Sexta-feira, 5 de Julho de 2013
por Sérgio Lavos

Olhamos para os EUA e torna-se deprimente ver como são más as decisões dos líderes europeus. A economia norte-americana continua a crescer, criando mais 195 000 empregos em Junho, mais do que o que se previa, denunciando uma tendência clara de crescimento. As políticas de estímulo patrocinadas pela Reserva Federal Americana constrastam vivamente com as políticas de austeridade europeias. E contrastam sobretudo nos resultados: enquanto na Europa aumenta o desemprego e quase todos os países estão em recessão ou estagnação económica, nos EUA assiste-se a um crescimento sustentado. Aliás, se os EUA (e, nos últimos meses, o Japão de Shinzo Abe) não tivessem decidido adoptar políticas keynesianas, a crise na Europa seria pior - grande parte das exportações europeias têm como destino estes mercados. A racionalidade económica leva a que, progressivamente, os estímulos venham a ser abandonados, à medida que a economia cresce e começa a criar riqueza por si própria. É isso que a Reserva Federal vai fazer, avisa Bernanke. Na Europa, como não foram seguidas políticas contra-cíclicas, antes acreditando-se numa austeridade expansionista que parte de pressupostos errados - o erro nos multiplicadores assumido pelo FMI e o erro no Excel de Reinhart e Rogoff -, definhamos, numa tragédia social sem fim à vista. Como disse, deprimente.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 30 de Maio de 2013
por Sérgio Lavos

Dívida pública que poderá chegar aos 132% no final do ano. Défice a subir dos 4,4% em 2011 para os 6,4% em 2012 e atingindo os 8% no primeiro trimestre de 2013, fazendo com que o objectivo do ano - 5,5% - seja absolutamente risível. Não tenhamos dúvidas - é este o Governo mais despesista de sempre, o que está a tornar o pagamento da dívida realmente impossível. Em menos de um ano, teremos uma "reestruturação cipriota". Ah, que bonito ajustamento!


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

O Governo, pela voz do arrivista ignorante Pedro Passos Coelho e do alucinado Álvaro, não se cansa de falar em reformas estruturais para recuperar a década sem crescimento e o país reentrar no caminho da competitividade e do crescimento. Essas "reformas estruturais" não passam de um eufemismo - mais um - para reduzir direitos aos trabalhadores e colocar empresas públicas lucrativas nas mãos de privados. E assim tem sido feito: as indemnizações por despedimento foram bastante reduzidas, o código do trabalho alterado para permitir maior facilidade nos despedimentos, a duração e o valor do subsídio de desemprego foram baixados até nos aproximarmos das economias de leste, quatro feriados nacionais foram cortados, reduzindo assim o valor do trabalho por hora. E claro, as privatizações estão a avançar (mesmo que o ritmo não seja muito acelerado). Resultado? O PIB começou a cair perigosamente, o desemprego a aumentar vertiginosamente e a dívida pública aproxima-se de níveis nipónicos (o paper dos guros de Gaspar, Rogoff e Reinhardt, aponta para a insustentabilidade da dívida pública que ultrapasse os 90%). Ah, mas pelo menos as reformas estruturais estão a impulsionar uma maior competitividade do país, certo? Errado. Portugal caiu cinco posições no ranking da competitividade, estando agora em 46.º entre 60 países, na zona Euro apenas à frente da Grécia. Curiosas são as razões para esta queda, todas consequência directa das ditas reformas estruturais. Segundo o instituto que elaborou este ranking as seis principais razões para a pouca competitividade são: a inexistência de crescimento económico; a fraca resiliência económica; a elevada taxa de desemprego, sobretudo entre os jovens; os encargos fiscais; a elevada dívida pública; e a coesão social. O Governo está de parabéns. As suas políticas conseguiram-nos tornar, em apenas dois anos, um país ainda menos atractivo para o investimento. Este está a ser, sem qualquer dúvida, um bonito ajustamento.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 29 de Maio de 2013
por Sérgio Lavos

"Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better."


E assim sucessivamente.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013
por Sérgio Lavos

Este artigo do Publico espanhol mostra o resultado das políticas keynesianas de Obama, fundadas no investimento público e no apoio à economia, em contraste com o austeritarismo europeu:

"A política de estímulo económico de Obama, que contrasta com a austeridade a qualquer custo imposta pela Alemanha à Europa, está a ter um efeito altamente positivo na economia norte-americana, onde as famílias estão a reduzir o seu endividamento ao mesmo tempo que aumenta a receita fiscal arrecadada pelo Estado.

 

 

O défice público nos EUA está a cair mais depressa do que o previsto, como consequência da reactivação da maior economia do mundo, e o organismo de controlo orçamental do Congresso (CBO, em inglês) calcula que foi reduzido a apenas 4% do PIB (642000 milhões de dólares), partindo dos 7% (1 100 000 milhões de dólares) registados em 2012.

 

Estes números significam uma queda superior em 203 000 milhões de dólares ao que se previa até há três meses, exactamente no momento em que os países da Eurozona estão a entrar no seu período recessivo mais prolongado provocado pelas intenções falhadas de reduzir os défices públicos através de rigorosas políticas de austeridade.

 

 

Para além disso, as política de estímulos públicos à economia aplicada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, permitiu que a dívida privada se tivesse reduzido em 110 000 milhões de dólares durante o primeiro trimestre do ano graças a uma clara melhoria da situação financeira das famílias: o número de créditos mal parados para além dos 90 dias diminuiu dos 6,3 para os 6%, de acordo com os dados fornecidos pelo banco da Reserva Federal de Nova Iorque.

 

Agora, o CBO prevê que o défice público dos EUA continuará a cair de forma acelerada, para chegar aos 3,4% no próximo ano, e a apenas 2,1% em 2015. Em larga medida, isto deve-se ao facto do Estado estar a arrecadar mais receita fiscal em consequência dos estímulos económicos: a recuperação gerou, durante o primeiro trimestre, mais 105 000 milhões de dólares do que o previsto em impostos, tanto os que incidem sobre as pessoas como sobre as empresas.

 

A reactivação do mercado imobiliário norte-americano também permitiu que os dois gigantes do crédito à habitação, Fannie Mae e Freddie Mac (actualmente sob controlo governamental depois do resgate com fundos públicos aquando do rebentar da bolha financeira e do subprime) tenham contribuído com 95 000 milhões de dólares para os cofres do estado."

 

(Tradução minha.)


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2013
por Sérgio Lavos

 

2012 marcou um extraordinário ponto de viragem na nossa economia, tal como tinha sido previsto pelo impressionante Vítor Gaspar. O défice caiu de maneira acentuada, conseguindo Portugal atingir a meta de 4,5%; a dívida pública não cresceu e começou a ser paga, como foi prometido pelo Governo; a economia do país começou a crescer, de forma milagrosa, tendo os milhares de desempregados da restauração e da construção arranjado emprego nas emergentes empresas exportadoras; o desemprego, consequentemente, começou a cair de forma acentuada, tendo os imigrantes que tinham saído nos últimos dois anos de Governo do maléfico José Sócrates começado a regressar em massa ao país.

 

Se 2012 foi um ano de sucesso para o Governo, 2013 está a ser o ano da inversão económica, como tinha prometido Pedro Passos Coelho no verão passado. Não só as perspectivas risonhas na frente interna se mantêm intactas como o motor da economia nacional, as exportações, está melhor do que nunca, tanto nas vendas para países da UE como para fora desta zona económica. Os esforços titânicos do ministro Álvaro, inventor do cluster pasteleiro, e a brilhante diplomacia económica do competentíssimo ministro Paulo Portas levaram a que em Fevereiro se tivesse atingido resultados inauditos em 10 anos

 

Passos Coelho estava a ser pessimista quando anunciou a inversão económica no Pontal. 2013 está a ser o ano de uma extraordinária explosão económica, nunca antes vista. Ah, se não fosse a decisão do Tribunal Constitucional...


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012
por Sérgio Lavos

É notável a desfaçatez com que este Governo mente. Mente com todos os dentes. Mente o primeiro-ministro, mente o Dr. relvas, mente o impressionante Gaspar. Diz-se que a mentira é a segunda pele dos políticos. Pode até ser. Mas o grau de mentira a que este Governo se dedica, o à vontade com que o faz e a indignação que finge ao ser confrontado com a mentira - como o faria uma criança apanhada em tal pecado - são de mestre. A sério. Um fenómeno.

 

O impressionante Gaspar, o tal economista tecnocrata com pouca habilidade política, rapidamente aprendeu os segredos do ofício. Mente, mente tanto e tão completamente, que chega a fingir ser mentira a verdade que deveras sente. Mente na televisão e mente na casa da democracia. Depois de no início do ano ter dito que 2012 iria marcar um ponto de viragem, hoje negou que o tenha feito. Sem se rir e sem vergonha na cara. Mas ele disse. Agora recusa-se a admitir que disse e não faz novas previsões. Não o podemos censurar - a figura de urso ninguém lha tira, contudo. Nem a mentira. Vítor Gaspar, o ministro que não acerta uma previsão e que mente descaradamente, é realmente impressionante. Tenho orgulho de o ter como ministro das finanças. Todos nós temos, é um imperativo moral que tenhamos.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012
por Sérgio Lavos

"Não é de agora que Vítor Gaspar falha nas previsões para a economia portuguesa. O filme de 2012 já tinha acontecido em 1993. O único ano de recessão na década de 90 teve o dedo do atual ministro das Finanças.

 

Na altura, quem mandava nessa pasta era Braga de Macedo, o ministro otimista, de tal forma que as suas estimativas até ficaram conhecidas como a «teoria do oásis».

No ano anterior, em 1992, Gaspar era diretor do departamento de estudos económicos do Ministério das Finanças. Portanto, esteve por detrás das previsões feitas para 1993. (...)

E, no final de contas, o que é facto é que as receitas correntes efetivamente cobradas caíram 5,3% em relação a 1992 (-4,8% no caso dos impostos diretos, -0,2% no caso dos indiretos).

Portanto, o otimismo em relação à evolução da receita fiscal de um ano para o outro não tinha razão de ser. As contas, preto no branco, revelaram outra realidade."

Palavras para quê? É um artista português e está a dar cabo do país. Deve ser um orgulho para os pais. 


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

"Entre outros, Angela Merkel rejeitou a possibilidade de aumentar os impostos sobre a sucessão ou património, já que isso "prejudicaria a classe média alemã, a espinha dorsal da Alemanha".

 

"Em caso de nova quebra conjuntural, o presidente do patronato alemão propõe activar de novo a legislação no sentido da redução horária da semana laboral, conhecida como "Kurzarbeit", que permite conservar postos de trabalho e evitar despedimentos."

 

Lê-se e quase que não se acredita. Isto são boas políticas económicas em tempo de recessão. O contrário do que está a ser aplicado por cá. A culpa não é da hipocrisia de Angela Merkel, fomentada pelas necessidades eleitoriais do próximo ano. É mesmo da incompetência e da fraqueza do Governo perante os poderes europeus, e sobretudo da insistência em persistir nas políticas que falharam estrondosamente em 2012, impossibilitando o crescimento económico e qualquer esperança de recuperação da economia nacional e aprofundando o fosse entre Portugal e os países mais ricos, como a Alemanha - o ataque aos direitos dos trabalhadores terá como consequência isto mesmo. Não devemos esquecer quem são os principais responsáveis pela destruição do país.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012
por Sérgio Lavos

O momento de euforia que os mercados estão a viver, assim como o momento de alívio pelo qual alguns países - sobretudo Itália e Espanha - estão a passar, é um momento de extrema depressão para Pedro Passos Coelho. Saber que o BCE poderá comprar dívida portuguesa deixou profundamente triste o primeiro-ministro português, que tinha a certeza que Portugal iria regressar aos mercados em 2013 graças à cura de austeridade purificadora por que estamos a passar e que, em 27 de Junho passado, dissera discordar da política de intervenção do Banco Central no mercado secundário. Os meus pensamentos estão com o nosso primeiro neste momento particularmente difícil da sua existência.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012
por Sérgio Lavos

Estou confuso. Ontem, Cavaco Silva dizia que a culpa do falhanço do programa de ajustamento é da troika, e teriam de ser eles a fazer as necessárias correcções. Agora, a troika vem dizer que o falhanço é do Governo PSD/CDS - o que até poderia fazer sentido, tendo em conta as vezes que Passos Coelho prometeu ir além da troika na execução das medidas de austeridade. Querem ver que o programa é órfão de pai e mãe, tendo nascido de geração espontânea?


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

Ops. Não é que o motor da economia nacional está a gripar? E com perspectiva negativa, tendo em conta que as encomendas à indústria nacional continuam em quebra acentuada. Surpreendente, quase tanto como os números do desemprego. O Titanic Portugal vai de vento em popa...


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2012
por Sérgio Lavos

Está a ser conseguido um dos objectivos deste Governo: destruir o Estado Social (e, recorde-se, sem que o défice seja reduzido).

 

 


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2012
por Sérgio Lavos

 

A cada nova revelação dos números da execução orçamental, confirma-se a ideia: o país está cada vez mais pobre, mas nem assim o défice de 4.5% irá ser atingido.

 

Passos Coelho e Vítor Gaspar prometeram-nos: a cura de austeridade - "além da troika", disse o primeiro-ministro várias vezes - era necessária ao abrigo do programa da troika. E fundamental para se atingir a meta do défice e assim voltar aos mercados em 2013. Mas Vítor Gaspar falhou. Redondamente, criminosamente. A meta não irá ser atingida, como muita gente previu, tanto à esquerda como à direita. E ninguém poderá levar a sério o ar de surpresa de Gaspar. As consequências de uma política de empobrecimento seriam sempre estas. Aqui no Arrastão inúmeras vezes escrevemos: a austeridade leva a uma contracção da economia, o que significa mais desemprego, aumento das despesas com as prestações sociais, quebra das receitas fiscais, tantos os impostos sobre o consumo como sobre os rendimentos. Os aumentos sobre o IRS, IRC e IVA redundaram num contraproducente fracasso. O que o Governo esperava obter a mais esfumou-se com a crise. E bem pode Vítor Gaspar culpar a conjuntura económica: é mentira. O resgate internacional levou a que os juros da dívida baixassem ao longo do tempo. A injecção de capital feita pelo BCE em Novembro passado permitiu que Portugal respirasse um pouco mais. Mas nem esta descida nos juros se deve a políticas do Governo: se o BCE não tivesse actuado, ainda estaríamos nos mesmos níveis que estávamos em Janeiro. E o crescimento das exportações - a menina dos olhos que também não se deve a políticas deste Governo - abrandou no mês passado.

 

Em dia de vitória da selecção, Vítor Gaspar confessou o seu falhanço. Mas a cada novo falhanço, o Governo aponta na mesma direcção - o abismo. No final do conselho de ministros extraordinário, Paulo Portas - quem terá obrigado o ministro dos submarinos a, por uma vez, dar a cara pelo Governo? - disse que a melhor notícia é terem já passado seis meses. Sem nada de bom para dizer, Portas refugiou-se na vulgaridade insultuosa. Os cálculos eleitorais do Governo deixam de fora o milhão de desempregados, os milhares de empresas em processo de insolvência ou a passar por dificuldades, os pobres cada vez mais pobres. O ideal seria, sabemos bem, que todos emigrassem. Para que o fardo das prestações sociais fosse um pouco reduzido e para que continuassem a crescer as remessas em dinheiro entradas no país.

 

E enquanto isto, os boys continuam a ocupar lugares no Governo e na administração pública. Enquanto isso, privatiza-se as empresas que dão lucro e guarda-se lugares na administração para as pantanosas criaturas que brotam do aparelho dos partidos. E enquanto isso, pressiona-se jornalistas, mente-se com todos os dentes e trafica-se influências a favor de amigos, confrades de avental e membros do partido.

 

2012 vai sem dúvida marcar um ponto de viragem.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 12 de Junho de 2012
por Sérgio Lavos

Quando há umas semanas foram conhecidos os últimos números da execução orçamental relativa ao primeiro quadrimestre do ano, Vítor Gaspar, comentando o aumento do desemprego, disse que não havia precedente empírico para um crescimento tão elevado. Por outras palavras, Gaspar (e o Governo PSD/CDS) admitiam que não faziam a mínima ideia por que razão é que o desemprego tinha crescido tanto em resultado das politicas económicas aplicadas.

 

O que Gaspar se esqueceu dizer foi que as políticas que levaram ao desemprego, em situações semelhantes obtiveram exactamente o mesmo resultado. Na Grécia e na Irlanda sob resgate, ou, mais remotamente, na Argentina de 2002. Numa economia anémica e alimentada pelo crédito, o resultado natural das medidas de austeridade - que incidiram mais no aumento de impostos do que no corte das despesas - seria sempre a falência de milhares de empresas e o despedimento de centenas de milhar de trabalhadores.

 

Como compreender a estupefacção perante os números do emprego? Ou é consequência de uma incompetência extrema - a incapacidade do executivo prever o resultado das políticas aplicadas, apesar de experiências anteriores - ou é produto de um aprimorado cinismo - Gaspar e o Governo PSD/CDS sabiam muito bem o que iria acontecer, mas têm andado todo este tempo a fingir que não sabiam. Seja qual for a possibilidade, é grave. E mais grave se torna quando Gaspar vem insistir na mesma receita para combater o desemprego: reduzir os custos laborais. O Governo continua na senda do pensamento mágico, como se desejando muito, mas mesmo muito, conseguisse criar emprego.

 

Não sabemos se esta redução se fará através da baixa dos salários - que efectivamente já acontece, dado o aumento do número de desempregados - ou nos estímulos às empresas - uma maneira de subsidiar os patrões em vez de subsidiar quem realmente precisa, os sem emprego. Mas poderemos ter a certeza de que um Governo que se surpreende com o resultado das suas próprias medidas económicas é um Governo a navegar à vista, completamente perdido do país que governa. Que esta incompetência se evidencie por vontade própria ou por imposição da troika é absolutamente secundário.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

Lembram-se da efusividade com que foi recebida uma quebra menor na receita fiscal divulgada há umas semanas, quando sairam os dados relativos à execução orçamental dos primeiros quatro meses do ano? Que afinal tinha havido um extraordinário crescimento de 0,2 % da receita fiscal mais segurança social? Lembram-se? Esqueçam isso, não era nada assim. Parece que, devido a uma incorrecção - ou, de acordo com a terminologia gaspariana, um lapso - nas contas do Orçamento, houve na realidade uma quebra de 2,3% nessa receita. Coisa pouca? Não tenhamos dúvidas: o ponto de viragem está quase, quase, mas quase a ser atingido. E os 7,4% de défice registado durante este período de tempo um minúsculo escolho no caminho. Viva a austeridade além da troika.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

 

O João Miranda, na ânsia de convencer os amigos liberais d'O Insurgente de que é a mesma coisa reduzir o défice pela via do aumento de impostos ou pela via do corte das despesas, e que falar da Curva de Laffer no reajusmento em curso não faz sentido, faz um breve apanhado do que era Portugal quando chegou a troika. O outrora liberal João Miranda ganhou um súbito apego à política deste Governo, que no fundo decidiu empobrecer o país sem tocar nos interesses instalados ao longo de décadas. Como decidiu fazê-lo? Aumentando impostos sobre o consumo - quando se calhar faria mais sentido aumentar os impostos sobre o rendimento - e cortando nas despesas sociais. A primeira medida levou a uma queda acentuada no consumo, o que por sua vez levou à diminuição da receita fiscal - e lá se foi o objectivo do aumento da receita do estado. A segunda medida, que poderia ter como efeito uma efectiva redução da despesa pública, foi contrariada pela pressão sobre a economia e o consumo interno; a recessão levou ao aumento acelerado do desemprego, o que, como seria expectável, levou não só a uma redução das contribuições sociais (ao que parece, os desempregados não contribuem para a Segurança Social) mas também, claro, a um aumento do pagamento das prestações sociais - subsídio de desemprego, RSI, reformas antecipadas. Tudo somado, as despesas sociais estão a aumentar, levando a um acentuado crescimento da despesa no subsector Estado.

 

Um ano depois, o que temos:

 

- Estado sem crédito, pagando muito mais pela colocação de dívida, e uma banca a precisar de ser recapitalizada - é para isso que serve grande parte do dinheiro emprestado pela troika.

 

- Orçamento com um défice imprevisível, mas certamente acima do previsto, 4.5%, e conseguido muito à custa de receitas extraordinárias - corte nos subsídios de Férias e de Natal e privatizações de áreas fulcrais da economia.

 

- Economia com um sector de dimensão significativa dependente de obras públicas e do défice - portanto, exactamente igual ao que era antes, ou será que as PPP's já foram erradicadas?

 

- Economia alavancada e dependente do crédito - o regresso aos mercados em 2013 é o grande desígnio deste Governo.

 

- Economia ainda dependente da despesa pública - a história dos salários da Função Pública acima da média é uma chalaça do João Miranda, para quem qualquer coisa acima do nível de salários da China já é um gasto excessivo. Ainda bem que ele não é funcionário público...

 

- E, acrescento eu, um desemprego real de mais de 20% (1 milhão e 200 000 pessoas); quase 2 milhões de pessoas pobres ou no limiar da pobreza; dezenas de empresas a fechar todos os dias; crescimento exponencial das desigualdades sociais (acesso aos cuidados de saúde, educação, etc.); crescimento da dívida pública - já ultrapassa os 120%.

 

Resumindo, esta é sem dúvida a melhor receita e estamos a caminho de nos tornarmos um exemplo para o mundo. A recessão e o empobrecimento são, claramente, inevitáveis, como diz o João Miranda. E não vejo como isso não possa ser uma coisa boa...


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

Portugal vai ter de adoptar mais medidas de austeridade para cumprir metas da troika.

 

Desemprego continuará a subir em Portugal até aos 16,2% em 2013.

 

O Titanic segue de vento em popa. E aquilo já ali à frente - branco, gigantesco e frio - não é um icebergue.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

Quando até a Alemanha adia a aprovação do Tratado Orçamental, ficamos a perceber a figura que Passos Coelho e o seu Governo de idiotas, os primeiros a ratificar o Tratado, andam a fazer lá fora, às nossas custas. Estamos todos de parabéns.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 8 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

Mário Soares apela ao PS para rasgar o acordo da troika.

 

A direita hayekiana chega à conclusão de que o pagamento integral da dívida pública é anti-liberal e o discurso moralista da direita contra esta dívida um dia irá virar-se contra ela. E de passagem até elogia Sócrates e a sua célebre frase do exílio parisiense: "A dívida não é para se pagar, é para se ir gerindo"*.

 

Não tarda nada, iremos ver Passos Coelho a pedir políticas de crescimento à Europa. Não, esperai, já o fez, por interposta pessoa. E ainda há quem diga que Hollande não traria nada de novo ao panorama europeu...

 

*Terei generalizado sobre o Insurgente, como nota André Azevedo Alves. Elogio o pluralismo de um blogue onde tanta gente escreve e concedo que pode haver razões liberais contra os resgates financeiros.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

"Risco português a liderar subidas. (...)

 

Mantêm-se a subir os juros das obrigações do Tesouro (OT) português, das obrigações espanholas e dos títulos irlandeses em todas as maturidades. Nestes "periféricos", a maior pressão está a sentir-se sobre os juros das OT a 3 e a 5 anos. A pressão no horizonte a cinco anos das OT, está a provocar a subida da probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa. O risco de bancarrota subiu para 60,01% e Portugal é hoje o país com maior aumento deste indicador no conjunto dos 80 países monitorizados pela CMA DataVision."

 

Desgraçado Gaspar, que tão confiante estava de que a descida dos juros iria catapultar a economia portuguesa até à estratosfera e vê a democracia em plena carburação a dar-lhe cabo dos planos (alucinações?). Mas ainda vamos a tempo, seguramente... não será é com medidas de austeridade. Como ontem e hoje têm dito vários comentadores que até há bem pouco tempo eram defensores da austeridade recessiva, a eleição de Hollande pode ser uma excelente notícia para Passos Coelho. E para Portugal, de resto. Para Gaspar é que já não sei se será, mas enfim...


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 29 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

O Governo PSD/CDS bem pode dar pulos de alegria (uma consolação) por causa da descida das taxas de juro, descida que nada tem a ver com políticas do executivo, mas sim com a injecção de capital na economia europeia pelo BCE; tudo o resto é sinal do descalabro das suas políticas:

 

- Portugal deverá perder 170 mil postos de trabalho só este ano.

 

Fitch admite desvio nas contas e novas medidas para Portugal cumprir o défice.

 

- Banco de Portugal admite a possibilidade de mais austeridade para se cumprir a meta do défice.

 

- Banco de Portugal revê em baixa previsões de crescimento para 2012 e 2013.

 

 

 Mas que estas previsões não atrapalhem o optimismo de Passos Coelho. Quem são estes senhores para virem dizer que o último trimestre do ano não será o início do prometido ponto de viragem da economia nacional?


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 21 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

Défice do subsector Estado quase triplicou.

 

- 191%, repito, 191% mais do que no mesmo mês de 2011. 

 

- A receita diminui 4,3%, sobretudo devido à queda de 5,3% nas receitas fiscais. Estranhamente, parece que a austeridade provocou uma coisa chamada retracção do consumo e outra chamada fuga ao fisco. Ninguém estava à espera que isto acontecesse. Sobretudo Vítor Gaspar.

 

- Mas o mais curioso nesta notícia é o crescimento da despesa. Não é que o Governo rigoroso nas contas, que iria cortar a eito nas gorduras do estado e salvar o país no mesmo passo, ainda gasta mais do que o anterior? Será que Gaspar falhou porque não estudou bem a lição?


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 12 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

Portugal chega ao 1º lugar do "clube da bancarrota".

 


por Sérgio Lavos
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Domingo, 11 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

"Crise força corte de gastos alimentares pela primeira vez nos últimos 15 anos. 

 

(...) Nos últimos meses do ano passado, a economia portuguesa conseguiu bater vários recordes, todos eles negativos. O consumo privado, os gastos públicos e o investimento apresentaram os maiores recuos desde que há registo estatístico, e a crise chegou mesmo à mesa dos portugueses, com o primeiro recuo dos gastos alimentares dos últimos 15 anos. As exportações - que se espera que sejam o motor da economia - também estão a abrandar, intensificando os receios de que, este ano, a recessão seja pior do que o esperado."

 

Ainda bem que o amigo Gaspar conseguiu ficar com o QREN. Ninguém duvida de que é isso que nos vai salvar...


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 8 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

 

"Finanças. Alguém fez mal as contas e receita fiscal está comprometida.

 

(...) Mas em 2012 o Estado poderá perder receita fiscal em outras frentes que não a da justiça tributária. Várias personalidade da vida política e económica nacional se têm questionado sobre se foram feitas contas. O governo aumentou o IVA, mas não está provado que aquilo que espera em aumento da receita por essa via não seja anulado pela quebra das vendas. O consumo, sobre o qual recai uma elevada carga fiscal, continua a desacelerar. O desemprego voltou a subir, atingindo uma taxa de 14,8% em Janeiro, o que implica menos receita e mais custos para o Estado."


por Sérgio Lavos
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Sábado, 3 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

 

 

O verniz começa a estalar dentro do Governo. Álvaro parece ser o primeiro sacrificado das políticas friedmanianas de Vítor Gaspar, mas, ao que parece, não sairá sem luta. O que está em causa? Uma aparente mesquinhez, mais uma neste Governo de alforrecas e de alucinados neoliberais: os fundos do QREN, entregues a Portugal para estimular a economia, mas que se arriscam a ser açambarcados por Gaspar e Coelho para mascarar uma vez mais o défice. Depois do pânico do ministro das finanças ao descobrir que o resultado da austeridade recessiva é uma quebra brutal nas receitas do estado, tudo será feito para se chegar ao objectivo a que o Governo se propôs. O ano passado, foi o ruinoso negócio das pensões da Banca. Esperemos o pior este ano, até porque o Governo não parece estar disposto a abdicar da sua posição agachada perante o directório alemão e a bater o pé, como o fez por exemplo o Governo de Rajoy na vizinha Espanha: a meta de 4.4% foi atirada às urtigas, e num assomo de dignidade, foi anunciado que o número a cumprir será 5.8%. São de direita, e estão a prosseguir também na senda da destruição do Estado Social espanhol, mas pelo menos agem de acordo com o exequível, mesmo que isso leve ao desagrado de Frau Merkel. Têm cojones, coisa de que este Governo nunca se poderá gabar.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 2 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

Gaspar em pânico com quebra abrupta das receitas da Segurança Social e do IRS.

 

Não é que o aumento do desemprego e a recessão de 3.8% (e a contar) estão a levar a uma brutal quebra de receitas fiscais e das prestações sociais? O Gaspar estaria à espera que os novos 200 000 desempregados continuassem a pagar impostos, a descontar para a Segurança Social e a consumir? E que os milhares de empresas que estão a fechar também continuassem a pagar IRC? Realmente, surpreendente que isso não esteja a acontecer... 


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 1 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

Desemprego saltou para 14,8% em Janeiro, diz o Eurostat.

 

Número de empresas em despedimento coletivo quase duplicou em janeiro.

 

Novo chefe do FMI para Portugal admite contracção maior que o previsto.

 

Recessão e desemprego ameaçam metas do défice, avisa UTAO.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

Ufa, ainda bem que a troika avaliou positivamente os esforços do Governo PSD/CDS na execução do memorando. Caso contrário, seria preocupante esta notícia sobre o agravamento da recessão - 3,3%, de acordo com o conhecido antro de abutres comunas chamado Comissão Europeia - durante o ano do nosso ponto de viragem.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

Desemprego sofreu a maior subida de sempre, para 14% no final do ano.

 

E, en passant:

 

Um Presidente da República bravely running away. A maioria sonhada por Sá-Carneiro a caminho da implosão. 


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

Dos três países que se encontram em processo de resgate, apenas em Portugal a atividade económica deverá continuar a cair nos próximos meses.

 

E ainda:

 

Moody’s baixa nota de Portugal, Itália e Espanha.

 

E ainda:

 


Sobre esté último dado: bastaram seis meses de medidas de austeridade para o país entrar em recessão técnica. O ano de 2012 vai ser, definitivamente, um ponto de viragem. Em direcção ao fundo.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

Dívida pública passa 110% do PIB e é a terceira maior da UE.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

Depois de na semana passada a crónica de Pedro Santos Guerreiro sobre a deserção de Alexandre Soares dos Santos ter feito furor nas redes sociais, tendo sido citada por tudo quanto era blogue de direita e percorrido a via sacra do Facebook, só posso esperar que o mesmo aconteça com esta

 

"As nomeações para a EDP são um mimo. Catroga, Cardona, Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo... isto não é uma lista de órgãos societários, é a lista de agradecimentos de Passos Coelho. O impudor é tão óbvio nas nomeações políticas que nem se repara que até o antigo patrão de Passos, Ilídio Pinho, foi contratado.

Estava a correr bem de mais... Um grande negócio para o Estado, uma privatização que reforça a EDP, a gestão reconduzida. Mas a carne é fraca. É sempre fraca. Só falta uma proposta na Assembleia Geral da EDP: mudar o nome de Conselho Geral e de Supervisão (CGS) para o de Loja do Governo.

É extraordinário como uma empresa em vias de total privatização se consome na absurda politização. E é surpreendente: a recondução de António Mexia fora uma demonstração de isenção de Passos Coelho: este Governo não gosta de Mexia nem do poder da EDP (basta ler a entrevista de hoje do secretário de Estado da Energia neste jornal) mas quando os chineses perguntaram se o queriam, Passos não se opôs - remeteu a decisão para os accionistas. Ingenuidade do primeiro-ministro? Não, ingenuidade nossa. A troca foi esta lista de famosos da política. Porquê?

Eis porquê: primeiro, os chineses concebem as estruturas de poder ancoradas no Estado, pelo que acharão normal a sofreguidão de emissários políticos; segundo, os chineses trabalham em ciclos longos, pelo que os próximos três anos de mandato são, como na anedota, um "deixa-os poisar" que deixará crer que não os novos donos não vêm controlar. Mas o mais importante é outra coisa: o CGS representa os accionistas da EDP e muitos, aflitos que estão, também querem vender aos chineses. O triângulo amoroso produziu esta aberração.

Para ser isto, o CGS da EDP devia ser extinto. Este órgão, criado para gerir o equilíbrio entre o Estado e privados, tornou-se numa loja de vendedores e vendidos. Paradoxalmente, o Conselho de Administração Executivo seria mais independente se o CGS fosse extinto e funções como as de auditoria e remunerações fossem transferidas.

António Mexia não é desta loja, ser convidado para um novo mandato é uma grande vitória sua, mas ele sai mais fraco: tem um Governo hostil, aceitou nomes na comissão executiva impostos pelos chineses e está apoiado em accionistas que estão de saída (BES, Mello, BCP).

Voltemos às nomeações. Podíamos dizer que não está em causa o mérito pessoal de cada uma destas pessoas, mas está. Porque o mérito que está a ser recompensado não é o técnico ou sentido estratégico, é o da lealdade e trabalho político. É Catroga (ainda assim, o único aceitável) ter suado por Passos como "ministro sombra", é Teixeira Pinto ter feito a proposta de revisão constitucional, é Braga de Macedo ter feito uma estratégia para a internacionalização que foi triturada por Portas.

É curioso, mas Miguel Relvas, tendo a fama de "apparatchik" que tem, está a fazer as coisas bem. Na RTP, manteve a administração de Guilherme Costa, que tem gente essencialmente próxima do PS. Já Passos reincide na fórmula tenebrosa da Caixa Geral de Depósitos, reforçando a dose: dois cavaquistas (Catroga e Rocha Vieira), dois passistas (Braga e Teixeira Pinto) e um CDS (Celeste Cardona, a mulher mais polivalente de Portugal, já foi ministra, banqueira e agora será conselheira na Energia).

Duas linhas para Ilídio Pinho: é um grande empresário, está ligado ao Oriente e não precisa deste cargo para nada. Precisam talvez as suas empresas. E é pouco recomendável ver metido nisto o accionista e membro dos órgãos da Fomentivest, onde trabalhava Passos Coelho. O próprio devia sabê-lo - e não aceitar.

Por esta lógica, ainda veremos Ângelo Correia ou José Luis Arnaut assomarem numa das próximas nomeações (a próxima é já a Portugal Telecom). O problema é que, enquanto isso, milhões de portugueses estão a perder salários, empregos, a pagar mais impostos, mais pelas rendas ou pela saúde. Estas nomeações são uma provocação social. Porque enquanto muitos tratam da sua vida, alguns tratam da sua vidinha.

As nomeações da EDP, como antes as da Caixa, são um mau sinal dentro da EDP e da Caixa, e são um mau sinal do País. Já não é descaramento, é descarrilamento. A indignação durará uns dias, depois passa, cai o pano sobre a nódoa. A nódoa fica. Quem é mesmo o macaquinho do chinês?"

Adenda: Louve-se o Insurgente, o primeiro blogue de direita a destacar este texto. No Blasfémias, no pasa nada. Siga.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

O clube de fãs de Alexandre Soares dos Santos ataca em força na blogaria. Que há por aí um "histerismo" dos media, uma "hipocrisia". Enfim, só posso dizer: têm toda a razão. E então quando vêm os partidos do Governo lamentar a atitude de ratazana abandonando o barco do merceeiro do Pingo Doce, mais convencido fico. É claro que ele pode mudar a cabeça da holding para muito bem entender, é livre de o fazer e tem legitimidade económica (o que quer que seja que esta expressão signifique) para isso. O que é chato é ter andado tanto tempo a aparecer em "planos inclinados" e outras salubridades do género, apregoando uma moral patriotinha e cretina e apelando aos sacrifícios dos portugueses e a um maior esforço dos seus clientes e trabalhadores - até porque os lucros da empresa que dirige têm de manter-se constantes. Mas quem, no lugar dele, não se poria daqui a andar? Fantástico argumento; aplicado até ao absurdo, faria com que o país apenas ficasse com os aleijados, doentes e crianças. (E os políticos e jotinhas que gravitam o poder.) Enquanto não sai o próximo número da excelsa colecção barretiana da benemérita fundação do Pingo Doce, até podemos ir sugerindo medidas a este Governo (ou outro) para evitar esta fuga de capital para mais aprazíveis paragens: por que não uma sobretaxa sobre as empresas cujas holdings ou subholdings estejam sedeadas em países estrangeiros? Ou então, benefícios fiscais para quem decidir mudar-se para (ou ficar) cá. Isto, é claro, se a progressão fiscal nos rendimentos singulares for mais acentuada. Será que assim, com um regime fiscal parecido com o da Holanda* - impostos baixos para as empresas e altos para rendimentos, o que lhes permite manter um Estado Social forte e sustentado sem limitar a livre iniciativa - os nossos "liberais" ficariam contentes? Melhor ainda: voltaria Soares dos Santos ao país, caso houvesse algum Governo que tivesse a coragem de implementar esta revolução fiscal? 

 

*Para uma comparação mais directa com o nosso país, ver aqui. Enquanto em Portugal os impostos sobre o rendimento singular variam entre os 10.5% e os 40%, na Holanda, a variação vai de 0 a 52%. Para além do mais, a diferença não é assim tão grande no IRC: 20 a 25% na Holanda e 25% aqui. Competitividade é, definitivamente, isto.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

Portugal é o único país onde a austeridade exigiu mais aos mais pobres.

 

O meu sincero obrigado ao Governo PSD/CDS (com a extraordinária contribuição do Governo Sócrates). Conseguimos ser os primeiros em alguma coisa: o empobrecimento. Estamos todos de parabéns.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Sampaio condecora hoje 21 empresários e investigadores.

 

Em 2000, pela prestação de serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, Alexandre Soares dos Santos é distinguido com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. E, seis anos mais tarde, em reconhecimento dos seus actos em favor da colectividade, é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.

 

 Dona da Jerónimo Martins passa totalidade do capital para subsidiária na Holanda.

 

E o caga-sentenças António Barreto, o que terá a dizer sobre isto?

 

 

(A imagem é do Nuno Serra.)


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011
por Miguel Cardina
Ouvir banqueiros circunspectos a perorar muito seriamente contra o desregramento consumista dos portugueses nos últimos anos.

por Miguel Cardina
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Terça-feira, 4 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

Parece que Alberto João Jardim e Angela Merkel aprenderam a gerir dinheiros públicos na mesma escola. E agora, será que a Alemanha vai ter de abdicar da sua soberania para poder cumprir os critérios de estabilidade? É que a partir dos 90% a dívida começa a esmagar o crescimento económico e a Alemanha parece que afinal já vai nos 185%, a um passo dos 186 da Grécia e distanciando largamente a Itália (120%), Portugal e a Espanha. Quererá a pátria de Frau Merkel entrar para o quadro de desonra do Euro?


por Sérgio Lavos
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