Terça-feira, 5 de Junho de 2012
por Sérgio Lavos

 

 

 

Diz o neoliberal Rui A., do às vezes liberal - dependendo da medida que o Governo pretende implementar e do índice de paranóia anti-esquerdista do dia de Helena Matos - Blasfémias:

 

"Impostos elevados sobre o rendimento das pessoas e das empresas são a fórmula necessária e suficiente para a destruição de qualquer economia e da riqueza de qualquer país que os aplique."

 

Bela frase de abertura, cujo texto que se segue tenta comprovar. Uma premissa, portanto. Vejamos alguns exemplos avulso de países com impostos elevados sobre o rendimento das pessoas e das empresas:

 

- Suécia

         - Impostos sobre rendimentos individuais - 0-57%

         - Impostos sobre empresas - 26.3% + taxas adicionais de 31.42% (Segurança Social e/ou TSU e outras taxas)

         - PIB per capita (paridade de poder de compra) - $40,393

         - Crescimento económico previsto para 2012 - -1%

 

- Noruega

         - Impostos sobre rendimentos individuais - 0–47.8%

         - Impostos sobre empresas - 28% + taxas adicionais de 0–14.1%

         - PIB per capita (paridade de poder de compra) - $53,470

         - Crescimento económico previsto para 2012 - 0.8%

 

- França

         - Impostos sobre rendimentos individuais - 0–40%

         - Impostos sobre empresas - 33.33% + taxa adicionais de 66%

         - PIB per capita (paridade de poder de compra) - $35,613

         - Crescimento económico previsto para 2012 - 0.2%

 

 

E agora exemplos de países com impostos reduzidos sobre o rendimento das pessoas e das empresas:

 

- Polónia

        - Impostos sobre rendimentos individuais - 0%, 18%, 32% ou 19%

        - Impostos sobre empresas - 25% + taxas adicionais de 41%

        - PIB per capita (paridade de poder de compra) - $20,334

        - Crescimento económico previsto para 2012 - 1%

 

- Roménia

        - Impostos sobre rendimentos individuais - 16%

        - Impostos sobre empresas - 16% + taxas adicionais de 45.15%

        - PIB per capita (paridade de poder de compra) - $12,476

        - Crescimento económico previsto para 2012 - -0.2%

 

- Uzbequistão

        - Impostos sobre rendimentos individuais - 11-22%

        - Impostos sobre empresas - 9% (sem taxas adicionais)

        - PIB per capita (paridade de poder de compra) - $3,302

        - Crescimento económico previsto para 2012 - 8% (uau)

 

- Burkina Faso

        - Impostos sobre rendimentos individuais - 2-30%

        - Impostos sobre empresas - 10-30%

        - PIB per capita (paridade de poder de compra) - $1,466

        - Crescimento económico previsto para 2012 - 7% (excelente) 

        

 

O liberal Rui A. prefere viver nos países livres da economia "parasitária", portanto (e ao acaso) na Polónia, na Roménia, ou mesmo nos quase perfeitos Uzbequistão ou Burkina Faso. E você?

 

(A foto foi tirada numa moderníssima fábrica de seda no Uzebequistão. Reparem bem no sorriso das crianças. O Rui tem razão: queremos mais destes paraísos na Terra.)


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

 

Anda para aí gente a dar pulos de contentamento com a genial manobra da rede de mercearias com sede fiscal na Holanda, mas a verdade é que, se olharmos a coisa pelo prisma do capitalista, temos um dia com 50% desconto em todas as compras superioras a 100 euros que teve como resultado:

 

- Quebra de 50% nos potenciais lucros.

 

- O aumento na facturação (ao que parece, cinco vezes mais do que seria expectável) terá um efeito residual ou nulo no lucro imediato, porque, se é verdade que dezenas de produtos foram vendidos abaixo do preço de custo, cada venda deste produtos representa efectivamente prejuízo.

 

- Mesmo que as vendas dos produtos vendidos com lucro (acima do preço de custo) ocupem a maior fatia do bolo da facturação, a margem desvanece com os eventuais gastos, a saber: 

      *O pagamento devido aos trabalhadores por um dia de trabalho num feriado, 300%, mais a benesse de um dia de férias, mais horas extraordinárias - uma operação daquelas de certeza que implicou uma logística fora do normal.

      *As despesas com a abertura de centenas de lojas - limpeza, segurança, electricidade, etc.

      *E sobretudo os prejuízos adicionais em produtos roubados, pilhados e consumidos dentro das lojas (é verdade que foi pouco           noticiado, mas essas pilhagens aconteceram um pouco por todo o lado).

 

- Uma multa garantida da ASAE no valor de 30000 euros, pela prática de dumping.

 

- Quebra na confiança dos consumidores habituais, que foram impedidos de frequentar as lojas e de fazer as suas compras normalmente (conheço muita gente nesta situação). Ainda por cima, o lema da cadeia de mercearias era não fazer campanhas e não ter cartões de desconto porque, diziam eles, os preços são baixos todo o ano. Se conseguem oferecer uma margem daquelas, será que alguém ainda acredita no slogan?

 

- A repetição da má publicidade nos media e nas redes sociais, desta vez com mais impacto ainda do que quando mudaram a sede para um país estrangeiro. O eventual efeito de regresso dos clientes depois do dia da promoção dificilmente se fará sentir.

 

Ao que parece, o grupo está a enfrentar problemas de liquidez e precisava de escoar muitos produtos perto do final do prazo de validade*. A brutal quebra no consumo e a concorrência das outras cadeias de supermercados, que inclui os tais cartões de desconto e as promoções, estavam a fazer mossa na rede de mercearias do Santos. Portanto, a euforia que grassa na blogosfera neoliberal - o estímulo necessário para esta gente se excitar é bastante reduzido - redunda, uma vez mais, numa espécie de ejaculação precoce. A grande demonstração das virtudes do mercado livre é, se pensarem bem, um rotundo fracasso comercial (mesmo que o grupo afirme que não). E é sobretudo um alerta: em muitas lojas, esteve-se a um passo do desconto passar de 50 para 100%; e de forma generalizada, não episodicamente. Não admira que a ministra Assunção Cristas se tenha sobressaltado e pensado logo num imposto a cobrar sobre estas brincadeiras. Algo me diz que o Governo não está interessado em ver hordas descontroladas de gente a perceber que os produtos que agora não podem comprar estão afinal na sua mercearia de bairro. E, ao contrário do que se poderia esperar, duvido que mais promoções deste tipo apareçam nos próximos tempos. No fim de contas, ainda não é o fim nem o princípio do Mundo, calma é apenas um pouco tarde.

 

*E claro que terá havido muita gente a comprar sem olhar para esse prazo, levando para casa produtos para várias semanas ou meses que não vão poder consumir. Também deveremos culpar o merceeiro Santos por isto ter acontecido?


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

 

A minha alegoria com zombies provocou várias reacções, da direita à esquerda. Uma vez mais, confirmaram-se as minhas ideias sobre estas duas facções: se a direita neoliberal age motivada pela desonestidade intelectual e pela hipocrisia, a esquerda revolucionária de sofá responde com uma grande dose de paternalismo em relação ao povo que a abandonou e se atirou nos braços de um capitalista no dia do trabalhador; e sobretudo com uma violência verbal própria de matarruanos, de gente habituada a espetar picaretas nas cabeças dos adversários políticos. Sinceramente, estou bem onde estou, obrigado, apesar de não ser militante de qualquer partido - e os dois textos do Daniel Oliveira, defendendo serena e racionalmente uma posição diferente da minha, reforçam esta ideia. Apenas lamento que a referência aos subversivos zombies de Romero tenha passado despercebida a toda a gente. Um tipo anda aqui a esforçar-se para promover a revolta e a pilhagem nas lojas simbólicas do consumismo, e só o André Azevedo Alves é que percebe. Leva a palma, ele e o João José Cardoso, que captou o essencial da mensagem romeriana


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011
por Miguel Cardina

Diz o Tiago Mota Saraiva com muita clareza e ainda mais acerto:

 

Camilo Lourenço é apenas mais um que tenta demonstrar que levámos uma “vida fácil”, neste caso, “vida de alcoólicos”.
Nos meus momentos mais bonzinhos tendo a pensar que esta visão é toldada pelas dificuldades em ver o país a partir das janelas do seu automóvel de vidros fumados. Será que Camilo Lourenço não se apercebe que a maioria contraiu empréstimos para garantir necessidades básicas, como por exemplo, a habitação? Será que não se apercebe que um empréstimo não é um favor que a banca presta, mas uma prestação de serviços? Será que não se apercebe que durante o período que classifica de bebedeira havia centenas de milhar de pensionistas que não auferiam o valor mensal mínimo para se alcoolizarem condignamente? Será que não se apercebe que a maioria dos portugueses tão ou mais qualificados que Camilo Lourenço não auferem por ano o que um banqueiro aufere por semana?

 


por Miguel Cardina
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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011
por Miguel Cardina

Passos Coelho na mensagem de Natal: "esforço vai valer a pena".


por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Depois de na semana passada o primeiro-ministro mais despesista desde o 25 de Abril ter alertado o mundo (e a Europa) para o número de circo da dupla Merkel/Sarkozy, agora vêmo-lo queixar-se das bondosas medidas de recuperação do país que o Governo PSD/CDS decidiu incluir no Orçamento de Estado. A evidência da acusação ("corte dos subsídios viola a equidade fiscal") já teve a merecida resposta do co-conspiracionista das escutas de Belém - na realidade, o que Cavaco pretende é proteger a sua reforma de 10000 euros, pois claro, é tão evidente. Há quem ainda vá mais longe e, num súbito assomo de hipermemória, venha recordar os tempos do Cavaco destruidor dos sectores produtivos nacionais (agricultura e pescas à cabeça) ou se insurja, num grito de revolta, contra o silêncio do presidente nos casos da Madeira, das PPP's e das regras de atribuição de pensões. Esta revolta provoca em mim um misto de satisfação (finalmente vejo blogues que não são de esquerda a falar da herança de destruição deixada por Cavaco primeiro-ministro) e de surpresa; não é que bastou uma criticazinha às fabulosas medidas de Gaspar e do seu amigo tenor para que o caldo se entornasse, a tampa saltasse e a paciência se esgotasse a esta gente? Mais calma, meus amigos, mais calma; como se não conhecessem a esfíngica figura, o homem que paira sempre um palmo acima do comum dos mortais, nunca hesitando e raramente se enganando. Que interessa a Cavaco o futuro do país ou o destino do pobre Coelho? O ego fala mais alto, e não é com este Coelho, de quem ele nunca gostou, que a sua imagem será beliscada. O país estará arruinado daqui por três anos; mas, do meio dos escombros, uma figura emergirá para nos iluminar: "Eu bem vos disse, bem vos disse, já em 2011: há limites para o sacrifício dos portugueses..."


por Sérgio Lavos
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Domingo, 16 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Depois de ler este post de José Manuel Fernandes, pensei em ir à procura de textos do ex-director do Público e maoista na reserva que denunciassem outras situações gritantes de parasitagem da Segurança Social. Qualquer coisa que ele tivesse escrito sobre as reformas acumuladas de Cavaco Silva, que ultrapassam os 10000 euros, ou a mísera pensão de 18000 euros que Mira Amaral recebe depois de ter passado uns meses pela administração da Caixa Geral de Depósitos após um convite do Governo PSD/CDS da altura. Ou até uma criticazinha ao facto dos deputados à Assembleia da República terem direito a reforma ao fim de esforçados 8 anos de serviço prestado à nação, com mais ou menos sonecas à mistura. Depois achei que seria melhor ir ler um livro ou ver um filme, nem que fosse do Steven Seagal (é mais fácil encontrar aí massa crítica do que na maioria dos textos do Blasfémias). Pois, não vale a pena. José Manuel Fernandes nunca terá escrito uma linha que fosse contra o roubo institucionalizado que é praticado pelos políticos que gravitam o poder, e não preciso de pesquisar para ter a certeza desta intuição. Mas incomoda-o que uma médica com 30 anos de serviço se reforme aos 55 anos e receba 1120 euros por mês. Por sinal, uma manifestante do 15 de Outubro. Quem serve o regime não precisa de legitimidade para escrever barbaridades, e a cara-de-pau é serenamente aceite pela maioria da população. É preciso ter lata, muita lata...  


por Sérgio Lavos
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Domingo, 9 de Outubro de 2011
por Miguel Cardina

 

António Barreto dá este fim-de-semana uma longa entrevista ao Expresso. O objectivo é o de divulgar os resultados de um estudo encomendado pela organização que preside – a Fundação Francisco Manuel dos Santos – sobre a saúde em Portugal. A tónica é clara: ainda é possível alçar o garrote no SNS. A conclusão, que certamente agradará ao ministerial inventor da Medis, vem acompanhada das habituais tiradas sobre “os ricos que paguem a saúde” (um princípio destruidor do SNS, como já notou o José Maria Castro Caldas) e a possibilidade de activar lógicas de “racionamento” equitativas.

 

Detenho-me, porém, num aspecto da entrevista. A dada a altura o jornalista considera estarmos diante de “um independente, no verdadeiro sentido da palavra”, após enumerar a sua longínqua militância no PCP, o lugar como deputado à Constituinte pelo PS, o papel como ministro da Agricultura, o apoio à AD ou o auxílio à candidatura presidencial de Mário Soares. Situações que o colocaram no centro do político - de onde, aliás, nunca saiu, nem quando mais recentemente se manifestou por “um compromisso nacional”, presidiu à Comissão do Dia de Portugal ou aceitou dirigir o think tank criado por Alexandre Soares dos Santos, uma das mais sólidas fortunas do país.

 

Se ser independente é estar bem no centro e rodeado de elites por todos os lados, então sim, Barreto é independente. Mas dizê-lo assim é menosprezar o impacto da persona política que tem vindo a criar. António Barreto é um dos mais destacados “intelectuais orgânicos” do regime. Não do “regime” de jure, tal como a Constituição o desenha. Porque aí Barreto é subversivo: segundo ele, Portugal necessita de um novo texto constitucional, feito de princípios “universais e permanentes” (como a inscrição do limite do défice) e que sinalize uma regressão efectiva de direitos (a crise como oportunidade para encurtar drasticamente a noção de bem público). Na verdade, é nesta oposição ao documento que Barreto se revela por inteiro enquanto “intelectual orgânico” do regime de facto. Ele é a voz grave que apela à "mudança" e detecta "bloqueios". A voz conservadora que se exaspera com o “facilitismo” criado pelo Magalhães. A voz liberal que espera destronar as perversões igualitárias - oh, realidade... - nem que para isso seja necessário descobrir na Constituição todas as causas dos atavismos nacionais.

 

No fundo, chamá-lo independente raia o insulto. António Barreto é um dos mais eficazes, cultos e porventura desinteressados “intelectuais orgânicos” do regime de facto - esse sistema de encontros, confluências e cumplicidades que articula as elites políticas e económicas. Respect, please.


por Miguel Cardina
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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

Alguém tenha a bondade de explicar à "liberal" do costume a diferença entre investimento público, derrapagem nas contas públicas e ocultação de dívidas, se fizerem favor. Obrigado.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

 Há coisas que não mudam. Helena Matos continua a cavalgar o seu delírio anti-esquerdista, não poupando meios para atacar as derivas progressistas da sociedade actual. Não se poupa inclusive ao disparate que, como não paga (para já) imposto, é disponibilizado gratuitamente em doses maciças nos blogues liberais da nossa praça. Neste texto, por exemplo, apresenta várias incorrecções: quem quiser obter uma receita para a aquisição da pílula contraceptiva não precisa de pagar; as consultas de planeamento familiar são gratuitas. As farmácias não vendem a pílula sem receita médica, por isso não há ninguém que possa "poupar tempo e dinheiro" comprando a pílula sem receita*. E também gostaria de saber quando e por quem foi apresentada a "venda da pílula sem receita médica como uma vitória das mulheres e do planeamento familiar". Em que mundo é que a Helena vive é outra questão, mas não será certamente o mundo de quem recorre ao SNS por não ter dinheiro para pagar seguros de saúde ou clínicas privadas. Isso é certo.

 

*Afinal há um facto que está correcto, e aqui errei eu. Pode-se comprar a pílula contraceptiva sem receita. Não é, neste caso, comparticipada, como é evidente. Fica a correcção.

 

Adenda à minha correcção: Helena Matos, afinal, não deu uma para a caixa, e eu não errei na primeira versão: a pílula contraceptiva não é um medicamento de venda livre (não se encontra à venda nas parafarmácias, por exemplo). Se há farmácias que a vendem sem receita, estão a infringir a lei (como acontece em outros casos). Obrigado aos comentadores que na caixa deste post esclareceram o assunto, sobretudo à Ana Matos Pires que, sendo médica, não deixa margem para dúvidas sobre a questão.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

 

Confesso que está-me a dar um certo gozo ver o defraudar diário das expectativas criadas por este Governo nos nossos blogues de direita. Os avençados dos gabinetes ministeriais retiraram-se de cena, mas as hordas de abnegados ultraliberais - e alguns conservadores de direita - que exultaram com a subida ao poder da trupe PSD/CDS, começam a não ter paciência para tanto "corte na despesa", e chegam a ameaçar com "tabefes" e "adesões ao partido comunista" como retaliação à desorientação governativa. A rábula protagonizada, à vez, pela dupla de economistas estrangeirados Álvaro e Vítor "Astromar" - um titilante anúncio, em forma de comunicado de imprensa, de brutais cortes na despesa, que redunda, alguns dias depois, em conferência de imprensa na qual são anunciados aumentos de impostos - é um tratado de governação como nunca se tinha visto em Portugal. Se juntarmos a esta brincadeira as patuscas medidas da facção CDS do Governo - ora se promove a informalidade nos gabinetes ora se anuncia um aumento do número de vagas nas creches reduzindo o espaço das salas, medidas de fundo que irão mudar a sociedade e o mundo - temos e teremos regabofe quase diário. E o desespero crescente dos alucinados que sonhavam com um risonho futuro, um capitalismo em roda livre, com impostos ao nível do Liechtenstein e áreas fundamentais da economia entregues aos empresários corporativistas do nosso canto, parece não ter fim, como a tristeza.

 

Contudo, deixo aqui uma palavra de esperança neste momento difícil: nada está perdido. Pois se hoje o Governo aumenta os impostos - sacanas, 2.5% para os pobres que ganham mais de 5 mil euros! Onde já se viu? - há uma promessa de novos amanhãs que cantam: a RTP, as Águas de Portugal, a EDP, a CP, a TAP e tantos outros tesouros serão os prémios para quem souber resistir a estes tempos difíceis. Erguei os braços ao céu, e o céu vos responderá. É tudo uma questão de tempo. E paciência.

 

(Imagem retirada daqui.)


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 23 de Agosto de 2011
por Pedro Sales

 

 

Carlos Moedas foi hoje ao Parlamento dizer que Governo aumentou de forma brutal o IVA da energia porque os investidores suspiravam pela harmonização fiscal com o resto da Europa. Imagina-se a fila de investidores, em frente ao ministério das Finanças, a exigir pagar mais 17% pela energia para reforçar a competitividade das empresas. Agora mais a sério, como se fosse possível perante uma afirmação destas, nem no Inimigo Público se lembrariam de um "argumento" tão delirante como este.

 

(Imagem retirada daqui)

 


por Pedro Sales
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Terça-feira, 26 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

Mas eis que, shhh, uma mosca se ouve. Realmente, estes sacanas dos islâmicos, tsc, tsc.

 


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 19 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Na semana em que a direcção da mui beata e piedosa Universidade Católica decide ensaiar um regresso à primeira metade do século XX, instituindo um código de vestimenta que faria as delícias de Diácono Remédios, ao aconselhar o uso de "formas de vestuário dignas e convenientes, adequadas ao local de trabalho próprio de uma universidade e de uma instituição da Igreja", o excelentíssimo abominável César das Neves, professor nessa instituição, soltou mais umas encarniçadas diatribes a favor do ultraliberalismo, ainda por cima dando como exemplo a Saúde - a velha história, falsa, de que gastamos mais e temos um pior Sistema Nacional de Saúde - e defendendo que os países europeus em risco deveriam simplesmente falir (como a Califórnia - a sério, foi deixada falir pelo governo americano???). A velha aliança entre o liberalismo económico e o conservadorismo nos costumes no seu melhor. Deus não joga aos dados com o cosmos, é bem verdade.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Um dos fenómenos extraordinários - dir-se-ia, do Entrocamento - que o corte no rating de Portugal pela Moody's produziu foi a conversão em massa dos antigos adoradores do mercado e do seu funcionamento (tirando algumas aldeias de irredutíveis fundamentalistas do liberalismo). Do artigo indignado de Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios, à opinião irada de José Gomes Ferreira, passando por meia blogosfera de direita, o milagre aconteceu: afinal, a culpa não é dos anos de despesismo promovidos por Sócrates; os mauzões das agências de notação estão a dar cabo disto, movidos por obscuros interesses que visam proteger o dólar. Não, a sério? É mesmo assim? Mas é que, valha-nos o deus do capital, é isso que alguma esquerda anda a dizer há mais de um ano; é isso que economistas respeitados como Paul Krugman ou Nouriel Roubini repetem desde essa altura; é isso que os Ladrões de Bicicletas, laboriosamente, reiteradamente, escrevem há muito tempo; é isso que tanto o Daniel Oliveira como o João Rodrigues têm afirmado neste blogue. Será toda esta gente visionária, verdadeiros profetas da modernidade? Ou serão, muito simplesmente, realistas? A questão parece lateral, mas é na realidade muito importante. O discurso do austeritarismo, da excepção portuguesa, do medinacarreirismo de trazer por casa, martelado até à náusea nos meios de comunicação tradicionais, é o que tem permitido que as medidas de austeridade, socialmente injustas e sobretudo erradas, do ponto de vista da economia, sejam aceites passivamente (e até com um certo complexo de culpa) pelos portugueses. Até que. Até que o mainstream opinativo, com um novo Governo ultraliberal em vigência, muda a agulha e se apercebe de que a solução do problema do défice passa muito pouco pelo que é feito cá. E que as dificuldades de financiamento no exterior são consequência da especulação financeira promovida, em grande medida, pelas agências de notação. Mas agora já é tarde; as medidas estão a ser aplicadas, a classe média empobrece, os pobres ficam de mãos a abanar e a economia portuguesa entra em recessão. Como - peço desculpa, mas isto tem de ser repetido até à exaustão - os economistas de esquerdam vinham alertando desde que se iniciou o ataque especulativo aos países periféricos da UE. 

 

O milagre da conversão não passa de uma grande demonstração de cinismo; como José Gomes Ferreira diz, é obrigação dos jornalistas denunciarem as jogadas das agências de notação, dado que os políticos não o podem fazer. Mas onde estavam estes jornalistas há um ano, quando já eram evidentes os métodos das agências? E mais: poderemos ter a certeza de que não demorará muito até que os políticos europeus comecem a reclamar mais energicamente destas agências. No fim de contas, quando chegar a vez da Espanha, o fim da moeda única será inevitável. E aí é ver toda a gente a correr de um lado para o outro, como se ninguém estivesse à espera. Será tarde demais, como agora já parece ser.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 28 de Junho de 2011
por Sérgio Lavos

Nova secretária da Igualdade foi contra o casamento gay. Só fico com pena - e surpreendido - por não terem escolhido um secretário de estado do Desporto que defendesse o fim do desporto escolar e dos apoios a associações desportivas; ou, sei lá, um secretário de estado das comunicações que lutasse pelo regresso aos tempos em que se comunicava recorrendo a sinais de fumo e pombos-correio; ou quem sabe até um secretário de estado da Justiça que instituísse a lei de Talião em alguns julgamentos, assim como o saudável hábito das execuções públicas, com ou sem fogueira anti-herege. Ou quem sabe até um secretário de estado das Finanças que bravamente quisesse aplicar medidas de austeridade orçamental semelhantes às que foram aplicadas na Grécia e que levaram este país à bancarrota... ah, esperai, temos um Ministro para isso. Nesse caso, está tudo bem, é este o caminho.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
por Miguel Cardina

... vale a pena reler este texto de opinião do Nuno Serra.


por Miguel Cardina
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por Sérgio Lavos

 

Se a associação não fosse tão desmiolada, ainda me daria ao trabalho de explicar à sra. helenafmatos a diferença entre educar para a tolerância, contra a homofobia e os preconceitos de género, e a brutalidade que as crianças sofriam nos tempos da União Soviética. Aliás, lembro-me agora de que a sra. helenafmatos saberá muito melhor do que eu como funcionava a reeducação no grande império soviético - em tempos, bebeu dessa água, agora, para ela, tão nefasta. Como alguém escreve na caixa de comentários do imbecilóide post: liberal, liberal, sim, mas pouco. O dinheiro deve circular livremente; já quanto aos costumes dos outros...


por Sérgio Lavos
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Sábado, 25 de Junho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Ana de Amesterdam sobre o cheque-ensino:

"Não percebo o entusiasmo à volta da ideia do cheque ensino. Quem põe os filhos num colégio, não procura apenas a excelência do ensino, o rigor e a exigência. Procura, sobretudo, a segurança da segregação social. É a segregação social que dá garantias de sucesso. Quem opta por certos e determinados colégios fica sossegado por saber que deixa os filhos numa espécie de condomínio privado, onde se ensina a caridade, se cultiva comedidamente a piedade, enobrece sempre o carácter, mas longe de pretos, ciganos, brancos que são como pretos, demais proscritos. É por essa razão, sobretudo por essa, que sujeitam os filhos a avaliações psicológicas, que se sujeitam eles próprios a entrevistas, onde explicam o que fazem e onde moram. Esmiúçam, ansiosos, detalhes e valores familiares, para se enquadrarem no perfil pretendido. O cheque ensino, em abstracto, elimina constrangimentos financeiros, permitindo que famílias mais pobres possam optar por estabelecimentos de ensino privados, mas não apaga o resto. Quem é da Brandoa, da Buraca, de Unhos, do Catujal, será sempre desses lugares. Os pais que escolhem o ensino privado, se, de repente, vissem a prole acompanhada pela prole das suas empregadas, procurariam rapidamente outro colégio onde a selecção se continuasse a fazer. Não condeno as preocupações dos pais que assim agissem. Percebo-os perfeitamente. Se a escola dos meus filhos fosse, assim de repente, por imposição do governo, inundada por camafeus pequenos, tratando-se por você, armados ao pingarelho, também eu correria a tirá-los de lá. Gosto pouco de misturas."

 

Basicamente, é isto.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

 

O mundo de Helena Matos está a ficar cada vez mais concentracionário, a ponto de eu começar a ficar vagamente preocupado - no fim de contas, é bom continuarmos a ler este tipo de paranóia liberal-estalinista nos jornais do regime e nos blogues de direita, nunca niguém deverá desdenhar do poder do humor involuntário. A conversão sofrida - e "sofrida" é uma palavra que deverá ser usada em todos os seus possíveis sentidos - pela gente que andou, nos anos quentes do PREC, a lutar por um Portugal revolucionário, deixa marcas, e as sombras que agora julgam ver em cada esquina o resquício de um tempo de perseguição aos ferozes inimigos da revolução. Hábitos que não se esquecem, e a neurose conspirativa é uma coisa saudável e que pode aquecer o coração mais cínico. Mas, de que falo eu? Da tese exposta pela comentarista neste post. Portanto, é assim: os manifestantes que ocuparam as praças de dezenas de cidades espanholas fazem-no porque o PP de Rajoy se apresta a ganhar as eleições. Claro. Faz todo o sentido, e até há alguns freaks com capacidades divinitórias na Puerta de Sol que sem dúvida sabem com toda a segurança o resultado das eleições legislativas do próximo domingo, e vai daí dedicaram-se a evitar, a todo o custo, que o futuro aconteça. Não sei dizer se Helena Matos terá visto o filme Relatório Minoritário (ou lido o conto de Philip Dick) demasiadas vezes ou se nem o conhece. Sei que o tortuoso raciocínio que ela ensaia na análise da "revolução espanhola" (como é chamado o movimento) seria digno de vários estudos sobre a evolução da mentalidade dos burgueses que contribuíram para a revolução portuguesa - estudos que certamente passariam por alguma psicologia de pacotilha, complexo de Electra e esse tido de coisas - mas todos nós deveremos ter melhor coisas em que ocupar o nosso tempo. Entretanto, relembro a Helena Matos que, pouco antes das eleições que Aznar perdeu para Zapatero, houve um, como dizer, horrível atentado em Madrid. E que Aznar, quem sabe se um pouco, vá lá, precipitadamente, se apressou a culpar a ETA. Pior, há alguns indícios de que o fez com uma intenção vergonhosamente eleitoralista. Como a realidade, infelizmente, o desmentiu em pouco tempo, o PSOE acabou por arredar do poder o seu partido. Mas enfim, eu gostaria desde já dizer que respeito a fé de Helena Matos: se ela quer acreditar que foi meia-dúzia de okupas que derrotou Aznar nessas eleições, tudo bem, calo-me de imediato. E mais: saúdo a originalidade. Coisa tão rara deverá sempre ser louvada. Amén.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
por Miguel Cardina

Não é fácil alimentar regularmente uma coluna de jornal. Acertar no tema, recolher informação, alinhavar palavras, esmerar-se no raciocínio. Há quem o consiga com particular mestria, há quem oscile entre momentos bons e momentos sofríveis e depois há a Helena Matos. A cronista já havia ficado célebre com um texto que se revelou um autêntico hino ao não-pensamento, no qual elencava moradas de edifícios de Lisboa que tinham uma qualquer relação com a Câmara Municipal. Hoje resolveu atacar o Movimento 12 de Março e todos aqueles que, na língua de pau da articulista, «querem segurança, certezas e um emprego para toda a vida». Nem vale a pena falar das razões de uma iniciativa como a da lei contra a precariedade porque existirá sempre uma Isabel Stilwell ou um Vicente Jorge Silva a explicar-nos que a realidade é outra coisa qualquer e que a insatisfação social é apenas a medida da nossa incapacidade em usufruir a liberdade que nos calhou na rifa. Helena Matos não vai tão longe. Na verdade, não vai a lado nenhum, já que se limita a comparar o movimento com o antigo PSN. Se um era o partido dos «reformados», o outro é o partido dos «jovens». Não é propriamente importante que não seja nem «partido» nem «de jovens», já que a escala da sua velhice está definida e mede-se nas tais ideias de «segurança, certezas e um emprego para a vida». Consequentemente, digo eu, os verdadeiros jovens serão aqueles que reivindicam insegurança, incertezas e desemprego para a vida. De uma coisa podemos estar certos e seguros: não é fácil alimentar regularmente uma coluna de jornal.


por Miguel Cardina
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Terça-feira, 26 de Abril de 2011
por Miguel Cardina

José Manuel Fernandes leu no seu antigo jornal uma reportagem baseada na tese de doutoramento de Raquel Varela sobre a acção do PCP em 1974-75 e não apreciou o teor da peça.  O ex-director do Público lançou-se então numa tosca busca googliana e - vileza suprema! perversão imunda! - descobriu que a historiadora também tem currículo político. Esta estranha ideia de que historiadores não podem ter activismos sociais ou políticos já foi muito bem escalpelizada pelo Zé Neves. É de facto curioso perceber como os nossos autoproclamados liberais, no momento em que deveriam sê-lo - o que neste caso passaria por se sentar numa poltrona, com um copo de uisque ao lado e a gravata ligeiramente desapertada, a ler atenta e criticamente o livro da Raquel Varela - optam por anatemizar o outro à boa maneira estalinista. Onde antes estavam a classe social e os inimigos do povo, hoje está a militância (desde que seja à esquerda). Há coisas fantásticas, não há?


por Miguel Cardina
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Domingo, 27 de Fevereiro de 2011
por Sérgio Lavos

Que fofura: João Miranda compara o Hamas, o partido mais votado nas eleições em território palestiniano (que, lembre-se, ainda não é um país independente) e cujo líder nem sabemos bem quem é (não vale ir à Wikipedia) com ditadores de créditos firmados - como soi dizer-se - déspotas que não hesitam em dizimar a população para se manter no poder. Ah, bendito liberalismo; se eu fosse mais crescido, aderia de imediato a tanta pureza de intenções. Este é o caminho. 


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 7 de Fevereiro de 2011
por Miguel Cardina

Esta é uma geração espoliada porque a anterior a espoliou. E a culpa é da saúde tendencialmente gratuita e da educação universal. Das férias pagas, do subsídio de desemprego e do 13.º mês. Dos plasmas e dos telemóveis que a populaça adora comprar. Do consumo que se estimulou e que agora se amaldiçoa. Dos “direitos adquiridos” que já nem se sabe bem como foram conquistados. A culpa é do Américo Amorim e da senhora da mercearia, do Ricardo Salgado e do idoso que recebe telefonemas da Cofidis. É essa a geração do esbulho, tal como a geração esbulhada se inicia no jovem emigrante que vai para a apanha da fruta, passa ao de leve por mim e acaba peremptoriamente no Rui Pedro Soares. Pobres de nós, ladrões dos outros. É preciso que os jovens olhem de frente os seus pais e afirmem: a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa vossa. Façamos disto uma luta de gerações, para que alguém se fique a rir. Parvos é que não são.


por Miguel Cardina
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Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

A cruzada pelos subsídios do Estado à iniciativa privada encetada pelos - em todas as outras áreas da economia que não a educação - liberais blasfemos. Seria comovente, seria, se não fosse patética e movida pelos interesses do costume - a Igreja Católica e os intocáveis lucros dos donos das escolas que beneficiam dos contratos de associação. Mas pronto, a direita liberal também tem direito aos seus sovietes. Quem não os conheça que os compre.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

Por outro lado, Dias Loureiro, Oliveira e Costa e Cavaco Silva são verdadeiros anjos na Terra e nós, comuns dos mortais, não merecemos pisar o mesmo chão que eles.

 

*jmf1957 no seu melhor, ao nível do que nos habituou quando asseverou existirem armas de destruição maciça no Iraque ou, mas recentemente, na sua heróica cruzada contra a Wikileaks, por uma liberdade de informação controlada, mais conhecida por "liberdadezinha", por ser muito pequenina.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010
por Miguel Cardina

Quando Helena Matos não tem assunto para as suas crónicas no Público, resolve malhar na "geração de 60", designação que interpreta com uma finura sociológica semelhante a "pessoas que escrevem textos para jornais".


por Miguel Cardina
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Domingo, 26 de Dezembro de 2010
por Miguel Cardina

Um cidadão egípcio veio a Portugal e raptou o filho de 4 anos, que vivia cá com a mãe portuguesa. José Manuel Fernandes acha que esta história justifica a tirada de D. José Policarpo, que há dois anos atrás disse que "casar com um muçulmano é meter-se num monte de sarilhos". Desconheço se o egípcio é adepto do islamismo e quais os contornos específicos deste caso dramático (para além do que é apresentado na reportagem da SIC). A verdade é que isso também não parece importar a José Manuel Fernandes: basta-lhe ter como bússola o anátema "civilizacional". Quando se der um caso inverso, ou um português matar a sua companheira estrangeira, será a vez de em coerência aplaudir o líder religioso que disser "casar com um cristão é meter-se num monte de sarilhos". Acontece que isso é coisa que pode agradar aos pregadores do "choque de civilizações" mas que não traz nada de bom aos cidadãos. Que são sempre mais complexos e mais plurais do que o rótulo externo que lhe querem colar.


por Miguel Cardina
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Terça-feira, 17 de Agosto de 2010
por Sérgio Lavos


Aqui há uns dias, jmf1957 espevitou-se com uma notícia que indicava serem os portugueses quem mais gasta com a Saúde na Europa. Cerca de 8% do orçamento familiar vai para esse tipo de despesas. Ora, com estes números, seria de esperar que jmf1957 se indignasse com o preço dos tratamentos nos hospitais e clínicas privadas, com o excesso de auto-medicação (especialmente nos idosos) ou, sobretudo, com a ridícula fatia que os genéricos têm no mercado português. Seria de esperar que ficasse irritado com os hábitos da maioria dos médicos portugueses, que continua a recusar autorizar genéricos quando passa uma receita. jmf1957 sabe isto, e sabe que, num país onde tal acontece, é natural que as despesas de saúde levem grande parte do orçamento das famílias. E a percentagem (é disso que falamos) ainda se agrava mais porque é claro que o ordenado médio em Portugal é bastante inferior aos outros países europeus analisados, e portanto basta fazer as contas (explicitando: o preço dos medicamentos em Portugal não difere muito dos outros países europeus, portanto o peso deste bem no orçamento mensal das famílias é, evidentemente, maior). jmf1957 sabe tudo isto (e eu sei que ele sabe) mas preferiu insurgir-se contra o Serviço Nacional de Saúde e a sua tendencial gratuitidade. Agora, jmf1957 tem mais uma oportunidade para perceber o peso que o lobby farmacêutico tem na economia da Saúde em Portugal. Para além das pessoas, as empresas - que os hospitais também começam a ser. Talvez o coração "liberal" de jmf1957 bata mais forte. Ou não. Na verdade, jmf1957 tem razão numa coisa: "há mentiras que, repetidas muitas vezes, até parece que são verdades".

por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010
por Sérgio Lavos
Outra opinião, de alguém de direita:

Indivíduos de uma direita dogmaticamente «liberal», aliados a uma esquerda analfabeta, deram agora em atacar os artistas independentes. Armam-se em tontos, perguntando por que razão chamamos «independentes» a artistas «subsidiados», como se não percebessem que a «independência» é uma situação profissional, enquanto o «subsídio» é um modo de financiamento. Todos os artistas não vinculados a uma instituição são «independentes». Não existe nenhuma contradição entre isso e o facto de algumas artes precisarem de apoio financeiro, uma vez que não são sustentáveis apenas com a bilheteira. Dir-me-ão que devem ser pagos por mecenas, patronos, fundações? Óptimo, excelente, magnífico, eu também acho isso, assim a Lei do Mecenato funcione bem e os capitalistas mostrem um módico de apetência cultural. Mas claro que o discurso sobre os «independentes subsidiados», mascarado de indignação fiscal, é apenas o arremesso filisteu do costume. O velho ódio à cultura. O que a direita dogmática e a esquerda analfabeta querem é que tudo o que não dê lucro acabe de vez. Fazem-se de cosmopolitas, mas são uns taberneiros.

Pedro Mexia, na Lei Seca.

por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos


Sabemos como funciona: uma mentira, de tanto ser matraqueada, acaba por se tornar verdade, o público passa a acreditar nela. De cada vez que se fala em Cultura - essa entidade difusa - lá vem o regimento do costume protestar contra a subsidiodependência e chamar de parasita para baixo aos "artistas". Sabemos quem são, mas, dependendo do partido que está no poder, acabam por aparecer novos indignados com a "pouca vergonha"  que é a existência de artistas "independentes", que no fundo são dependentes do Estado e que, por isso, não conseguem criar de forma verdadeiramente independente - bela tautologia. A frase (apócrifa?) de Goebbels - "quando me falam em Cultura saco logo da arma" - é um brinquedo nas mãos destes privilegiados que, aposto (?), nunca terão beneficiado desta política despesista que subsidia a criação. Se lhes perguntarem, eles negarão que alguma vez tenham ido ao teatro, nunca entraram numa sala de cinema para ver um filme português (o sociólogo Gonçalves orgulhava-se, numa crónica, de associar sempre o cinema português a uma sessão de tortura), não visitam museus nem fundações e não compram livros editados em Portugal. Se forem coerentes, também não gostam de futebol nem põem os pés nos estádios construídos para o Euro 2004 - afinal a bola é cultura (do povo) e não há memória de subsídio mais oneroso para o Estado do que a organização desse campeonato. Pensando bem, esta gente que sente repulsa da subsidiodependência deve viver num planeta qualquer e apenas sabe do que se passa em Portugal pelos jornais, reagindo pavloveanamente - e, lá está, de arma em riste - de cada vez que o assunto "Cultura" vem à baila.

Talvez não adiante muito ler textos como o de Manoel de Oliveira, no outro dia no Público, no qual ele explicava como se processa a produção de cinema em Portugal. O final da crónica é essencial para percebermos as dificuldades de quem trabalha na indústria cinematográfica em Portugal. "Fazer filmes até morrer". É isso que Manoel de Oliveira deseja, mas não se pense que o quer fazer por amor à Arte. Ele, o nosso maior embaixador nesta área, apenas o faz porque a isso é obrigado - é assim a precariedade absoluta de quem precisa de novo financiamento para fazer o filme seguinte. E assim sucessivamente. Eu sei que quem vive nesse planeta bem pode dispensar o próximo filme de Manoel de Oliveira, ou o próximo de Pedro Costa, ou de João Canijo. O tal argumento repetido até à náusea de que apenas quem quer ver deve financiar esta Arte. Se não se auto-financia, azar, que se acabe com ela. O liberalismo económico é assim que deve funcionar, e enquanto não se estender este princípio a outras áreas da economia, como a Saúde ou a Educação, estes extraterrestres não estarão satisfeitos.

Claro que nenhum país se aproxima desta utopia liberal. Subsídios estatais à produção é prática comum no Ocidente, mesmo nos E.U.A., onde, pela dimensão, existem condições para haver uma indústria cinematográfica, um circuito de museus privados (mas, hélas, sempre com o apoio de dinheiros públicos), e uma oferta teatral que vai desde a Broadway até à off-off Broadway, os pequenos teatros independentes que, imagine-se, também obtêm fundos estatais para continuarem a sua actividade. Na Grã-Bretanha existe uma indústria cinematográfica mas, azar dos azares, também há apoio à produção de art films, através do British Film Institut; o Teatro tem também bastantes apoios do Estado; e os museus, esses que não foram visitados pelos nossos intelectuais de direita que abominam a subsidiodependência, são alimentados por mecenas, entre os quais, vá lá saber-se porquê, está o Estado, quase sempre o parceiro que tem mais peso no orçamento destas instituições. E não é tão bom não pagar entrada na Tate, no British Museum, na National Galery?

Podem vir dizer que estes são países de tradição liberal e... ah, mas não é nos países de tradição liberal que existe menos subsidiodependência? Não é aqui que o Estado não se mete em assuntos de criação e deixa os artistas serem verdadeiramente "independentes"? Pois é, uma chatice quando os factos contradizem os delírios liberais destes intelectuais. Curiosamente, é neste países liberais que os cidadãos menos se apoquentam com os subsídios à criação. A intervenção estatal nas áreas criativas apenas é um problema em países de tradição francófona ou, pura e simplesmente, de tradição tacanha e anti-intelectual, como é o nosso caso.

A mentira repetida - a de que a Cultura é um peso para um país e não deve ser financiada pelo Estado - acaba por ganhar adeptos em tempos de crise, confirmando uma ideia antiga: as elites são as principais culpadas do atraso endémico do país. O que é mais perverso nesta situação é saber que quem produz este tipo de opinião é quem tem - e terá - mais acesso à Cultura. Os outros, as populações fora dos grandes centros urbanos que vão tendo acesso ocasional à produção cultural - companhias de teatro regionais, cineclubes, museus regionais - serão os primeiros a sofrer se existirem verdadeiros cortes nesta área. Mas não se espere qualquer comoção vinda destes atiradores precoces - uma opinião politicamente incorrecta (a panaceia da direitinha liberal e da pseudo-esquerda iletrada que vive na sombra deste Governo) dispensa sempre a verdade e o mínimo de decência.

por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
por Pedro Sales



Com a bolsa a descer mais depressa que o leito do Guadiana no Verão, o BPN nacionalizado e a restante banca a recorrer aos avales do Estado, nunca mais ninguém ouviu ou pôs os olhos em cima do Compromisso Portugal, essa devota agremiação que costumava demandar semestralmente até ao Convento do Beato para uma homilia contra o sufocante peso do Estado na economia. Nem uma entrevista de Carrapatoso, um perfil de Diogo Vaz Guedes ou uma declaraçãozita avulsa de António Borges. Nada de nada, deixaram de botar discurso e ficou tudo mais mudo do que Manuela Ferreira Leite em Agosto. Até que, há coisa de dois dias, ficámos a saber que o novo presidente do Banco Privado Português, Fernando Adão da Fonseca, é um dos nomes do Compromisso Portugal. Que tenha alcançado esta posição através de uma nomeação do Banco de Portugal, e na sequência de um plano assinado com o governo, é só mais uma ironia no longo historial de dependência do Estado pelos liberais cá do burgo.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales



Com a bolsa a descer mais depressa que o leito do Guadiana no Verão, o BPN nacionalizado e a restante banca a recorrer aos avales do Estado, nunca mais ninguém ouviu ou pôs os olhos em cima do Compromisso Portugal, essa devota agremiação que costumava demandar semestralmente até ao Convento do Beato para uma homilia contra o sufocante peso do Estado na economia. Nem uma entrevista de Carrapatoso, um perfil de Diogo Vaz Guedes ou uma declaraçãozita avulsa de António Borges. Nada de nada, deixaram de botar discurso e ficou tudo mais mudo do que Manuela Ferreira Leite em Agosto. Até que, há coisa de dois dias, ficámos a saber que o novo presidente do Banco Privado Português, Fernando Adão da Fonseca, é um dos nomes do Compromisso Portugal. Que tenha alcançado esta posição através de uma nomeação do Banco de Portugal, e na sequência de um plano assinado com o governo, é só mais uma ironia no longo historial de dependência do Estado pelos liberais cá do burgo.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales



Com a bolsa a descer mais depressa que o leito do Guadiana no Verão, o BPN nacionalizado e a restante banca a recorrer aos avales do Estado, nunca mais ninguém ouviu ou pôs os olhos em cima do Compromisso Portugal, essa devota agremiação que costumava demandar semestralmente até ao Convento do Beato para uma homilia contra o sufocante peso do Estado na economia. Nem uma entrevista de Carrapatoso, um perfil de Diogo Vaz Guedes ou uma declaraçãozita avulsa de António Borges. Nada de nada, deixaram de botar discurso e ficou tudo mais mudo do que Manuela Ferreira Leite em Agosto. Até que, há coisa de dois dias, ficámos a saber que o novo presidente do Banco Privado Português, Fernando Adão da Fonseca, é um dos nomes do Compromisso Portugal. Que tenha alcançado esta posição através de uma nomeação do Banco de Portugal, e na sequência de um plano assinado com o governo, é só mais uma ironia no longo historial de dependência do Estado pelos liberais cá do burgo.

por Pedro Sales
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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008
por Pedro Sales
A direita liberal em peso está radiante com um texto de Tavares Moreira sobre a forma como a segurança social “derrubou” o BPN. Lembrando que, no mês de Agosto, a segurança social retirou 300 dos 500 milhões que tinha no BPN, o antigo responsável para as politicas económicas do PSD considera que esse valor “arrasaria muitos outros bancos da praça se fossem contemplados com semelhante hemorragia de fundos num prazo tão curto e numa época tão difícil...”.

A conclusão de Tavares Moreira é simples:“Quem quer que tenha “ajudado” a Segurança Social a retirar os fundos à pressa do BPN contribuiu, obvia e generosamente, para a queda do Banco, abrindo caminho a uma intervenção na forma que é conhecida”. A história é bonita mas não comove ninguém. Quem sabe porque o autor do texto não conta toda a narrativa. Num texto tão detalhado “esqueceu-se” de referir que, poucos dias depois, a Caixa Geral de Depósitos emprestou 200 milhões no BPN. As contas são simples. Afinal, a “hemorragia” não passa de 100 milhões de euros e, falando claro, um banco que é supostamente “derrubado” por esse valor há muito que não tinha condições para operar. Daí para cá a verdadeira “hemorragia” continuou, tendo o banco estatal já empatado mais de 800 milhões para segurar o banco de Oliveira e Costa.

O problema do BPN não são os 300 milhões que, afinal, se limitaram a 100. Com sorte, os contribuintes terão que suportar “apenas” 1000 milhões de euros pelos despautérios dos seus gestores e accionistas. É certo que o governo não agiu de forma desinteressada. Como já aqui dissemos, a segurança social tirou o dinheiro porque era politicamente insustentável para o Governo perder centenas de milhões do dinheiro das reformas dos portugueses. Vai daí fez avançar a Caixa. Sendo pública, as suas perdas são mais inócuas e suscitam menos apreensão que os recursos da segurança social.

Mas, daí até dizer que “utilizar a Segurança Social para "derrubar" um Banco tem muito de curioso” vai um passo de gigante. Aquele que, como se tem visto em certas criticas que apenas se preocupam com as falhas de Vítor Constâncio, quer desviar as atenções sobre a forma como administradores e despacharam um banco e deixaram aos contribuintes uma conta de centenas de milhões de euros. Olhar para o polícia como se não existisse ladrão, eis a originalidade de grande parte da direita política e da opinião publicada quando se trata dos crimes de colarinho branco e da alta finança.

Em todo o caso, é sempre bom conhecer de onde vêem os argumentos de autoridade da direita liberal sobre o sistema bancário. Tavares Moreira, para quem não se lembra, foi multado em 180 mil euros e inibido pelo Banco de Portugal da prática de actividade bancária por sete anos - uma decisão recentemente ratificada em tribunal -, na sequência da manipulação e falsificação das contas do Central Banco de Investimentos. Sinceramente, nem sei como é que se ficam por Tavares Moreira. Eu, por mim, tinha ido logo ao Vale e Azevedo.

por Pedro Sales
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
por Pedro Sales


RJ Matson, «St. Louis Post-Dispatch», via notas ao café



A blogosfera liberal tem passado as últimas semanas a tentar explicar-nos os perigos da intervenção política para regular os mercados de capitais. Sem a acção perniciosa do Estado, dizem-nos, os agentes do mercado financeiro serão os primeiros a retirar as devidas ilações e a corrigir os eventuais excessos. O problema, claro, é a maldita realidade. A forma como, em plena crise financeira, as acções da Volkswagen triplicaram de valor em 2 dias, através de um mecanismo especulativo que já tinha sido descrito pelo Lutz e que é hoje noticiado pelo Jornal de Negócios, é o melhor exemplo de como os mercados continuam a funcionar como se nada tivesse acontecido.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales


RJ Matson, «St. Louis Post-Dispatch», via notas ao café



A blogosfera liberal tem passado as últimas semanas a tentar explicar-nos os perigos da intervenção política para regular os mercados de capitais. Sem a acção perniciosa do Estado, dizem-nos, os agentes do mercado financeiro serão os primeiros a retirar as devidas ilações e a corrigir os eventuais excessos. O problema, claro, é a maldita realidade. A forma como, em plena crise financeira, as acções da Volkswagen triplicaram de valor em 2 dias, através de um mecanismo especulativo que já tinha sido descrito pelo Lutz e que é hoje noticiado pelo Jornal de Negócios, é o melhor exemplo de como os mercados continuam a funcionar como se nada tivesse acontecido.

por Pedro Sales
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RJ Matson, «St. Louis Post-Dispatch», via notas ao café



A blogosfera liberal tem passado as últimas semanas a tentar explicar-nos os perigos da intervenção política para regular os mercados de capitais. Sem a acção perniciosa do Estado, dizem-nos, os agentes do mercado financeiro serão os primeiros a retirar as devidas ilações e a corrigir os eventuais excessos. O problema, claro, é a maldita realidade. A forma como, em plena crise financeira, as acções da Volkswagen triplicaram de valor em 2 dias, através de um mecanismo especulativo que já tinha sido descrito pelo Lutz e que é hoje noticiado pelo Jornal de Negócios, é o melhor exemplo de como os mercados continuam a funcionar como se nada tivesse acontecido.

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Sábado, 11 de Outubro de 2008
por Pedro Sales
O João Miranda descobriu que “Louçã defende sub-sub-prime”. Porquê? Por que o Bloco defende a bonificação do crédito à habitação aos desempregados. Se tivesse parado três segundo antes de escrever, o João Miranda teria percebido que bonificar os juros às pessoas que, depois de terem contraído o empréstimo, se viram sem emprego está para o subprime como o crédito à habitação está para o último filme da Pixar. Não tem nada a ver. Por uma simples razão. Não afecta os critérios de concessão de crédito. Mas se tivesse parado ainda mais uns segundos, o João Miranda teria constatado que o que afirma não faz sentido nenhum. Não só os bancos portugueses não concedem crédito a habitação a desempregados, como é pouco crível que os próprios se queiram endividar por 35, 40 ou 50 anos.

O que esta proposta afecta, para além da vida dos desempregados, é o valor total de crédito malparado – o mesmo que, como diz hoje a capa do Expresso, sobe a 4,6 milhões de euros por dia - evitando futuras situações de incumprimento. Pode concordar-se, ou não, agora chamar-lhe subprime é que é uma distorção gratuita que não tem nada a ver com o que é proposto.

por Pedro Sales
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008
por Pedro Sales


A mesma Comissão Europeia que abriu dois processos contra a permanência de uma golden share do Estado português na EDP e na PT, recusando-se a reconhecer o interesse público dos dois sectores, aceita agora com simpática bonomia a nacionalização de bancos e seguradoras no espaço europeu. Mais esclarecedor, para quem abriu esses processos na suposta defesa da "livre concorrência", é o silêncio sobre a completa distorção da mesma causada pela existência de países, como a Irlanda, Grécia e Alemanha, que asseguram os depósitos bancários a 100%. Está bom de ver que o problema nunca foi a defesa da competição, mas antes a imposição de um modelo liberalizador da economia no qual o Estado tinha que estar de fora de todos os sectores estratégicos. Até ao momento em que só o Estado pode bancar os prejuízos privados.


por Pedro Sales
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