
Morreu hoje Sottomayor Cardia. Foi militante do PCP e fundador do PS. Foi chefe de redacção da “Seara Nova” e candidato pela oposição democrática. Esteve preso e foi espancado pela PIDE. Foi porta-voz do PS e director do “Acção Socialista”. Foi ministro e professor. Na pasta da Eucação mereceu a mesma impopularidade que todos os que a ocuparam. Mas deixou obra que não morreu uns meses depois, coisa rara na 5 de Outubro.
Participei, há uns meses, num debate em que ele também estava. Conheci-o assim no fim da vida. De uma vida cheia.
Por Daniel Oliveira 17 Nov 06 em Sem categoria


O SEGUNDO VOLUNTARIADO - O DESPERTAR DE CARDIA
O Ministro da Educação passou a estar informado do nosso problema e, num ápice, enviou-nos para o nosso segundo voluntariado no espaço de um ano.
Por Despacho seu, iríamos fazer o exame no Comando Central da PSP do Porto, vigiados, e sob o regime de absoluto voluntariado.
Fomos divididos por cinco dias. Em cada um, o grau de dificuldade era radicalmente diferente. E -curioso!- eramos agrupados segundo o grau de contestação feito. Que precisão, Santo Deus! Era tal e qual…Os mais contestatários suaram a estopinhas para arrancar um dez ou um onze no exame, quando não chumbavam: os outros, com permissão senão ordem par copiar, arrancavam sonoros quinze, desasseis e vintes.
Só éramos iguais à entrada:
“Eu, abaixo assinado, declaro que me submeto voluntariamente a executar o exame na disciplina de Bioestatística”.
Quem não assinasse voluntariamente não podia fazer o exame. Chumbava. E quem chumbasse, nesta ou noutra cadeira, jamais se poderia matricular novamente na Universidade do Porto.
O SEGUNDO VOLUNTARIADO - O DESPERTAR DE CARDIA
O Ministro da Educação passou a estar informado do nosso problema e, num ápice, enviou-nos para o nosso segundo voluntariado no espaço de um ano.
Por Despacho seu, iríamos fazer o exame no Comando Central da PSP do Porto, vigiados, e sob o regime de absoluto voluntariado.
Fomos divididos por cinco dias. Em cada um, o grau de dificuldade era radicalmente diferente. E -curioso!- eramos agrupados segundo o grau de contestação feito. Que precisão, Santo Deus! Era tal e qual…Os mais contestatários suaram a estopinhas para arrancar um dez ou um onze no exame, quando não chumbavam: os outros, com permissão senão ordem par copiar, arrancavam sonoros quinze, desasseis e vintes.
Só éramos iguais à entrada:
“Eu, abaixo assinado, declaro que me submeto voluntariamente a executar o exame na disciplina de Bioestatística”.
Quem não assinasse voluntariamente não podia fazer o exame. Chumbava. E quem chumbasse, nesta ou noutra cadeira, jamais se poderia matricular novamente na Universidade do Porto.
O que Cardia foi nos governos após o 25 de Abril, não apaga o combatente anti-fascista dos anos da ditadura,
Conheci-o vagamente na CDE em 1969, era um dos rostos mais conhecidos da coligação, e nas primeiras eleiçôes da época marcelista, em que tambem houve chapeladas como era habito, o Cardia era um combatente sem hesitações.
Aliás em 70 ,foi preso pela PIDE ,espancado barbaramente tendo ficado totalmente cego durante mais de dois meses, e com gravissimas sequelas para o resto da vida.
Quando alguns portugueses esquecidos, tentam recuperar Marcelo Caetano, lembrar o Cardia é lembrar que com Caetano ,a repressão dos opositores continuou com a mesma ferocidade.
Bem Hajas Cardia
Descansa em Paz….
Mas a SIC preferiu abrir o noticiário com a morte do Puskas!
Um dia disse-me: “quando fui ministro da educação julguei que conseguia mudar a realidade. Enganei-me.”
Foi um dos homens mais inteligentes que conheci, e essa caracteristica afastou-o várias vezes da realidade… em especial no fim.
Mas guardo do mestre uma memória valiosa.