Na entrevista hoje publicada pelo DN, José Sócrates volta a repetir uma das afirmações mais estafadas dos últimos dias. “Foi o facto de praticamente todos os países europeus terem tomado a mesma medida de dar garantias de Estado aos bancos que permitiu que a taxa Euribor descesse ao longo destes últimos dias”.(…) Esse declínio da taxa Euribor é uma consequência da acção que tomámos”.

É bonito ver José Sócrates tão embevecido com as suas acções, mas convinha ter alguma calma nas afirmações que podem ser facilmente desmentidas. É certo que a Euribor caiu 0,5% nas últimas sessões, mas não só essa queda começou antes das garantias serem anunciadas como não reflecte mais do que a descida da taxa de juro do BCE em, veja-se lá a coincidência, 0,5%. O argumento de José Sócrates só teria sentido se a historicamente elevada diferença entre a Euribor e a taxa de juro do BCE se tivesse reduzido, algo que não aconteceu. Manteve-se estável. O diferencial entre as duas taxas continua nos 1,2%, um valor seis vezes superior ao registado no início de 2007 e mais do dobro do que tinha lugar em Janeiro de 2008. E chegámos a este valor extraordinário, diz José Sócrates, porque os estados avançaram com pipas de dinheiro dos contribuintes. Fantástico, sem dúvida.

Ricardo Araújo Pereira resume o esquema na perfeição. “Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada”.


12 respostas ao post “Queremos mentiras novas”  

  1. 1 1  Maria

    ““Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro.”

    Bom post.E boas tambem essas frases acima.
    Porque na verdade substem muitas duvidas quanto aos verdadeiros destinos que serao dados ao dinheiro e esse dos juros e mesmo muito inquietante.Eu sei que nobrezas devem ser respeitadas mas seria muito melhor aliar a nobreza mais umas quantas informaçoes, de preferencia detalhadas.

  2. 2 2  Tarzan

    O erro do RAP é que os contribuintes não emprestam dinheiro. Os contribuintes, pela mão do bondoso e omnisciente Estado, avalizam os empréstimos interbancários. Ou seja, o contribuinte só fica a perder se algum dos bancos não pagara sua dívida a outro.

  3. 3 3  Animal

    ó tarzan, saiste-me cá um optimista! “o contribuinte só fica a perder se”…

    o contribuinte fica sempre a perder pá. é a única coisa que um gajo pode ter como garantida.
    …ah, esquecia-me da morte…

  4. 4 4  Emanuel

    A ver pela lista de bancos interessados, se calhar nem são os que mais precisam, mas trata-se antes de aproveitarem a onde e fazerem dinheiro. Se Sócrates realmente quisesse fazer algo, deveria meter contrapartidas interessantes e até acções dos referidos bancos a passarem para as mãos dos contribuintes e quando tudo recuperasse essas eram vendidas permitindo ao estado - leia-se cidadãos - recuperar o capital investido e obter mais-valias. Isso é economia básica… mas o sr. Sócrates também deve ter feito essa cadeira por faz ou algo assim.

  5. 5 5  Manuel Leão

    Pedro Sales:

    Começo a desconfiar se esta crise não será um novo “produto financeiro”.

    É bem capaz de ser o embuste do século. Talvez haja algum Alves dos Reis lá nos States.

  6. 6 6  fado alexandrino

    e até acções dos referidos bancos a passarem para as mãos dos contribuintes e quando tudo recuperasse

    Presumo que quando diz “passarem para as mãos dos contribuintes” está a pensar que os contibuintes as iriam comprar.
    Ou eram dada?

    Na primeira hipótese se não “recuperassem” quem é que ia pagar os estragos?

    Tem dois anos para pensar e responder ás questões.
    Pode contactar a Universidade onde o Sócrates tirou o curso.

  7. 7 7  Contra-Movimento

    esta crise vai desembocar daqui a uns anos na privatização em massa e a nível mundial dos últimos serviços públicos a que os povos têm direito, porque os Estados estão-se a endividar e a criar um défice incomportável que mais cedo ou mais tarde irá bater à porta do governo e o que é que eles vão fazer? Livrar-se dos serviços públicos e entregá-los aos privados.

    Diziam que era a morte do capitalismo selvagem. Que engano. É antes mais uma vitória deste, talvez a mais importante dos últimos anos. Bem vindos ao fascismo corporativo.

  8. 8 8  fado alexandrino

    Manuel Leão 25 Out 2008 às 22:33

    É muito curiosa a associação que fez a Alves dos Reis.
    Conforme sabe não houve emissão de moeda falsa pois as notas que surgiram em circulação eram verdadeiras.
    E segundo se disse esta emissão extraordinária de notas de quinhentos escudos trouxe um apreciável progresso a Angola.
    E isso leva-nos a pensar, o que é o dinheiro?

  9. 9 9  Manuel Leão

    Fado Alexandrino:

    Eu não fiz essa associação a Alves dos Reis por mero acaso. E conheço razoavelmente essa história.

    Eu, por vezes, faço comentários com alguma ironia, mas sem me desviar daquilo que penso que é o essencial.

  10. 10 10  Manuel Leão

    Fado Alexandrino:

    Esqueci-me de lhe dizer que as notas eram efectivamente verdadeiras, mas com numeração duplicada. Ele tinha falsificado a encomenda à
    Waterlow and Sons Limited, pedindo-lhes uma numeração que já tinha sido usada, com o argumento de que as notas seriam carimbadas em Portugal, indicando que seriam para circular em Angola. Apesar das desconfianças, a prova só foi encontrada quando apareceram, no BP, duas notas com a mesma numeração.

  11. 11 11  Spartakus

    Olha que daqui a um ano Vocês andam a aturar o gajo de sorriso na cara…eheheheh…

  1. 1 Crise da Banca : João Silas

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