Não vou comentar em pormenor um programa que não vi. Andei a passear pelo YouTube e chegou-me. Odete Santos está demasiado centrada no seu espectáculo para conseguir falar para fora da célula. Jaime Nogueira Pinto foi o que é: um salazarista com uma patine de respeitabilidade. Mas o que me incomodou mais, para dizer a verdade, foi esta intervenção:
É impressionante como eu posso concordar com quase tudo o que ele diz e discordar, no essencial, de tudo. Não, não é a mesma coisa prender uma pessoa porque discorda de nós e despedi-la porque é demasiado velha. As duas coisas são canalhas e desumanas. Mas as duas coisas são diferentes. A primeira combate-se com os meios que tivermos à mão porque não restam outros, a segunda combate-se no exercício da liberdade política. Não é igual a critica à miséria no salazarismo e a actual miséria (que não é a mesma, nem da mesma natureza, mas adiante). Uma era inerente àquela ditadura. Esta é um falhanço político dos homens que elegemos, por isso é um falhanço político de todos nós. Porque fomos nós que escolhemos quem nos deveria governar. E isso não pode ser uma diferença pequena.
A pedagogia da liberdade e da democracia, da responsabilidade e da cidadania, está toda por fazer, mesmo junto das mais insuspeitas das pessoas. A liberdade não pode ser um pormenor. E nem o desespero pode justificar este discurso. Foi sempre ele que trouxe o pior. Isto, sem tirar nem pôr. Ao pé do que disse Fernando Dacosta, para meu grande espanto, as divagações histéricas de Odete e o fascismo afectado de Nogueira Pinto são irrelevantes. Ele tinha uma responsabilidade diferente.
Este concurso pode ser irrelevante. Mas aos poucos foi mostrando, como uma caricatura, todos os mal-entendidos. À esquerda e á direita. Não aprendemos nada: um país não se cumpre, constrói-se. A democracia não promete nada. Abre todas as possibilidades.
Por Daniel Oliveira 27 Mar 07 em Sem categoria


Enquanto houver Fernandos Dacosta, talvez ainda haja esperança…
Von Barata
A Declaração do vídeo é brutal. Obrigado pela partilha.
Eu não gostei. nada mesmo!
Daniel Oliveira,
O desespero não tem nada de subjectivo quando é vivido no dia a dia… e o que me ficou do filme foi a verbalização daquilo que se sente em qualquer conversa banal – um sentimento de insatisfação generalizado, de mal estar. Não é de estranhar que certos sectores aproveitem esta oportunidade para se promoverem.
Divagações histéricas de Odete Santos? Daniel…”histéricas” uma clara alusão ao utero, uma desqualificação de genero, uma alusão maschista ao facto de ser mulher por tanto dada a momentos mais exuberantes cuitadinha? Você é melhor que isso! E a Odete esteve magnifica! Além do mais devia haver mais assim. Desabridas, desbocadas, frontais, garridas, exuberantes e com o utero no lugar! Estou zangada consigo! Para ser desculpado terá de postar o poema: “luisa que sobe” do Gedeão
Pois eu admiro Fernando dacosta e a sua imparcialidade…Acabei ha poucos dias de ler o livro “Mascaras de Salazar” e com melhor impressao fiquei!!! Ele que esteve dos dois lados, melhor que ninguem sabera o que diz
Concordo apenas em parte com Dacosta, mas subscrevo em pleno o comentário efusivo do Professor catedrático Raul Miguel Rosado Fernandes, feito no mesmo programa e visível aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=Yks8mLk6nKE
Está mesmo convencido de que a democracia abre todas as portas e possibilidades ? Já reparou que a democracia é uma preservação antipolítica do que existe ? Explico: a política não pode ser outra coisa que não uma invenção de formas novas de vida e organização colectiva. É isso que precisamente o voto impede. Por isso o voto é um acto de Estado e não tem nada de político. Ou seja, não “abre” absolutamente nada ! O resto, “cidadania”, “direitos humanos”, etc, não passam de uma espécie de “direitos ao não-mal” e nada mais, pressupondo o homem como coisa débil que precisa de uma protecção legislativa. A política e a liberdade são a irrupção de uma novidade que não se faz anunciar, nem pode pedir autorização para se “manifestar”: a verdadeira política não é a “democrática”, é imprevisível, a revolução pois claro, mas quando se subtrai a um programa — o resto é a gestão do Estado e do estado de coisas. Esta é uma conversa longa e para outro lugar, mas não acredite tão piamente nem na democracia nem na propaganda dos “direitos”, etc. Nenhuma justiça é possível na preservação do que existe. Obviamente, salazar e a “democracia pluralista” são antipolíticos, inimigos da liberdade.
Um comentário de extrema-esquerda e terceiro-mundista de quem queria milagres !
Se eu fosse mais novo teria rebolado de gozo ao ver as figurinhas e figuraças da Odete. Agora, deu-me pena. Honestamente. Até disse a um sobrinho para parar de gozar com a senhora.
Mas não há mais ninguém naquele partido? Não há mais ninguém capaz de defender (o indefensável, mas isso é outra História) a linhagem comunista? Vi, e vimos todos, uma mulher que, e passando por cima dos esgares, incessantes “coçadelas” e stip-tease à boa moda de um qualquer bordel de Felgueiras, cuspidelas e demais variações de líquidos que lhe sairam boca fora, não conseguiu ter um único raciocínio sagaz. Não foi por uma única vez empolgante. Adorei, uma frase que ela disse a respeito do afastamento do João Amaral “O PCP tem as suas regras e têm de ser cumpridas”. Agora, eu pergunto. Haverá assim tanta diferença com a ICAR?
Dea cordo com seu texto, Daniel.
Quantoà intervençaõde Fernando Dacosta : patética ! Pior que a de um PCP empedrendio. Confundir e misturar coisas distintas.
Não entendo a sua censura “stip-tease à boa moda de um qualquer bordel de Felgueiras” faz sentido, não é um insulto violento? Reduzir uma critica a presença fisica e aos seus maneirismos não é aviltante? Ou sou eu que estou a ver coisas? …
Confundir coisas distintas, o afirmar sem meias palavras, o estado a que chegou Portugal? Confundir o que é claro e visível? Talvez se na Assembleia da República, algum deputado dissesse fosse o que fosse, assim directamente, sem meias palavras, o povo, esse que assiste, brando como sempre, a este descalabro, reagisse e desse uma lição aos governantes e aos políticos de carreira. E acerca do comentário do Rosário Fernandes, a aprovação é total. Venham mais falar assim e talvez isto mude.
Cumprimentos
Von Barata
Von Barata, pelo contrário, Dacosta parecia mesmo um político profissional a falar. Em campanha eleitoral…
«A democracia não promete nada. Abre todas as possibilidades».
Concordo com esta visão instrumental da democracia, que não é um valor em si mesmo, mas sim uma forma de organização política. O que resulta dos Grandes Portugueses é precisamente o falhanço de um país messiânico que não se constrói a partir da base, mas acredita que as coisas nascem para lá da acção de cada um de nós; há uma descrença no papel da acção humana anónima, depositando esperança nos «Queridos Lideres» e nos «Grandes Timoneiros».
Embora esteja certo que há diferenças essenciais na forma como deve ser percorrido o «caminho», no destino, não posso deixar de saudar quem vê - e são poucos - a democracia como um processo, e não como um valor.
Sobre este tema, deixo o link para um post que publiquei no Blue Lounge e, a seu tempo, no Blasfémias: http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/democracia-e-liberalismo-remake.html
Cara Maria João,
Não, não está a ver coisas. Aliás, falta-lhe porventura visão.
Estas palavras fazem parte do meu texto, não se esqueça disso:
“(…)não conseguiu ter um único raciocínio sagaz. Não foi por uma única vez empolgante.”
Cumprimentos,
Caro Lopes empolgante ela foi certamente essa é a sua natureza. Quanto ao raciocínio sagaz depende do ponto de vista! As suas considerações sobre a pessoa em causa são de um mau gosto profundo, diria mesmo grosseiras e de quem possui poucos argumentos!
Maria João, não suporto esse paternalismo/maternalismo (como queira) em relação a Odete Santos. Por dez vezes menos todos gozamos com Alberto João Jardim. E sim, Odete Santos não consegue ter um único raciocionio (sagaz ou de qualquer outra natureza) e só é empolgante para quem gosta de realaty shows.
Tenho dito.
Maria João,
Terá sido empolgante para quem se reviu e revê nos penosos processos de morigeração comunista.
Os argumentos que possuo são os suficientes para perceber que a conversa com sectários e indefectíveis são tão válidas como tentar furar uma parede de betão (ou de calhaus, como quiser) apenas com boa vontade…
Lopes,
O problema de Odete Santos não é nem o sectarismo, nem ser comunista. Há muitos comunistas (e até sectários ou ortodoxos) sofisticados e com bagagem ideológica para arrumar muita gente num canto. Não é, definitivamente, o caso de Odete Santos. Cunhal merecia melhor defensora.
Caro Daniel onde lê um comportamento paternalista/maternalista, apenas existe a vontade de subir o vosso patamar de argumentação para um nível que acredito ser mais adulto, e elevar o debate de ideias para além da ridícula conversa de putos no recreio, baseada em aspectos meramente físicos. Comportamentos histéricos, cenas de strip e outros mimos como esses não acrescentam nada ao debate de ideias, e acho serem de um tremendo mau gosto e não suporto. Além do mais eleger o Cunhal como o melhor Português de sempre, é por si algo absolutamente indefensável, tarefa diria mesmo Herculiana, sendo necessária uma dose brutal de alucinação, por isso muito fez ela.
Quanto ao facto dessa já ser prática corrente, não lhe dá mais validade.
Caríssimo Daniel: Mas estamos a falar do conteúdo da intervenção de Fernando Dacosta, da respectiva ideologia ou quadrante político ou ainda da sua postura? Eu, neste caso, limito-me a comentar o conteúdo das suas palavras: que de facto o país está de rastos e que as sucessivas governações, a todos os níveis, seja central, regional ou autárquico, bem como a generalidade (muito geral mesmo) dos deputados e agentes partidários, são os principais culpados, em conjunto com a obediência cega aos valores (valores?…) da economia mundial vigente. E certamente por isso, alguns milhares de portugueses utilizaram o voto em Salazar como desabafo mediático.
Cumprimentos
Von Barata
Penso que a melhor forma de avaliar comentários do Sr. Dacosta é primeiro perceber o idiota que é e segundo dar-lhe a importância que lhe é devida.
Estamos a falar do mesmo que confunde Peniche com Tarrafal.
Por muito pouco que goste de Cunhal, creio que merecia melhor defensor!!! Já todos sabemos de onde vieram os votos de Cunhal, e não creio que a variaçao no numero de votos se alterasse muito fosse quem fosse o seu defensor. Mas uma coisa é certa, a postura e o fanatismo de Odete Santos descredibiliza qualquer possivel defesa feita pela mesma….
«Comportamentos histéricos» não tem nada a ver com a postura fisica. Tem a ver com a postura intelectual, ética e política. E mais do que isso não consigo debater (por isso não fiz o meu post sobre Odete Santos), porque nem sequer entendo onde ela quer chegar a não ser que Cunhal era um homem completo, corajoso, corajoso, completo, prefeito, corajoso. Zero sobre o seu papel na história. E muitas coisas para além destas podiam ser ditas de positivas sobre o percurso de Cunhal. Não eram é suficientemente ortodoxas para a linha quadrada de Odete.
Von Barata:Concordo consigo que é preciso que isto mude.Mas nao pela via que pelos vistos você,o Dacosta,O Rosado Fernandes e outros propõem,porque essa via,já demonstrou que é a mais perigosa.Esse discurso é o mesmo do Jean-Marie Le Pen,ele tambem põe em causa o “sistema”,também utiliza o descontamento popular,para defender um Estado Forte,etc.Numa palavra:um estado intolerante,autoritário e totalitário.A Historia do seculo XX demonstrou até onde esses populismos conduziu a humanidade.Eu prefiro aquela maxima de Churchill soobre a Democracia…
Concordo com o Daniel quando diz que Alvaro Cunhal merecia outro defensor:Odete Santos é uma figura mais para o espectaculo,espalhafatosa.Lembremo-nos que era uma das “atracçoes” dos programas do Herman,por exemplo.Mas,depois,tem um registo interessante-e que até foi aplaudido aqui há uns anos pela critica-,como actriz de palco,ao fazer de Virginia Wolf.É uma pessoa demasiado emotiva para um debate daqueles.É pena,como deputada deixou marca e foi até uma advogada competente.
Mas Jaime Nogueira Pinto tambem mostrou a sua arrogancia por duas ou três,quando interpelado-e bem-,por Maria Elisa,que em meu entender,cumpriu o seu papel de jornalista,não deixando de confrontar em varios programas,o lado sinistro do ditador.É bom que se diga isto.
Bem Daniel acho que reagi exacerbadamente quanto a sua referencia ao comportamento histérico, talvez devido ao facto do mesmo ser usado vezes sem conta para desqualificar as mulheres, porque como sabe era um conceito que nos primórdios só se aplicava ao género feminino como factor de menoridade emocional ou de domínio dos sentimentos sobre o intelecto. Como acabou de esclarecer, utilizou o conceito num sentido mais amplo, não numa visão machista, interpretei mal o que disse e ataquei. obviamente no caso do Alvaro Cunhal o claro envolvimento afectivo de Odete Santos era uma mais valia, dai ser a escolha certa, o voto aqui provou ser controlado por variaveis meramente emocionais (um povo histerico por tanto), sinceramente acho que era o unico argumento valido, pois se utilizar-mos a racionalidade ele era indefensável.E já agora não sei se a viu representar “Virginia Wolf” absolutamente fantastica, fora de serie melhor que Elisabeth Tailer.
Eh, por aqui é só inteligentes!…
Não, mas vi-a vezes sem conta insultar qualquer deputado que dela discordasse, quer no hemiciclo quer nos corredores do Parlamento. Sobretudo nos anos mais recentes. É a pessoa mais intolerante e desrespeitadora da opinião contrária que conheci vi na política, apenas ultrapassada por pessoas como Avelino Ferreira Torres, Valentim Loureiro e Alberto João Jardim. Nos termos em que debate não a distingo destas personagens, com a diferença de que quando o digo que me caem em cima por ser supostamente machista.
Caríssimo Tardes de Bolonha: Acha mesmo que este discurso é o da extrema direita? Ou até extrema esquerda? Afirmar com todas as letras o que está mal? A ideia de um estado forte e autoritário é exactamente o oposto ao que aqui defendo. Aliás foi esse estado autoritário, o estado do partido político, o estado só de alguns que deixou tudo isto chegar ao que chegou. Seja de esquerda ou de direita, pois ambas têm a culpa tatuada no logo dos respectivos partidos. Intolerante? O mais possível relativamente à bandalheira dos favores partidários, dos lobbies à esquerda e à direita e ao centro, mais todos os que calam fundo ou os que preferem apenas encontrar culpados só do lado oposto ao que defendem. Culpa temos nós todos. TODOS!!!
Cumprimentos
Von Barata
“Lopes,
O problema de Odete Santos não é nem o sectarismo, nem ser comunista. Há muitos comunistas (e até sectários ou ortodoxos) sofisticados e com bagagem ideológica para arrumar muita gente num canto. Não é, definitivamente, o caso de Odete Santos. Cunhal merecia melhor defensora.”
O Francisco Allen Gomes,por exemplo.
De qualquer modo, não me estava a referir à Odete, mas antes à Maria João…
O Lopes conhece-me de algum lado?? Ou foi apenas a possibilidade de um trocadinho idiota que possibilitou essa piadinha primaria.
Caro Daniel:
Não me costumo rever nas suas ideias, nem me revejo, em grande parte do seu post. No entanto, não podia concordar mais com as suas duas frases finais.Parabéns.