[...] Hoje temos a pouca sorte de assistir à "criação ao vivo", como se a literatura fosse uma matança do porco, em directo. Temos, enfim, poetas muito mediáticos, gente deveras talentosa e os cagalhões ampliados da Joana Vasconcelos. Uma colorida tristeza, se virmos bem. [..]
- Manuel de Freitas, em CÓLOFON,
Lisboa: Fahrenheit 451, 2012
Foto tirada ontem, num palácio nacional perto de si.
O mesmo Governo que patrocinou o cortejo de vaidades da Joana Vasconcelos em Versalhes prepara-se para acabar com o financiamento do museu de Paula Rego, a Casa das Histórias, museu esse que contou com a doação inicial de mais de 500 obras da pintora portuguesa que os ingleses gostavam de ter como sua. São critérios. Se se confirmar o fim da fundação, espero que Paula Rego seja firme e peça os seus quadros de volta. Um país que trata assim os seus mais dilectos filhos merece nada menos do que isso. Merece nada.
Lembrei-me desta frase, do Quinito, ao ver estes dois vídeos, compilando todas as acções do Pirlo nos jogos contra a Inglaterra e a Espanha neste europeu. Ainda falta o melhor, contra a Alemanha, mas estes dois já são tão bons, tão bons que quase puxam as lágrimas.
(vídeos retirados daqui, antes que o maradona se lembre de os apagar)
Quando é o próprio secretário de Estado da Cultura a escolher o representante de Portugal na Bienal de Veneza, e não um comissário - coisa inédita -, e dias depois do ministro dos Negócios Estrangeiros ter dado à costa para falar desta espectacular diva da arte, que consegue ser “genial, internacional, tradicional e empresarial” (Portas dixit), não precisamos de mais nada: Joana Vasconcelos é o passaporte para a imortalidade de Portugal. O histerismo político é tão pífio que, perto disto, os galos de Barcelos da artista parecem as Graças de Botticelli.
(E não surpreende que a artista se deixe instrumentalizar politicamente: a produção em série de mamarrachos que evocam a "tradição portuguesa" precisa de ser escoada de qualquer maneira. São escolhas de vida.)
*Para não baixar o nível estético deste blogue, optei por reduzir à sua verdadeira dimensão uma das obras da artista. Tem de haver limites para o mau gosto.
clicar para ver com maior detalhe.
O governo holandês realizou um concurso para a edição comemorativa de uma moeda de 5 euros alusiva ao tema “A Holanda e a Arquitectura”. O resultado final, como se pode ver, é simplesmente deslumbrante. Na cara da moeda, o nome dos 109 arquitectos holandeses mais famosos formam a imagem da rainha holandesa. A cuidadosa conjugação da lombada de livros de arquitectura desenha o mapa do país no centro da outra face da moeda. O artista vencedor, Stani Michiels, explica no seu blogue o complexo processo de criação do desenho vencedor e o software (gratuito e de licença livre) utilizado. Agora só falta lembrar o Zé Nuno para não se esquecer de trazer uma moedinha destas da próxima vez que vier a Lisboa.
(via designobserver)
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O governo holandês realizou um concurso para a edição comemorativa de uma moeda de 5 euros alusiva ao tema “A Holanda e a Arquitectura”. O resultado final, como se pode ver, é simplesmente deslumbrante. Na cara da moeda, o nome dos 109 arquitectos holandeses mais famosos formam a imagem da rainha holandesa. A cuidadosa conjugação da lombada de livros de arquitectura desenha o mapa do país no centro da outra face da moeda. O artista vencedor, Stani Michiels, explica no seu blogue o complexo processo de criação do desenho vencedor e o software (gratuito e de licença livre) utilizado. Agora só falta lembrar o Zé Nuno para não se esquecer de trazer uma moedinha destas da próxima vez que vier a Lisboa.
(via designobserver)
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O governo holandês realizou um concurso para a edição comemorativa de uma moeda de 5 euros alusiva ao tema “A Holanda e a Arquitectura”. O resultado final, como se pode ver, é simplesmente deslumbrante. Na cara da moeda, o nome dos 109 arquitectos holandeses mais famosos formam a imagem da rainha holandesa. A cuidadosa conjugação da lombada de livros de arquitectura desenha o mapa do país no centro da outra face da moeda. O artista vencedor, Stani Michiels, explica no seu blogue o complexo processo de criação do desenho vencedor e o software (gratuito e de licença livre) utilizado. Agora só falta lembrar o Zé Nuno para não se esquecer de trazer uma moedinha destas da próxima vez que vier a Lisboa.
(via designobserver)
Paulo Pinto Mascarenhas já tornou pública a sua posição sobre o Nobel da literatura. Nunca leu mas é contra. Como na ortodoxia comunista, a política determina a arte. No caso, a avaliação da sua qualidade. Afinal de contas, a gaja é feminista. Dali não pode vir boa coisa e a razão do reconhecimento só pode ser ideológica.
Que fique esclarecido: lamentavelmente, ainda não li nada de Doris Lessing. Quase só tenho ouvido elogios. Mas nestas matérias não confio na opinião de ninguém. Afinal de contas, pessoas que respeito e de gosto em geral inatacável andaram anos a tentar vender-me o neo-realismo português.
A imagem (que não é esta que aqui está, claro) tem 9,9 Gigapixels e é a maior fotografia de alta resolução do mundo. Trata-se de um fresco de Andrea Pozzo, “La Gloria di San’Ignazio”, da Igreja de Santo Inácio de Loyola, em Roma. Clicando na imagem que aqui coloquei chegará ao site e poderá ver os mais ínfimos pormenores. O projecto é da HAL9000, um grupo especializado em restauro e preservação de arte. Cheguei lá graças ao Corta-Fitas, que descobriu o recorde anterior: um fresco italiano de 1513, de Gaudenzio Ferrarri, na Igreja de Santa Maria delle Grazie, em Varalli Sesia, que também pode "visitar". Tenho lá voltado para ver um pouco de cada vez. Espero ansiosamente por mais.
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