Sobre o debate para a Convenção do Bloco de Esquerda.
Um texto pessoal e intransmissível.

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Primeiro, neste texto que não pode deixar de ser grande, alguns pormenores maçadores mas importantes, para perceber como as coisas acontecem. A vida do Bloco de Esquerda é pouco conhecida de quem com ele não tem contacto. Mais por desinteresse, superficialidade ou mesmo preconceito da comunicação social do que por algum tipo de opacidade. Claro que o BE, como qualquer partido, não gosta de ver as suas desavenças na praça pública. Mas como em qualquer partido elas existem e no caso não são especialmente abafadas pelos seus actores.

Em Junho vai realizar-se a V Convenção do Bloco de Esquerda. Como de costume, e ao contrário do que já vi por aí escrito, vão concorrer várias listas à Mesa Nacional. Há quatro moções, mas poderá haver menos listas. Houve duas listas na III e na IV Convenção. As listas, associadas a moções, terão representação proporcional na Mesa Nacional. Serão eleitas por voto secreto dos delegados e estes serão eleitos, também por voto secreto e com representação proporcional, nas várias estruturas do BE, concorrendo em listas alternativas. No BE respeita-se a democracia interna e há regras claras e estatutárias para garantir a representação plural nos órgãos dirigentes. E direito de tendência. Só assim me sentiria bem num partido. E nada disto tem impedido a unidade. Espero que assim continue.

No entanto, até esta Convenção, as listas minoritárias não têm conseguido apresentar um discurso distintivo, refugiando-se grande parte das vezes em questiúnculas processuais e juntando descontentamentos internos que existem em qualquer organização (política ou não). Apesar de uma e outra coisa voltarem a aflorar-se, há uma novidade: uma critica programática e ideológica ao rumo que o BE tem seguido, vindo da moção promovida por militantes próximos da corrente Ruptura/FER. Ainda bem. As questões estatutárias, de direcção e de procedimentos são fundamentais em qualquer partido democrático. É a própria moção mais próxima da direcção a fazer duras críticas à vida interna do BE. Mas mal está o partido que faça delas o alfa e ómega do seu debate. A Convenção vai debater política e isso é excelente.

Não há nem centralismo democrático nem centralismo burocrático no Bloco. O debate deve ser civilizado, nunca nos esquecendo que somos camaradas de partido e de muitas causas, mas deve ser transparente e virado para o exterior. Isso só é possível quando o debate é sobre política, sobre o que interessa a quem apoia, vota e se revê esporadicamente ou de forma mais permanente no BE. Acredito que é o que vai acontecer. E aqui fica um contributo que pode ser lido por todos, dentro e fora do Bloco.

As duas moções, a mais próxima da direcção e a mais próxima da Ruptura/FER (ainda não conheço as outras duas), correspondem, como seria de esperar, a equilíbrios conseguidos entre os seus subscritores e à tentativa de ganhar novos apoios. Por isso, uma e outra devem ser lidas pelo que dizem, mas também pelo que não dizem e por o que tem defendido quem as assina.

A da lista mais próxima da corrente Ruptura/FER vai ao mais ínfimo pormenor (do Haiti à Palestina) em matéria de política internacional, concentrando maior atenção em qualquer assunto em que tenha existido qualquer divergência política no Bloco. A que é subscrita por Francisco Louçã, Luís Fazenda, Miguel Portas, Fernando Rosas, Ana Drago, Helena Pinto, eu próprio e mais de duas centenas de militantes faz a análise necessária em matéria de política internacional, concentrada nos traços largos da situação mundial, para definir passos concretos na política do partido.

Na minha opinião, uma corresponde a um hábito grupuscular de procurar a pequena divergência, por mais distante que ela esteja e por mais irrelevante que ela seja para a acção política concreta, entrando mesmo em pormenores sobre confrontos internos em partidos de outros países, em que a influência do BE é obviamente inexistente. Tenta compensar a falta de implantação com a megalomania ideológica. A outra procura encontrar os parceiros nos combates ao neo-liberalismo e a guerra ininterrupta (para simplificar a linguagem e não ter de escrever eu aqui uma moção sobre o assunto), agindo onde pode agir e definindo os grandes arcos de alianças possíveis. Uma procura os inimigos à esquerda, a outra procura os aliados. Pode parecer irrelevante, apenas uma diferença entre o copo meio cheio e meio vazio. Mas é toda uma diferença de cultura. A da pureza ou a da construção de alternativas. Esta diferença é transversal a quase todos os pontos, da política externa à interna. Porque é uma diferença estratégica de fundo.

A tese da moção de que sou um dos muitos subscritores é a de que o Bloco deve, sem vanguardismos iluminados, encontrar na esquerda social as alianças para a construção de uma alternativa ao discurso do inevitável, de que este governo é apenas um continuador mais empenhado. De que o Bloco não chega, sozinho, para construir uma alternativa programática e política. Não falo de alianças de governos ou eleitorais. Falo de um combate político mais longo. A esquerda tem de encontrar um discurso mobilizador, que não se limita a aproveitar o protesto, mas o transforme em proposta credível e capaz de construir pontes. O tempo não é o de definir a virgula e a palavra em que cada um diverge, mas o de encontrar as grandes convergências. Algumas programáticas e profundas, outras episódicas e ligadas a questões concretas. A disponibilidade e a humildade para aceitar que o BE não chega sozinho para a construção desta alternativa foi o que fez nascer o próprio BE, fruto de uma esquerda derrotada e bloqueada. Este foi o salto qualitativo dado por gente vinda de lado nenhum, de activismo social, de partidos da extrema-esquerda e do PCP. Crescemos e aprendemos a construir uma cultura anti-sectária onde antes dominava uma cultura de seita, de pequenas fortalezas em ruínas. A prioridade (que vem tarde) dada ao ambiente e em especial às alterações climáticas é mais um esforço na construção de novas alianças, numa área de importância civilizacional indiscutível e transversal às tradicionais divisões políticas, mas que está muito longe de ser ideologicamente e politicamente inócua. Mais uma vez: procurar espaços de convergência em torno de causas concretas, construindo um corpo programático sólido onde outros, para além do Bloco, possam confluir.

Pelo contrário, a moção ligada à Ruptura/FER, não dispensando o discurso da unidade e fazendo apelos a ela, opta pela demarcação ideológica, pureza doutrinária e vanguardismo político como centro de todas as escolhas. No combate contra a este governo, defende que o BE deve ser o campeão da exigência de combatividade da CGTP e do PCP, não se preocupando em analisar as reais capacidades de mobilização social do próprio Bloco. Como se bastasse gritar mais alto para que a mobilização social acontecesse. Ou seja, é a cultura da retórica da combatividade a tentar esconder as fragilidades do partido. À vanguarda bastaria ter razão, não precisaria de provar no terreno a sua própria razão. A vanguarda decidia, os outros seguiam a vanguarda. E se não seguissem, então ficaria provado que são uns fracos. Mesmo que a vanguarda, sozinha, pouco possa. Esta lógica diz procurar a unidade, mas está indisponível para ir ter com os outros e chegar a plataformas de entendimento com eles. Faz-lhes exigências, não lhes faz propostas de entendimento. Ou os outros são tão puros como nós ou não merecem a nossa companhia. A unidade, assim, é pouco mais do que retórica, pronta para ser esfregada na cara de quem não nos acompanhe.

Um bom exemplo está, curiosamente, nas alianças externas. Não chegando a exigir que o BE abandone o Partido da Esquerda Europeia (posição demasiado minoritária), exige que o BE faça exigências a um dos seus partidos: a Refundação Comunista Italiana. Quer que o PEE se demarque dela. Três perplexidade: a megalomania da formiga; a necessidade do BE fazer exigências a outro partido, como se dele fosse controleiro e como se disso dependesse alguma coisa na sua prática política; e o facto de querer a unidade na esquerda mas de ela acabar num partido como a Refundação Comunista. Se a Refundação é demasiado direitista para estar com o Bloco numa plataforma onde não há qualquer tipo de unidade programática, ideológica ou de acção, imagine-se onde acabaria a capacidade de diálogo do BE no plano nacional, onde se joga muito mais. Acabaria no próprio BE e provavelmente só em parte dele. A necessidade de ser o mais puro dos puros, o disciplinador dos desvios alheios, mesmo que eles sejam irrelevantes para acção política do BE, não tendo nenhuma repercussão política (nada na política da Refundação Comunista influencia o PEE e menos que nada influencia a política do BE) diz muito de uma cultura contrária à unidade e ao alargamento político.

Esta cultura ficou bem patente no último referendo do aborto. O BE definiu duas linhas estratégicas: construir uma posição capaz de vencer o referendo e procurar estar com todos (sem excepção) que defendessem a alteração da lei. Na altura, a corrente Ruptura/FER opôs-se de forma clara a esta estratégia. No ponto dedicando na moção ao tema percebe-se, sem ser explicitado, essa posição que na altura foi reafirmada. Diz-se mais sobre o que Sócrates ganhou com a vitória do “sim” do que sobre o que foi conquistado pelas mulheres com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez. Antes do referendo a FER defendeu a linha que o PCP seguiu. Este mimetismo um pouco deslumbrado tem sido, aliás, recorrente: o obreirismo, a instrumentalização de cada combate, o desprezo por todas as lutas que não sejam estritamente laborais. Defendia que o BE se opusesse ao próprio processo referendário e que não se aliasse nem ao PS nem a sectores da direita na campanha. O objectivo primeiro deveria ser, antes da própria despenalização do aborto, desgastar o governo. Fazer da campanha uma tribuna da oposição. A estratégia teria tido um resultado fácil de prever: o referendo seria perdido, o governo ficaria na mesma ou, a perder espaço, seria para a sua direita, a esquerda (à esquerda do PS) pagaria a factura da cegueira mas o BE garantia que não se conspurcava com alianças espúrias. Confesso que não deixo de espantar com a cegueira: esta ideia de que podemos continuar a somar derrotas para que a vitória não nos suje. E o mesmo no plano externo: esta a ideia de que mais vale poucos mas bons do que a contaminação dos impuros.

Tratei aqui apenas de duas questões parcelares. Mas elas são um sinal de divergências mais profundas e que estarão bem presentes na Convenção. Na verdade, há quem, no Bloco, goste apenas dos seis por cento de votos que foram conquistados. Mas não tira deles nenhuma consequência. Como se isso não trouxesse ao Bloco novas responsabilidades, um cenário político completamente novo e uma base social diferente. Há quem sinta a nostalgia da pureza original. E, no entanto, ela nada tinha de puro. Era apenas menos complexa, porque não agia no concreto da luta social e política.

A política que foi seguida pelo Bloco nos últimos oito anos, apesar da aceitação táctica, sempre contou com a discordância estratégica desta corrente. Mas foi esta política que nos trouxe até aqui. E os resultados não foram apenas eleitorais. O BE conseguiu mudar muita coisa na esquerda portuguesa. Algumas delas consideramos hoje como adquiridas, apesar de tudo ter começado há tão pouco tempo. O regresso ao passado é impossível. E possível que fosse, dele só resultaria o renascimento de capelinhas capazes de se desentender pela minudência da minudência, enquanto a política concreta seguiria o seu caminho, indiferente às mais bizantinas discussões. Voltaríamos a assistir a cisões em minúsculos partidos da esquerda portuguesa por causa de debates ideológicos internos no Partido Socialista Internacionalista dos Trabalhadores de Trinidad e Tobago sobre uma greve marcada pelo Sindicato dos Pescadores à Linha do Djibuti. Não aconteceu mas podia ter acontecido.

Porque quer transformar, a política que muda não é vanguardista. Porque procura alianças para transformar, ela não é doutrinariamente pura. Não falta quem esteja à espera que o Bloco cometa o erro de voltar atrás, provando que a esquerda está condenada à balcanização grupuscular. Estão enganados. Se não estivessem, era eu que me tinha enganado. E muito.


Sem respostas ao post “Voltar atrás?”  

  1. 1 1  Luís Lavoura

    “Crescemos e aprendemos a construir uma cultura anti-sectária onde antes dominava uma cultura de seita”

    O Daniel há-de me perdoar, mas a candidatura de Francisco Louçã nas presidenciais foi, do meu ponto de vista, sectária.

    Quando se impunha uma candidatura que pudesse receber votos de toda a esquerda, ou de muita gente, o Bloco empenhou-se numa candidatura que, evidentemente, só podia recolher os votos dos próprios bloquistas.

  2. 2 2  antonio L

    A novidade está (ou estará) nas outras moçoes que ao que parece irão surgir.

    Quanto a estas duas , manteêm a linha de rumo que saiu da anterior convenção, a mais proxima da direcção segue a estrategia da heterodoxia ideologica, (hà que se adapatar aos novos tempos, sem perder nunca o espirito de esquerda ou as coisas boas do passado, mas por forma a manter-se moderna, alternativa, de vanguarda, e plural, como se quer a uma esquerda realista e a conviver na modernidade que brota do alvor de um um novo milenio que agora se instalou.
    No fundo uma estratégia que t~em singrado e que se traduz nos excelentes resultados nas urnas.
    Na minha opinião , uma estratégia só e´bem sucedida se tiver uma boa expressão nas urnas. o resto é pregar no deserto.
    Nesta moção a grande enfase e em seguimento do que referi anteriormente vai para o Hambiente e todos os seus cataclismos. è realmente um dos principais problemas da actualidade e a corrente da direção investe imenso nesse tema (actual) nesta convençao.

    A da Tendecia da FER/Rutura, é mais previsivel, dá grande enfase ao tema do trabalho, (um tema que lhe é particularmente querido e importante, mas que tambem nao é nada substimado pela moçao da direção BE), concentrando tambem a sua atençao nos estatutos de ou para o partido.

    no fundo nada disto é novo em convenções, no fundo “não ha nada de novo por baixo do sol”, será novamente a estratégia da continuidade do sucesso a par da estrategia residual mas de grande importancia de tentar a influencia sobre a direção de temas que em boa verdade não podem realmente ser substimados. por tudo isto e muito mais que não se pode explanar numa caixa de comentarios, fica a convicção que será mais uma grande convenção onde o partido no seu todo (direcção e tendencias) sairá mais fortalecido ainda, dando assim mais um passo em direção a um BE de alternativa unica e credivel a este Partido socialista (socialista!!???)
    que pelas suas medidas entra em contradição absoluta com o povo de esquerda.

    Entretanto aguardam-se novas moções

    Ant L

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    Luís, era preciso é que essa essa candidatura existisse. E infelizmente, as circunstâncias políticas não são as que nós decidimos que sejam. Suponho que votaste num candidato que não era o único da esquerda. Ou seja, esse foi um problema geral da esquerda, não específico do BE, que foi aliás dos últimos a apresentar a candidatura.

    Mas, Luís, se não me levas a mal, preferia mesmo debater mais do que a mera táctica das eleições presidenciais que, na minha modesta opinião, foram perdidas porque nem o PS conseguiu garantir a sua unidade.

    António,

    Já li entretanto uma terceira moção que é igual há que foi entregue há dois anos e paupérrima. Só se for a quarta, que não li, mas que penso não pretende ser alternativa. Mais nenhuma existirá porque o prazo de entrega das moções acabou ontem à noite.

  4. 4 4  CAPOM

    Caro Luís Lavoura, não posso concordar com a sua observação. A partir do momento em que o PS não se une em torno de uma candidatura, a única coisa que o BE e o PCP, podiam fazer era tentar que as pessoas de esquerda se identificassem por uma candidatura inequívoca, uma vez que o saco de gatos, normalmente cohecido com PS, tinha feito asneira. A candidatura do Francisco Louçã serviu para minimizar a abstenção na esquerda e para tentar que algum do eleitorado de esquerda do PS pudesse votar numa outra personagem à esquerda.
    Mas o danos eram já demasiado alegres e profundos …

  5. 5 5  Daniel Oliveira

    As presidenciais é o assunto mais estafado do ultimo ano.

  6. 6 6  Cabral

    Isto e’ um debate inexistente. O pessoal da FER ha muito que diz que sai e nunca se envolveu tirando na colagem dos cartazes la proximo da fundacao do BE. E’ surreal que pudessem ganhar o congresso.

    A tua reflexao marca uma demarcacao clara com a extrema esquerda, como se vanguardismo e reflexao teorica ou detalhe na politica internacional fossem palavras sujas. Muitos de nos ja calculavamos este percurso e por isso nao nos coligamos ao BE, sabiamos que eram garantias ocas, de gente ate amiga como o Jorge C., de que nao haveriam negociatas parlamentares.

    A extrema esquerda nao quer partido de governo ‘a esquerda, quer um partido de denuncia e escandalo, quer incendiar as massas, quer pensar politica.

    A democracia ainda esta por nascer em baixo, e a moralidade dos representantes ainda que com merito, nao o substitui. O BE nao tem nem quer ter estrutura para isso.

  7. 7 7  Luís Lavoura

    Daniel, eu sei que as presidenciais são um assunto estafado. Eu sei que foram perdidas por culpa de outros partidos que não o BE. Eu sei que o BE teve que atuar nas más circunstâncias que os outros criaram. Tudo isso é verdade. Mas penso que, mesmo nessas circunstâncias, o BE deveria ter procurado um(a) candidat@ que pudesse ser um exemplo para outros partidos. Um(a) candidat@ na medida do possível supra-partidári@ e consensual. Mesmo que fosse um militante do BE, um(a) candidat@ que, à partida, pudesse ter a esperança de reunir votos vindos de outros lados.

    Ao apoiar Louçã, o BE seguiu exatamente a mesma medida que o PCP ao apoiar Jerónimo. Em vez de tentar, pelo menos tentar, dar um exemplo daquilo que se deveria ter feito.

    Mas talvez eu seja um sonhador.

    Nota: votei Louçã, apesar de tudo.

  8. 8 8  tiago castelhano

    De facto a mentira pode justificar sempre muita coisa,é engraçado ver o senhor utilizar argumentos que condena a adversarios fora do partido.
    O bloco quer-se revolucionario, e se o partido tem uma militancia pouco participada será então pelas estratégias que tem sido seguidas ou será culpa do ruptura?? Para o senhor talvez seja…

  9. 9 9  Daniel Oliveira

    Tiago, não percebi o que quis dizer. Como me trata por senhor, depreendo que não é militante do Bloco. Mas posso tirar-lhe alguma dúvida, se a tiver.

  10. 10 10  The Studio

    O que se está a passar no BE era de todo previsível, mas para se compreender um pouco melhor, convém recuar no tempo até. A espinha dorsal do BE é o antigo PSR, que eu conheci muito bem e a cuja sede na rua da Palma fui muitas vezes. Os membros do PSR, entre os quais tinha muitos amigos, eram de uma forma geral pessoas cultas, com um grande conhecimento sobre ideologias, capazes de debater qualquer questão ideológica e que conheciam “O capital” de trás para a frente. Eram aquilo a que se poderia chamar uma “elite intelectual”. Porém tinham um problema: Nunca conseguiam eleger o seu líder Francisco Louçã para o parlamento por escassas centenas de votos. E aí lembraram-se do ovo de colombo: Ao PSR bastaria assimilar os pequenos partidos de Extrema Esquerda de diferentes correntes doutrinárias que pululavam por aí, numa plataforma de Esquerda unida, para conseguir os votos suficientes para eleger Louçã. Por curiosidade, entre eles estava o Política XXI, defensor de políticas do século XIX e que dá nome ao meu blog “Política XIX” (trata-se apenas de uma correcção ao nome desta formação política).

    Com isto surgiu o Bloco de Esquerda e Louçã foi finalmente eleito para o parlamento. As divergências doutrinárias foram esquecidas em nome da unidade, da coesão e da necessidade de ter deputados no parlamento. E com isto o BE cresceu. O seu discurso moralista e anti corrupção atraíu muita gente farta de casos de corrupção uns atrás dos outros. A capacidade retórica e demagógica de Francisco Louçã, o seu discurso novo, as suas campanhas imaginativas ganharam muitos votos entre os desiludidos da política mas que tirando o seu descontentamento com a classe política, pouco ou nada têm que ver com a ideologia do BE.

    E assim o BE cresceu e cresceu muito. Cresceu de 1% para 5% ou 6%. O problema é que esses intelectuais eruditos continuam a ser 1%. Entre os restantes há de tudo, desde os que votam BE porque dá um ar superior até aos oportunistas. E naturalmente que entre os intelectuais originais se gerou um mal estar perante o tipo de gente que se associou ao BE e que de certa forma fora o que eles sempre combateram.

    Além disso, Louçã percebeu que só seria levado a sério pela restante classe política se fosse muito mais moderado que nos tempos do PSR. E assim fez. Isso foi interpretado como uma traição pelos “esquerdistas puros” que o levaram ao parlamento e que não abdicam do seu radicalismo. Além de Louçã, há muitos outros que se moderaram para ser levados a sério, como o caso do Daniel Oliveira que já não defende o ditador cubano Fidel Castro, o socialista Hugo Chavez ou o carniceiro
    Mugabe que procedeu a uma limpeza étnica e arruinou o Zimbabwe. E isto é uma traição para os “puros”, com os quais, ainda me lembro de ter acaloradas discussões sobre a “revolução” de Mugabe nos fóruns da internet. Acresce-se ainda outros bloquistas que já se acomodaram a comer à mesa da restante classe política, como a Joana Amaral Dias que qualquer dia dá o salto para o PS.

    E pronto, o problema do BE é o problema de qualquer partido que cresce (entram sempre pessoas que pouco ou nada têm que ver ideologicamente com o partido) e que quer ser levado a sério (tem que abandonar o discurso mais radical). Tão simples quanto isto.

    Quanto ao resultado do congresso não vai haver surpresas. O lider vitalício Francisco Louçã, como bom seguidor de uma doutrina ditatorial irá impor a sua vontade e ser eleito de novo. A única questão que se coloca é sobre a capacidade dos intelectuais “puros” para engolir sapos. Acredito que um dia irão sair e criar um novo partido à esquerda do BE com as características originais do BE não adulterado. Não se sabe é quando.

  11. 11 11  The Studio

    O Tiago Castelhano diz tudo numa frase: “O Bloco quer-se revolucionário”. Esta é simplesmente uma divergência entre os que querem um Bloco Revolucionário e que o Daniel interpreta como voltar atrás, e os que querem um Bloco sentado à mesma mesa dos outros partidos como forma de ter influência, mas que os revolucionários consideram como cedências inaceitáveis à causa revolucionária.

  12. 12 12  Daniel Oliveira

    É a primeira vez que vejo alguém tentar falar de cátedra sobre a esquerda porque foi beber uns copos ao Palmeiras. The Studio, volte lá para os debates sobre a pureza ariana e sobre os perigos da invasão negra, que não podia haver pessoa mais deslocada nesta conversa do que o senhor.

  13. 13 13  José Manuel Faria

    A existência de 4 Moções é muito bom. Espero que sejam claras e objectivas, sem rodeios, que apontem uma estratégia de unidade de esquerda dentro de uma pluralidade de pensamento político sem exclusões. A FER faz muito bem em apresentar uma alternativa, até para mostrar quanto vale dentro do Bloco, pois tem tido muitas vezes uma opção fortemente crítica à Direcção. Ainda não li nenhuma das Moções, espero com calma.

  14. 14 14  Fernando

    Já li as duas moções e subscrevo sem reservas tudo o que dizes e naturalmente a proposta da direcção nacional. O Bloco deve produzir propostas políticas, sérias, rigorosas, confiáveis e consistentes, que afirmem uma alternativa de esquerda, social e política, o mais larga e plural possível, sem preconceitos “ideológicos”, ou formatada em velhos conceitos ortodoxos, que serão, porventura interessantes de discutir noutros fóruns, mas são seguramente desalinhados com um projecto político para “hoje e agora” que procure e dê respostas políticas a uma ofensiva ideológica neoliberal que pretende fazer crer aos incautos da inevitabilidade e falta de alternativas concretizáveis, de certas medidas, como as que os governos do CENTRO político tem vindo a adoptar, com algum protesto, bastante resignação, e muita aceitação, com o apadrinhamento de sectores que se deixaram cegar por este marketing político. Naturalmente este caminho trás dificuldades, problemas, arrasta oportunismos, protagonismos, aproveitamentos indesejáveis. Mas esse é o risco de quem pretende construir uma verdadeira alternativa de esquerda, de defesa dos direitos sociais, dos serviços universais, de uma sociedade e um mundo melhor, mais justo, mais solidário, para ser melhor vivido, por todos, tendo em atenção particular, os que de entre nós mais sofrem com as desigualdades, e sem condições dignas de existência. E quanto mais depressa melhor. Não é com fechamentos ideológicos, com políticas restritivas, num tempo em que a globalização requer adaptação política e ideológica, para corresponder aos novos tempos e novas necessidades, (mas que vai criando novas desigualdades)das pessoas. Os riscos desta política são conhecidos mas cabe-nos fazer alguma coisa para melhorar a vida das pessoas e mudar a sociedade e não apenas fazer declarações pungidas, mas sem correspondência prática.

  15. 15 15  The Studio

    O espírito democrático é como o azeite… vem sempre ao de cima. Quem não tem cartão do partido não tem direito a opinião. Pois é Daniel, eu conheço o partido por dentro e bem melhor do que julgas.

  16. 16 16  Cabral

    The Studio,

    Quem conheceste tu que sabia O Capital de tras para a frente? Humm, isto soa-me a caricatura….

  17. 17 17  isabel faria

    Daniel, e a resposta, camarada também lá terá que ser cumprida..que gaita!!!

    Então lá vamos:

    “Por isso, uma e outra devem ser lidas pelo que dizem, mas também pelo que não dizem e por o que tem defendido quem as assina.”
    partindo do principio ,que não quero acreditar, que não estás a chamar ninguém de hipócrita, entendo a parte de “quem as assina”, não a “do que não dizem”. Na parte do quem assina, claro que estás a ter em conta as diferenças que podem haver (e ainda bem que as há) entre o Miguel Portas e o Francisco Louçã. Entre a Joana Amaral Dias e o Luís Fazenda. Ou entre mim e o Gil Garcia. Ou o Daniel Arruda e o João Delgado. Diferenças salutares num Partido que se quer aberto.
    A parte de que não dizem tudo, essa sinceramente não entendo. Que são o resultado de muita discussão, porque num Movimento como o BE, seguramente há entre as pessoas que assinam qualquer delas, muitas que se não revêem em cada uma das sua linhas, plenamente de acordo. Sei que houve uma discussão alargada para a elaboração da Moção da Direcção. Seguramente foram ficando pelo caminho algums coisas que alguns camaradas tinham por e para dizer, ou não? Na nossa foi. E isso é mau?

    “A da lista mais próxima da corrente Ruptura/FER vai ao mais ínfimo pormenor (do Haiti à Palestina) em matéria de política internacional, concentrando maior atenção em qualquer assunto em que tenha existido qualquer divergência política no Bloco.”
    Aqui desculpa não te entendo. Considerar, quando se tenta fazer uma análise do Mundo que a Palestina é um infimo pormenor, não esperava de ti. Não esperava de um militante de Esquerda. Nem esperava, sequer, de alguém que que viva neste Mundo. Mas possivelmente não entendi o que quiseste dizer. Mas deixa-me só juntar uma pergunta: infimos para ti ou sem serem infimos para nós, com segundas intenções para ti, porque os consideramos importantes, nós, em que é que não concordas? Na análise da Palestina? Da Améríca Latina? Na necessidade de unir a Esquerda mundial para lutar contra a invasão do Iraque e a seguir pela sua laicização e democratização? Ou achas que não existem tentativas neo-colonialistas australianas em Timor Leste?
    E já gora, pporque sou algo novata nestas coisas, em que é que difere a nossa posição quanto à palestina da do BE?

    Sobre o aborto:
    “Há duas frases sobre o que foi conquistado pelas mulheres. O resto, sobre as vantagens que o governo daí retirou.”
    Aqui sabes, Daniel, se leres a nossa moção que não estás a dizer a verdade.
    Não vou encher-te o Arrastão com o ponto 2.3.3 da nossa moção. nem com o ponto 2.4.2. da mesma…só me resta a crescentar que participei activamente na campanha pelo SIM no referendo e que o teu erro continua a ser de fundo. O facto de SÓ quereres ver a FER na Moção, acaba por te tirar alguma visão correcta da mesma.
    No entanto, continuo a não querer acreditar que o fazes po mal…só porque não contaste bem as frases. E te esqueceste que assinam a Moção camaradas que deram o litro pelo SIM no Referendo…o resto da tua dissertação sobre os impuros e etc, permite-me que não a discuta sequer. Não me diz respeito. Não é o fio condutor da Moção e apesar daquela tua tentativa de que há coisas que não dizemos…são as moções que estão em cima da mesa, camarada. Mas já agora só para que eu entenda (eu que estive com o PS onde foi preciso estar…e com militantes do PSD onde foi preciso estar) concordas que o Governo não se meteu no Referendo só porque, de repente, se lembrou que era de Esquerda e tinha feito disso uma promessa eleitoral, não concordas?

    Aquele aparte de fazer exigências aos outros, aí eu concordo. Mas não por pureza. Por imperativo político. Porque queremos ser-lhes alternativa. Porque não queremos assobiar para o lado e ver os Sindicatos cada vez mais burocratas, cada vez mais isolados dos trabalhadores. As manifestações cada vez mais de calendário. Cada vez mais vazias, mesmo quando enchem as ruas. A exigência, eu concordo, Daniel. Mas repito não por pureza ideológica que não faço ideia o que isso é…mas porque se não formos alternativa cá fora, então porque é que decidimos, um dia, há oito anos, sê-lo no Parlamento?
    Não ter capacidade de mobilização passa por de uma forma acritica aceitar que a CGTP meta o Código de Trabalho na gaveta? E passarmos já a só pensar na Flexisegurança que aí vem? Assim tipo o que o PC faz sempre às revisões contitucionais? Se tivessemos apenas contado com a nossa capacidade de mobilização, ou, no caso, com a capacidade dos pequenos grupos que formaram inicialmente o Bloco, se não tivessemos ousado propôr alternativas, fazer ouvir a nossa voz, crescer, o Bloco tinha algum dia sido para a Esquerda o que tu dizes e bem que hoje é?
    Contentarmo-nos em sê-lo, apenas, eleitoralmente, parlamentarmente,não te soa a pouco,Daniel?

    Ah, e sim da pureza original, eu, subscritora da Moção que teimas em chamar da FER, tenho alguma. Mas é a do BE, do “Começar de Novo”. Onde nunca ninguém me perguntaria de onde vim, ou me acusaria de querer ir para outro lado qualquer se ousasse discordar dos moldes em que decorresse um Encontro Temático…mas se é de ter saudades da democracia interna, bem então somos todos puristas…na vossa moção ela também é umas das preocupações…

    Quanto ao PEE. Faz-me sempre um bocado de confusão, a confusão que alguns camaradas fazem da palavra Demarcar. Demarcar da Refundação Comunista é metermo-nos na vida de alguém para além de ser metermo-nos na nossa vida? Estariamos no Governo de Prodi? Estariamos num Governo que continua a aplicar a politica laboral e social de Berlusconi? Expulsariamos um camarada nossa do Partido, porque ousasse votar contra a maioria no Parlamento?

    Deixa-me só terminar com este bocadinho do “Começar de Novo” que ontem deixei no Troll:
    “Uma Europa que respeite a
    soberania das suas nações, seja capaz de sustentar as conquistas sociais, que não
    prescinde do objectivo do pleno emprego e que, ao mesmo tempo, é capaz de interrogar
    a sociedade de consumo em que vive e o seu papel na economia mundial e nas relações com o Terceiro Mundo.” É assim tão errado querermos demarcar (repito mais uma vez o verbo para que não fiquem dúvidas) de um Partido que participa num Governo que não defende esta Europa que é a nossa?
    E demarcarmo-nos dele é metermo-nos nos assuntos dele, ou não abdicarmos de principios nossos?

  18. 18 18  Daniel Oliveira

    The Studio, não é não ter cartão do partido: a opinião de um racista confesso, de alguém que dedica metade dos seus posts a ofender qualquer pessoa de cor diferente e de um neo-fascista sobre o Bloco não me interessa para nada. Mais claro: a sua opinião sobre o que quer que seja é-me absolutamente indiferente. Nada de anti-democrático. O The Studio fala sempre que quiseres. É um direito que quiser e eu defenderei o seu direito a falar. E eu uso do meu direito a não querer saber o que diz. Posso?

    Eu leio o seu blogue, vejo o que escreve e com quem escreve noutros blogues. Não lhe dou conversa. Porque eu, no exercício da minha liberdade, debato apenas com quem quero.

    Se conhece bem o BE é capaz de ter razão: qualquer um entra cá dentro. Ainda assim, tem de me apresentar as pessoas que conhecem o “Capital” de trás para a frente. Até hoje não conheci nenhuma e privo com gente que dedica a sua vida aos estudos marxistas. Mas imagino que sabe muito bem do que fala. Como seu viu, aliás, pelo seu comentário. É profundo conhecedor da história da esquerda.

  19. 19 19  isabel faria

    Esqueci-me de uma coisa.
    Pretendi no meu comentário rebater as afirmações que fizeste no teu post. Sobre a minha análise à vossa moção (às outras não as conheço, mas não gostei do adjectivo…ainda, por cima superlativo. Perece-me um pouco sobranceiro, mas é, apenas, uma opinião…) e as razões que me levam a subscrever uma outra, vou-as deixando pelo Troll e pelo Alterbloco. Não para não as trazer para aqui. apnes porque o parvo do tempo não estica…).

  20. 20 20  Daniel Oliveira

    Isabel, tenho em conta tudo isso e a correlação de forças (não apenas numérica) em cada grupo de subscritores. A moção que assinas é absolutamente coerente (ainda mais do que eu esperava) com tudo o que a FER defendeu nos últimos anos. É justo que o assinale.

    Entendeste mal a parte sobre o que não dizem. Inclui a minha própria moção. Na política, o não dito não implica hipocrisia. Implica escolhas. Eu posso não dizer coisas ou porque acho irrelevantes para o debate, ou porque não acho que seja o tempo das dizer. Os documentos políticos não são uma conversa de café. Medem e devem medir as palavras. Nada tinha de ofensivo, muito pelo contrário.

    Na parte internacional não me referia à Palestina, como é evidente. PEE, Líbano, Itália, está lá tudo.

    A história dos impuros é absolutamente transversal à moção que assinas, a começar pela história do PEE.

    Não se fazem exigências aos outros. Conquista-se o apoio para mudar as coisas. Eu quero sindicatos mais democráticos. Mas para isso tenho de ganhar gente que não está no BE para o conseguir. E começo por não escrever numa moção do BE como e quando deve a CGTP fazer greves. Posso debate-lo no Bloco, como em qualquer outro fórum. Mas não dou directivas oficiais à CGTP. Já basta o PCP.

    Por fim: a moção é da FER porque corresponde, alínea a alínea a tudo o que a FER tem dito e defendido. Respeito (como não poderia deixar de respeitar) a tua decisão de a subscrever. Mas não sinto que nada tenha mudado no discurso por isso. E provavelmente não achavas que devesse sentir e estás no teu direito.

    Eu não falo da FER por ser uma corrente. É porque ela se organiza como tal, tem posições políticas dentro do BE e uma estratégia própria. É justo que fale assim.

    Quanto ao PEE, terás razão no momento em que o PEE defender posições com as quais discordamos em absoluto. Eu tenho uma posição clara sobre Chávez e não me pus a exigir que num documento que define a política do BE para os próximos dois anos esteja uma demarcação em relação a Chávez (e no caso, até acho que há mais questões de principio envolvidas do que em relação á Refundação). Eu não suporto o PCF, e não acho (curiosamente a vossa moção também não, mas provavelmente acharam que isso não era suficientemente fracturante) que deva haver uma demarcação em relação o PCF, que faz parte do PEE. Por uma razão simples: é absolutamente indiferente para o que o BE vá fazer e cria divisão sem ser para construir nada. É esse o meu problema com o vosso documento. Quer clivagem sem ser para fazer clarificações necessárias. Se eu quisesse um documento em que me revisse em absoluto apresentava um só meu. E essa cultura de construção de alianças que a FER não tem. Nunca teve.

    Nisto tudo, volto a insistir numa coisa; nunca me verás medir o trabalho de ninguém para fazer criticas. Aqui debato política. Apenas isso.

    Sobre as referências no aborto, centrei-me no ponto 2.3.3, que era o que fazia a análise do referendo, já que o outro tem a ver com propostas para o trabalho do BE no futuro. E mesmo esse, fala apenas da campanha e não muito da importância desta vitória. Sobre a importância concrecta desta vitória concreta, ou seja, sobre a importância de despenalizar a IVG, diz-se muito pouco. Sobretudo quando comparado com o que o se diz sobre o que o governo terá ganho, o que, na minha opinião, é irrelevante perante o que estava em causa. O peso das palavras conta. Talvez haja mais do que duas frases, mas acho que percebeste bem o ponto e que ele está certo. Ainda assim, por respeito á tua ressalva, fiz uma alteração no texto.

    Não acusei ninguém de não trabalhar na campanha. Nunca o faço, nem faria. O debate é sobre a estratégia que cada um defendeu para a campanha. Não é uma avaliação, absolutamente sem sentido, do trabalho de cada um. Não sou nem nunca fui um tarefista e muito menos controleiro. E conheço várias pessoas da FER (já nem estou a falar de ti) que trabalharam imenso na campanha. Não é essa a discussão. Como permito que qualquer pessoa, sabendo o que trabalhei, me faça todas as criticas políticas sobre as estratégias que defendi. Porque é apenas disso que estamos a falar.

  21. 21 21  a.pacheco

    Começo por refutar a tentativa ( canhestra aliás) de reduzir a questão da fundação do Bloco ,á tentativa de uma organização de esquerda revolucionária de querer eleger o seu lider.

    Se isso fosse verdade , e a fundação do Bloco, não viesse ao encontro da aspiração de milhares de militantes da esquerda que há muito não se sentiam representados nos partidos de esquerda, o Bloco teria rapidamente desaparecido.

    As condições objectivas da sociedade portuguesa, fizeram aquilo que o Bloco é hoje, talvez que haja gente que reduza tudo á vontade de meia duzia de iluminados ,mas os 360.000 votantes nas ultimas eleições legislativas são a melhor prova, de que o Bloco, é muito mais do isso.

    Para mim a exposição mediatica do Louçã, é uma consequência da personalização da politica portuguesa levada a cabo pela Comunicação Social, pode-se fazer uma acção com centenas de activistas, podem-se discutir as questões mais importantes sobre rumos para o país, se o Louçã não estiver na tribuna é certo e sabido que a C. S. ignora, mas isso é o que se passa no PSD, no PS, no PCP, no CDS, e até no novel partido RACISTA ( de que me dispenso de dizer o nome) que colocou a fronha do gauleiter no já tristemente famoso cartaz do Marquês.

    Mas para mim o que é estranho é quem ponha em dúvida a democracia interna do Bloco, NUNCA nenhum militante foi expulso, NUNCA foi coartado a quem quer que fosse a possibilidade de divergir das orientações da direcção, nunca durante estes oito anos alguem foi sancionado por delito de opinião, então porquê este subito afã de se falar em falta de democracia.

    Quanto ao PPE o Bloco faz parte dele como parte integrante de uma alternativa de esquerda europeia, á visão actualmente maioritaria na CEE, é logico, que todos os partidos do PEE são autonomos, é logico que eu não me revejo em muito do que a Refundação Comunista Italiana defende, mas será que eu tenho todos os elementos do que é o microcosmos politico italiano….

    Agora em relação ao que se passou sobre as tropas italianas do Afeganistão e a consequente expulsão de dois senadores relapsos, espero , e luto para que o Bloco NUNCA enverede por esse caminho.

    Por ultimo, a minha concepção de democracia partidaria, é que não se devem silenciar, mas tambem não se devem sobrevalorizar as correntes minoritarias.

    Elas são parte integrante deste cadilho de vontades chamado Bloco, mas não podem esperar que por manobras mais ou menos reprovaveis, tentem valer mais do que na realidade valem

    E para mim já o disse e repito, para quem puser o Bloco á frente do espirito de grupinho, este problema não terá qualquer relevancia, agora quem se sentir ungido para aplicar aquela que seria uma pseudo linha justa, e se sinta qual iluminado, que quer salvar o Bloco de uns quantos reformistas empedernidos, certamente o colectivo partidario dir-lhes-á maioritariamente

    EU NÂO VOU POR AÍ.

  22. 22 22  isabel faria

    Daniel, a questão da diferença entre o PCF e a RC parece-me óbia, no contexto em que vem à baila a RC.
    Afinal a RC está no Governo, ou não? E Bertinoti não é uma pessoa qualquer no PEE…nem na RC.
    No entanto, reitero o que disse. Demarcar não é criar cisões. Demarcar é marcar diferenças.

    A parte das duas ou mais linhas em relação ao aborto é porque tu te focaste em números…falamos duas linhas …e em tamanhos…fomos aos mais infimos pormenores…se achassemos que esse tipo de discussão serviria para alguma coisa, iriamos contar as linhas da vossa moção sobre o Referendo…ou as da situação internacional. Ou teriamos que discutir se a opção por generalizar, pela qual voc~es enredaram, ou a de focalizar, que escolhemos, é mais ou menos correcta…seriam, apenas, opções, se nelas não teimasses em ver, necessidades de acirrar possíveis divergências…

    A.Pacheco, desculpa responder-te aqui…mas é só para te deixar este excerto duma notícia do Sol desta manhã.

    “O Bloco não se alargou o que era necessário e vive com rotinas organizativas que o fecham, activismo ainda reduzido, democracia interna pouco participada e presença pouco politizada”, afirmou ontem Miguel Portas na conferência de imprensa em que foi apresentada a moção.

    Como dizes e bem, ninguém foi expulso por pertencer ao BE. Mas como podes confirmar não é por isso que nos preocupamos com o défice de democracia dentro do Bloco. Todos. A Direcção do Partido, inclusivé.

  23. 23 23  Cabral

    Nem o Bloco e’ um albergue de iluminados nem e’ um movimento de massas. Havia o terror por parte do PC que o BE lhes roubasse votos, nao se verificou. Nao sei se ha estudos detalhados mas a impressao geral e’ que o bloco colhe o voto da classe media, a esquerda do PS, e aquela que se desiludiu e ha muito abandonou o PC.

    Mas para mim isso nao chega. E para quem quer ser de esquerda nao deviam chegar vitorias eleitorais pequeninas e negociadas.

    Muito me entristeceu que o BE abandonasse a manif unitaria contra a guerra do Iraque para fazer um triste espectaculo poucas horas depois no Chiado com uns 60-70 gajos (disseram-me). Se isto e’ medo do esquerdismo entao sao covardes, se e’ expediente de diferenciacao politica e’ oportunismo.

    O radicalismo e’ o que nos defende contra a pasta cinzentona de deputados e ministros. E e’ essa distancia que nos permite ver uma sociedade melhor.

  24. 24 24  FT

    A pureza de que fala não se resume ao conteúdo de cada moção, pelo menos para aqueles que, como eu, observam de fora.
    Tenho votado no BE desde certo momento em que este começou a apresentar uma certa coerência no discurso e abandonou certos lirismos que colocavam temas marginais ao mesmo nível que temas realmente importantes: saúde, educação, emprego, opções de política orçamental, etc. Votei por outra razão ainda, a de não me fazer impressão a palavra “esquerda”, tão grata ao BE e que a maioria dos portugueses nem sabe o que é. Esquerda pode dizer-se de muitas formas sem dizer a palavra, palavrão para muitos, esquerda. Esquerda diz-se quando se defende o estado social, a igualdade de oportunidades, saúde e educação condignas para todos. Isto os portugueses entendem e entendê-lo é uma fase crucial para a mobilização e para conseguir votos. Dizer esquerda, esquerda, esquerda, resulta, mais vezes do que possam imaginar, como bloqueio a esse entendimento, ao ouvir esquerda há quem não ouça mais nada, aqueles para quem esquerda é coisa má.

  25. 25 25  Cardoso

    Afinal não é só o PC que tem Ortodoxos

  26. 26 26  Daniel Oliveira

    Isabel, a vossa moção exige que o PEE se demarque, não pede que o BE se demarque. Ou seja, na prática (e a política olha para consequências) exige ou que a RC saia do PEE ou que o BE saia do PEE. Por isso sim, é de uma cisão que se fala. Aliás, objectivo já explicitado pela FER na última convenção. Aí, nada de novo. Apenas pporque quase não teve apoio, optou por esta formula.

    Cabral,
    Estás enganado em relação à actual estrutura eleitoral do BE. Mas isso seria outra conversa.

  27. 27 27  Nuno Zimas

    Estive na assembleia de fundação do BE, creio que em Fevereiro de 99 no Forúm Lisboa. Acompanhei todo o processo de gestação do projecto desde um dos tais partidos de “extrema-esquerda” que mencionas com certo desdém. Curiosamente, o partido que liderava a cabeça pensante que pôs em marcha a concepção bastante sedutora de “acrescentar Esquerda à esquerda”, de construir uma alternativa credível num espaço político ambíguo, algures entre a dissidência do PCP e malta do PS que se atém a determinados valores “socializantes” e a “causas justas”. Não falo do PSR nem do Chico Louçã, como muitos poderiam supor. Falo de Luís Fazenda e da UDP (agora recauchutada como “associação política de natureza comunista”, se entretanto não se extinguiu por completo), verdadeiro eixo motriz de todo este movimento de grande êxito eleitoral e quase nulo impacto social que conhecemos.
    Na minha curtíssima passagem pelo BE, do qual me auto-excluí em Junho de 99 com outros camaradas, compreendi que o BE se concebeu para o mesmo fim que qualquer outro partidozinho da Esquerda pequeno-burguesa materialmente remediada, com os adornos progressistas da moda, claro está: distribuir tachos tão depressa como as urnas assim o decidissem.
    Não há nada como conhecer um político institucionalizado antes e depois de o ser. Passa um gajo de secretário-geral de um partido marginal com um “sombrio” passado Hoxhista a senhor deputado da nação e muda por completo a priorização temática, o discurso suaviza-se… enfim, o travestismo do costume.
    Exactamente por apreender a essência não-democrática do organigrama emergente na altura, onde o vedetismo mediático se impôs a qualquer outro critério, decidi afastar-me para não interroper o festim. Também percebi que direito de tedência que tanto louvas no teu texto só é tolerado até ao ponto em que possa interferir com a linha definida pelos mesmos caciques nestes 8 anos. Um pouco à semelhança da democracia vigiada em que vivemos. Deixam-te palrear à vontade conquanto não ponhas em causa interesses establecidos ou a sacralidade de certos príncipos, como a propriedade privada dos meios de produção (usar calão marxista em 2007, quanta tibieza e incapacidade de absorçao do politicamente correcto; “não é defeito, é feitio”, como dizia o eterno candidato do BE a todas as encenações sufragistas de maior alcance; as restantes ficam para o Portas). O que mais me entristece no BE que temos não são os delírios megalómanos da FER, mas sim a prevalência da cultura de oligarquia partidária, além do flagrante desmazelo ideológico. Não me interessa uma porra formar alianças com o mero intuíto de aumentar a massa [a]crítica do movimento com preocupações pouco mais que aritméticas. Ampliar e ter presença social é importante, com certeza muito mais importante que a visibilidade mediática. Garantir solidez ideológica claramente MARXISTA (espero que não te rebentem as pupilas) e acabar de uma vez com a Mesa Nacional dos barões, baronesas e aprendizes de barão (qual corporação medieval) parece-me ainda mais relevante.
    É bom que se entenda que o BE nasceu com a cumplicidade ingénua de um punhado de “radicais” comunistas não dogmáticos que estavam empenhados em construir algo substancialmente distinto do que a a cúpula da direcção implementou no terreno. Uma Esquerda para quem a queira, inclusiva, mas não com todos.
    Que siga o banquete e a pândega! Estas intrigas picarescas vistas de fora são pouco mais que comezinhas frivolidades de café.
    É preferível ir só a algum lado que com todos a lado nenhum.

  28. 28 28  António João Sequeira

    A minha alma está parva, com 52 anos de idade e uma militância de muitos anos, nunca vi tal coisa, em vez de promoverem o debate sério e nos locais proprios, núcleos, distritais, vêm para a praça publica falarem de banalidades e alimentar os seus proprios egos. Quando é necessário haver debate não o promovem, quando é necessário tomar uma posição critica calam-se.
    Felizmente sou só e simplesmente militante do Bloco de Esquerda

  29. 29 29  a.pacheco

    Cabral quem dividiu quem….

    O que houve no Rossio foi um protesto organizado pelo PCP encoberto por organizações pseudo-unitarias de cerca de 200 pessoas.

    Aliás o que é relevante é que nem o protesto do Chiado organizado pelo Bloco nem o protesto do Rossio organizado pelo PCP, tiveram eco.

    E penso que o povo do Iraque , e o repudio pela ocupação americana mereceriam outro tipo de adesão.

    Isabel democracia interna pouco paricipada não é o mesmo que falta de democracia, penso que tu vez bem a diferença, e no fundo, até nem estás de acordo com os companheiros da tua moção, quando tentam subtilmente referir isso.

    Aliás basta ver o teu TROLL para ver que quando não se está de acordo com algo que o Bloco faça, ninguem se coibe de opinar criticando.

    Queres maior prova de liberdade de opinião.

    Sobre o PEE só posso dizer que ele é formado por um conjunto de partidos que se reclamam de esquerda mas que têm historias politicas e formas de actuar bem distintas.

    Aliás essa é uma constante de todos os grupos formados no PE( talvez com excepção do novel de extrema-direita , mas aí o tipo de discurso anti-democratico, racista e xenofobo, só tem um sentido, não há lugar a diferenças de opinião , é tudo o mesmo rebotalho)

  30. 30 30  Viagem pelas ruas da amargura

    Caro José Manuel Faria

    Se, porventura, ainda necessitar de alguma das quatro moções, faço o favor de dizer… Embora esteja esteja directamente empenhado (”implicado”? numa delas terei o maior prazer em fornecer-lhe as quatro de uma só vez.
    Pedidos gratuitos a “viagempelasruasdaamargura@gmail.com”.

  31. 31 31  Viagem pelas ruas da amargura

    Caro Fernando

    “Já li as duas moções e subscrevo” (…). Então?! E as outras duas?!

  32. 32 32  Viagem pelas ruas da amargura

    Caro colega
    Lamento informá-lo que acabo de ler uma série de disparates por si subscritos a propósito das 4, repito, quatro propostas (desculpe o pormenor, PROPOSTAS!) de moção de orientação submetidas à Comissão Organizadora da Convenção do Bloco de Esquerda, a 5.ª no caso.
    Dado o adiantado da hora, prometo, solenemente, escrever-lhe ao longo do dia de hoje, na tentativa (vã?) de lhe responder ao mesmo nível ao seu auto-intitulado texto “pessoal e intransmissível”.
    Um grande bem haja para si, caro colega.

  33. 33 33  isabel faria

    Daniel:
    “Os representantes do Bloco de Esquerda no Partido da Esquerda Europeia deverão nos órgãos próprios manifestar uma posição fortemente crítica da participação de um membro do PEE, a Refundação Comunista, num governo cujas políticas não contrariam a ordem capitalista vigente, aprovam a presença militar da NATO no seu país e são cúmplices da “guerra infinita””

    Os representantes do BE, está-se a referir a nó…somos nós e não o PEE. Porque teimas em ler o que achas que se encaixa no que queres ler?

  34. 34 34  Cabral

    Daniel,

    So me das trabalho! Agora vou ter que ir buscar os dados da Commissao Eleitoral por concelho e fazer o cruzamento com o perfil socio-economico dos censos, vai me levar uma semana a fazer…. Puff…

  35. 35 35  Daniel Oliveira

    Isabel,

    No mesmo ponto:

    «O PEE, ao não condenar o governo Prodi, é cúmplice dessas políticas.»

    Recorde-se que o “governo Prodi” inclui a RC. Não vamos continuar a brincar com as palavras. Não somos parvos e sabemos bem onde se quer chegar.

    António,

    Eu participo e sempre participei no debate político interno do BE, nas suas estruturas. Mas não acho que o debate político do BE tenha de ser feito exclusivamente fechado nas sedes. E nisso discordamos. Um partido deve debater-se (no que às grandes linhas políticas estratégicas diz respeito) aos olhos dos seus apoiantes, dos eleitores e da sociedade. Defendo uma cultura política onde o debate político (não estamos a discutir pessoas nem a difamar ou atacar seja quem for) deve ser feito com naturalidade, na praça pública. É esta a minha cultura e defenderei no BE que ela seja a do partido. Com civilidade (como é o caso) marcamos a diferença de um estilo fechado e secretista que não deve ter nada a ver connosco.

    Viagem pelas ruas da amargura,

    Como digo no texto só li duas. E só costumo comentar o que leio. Depois de escrever o texto li uma terceira moção onde se diz: “Consideramos que os argumentos aduzidos há 2 anos, lamentavelmente continuam pertinentes e em muitos aspectos são até, hoje, mais evidentes, pelo que recolocamos à discussão o mesmo documento “. Depois são acrescentadas questões temáticas

    Considero que recolocar à discussão o mesmo documento com umas adendas, depois de tudo o que aconteceu nos últimos dois anos, é no mínimo estranho.

    Se estás implicado numa delas terás de ser militante do BE. De onde, o tratamento por colega é absolutamente inadequado. Somos camaradas de partido. E os camaradas. não se tratam por colegas. Pode ser excesso de formalismo. Mas nestas coisas sou bastante rigoroso. Aos camaradas, por mais discordâncias que tenha com eles, trato ou pelo nome ou por camaradas. Nunca colegas.

    Nuno,

    Não vejo onde trato, em qualquer palavra, os partidos de “extrema-esquerda” com certo desdém. Falo de todas as compunentes do BE e eu estou incluído nelas.

    Pelo menos três moções estão aqui: http://bloco.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=21&Itemid=50

    Ando à procura da quarta.

  36. 36 36  Cabral

    Pacheco,

    E’ falso, se nao for mentiroso, que a manifestacao do Rossio foi do PCP. Vais-me dizer que o Tribunal Iraque que foi o principal dinamizador e’ uma organizacao encaputada do PC? Ve quem esta na organizacao antes de sair disparate.

    Mas a concentracao no Chiado foi so’ do BE.

  37. 37 37  Daniel Oliveira

    Nuno Zimas, reparei que escreveu no seu blogue que “obviamente” não publiquei o seu comentário no meu blogue. Como não tem comentários no nem mail no seu (ai a coerência!), deixo aqui o pedido de correcção.

    De resto, para além de não me dar ao trabalho de responder ao tom insultuoso para com outros, não me recordo, em nenhum documento do BE, de ver escrito que o seu objectivo era “garantir solidez ideológica claramente marxista”. Até porque, não sendo eu marxista, seria dificil ter sequer ajudado a fundar esse partido. A maioria dos militantes do BE serão marxistas (não sei nem acho relevante saber), mas outros não são. E no entanto decidiram formar um partido juntos. Não consigo por isso perceber a tua indignação.

    De resto, não consigo imaginar debate mais diletante do que este. E espera-se que um marxista nunca seja diletante.

  38. 38 38  The Studio

    Cabral:

    Saber O Capital de trás para a frente é evidentemente uma força de expressão, ou um hipérbole se preferires.

    Pacheco:

    Acho que não leste com a devida atenção o que escrevi. O que escrevi, é que o Bloco hoje é, como dizes, um partido com 360.000 votos e não apenas um partido de intelectuais.
    E sendo que desses 360.000 votos, a maioria não são intelectuais da esquerda pura, é natural que começam a surgir divergências.

    Daniel:
    Quando não se tem argumentos, a táctica habitual é rotular os outros de racistas e neo-fascistas e está o problema resolvido. Não sei exactamente o que é um neo-fascista, o que sei é que praticamente tudo o que defendo a respeito do funcionamento da sociedade é o oposto do Fascismo. Além de que, para mim, tanto o Fascismo como o Comunismo estão mortos e enterrados. Confesso que até me deixei rir quando me chamaste neo-fascista.
    Quanto a eu ofender pessoas de outra raça no meu blog, é falso. Referi alguns casos de assaltos à mão armada, que acidentalmente foram cometidos por Africanos. Aliás, gang que cometeu o assassinato de Benavente era composto por 5 negros e não por 3 negros e 2 brancos como erradamente fora noticiado.
    Como tu dizes e muito bem a respeito do Sporting e do jornal Público, ninguém deve ser criticado por dizer a verdade. Ao contrário do que julgas, eu não critico os africanos que entram de rompante em restaurantes ou hipermercados e assaltam toda a gente lá. Quem eu critico são os hipócritas que se recusam a ver que existe um problema de criminalidade violenta e permitam que haja vítimas mortais dessa hipocrisia.
    Quem eu critico são aqueles que juram a pés juntos que a imigração não é responsável pelo aumento da criminalidade mas depois todos estes assaltos à mão armada têm o mesmo factor em comum. Aliás, neste último assassinato, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras participa na procura dos criminosos, sabe-se lá porquê.
    A tua irritação deve-se apenas ao facto de te mostrarem que aquilo que defendes está em flagrante contradição com a realidade. Citando o Pacheco Pereira, “O problema não é o cartaz do PNR, o problema é a nossa hipocrisia em relação à imigração”. E eu não sou hipócrita, é isso que te deixa fulo.

    Quanto ao racismo, quem tem telhados de vidro não atira pedras ao ar. Ou já não te lembras de um texto publicado no Expresso da autoria de um tal Daniel Oliveira?

  39. 39 39  Viagem pelas ruas da amargura

    Caro Daniel

    Não consegui resistir à tentação de sorrir, primeiro, e ficar irritado, depois, com o que escreve neste seu “Texto pessoal e intransmissível”. Salvaguardando o direito à liberdade de expressão que assiste a todos, há coisas que assina e que, pura e simplesmente, não correspondem à realidade dos factos. O ta-ran-tan-tan da “democracia interna” é mesmo ta-ran-tan-tan, música para os meus ouvidos, porque apesar das ditas “regras claras e estatutárias para garantir a representação plural nos órgãos dirigentes” a verdade é que nem sempre as regras são cumpridas. E a unidade que tem existido não se deve à pluralidade e representatividade, antes ao facto de não existir sequer outro espaço político onde se reveja muito desta Esquerda que somos. Se não entender o alcance do que escrevo recomendo uma releitura do manifesto fundador. E se, mesmo assim, não estiver convencido proponho um exercício mais interessante ainda: peça à Coordenadora Distrital do Porto para contabilizar as Assembleias Distritais que promoveu num período à sua escolha – um ano, dois, os que quiser, até oito…

    Sorri, também, quando li que a moção mais próxima da direcção é a que faz “duras críticas à vida interna do BE”. Não querendo lavar a roupa na praça pública, atrevo-me a sugerir-lhe a leitura da quarta proposta de moção de orientação que, vá lá saber-se porquê!, ainda não está disponível online. Pelo sim, pelo não, o texto seguirá para a sua caixa de correio electrónico se me fizer chegar o seu endereço. Não sem antes lhe dizer que é doloroso ver partir simpatizantes a quem o Bloco não foi capaz (não quis?) dar resposta para as suas interrogações políticas. Na prática, quem não tiver qualquer relação com os grupos fundadores fica perdido, porque a estrutura Bloco não tem resposta. E acredite que já vi alguns saírem pela mesma porta por onde tinham entrado com ainda mais dúvidas na cabeça: afinal, é isto um partido-movimento inovador, aberto, com projectos fortes?

    Quanto ao “colega”, esquece!, era uma provocação bem ao jeito nortenho…

  40. 40 40  Daniel Oliveira

    The Studio, não é toda a gente. É você. Que é a única pessoa próxima das posições do PNR que aqui comenta com frequência. E não venha falar de rótulos, que a lista de insultos que já me dedicou no seu blogue é imensa.

    De resto, refere-se a assaltos de africanos (sempre de africanos) com uma regularidade quase semanal. E recordo-me das coisas que andou a escrever sobre os angolanos no europeu, tentando criar um ambiente de medo e de raiva, lançando gasolina para a fogueira que, aliás, não se verificou. Nada havia de inocente no que andou a escrever nesses dias.

  41. 41 41  Daniel Oliveira

    «E a unidade que tem existido não se deve à pluralidade e representatividade, antes ao facto de não existir sequer outro espaço político onde se reveja muito desta Esquerda que somos.»

    Espero que não esteja no BE por falta de melhor.

    Acho que há problemas na vida interna do BE. Não acho que eles se traduzam em falta de democracia interna, dito assim sem mais. Não me parece que as razões da 4ª moção não estarem na página sejam premeditadas. Então porque está a segunda e a terceira? E confesso que essa rapidez em apontar o dedo me incomoda um pouco. Informou-se? Sabe porque não está? Acha que há uma cabala contra a 4ª moção? E digamos que isso lhe chegar para dizer que não há democracia interna é um pouco demais.

    Dito isto, lamento que tenha saído do debate político que estamos a fazer em público para questões deste género. Fica mais pobre.

    Por fim, confesso que não gostei da provocação do “colega”. Mas adiante.

  42. 42 42  Viagem pelas ruas da amargura

    Não, Caro Daniel, fique tranquilo, e não baralhe o sentido do que escrevo: não estou no Bloco por falta de melhor, mas há quem esteja no Bloco por falta de melhor, assim como muitos outros nem sequer cá estão porque o Bloco não é melhor.
    Sobre a falta de democracia interna direi, como sempre digo, o que penso nos locais adequados. Como também já lhe disse, não lavo roupa suja fora de casa.
    Desconheço se a ausência da quarta moção da página na Internet se deve, ou não, a razões premeditadas. Haverá, pois está claro!, razões com substância para tal ausência, mas eu não tenho explicação, nem informação adicional. E você, Daniel? Sabe porque não está?

  43. 43 43  Daniel Oliveira

    Claro que não sei, Viagem. Voltemos então ao debate político que interessa.

  44. 44 44  jb2

    A esquerda que temos discute muito mas faz pouco.

  45. 45 45  Daniel Oliveira

    jb2, diga lá como se faz sem discutir? Como funciona a democracia sem debate político?

  46. 46 46  Nuno Zimas

    Vejamos, Daniel, entendo que o debate à Esquerda (prefiro a expressão plural “Izquierdas” que se usa em Espanha) se deve realzar sem peias formalistas e “boa educação” de circunstância. Como dizia outro Chico, o Martins Rodrigues, o debate na nossa vastíssima área política deve fazer-se “a rasgar”. No comentário que não publicaste procurei revelar o contexto humano, como cálculas não documentado, que pariu o BE. Eu estive nas entranhas do partido onde militas antes de que este o fosse. Até me puseram como moderador numa conferência organizada no Teatro “A barraca” em 20/12/1998, a propósito dos 150 anos do tal Manifesto que deves considerar tão obsoleto. Nesse evento estiveram o Lu+is Fazenda, à época “meu” secretário-geral, o Miguel Portas e um tipo do PSR (creio que o Heitor de Sousa, se nºao me falha a memória). Fui então encorajado pelo LF a encerrar a refrega com apelos à unidade de todas as forças *à esquerda do PCP*. Creio que na assistência estava até o Nuno Ramos de Almeida, às voltas com o eterno dilema da fidelidade partidária (ao PCP, claro).
    Para que entendas melhor o sentido do que denominas insultos, permite-me uma analogia.
    Tens diante de ti uma aplicação de software provavelmente bem documentada em termos de usabilidade. Que sabes tu sobre o código em que está escrita?
    Da minha breve intromissão no debate em curso, só quero que retenhas um facto histórico ineludível: o BE que me vendaram em 1998/99 *nada* tem a ver com o BE que se desenvolveu (embora na mente de quem o planeou as coisas estivessem já orientadas neste sentido)-
    Qunado tenhas tempo e pachorra, bota o olho à teses do XIII Congresso da UDP.
    Não há nada de diletante em descrever acontecimentos desde o ponto de vista de quem os viveu intensa e internamente, para que algumas tensões que actualmente o BE atravessa nºao se interpretem como conjunturais mas sim estruturais. O vício do pequeno Poder é tºao inebriante como qualquer outra forma de Poder (a propósito da olgarquia).

  47. 47 47  Miguel Madeira

    “No comentário que não publicaste”

    Será este?

    http://arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2007/04/voltar_atras#comment-886413

  48. 48 48  Daniel Oliveira

    É esse mesmo, Miguel, publicado como se vê. Mas o Nuno insiste, mesmo quando a prova está à frente dos olhos dele. É um pouco irritante quando a paranóia chega a este ponto. Provavelmente acha que eu também não publiquei o comentário em que me acusa de não publicar o comentário anterior. Nada a fazer.

    De resto, Nuno, não sei que BE te venderam. O que me venderam a mim está nos documentos fundadores. E nele não se fala de estar à esquerda ou à direita do PCP (seja lá o que isso quiser dizer), nem de marxismo. Um partido é aquilo que os militantes querem que seja. E para isso aprovam documentos e resoluções em congressos e convenções.

  49. 49 49  Daniel Arruda

    Daniel, tenho estado a tentar não comentar porque os teus delirios partem de pontos errados e como tal enquinam toda a mensagem. Mas resolvi comentar agora porque ainda não tiveste a coragem de dizer aqui aquilo que pessoalmente me disseste.
    Partes do principio que a moção descrita como C é da Rupura/FER e que todos os outros, a maioria por sinal, que a subscrevem não passam de idiotas úteis.(a expressão e tua e não minha) Ignoras o facto de o processo de construção dessa moção ter sido igual ao que deu origem ao BE. Várias vontades, unidas no essencial mas que podem ter pontos de vista diferentes, esquecem o que as divide e concentram-se no resto. Não me lembro de em 99 teres achado isso mal. Partes do princípio errado de que (já G.W.Bush cometeu o mesmo erro) de quem não está conosco está com eles. Esa aliás é uma faceta já várias vezes referida aqui nos comentários. És um bom “camarada” até ao dia em que discordas da Comissão Política. Realmente é essa a verdade e eu já a senti na pele mas não vou referir aqui quais as situações. Estou no entanto aberto para as dizer quando quiseres pessoalmente. Acho que tu, como muitos no BE não sabem bem do que se passa em diversas áreas e depois cometem os erros de falar sem estarem informados.
    Queria deixar aqui também uma respsota ao Sequeira que fala em debates internos. Claro que eles vão ser feitos, ou melhor, propostos, pois o regulamento tem essa novação este ano. Ninguém é obrigado a debater se não quisercom as outras moções. Espero por isso que a moção A não falte a esses debates que vão ser propostos. Em todos os distritos.

  50. 50 50  Daniel Oliveira

    Daniel Arruda, dirigentes de um partido não acusam de delirios outros num debate público. E se são amigos mais ainda. Vamos tentar manter a civilidade até ao fim. De resto, sim, como já te disse pessoalmente, parto do princípio que a moção é da FER. O seu primeiro subscritor é da FER e toda a linguagem e argumentação é a que a FER tem usado. Não posso tratar de outra forma. Mas se reparares digo sempre que “a mais próxima da FER”, porque sei que há pessoas que não são da FER que a subscrevem.

  51. 51 51  isabel faria

    Daniel, concordo com essa da civilidade…mas então sugiro-te que a mantenhamos também usando a verdade. Toda. E repito não apenas a que queremos usar, porque se encaixa nas nossas convicções. Em relação ao PEE optaste por isso. Ao aborto fizeste o mesmo, e depois voltaste atrás.Voltas agora a fazer o mesmo. Desculpa, camarada, mas essa não é a minha forma de fazer e de estar na politrica. nem na vida. Pelo que te conheço acredito que também não é a tua…mas então, porque teimas nela?

    “… seu primeiro subscritor é da FER…”, dizes na resposta ao comentário do Daniel Arruda.
    Acontece que sabes, basta leres, que a moção está assinada por ordem alfabética…basta veres…António Grosso vem antes de Isabel Faria, ou de Daniel Arruda, ou de Gil Garcia… Deviamos ter optado por mudar o nome próprio do Grosso?

    Se usares argumentos desses é um bocadito difícil manter a “civilidade”.

  52. 52 52  Daniel Oliveira

    Lamento, mas está assim porque querem. Não sou adivinho. O primeiro subscritor da moção A (pelo menos assim está assinalado) é Francisco Louçã e da moção B Helena Carmo. De resto, não faltei á verdade nem no PEE (já te dei a citação), nem no aborto (fiz uma clarificação, o que não é o mesmo que voltar atrás, mas adiante). Acontece que já percebi que em vez de debaterem o fundo das questões estão na defensiva a tentar discutir as virgulas. Eu fiz criticas de fundo,. políticas, e em tantos comentários ainda pouco entraram nelas. E valia a pena.

  53. 53 53  Nuno Zimas

    Não, homem, referia-me à não publicação do meu comentário anterior.
    De resto, aquilo a que chamas paranóia, chamo eu vivência factual e perspectiva histórica. Quem não esteve e não participou, não sabe. É mesmo assim.
    De resto, cuidado com a hermenêutica literal dos documentos. Foi por excessiva credulidade nos documentos fundadores da UDP que decidi filiar-ne. A mesma credulidade que me levou a defender essas bases progrmáticas mesmo quando já era manifesta a intenção do LF de liquidar o partido, arranjar emprego e mandar a idelogia dar uma volta ao bilhar grande.
    Espero que não te suceda o mesmo no BE que tanto estimas.

  54. 54 54  Daniel Oliveira

    Nuno, publuquei todos os teus comentários. Todos!
    Aos teus problemas com a UDP não posso responder.

  55. 55 55  João

    E a mim que a moção A já me parece suficientemente vanguardista… E depois há a terminologia, a terminologia é mt importante…

  56. 56 56  Nuno Zimas

    O “não, homem” era para o Miguel :)

  57. 57 57  Daniel Oliveira

    Daniel Arruda,

    Sobre a moção não ser da FER. Como sabes, a FER faz parte de uma organização internacional, a LIT. Aqui fica excertos comparativos da moção que assinas e de textos da LIT.

    Sobre a Bolívia:

    MOÇÃO: “O governo do MAS afirma que a sua política é conciliar os “interesses nacionais” do povo e da maioria oprimidas com os do grande capital, num “capitalismo andino”»

    Texto da LIT (http://www.litci.org/CorreioES.aspx?COR_ID=43): “El gobierno del MAS afirma que su política es conciliar los intereses de clases, es decir, los “intereses nacionales” del pueblo y las mayorías oprimidas con los del gran capital. Este es el sentido que le dan al concepto de “capitalismo andino”.

    Sobre a Venezuela:

    Moção: «As nacionalizações de Chavez “não englobam outros sectores-chave da economia, como a produção petrolífera ou a indústria automobilística; e o governo não prevê nenhum tipo de controlo dos trabalhadores nas empresas nacionalizadas”.»

    Texto da LIT (http://www.litci.org/Portugues/CorreioPT.aspx?COR_ID=54): «As nacionalizações não se estendem a outros setores chave da economia, (…), como a produção de petróleo ou a indústria de automóveis (…). Deve-se considerar também que o governo não propõe nenhum tipo de controle por parte dos trabalhadores nessas nacionalizações”.»

    És capaz de ter razão. A moção não é da FER. Tem partes que são mesmo importadas. E é pena.

    Por fim, não comecei a ser critico das posições da FER ontem. Sempre fui. E espero que possas debater politicamente comigo como sempre fizeste: sem pessoalizar e assumindo a naturalidade das nossas discordâncias. Como sabes, sou da Comissão Política e sempre tratei com frontalidade e respeito político (como os camaradas da FER podem atestar) aqueles que discordavam da direcção. Dificilmente encontras pessoa a quem seja mais injusto fazeres essa acusação.

  58. 58 58  João Delgado

    Daniel, essa análise de conteúdo (em relação ao PEE) é, no mínimo, retorcida.
    O que está escrito é:
    “Os representantes do Bloco de Esquerda no Partido da Esquerda Europeia deverão nos órgãos próprios manifestar uma posição fortemente crítica da participação de um membro do PEE, a Refundação Comunista, num governo cujas políticas não contrariam a ordem capitalista vigente, aprovam a presença militar da NATO no seu país e são cúmplices da “guerra infinita” do império norte-americano.”
    Por muito que me esforce não consigo ver onde está equacionada a saída do BE, ou da RC, do PEE. Que a FER tem essa posição é dado adquirido, agora que, para não saíres do dogma “a moção C é da FER”, te recuses a ler o que de facto é proposto… enfim…
    Quanto à tua genial descoberta de que há conceitos semelhantes em textos da LIT e na Moção C, deixa-me dar-te uma “caixa” para o teu prestimoso blog: a FER está na Moção C e militantes da FER colaboraram na redacção da Moção! Extraordinário, não?
    De brinde, mais uma novidade para os internautas que por aqui passam: nas outras 4 convenções do Bloco a FER subscreveu as moções da maioria. E o Daniel também.

  59. 59 59  Daniel Oliveira

    João, repito:

    «O PEE, ao não condenar o governo Prodi, é cúmplice dessas políticas.»

    Ou esta frase não está lá a fazer nada ou se quer que o PEE (e não apenas o BE) condene o governo da Refundação, levando à saída da Refundação. Quanto à saída do BE, eu próprio digo que, desta vez, ela não é defendida.

    Quanto ao resto, não são posições. São traduções. Copy/paste. Ainda assim, pela tua entrevista à Visão, pensei que tinha sido escrito há dois anos, por ti. Claro que admito que tenha sido depois trabalhada. Mas imaginava que correspondia a uma reflexão vossa, não a tradução de textos da corrente internacional da FER. Apenas para desfazer a ideia de que a FER é uma entre iguais na moção. Não é e baseio-me não neste episódio (que apenas é engraçado), mas em quase todo o documento. As posições, com pequenas evoluções, são as mesmas. Apenas isso.

    Quanto ao mais, essa é uma questão que tens de por à FER. Eu assinei uma moção com a qual concordava. A FER assinou uma moção que depois passou toda a Convenção a criticar. Aliás, assinalei na Convenção o facto e lamentei que não tivessem proposto a deles, se não concordavam com esta. Ouviste e sabes que a minha posição em relação às posições da FER está longe de ser recente. Manifestei há dois anos a minha preplexidade por quem tem uma posição assinar um documento com o qual não concorda. Devias perguntar-lhes porque o fizeram.

    De resto, podíamos sair das virgulas e ir ao conteúdo político do debate. Foi o que eu fiz.

  60. 60 60  João Delgado

    Daniel, a tua argumentação é falaciosa e sabe-lo perfeitamente. Eu, que participei na redacção da Moção (éramos 7 na comissão de redacção), fico perplexo com o que dizes… Certamente que a LIT terá mandado uma delegação a Portugal para fazer os capítulos 2 e 3, sobre a situação política nacional e a vida interna do Bloco… Ou achas que a LIT só fez o capítulo 1? É que eu não sabia que era da LIT, ou que quando estava a escrever o espírito de Nahuel Moreno descia e me controlava a pena…
    Quanto à entrevista da Sábado, és jornalista, sabes bem como se fazem maus artigos… (salvo seja, relida, esta frase parece insultuosa)
    Tenho muito prazer em debater civicamente, por mim está encerrado o capítulo processual. Uma moção, é uma moção, é uma moção, vamos então aos conteúdos.
    Sobre a RC, não entendi. Dizes que ao condenar o governo italiano o PEE sugeriria a saída da RC do governo (ou do PEE)?
    Trago (sem consentimento) um dirigente do Bloco a esta conversa: “O que jamais faremos, como agora tristemente o demonstrou a Refundação Comunista em Itália, é integrar governos que mantêm, no essencial, os seus compromissos com a ordem liberal vigente e com os ditames imperialistas. Esse sacrifício de uma ética de convicções fortes encontrou, aliás, significativa contestação nas ruas italianas. Seria aí, na rua e na praça, contestando Prodi e a presença militar americana em bases do território nacional e no Afeganistão, que estaríamos se estivéssemos lá. Alguém ainda duvida?”. João Teixeira Lopes, artigo publicado no esquerda.net.

  61. 61 61  Daniel Oliveira

    Já agora, é extraordinário que a vossa moção tenha dado à imprensa o PCP como exemplo de democracia interna. No PCP a vossa moção era pura e simplesmente impossível, já que não há a possibilidade de moções alternativas. É lamentável este tipo de acusações. E ainda mais discutir, tipo CDS, questões regimentais por via da imprensa. Lamentável. Confesso que estou estarrecido.

  62. 62 62  isabel faria

    “Convido-vos a dar uma vista de olhos pelos Congressos de outro Partidos. Dêem, até, uma vista de olhos pelos do PCP. Claro que não há moções alternativas. Todos o sabemos e por isso nenhum de nós, creio, pensa lá voltar ou lá entrar.
    Há, no entanto, uma diferença. No PCP, o Regimento do Congresso discute-se no Congresso. Todos sabemos que, provavelmente, será aceite por unanimidade, não sabemos? Claro que sim. Mas na ordem de trabalhos, o 1º ponto é “Apresentação, discussão e votação do regimento do Congresso”.
    É por sabermos que, no nosso Partido, será discutido que abdicamos da “discussão”, na Convenção?. E que temos 10 minutos para “apresentar e votar”?”

    Daniel e se fossemos sérios?

    E quanto a essa de dar à imprensa…no dia em que sairam declarações nossas sobre o regimento sairam declarações do Pedro Soares. Ou estou a delirar?

    Quanto ao resto, Daniel, a essas transcrições que agora te ocupam…lembras-te de uma história que correu por aqui, na Blogosfera aquando das presidenciais sobre um tal plágio do FL?
    Não vale tudo, pois não, camarada? Entre nós, não vale tudo, pois não?

  63. 63 63  Daniel Oliveira

    Isabel, não tens razão no que dizes mas sobre esse assunto mas não tenciono fazer aqui esse debate. Nem sei quem estavas a citar, mas não me interessa. Não devia sequer ter respondido a este debate regimental aqui e por isso peço as minhas desculpas.

    Aqui, discuto as grandes linhas estratégicas e políticas do BE. As moções. As diverências ideológicas. Tudo isso em público. Não direi nem mais uma palavra sobre questões de funcionamento, regimento e estatutos no meio da praça pública. Nenhum secretismo. Apenas sei que isso é a coisa mais destrutiva que um partido pode fazer a si próprio. O BE não é o CDS.

    Lamento que com o meu texto, exclusivamente político, sem acusações nem pessoalizações, não tenda provocado nos meus camaradas um debate político mais interessante que este. Sou pouco dado a debates estafantes sobre estatutos e regimentos. Eles são importantes, mas não domino o tema e tenho, por carregar comigo o defeito de nunca ter tido grande talento para o “aparelho”, pouco genica para ele. Perco-me. Ainda assim, não poderiam encontrar pior lugar para o fazer e eu também tive responsabilidade nisso. Paro enquanto é tempo e antes que no calor blogosférico se escrevam mais disparates. Provavelmente o Sequeira tinha razão e eu só não queria que ele tivesse. E não imaginam como isso me desconsola.

    Quanto à tua última questão, a minha afirmação tinha um sentido político muito claro e que foi explicitado: que a moção reflecte as posições políticas da FER. Não era pessoal nem acusava ninguém de qualquer tipo de desonestidade. Era política. Por isso, nem vou responder ao que escreveste. Nem consigo responder. Estou atónito que o tenhas escrito. E é por causa disso que não tenciono participar mais em neste debate aqui. Até ao debate interno. E as minhas desculpas ao Sequeira. Tinhas razão.

  64. 64 64  a.pacheco

    Nuno Zimas folgo ver que o senhor esteve no Bloco de Fev. de 99 a Jun do mesmo ano,( cinco longuissimos meses certamente) e rapidamente chegou a todas as conclusões necessárias, de que este espaço politico não lhe servia.

    Olhe ao menos o Chico e já agora o Raposo que editam a Politica Operária, são totalmente criticos deste projecto NUNCA aderiram a ele, e ao menos são coerentes, nunca quiseram misturas.

    Foi rapido caro amigo, pois é ,isto de ser militante dá trabalho e é cá uma chatisse….

    Cabral gosto pouco que me chamem mentiroso, dias antes das concentrações de que fala, o esquerda net publicava uma convocatoria para o Chiado com um grupo musical e o Miguel Portas , como protes