Sábado, 23 de Abril de 2011
por Miguel Cardina

 

Da Gui, claro.

tags:

por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
por Miguel Cardina

Aqui fica, na íntegra, o manifesto dos 74 nascidos depois do 25 de Abril. Afirmam não se resignar com a erosão do património material e simbólico decorrente dessa ruptura democrática e consideram que nos dias de hoje se configura uma séria ofensiva que exige uma mobilização cidadã equivalente. Vale a pena ler:

 

O inevitável é inviável: Manifesto dos 74 nascidos depois de 74

 

Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma «evolução», colocando o «R» no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro.

 

O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara – com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do «grande centro» ideológico – pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde.

 

O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX.

 

O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população.

 

Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em «credores» aqueles que lucram com a dívida, em «resgate financeiro» a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em «consenso alargado» a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada. Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança. Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!

 

Alexandre de Sousa Carvalho – Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac – antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos – sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom – animadora sociocultural; André Avelãs – artista; André Rosado Janeco – bolseiro de doutoramento; António Cambreiro – estudante; Artur Moniz Carreiro – desempregado; Bruno Cabral – realizador; Bruno Rocha – administrativo; Bruno Sena Martins – antropólogo; Carla Silva – médica, sindicalista; Catarina F. Rocha – estudante; Catarina Fernandes – animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro – estudante; Catarina Lobo – estudante; Celina da Piedade – música; Chullage - sociólogo, músico; Cláudia Diogo – livreira; Cláudia Fernandes – desempregada; Cristina Andrade – psicóloga; Daniel Sousa – guitarrista, professor; Duarte Nuno - analista de sistemas; Ester Cortegano – tradutora; Fernando Ramalho – músico; Francisca Bagulho – produtora cultural; Francisco Costa – linguista; Gui Castro Felga – arquitecta; Helena Romão – música, musicóloga; Joana Albuquerque – estudante; Joana Ferreira – lojista; João Labrincha – Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel – actriz; João Pacheco – jornalista; João Ricardo Vasconcelos – politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues – economista; José Luís Peixoto – escritor; José Neves – historiador, professor universitário; José Reis Santos – historiador; Lídia Fernandes – desempregada; Lúcia Marques – curadora, crítica de arte; Luís Bernardo – estudante de doutoramento; Maria Veloso – técnica administrativa; Mariana Avelãs – tradutora; Mariana Canotilho – assistente universitária; Mariana Vieira – estudante de doutoramento; Marta Lança – jornalista, editora; Marta Rebelo – jurista, assistente universitária; Miguel Cardina – historiador; Miguel Simplício David – engenheiro civil; Nuno Duarte (Jel) – artista; Nuno Leal – estudante; Nuno Teles – economista; Paula Carvalho – aprendiz de costureira; Paula Gil – Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos – jornalista; Ricardo Araújo Pereira – humorista; Ricardo Lopes Lindim Ramos – engenheiro civil; Ricardo Noronha – historiador; Ricardo Sequeiros Coelho – bolseiro de investigação; Rita Correia – artesã; Rita Silva – animadora; Salomé Coelho – investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa – jornalista; Sara Vidal – música; Sérgio Castro – engenheiro informático; Sérgio Pereira – militar; Tiago Augusto Baptista – médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues – bioquímico; Tiago Gillot – engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz – programador cultural; Tiago Mota Saraiva – arquitecto; Tiago Ribeiro – sociólogo; Úrsula Martins – estudante

tags:

por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (59) | partilhar

Terça-feira, 29 de Março de 2011
por Miguel Cardina

Ficámos hoje a saber que a Assembleia da República não realizará a tradicional sessão comemorativa do 25 de Abril, uma vez que já estará dissolvida. Há quem legitimamente se lamente com o facto. Eu próprio gosto de ficar a ouvir os discursos enquanto observo cravados e desencravados. Mas não há dúvida que a inexistência de cerimónia também tem os seus lados positivos: em primeiro lugar, estaremos a salvo de um qualquer Aguiar Branco que decida aproveitar a data para defender a revisão constitucional e atacar o Estado Social com base em frases de Lenine, Sérgio Godinho e Rosa Luxemburgo (sim, isso aconteceu); em segundo lugar, ficaremos a saber quais os deputados e deputadas que decidirão comemorar a data onde ela também merece ser comemorada - na rua. Como diziam aqueles filósofos britânicos dos anos setenta, o que é preciso é olhar sempre para o lado luminoso das coisas.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

Sábado, 4 de Dezembro de 2010
por Miguel Cardina

Pedro Passos Coelho afirmou esta noite na RTP 2 que Sá Carneiro «dirigiu uma contra-revolução contra os desvios da revolução».

tags: ,

por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (36) | partilhar

Domingo, 27 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira



Tem razão o deputado Paulo Rangel (do PSD) quando escreveu, ontem no "Público", que esta intervenção de José Soeiro (do BE), concorde-se ou discorde-se dela, é das melhores que se fizeram nos últimos anos em comemorações do 25 de Abril. E cito Rangel porque ele foi autor, há dois anos, de outro excelente discurso sobre a qualidade da nossa democracia e os direitos cívicos. Aqui é Soeiro a ir para lá da espuma dos dias e a fazer uma intervenção de fundo sobre a escola e a democracia. Talvez a melhor resposta (involuntária) ao discurso beato de Cavaco sobre o suposto alheamento dos jovens em relação à política.

É importante repetir o óbvio: a democracia não é "assunto" pelo qual as pessoas se devam interessar. É uma prática diária. E quem, a cada momento, por razões de eficácia ou de saudosismo de uma autoridade perdida, quer reduzir a sua vivência nas escolas, nas empresas, no Estado ou no espaço público não se pode espantar quando os cidadãos (jovens ou não) tratam a democracia como uma coisa que lhes é estranha.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Daniel Oliveira

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Daniel Oliveira

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar


pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador