entanto temo por si, um dia destes ainda posta aqui algo do género “Viva El-Rei D.Duarte”!
    Continue o bom trabalho, parabéns pela qualidade do blog, infelizmente há poucos assim!

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    Daniel Oliveira Reply:

    Jca, temo que esteja a falar daquela que imagina ser a minha ideologia e não a que é de facto.

  25. 25 25  Rui F

    #19 António Cunha

    Sem duvida que o homem disse isso (eu também tenho o livro) mas disse muito mais!
    Você não pode resumir o problema de Portugal – na óptica dele e de todos nós – está apenas no descontrolo da despesa. Provavelmente esse é o mais visível.

    A coisa é muito mais abrangente – uma vez mais na óptica dele e da minha – e começou com o Cavaquismo e a destruição do aparelho produtivo: Pescas, Agricultura, Industria de base.
    Ele refere especialmente o fracasso da Educação e a política facilitista, e pouco exigente dos sucessivos governos como um dois maiores falhanços. Etc, etc….
    Um País que importa mais do que exporta – essencialmente, compra mais do que produz – vai ter que cortar por algum lado se quer sobreviver em economia global.

    Podia estar aqui o dia todo a transcrever citações dele.

    Digamos que a análise que o Medina Carreira faz está correcta mas as políticas para resolver os problemas, são controversos.
    Eu particularmente, não concordo com algumas soluções preconizadas por ele, mas na essência acho que ele está certo.

    Não deixa de ser curioso quando o Jornalista lhe pergunta:
    ”…O Francisco Louçã tem um pensamento semelhante ao seu…” e ele responde:
    “…não conheço o pensamento de Loucã…”

    [Responder]

  26. 26 26  Luis

    @João Cerqueira

    Se nos países nórdicos o facto de haver menos corrupção não tem a ver com o peso do estado como é que em Portugal aplica a lógica contrária?

    Se aplicar a Portugal a mesma lógica que aplicou aos países nórdicos será forçado a concluir que o que devemos fazer é educar os cidadãos indepentemente do peso do Estado.

    [Responder]

  27. 27 27  Isabel

    # 16 Luis

    ;)

    [Responder]

  28. 28 28  Rui F

    João Cerqueira

    “…por nos encontrarmos algures entre o Haiti e a Suécia.
    Logo, é pertinente supor que menos Estado possa significar menos corrupção…”

    Não concordo com a sua observação.
    Por exemplo Polónia, Rep Checa, Lituânia, Letónia, Eslováquia, Itália, Grécia (só para citar países da UE) ocupam piores lugares no Ranking da Corrupção do que Portugal.

    Acha que existe mais estado nestes países do que em Portugal?
    Não me parece.

    [Responder]

  29. 29 29  Vicente de Lisboa

    Atendendo a que o meu comentário é muito parecido com o do João Cerqueira, pergunto: em que é que “ofende os valores éticos ou está abaixo do nível de qualidade de debate que este blogue procura promover.” ?

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  30. 30 30  LAM

    Menos estado PODE significar menos corrupção. Mas isso (a corrupção) não representa, nem de perto nem de longe, os malefícios que são apontados ao peso do estado. Digamos até que representará, em termos de escala de valores nesse peso, uma percentagem muito diminuta.

    Para além de que, no caso em Portugal, nada indica que o mesmo não se passe nas empresas privadas, de que os cartéis (gasolineiras, telecomunicações, etc) são só a ponta do iceberg.
    O que tem acontecido é que só o estado e as empresas dependentes do estado têm sido escrutinadas nessa matéria.

    (um exemplo pouco significativo, mas ilustrativo, não de corrupção mas da falta de investigação -principalmente jornalística- é o recente caso do treinador de futebol Manuel Machado: se o caso se tivesse passado num hospital público já se saberia qual tinha sido o hospital com imagens a toda a hora e notícias nos jornais, nome do médico responsável etc. Como aconteceu numa clínica privada sabe-se apenas que foi numa clínica privada do Porto e nem mais nada. E porra, isto não é político, ou é apenas ilustrativo da letargia da investigação jornalística, ou nomes mais altos têm silenciado a informação.)

    [Responder]

  31. 31 31  tonibler

    Não era o Daniel que andava a refilar sobre um jornalista qualquer que disse mal do Sócrates e foi corrido do DE? Hum…Isso seria possível se o Sócrates não tivesse um poder real sobre o DE?

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  32. 32 32  Ibn Erriq

    Pois é!

    Há muita gentinha neste “pobre” país que gosta de repetir (papaguear) algo que ouviu e lhe soou bem, contudo nunca viu comprovado nem provado.

    “Corrupção” há em todo o lado, no desporto nas empresas e no Estado, ora quanto maior for o Estado maior será aí a corrupção ;-)

    O mesmo se passa nas empresas!

    Já agora, quem é o Adelino Maltez?

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  33. 33 33  Rui F

    #25 LAM

    Essa sua observação foi muito perspicaz.

    De repente os jornalistas parece que ficaram paralisados – ou algum os mandou paralisar – com o caso Manuel Machado.

    Se fosse num Centro de Saúde no meio da Província, e se o caso fosse uma troca qualquer de aspirina por paracetamol, caíam todas a s televisões, jornais e revistas a enterrar o médico e os serviços públicos.

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  34. 34 34  Libertário

    Bom, sendo assim dou-lhe toda a razão Daniel.

    Cumprimentos.

    [Responder]

  35. 35 35  Rui F

    #16 Luis

    É uma perspectiva.
    Mas a essa privação a isso chamaria “garganeirice” ou selvajaria.

    A Maioria dos “privados” luta honestamente para sair da privação.

    [Responder]

  36. 36 36  Ricardo

    Não ouvi a afirmação de Adelino Maltez na SIC-N. Porém, é óbvia a correlação entre as duas questões que apresenta. O argumentário do Daniel revela um facilitismo intelectual óbvio. Antes de partirmos para a discussão séria sobre o conceito “o papel do Estado na economia”, temos de definir exactamente aquilo que incluímos dentro do seu interior. Sou investigador universitário e estou fora de Portugal, portanto tenho contacto diário com pessoas de toda a Europa, e, como tal, imensos nórdicos.
    A ideia de que o Estado é gigante e omnipresente nos países escandinavos é um mito propagado em Portugal. De facto, o Estado tem um forte papel redistributivo e regular. Todavia, e ao contrário do que acontece em Portugal, o Estado não tem presença constante e fortíssima em todos os sectores económicos. Esta é uma ideia fundamental: a ideia lançada por Adelino Maltez é simplesmente que, havendo estruturas de oportunidades para os partidos aproveitarem quando chegam ao poder, eles aproveita-las-ão. Ou seja, sabendo que há o Estado é accionista da EDP, da PT, da CGD, entre muitas outras, os partidos não deixarão de enviar os seus comissários políticos para estes órgãos. Naturalmente que argumentará que, deste modo, o Estado perderia o controlo de sectores estratégicos. Nada mais falso. Num país com um Estado eficaz, e não forte, as leis seriam capazes de regular e impor boas condiçoes que permitiriam maximizar os beneficios de todos (Estado, empresas e cidadãos).
    Tomemos um exemplo: se o Estado não tivesse qualquer participação na CGD e estivesse legalmente afastado de qualquer negócio, Sócrates jamais poderia ter nomeado Armando Vara.
    Parece-lhe, pois, que a ideia de estrutura de oportunidade aberta pelo aparelho de Estado+partidos no poder não cria corrupção e tendência à criação de “cadeias de delegação indirecta” de poder?

    [Responder]

  37. 37 37  José Silva

    Por falar de corrupção, não me vou referir à corrupção existente em instituições de crédito, nem tão pouco a nível da Justiça. Quero referir que foi por vontade de Deus, que o Mundo foi criado com todos os seus elementos, onde se inclui o ser humano, que usa e abusa do voluntariado. Até já há um dia do voluntariado. Que futuro o da nossa juventude com curso ou não? Não há criação de emprego; Viverá do voluntariado , enquanto tiver família e depois morrem abandonados como uns pobres animais:
    VOLUNTAS DEI
    Quando nasce o Sol
    ao romper de aurora
    ai trina um rouxinol
    em seu louvor, adora!
    -
    Quando nasce a Lua
    e o seu luar cá brilha
    eu olho para esta rua
    e digo que maravilha!
    -
    e o meu vento do Sul
    ai leva a parra da uva
    e escurece o Céu azul
    e nos traz tanta chuva!
    -
    a minha terra se alaga
    e faz correr as fontes
    e todas árvores afaga
    dos vales e de montes!
    -
    O meu vento do Norte
    com a força do demo
    torna o frio de morte
    na geada que eu temo!
    -
    na serra o meu moinho
    rodando vai criar a luz
    e rodando de mansinho
    lembra-se de uma Cruz!
    -
    lembra uma lamparina
    qu’à mesa de cabeceira
    era o que tudo ilumina
    de um livro da Primeira!
    -
    e uma fonte que jorrava
    tanto de noite e de dia
    muita água ela me dava
    e na horta tudo crescia!
    -
    eu passava uma ribeira
    trazia canas num feixe
    e numa minha lancheira
    trazia um fresco peixe!
    -
    a minha terra eu arava
    com meu macho pardo
    nela crescia muita fava
    também crescia o cardo!
    -
    os coelhos e as perdizes
    os seus filhos criavam
    tinham os dias felizes
    tudo isto eles amavam!
    -
    e eu já sou o velhinho
    que lembra o passado
    recordo o meu moinho
    e o meu terreno arado!
    -
    voluntários que havia
    alguns ainda cá estão
    está toda terra bravia
    seu abandonado chão!
    -
    o voluntariado d’hoje
    que já tirou seu curso
    é-o mas já dele cá foge
    como do medo o urso!

    [Responder]

  38. 38 38  cafc

    Por acaso, nem estava a pensar entrar num debate que tivesse, como origem, declarações de José Adelino Maltez. Depois, li o seu comentário #2. Felizmente, houve quem “traduzisse” aquela “delícia”.
    Para mim e, até prova em contrário, o sr. Maltez é um adepto do neo-liberalismo, que teve as “maravilhosas” consequências que estão à vista de todos. Adam Smith, Hayec, Antero Quental, tudo no “mesmo saco”? Diga Milton Friedman (com adaptação de Maltez) e ficamos entendidos, em português.

    Volto já, a seguir a um curto intervalo.

    [Responder]

  39. 39 39  cafc

    Meu caro Luís

    O seu comentário #16 é, quanto a mim, motivo de uma reflexão muito séria.

    A questão que coloca no seu primeiro parágrafo não tem uma resposta exacta. Há vários livros que, consoante as interpretações, podem ter essa ideia. Começando, por exemplo, pela própria Bíblia.

    Considero que já tinha posto o “dedo na ferida”, quanto ao que está na origem da corrupção. Porém, o seu comentário #27, sintetiza tudo o que, anteriormente, quis transmitir. A necessidade imperiosa reside na Educação dos cidadãos, como princípio básico de uma Cultura de respeito pelos seus direitos e pelos seus deveres.

    Como este seu comentário foi dirigido ao companheiro João Cerqueira, aproveito a oportunidade para o saudar pela seriedade com que intervem nestes debates.

    Um abraço para ambos.

    [Responder]

  40. 40 40  cafc

    Cara Isabel

    Dirijo-me a si, só para que não pensem que passei a ser “o bem comportado da turma”, em vez do “brincalhão” da mesma (a classificação é sua).

    Conseguiu fazer do seu comentário #28 o mais lúcido que, alguma vez, aqui produziu:

    1- Não nos “brindou” com o “discurso anti-abortista primário”, nem com o respectivo “link”;
    2- Nem escreveu uma letra sobre o tema em discussão.

    Parabéns, minha amiga.

    [Responder]

  41. 41 41  Rui F

    #39 Ricardo

    Realmente visto por esse prima, Vara nunca tinha chegado a administrador da CGD privada.

    Mas…que fazer com aqueles agentes temporários que lutam por menos estado nos domínios económico e social – partidos do centro e direita Portuguesa que atingem o poder – que mal chegam ao governo, e em nome do estado, começam a realizar negócios estranhos e esquisitos com os privados?
    Lembra-se do negócio dos submarinos, e dinheiros públicos que “miraculosamente” desapareceram sem deixar rasto? Pois…este negócio foi feito por um partido que defende menos estado em tudo.

    Já reparou que menos estado não significa nem pouco mais ou menos – antes pelo contrário – menos corrupção?

    [Responder]

  42. 42 42  LAM

    Ricardo #39

    Calha que a práctica em Portugal desmente essa “verdade”.
    Tomemos o caso da PT, por exemplo, em que o estado apenas tem uma golden share. Neste caso e conforme o que diz “as leis seriam capazes de regular e impor boas condiçoes que permitiriam maximizar os beneficios”. Entretanto e como vai vendo, as coisas não correm com essa lisura.
    Mais, e já que cita o caso de Armando Vara ter sido nomeado por Sócrates, que me diz ao incompreensível recrutamento de Miguel Horta e Costa (personagem equiparável) para a administração do BES, grupo privado?

    Pois é exactamente isso que está a pensar: não constam escandalos e casos de corrupção no sector público em que não estejam, sempre, envolvidas empresas privadas. E os exemplos aí estão, da independente, à face oculta, passando pelos submarinos, pelo gangue do BPN, pela lusoponte etc e por aí fora. Daí não fazer sentido separar as águas em matérias de corrupção. Antes pelo contrário, o que faz falta é legislar-se sobre essa matéria e não criar expedientes que esfumem essa urgência.

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  43. 43 43  isagt

    #41 cafc
    Fez muito bem, depois de ler 40 comentários, um intervalo é indispensável, para tomar um ENO e, assim, facilitar a digestão ;-)

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  44. 44 44  João Cerqueira

    Senhor Luís

    Como referi no comentário anterior, a questão da corrupção está relacionada com a cultura e os valores enraizados num povo. Nos países nórdicos esses valores condenam fortemente a corrupção. Em Portugal, não apenas não condenam, como a corrupção é vista como algo normal, quando não uma estratégia de gente esperta.

    Já o que afirma no segundo parágrafo _ o aumento do nível de educação _ está absolutamente certo.

    O problema é que em Portugal, apesar do grande investimento feito na educação, os resultados são medíocres: a nossa classificação nos rankings internacionais é baixa, o nível de literacia dos alunos é fraco e até há muitos licenciados que nem sabem escrever um texto com um mínimo de lógica. Mas nos países nórdicos isto não acontece.
    Eu já fui professor no liceu e sei bem como é muito difícil leccionar quando os alunos sentem uma total impunidade, façam o que fizerem dentro da sala de aula.
    É algo parecido aos debates da televisão em que todos desatam a falar ao mesmo tempo (mais o público a aplaudir ou assobiar) e a moderadora não consegue que eles se calem: o resultado é caos e o debate transforma-se em balbúrdia.
    Ora se isto acontece com adultos, agora imagine com adolescentes.
    Se eu fosse o Ministro da Educação, haveria aulas de educação cívica obrigatórias desde a Primária _ a corrupção é uma forma de falta de civismo_ e castigos com trabalho na Escola para os alunos que reincidissem no desrespeito pelos regulamentos da Escola.
    Talvez dentro de uma década tivéssemos cidadãos mais bem formados e com melhor preparação para enfrentar o mercado de trabalho_ e menos corruptos.

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  45. 45 45  João Cerqueira

    Senhor Rui F

    Os casos que refere são, na maioria, antigos países comunistas com Estado omnipresente onde nada se podia fazer sem corromper alguém com poder. A Itália continua a eleger alegremente Berlusconi e é a pátria da Mafia ( já quanto à Grécia não encontro nenhuma explicação).

    Mas, quanto ao nosso país, julgo que de facto os principais casos de corrupção noticiados nos últimos anos envolvem sempre contratos com o Estado ou a permissão deste para se fazer algo que não se deveria poder fazer.
    Ora como a nossa mentalidade colectiva tolera muito bem a corrupção, grande ou pequena, o peso do Estado em Portugal está relacionado com a corrupção.
    Veja o exemplo das grandes obras públicas _ que tanto nos têm desenvolvido e trazido prosperidade_ e as derrapagens e mais derrapagens que qualquer obra desta provoca.
    Junte-se a tudo isto leis que impedem a prova destes actos, e temos este belo país.

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  46. 46 46  Rui F

    João Cerqueira

    Se calhar nesses países também era assim. Mas posso-lhe arranjar muitos mais países fora da Europa, com piores índices que Portugal e que nunca foram comunistas.

    Mas agora falo do que sei: Falo do CDS PP, os tais que são o oposto da mentalidade colectiva mas metem a mão nos dinheiros dos negócios entre o Estado e os privados, assim que podem.

    Olhe, quem tolera muito bem a corrupção é quem não legislar contra ela!
    Não me meta a mim nisso nem a maioria do Povo.

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  47. 47 47  João Cerqueira

    Rui F

    Nunca me passou pela cabeça associá-lo à corrupção.
    Já quanto ao povo português, conhecendo um pouco da realidade dos serviços públicos e de como os próprios utentes tomam a iniciativa de sacar de uma nota quando não lhes resolvem o problema … .
    Porém, não meto todos no mesmo saco.

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  48. 48 48  isagt

    As empresas privadas, têm que entregar a papelada todos os anos e no caso de inspecção é tudo “esmiuçado”, no entanto nós, “carneirinhos” pagadores porque razão, não podemos ver as contas e saber quem são as Empresas que fornecem e prestam serviços para o Estado?
    Talvez porque muitas delas, se calhar, têm muitos amigos e conhecidos e/dos políticos, será ? não será? Pois não sei e acho que se somos nós a pagar as contas, deveríamos começar por aí, na transparência, para não chegar ao ponto, de haver “reis” nos negócios públicos.

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  49. 49 49  A.R.A

    JOAO CERQUEIRA#23

    Concordo em grande parte na avaliação geral que faz do modelo governativo nordico, pois este acenta em 4 factores que em Portugal, ainda, são uma miragem:
    -conhecimento e instrução
    -espírito empresarial
    -cooperação e solidariedade
    -modelo nórdico de Estado benfeitor

    Por isso mesmo, achar que tal é “culturalmente” impossivel em Portugal por achar que o Estado é um agente activo/ passivo de corrupção e «Logo, é pertinente supor que menos Estado possa significar menos corrupção.» indica que o Joao pensa que estariamos bem melhor com um país S.A, não é?

    A.R.A

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  50. 50 50  A.R.A

    Visto ter sido votado ao ostracismo por parte do meu interluctor que não discute temas politicos com comunistas, gostava de concluir a minha resposta #52 visto que sempre que o tema é sobre o “manual da governação sem corrupção” vem sempre a baila o exemplo nordico.

    Sem duvida que é um objectivo a almejar tal o seu bom exemplo governativo em democracia(principalmente quando se fala comparativamente com paises do sul da europa vulgo Portugal) que, embora não seja o meu ideal politico, devo relaçar que goza de uma social-democracia com valores fora de moda e com fortes sindicatos onde as partes sociais, trabalhadores e empresários, que são o sustem do sistema nacional de pensões, beneficia tanto a todos os assalariados quanto aos empresários, garantindo assim a sustentabilidade de um sistema de mercado sem serem uma sociedade de mercado estabelecendo-se uma linha bem vincada entre uma clara necessidade de se respeitar os sectores não vinculados ao mercado da vida humana e da cooperação.

    Portanto, achar que o caminho a trilhar para que tal facto se torne uma realidade é o do neo-liberalismo, desresponsabilizando o estado e resumindo-o a mero regulador, sem duvida que será deveras dificil ou até impossivel o alcançar de tal proeza onde se vislumbre uma falta de corrupção, a liberdade de imprensa, a situação do meio ambiente, os níveis de instrução, a igualdade na distribuição da renda ou a segurança humana.

    Só começando a responsabilizar de forma exemplar aqueles que são eleitos para gerir os dinheiros publicos e com a aplicação dos mesmos em pról de um desenvolvimento seguro e sustentavel com uma saude e educação universais, é que nos poderemos considerar confiantes de um Estado robusto e presente e não só “benfeitor” (a luz do que existe nos paises nordicos) pois este pode-se tornar demasiado fragil frente a lobbies bem financiados que já estão trabalhando para tentar introduzir políticas neoliberais também nos países nórdicos.

    A.R.A

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  51. 51 51  Rui F

    A.R.A

    Julgo que é por aí que a verdadeira esquerda deve entrar.

    O PS das clientelas desvirtuou-se de tal forma, que apodreceu. Só uma cisão pode fazer com que surja uma linha de pessoas íntegras, honestas e eticamente responsáveis e se refundam nesse espirito “nórdico”.
    A linha que resta, a liberal, que na minha perspectiva é a maior, juntar-se aos seus congéneres liberais PSD que não se entendem entre eles e se encontram á beira da cisão.
    Os liberais PS-PSD são iguais. Provavelmente é o partido mais homogéneo que existe no país: bloco central. O Tal bloco de interesses e que guia insistentemente Portugal para o fosso.

    No PSD a cisão é ainda maior que no PS, podendo surgir 3 linhas distintas; uma liberal, outra conservadora (os PP do CDS) e ainda uma pequenina minoria que apresenta laivos de espirito “nórdico”.

    Enquanto as cisões não surgem – para mim vão acontecer mas vão levar muito tempo – poderá ser o BE o aglutinador desta esquerda espirito “nórdico” que começou provavelmente algures no inicio do séc XIX e nunca mais se perdeu no tempo.
    Porque não?

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  52. 52 52  João Cerqueira

    ARA

    País S.A.? Olhe que não, olhe que não.

    Estariamos bem melhor se em vez de continuarem a apostar nas obras públicas levando-nos para o Guiness quanto a autoestradas por Km2, o governo não sufocasse as empresas com impostos e taxas, investisse no desenvolvimento dos nichos de mercado onde somos melhores que o resto do mundo e criasse regras nas escolas para que os professores possam fazer o seu trabalho sem serem insultados e agredidos e os alunos que querem aprender e singrar na vida pudessem beneficiar de «aulas nórdicas».

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  53. 53 53  Luis

    # 38 Rui F

    “É uma perspectiva. Mas a essa privação a isso chamaria “garganeirice” ou selvajaria.

    A Maioria dos “privados” luta honestamente para sair da privação.”

    Chame-se o que se chamar o fenómeno é o mesmo e existe independentemente do nome. O desejo descontrolado de acesso a determinado tipo de bens a todo o custo é um problema educacional e está na origem da corrupção.

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  54. 54 54  Luis

    #47 João Cerqueira,

    Algumas notas sobre o seu comentário:

    - o progresso na educação leva tempo, muito tempo

    (semi off topic: http://albpimenta.blogspot.com/2009/02/uma-solucao-matematica-para-educacao.html )

    - os países nórdicos começaram mais cedo e com mais ambição; têm os valores bem consolidados nas pessoas

    - “progresso” não é uma noção universal; o atraso português não é de falta de meios tecnológicos: é essencialmente de valores cívicos / éticos e ferramentas tradicionais (português, matemática, economia,…)

    - concordo consigo sobre a Educação Cívica nas escolas

    O que não concordo é que seja com a redução do âmbito de responsabilidade do Estado que se resolva o problema da corrupção.

    Isto porque as mesmas pessoas que roubam o Estado enquanto parte integrante dele irão roubá-lo enquanto fornecedores do mesmo se trabalharem no sector privado. Mudam os papéis, não mudam os valores.

    A corrupção só desaparecerá quando as pessoas aceitarem melhor a lógica de bom comum e fizerem disso o seu modus operandi qualquer que seja o seu papel na sociedade. A questão do âmbito do Estado é perfeitamente tranversal a isto.

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  55. 55 55  João Cerqueira

    Luís

    Numa coisa estamos de acordo: a falta de educação cívica é um dos maiores problemas e motivos de atraso de Portugal.
    Eu gostava de ouvir um Ministro da Educação identificar esse problema e prometer combatê-lo.
    Mas disciplina, ordem e respeito pelos outros (professores, funcionários, alunos) são palavras malditas nas escolas portuguesas.
    Já nos países nórdicos são a base a partir da qual tudo se começa e se constrói.

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  56. 56 56  A.R.A

    RUI F

    Acredito que essas cisões de que fala, tanto no PS como no PSD, serão uma realidade a longo prazo mas o resultado irá ser apenas o de reciclar os actores politicos do centrão pois acho pouco plausivel que enveredem por uma alternativa programatica de fundo capaz de superar o compadrio e a conivencia (ou conveniencia, se preferir) dos poderes estabelecidos que habitam o rendilhado empresarial neo-liberal que tudo fará para salvaguardar os seus interesses.

    Sem duvida que pertence a esquerda (a verdadeira) a responsabilidade de dar o 1º passo fundador concertivo de unir todas as forças partidarias a uma só voz, chamando para si uma franja empresarial rejuvenescida em moldes que se possam assemelhar aos do modelo nordico.

    Não teria qualquer problema em aceitar essa mudança de padrão sabendo que o mesmo, pontualmente, pudesse ferir a minha susceptibilidade ideologica.

    O que é preciso é mudar, aliás urge mudar, mas não acredito que o BE tenha estrutura organizativa o suficiente para albergar uma esquerda tão diversa e pô-la a falar com uma só matriz. Acho sim, que seria mais viavel a criacção de um formato de coligação ao estilo da CDU desde que o altruismo e o bem comum fossem salvaguardados e as pretensões partidarias de liderança fossem postas para 2º plano.

    O passado mostrou-nos a impossibilidade concertativa, o presente ainda acalenta alguns ressabiamentos mas o futuro necessita de uma esquerda responsavel e conciliadora que saiba respeitar as “nuances” identitarias de cada partido para que seja possivel uma adaptação do modelo nordico a realidade Portuguesa.

    A.R.A

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  57. 57 57  A.R.A

    JOÃO CERQUEIRA

    Ainda bem que voltamos a falar, pois tocou num ponto bastante pertinente: os impostos e ou taxas.

    Apesar de todos os países nórdicos serem sociedades com impostos relativamente altos, isso não serve de impedimento para a competitividade. Mais importante que o nível dos impostos é como eles são aplicados.

    E é nessa questão que, em Portugal, se encontra o verdadeiro busilis pois os impostos que têm sido aplicados ás empresas não têm sido um real incentivo a criacção de trabalho, muito pelo contrario, têem servido isso sim para estimular actividades não compatíveis com o desenvolvimento sustentável.

    Acredito que qualquer população está disposta a aceitar impostos mais altos sempre e quando lhes fôr garantido que servirão para financiar melhorias nos serviços claramente essenciais mas o que se passa em Portugal é que os impostos pagos no nosso país estão ao nivel dos países nordicos quando o retorno, não é, nem pouco mais ou menos igual ao que se usufrui, por exemplo, numa Finlândia.

    Essa falta de responsabilidade que vem passando impune, eleição pós eleição, com o aval da maioria da população e dos que aqui escrevem é que são o garante e sustento de gente que faz do roubo uma arte de esquemas contabilisticos com contas offshores e um manancial de mãos lavadas com o dinheiro do nosso suor.

    Portanto não se prenda com subjectividades de «regras nas escolas para que os professores …» e vislumbre o “big picture” de modo a compreender que as escolas são reflexo da sociedade e a sociedade é o reflexo dos seus mandantes e se estes são corruptos mas não são responsabilizados perante a justiça, é impossivel tentar endireitar algo que já nasce retorcido e com uma visão dúbia de valores.

    Não é com menos Estado que se resolvem estas questões, muito pelo contrario, e desse por contente de não dar aulas numa qualquer escola publica do ensino norte-americano pois aí a falta de respeito é feita a lei da bala num país que prima por ter um estado apenas e só ………. regulador.

    Assim sendo: olhe que sim, professor, olhe que sim!

    Pense nisso.

    A.R.A

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  58. 58 58  Rui F

    A.R.A

    Mas o Bloco só por si já é uma união de Esquerdas, ao contrário da CDU que é uma forma encapotada de esconder a foice e o martelo da dispersão eleitoral.

    [Responder]

  1. 1 cinco dias » José Adelino Maltez

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