Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

Será assunto ruim para repisar, mas volto ao voto de condolências de sua excelência o presidente da República. E volto para lembrar que sua excelência é o presidente de todos os portugueses, não o presidente das pessoas que votaram nele ou o presidente dos companheiros de partido. Que tenha publicamente demonstrado o seu pesar pela morte de António Borges, parece-me normal. O que não é normal é que não tenha tido a mesma atitude pública perante a morte de três bombeiros - mais uma dezena de feridos -, três bombeiros que morreram a combater o fogo, a defender as populações que o presidente supostamente representa. Cavaco Silva é há muito um presidente de facção. O facto de ele ter-se "esquecido" de dar as condolências públicas às famílias dos bombeiros não é apenas um deslize. Hoje uma fonte veio dizer que os votos já foram dados em privado. Mas a verdade é que sua excelência o presidente da República achou por bem tornar públicas as condolências à família de António Borges e não o fez em relação às famílias dos bombeiros. A estatura moral de Cavaco Silva é inversamente proporcional ao tamanho do seu ego. Encurralado na sua mesquinhez e na trincheira laranja para onde voluntariamente se remeteu, é neste momento o presidente apenas de um número muito pequeno de portugueses. A degradação completa da instituição a que transitoriamente pertence é o seu maior legado. Uma nódoa na nossa História mais recente.

 

Nota: a irritação que o gesto de Cavaco provocou em mim terá levado a que eu tenha usado um epíteto que, merecendo-o ou não em vida, António Borges (e sobretudo quem o chora) não deve receber na morte. Até porque acredito que os mortos, não podendo defender-se, têm pelo menos direito ao silêncio dos seus adversários. O desaparecimento, contudo, não apaga quem foi Borges. A maioria dos portugueses sabe muito bem quem foi. E isso não lhe será perdoado.

 

Adenda:entretanto, a equipa de spin os assessores do presidente da República já informaram que afinal as condolências foram dadas, mas Cavaco terá pedido para o gesto ser mantido em privado. Inacreditável a noção da prioridades que o PR tem: não acha necessário dar as condolências às famílias dos bombeiros em público (apesar de no passado, quando aconteceram outras calamidades naturais - o tornado no Algarve, por exemplo - se tenha dirigido através das televisões às vítimas) -, mas acha prioritário lamentar a morte de uma personagem da nossa vida pública nada consensual, alguém que metade do país odeia. Resumindo: transforma um voto de condolências privado (Borges era amigo de Cavaco) num voto institucional, e abdica de emitir um voto que deveria ser institucional - os bombeiros defendem bens públicos e as populações -, tornando-o privado. É claro que as pessoas não são tão parvas como Cavaco pensa. Um voto de pesar público pela morte dos bombeiros poderia ser visto como uma crítica ao Governo e à sua política de combate aos incêndios e o presidente de todos os laranjinhas sabe que o executivo continua pendurado por um fio. A mediocridade de Cavaco nunca nos surpreende. 


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
por Sérgio Lavos

E já chegou à imprensa francesa. Com menção a Nossa Senhora e tudo.

por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
por Sérgio Lavos

 

Recorrendo às várias notícias que continham fugas de informação sobre o que se tinha passado no Conselho de Estado, a Joana Lopes deu-se ao trabalho de compôr um guião do filme da reunião, mais um acto vergonhoso na vida do político mais rasteiro da nossa democracia, Cavaco Silva. Serviço público:

"Ao contrário do que as primeiras impressões fizeram crer, sabe-se agora que Cavaco Silva foi o grande derrotado da reunião do Conselho de Estado da passada segunda-feira. As muitas fugas de informação de que os meios de comunicação social se fizeram eco, jamais vistas em tal quantidade no passado, evidenciam:

 

– que alguns dos conselheiros quebraram, deliberada e extensivamente, o secretismo quanto ao que se passa no órgão a que pertencem, embora não tenham a coragem de dar a cara publicamente (o que pessoalmente não aprecio mas acaba por ser útil) e mostraram ter perdido o respeito pelo presidente;

 

– que a reunião foi bem tumultuosa e que grande parte do que se passou não foi refletido no comunicado final, por proibição expressa de Cavaco Silva;

 

– que o apelo ao consenso como cura milagrosa para todos os males, uma das ideias-mestras do presidente para a reunião, não foi incluído no texto por veto de alguns dos presentes.

 

Com o que é hoje sabido, e mesmo que se desconte uma percentagem significativa do que tem sido divulgado, poderia ser redigido um outro Comunicado, esse sim fidedigno. Mesmo sem ir tão longe, fica aqui (com base em fontes que cito no fim do texto) um «complemento» àquele papiro hieroglífico que um senhor que eu não sei quem é leu, às tantas da noite, a telespectadores resistentes que não queriam acreditar no que estava a acontecer-lhes. Com que objectivo? Um único: rebater a afirmação cada vez mais generalizada segundo a qual «os políticos são todos iguais», «com eles não vamos a parte nenhuma», etc., etc. – porta escancarada para todos os populismos deste mundo. E evidenciar, uma vez mais e se preciso fosse, que temos o pior presidente da República de quatro décadas de democracia.

 

Então aí vai um resumo para quem estiver interessado.

 

Assunção Esteves pediu uma voz mais forte ao governo na Europa e fez uma intervenção muito crítica da situação actual, no que foi acompanhada por vários outros conselheiros que classificaram negativamente o governo de Passos Coelho, tendo alguns deles pedido expressamente a sua demissão.

 

Uma das posições mais veementes foi a do presidente do Tribunal Constitucional, que aproveitou a ocasião para responder às críticas que o primeiro-ministro fez à decisão de chumbar o Tribunal Constitucional, sublinhando que são as leis que têm de se adaptar à Constituição, e não a Constituição que tem de se adaptar às leis, e avisando que o TC não se deixará condicionar em futuras análises de legalidade dos orçamentos.

 

Já quanto ao sacrossanto tema do consenso nacional, a discussão foi muito acesa e foram vários os conselheiros que afirmaram que ele não existe, nem quanto ao presente nem quanto ao futuro – sobretudo Mário Soares, Manuel Alegre e Jorge Sampaio –, tendo este último considerado que o tempo de negociação e de compromisso já passou (Aleluia!).

 

Como seria de esperar, Bagão Félix falou detalhadamente sobre a «TSU dos pensionistas», Manuel Alegre e António José Seguro defenderam expressamente eleições antecipadas e Balsemão foi o único que apoiou as políticas do governo de Passos Coelho.

 

A última das sete horas de reunião foi dedicada à homérica tarefa de redigir o Comunicado final por causa da decisão que o presidente tomou de invocar o regimento, que permite que aquele traduza «a totalidade ou parte do objecto da reunião e dos seus resultados», para omitir a discussão sobre a actual situação do país, que ocupou boa parte do debate. Quando Jorge Sampaio percebeu que Cavaco Silva tinha um texto pronto que não correspondia ao que, de facto, se tinha passado, protestou com alguma fúria, no que foi acompanhado sobretudo por Manuel Alegre e António José Seguro. Cavaco manteve a intransigência quanto ao silenciamento do que fora discutido, mas foi obrigado a riscar um parágrafo em que queria apelar ao consenso. A situação ficou tão tensa que chegou a ponderar-se a hipótese de não se divulgar comunicado algum e acabou por ser Marcelo Rebelo de Sousa a desempenhar o papel de conciliador e a tornar possível a existência de uma prosa oficial.

 

Nem tudo se passou assim? É bem provável. Mas terá andado lá perto.

 

O dr. Cavaco Silva ficou muito, muito mal na fotografia de um serão em que a sua única «vitória» foi esconder a verdade por meios burocráticos e talvez pense duas vezes antes de repetir a dose, ou seja antes de convocar novamente o Conselho de Estado. Esta reunião não lhe correu bem e, corajoso como tomos sabemos que (não) é, pode temer que os Conselheiros transformem a próxima numa espécie de Revolta na Bounty.

 

Fontes – (1), (2), (3), (4) e (5)"


por Sérgio Lavos
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Sábado, 27 de Abril de 2013
por Sérgio Lavos

Este texto de Paulo Gaião mostra quem é Cavaco Silva, alguém que apenas poderá ser comparado, em carácter e no modo de actuar, a Miguel de Vasconcellos, o traidor defenestrado na revolução de 1640:

 

"Cavaco Silva fez a vida negra aos governos da AD de Pinto Balsemão em 1981 e 1982,  um ano antes da assinatura de mais um pacote de ajuda do FMI a Portugal (o primeiro tinha sido em 1978).

 

Os executivos Balsemão tinham uma maioria no Parlamento mas Cavaco não se importou com isso. 


Conspirou, escreveu cartas abertas, fez reuniões secretas no Banco de Portugal, na sua vivenda algarvia Mariani (de Maria e Anibal). Até em traineiras de pesca com sardinhada ao almoço conspirou.

 

Destruiu mas nunca apresentou alternativas. Na hora da verdade, não apresentava listas nos órgãos nacionais do PSD.

Contribuiu fortemente para a instabilidade política, que levou os governos Balsemão à queda, e nesta medida, é também responsável pela degradação na altura das condições económicas do país e pelo recurso inevitável ao FMI para se evitar a bancarrota.  

 

Em Fevereiro de 1983, com o PSD em fanicos e o país aflito, a três meses de ser resgatado, Cavaco nem se dignou ir ao Congresso laranja de Montechoro. Preferiu ficar no bem-bom da Mariani, a 200 metros da assembleia magna do PSD.

Nem quis participar na campanha para as eleições de 25 de Abril de 1983.


Durante o governo do Bloco Central, entre 1983 e 1985, Cavaco recusou negociar enquanto quadro do Banco de Portugal com as equipas do FMI que estiveram no país.


Quando Mota Pinto lhe pediu para expor, num Conselho Nacional do PSD,  a politica económica do governo, primeiro não quis e depois acabou por fazer um discurso muito crítico para a política do governo, que fez tremer o executivo e ameaçou o  cumprimento do programa de assistência internacional.     

 

De vez em quando Cavaco dava apoio mitigado à direcção do PSD, fazendo jogo duplo com Mota Pinto e o governo do Bloco Central. Tinha o único objectivo de se manter à tona, à espera do melhor momento para aparecer, após os outros terem feito o trabalho difícil da recuperação do país.

 

Em 1985 chegou essa hora. Venceu o Congresso da Figueira da Foz e rompeu o acordo do Bloco Central, o que conduziu à realização de eleições antecipadas que já sabia que ia ganhar, esmagando o PS com a ajuda de Ramalho Eanes e do seu novo PRD.

 

É este homem, hoje Presidente da República, que fala no 25 de Abril na necessidade imperiosa de acabar com a crispação política,  gerando consensos e "condições estruturais de governabilidade" para evitar um segundo pacote de resgate e critica quem explora "politicamente a ansiedade e a inquietação dos nossos concidadãos"... "


por Sérgio Lavos
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Sábado, 6 de Abril de 2013
por Sérgio Lavos

 

O Tribunal Constitucional considerou quatro normas do orçamento inconstitucionais. A fiscalização de duas delas - a suspensão do pagamento do subsídio de férias a funcionários públicos e a pensionistas - foi pedida pelo presidente da República e pelo PS. As outras duas normas consideradas ilegais - a suspensão dos subsídios no âmbito de contratos de docência e de investigação e a taxa de 6% nos subsídios de desemprego e nas baixas por doença - tinham sido objecto de um pedido de fiscalização por parte do BE, do PCP e dos Verdes, assim como do Provedor de Justiça. A medida orçamental que ao longo dos últimos meses fora considerada pela opinião pública e por constitucionalistas como tendo maior probabilidade de ser chumbada - a taxa adicional sobre as reformas de valor superior a 1300 euros - é constitucional. Recorde-se que esta foi precisamente a medida contra a qual Cavaco Silva mostrou a mais viva das indignações, o que nos leva a especular sobre o que fará com a decisão doTC: se continuará a escolher receber as suas duas míseras pensões de 5000 euros ou se optará por voltar a receber o vencimento relativo às funções que desempenha.  

 

Cavaco Silva foi derrotado de forma estrondosa. E a sua falta de estatura moral e política é um peso insuportável para o país. A sua decisão de não pedir a fiscalização preventiva de um orçamento que padecia, ostensivamente, de várias inconstitucionalidades, levou a que, no momento em que estão a ser negociadas novas condições com os nossos credores, o país esteja a discutir uma possível queda do Governo e as medidas que terão de ser tomadas para substituir as que foram chumbadas pelo TC. A sucessão de acontecimentos, desde a apresentação do orçamento de Estado, mostra até que ponto esta coligação de direita está a prejudicar o país. O sonho de Sá Carneiro - uma maioria, um Governo, um presidente - é na realidade um pesadelo do qual não vemos maneira de acordar. Cavaco Silva ajudou Passos Coelho a chegar a primeiro-ministro, e é refém voluntário desta decisão, será até ao fim. Ontem, antes de se conhecer a decisão do TC, confirmou isso mesmo, ao afirmar que esta não era a altura de haver eleições. Faça o que o Governo fizer, Cavaco não o vai deixar cair. Podem falhar largamente todas as previsões orçamentais, destruirem a economia, manterem uma atitude de humilhante subserviência perante a UE e os nossos credores, podem apresentar orçamentos não só inexequíveis e mal construídos como ilegais à luz da lei fundamental do país, que Cavaco será o último garante deste Governo. Cavaco não preside aos destinos do país, preside aos seus próprios interesses e aos do partido a que sempre pertenceu. A pátria que se lixe, é um pormenor da grandiosa história pessoal de Cavaco Silva. No nosso momento mais difícil, não temos estadistas, mas sim ratos de porão a comandarem o barco. Triste destino, o nosso.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013
por Sérgio Lavos

Cavaco Silva não teria nada a provar, mas voltou a mostrar a massa de que é feito e sobretudo a justificar a razão da sua existência: ser o último garante dos interesses do PSD. Encontrar uma gralha numa lei aprovada há oito anos, isto a seis meses das autárquicas, é um acto prenhe de uma revoltante repugnância, uma indecorosa facilitação dos interesses dos autarcas do PSD que se vão candidatar em outras autarquias. Este é o mesmo Cavaco que teve vários ministros que agora são arguidos no caso BPN - ainda hoje mais um foi constituído, Arlindo Carvalho; este é o mesmo Cavaco que inventou as escutas de Belém para atacar politicamente José Sócrates; este é o mesmo Cavaco que se esqueceu convenientemente do sítio onde guardou a escritura da sua casa da Coelha, uma oferta do gangue de Oliveira e Costa não enjeitada por quem alimentou esse gangue. Este Cavaco é uma das principais razões para neste momento eu sentir vergonha de ser português. Asco.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012
por Sérgio Lavos

Ter isto em Belém:

 

 

Ou ter isto:

 

 

Vai dar ao mesmoLembremos:

 

"O Presidente da República é o Chefe do Estado. Assim, nos termos da Constituição, ele "representa a República Portuguesa", "garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas" e é o Comandante Supremo das Forças Armadas.

 

Como garante do regular funcionamento das instituições democráticas tem como especial incumbência a de, nos termos do juramento que presta no seu ato de posse, "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa"."

 

Pior do que está, não fica.

 

(É claro que uma das razões que explicam a passividade do presidente são as claras sombras do passado - BPN e afins. Os rapazes do Dr. relvas levam o seu trabalho a sério, e se o presidente põe o pé fora de Belém, arrisca-se, como muito bem explica o Luís M. Jorge. Não se brinca com as gentes de Palermo.)


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2012
por Sérgio Lavos

*

 

Há um tabu que se tem vindo a formar à volta de Cavaco Silva. O seu silêncio é mais do que ensurdecer; neste momento de crise absoluta, de emergência nacional - como os comentadores e os políticos gostam de dizer - a sua ausência do espaço público é criminosa, uma afronta a todos os portugueses que estão a sofrer na pele as consequências da política de terra queimada do Governo PSD/CDS. Falar por enigmas é uma brincadeira de crianças, comunicar pelo Facebook um esvaziamento de autoridade pueril e incompreensível. O presidente da República tem de falar. Seja para apoiar o Governo e a sua política de destruição do país, seja para se afirmar contra. Cavaco tem de dizer qualquer coisa. O silêncio não é uma opção. Se é para esta redundância, esta inutilidade, que temos um presidente, não seria melhor acabar com o cargo e poupar uns largos milhões gastos num orçamento anual que, por exemplo, ultrapassa largamente o orçamento da Casa Real espanhola?

 

Nos corredores da política e à boca pequena, fala-se dos problemas de saúde de Cavaco. Toda a gente sabe - mas finge não saber - que o seu desaparecimento está relacionado com esses problemas. Se for esse o caso, e mais ainda tendo em conta o momento por que passamos, o país tem de saber com o que contar. Se temos um presidente da República que não pode exercer as suas funções, que o digam - não vivemos numa daquelas ditaduras que escondem a doença dos seus líderes. Se as razões do silêncio são outras, que o esclareçam. O país está a arder, a primeira figura da República não pode simplesmente desaparecer. Este é o pior dos tempos: quando o destino de 10 milhões de pessoas está nas mãos de incompetentes, incendiários e de gente que não está à altura do cargo que ocupa.

 

*A pergunta é feita por José Vítor Malheiros na sua crónica, no Público de hoje. Clicar para aumentar a imagem.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012
por Sérgio Lavos

 

Eu sei que a sucessão de acontecimentos desde a passada sexta-feira não tem, nem de perto nem de longe, a relevância do estatuto jurídico-político dos Açores, mas se calhar já era altura de sair do estado vegetativo, não?


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2012
por Miguel Cardina

 

Cavaco Silva está de férias no Algarve mas interrompeu o seu merecido descanso para inaugurar um hospital privado, em Albufeira, pronto em cerca de um mês. Instado a comentar notícias como esta, que apontam para um corte de 200 milhões no SNS em 2013, o presidente lá explicou que está de férias no Algarve, em merecido descanso, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, haja paciência. E lá seguiu para o corte do bolo.


por Miguel Cardina
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Terça-feira, 24 de Julho de 2012
por Sérgio Lavos

 

Este casal de reformados é que vai ficar contente com esta notícia.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

Visita de Cavaco a escola cancelada por “um impedimento”.

 

"Cordão sanitário" protege o Presidente da República.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

Desemprego sofreu a maior subida de sempre, para 14% no final do ano.

 

E, en passant:

 

Um Presidente da República bravely running away. A maioria sonhada por Sá-Carneiro a caminho da implosão. 


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
por Pedro Sales

 

Cavaco Silva é olhado com desdém pelos seus vizinhos da Quinta da Coelha. É desprezado pelos ex-administradores do BPN. Os que foram para a EDP não o respeitam. Para cavaquista, Cavaco Silva é um pelintra. Vamos auxiliar este pobre reformado. Dia 24 de Janeiro, às 17h30, em frente ao Palácio de Belém, participa numa "flash mob" solidária. Traz uma moeda para o Presidente.

 

Arrastão.org


por Pedro Sales
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

Se calhar, Marques Mendes, em vez de andar preocupado com os "condicionamentos" de Mário Soares a Seguro, deveria aconselhar o seu líder espiritual e presidente da choldra a não ser uma "força de bloqueio" do Governo PSD/CDS (não que me incomodem especialmente os recados do PR ao PM). Quanto é que valerá, em termos de auto-estima do PM, cada calduço dado pelo senhor da Coelha no Coelho? 


por Sérgio Lavos
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Sábado, 22 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Custaria muito aos jornalistas perguntarem a sua excelência, o Presidente da República, por que razão ele acha que a reestruturação da dívida é uma péssima solução? Quando finalmente parece começar a existir algum bom senso nas decisões dos líderes políticos europeus - há muito que se tinha percebido que a única maneira de não deixar cair a Grécia e o Euro seria o perdão de parte da dívida - Cavaco Silva regressa ao seu jogo de politicazinha interna, de mesquinha perpetuação do poder. Será porque, com a reestruturação da dívida, as pesadas medidas de austeridade do OE 2012 se tornariam ainda mais absurdas? Já agora, que alternativas é que (o agora tão crítico das políticas europeias) Cavaco acha que seriam eficazes no combate à crise das dívidas soberanas?


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Depois de na semana passada o primeiro-ministro mais despesista desde o 25 de Abril ter alertado o mundo (e a Europa) para o número de circo da dupla Merkel/Sarkozy, agora vêmo-lo queixar-se das bondosas medidas de recuperação do país que o Governo PSD/CDS decidiu incluir no Orçamento de Estado. A evidência da acusação ("corte dos subsídios viola a equidade fiscal") já teve a merecida resposta do co-conspiracionista das escutas de Belém - na realidade, o que Cavaco pretende é proteger a sua reforma de 10000 euros, pois claro, é tão evidente. Há quem ainda vá mais longe e, num súbito assomo de hipermemória, venha recordar os tempos do Cavaco destruidor dos sectores produtivos nacionais (agricultura e pescas à cabeça) ou se insurja, num grito de revolta, contra o silêncio do presidente nos casos da Madeira, das PPP's e das regras de atribuição de pensões. Esta revolta provoca em mim um misto de satisfação (finalmente vejo blogues que não são de esquerda a falar da herança de destruição deixada por Cavaco primeiro-ministro) e de surpresa; não é que bastou uma criticazinha às fabulosas medidas de Gaspar e do seu amigo tenor para que o caldo se entornasse, a tampa saltasse e a paciência se esgotasse a esta gente? Mais calma, meus amigos, mais calma; como se não conhecessem a esfíngica figura, o homem que paira sempre um palmo acima do comum dos mortais, nunca hesitando e raramente se enganando. Que interessa a Cavaco o futuro do país ou o destino do pobre Coelho? O ego fala mais alto, e não é com este Coelho, de quem ele nunca gostou, que a sua imagem será beliscada. O país estará arruinado daqui por três anos; mas, do meio dos escombros, uma figura emergirá para nos iluminar: "Eu bem vos disse, bem vos disse, já em 2011: há limites para o sacrifício dos portugueses..."


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

Cavaco muito crítico com “políticas erradas” de dirigentes e governos da UE.

 

Estratégia de Merkel e Sarkozy é “errada” e “perigosa”.

 

A Europa está em coma. Dá-se-lhe uma aspirina.

 

Anões empoleirados nos seus tronos.

 

Tão democrática que ela é.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 18 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

A defesa de Alberto João Jardim que tem sido ensaiada pela maior parte dos comentadores e bloguers de direita assenta num único pressuposto: o governante madeirense limitou-se a fazer o mesmo que José Sócrates antes dele, aumentando a dívida e ocultando números às entidades oficiais. Tal fraqueza na argumentação da direita é bem reveladora da ausência de alternativas ao regabofe que tem sido habitual na política portuguesa. Quando se tenta defender a tibieza do PSD - Passos Coelho e Cavaco Silva à cabeça - perante o desplante e o descalabro madeirense com acusações a anteriores governantes, está-se a legitimar a ilegalidade e o crime. Porque os que se lembram de Sócrates agora são os mesmos que andaram a pedir a cabeça do antigo PM durante anos e anos. Os pecados de Sócrates não limpam a pouca vergonha do conselheiro de estado. O argumento mais débil que se pode arranjar é desculpar-se com os outros. Para além disso, esconder do Governo central despesas astronómicas dificilmente se poderá comparar ao camuflar da dívida pública com receitas de origem dúbia. O que é grave nos eventuais crimes de Alberto João não é a má gestão dos dinheiros públicos; é ter ocultado desvios de fundos que não sabemos onde terão ido parar. Deste elefante na sala, o PM dificilmente poderá livrar-se; e o silêncio de Cavaco confirma a moral que lhe conhecemos. Uma moral feita de conivências e anuimentos perante os desaforos e as ilegalidades que a trupe laranja tem cometido. Se Cavaco não é culpado directo dos crimes do BPN e de Alberto João, é seguramente cúmplice da situação. E um dos principais culpados do desvanecimento moral a que o país está submetido.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

Belém apoia imposto extra sobre altos rendimentos e exclui bens patrimoniais. Exclui bens patrimoniais? A sério? Quando fala em bens patrimoniais, está a falar daqueles que não se podem depositar em contas offshore, por evidentes dificuldades logísticas, não é isso? Chega a ser comovente, tanta generosidade do nosso presidente...


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

 

Havia quatro potenciais compradores do BPN. O governo PSD/CDS, através de uma Caixa Geral de Depósitos recheada de novos boys dos dois partidos, quer negociá-lo em regime de exclusividade com o BIC, cujo presidente é Mira Amaral, antigo ministro de um dos clientes mais famosos do BPN, Cavaco Silva. Para além dos 40 milhões que o BIC afirma ir pagar, metade dos funcionários irão ser despedidos. Entretanto, um dos compradores que foram preteridos, o NEI, vem dizer que nunca fez uma oferta que fosse inferior a 100 milhões de euros (sim, 60 milhões mais do que é proposto pelo BIC), e que a proposta seria sempre vantajosa para os trabalhadores. Excluído à partida, este grupo de investidores vem falar agora de uma luta de David contra Golias. Julgo que ninguém poderá ter dúvidas sobre a natureza deste negócio. A história do BPN é uma mafiosa pescadinha de rabo na boca, um vaivém criminoso entre PS e PSD que rapinou ao Estado (que somos nós, não esquecer isto) incontáveis milhões. Fundado por figuras do PSD, ligadas aos governos de Cavaco Silva, fez crescer a fortuna de muitos durante os anos de bonança financeira, recorrendo a empresas fictícias offshore e a ilegalidades várias. Quando estava prestes a afundar-se, o governo PS decide esbanjar erário público na sua recuperação, dando razão ao ditado: o crime compensa. E o círculo completa-se, já com o PSD no poder, com a venda, aparentemente ruinosa para o Estado, a uma instituição financeira ligada a outra figura do PSD cavaquista, Mira Amaral. Portugal há muito que se tornou uma metástase da Sicília, e ninguém parece interessado em acabar com a doença. Só não vê quem prefere não ver. E em terra de cegos...


por Sérgio Lavos
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Sábado, 16 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Como todos sabem, Cavaco Silva é o meu Bartleby favorito. Desta vez, preferiria (ou gostaria, e nunca gostava, como ele disse, dado que neste caso é o condicional, e não o imperfeito, que deverá ser usado)* que o dólar fosse mais forte - ou o euro mais fraco, não se percebe muito bem - para que os países da Europa fossem mais competitivos. Portanto, Cavaco defende algo que o Bloco de Esquerda já defende há algum tempo. Muito bem. Só acho que gostar pode não ser suficiente, é uma espécie de amor que não convence. Quer dizer, a confissão de um desejo é algo vago, é como uma virgem sonhando com o príncipe encantado sem ter coragem de ir engatar ao Bairro Alto. Mas enfim, e como sei que o nosso presidente não é suficientemente temerário para, digamos, sugerir isso a quem decide - sabemos como a timidez é um problema que grassa entre as altas esferas do país - aconselho-o a tentar outras tácticas: rezar a Deus Pai Todo-o-Poderoso, prometendo uma via crucis de joelhos em Fátima, seria uma hipótese; também poder-se-ia pensar em macumba contra o Euro, mas o bruxo de Madrid, o tal que lesionou e tornou impotente Cristiano Ronaldo, já não está entre nós. Mas julgo que o professor Karamba ainda não se reformou. Que tal um olho gordo lançado ao Euro? Entretanto, pode-se ir entretendo com a santinha padroeira da moeda única; quem sabe se alguns dias de penitência e jejum de bolo-rei não comoverão a Santa Angela?

 

*Afinal Cavaco disse bem, "gostaria". Na notícia do Público (via Lusa) é que estava mal, "gostava". Transcrever uma declaração correctamente, será assim tão difícil? 


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Na minha terra, um "desvio colossal" é sempre "um desvio colossal". Não estamos falar de uma "diferença brutal"; ou sequer de um "buraco orçamental". Não, esperai; se calhar, estamos. É isso? Aquele buraco que o presidente Cavaco tapou bem tapadinho, impedindo - certamente em nome do "interesse nacional" (essa santa panaceia para a curiosidade natural dos cidadãos) - que fosse feita uma auditoria às contas portuguesas? Isto há menos de quatro meses? Um desvio colossal, disse? E não poderia, sei lá, ser menos específico? Esperamos resposta, até porque a tal auditoria às contas públicas - o mínimo que seria exigível perante o descalabro dos últimos anos - é uma utopia, um sonho cerceado em nome do "interesse nacional". Agora sem desculpas, cá esperamos ansiosos para saber exactamente o que significa "desvio colossal". E uma explicação para esse desvio; que seja cabal. 


por Sérgio Lavos
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Sábado, 9 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

Confrontado com declarações antigas, em que afirmava não valer a pena "recriminar as agências de rating", Cavaco Silva, do alto da sua esfíngica arrogância, pediu aos jornalistas mais estudo. O mundo mudou, é isso? Pois isso foi o que o anterior Governo repetiu não sei quantas vezes seguidas. Curiosamente, esse Governo foi mandado embora, e agora está lá outro. Serão os jornalistas que precisarão de mais "estudo" ou será Cavaco a necessitar de menos cara-de-pau? São as mesmas agências, certo? Se eram sérias há um ano, também deverão ser agora. Se não valia a pena "recriminar" as agências há um ano, também não valerá agora. A única coisa que mudou foi a cor política de quem nos governa. E a pequena política, mesquinha, se é praticada por quase todos, tem (e teve, desde sempre) em Cavaco um fervoroso admirador e exemplar praticante, como se comprova. Resumindo, é mais do mesmo. Tenho grande orgulho no representante máximo da nação.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 15 de Março de 2011
por Miguel Cardina

O Bruno trouxe-nos abaixo a frase do dia: parece que Cavaco Silva pediu aos jovens a mesma «determinação» e o mesmo «desprendimento» com que há 50 anos avançaram para a guerra do «Ultramar». Concedamos que talvez houvesse «determinação» e «desprendimento» nas franjas nacionalistas que se resolveram alistar para defender o Portugal do Minho a Timor. No entanto, num tempo em que o serviço militar era obrigatório e - como todas as guerras - esta também não prescindia de carne para canhão, dizer as coisas assim está muito próximo da indecência. Tenho para mim que a determinação e o desprendimento esteve mais do lado de quem resolveu desertar para não matar ou morrer numa guerra injusta. De quem nos teatros de guerra soube perceber os anacronismos de um conflito que corria contra os ventos da História. De quem lutou para que o seu estatuto de vítima de guerra fosse reconhecido. De quem, em África, prefere hoje sublinhar a convivência aos séculos de exploração, de escravatura e de maus tratos. Mas essas são outras contas. Fico-me pelas três lições do dia: 1. Cavaco continua a preferia a designação de Salazar para caracterizar as guerras em África (só lhe faltou a referência aos «turras»); 2. Cavaco acha que a juventude portuguesa, qual cristão filipino na Páscoa, se galvaniza com a perspectiva de uma auto-flagelação; 3. Cavaco ainda não percebeu que o 25 de Abril e o regime democrático provavelmente nunca teriam existido sem a luta de portugueses e africanos contra o colonialismo.


por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 9 de Março de 2011
por Sérgio Lavos

 

Cavaco entrou na "magistratura activa" de rompante. O Governo ficou amuado. Cavaco gosta muito desta juventude que se levanta civicamente, como, de resto, sempre gostou, desde os seus tempos de primeiro-ministro. O Governo cala-se. Cavaco deu o tiro de partida para a campanha para as próximas legislativas. Pedro Passos Coelho gostou. E ainda há tanta, mas tanta gente, que interpreta literalmente estes discursos, que servem sempre muito mais do que a flor das palavras indica. Enfim, não vale a pena chover no molhado. Votaram nele, agora que o aturem. A ele e a mais do mesmo nos anos que virão, seja com o PS ou com o PSD. Cada um tem o que merece, mesmo quando, efectivamente, não o merece.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

 

E o tema da campanha de Cavaco, a dois dias do fim, tornou-se a sua própria reeleição. De um momento para o outro, o candidato que mais gastou na campanha, o presidente mais despesista de sempre, começou a preocupar-se com a crise e com o erário público. Esquecidos estão os outros temas prementes que foram sendo lançados: a ameaça do "extremismo", a redução de salários no privado, o financiamento público do ensino privado. Agora, o que interessa, é ser reeleito já no Domingo. Claro que a preocupação de Cavaco são os gastos eleitorais; não é a queda acentuada nas sondagens - mesmo a miraculosa sondagem da Marktest, realizada com grande empenho no Interior Norte, mostra uma derrapagem de 14% em relação à anterior; não é a reiterada ausência de propostas sérias; não é o discurso desconexo nem o enfileirar de gaffes ao longo do último mês (a ponto de ter proibido filmagens dos jantares de campanha); nem sequer a degradação da imagem de político "sério, honesto, vertical, franco, decente" (e no entanto, há ainda quem escreva isto levando-se a sério). Não, claro.

 

No fundo, o que Cavaco quer é que chegue ao fim a agonia da campanha que tem mostrado à saciedade a verdadeira essência do político bartleby, o político que é apenas competente enquanto nada faz e honesto quando nada diz. De soluço em soluço, Cavaco reza para que ainda haja portugueses que o elejam à primeira volta porque não sabe o que pode acontecer com mais três semanas de campanha. Há quem diga que o silêncio é mais sábio que o ruído. No caso de Cavaco, o silêncio sempre lhe serviu de máscara para o vazio. De cada vez que fala, revela-se. A política é de facto uma chatice.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
por Miguel Cardina

Escrevi abaixo que Cavaco Silva tem optado nos últimos dias por uma estratégia marcada pela vitimização e pelo populismo, dando alguns exemplos. Não tinha ainda ouvido as declarações feitas pelo candidato do PSD e do PP em Coimbra, que raiam o insulto à democracia. E não falo do incentivo à manifestação das escolas privadas, depois de ter promulgado o diploma. Falo da afirmação chantagista de que, na situação económica e financeira em que Portugal se encontra, "prolongar a campanha tem custos muito elevados". E que tal ser um nadinha mais consequente e propôr a suspensão da democracia - por seis ou muitos meses? Poupava-se uma dinheirama.


por Miguel Cardina
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Sábado, 15 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

 

1. É um mistério a razão para o "candidato do povo" querer criar um ministério do Mar - parece que a eleição a que concorre é para a Presidência da República, certo? E, além disso, não foi o candidato Cavaco que em tempos teve nas mãos o poder de criar esse ministério, tendo acabado por se limitar a obedecer às directivas da CEE, sem rebuço, levando ao rápido declínio da frota pesqueira e de toda a economia associada a esse recurso natural, desígnio nacional, o mar?

 

2. Por outro lado, fiquei contente por saber que algumas das medidas de austeridade, aprovadas pelo Governo mas também por um dos partidos que apoia o "candidato duplamente honesto", tão criticadas há dois dias, afinal deveriam ser estendidas aos privados. Assim sim, sabemos aquilo com que podemos contar: Cavaco presidente em segundo mandato mais um governo Passos Coelho significa ainda mais austeridade, a torto e a direito, no público e no privado. Estes esclarecimentos são sempre úteis. Para que conste.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

 

O populismo quando nasce é para todos. E Cavaco, com a queda nas sondagens, também decidiu abocanhar a sua fatia. Pena é que o tenha feito recorrendo ao, como dizê-lo, enviesamento de classe. O homem que repete 30 vezes - 30 - a palavra "povo" num discurso apoia-se num mito que está muito distante da verdade, para não dizer que se baseia na pura mentira. Nasceu em Boliqueime, é certo, mas a Cavaco certamente não interessará que seja divulgado que a sua família pertencia à pequena burguesia rural, que os seus pais viviam do comércio de frutos secos e de combustíveis e eram proprietários num tempo e lugar em que poucos o conseguiam ser. "Vir do povo", no caso de Cavaco, significa ter conseguido prosseguir os estudos com a ajuda da riqueza familiar, significa ter sido excepção, privilegiado, numa época em que poucos, na sua aldeia, o eram. Mas que isso não impeça os spin doctors que lhe escrevem as falas de continuar a cavalgar a onda populista; a imprensa suave por cá continuará a não fazer um dos seus trabalho de casa: desmontar o discurso engenhoso e oportunista do "candidato do povo".

 

- Vídeo via Provas de Contacto -


por Sérgio Lavos
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Domingo, 9 de Janeiro de 2011
por Pedro Sales

O Miguel já aqui tinha escrito sobre este momento lamentável, mas significativo, da campanha de Cavaco Silva, mas, como dizem que uma imagem vale mil palavras...


por Pedro Sales
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por Sérgio Lavos

 

Um dia na campanha de Cavaco:

 

Demagogia e hipocrisia:

 

De manhã, em Almada, ao ouvir as queixas de uma mulher que perdeu o rendimento mínimo garantido e “anda ao lixo”, Cavaco respondeu outra vez a José Sócrates que criticou quem usa a pobreza na política. “E ainda me criticam por falar na pobreza...”, exclamou.

 

Repentina falta de memória e cinismo:

 

Sócrates voltou a estar no alvo de Cavaco em Fátima. Aí, presenciou a uma vigília de pais e alunos do ensino privado e cooperativo, com velas na mão. Deu-lhes razão pelo protesto contra os cortes nos apoios do Estado, apesar de ter promulgado a lei, e confessou-se “muito preocupado”. O problema é da regulamentação, da responsabilidade do Executivo, disse.

 

A faceta "virgem ofendida" sem coragem de apontar directamente os nomes:

 

Mas essa dramatização já se pressentia no almoço-comício de Setúbal, em que o candidato a Belém criticou os “peritos da manipulação e da mentira, da calúnia e do insulto” – uma frase sem destinatário directo, mas que apontava aos adversários da esquerda e Manuel Alegre tendo como pano de fundo o caso BPN.

 

E finalmente, a fechar o dia, um regresso ao passado, um acenar de velhos fantasmas, ao melhor estilo do supra-Cavaco, António Oliveira Salazar:

 

A campanha oficial só começa hoje, mas as palavras foram duras. Muito duras. A dramatização já chegou. O Presidente da República e recandidato pediu à plateia de apoiantes que imaginasse. “O que seria de Portugal e da Presidência da República se fosse ocupada por radicais e extremistas.” E explicou por quê. “Imaginem o que seria”, o “que aconteceria se vencesse quem é contra a Europa”, numa referência implícita ao Bloco de Esquerda, que apoia Alegre, em conjunto com o PS de José Sócrates. Ou quem “insulta” quem empresta dinheiro a Portugal – uma frase mais dirigida a Alegre.

 

Este foi mais um dia na vida do candidato impoluto e honesto, o homem providencial que quer preparar o caminho para o sonho de Sá-Carneiro: uma maioria, um governo, um presidente. Mas o pesadelo, se acontecer, será sofrido por nós. Afinal, o pior ainda pode estar para vir.

 

(A itálico excertos desta notícia do Público.)


por Sérgio Lavos
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011
por Miguel Cardina

O candidato presidencial Cavaco Silva foi hoje abordado por uma mulher que se queixou de não ter dinheiro para alimentar o filho, a quem recomendou que procurasse "uma instituição de solidariedade que não seja do Estado".

 

Quando a situação é de socorro qualquer extintor é importante, da AMI à Linha Nacional de Emergência Social (da Segurança Social, curiosamente). Mas é reveladora esta forma de olhar o Estado como uma entidade que no fundo não serve para cuidar dos reais e pungentes problemas das pessoas. O Estado, para Cavaco, é uma "pessoa de mal", um empecilho, uma gordura social que é preciso ir removendo. E o combate contra a pobreza resume-se à lógica do extintor, fundamental mas redutora. Um presidente que não consegue perceber a relação do fenómeno da pobreza com a necessidade de mais e melhores políticas de inclusão social é um presidente que não serve. E uma sociedade como a nossa - com uma forte incidência de baixos salários, com uma taxa de desemprego a crescer, com uma gritante desigualdade de rendimentos - não ficará melhor com a sua eleição. Do que precisamos é de alguém que não tenha medo de defender o papel do Estado na promoção de políticas de igualdade e de solidariedade; não de um esmoler de vistas curtas.

 

Publicado também no Alegro Pianissimo


por Miguel Cardina
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

Cavaco e a filha tinham comprado as acções em Abril de 2001, directamente a Oliveira Costa, pelo mesmo preço a que só este enquanto presidente da SLN podia adquirir: um euro. A venda das suas acções seria despachada também por Oliveira Costa, no canto superior das cartas que Cavaco e a filha lhe dirigiram: «Autorizo a aquisição pela SLN-Valor SGPS Lda, ao preço de 2,40 por acção. 03.11.17 José Oliveira Costa».

 

Este é o último parágrafo da notícia do Sol que supostamente iliba Cavaco. Agora, sim, esclarecidos. E sim, claro que é absolutamente normal que o presidente da SLN tenha decidido presentear um accionista com a possibilidade de comprar acções a um preço a que só ele, presidente, podia ter acesso. E que este preço de saldo tenha possibilitado o tal lucro de 140 %, apenas dois anos depois. Mais valia que os homens de mão de Cavaco não tivessem soprado este esclarecimento ao jornal; saiu pior a emenda que o soneto.

 

(Sublinhado meu.)


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

 

Diz Cavaco Silva no seu manifesto de candidatura:

 

«O debate em torno do Serviço Nacional de Saúde não deve ser marcado por preconceitos ideológicos, de um lado e de outro. Neste domínio, mais do que questionar a existência ou não do Serviço Nacional de Saúde – algo que, verdadeiramente, não importa sequer debater -, o que interessa é discutir que formas existem para garantir a sua sustentabilidade, garantindo o acesso de todos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados de saúde.»

 

Atente-se nos bolds. Em primeiro lugar, a ideia de que o debate sobre o SNS não deve ser marcado por “preconceitos ideológicos”. Ao considerar a “ideologia” – a política, em suma – como preconceituosa, Cavaco está a revelar o modo como ele próprio a entende: enquanto tarefa de “gestão” praticada por um estrito e opaco conjunto de tecnocratas. A expressão que se segue - “de um lado e de outro” - ajuda a salientar o carácter aparentemente neutral da actividade. Como se, no fundo, o que estivesse em causa fosse traçar uma bissectriz entre duas posições extremadas e encontrar a recomendável solução intermédia. Um meio-termo a-ideológico que neste caso concreto não passa de fumaça retórica. A defesa da integridade do SNS é uma posição extremada? O outro pólo de radicalismo é o aniquilamento completo do sistema? O meio-termo exige o financiamento da oferta privada de saúde de modo a que se possa criar um sistema paralelo robusto e competitivo?

 

No fundo, Cavaco Silva sabe que a saúde está na mira do apetite privado e o apetite privado sabe que tem em Cavaco o seu representante. Só que há trabalho a fazer. Num país onde ainda persistem fortes bolsas de pobreza e insegurança, o Serviço Nacional de Saúde constitui uma das mais fortes traves de confiança das populações. Portanto, convém frisar bem que a sua existência “não importa sequer debater”. O que importa debater é a sua “sustentabilidade”. Só que Cavaco não pretende falar da suborçamentação ou do despesismo no quadro de um serviço de saúde público e universal. Pretende, isso sim, terminar com uma pirueta arriscada, sugerindo que se calibre a busca de formas de sustentabilidade com a garantia de acesso à saúde de todos “independentemente da sua condição económica". Estará Cavaco a elogiar um sistema que se propõe tratar todos os cidadãos por igual, independentemente do seu rendimento? Ou, pelo contrário, considera que o Estado deve acarinhar o florescimento   de uma alargada rede privada de saúde, que necessariamente remeterá o tratamento dos pobres para um serviço público de saúde mínimo e descapitalizado?

 

Quer-me parecer que a segunda hipótese é a que mais se aproxima do espírito do parágrafo. No fundo, o trecho está bem mais próximo do projecto de revisão constitucional do PSD do que da Constituição que Cavaco pretende jurar e fazer cumprir.

 

Publicado também em Alegro Pianíssimo


por Miguel Cardina
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Via 5 Dias. Originalmente publicado no Tabus de Cavaco.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

A patusca Teresa Caeiro, num movimento digno de uma contorcionista de leste, pegou numa história que circulava nos blogues da direita castiça há algum tempo e decidiu lançar uma cortina de fumo, a ver se a trapalhada BPN ganhava uma cor mais "suavezinha". O gáudio, o frémito, que percorreu as hostes cavaquistas! No entanto, lamentavelmente, foi uma excitação de pavio curto: hoje, Manuel Alegre explicou tudo, como deve ser e à primeira oportunidade. Quando questionado, não hesitou: o anúncio ao BPP foi uma encomenda, um erro de que ele se limpou assim que teve conhecimento do destino da encomenda, devolvendo o que lhe tinha sido pago pelo intermediário do banco. Tudo claro. De Cavaco, continuamos a ouvir histórias e belas cantorias. E o silêncio, claro, a táctica que sempre lhe trouxe dividendos. Mas tudo bem; no melhor dos mundos, a venda das acções de volta à SLN, aprovada pelo próprio Oliveira e Costa, foi um acto perfeitamente normal. Perfeitamente normal. O que é admirável e edificante - e agora regresso a Caeiro - é querer equivaler o "pecado" de Alegre - escrever um texto para uma entidade bancária - com o negrume das relações de Cavaco com o BPN e associados. Da esfera privada - Alegre aceitar trabalhar indirectamente para um banco - à esfera pública - possível rede tentacular de interesses e de circulação de capitais que acabou por levar a uma fraude gigantesca que todos nós estamos a pagar - vai um mundo. O mundo de quem veste a capa da seriedade e da honestidade como forma de ocultar fraquezas políticas e pecadilhos públicos negados. Quantas vidas valerá a honestidade de Cavaco? Quantos chavos?


por Sérgio Lavos
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por Miguel Cardina

Chama-se Alegro pianissimo e é um blogue de apoiantes da candidatura presidencial de Manuel Alegre. Gente que não se resigna com a hipótese de um remake Cavaco. E que por isso não se cala e tem alternativa.


por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

Em vez de se preocupar com a cobardia dos outros, não seria melhor Cavaco explicar por que razão está a ser cobarde ao não dizer a quem vendeu as acções compradas à SLN? Ou terá medo de ver o povo avaliar a sua própria indecência? E já agora, não há para aí um jornalista qualquer que não faça parte do rebanho da "imprensa suave" que queira investigar esta questão a fundo?


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Achava eu que Filipe Nunes Vicente tinha "apenas" duas grandes qualidades: ser benfiquista e escrever bem, combinando as duas de forma superior. Agora descobri-lhe outra: tem bom olho para a gralha. Apesar do acto falhado, prometo continuar a ver televisão sem som; aprende-se muito, como o Filipe não deixará de concordar. E se Cavaco o fizesse, certamente teria mais cuidado com a imagem. Digo eu, que muitas vezes tenho dúvidas e de tempos a tempos me engano.


por Sérgio Lavos
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