O ordenado oscila entre o salário mínimo e os 605 euros. Os horários são flexíveis, um eufemismo para designar os “períodos especiais” em que vigoram as jornadas de trabalho de 14 horas e as semanas com mais de 50, mas onde raramente alguém vê as folgas que, supostamente, deveriam compensar esse esforço extra. Os horários são fixos, mas esse é outro eufemismo. Na realidade, podem ser alterados de véspera, tornando a vida dos milhares de funcionários das grandes superfícies um inferno maior do que o dos seus clientes na véspera de Natal.

Explorados, mal pagos e tratados como potenciais criminosos no seu próprio local de trabalho, onde até os seus cacifos privados são abertos e revistados, é este o retrato das condições laborais que o Público foi encontrar nas grandes superfícies.

Percebe-se a dificuldade em fazer greve em condições onde prevalece a precariedade laboral, mas é sempre diferente quando é alguém que o explica na primeira pessoa: “Se houver greve, eu não faço. Já me avisaram que as chefias vão ter de comunicar à gerência quem foram as trabalhadoras que faltaram. E depois, quando for para renovar o contrato…”

Talvez assim, quem saiba, o Tomás Vasques deixe de mandar bocas como as que mandou a propósito da forma como foi desconvocada a greve contra a tentativa – gorada – de imposição de semanas de 60 horas nas grandes superfícies: ”Os sindicatos só se dão bem com professores e funcionários públicos. Quando toca ao sector privado roem sempre a corda”.

Mas acaso estava o Tomás Vasques à espera que o Estado usasse os mesmos expedientes referidos na peça do Pùblico ou submetesse os seus funcionários à mesma chantagem do ou-aceitas-as-condições-que-te-oferecemos-ou-estão-vais-te-embora-que-lá-fora-estão-uns-milhares-a-contar-com-o teu posto de trabalho?

Este post do Tomás Vasques é apenas um exemplo, entre tantos, da forma como se tornou banal ler e ouvir os apoiantes mais empenhados na defesa do governo Sócrates a destratar o movimento sindical, as suas lutas e reivindicações. Os exemplos abundam. Aqui há uns meses foi o João Galamba, num programa na RTP N, a dizer que não se pode negociar nada com a CGTP porque não há forma de entendimento com a maior central sindical portuguesa. A ministra do trabalho, questionada no Parlamento por Louçã sobre a semana de 60 horas nas grandes superfícies, diz que essa decisão não tem nada a ver com o Governo e que, se tivesse ido adiante, não seria ilegal. A permanentemente satisfeita bancada do PS aplaudiu a “resposta”.

Claro que não é ilegal. É exactamente esse o problema. Existir uma norma, num Código do Trabalho aprovado por um governo que se diz socialista, que entende que existem pessoas que devem viver para trabalhar. De resto, num país onde a ineficiência dos modelos de gestão e a baixíssima mais valia introduzida nos mecanismos de produção tem levado os patrões a manter  as suas taxas de lucro à custa de salários miseráveis, não deixa de ser espantoso constatar a crescente violência contra os direitos dos trabalhadores que marca hoje quase toda a opinião publicada na imprensa.

A desvalorização do valor do trabalho, e da dureza das condições em que o mesmo tem lugar em tantos lugares e pontos do país, arrisca-se mesmo a tornar-se numa das mais duradouras marcas desta esquerda que se diz moderna e democrática. Uma esquerda que parece tão deslumbrada com uma serôdia visão da tecnologia e progresso que, pelo caminho, se parece ter esquecido das condições de vida de milhares e milhares de portugueses.


53 respostas ao post “Voltando às 60 horas por semana”  

  1. 1 1  raul

    Qual é a parte que as pessoas ainda não perceberam que os sindicatos existem apenas como mediadores de conflito entre trabalhador e entidade empregadora? Greve? Qual greve? havendo greve há sempre os serviços minimos. as greves hoje em dia já não resolvem coisa nenhuma. O que resolvia isso sim era uma ACT a exigir aquilo que está escrito na lei. As leis existem mas não são aplicadas porquê? Por causa das ameaças das empresas que anunciam falta de condições e lá vai tudo para o galheiro. A lógica dos sindicatos devia ser alterada. Poque razão só é defendido quem paga quotas? e porque razão existem quotas? E porque razão não pagam todos? E porquerazão… Há muitas questões que ficam no ar no que diz respeito aos sindicatos. Pessoalmente abomino esse tipo de associativismo que para nada serve ao trabalhador e a tudo serve a entidade empregadora.

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  2. 2 2  Daniel Santos
  3. 3 3  LAM

    Aleluia, caro Sales. É bom de ler aqui que nas questões mais importantes, nas leis laborais, no emprego e na falta dele, na arrogância patronal cada dia a subir de tom, no desprezo pelas garantias constitucionais do direito à greve, nas questões onde de facto há clivagem, o PS está sempre, sempre, colado à direita mais retrógrada e reaccionária. Oxalá daqui decorra que a esquerda não tem nem deve de ter qualquer ilusão com este PS nem de procurar caminhos comuns, ou de muleta eleitoral, que perpetuem e facilitem a vida ao PS. Antes pelo contrário.

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  4. 4 4  Antónimo

    No 5 Dias, alguma discussão recente vem a propósito das afirmações de um publicista jornaleiro e passa muito por esta guerra, embora não de forma explícita.

    Ou te calas bem caladinho e omites as tuas opiniões ou arriscas-te a não arranjar emprego e morres à fome (ou nem sequer tens direito a ter emprego). Não foi ipsis verbis o que o publicista disse, houve quem se lhe juntasse sugerindo isso em comentário, mas é no fundo o que decorre em leitura lata.

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  5. 5 5  Por falar em falar

    “Hoje pela madrugada fora, um pequeno grupo patusco atrás de um milionário banqueiro [Paulo Teixeira Pinto, antigo administrador do BCP e presidente da Causa Real], que conduziu um dos maiores escândalos da criminalidade económica em Portugal, lá apareceu pelo Tejo a gritar as saudades da monarquia”, afirmou, referindo que “sobretudo na cultura mais reaccionária da direita”, ainda “há gente que reclama o regresso ao passado, o regresso ao atraso, à monarquia e à diferença”.

    Vamos ver se Louçã prefere esconder-se atrás da imunidade parlamentar e implorar que não o obriguem a responder em tribunal.

    Acontece que a liberdade de expressão acaba onde a calúnia e a difamação começam. Por isso, bem ficaria ao antigo líder desse patusco grupo trotskista, que foi o PSR,deixar que os tribunais esclareçam se Teixeira Pinto foi ou não ofendido quando dele disse que “conduziu um dos maiores escândalos da criminalidade económica em Portugal”. Porque é esta a expressão que, julgo, está verdadeiramente em causa.

    O resto é conversa mole de quem tem medo de assumir os seus actos e palavras.

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  6. 6 6  LGF Lizard

    A escravatura do século XXI no seu esplendor.

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  7. 7 7  Jaculina

    #5
    Toda a gente sabe que o BCP (e outros) está atolado em trafulhices até ao pescoço. O problema de Louçã é a justiça portuguesa proteger os grandes trafulhas.
    Mas o mais “engraçado” é o português comum votar nos trafulhas e defendê-los nos blogs.

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  8. 8 8  fado alexandrino

    Há pouco a dizer sobre esta análise de esquerda sobre os horários de trabalho, regalias e direitos dos empregados.
    Gostava de saber mas não me lembra se nalguma empresa gerida ou detida por um esquerdista as coisas são diferentes.
    O que eu queria dizer sobre este post é que continuar a falar-se da CGTP, como entidade autónoma, é um pouco insultuoso para o PCP que é dono da mesma a 110% e é sempre esquecido.
    Haja respeito pelo patronato.

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  9. 9 9  Rui F

    #5

    O Adjectivo apropriado ao que aconteceu no BCP no tempo do homem seria: roubalheira!
    O PTP como anda folgado a usufruir dos bens que foi acumulando, qualquer “banalidade” serve de pretexto para fazer teatro e para o manter activo.

    Muito pior disse o Joe Berardo dele…mas aí o senhor Paulo não moveu nenhuma acção.
    Ele é lá doido…

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  10. 10 10  Rui F

    #5

    O Adjectivo apropriado ao que aconteceu no BCP no tempo do homem seria: roubalheira!
    O PTP como anda folgado a usufruir dos bens que foi acumulando, qualquer “banalidade” serve de pretexto para fazer teatro e para o manter activo.
    Muito pior disse o Joe Berardo dele…mas aí o senhor Paulo não moveu nenhuma acção.
    Ele é lá doido…

    Quando ao post…
    È o Portugal selvaticamente liberal e rafeiro.
    Depois são os comunistas e os bloquistas os culpados desta merda não andar pra frente!

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  11. 11 11  Guimarães

    Será que o Estado, enquanto empregador, não alinha em práticas semelhantes?
    Ora procurem bem…

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  12. 12 12  LAM

    Por falar em falar #5

    ora diga lá qual foi a parte que não percebeu.

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  13. 13 13  Sam Wise

    os funcionarios são responsaveis por cerca de 30% das perdas nas lojas. A revista do cacifo, feita na presença do funcionario, não é uma medida negativa e so pode promover o bom relacionamento entre patrões e funcionarios, diminuindo desconfianças entre ambos.

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  14. 14 14  Bolota

    Ironia das ironias, hoje 50 anos depois da fuga de Álvaro Cunhal do Peniche, aqui estamos nós a discutir o regresso das 60 horas semanais.

    Sendo daqueles que saido do Alentejo profundo para fugir á canga do sol-a-sol dos grandes agrários, ver os meus filhos/netos caírem nas garras dos especuladores de mão-de-obra cada vez mais especializada e barata, revolta-me as entranhas.

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  15. 15 15  tonibler

    Sales,

    primeira questão, relevante, é que ninguém é obrigado a trabalhar lá e, mais, a ninguém deveria ser permitido olhar para aquilo como emprego.

    Depois, poderias ser mais específico com algumas frases que usas que fazem alguma diferença no post?
    “mas onde raramente alguém vê as folgas que, supostamente, deveriam compensar esse esforço extra” raramente, é o quê e alguém é quem? Tens dados mais concretos sobre isto?

    “Explorados, mal pagos e tratados como potenciais criminosos no seu próprio local de trabalho”, isso também os traders dos bancos de investimento americanos, se o trabalho tem essa especificidade, qual é o ponto?

    “Existir uma norma, num Código do Trabalho aprovado por um governo que se diz socialista, que entende que existem pessoas que devem viver para trabalhar”. Consideras que deve existir uma norma qualquer que impeça estas pessoas de trabalhar porque…?

    “país onde a ineficiência dos modelos de gestão e a baixíssima mais valia introduzida nos mecanismos de produção tem levado os patrões a manter as suas taxas de lucro à custa de salários miseráveis”, mais uma vez, podes avançar sobre dados concretos? É que, na minha vida, ou temos cliente à porta disposto a pagar ou não temos. A existência das margens de lucro só depende disso, o resto faz-se o que se pode. De onde retiras os dados para afirmares isto?

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  16. 16 16  Daniel Santos

    #8

    O problema é precisamente esse fado. É o enquadramento legal da exploração. A mim não me preocupa se a maior parte dos sindicalizados são do PCP ou não, preocupa-me se defendem firmemente os direitos dos trabalhadores, se forem do PCP tanto melhor. Importante sim é manter a luta e a unidade dos trabalhadores.

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  17. 17 17  cafc

    Meu caro LGF Lizard

    Costuma dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras.

    A sua frase é um “hino” aos que trabalham sob o “chicote psicológico”.

    Receio bem ter que voltar, porque há sempre, sempre alguém, que “assobia para o lado”.
    Meu amigo, bem haja por essa frase que ficará na minha memória.

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  18. 18 18  Hugo

    A conivência da toda a sociedade para este estado de coisas é deprimente.

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  19. 19 19  Filipe Tourais

    Concordo em absoluto consigo, Pedro. Ao post acrescentar-lhe-ia que é desta esquerda que a grande mairia gosta. É bom frisá-lo, votam no que gostam. E comem do que suportam com o seu voto.

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  20. 20 20  isagt

    Há assuntos como este que me faz imaginar que um dia, BE e PCP, em vez de parecerem o sporting e o benfica, fizessem o possível e o impossível, por entender que esquerda é esquerda e ambos serão (muito) necessários para combater as injustiças (injustificáveis) aos que se vão sentindo, cada vez mais explorados e sem alternativas.
    Seria uma boa altura para lembrar que unidos, terão sempre mais hipóteses, de ir ganhando batalhas, em vez de pensar que sozinhos ganharão a guerra. Acho que no fundo, muitos portugueses que se consideram de esquerda, gostariam de começar a ver, essas pontes de ligação.Como as coisas andam, isto já não pode continuar a ser, a política dos clubes, o próprio PS já não é nem carne nem peixe, será talvez um arroz à valenciana. Acrescentando os problemas da crise económica, há qualquer coisa errada, o natural seria haver uma grande maioria de esquerda.

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  21. 21 21  Antónimo

    Não disse? Tonibler refugia-se de imediato no argumentário imbecilizante propalado pelos publicistas jornaleiros e de que se fez recentemente eco no cinco dias por alguém ter trabalhado para o inimigo

    Se o trabalho não serve (por convicções ideológicas ou outras), dizem, melhor será ter procurar outro como se os houvesse aí ao pontapé.

    À violência do não ter família nem vida própria, esta gente (se é que gente se lhe pode chamar) contrapõe a violência do passar fome.

    À pornografia da criança rebentada pelos terroristas – que tão recentemente comoviam o referido jornaleiro – contrapõe-se a pornografia da boca calada por oposição à pornografia das barrigas inchadas dos raquíticos da fome, filhos desses que não têm escolha.

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  22. 22 22  Daniela

    O problema a que se assiste em termos de Direito de Trabalho relacciona-se em muito com o poder que os patrões têm no sector privado para bloquear a possibilidade de os seus empregados pertencerem a um sindicato. E eu convivo com essa realidade em casa, onde após vários incidentes caricatos o meu pai teve de abdicar do sindicato para poder progredir na empresa juntamente com os outros colegas.
    Hoje em dia, as pessoas sujeitam-se ao emprego que conseguem arranjar, sendo exploradas muitas vezes de modo inaceitável, havendo reacções no mínimo ridículas por parte dos empresários à possibilidade de o ordenado mínimo nacional subir cerca de 10€. Claramente trata-se de gente que nunca teve de viver com o mínimo dos mínimos e que tem um fraco sentido de olhar para baixo, para aqueles que lhes dão a ganhar lucros milionários e que recebem por isso uma espécie de “esmola” prevista no código de trabalho.
    É de resto com perplexidade que me deparo com comentários como:
    “primeira questão, relevante, é que ninguém é obrigado a trabalhar lá” na medida em que tal ignora provavelmente a existência de trabalho precário e de pessoas que não conseguem arranjar outro emprego que não esse mesmo trabalho precário. Afinal, nem todos se podem dar ao luxo de viver no desemprego e relembro que o direito ao trabalho está constitucionalmente previsto.
    Além disso, não resisto a responder à pergunta quase retórica ““Existir uma norma, num Código do Trabalho aprovado por um governo que se diz socialista, que entende que existem pessoas que devem viver para trabalhar”. Consideras que deve existir uma norma qualquer que impeça estas pessoas de trabalhar porque…?”, na medida em que tal revela um desconhecimento do direito do trabalho bem como dos seus objectivos. Infelizmente não se trata aqui de proibir que tais pessoas possam trabalhar 60 horas por semana, mas sim de não permitir que seja violado o limite das 40horas que serve precisamente para proteger os trabalhadores, que como parte mais fraca da relação laboral e que muitas vezes são forçados a aceitar as condições que lhes são apresentadas no momento da celebração do contrato sob pena de lhes restar o desemprego, têm direito a descansar e a usufruir também de vida privada!

    Obviamente não deixa de ser com desalento que se repetem as opções de voto no mínimo bizarras, muitas vezes das pessoas que são as mais afectadas com anos de políticas que tendem sempre para o benefícios dos mesmos.

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  23. 23 23  Antonio Cunha

    Como sempre a malta aqui do blog mistura alhos com bugalhos. Cabe tudo no mesmo saco.

    A verdade é que a CGTP a FENPROF e demais sindicatos são controlados e manipulados pelo PCP para servir os seus interesses. Quais trabalhadores qual caraças.

    Só trabalha para o Belmiro quem quer. Despeçam-se. Não aceitem as condições oferecidas. Negoceiem. Façam greves de várias semanas todos juntos. E vão ver como as coisas mudam !!!!!

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  24. 24 24  tonibler

    Antónimo,

    Alguém o está a impedir de dar emprego a essa gente? Então porque ataca dessa forma quem o faz? Vá-se lá sentar no banquinho dos calões

    [Responder]

  25. 25 25  Gonçalo

    Num país onde há movimentos para tudo e mais alguma coisa, ainda ninguém se lembrou de fazer um boicote em massa a estes sitios.

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  26. 26 26  Luís Ferreira

    É uma nova forma de escravatura que iguala o século XXI ao século XIX. É para ajudar os “pobre3zinhos” dos patrões e accionistas da Jerónimo Martins e da Sonae!
    O ultra-capitalista do Sócrates ajudou à festa com a publicação do novo código de trabalho e depois ainda queria a maioria absoluta que era para fazer mais e mais. E se estas leis se aplicassem a ele e ao seu elenco governativo?
    É para que todos vejam os perigos do neoliberalismo que tantos ingenuamente apoiam e defendem até à exaustão.

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  27. 27 27  ana lee

    exactamente

    para a próxima poder-se-ia organizar também uma greve solidária de consumidores com piquetes de cidadãos às portas dos supermercados a distribuir informação.

    eu disponibilizo-me desde já para o fazer no pingo doce do meu bairro.

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  28. 28 28  Libertário

    Pois é, mas um estado socialista também precisa de roubar muita da riqueza gerada por este tipo de trabalho escravo em impostos como forma de alimentar a eterna legião de parasitas que dele fazem parte.
    Cada dia de greve que houvesse nas grandes superfícies era logo uma brutalidade de iva que perdiam por isso deixam-se ficar caladinhos…

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  29. 29 29  Daniel Santos

    #23

    AntónioCunha

    O PCP rege os seus “interesses” pelos interesses das populações, dos trabalhadores e do povo. Por isso não vejo mal nenhum em ter colegas sindicalizados sejam eles do PCP ou de outro partido qualquer; quer-se sim que defendam firmemente os interesses dos trabalhadores. E o PCP tem sido incansável nessa vertente.

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  30. 30 30  rafael

    mesmo para quem seja de direita ou de extrema-direita (como alguns dos comentadores que tao facilmente opinam sobre como cada um deve organizar a sua vida), o direito ao descanso, ao trabalho qualificado e à qualidade de vida (no seu sentido mais amplo) devia ser um direito humano (incontestado/vel). Mas parece que nao.

    Enoja-me, verdadeiramente, os critérios duplices do conservadorismo contemporâneo: a defesa da familia, da procriaçao, dos papeis sociais tradicionais, que quando entram em conflito com o produtivismo estupido, sao deixados para trás numa penada.

    E sem deixar de ter presente que o Manuel Alegre nao deixou de apoiar este governo e o anterior…

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  31. 31 31  Antónimo

    Tonibler, eu não ataco ninguém, você é que ataca e insulta. Terrorismo é espalhar o terror, que é o que fazem esses padrões de quem você não passa de um mero capataz.

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  32. 32 32  isagt

    #Libertário
    Estou mergulhada numa dúvida, nessa do “ficar caladinhos”, deve estar a faltar uma ;-) no fim da frase. É que nem a brincar, fica a soar melhor.

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  33. 33 33  nuno castro

    é de facto uma vergonha!! sabes qual é o problema, e é por isso é que existem animais como o tonibler, é que “aquilo”, aquela coisa a que chamam “trabalho”, calha sobretudo a “pretos” e brasileiros. enquanto não for a prima do “tonibler” a malhar lá com os ossos, teremos sempre comentários acéfalos como “ninguém é obrigado a trabalhar lá…”

    mas alto lá, porque a esquerda “queque” não é mlehor. por isso temos o comentador “antónimo” a fazer uma comparação, que se não fosse absurda seria obscena, entre o trabalho de alguns plumitivos do cinco dias e estes desgraçados das grandes superfícies.

    nem da esquerda nem da direita – tá tudo f…

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  34. 34 34  Rui F

    #23 António Cunha

    “…Despeçam-se. Não aceitem as condições oferecidas. Negoceiem. Façam greves de várias semanas todos juntos. E vão ver como as coisas mudam !!!!!”

    Isso é exactamente o que Van Zeller, Belmiro & Ca. pretendem.
    Daí, até convencer o PS a acabar com o salário mínimo era um “tiro”.

    Com a conivência de Sócrates, tornava-se facílimo a importação de mão-de-obra ESCRAVA Legal, empurrar 3,4 famílias para dentro de umas assoalhadas – a SONAE accionista mor dos condomínios sociais “privados”.
    Antes, já a SONAE estipulou o salário que pode pagar – baseado em estudos de mercado que uma das suas empresas se encarregou de elaborar.

    Aposto que estas famílias ainda iriam conseguir enviar para os seus países metade do ordenado!

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  35. 35 35  Pereira Marques

    Parafraseando alguém repetiria : pena os explorados estarem ao lado dos srs.
    Teremos de explicar de forma entendível ; com o PS os trabalhadores estão lixados …

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  36. 36 36  Antonio Cunha

    34 Rui F

    Rui, Portugal tem a produtividade mais baixa da CE. Com isto nem pedindo muito ao menino Jesus nós lá vamos.

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  37. 37 37  fado alexandrino

    16 Daniel Santos
    3 Jan 2010 às 22:58

    Ia responder-lhe, mas já houve uma pessoa que se adiantou.
    E o que disse ela?
    Pois, aquilo que todos sabemos, o PCP tem uma agenda e para a efectuar usa todos os seus empregados (aqui sim em regímen de escravatura ainda que voluntária) sendo que alguns são dirigentes sindicais.
    Já reparou que há dirigentes sindicais que há mais de vinte ou trinta anos são funcionários do PCP e que não sabem o que é por os pés numa empresa como empregado?

    É como pedir a um médico que faça uma operação ao coração depois de estar vinte anos a ler livrinhos que explicam como é que elas são feitas.

    Outra coisa.
    Claro que os horários podiam ser até de 15 horas e assim acabava o desemprego.
    Também acabavam os preços que hoje os hipers fazem.

    Claro que o doutor (talvez seja só licenciado, não sei) Pedro Sales sabe perfeitamente como é que se deve fazer para que uma situação não acarrete a outra.
    Só que, maroto, não a diz a ninguém.

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  38. 38 38  Antónimo

    nuno castro e eu sou da esquerda queque porquê? há certeza quanto a isso?

    Quem é de esquerda mas pensante sabe bem que as coisas andam ligadas.

    Que nem todos consigam percebê-lo…

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  39. 39 39  Helder

    31 Antónimo 4 Jan 2010 às 13:17

    Tonibler, eu não ataco ninguém, você é que ataca e insulta. Terrorismo é espalhar o terror, que é o que fazem esses patrões de quem você não passa de um mero capataz.

    Se me permite a emenda ,”capo” em vez de capataz.

    [Responder]

  40. 40 40  Rui F

    António Cunha

    Só se resolve a produtividade no nosso país, se formarmos as pessoas e as capacitarmos tecnicamente de maneira que os nossos produtos sejam mais competitivos que os dos outros países.
    A nossa bitola de comparação nunca poderá ser a China, a Índia, etc, como nos estão a querer impor.

    As novas oportunidades Sócratinas e o facilitismo criado por ele (e por outros antes dele) são apenas retardantes á explosão que se vai dar aqui no país, mais ano menos ano.

    [Responder]

  41. 41 41  Antónimo

    # 39, Helder,

    Mude, mude que não calha mal. Aliás no meu primeiro comentário a este post – embora alguns não consigam perceber a ligação – já antecipava os tonibléres sempre prontos a escolher e limitar os trabalhos dos outros.

    Se existe diferença de dureza e remuneração entre o trabalhos nos hipers e noutros sítios a substância do discurso dos publicistas publicados é exactamente a mesma.

    E faz o seu caminho, afasta críticos, sugere que o melhor é limitarem-se a não fazer ondas apontando-lhes a porta da rua, a sopa dos pobres ou a escolha de trabalhos em comunas anarco-sindicalistas que há para aí ao pontapé.

    Em simultâneo os poderes do Estado pedem-me a mim que subsidie os patrões sendo eu, ao contrário das acusações dos tonibléres, que realmente emprego estes trabalhadores do salário mínimo como se pode ver em
    http://cgtp.pt//index.php?option=com_content&task=view&id=1502&Itemid=1

    [Responder]

  42. 42 42  Von

    Guimarães: e o facto de o Estado alinhar em práticas semelhantes, torna-as aceitáveis?

    Sam Wise: “tá-se” mesmo a ver que já trabalhou num super/hipermercado…

    Tonibler: gostava de o ver experimentar um desses “empregos de calões”…

    António Cunha: e os empresários não acompanham essa baixa produtividade?

    Fado Alexandrino: já experimentou muitos trabalhos/empregos de 15 horas/dia? Deve ser estimulante…

    [Responder]

  43. 43 43  fado alexandrino

    Fado Alexandrino: já experimentou muitos trabalhos/empregos de 15 horas/dia? Deve ser estimulante…

    Não percebeu nada da ironia que estava implícita e nem reparou que se está a falar de horas/semana.
    Deve ser por ser alemão.

    [Responder]

  44. 44 44  Guimarães

    Von
    No post, quando se diz” Mas acaso estava o Tomás Vasques à espera que o Estado usasse os mesmos expedientes referidos na peça do Pùblico ou submetesse os seus funcionários à mesma chantagem do ou-aceitas-as-condições-que-te-oferecemos-ou-estão-vais-te-embora-que-lá-fora-estão-uns-milhares-a-contar-com-o teu posto de trabalho?” parece querer-se dizer que o Estado, ou empresas E.P.E., “ainda” estão isentos de tão reprováveis práticas. Só quiz deixar uma abertura para investigarem a questão. É que podem chegar a outras conclusões…

    [Responder]

  45. 45 45  tonibler

    Antónimo

    “já antecipava os tonibléres sempre prontos a escolher e limitar os trabalhos dos outro”

    Não me respondeu o que o impede de empregar aquela pobre gente a quem quer tirar da situação terrível em que se encontram.

    nuno santos,
    Isso de me chamar animal deve ser de família…

    helder,
    que boa piada…

    [Responder]

  46. 46 46  Ricardo Ramalho

    A malta da direita não perde tempo a vir defender o patronato.

    Como já alguém disse aí atrás, a malta deveria trabalhar para viver e não viver para trabalhar. Trabalhar de sol a sol já deveria ter saído do nosso quotidiano, mas parece que vai sendo cada vez pior. A crise dizem eles, os patrões, coitadinhos…

    Portanto, por um lado querem família, pais responsáveis com tempo para a dita família, com muitos filhos e uma imagem cuidada e bonita cheia de tradicionalismos.

    Por outro querem produção de 12 horas por dia, flexibilidade horária, e local de trabalho flexível, mutável, onde “Deus Nosso Senhor” quiser. O trabalho azeda, tem que estar feito, ONTEM!

    “Não gosta ali, mude-se!” – só diz isso quem tem uma conta bancária recheada. Quem se assusta a dia 15 porque acabou o saldo, ou porque já vê que vai ser chato chegar ao fim do mês não pode correr o risco de dar passos em falso.

    Este tipo de dicotomia faz-me confusão na malta da direita. Faz mesmo! Gostava de perceber qual é a noção deles! Como é que resolvem o problema da qualidade de vida individual e do tempo para si mesmo? Sei que isso é particularmente irrelevante para os workaholics (perdoem-me o estrangeirismo malta da Direita).

    Mas gostava mesmo de saber como é que se fazem filhos sem ter tempo para gozar a própria vida, e posteriormente dar educação aos mesmos. Expliquem-me! Estou curioso para perceber qual é a teoria por trás disto tudo.

    Tudo para o patronato, nada para as pessoas.

    Uma vez vi no Prós e Contras o senhor Belmiro a dizer “se sair às 18 vai para casa fazer o quê?” – é a distinta lata desses senhores!!

    Ainda ontem, e estou de férias, passei no TagusPark às 19:30, estando a maioria esmagadora dos escritórios cheios de gente àquela hora. Que vida tem esta gente? Qual é a qualidade de vida desta gente? Têm noção os senhores tonibler e fadoalexandrino?

    Desculpem-me, mas a vida não é só trabalho. É unicamente uma componente da vida. Quer aceitem isso, quer não…

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  47. 47 47  Antonio Cunha

    46 Ricardo Ramalho

    Ó Ramalho, seguindo a sua teoria que até é bastante rasoável, não podemos é depois querer comparar-nos com as Suécias e Noruegas deste mundo.

    Sabe, está mais do que provado quem em Portugal realmente trabalha-se muitas horas mas produz-se pouco. Aliás pouquíssimo.

    Se o meu amigo tiver oportunidade veja como se trabalha no Tagus Park. Entra-se às 10, bebe-se café até às 11 e depois às 18 é que se começa a fazer qq coisita.

    Sabe as pessoas como eu e provavelmente voce que são casados e tem filhos tem este grande dilema. Ou trabalham um pouco mais e dão uma vida melhor ou então….

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  48. 48 48  cafc

    Meu caro Ricardo Ramalho

    Num outro “post” eu escrevi um pensamento do Professor Agostinho da Silva:
    “O Homem não nasceu para trabalhar”. Não foi compreendido, porque é muito profundo.
    Mais compreensível, deveria ser o que menciona no 2º parágrafo do seu comentário #46. Porém, temo muito que, também, não seja entendido por quem acha que a “culpa” é dos que trabalham.

    Estes, têm todas as “obrigações”:
    1- Trabalharem o número de horas que lhes é imposto, sob pena de “irem para a rua” (seja qual for o “artifício legal”);
    2- Aceitarem o “salário” que lhes “propõem”, sob pena de nem “entrarem” (é para isso que serve o “exército de desempregados”);
    3- “Arranjarem” uma actividade que lhes permita trabalharem “a recibo verde” (é muito mais ecológico). O “patronato”, seja privado ou estatal, usa e abusa deste expediente, pelos motivos que sabemos (os “recibo-verdistas” pagam tudo e, os “outros”…);
    4- Depois disto tudo, ainda têm a “obrigação” de procriarem, porque têm garantidas todas as condições “sócio-económicas” para o fazerem.

    Meu caro, a “lata” destes “senhores” até dá para fazer fortunas com a “sucata”. Mais robalo, menos robalo…

    Um abraço.

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  49. 49 49  Antónimo

    Tonibler, já sou eu que os emprego uma vez que a minha pensão futura vai servir para lhes pagar o aumento do salário mínimo.

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  50. 50 50  tonibler

    Antónimo,

    Ah, então é você que temos que insultar pelas pensões de miséria?

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  51. 51 51  Antónimo

    Parece-me que também sou eu que me emprego a mim, o que já não é mau.

    O patrão, um bom, mantém-me há cinco anos a recibo verde.

    E com isto desconto todos os meses 36% do ordenado em prestações que tenho de entregar ao Estado (de IVA e de Segurança Social – esta para pagar aos do salário mínimo em vez de ficar para a minha reforma – mínimo, que o IRS sempre hão-de devolver para meados de Setembro), o que me deixa a escassos quatro pontos percentuais do que a DECO considera razoável em termos de percentagem de rendimento pessoal – como ainda há casa, carro e roupa por lavar.

    O benemérito ainda se queixa que este ano não há aumentos pois em 2009 fartou-se de perder dinheiro na bolsa. Os maus-investimentos e a massa perdida foram dele, mas quem lha ganhou para poder estourar na especulação fui eu e os meus colegas.

    Nos outros anos, também não aumentou ninguém, mas disse que era a crise e que até tinhamos sorte em ter emprego. Tadinho do filantropo.

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