Quarta-feira, 24 de Abril de 2013
por Sérgio Lavos

Fica aqui a reacção de Santana Castilho, especialista em educação e cronista do Público, à entrevista pejada de mentiras que Nuno Crato deu à RTP:

 "Reajo, a quente e indignado, a uma entrevista que acabo de ver em directo, na RTP1, no Telejornal das 20.00. Nuno Crato pode revogar autocraticamente o programa de Matemática para o ensino básico. Porque a Lei não tipifica o crime pedagógico. Pode asnear em público, porque a asneira é livre. Pode escravizar os professores, até que eles consintam. Pode ir mais ao bolso dos pais, se eles não reagirem. Mas não mente sem pudor, nem manipula a opinião pública com descaro, porque eu não deixo. Por dever cívico.

Crato disse que o programa que anulou estava datado e era antigo. Crato mentiu. Pode não gostar dele, mas não pode apagar a actualidade científica e pedagógica que o informa. Datadas e ridículas são as metas que tem parido. As de Matemática, as de Português, as de História, todas. Bafientas. Exalando naftalina. Inaplicáveis. Inúteis, como ele.

 

Questionado pelo jornalista quanto ao êxito, internacionalmente reconhecido, dos nossos resultados em Matemática, Crato disse que estávamos a ser comparados com os medíocres e continuávamos abaixo da média. Crato mentiu. Fomos 15º em 50 países. Ficámos muito acima da média. Fomos o país do mundo que mais progrediu nos resultados em Matemática. Ultrapassámos a Alemanha, Irlanda, Áustria, Itália, Suécia, Noruega e Espanha, entre outros. É intelectualmente desonesto dizer o que Crato disse.

 

Falando da palhaçada do concurso que tem em mãos, Crato recordou que em 2009 abriram 30.000 vagas, para entrarem poucos mais que 300 professores. Crato mentiu. Foram cerca de 20.000 as vagas de 2009. Quanto aos que vão entrar agora … veremos, adiante, o logro que está a congeminar.

 

Interrogado sobre os manuais que irão para o lixo e sobre as actividades de enriquecimento curricular que os pais passarão a pagar, Crato foi artista e saiu de fininho, como um vulgar cínico.

 

Parafraseando Almada-Negreiros, o Crato é um soneto dele próprio! Deplorável!"

(Via Facebook.)


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

O génio discreto que dá pelo nome de Nuno Crato continua na senda de uma revolução silenciosa. Não interessa que as mudanças que foram acontecendo nos últimos anos tenham levado a que Portugal fosse subindo paulatinamente nos rankings internacionais de educação. Não importa que, por exemplo, os resultados mais recentes de alunos portugueses em testes internacionais de matemática tenham mostrado que a aposta em programas de aprendizagem progressiva, inspirados nos sistemas finlandês e sul-coreano, tenha vindo a ser um assinalável sucesso. Não, Nuno Crato  tem um problema com a realidade (e nisto limita-se a ser igual aos seus comparsas de Governo). Ele acha, sinceramente acredita, que a melhor maneira de aprender matemática é através da memorização. O seu fascínio pelos métodos do antigamente é, na verdade, exemplar. Já o tinha mostrado ao introduzir exames da 4.ª classe (e não na mesma escola que frequenta, não vá a miudagem decidir investir na fraude), ao apostar no ensino profissional desde o 5.º ano, ao acabar com o apoio a alunos com dificuldades - quem não conseguir acompanhar o ritmo, que vá para açougueiro. Agora, é o regresso às tabuadas e a uma aposta na memorização como método. Não surpreende. Não queremos que as crianças de hoje tenham espírito crítico e compreendam aquilo que lhes estão a ensinar. Se isto acontecesse, onde poderia Miguel Gonçalves recrutar o novo Homem, pronto a embarcar no maravilhoso mundo do empreendedorismo?

 

Quem tem filhos neste momento a estudar sabe que até que ponto o discurso que tanta gente comprou, contra o "eduquês", é uma fraude propagandística absoluta. Os programas que neste momento são ensinados no ensino básico e secundário são bastante mais intensos, complexos e exigentes, sobretudo ao nível da compreensão e do raciocínio, do que eram há vinte ou trinta anos. E certamente preparam melhor as crianças para o mundo em que vivemos do que preparava a escola salazarista. Os programas do 5.º ano (estudados pelo meu filho numa escola pública), por exemplo, contemplam matéria e metas curriculares a que eu apenas tive acesso no 8.º ano. Outro exemplo: a notícia do Público cita Filipe Oliveira, um dos autores do novo programa de matemática para o ensino básico. Este diz que esta mudança vai levar a que as calculadoras deixem de ser usadas. Ora, em cinco anos de ensino público, nunca o meu filho, ou os seus colegas, precisaram de usar calculadoras. Portanto, ou o responsável, lá do seu pedestal universitário, mente (e é lamentável que o Público dê destaque à mentira de Filipe Oliveira), ou foi mal informado, ou os professores não seguem os programas. Peguemos no exemplo em questão, as tabuadas. Crato sonha com miúdos a debitarem de cor os números, em jeito de lenga-lenga, como acontecia durante o Estado Novo. A memorização da tabuada, que até pode ser útil em determinados casos, limita-se a repetir processos de automatização do pensamento. O actual método insiste na compreensão da operação de multiplicação. Uma criança sabe que oito vezes sete é igual a cinquenta seis porque a ensinam que oito conjuntos de sete unidades dá a soma de cinquenta e seis. Este raciocínio pode ser aplicado a qualquer operação de multiplicação. A simples memorização permite que apenas se saiba de cor as tabuadas até ao nove. A partir daí, o cálculo encalha, como saberá qualquer pessoa que tenha decorado a tabuada sem a entender.

 

De uma coisa podemos estar certos: se este Governo tiver a oportunidade de aplicar estas mudanças retrógadas no ensino, assistiremos a médio prazo a um retrocesso enorme. Os progressos das últimas décadas - podiam ter sido sempre mais, claro - irão ser desbaratados, de uma penada. Eu sei que há muitos professores que aplaudem estas mudanças; sobretudo os que se formaram sem espirito crítico e que na verdade nunca se adaptaram ao ensino dos novos métodos que permitiram a evolução. É fácil de entender porquê: é mais simples, e mais rápido, obrigar um aluno a decorar tabuadas do que explicar-lhe os passos que levam ao resultado final. No fundo, o sonho de Crato é ter um país de autómatos a ensinarem, na linha de montagem, os autómatos que virão. O maior perigo que neste momento o país corre é este: deixarmos de ter um futuro. E Nuno Crato está a dar o seu melhor para que isto aconteça.

 

Adenda: Sobre o uso de calculadoras no ensino básico, é muito interessante ver este estudo publicado no site da associação americana de professores de matemática. Não é que os alunos que usam calculadores têm melhor relação com a matemática do que os que não usam? (Via twitter do Pedro Magalhães.)


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2012
por Sérgio Lavos

Os escritórios de advogados que cobram fortunas por pareceres jurídicos pedidos pelo Governo não devem estar a sentir muito a crise. Mas o que haveremos de fazer? Quando um ministro, José Pedro Aguiar Branco, continua a fazer um part-time no seu escritório de advogados, e os deputados do PSD e do CDS escolhidos para a comissão de acompanhamento das privatizações da EDP e da REN pertencem também aos escritórios que defendem a outra parte do negócio, que poderemos esperar nós de Crato? Queriam o quê, rigor e exigência?


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

 

A notícia de ontem, que confirma o projecto de Nuno Crato que prevê a obrigatoriedade dos alunos com mais de duas reprovações seguirem o ensino vocacional, mostra até que ponto este Governo está empenhado em regressar a tempos antigos, quando um filho de criado estava destinado a ser apenas criado, por muitas capacidades que tivesse, e um filho do senhor doutor seria sempre também senhor doutor, fossem quais fossem as aptidões mostradas. É uma escolha claramente ideológica que reafirma uma visão do mundo retrógada, promovendo a desigualdade no acesso às oportunidades e uma sociedade classista e com uma reduzida mobilidade social. Esta crónica de André Macedo no DN é bastante elucidativa sobre as razões que motivam Crato, o economista:  

 

"O ministro da Educação quer desenvolver o ensino vocacional. Muito bem. Como seria bom que os estudantes pudessem escolher formações técnicas capazes de lhes transmitir (também) um saber profissional. Como seria excelente que estes cursos respondessem (também) às necessidades do mercado de trabalho. Como seria bom que não se desperdiçasse recursos atirando para cursos superiores pessoas que não os querem fazer. Já se pensou no tempo que poderíamos poupar? Na inteligência, energia e talento que um plano assim libertaria? Aposto que seríamos um país mais feliz e competitivo.

Mas se é assim tão evidente, porque nunca se deu este passo como deve ser? Porque será que a concretização se revela tão difícil? Porque será que as famílias e os alunos evitam esta escolha? A resposta está no projeto macabro de Nuno Crato. De acordo com o ministro, quem irá para estes cursos? Ora bem, além dos voluntários - coitadinho, tem 14 anos, mas não dá para mais... -, os que chumbarem duas vezes no ensino secundário também têm o destino traçado. É um castigo: és uma besta, vais já para jardineiro; sim, terás mais uma oportunidade para voltar ao ensino regular, mas para já ficas-te por aqui. Depois, se passares os exames do 9.º ou 12.º anos, logo veremos.

Não há dúvida: se a via profissional é apresentada como uma punição, é lógico que poucos - entre os bons e talentosos - quererão juntar-se a este gueto onde a qualidade será ridiculamente baixa. É lógico que só as famílias mais pobres ou desinformadas aceitarão este afunilamento precoce, cruel e estúpido das perspetivas. Os outros nem por um segundo pensarão em seguir este caminho (a segunda divisão!) que o próprio Governo se encarrega à partida de desvalorizar. O que isto revela de Nuno Crato é apenas um terrível cheiro a naftalina.

Na Alemanha, pátria do ensino vocacional, ninguém é chutado da "escola regular". Não se fecham portas. Não se elevam barreiras aos 14 anos em lado nenhum do mundo civilizado. Avaliam-se competências, oferecem-se alternativas. Não se apressam escolhas à reguada. A ligação às empresas é uma das maneiras de fazer isto com algum êxito: são as associações de empresários que, na Alemanha, ajustam a oferta de cursos profissionais às necessidades do mercado. Não há rigidez, há flexibilidade e oportunidade - a oportunidade de, na idade adequada, estagiar numa empresa. É por isso que 570 mil alunos alemães se inscreveram nestes cursos em 2011, contra os 520 mil que preferiram a universidade. Não foi porque lhes enfiaram orelhas de burro na adolescência.

Nuno Crato vive preocupado em exibir autoridade. Quer chumbar, punir, travar. Vê a escola como um centro de exclusão, não como espaço de desenvolvimento de competências sociais, culturais e técnicas - com regras, competição e exigência. Não tem um plano educativo desempoeirado: sofre de reumatismo ideológico. Engaveta os alunos. Encolhe o País. Reduz a riqueza. É matemático."

 

Adenda: em relação à segunda parte da crónica, encontrei no blogue Boas Intenções, mantido por uma portuguesa residente na Alemanha, objecções que me parecem importantes, sobretudo porque reforçam como é errado o modelo (?) proposto por Crato. Fica aqui o post:

 

"Este texto, hoje tão celebrado por essa internet fora, é mais um exemplo do mesmo - a análise é boa, a crítica é justa, a segunda parte é ou ignorância ou é demagogia. E, com um acesso tão facilitado à informação como aquele que temos hoje em dia*, não sei se há uma verdadeira distinção entre ignorância e demagogia - são duas facetas diferentes do vale-tudo argumentativo e da falta de exigência e honestidade intelectuais que tornam possível o triunfo dos Nunos Cratos desta vida.

(*os relatórios da OCDE por exemplo podem ser lidos em várias línguas e são muito claros quanto às consequências da separação das vias de ensino e aos resultados de diferentes modelos de separação das vias de ensino, independentemente da sua permeabilidade. No caso específico da Alemanha, o país da OCDE que em conjunto com a Áustria separa as crianças mais cedo, aos 10 anos, os números reais da permeabilidade entre vias de ensino são irrisórios, a desigualdade é preocupante e os indicadores sugerem uma muito reduzida mobilidade social, com muito poucas crianças cujos pais não tinham formação universitária a frequentarem cursos superiores - em 2012 mais de dois terços dos estudantes universitários alemães eram filhos de pais com educação superior e só 2% vinham de agregados familiares cujos pais tinham apenas concluído uma educação profissional ou a Hauptschule, a menos exigente das três vias de ensino. É este sistema que André Macedo pinta de cor de rosa como o paraíso do ensino vocacional)"

por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

A continuada aposta do ministro da Educação no regresso ao passado teve ontem mais um desenvolvimento. A meta de 50% de alunos inscritos em cursos profissionais, significa, para quem possa estar distraído, que Nuno Crato quer que 50% dos alunos que frequentam o ensino obrigatório não tente sequer entrar no Ensino Superior. Isto, num país com uma das mais baixas taxas de licenciados da OCDE, mas também simultaneamente aquele onde ser licenciado faz realmente a diferença na hora de obter emprego (dados de 2007). A aposta no Ensino Profissional acentua a desigualdade no acesso à Educação e sinaliza uma aposta num ensino elitista que facilita a vida aos alunos vindos das classes sociais mais favorecidas - as escolas privadas com contrato de associação viram os seus subsídios serem generosamente reforçados em 2011, num período em que o desinvestimento na escola pública é evidente e quando o memorando da troika obrigava claramente a que esses apoios fossem reduzidos*. E, se olharmos bem para os cursos oferecidos, ainda se torna mais absurda e retrógada esta salazarenta política educativa: comércio, bens transacionáveis, restauração, indústria; precisamente as áreas da economia que mais estão a sofrer com a catastrófica política do Governo PSD/CDS. Será Crato um genial visionário, ou apenas um idiota preconceituoso e alienado do mundo em que vive?

 

*Acrescentada informação, seguindo sugestão de alguns comentadores.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2012
por Sérgio Lavos

O ano escolar ainda não começou, mas Nuno Crato já dá cartas na exemplificação dos valores que prometeu implementar antes de ser ministro:

Desemprego entre os professores subiu 151% só num ano.

 

Representantes da comunidade educativa unidos contra Crato.

 

Aplicação do MEC para concurso lança professores contratados "no desespero".

 

“Anomalia" obriga a contactar professores contratados que já concorreram.

Valha-nos o ensino privado, universidades prestigiantes como a Lusófona ou estabelecimentos exigentes como os colégios que conseguem ter as melhores classificações nos rankings anuais, exemplos de empreendedorismo, competência e rigor a toda a prova.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
por Sérgio Lavos

"Representantes da comunidade educativa unidos contra Crato. (...)

 

De hora a hora a hora um funcionário aparecia para chamar ora os representantes dos directores, ora os dos pais, ora os dos professores – e todos responderam o mesmo, que tinham pedido uma reunião em conjunto e que apenas subiriam se fossem recebidos em conjunto”, relatou Manuel Pereira, dirigente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE). Ao PÚBLICO, escusou-se a classificar a atitude de Nuno Crato, dizendo que “as atitudes ficam com quem as pratica”. Mas lamentou que o ministro “tenha perdido uma oportunidade única de perceber as preocupações que são transversais a toda a comunidade educativa”."

Um ministro que não quer ouvir os agentes da área sobre a qual legisla, que talvez preferisse dividir para reinar, governar sozinho. Um ministro de outro tempo, tão retrógado como haver exames nacionais na 4.ª classe. Bate certo.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 5 de Junho de 2012
por Sérgio Lavos

 

Bom texto do Alexandre Homem Cristo no Cachimbo de Magritte (mesmo não concordando com tudo o que é escrito):

"No debate público, em particular no da educação, os mitos tendem a sobrepor--se à realidade. Um dos mais perniciosos desses mitos é o de que a educação está hoje pior do que antigamente. Este mito, mesmo não o explicitando, visa elevar o sistema educativo durante o Estado Novo a uma espécie de Éden da exigência escolar para, comparativamente, se criticar o facilitismo do actual sistema. O que inquieta no mito não é que um certo grupo acredite nele. Inquieta que essa convicção se tenha tornado numa narrativa popular, repetida à exaustão num discurso catastrofista sobre a educação portuguesa.

 

Comecemos pelo início. Era, antigamente, o sistema educativo melhor e mais exigente? Não há um único indicador que verifique, ou sequer sugira, que a educação portuguesa estivesse melhor nesse período. Muito pelo contrário. O acesso à escolaridade era limitado, e não universal, estando geralmente reservado aos alunos cujas famílias conseguiam suportar os custos de ter os filhos a estudar. Os números são claros: em 1970, o país tinha 27 mil alunos matriculados no ensino secundário, e em 2008 tinha 350 mil (13 vezes mais). A exigência dos currículos escolares reflectia essa realidade social. Ensinar literatura a alunos que têm bibliotecas em casa não é o mesmo que ensinar a alunos que nunca viram um livro na vida – não se pode comparar o aluno médio de uma elite com o aluno médio de um país sem cair na demagogia. Que um sistema elitista na selecção de alunos fosse igualmente elitista nos conteúdos curriculares não é surpreendente, mas fica longe de ser um modelo inspirador.

 

Mais ainda, este mito desvaloriza o incrível desenvolvimento social que o nosso sistema educativo possibilitou. Os índices de escolarização real passaram de 14% para 90%, no 3.o ciclo do ensino básico, e de 4% para 70% no ensino secundário, entre 1970 e 2010. Temos hoje investigadores doutorados cujos avós eram analfabetos, e professores universitários filhos de quem mal frequentou a escola. Estes são indicadores do nosso sucesso, resultado da democratização do sistema, que de modo algum impediu que tivéssemos hoje uma elite estudantil muito melhor do que a que a precedeu.

 

Dizer isto não é negar o longo caminho que temos pela frente, nem ignorar o facilitismo e algumas outras decisões erradas que no passado prejudicaram a educação. É verdade que precisamos de mais exigência e de melhores currículos. Mas sem esquecer que a exigência não é um exclusivo do passado e que a nossa relação com o conhecimento se alterou. É que, ao contrário do que afirmam os crentes no mito, o currículo de português não ficará melhor só com mais um ou menos um clássico da literatura portuguesa. Ficará quando todo o currículo nacional for pensado com base no princípio da autonomia escolar, permitindo às escolas uma efectiva adaptação às necessidades educativas dos seus alunos. A única resposta legítima ao pluralismo é mais diversidade, e não mais centralismo."


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

Premiar os melhores alunos nas escolas portuguesas, incentivando o trabalho e o mérito. Mas depois do trabalho feito, obrigar os alunos a abdicarem do prémio pelo qual tanto se esforçaram em prol de "famílas mais carenciadas". No fundo, incutir nas nossas crianças valores mais humanos do que a meritocracia ou a competitividade. E ainda bem que o sr. ministro, que, antes e depois de ser nomeado para a função, não se tem cansado de insistir na valorização destas características, mudou de ideias a tempo - na realidade, a poucos dias do acontecimento. Nem tudo está perdido.


por Sérgio Lavos
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