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Morreu hoje Sottomayor Cardia. Foi militante do PCP e fundador do PS. Foi chefe de redacção da “Seara Nova” e candidato pela oposição democrática. Esteve preso e foi espancado pela PIDE. Foi porta-voz do PS e director do “Acção Socialista”. Foi ministro e professor. Na pasta da Eucação mereceu a mesma impopularidade que todos os que a ocuparam. Mas deixou obra que não morreu uns meses depois, coisa rara na 5 de Outubro.

Participei, há uns meses, num debate em que ele também estava. Conheci-o assim no fim da vida. De uma vida cheia.


Sem respostas ao post “Vida cheia”  

  1. 1 1  abrilista

    O SEGUNDO VOLUNTARIADO - O DESPERTAR DE CARDIA

    O Ministro da Educação passou a estar informado do nosso problema e, num ápice, enviou-nos para o nosso segundo voluntariado no espaço de um ano.
    Por Despacho seu, iríamos fazer o exame no Comando Central da PSP do Porto, vigiados, e sob o regime de absoluto voluntariado.

    Fomos divididos por cinco dias. Em cada um, o grau de dificuldade era radicalmente diferente. E -curioso!- eramos agrupados segundo o grau de contestação feito. Que precisão, Santo Deus! Era tal e qual…Os mais contestatários suaram a estopinhas para arrancar um dez ou um onze no exame, quando não chumbavam: os outros, com permissão senão ordem par copiar, arrancavam sonoros quinze, desasseis e vintes.
    Só éramos iguais à entrada:

    “Eu, abaixo assinado, declaro que me submeto voluntariamente a executar o exame na disciplina de Bioestatística”.

    Quem não assinasse voluntariamente não podia fazer o exame. Chumbava. E quem chumbasse, nesta ou noutra cadeira, jamais se poderia matricular novamente na Universidade do Porto.

  2. 2 2  abrilista

    O SEGUNDO VOLUNTARIADO - O DESPERTAR DE CARDIA

    O Ministro da Educação passou a estar informado do nosso problema e, num ápice, enviou-nos para o nosso segundo voluntariado no espaço de um ano.
    Por Despacho seu, iríamos fazer o exame no Comando Central da PSP do Porto, vigiados, e sob o regime de absoluto voluntariado.

    Fomos divididos por cinco dias. Em cada um, o grau de dificuldade era radicalmente diferente. E -curioso!- eramos agrupados segundo o grau de contestação feito. Que precisão, Santo Deus! Era tal e qual…Os mais contestatários suaram a estopinhas para arrancar um dez ou um onze no exame, quando não chumbavam: os outros, com permissão senão ordem par copiar, arrancavam sonoros quinze, desasseis e vintes.
    Só éramos iguais à entrada:

    “Eu, abaixo assinado, declaro que me submeto voluntariamente a executar o exame na disciplina de Bioestatística”.

    Quem não assinasse voluntariamente não podia fazer o exame. Chumbava. E quem chumbasse, nesta ou noutra cadeira, jamais se poderia matricular novamente na Universidade do Porto.

  3. 3 3  a.pacheco

    O que Cardia foi nos governos após o 25 de Abril, não apaga o combatente anti-fascista dos anos da ditadura,

    Conheci-o vagamente na CDE em 1969, era um dos rostos mais conhecidos da coligação, e nas primeiras eleiçôes da época marcelista, em que tambem houve chapeladas como era habito, o Cardia era um combatente sem hesitações.

    Aliás em 70 ,foi preso pela PIDE ,espancado barbaramente tendo ficado totalmente cego durante mais de dois meses, e com gravissimas sequelas para o resto da vida.

    Quando alguns portugueses esquecidos, tentam recuperar Marcelo Caetano, lembrar o Cardia é lembrar que com Caetano ,a repressão dos opositores continuou com a mesma ferocidade.

    Bem Hajas Cardia

    Descansa em Paz….

  4. 4 4  Rui

    Mas a SIC preferiu abrir o noticiário com a morte do Puskas!

  5. 5 5  carlosantos

    Um dia disse-me: “quando fui ministro da educação julguei que conseguia mudar a realidade. Enganei-me.”

    Foi um dos homens mais inteligentes que conheci, e essa caracteristica afastou-o várias vezes da realidade… em especial no fim.
    Mas guardo do mestre uma memória valiosa.

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