Escrevi que o timing da última greve geral fora um erro, com os resultados que então se viram. E que se tinha gasto a bomba atómica e seria muito mais difícil voltar a usá-la: a greve, por ser tacticamente prematura, não tinha conseguido traduzir com justiça o descontentamento que se sentia. Basta olhar para a realidade política actual para perceber a falta que ela agora fazia: por muitos factores, Sócrates está desgastado, a sua máquina de propaganda está esfrangalhada, muitos mais sectores estão mobilizados e haveria, neste momento, uma real capacidade de fazer o governo recuar em várias matérias. A greve seria uma chegada forte e não uma falsa partida. Será possível repeti-la? Fazer duas greves gerais no espaço de um ano é muitíssimo difícil. E, deixando aproximar eleições, cheiraria ao que seria: campanha eleitoral. Foi cedo demais, como muitos dirigentes da CGTP, ultrapassados por outras agendas, avisaram na altura. Há erros tácticos com um preço estratégico muito alto. E alguns desses erros cometem-se apenas por haver demasiada gente que, em vez de querer discutir serenamente cada opção, prefere a cegueira do “ou estás connosco ou contra nós”.
Publicado por Daniel Oliveira 4 de Março de 2008 em Sindicatos, Sócrates12 respostas to “Tudo tem o sem o tempo”
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- 2 Pingback on 24 Mai 2008 às 0:07







Quem veio primeiro? o ovo ou a galinha?
A questão colocada no post é pertinente. Mas também é pertinente afirmar que a GREVE GERAL serviu como um alarme, uma campaínha que soou, enfim, que a greve geral criou as condiçoes para a luta e para a contestção.
A culpa é sempre dos mesmos-a arraia miúda!Os grandes(tubarões ou para não magoar a sua retórica normalizadora,pc,FDP) é que são muiiiiito espertos,inteligentes e competentes,por isso é que roubam que se fartam e nunca vão para a prisão,não é sr.DO?Por isso,continuam com a sua ‘legitima’acçaõ de desbaratar esta porcaria toda e,ainda sairem como salvadores.Com emancipadores como o sr. está o inferno cheio.
Aliás,onde está a sua posta sobre a agressão/invasão do regime narcofascista ao Equador?Não é necessário pq o sr.jornaleiro João Carlos Barradas já tratou de chamar às FARC agrupamento marxista convertido ao narcotráfico e à extorsão-certo,com a colaboração dos aviões da CIA,que se esfalfou de levar prisioneiros para o farol da liberdade(Guantanamo) em Cuba onde foram descobertos à pouco 4 Tonelada de coca…
O Daniel desculpe mas parece-me que vai ser tão surpreendido com as mudanças que estão a acontecer no mundo como qualquer membro do sistema político. O seu problema é de facto não acreditar na genuinidade das movimentações. Foi aliás esse o problema do Bloco: deixou de sonhar quando se institucionalizou. Apanhado na armadilha do sucesso do soundbyte passou a ler a sociedade pelos olhos do teletexto.
Concordo com a sua análise, excepto num ponto: “Sócrates desgastado”? Onde vê isso? Acha que 43% nas sondagens(Expresso) revela desgaste?
Sim, zémanel, pode dizer isso. Mas eu acho que não é verdade. Que teve pouca influência na situação actual. E acho que a greve geral deve ser o mais forte possível e não um sinal de partida. Ainda assim, são avaliações tácticas possíveis e não, como me acusaram na altura, divergências políticas de fundo.
Uma greve geral tem que paralisar um país. Se não o conseguir fazer pelo menos tem que parar a sua capital. Se mesmo isso for dificil deve causar distrubios no sistema de transportes públicos.
Nada disso é possivel (felizmente) neste momento em Portugal.
Abram os olhos para a realidade.
Daniel,
No contexto mais geral das coisas há uma coisa que me começa a preocupar.
Dado o desgaste do Sócrates, podemos acabar com um governo Menezes+Santana ou pior (+Portas) para o ano.
Basta ouvir o Menezes para perceber que o Cavaco é um “esquerdista” no actual PSD.
Sem estar a querer entrar no debate se o Sócrates é “bom” ou “mau” parece-me que vem aí um daqueles casos em que a alternativa é uma catástrofe completa.
Não sou apologista de votos úteis ou tácticas do género, mas acho que é preciso pôr a coisa no contexto de catástrofe que seria este PSD (ou deveria dizer PPD?) governar 4 anos a partir de 2009. Venham os barões, venha a Manela.
Isto lembra-me as eleições americanas em 2000: Gore vs Bush com o Nader à mistura (eu era Nader, e acho que ele tinha todo o direito a concorrer, mas a verdade é que o Bush está a ser o que se vê).
Apesar das considerações que faz acerca da situação do governo,continuo a pensar que no sector privado não existem condições para uma greve geral.A precariedade,os recibos verdes,o desemprego,a dificuldade que os trabalhadores tem para defender os seus direitos visto a situação morosa da justiça,criaram no patronato um sentimento de impunidade que dificulta a mobilização para essa forma de luta.Há como é normal empresas que funcionam bem e que cumprem as suas responsabilidades,mas tambem nessas muitos dos trabalhadores não estão disponiveis para levar para dentro de portas a contestação politica.Não estou a dizer isto porque estou contra as greves,gerais ou não,mas é a minha percepção do que se passa nas empresas privadas.
Patrícia:
É verdade tudo o que diz. É difícil.
Mas muito mais difícil era fazer greves antes do 25 de Abril e elas foram feitas.
Neste tipo de movimentações sociais, o mais difícil é vencer a inércia.
Diz D. Oliveira do alto do seu profundo conhecimento das movimentações sociais: “A greve seria (se fosse hoje)uma chegada forte e não uma falsa partida”, esquecendo-se que o caminho que conduziu ao estado de debilidade em que se encontra o governo de Sócrates, passou precisamente por essa Greve Geral.