Quinta-feira, 12 de Abril de 2012
por Miguel Cardina

 

(respigado do facebook da Myriam Zaluar)


por Miguel Cardina
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Sábado, 24 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Sufjan Stevens lançou em 2006 aquele que será um dos melhores álbuns de Natal de sempre, "Songs for Christmas", uma caixa com cinco EP's que reúnem canções gravadas ao longo de cinco anos para oferecer a familiares e amigos nesta época. Versões de canções tradicionais e canções originais, cantadas e tocadas à maneira se Sufjan, melancólicas e delicadas, um manual para aprendizagem de um Natal alternativo. "O Come O Come Emmanuel" é uma das versões. 


por Sérgio Lavos
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Sábado, 24 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

No dia 24 de Setembro de 1991, o álbum Nevermind sai para as lojas; no dia 11 de Setembro de 2001, dois aviões embatem nas Torres Gémeas e matam quase 3000 pessoas.

 

As duas datas, sem nada que pareça aproximá-las, acabam por ser duas importantes balizas da geração a que pertenço. Em 1991 eu ainda achava que nunca chegaria à idade adulta; em 2001, eu já tinha entrado nessa idade sem me ter dado conta. Até que uma realidade tingida de ficção me desperta. 

 

A experiência do mundo é sempre individual, solitária; mas os dois acontecimentos certamente marcaram milhões de filhos da bonança dos oitenta. Curiosamente, somos nós, os da Geração Rasca, que agora mais sofremos as agruras de um capitalismo precário.

 

E os Nirvana, o que têm eles a ver com isto? Deixando um pouco de parte a música, o impacto de Nevermind foi um fogacho que rompeu o domínio da mentalidade consumista a que o mundo estava submetido naquela época. E, simultaneamente, o exemplo de como o capitalismo joga todas as mãos com um trunfo no bolso: os putos niilistas de Aberdeen, uma pequena cidade no Noroeste dos EUA, tornaram-se de um dia para o outro estrelas planetárias, os heróis que vieram substituir Axl Rose e rock bem composto que formava o gosto da juventude. Como diz Mickey Rourke (outro herói dessa década) em The Wrestler, os Nirvaram chegaram e estragaram isto tudo. E o capitalismo abraçava os que o desprezavam - como sempre o fez.

 

E é fácil de perceber como: a pose rebelde do hard rock era um postiço tão evidente como as lutas simuladas do wrestling. Axl Rose batia na namorada mas era um menino mimado com demasiado dinheiro nas mãos e um talento mais do que duvidoso (e nesta frase não entra Slash). As tabelas eram dominadas pelo eurotrash e a britpop ainda não atingira o seu auge. E, de repente, surge uma banda que na aparência tinha um som violento, que remexia as entranhas; e pareciam tão reais, as letras de Kurt Cobain, a sua dor. Os adolescentes marginalizados encontravam o seu herói; e a onda varreria o mainstream, o tal fogacho.

 

Ao longo do tempo, muito se escreveu sobre as razões por detrás do êxito. Chegou-se a acordo sobre um ponto: entre as linhas de baixo vigorosas de Krist Novoselic, a bateria pujante (e brilhante) de David Grohl, a acidez das guitarras e a voz agreste de Kurt Cobain, escondia-se uma doçura pop que devia mais aos Beatles do que ao punk. Em parte esta acepção é verdadeira: Cobain admirava a banda inglesa. Mas os especialistas musicais não precisariam de ir tão longe. No punk - a linhagem directa dos Nirvana - sempre houve muito pop. Ou será que os Ramones nunca ouviram Beach Boys? E os Sex Pistols, não serão eles um dos melhores exemplos de aproveitamente da cultura popular de sempre - a imagem, acima de tudo, a pose?

 

In Bloom, a segunda faixa do álbum, é a prova disfarçada: no vídeo, a banda finge ser dos anos 60 - as raparigas gritam e puxam os cabelos, os rapazes deliram. A ironia provocatória da evocação era auto-indulgente. Servir os servos, como cantaria depois Cobain. As multidões ululantes eram servidas. Vendidos, sim, mas a gozar o melhor tempo da vida.

 

Os três sempre tiveram um sentido cénico insuperável. Cobain provocava, Novoselic seguia-o, Grohl é, sempre foi, um bom actor. Se assim é, o que diferenciava os Nirvana das bandas rock que os precederam? Encenar a verdade sempre foi o mais difícil. E Cobain acabaria por perceber isso demasiado tarde.

 

E a música, claro, a equação: um dos melhores baixistas rock dos últimos trinta anos; um Cobain que decidiu incorporar melodias trauteáveis nas suas composições; e um baterista que entrou e revolucionou o som da banda. O que mudou, de Bleach para Nevermind, passou muito pela entrada de Grohl. As variações rítmicas de Nevermind - a tal cadência lento-rápido-lento roubada aos Pixies - encaixam-se na perfeição às melodias vocais e instrumentais. E a produção de Butch Vig aprimora o som, limpa-o de impurezas, corta e cola até se encontrar o single perfeito. 

 

Mas as massas de jovens que os adoravam - no sentido religioso do termo - não poderiam perceber estas subtilezas. A eles - a mim - atraía o desespero urgente de dizer alguma coisa ao mundo. Os gritos de Cobain eram também os gritos dos jovens que o bem-estar material e o desconforto espiritual tinham castrado. Os slackers, os loosers (da canção de Beck), a geração rasca.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
por Ana Mafalda Nunes
Aphex Twin - Ventolin *música asfixiante para as massas
 

Anteontem, o Ministro da Saúde fez-nos saber que existem um milhão e setecentos mil contribuintes sem médico de família e que tem como objectivo cobrir esta lacuna do Serviço Nacional de Saúde até ao final do mandato.

 

Ontem, Paulo Macedo anunciou mais uma série de medidas que visam o corte da despesa na saúde, entre as que aqui foram comentadas, propõe que já a partir de Novembro, (curiosamente) o início do período crítico para quem sofre de problemas respiratórios, se acabe com comparticipação dos broncodilatadores e antiasmáticos. Medida que asfixiará, ainda mais, um milhão de portugueses - esses malvados que não sabem respirar de forma gratuita.

 

Hoje, não me admiraria se o “Senhor Poupança no Farelo para gastar na Farinha” viesse anunciar que tem o problema da falta de médicos solucionado. Dado que sem terapêutica preventiva e de controlo a esperança de vida de um asmático decresce, presumo que passe pela cabeça estapafúrdia deste iluminado, que o número de portugueses sem médico de família venha a ter um nível de redução bastante significativo, deixando de existir a necessidade de criar despesa com a contratação de clínicos. E mais, tendo como bónus a criação de emprego e movimentação da economia no sector funerário. Desta forma, asfixiam-se dois coelhos com uma só facada.

 


por Ana Mafalda Nunes
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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

 

Quatro miúdas. Muitas horas a ouvir a música certa. A atitude certa. Uma voz de outra década planando sobre guitarras cristalinas. Amanhã, num festival perto de si (Paredes de Coura, claro).

 

*Esta série é dedicada a bandas de agora que foram buscar inspiração aos anos 80. A ideia é colocar um dos nomes novos e a seguir um teledisco (como se dizia) de um original dessa década.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 14 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

 

Guitarras indie, uma poderosa linha de baixo, teclados swingantes, uma voz que faz da desafinação um manifesto. Letras sobre drogas, festas e hedonismo dançante. Sem cowbell, mas com as maracas e os óculos com dupla lente de Bez. Um hino para uma geração.

 

*Esta série é dedicada a bandas de agora que foram buscar inspiração aos anos 80. A ideia é colocar um dos nomes novos e a seguir um teledisco (como se dizia) de um original dessa década.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 7 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

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Sábado, 6 de Agosto de 2011
por Miguel Cardina


por Miguel Cardina
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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

 

Quando Fernando Pessoa escreveu “a minha pátria é a língua portuguesa”, já tinha havido uma tentativa séria de estabelecer uma norma linguística que visava sobretudo o controlo, pelo estado português, dessa norma. Depois desta frase, muitas tentativas foram feitas para que essa norma existisse. Em 1992, foi estabelecido o Acordo Ortográfico para os países de língua portuguesa. Agora, enquanto escrevo este texto, desrespeito o acordo que entrou em vigor este ano.

 

Contudo, não desrespeito a língua. Escrevo em português, e ao escrever produzo uma língua diferente da que falo. Fernando Pessoa, quando pensou essa frase, que tão bem tem servido os interesses de uma pátria que quase nunca respeita a herança deixada pelos grandes escritores do passado, não teria com certeza em mente esta irreprimível vontade de regular essa coisa volúvel (e como a palavra se aproxima de volúpia) que é a língua. A pátria de Fernando Pessoa foi o instrumento usado para deixar a sua marca no mundo. Criar uma nova língua dentro da língua que antes havia. E se outra prova não houvesse, bastaria o facto de esta, e outras frases, do poeta continuarem a ser repetidas mais de setenta anos depois da sua morte.

 

Duvido que os belos bastardos da língua portuguesa se interessem minimamente pelo Acordo Ortográfico, com a sua regra e a sua excepção, com as supostas vantagens comerciais desta normalização forçada. Não precisam, usam a língua portuguesa como pátria, e isso é suficiente. Mia Couto, Luandino Vieira, Ondjaki, Rubem Fonseca; tudo o que eles escrevem é prova dura a superar pelos académicos bafientos que querem impor regras gramaticais e ortográficas ao resto do mundo. José Saramago e seu desengonçado flamenco prova que nada é tão rígido que não possa ser dobrado pelos anos de contacto com outra língua – ninguém poderá recusar o enriquecimento estilístico que as derivações cervantinas que os últimos romances de Saramago trouxeram. Escrever abraçando a música de outra língua abre o leque, balança o swing das mãos sobre as teclas. Há quem ouça música de negros para escrever; talvez eu precise apenas de derrogar por momentos a autoridade do meu português num longínquo gingar brasileiro para que todo meu pensamento se mova e se contorça, perca a palidez da normalidade.

 

A questão é simples: queremos uma língua pura ou uma língua mestiça? A resposta é um pouco mais complexa do que poderia parecer. O Acordo visa normalizar a mestiçagem da língua. E isso, parece-me bem claro, é um paradoxo. Nenhuma norma poderá obrigar um português a escrever como um brasileiro ou um angolano, e vice-versa. A mestiçagem é um fenómeno livre, o cruzamento de influências um fluxo libertário que não deverá ser constrangido. Ao defender isto, não colocamos em causa a existência de uma gramática. Ela existe, é verdade, e deverá existir, sobretudo para não ser respeitada. A tradição literária contemporânea vive desta liberdade. O uso de coloquialismos, calão, gíria de bandidos, é traço comum em muitos autores brasileiros actuais e começa a ser também em alguma literatura portuguesa. A invenção passa por aqui; e mesmo que continuemos a admirar o divino português do Padre António Vieira, as duas coisas não são incompatíveis: basta pensar nos diálogos nos filmes de João César Monteiro para se perceber isto.

 

A única posição esteticamente correcta nesta questão é esta: promover uma gramática comum a todos os países de língua portuguesa, na esperança de que esta seja continuamente desrespeitada por quem escreve e fala, contribuindo deste modo para que a língua portuguesa seja uma coisa viva, em permanente evolução, como qualquer língua deve ser. Se esta posição for a que vingar, não se duvide de que será o único modo de combater o predomínio da língua inglesa no actual mundo globalizado.

 

(Escrevi parte deste texto em 2008. Alterei algumas referências desactualizadas. Não mudei de opinião.)


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Os originais são estes senhores. Grande canção, letra excelente, vídeo realizado por Derek Jarman. Um hino a Londres e à melancolia de quem vive na cidade. 

 

*Esta série é dedicada a bandas de agora que foram buscar inspiração aos anos 80. A ideia é colocar um dos nomes novos e a seguir um teledisco (como se dizia) de um original dessa década.


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Domingo, 31 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos
Férias no blogue, música em tom de nostalgia. Há para aí boas bandas que andam a ouvir coisas que não deveriam. Esta é uma delas. O vídeo é também excelente, um gozo aos nerds da era digital e uma evocação de um dos temas preferidos dos músicos dos anos 80: mulheres a dançar.

 

*Esta série é dedicada a bandas de agora que foram buscar inspiração aos anos 80. A ideia é colocar um dos nomes novos e a seguir um teledisco (como se dizia) de um original dessa década.


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Terça-feira, 26 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

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Sábado, 23 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos
Live fast, die young... no bullshit. Grande voz, o panteão dos 27 está mais rico; mas o mundo ficou a perder. Descanse em paz.
E mais: vejo repetida por todo o lado a expressão "desperdício de talento". Depois de morta, continua a ser recriminada por levar o estilo de vida que levava. Censurada por não ter feito outro disco desde Back to Black. Condenada pelas desastrosas actuações ao vivo. Não é justo. É egoísmo puro. Queremos que os nossos ídolos sejam perfeitos? Não, pedimos apenas que nos sirvam, como cantava outro perseguido pela fama, Kurt Cobain. Serve the servants - os artistas obrigados a servirem a sua arte. E nós, como vampiros, nunca nos cansamos, queremos sempre mais. Desperdício de talento, como se deus (ou alguém por ele) tivesse desperdiçado um dom em alguém que não o merecia. Amy Winehouse não era apenas um produto consumível. No fim de contas, o que lamentamos nós? A morte de alguém, ou o fim do nosso vício? Quem será, afinal, imperfeito?

por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
por Ana Mafalda Nunes

‎"We can change the world and make it a better place. It is in your hands to make a difference."

 

Pode até ser que, por arrasto, consigamos mudar o nosso país.


 


por Ana Mafalda Nunes
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por Ana Mafalda Nunes

...o país do futebol.

 

 


por Ana Mafalda Nunes
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Domingo, 17 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Noah Lennox nasceu nos EUA, no estado de Maryland. No início da década passada, formou um dos projectos musicais mais inovadores da pop dos últimos 15 anos. Conheceu Lisboa numa digressão desta banda, os Animal Collective. Gostou da cidade a ponto de se apaixonar por uma portuguesa, casar com ela (e ter dois filhos). Tornou-se num dos mais ilustres moradores da cidade. Até aqui, tudo bem. Mas a cereja no topo do bolo é a sua conversão à mais mística religião portuguesa: o benfiquismo. Adepto fervoroso, sócio, deslumbrou-se com os cânticos, com o barulho, do Estádio da Luz e gravou-os* para usar na faixa do seu mais recente álbum, Tomboy, lançado em Abril passado. Tudo somado, um homem com todas as qualidades (e nenhum defeito público). Panda Bear é o nome que usa na música. E esta, se não é melhor canção do álbum, é certamente a minha preferida. Chama-se Benfica, e é grande.

 

Letra:

 

Some might say that

To win's not all that it's about

It's just not something to say

But there is nothing more true

Or natural than wanting to win

 

There's nothing more to life

Nothing more to life

 

*Seria mais interessante se ele tivesse gravado o barulho do estádio, mas parece que não (segundo informação de comentadora); simplesmente sacou da net o som e usou-o como sample. Ainda assim, o deslumbre deve ter acontecido.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Em tempos de Verão, uma grande música dos anos 90 que dedico a todos nós, portugueses. Com um desejo de melhoras especial ao nosso primeiro-ministro; este murro no estômago é daqueles que dói a sério. Mas, neste momento sofrido, estamos contigo, Passius "Coelho" Clay. 

 

*Obrigado ao Marco Santos pela lembrança.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 3 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
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Sábado, 2 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Estávamos em 1990. Os Stones Roses tinham lançado o seu primeiro álbum um ano antes. Na Hacienda de Madchester dançava-se ao ritmo de pastilhas e ao som de New Order e de Happy Mondays, de Shamen e de Inspiral Carpets, de Primal Scream pré-Screamadelica. No resto do mundo, ouvia-se Nirvana como se fosse a última esperança de uma geração - e eram, e foram, mas ainda andamos por cá. O grunge era o digestivo de um juventude consumista em fúria; o house, o tecno e o som de Madchester a refeição pantagruélica do hedonismo de quem preferia esquecer a raiva e a fúria. A Inglaterra precisava de uma Terceira Via. Os herdeiros da melancolia indie dos anos 80, das bandas da 4AD, dos sons etéreos (o cliché) dos Cocteau Twins ou dos This Mortal Coil. Os que recusavam olhar o mundo deferente, preferindo fixar o olhar nos sapatos que calçavam durante os concertos. A onda shoegazer surgia, subterrânea, com muita pretensão existencial e algum lirismo sonoro. As guitarras planando sobre vozes sussurradas, bateria em fundo quase silencioso, alguns sintetizadores. Uma pose que era uma atitude, uma atmosfera que aspirava a ser um sonho musical de adolescentes perdidos à entrada para a vida adulta. My Bloody Valentine, Ride, Slowdive. Mas também Swervedriver, Moose, Drop Nineteens (criadores do fabuloso Winona, homenagem ao ícone indie do filme Reality Bites). Os 4Adianos Lush. Mais tarde, os herdeiros Spiritualized. Quem conseguisse ouvir estas bandas fora de Inglaterra poderia considerar-se um afortunado. Eu fui. Havia um tipo na minha faculdade que usava uma t-shirt com a imagem do palhaço da capa de Going Blank Again. Seria difícil ser mais cool do que aquilo, achava eu (por onde andará?). 

 

Os anos passaram. Deixei de ouvir shoegazing. No final dos anos 90, uma banda de Leiria (o antro alternativo daquela década), os Phase, tentaram recriar este som. Niguém na altura soube quem eram (entretanto o guitarrista, Ricardo Fiel, está na banda de David Fonseca). Voltei, e o mundo comigo, a ouvir falar deste som Sofia Copolla. Depois de ter convidado outra banda etérea, os Air, para comporem a banda-sonora de Virgens Suicidas, pediu a Kevin Shields, o mentor dos My Bloody Valentine, para criar o som de Lost in Translation. Renascia o gosto pela melancolia, um desencanto juvenil desembocando uma vida adulta. Um estilo. Nesse ano, 2003, é editada uma compilação com bandas shoegazing, de 1990 a 1992 (a brevidade é a chave do movimento). Feedback to the Future é o nome da compilação. O feedback das guitarras mais um futuro que parecia não poder existir. Sem os My Bloody Valentine (porque não quiseram particpiar), sem os Verve, que na sua primeira versão eram shoegazers, mas com todos os outros. Depois, fogachos daquele som, numa ou noutra banda - os Sigúr Ros são os mais conhecidos. E para quando um regresso ao futuro?

 

 

Feedback to the Future - a Compilation of eleven shoegazing songs from 1990-1992. Edição Mobilé.

A música dos Slowdive é, quem sabe, a melhor do álbum. O esplendor da melancolia em forma musical.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 5 de Junho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Estudo indica que europeus do Sul trabalham mais do que os alemães.

 

E ainda assim, há quem continue a achar que os alemães trabalham para nos sustentar. De mentira em mentira, lá vamos engolindo a conversa da austeridade, da flexibilidade laboral, da redução dos apoios sociais. Hoje, se quiser continuar a papar estes docinhos, é só votar na troika infernal PS-PSD-CDS. Bom proveito. Só não vale é depois queixar-se das cáries.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 29 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

 

Bobby Gillespie é o homem que tocou bateria num dos grandes álbuns dos anos 80, Psychocandy, dos Jesus and Mary Chain. Só por isso, já teria lugar garantido na história da música pop. Mas esta circunstância é um pormenor, se olharmos para o que se seguiu. Insatisfeito com os humores etílicos dos irmãos Reid, decidiu começar a sua própria banda. Os Primal Scream. Depois dos álbum de 1987, Sonic Flower Groove, ainda marcado pelos sons noise guitar, versão Jesus ou Cocteau Twins, e pelo álbum de 1989, homónimo, cunhado pela influência do rock dos anos 60 (a que voltariam mais tarde), Bobby Gillespie descobriu o ácido. E em 1991, saiu Screamadelica. Fusão entre rock e música de dança, entre o house que os dj's passavam na hacienda e os discos dos Rolling Stones da década, Screamadelica é um acto de fé no poder de uma boa trip. Confessado mais tarde pela banda, cada álbum foi gravado sob influência de um droga diferente. Pouco interessa o que é a verdade. Queremos saber é do fantástico resultado final.

 

Desde a primeira faixa, Movin' on up, com refrão cantarolável, maracas e o delicioso coro gospel a elevar a voz drogada de Gillespie aos céus, o solo que não seria desdenhado por um Keith Richards nos seus piores dias, e o fabuloso final em fade out. Slip inside this house, uma cover de uma música de 1967 dos 13th Floor Elevators é a primeira incursão no house, samples, batida com um groove infeccioso, rock psicadélico com piano e mc à mistura. Depois, Don´t fight it, feel it, e estamos numa pista de dança de Ibiza, mas numa versão retro-marada: a voz funk de Denise Johnson, o piano eléctrico, os sons para chamar pelo povo. A pedir remistura mais electrónica, que aconteceu em várias versões. Depois da euforia da dança, a queda. Higher than the sun é a primeira canção perfeita do álbum, psicadelismo electrónico puro, uma viagem por um plano mais elevado, a voz de Gillespie a planar sobre uma batida trip-hop deslizante. E o loop final, já noutro universo. Mas a queda ainda vai mais longe, e o espírito regressa ao corpo. Inner Flight é o segundo momento de perfeição, um instrumental com aaah's e ooo's pelo meio, minimal, guitarra cristalina e som de flauta divinal (sintetizado) a conduzir a alma a lugares cuja existência preferiríamos desconhecer. E, claro, um sample de Brian Eno. Come Together é quase tão brilhante como a música com o mesmo nome dos Beatles. Um discurso do reverendo Jesse Jackson transformado em incitação às massas de um dj numa rave, digressões electrónicas analógicas e o refrão gospel repetido à exaustão. Um Deus profano a brincar com coisas sagradas - como o amor, a chave dos anos 60, a década que conduz todo o álbum. Depois, aparecem as palavras de Peter Fonda em Wild Angels, o sample acrescentado por Andy Wetherall, o produtor do álbum, para servir de mote para mais um ziguezague entre o house e o rock americano, batida madchester e secção de sopros elevando a música aos píncaros. O single de apresentação, canção pedrada, on the road como os anjos do Inferno do filme de Roger Corman (e o melífluo som do melotron pontuando o gospel em loop contínuo). Nancy Sinatra, de quem os Primal Scream fizeram uma cover alguns anos depois, é a outra estrela do filme. Tudo bate certo. A seguir, Damaged é a balada que qualquer álbum de rock tem de ter. Piano e guitarra, crescendo amoroso e desalinhado, pedrado e danificado, sintetizador de cabaré a acompanhar e solo quase bluesy embrenhado no lamento existencial. Um intervalo na euforia. A que se se segue a ressaca de I´m Comin'  Down, bater no fundo com saxofone e digressão de Gillespie pelos caminhos mais negros da alucinação psicadélica. A reprise de Higher Than the Sun, mais longa, a versão dub, arrastada, atmosférica, extraterrestre. A música original reduzida aos seus fundamentos sonoros, esqueleto exposto para as pistas de dança. A caminho do fim de festa. Saídos da discoteca, em pleno ar livre, as estrelas brilham (e, na minha memória, o rumor do mar mistura-se com as últimas notas da última música dançada na pista de dança). Shine Like Stars, a caminho do fim da noite. Grande final.

 

Vinte anos depois, os Primal Scream ainda andam por aí (e contam com a ajuda de um dos maiores baixistas de sempre, Mani dos Stone Roses). Vêm a Portugal tocar na íntegra Screamadelica, no Optimus Alive, no dia 7 de Julho. Vinte anos depois, continua a ser um grande álbum.

 

Screamadelica

Primal Scream

Lançado em 23 de Setembro de 1991 pela Creation

Produzido por The Orb, Hypnotone, Andrew Weatherall, Hugo Nicholson e Jimmy Miller


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

 

(...) Falando de um filme, torna-se fácil ganhar-lhe apego. Regressemos portanto a No Direction Home, fabuloso testemunho dedicado a alguém que já está além da História – da sua injustiça suprema, dos seus ciclos inevitáveis de vida e morte. E acaba por ser tudo menos curioso que Bob Dylan, uma das mais perfeitas encarnações do Homem americano, tenha sobrevivido ao peso de o ser persistindo numa reclusão casmurra, encerrado numa misantropia que é o espelho do seu génio. O documentário de Scorcese esquiva-se a grandes teorias – sempre uma armadilha – e concentra-se nos pormenores. As entrevistas perigosas, no fio da navalha; o relato dos músicos que o acompanharam; a reacção do público conservador da música folk aos concertos electrificados da digressão de "Bringing It All Back Home" – o seu álbum esquizofrénico; a zanga com Joan Baez.

 

O mistério de Dylan fascina por ter criado uma obra que configura o espírito de um tempo. E Dylan apenas se tornou um mito quando se rebelou contra as suas raízes e se reinventou enquanto músico. Em 1965, Dylan previu o fim da utopia do movimento hippie? Não será assim, apenas prosseguiu o caminho de uma outra utopia; no caso, criativa, espaço de singularidade artística. O seu maior feito – que ele, como se vê em No Direction Home, acaba por desvalorizar em termos de importância simbólica. Scorcese capta o percurso feito de desvio e transgressão, focando o seu olhar nos pormenores, seja uma entrevista ao músico em que este é provocado por um jornalista de intenções duvidosas, seja no relato feito no tempo presente, em que Dylan se expõe revelando as sombras desconhecidas da sua história.

 

Ao conhecermos o músico na intimidade das histórias durante tanto tempo guardadas, compreendemos melhor a razão das mudanças que ocorreram nos últimos 40 anos na América. Mérito para Martin Scorcese. Partindo do particular para o universal, tornando a micro-história pista de leitura para a grande História, sobretudo asseverando a importância da cultura pop para o entendimento pleno de uma sociedade, Scorcese atingiu a perfeição. Que tenha assim sucedido em forma de documentário, não me parece que venha mal ao mundo. O cinema também pode servir como testemunha de um tempo que vai passando. Para sempre.

 

(Nos 70 anos de Bob Dylan, republico este texto antigo do meu outro blogue).


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
por Sérgio Lavos

 

 

 Uma das bandas resistentes da britpop anos 90 é também uma das mais subvalorizadas desta e de todas as décadas. Os Supergrass começaram por ser um conjunto de adolescentes com mais acne do que originalidade musical, mas sempre tiveram um jeito especial para melodias que fazem lembrar o melhor do rock clássico, dos Rolling Stones aos Beatles, passando pelo mais britânico Paul Weller e todos os projectos por onde este passou. Música para ouvir descontraidamente, sem pretensões mas com bastante ritmo, melhores do que os Oasis sem fazerem nada por isso, um swing fabuloso. Moving é um excelente exemplo de tudo isto. 


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
por Sérgio Lavos

 

Kurt Cobain. Talvez o único ídolo a quem eu adorei. Foi há 17 anos.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 14 de Março de 2011
por Sérgio Lavos

 

 A hora dos vampiros parece não ter fim. Nada, nem ninguém, consegue arrancar os dentes cravados no pescoço dos portugueses. Contudo, no meio de tanta sangria, ainda bem que há medidas realmente necessárias e justas que serão de imediato implementadas; toda a gente sabe que o golfe desvia muitos jovens da droga ou de mestrados com passaporte para o desemprego. O caminho para o desenvolvimento é este: transformarmos o jardim à beira-mar plantado num gigantesco resort para os banqueiros alemães poderem vir gozar as merecidas férias depois de divididos os lucros conquistados à conta das medidas de austeridade aplicadas em Portugal. Aplaudamos.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011
por Sérgio Lavos

 

 

 

 

Na semana em que acabaram oficialmente os White Stripes, regressam os Strokes. As duas bandas que revitalizaram o rock, moribundo desde as exéquias do grunge. Começar uma cena musical não é para todos, e os melhores serão sempre os primeiros. Os Strokes, com todos os defeitos que possam ter - e por favor não me falem em originalidade, o rock anda a a ser reciclado desde os anos 60, desde os Rolling Stones, os Beatles, os Who, é essa a sua natureza - terão sido a banda que mais estimulou o nascimento de outras bandas desde os Velvet Underground. E os White Stripes foram tudo o que o rock devia ser: crueza, minimalismo com entranhas, recuperação das origens, bluesy quanto baste e acima de tudo, imagem e pose, nunca deixando de ser fieis a si próprios - aquela expressão que nada diz mas define tudo. E depois vieram os Queens of the Stone Age, mas isso é outra história.

 

(Pode-se ouvir o novo single dos Strokes aqui.)


por Sérgio Lavos
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Domingo, 30 de Janeiro de 2011
por Miguel Cardina

Chama-se "Parva que sou" e é uma nova canção apresentada pelos Deolinda há dias no Coliseu do Porto. A música é boa, a letra é incisiva mas é a reacção vibrante do público que nos diz o essencial. Temos hino, temos ânimo, falta-nos mais combate.

 


por Miguel Cardina
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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Fool's Day, Blur. Sem vídeo, o regresso dos Blur. Vale por ser a primeira música em sete anos; e com Graham Coxon, onze anos depois. A melodia bebe mais no som dos Gorillaz, mas a guitarra de Coxon é Blur vintage.

 

(E fantástico como, nos últimos dez anos, Damon Albarn se tornou um músico tão importante: dos Blur aos Gorillaz, passando pelos The Good,

The Bad and The Queen e a compilação de música do Mali organizada por ele, que contribuiu em grande medida para o surgimento posterior de uma série de bandas que foram buscar inspiração a sons africanos - Vampire Weekend incluídos. Para quem começou a ouvi-lo a cantar There's No Other Way, um longo caminho foi percorrido.)


por Sérgio Lavos
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Domingo, 2 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Stranded, The Walkmen. Sem vídeo mas com um grande som. O melhor álbum da banda teve como primeiro single esta música, que troca as guitarras por uma secção de sopros sobreproduzida. O resultado é uma espécie de música de Natal alcoolizada, magnífica. E claro (toda a gente já sabe) o álbum leva o nome de Lisbon; uma bela homenagem.


por Sérgio Lavos
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Sábado, 1 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

 

A More Perfect Union, Titus Andronicus. Um ano estranho, em que o rock de guitarras apenas tem o álbum destes norte-americanos como cartão de visita. O resto - Muse, Interpol e por aí fora - foi para esquecer. Mas uma grande música, de qualquer maneira.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

The Cave, Mumford & Sons. O álbum é de 2009 mas o single é do ano que se se seguiu. Indie folk rock como não se ouvia desde os anos 90 em Inglaterra.


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

Bang, Bang, Bang, Mark Ronson com The Business Intl. Para além de ser produtor de Amy Winehouse, Ronsom vai criando mimos pop que são um pouco um prazer culpado. Este é um grande exemplo.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Slow, Twin Shadow. A melhor música de 1984 editada em 2010. Morrissey do Caribe. Muito bom.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Runaway, Kanye West (com Pusha T). Um gancho de piano dissonante é o suficiente para marcar território. O resto é um luxo hip-hop com uma curta-metragem a acompanhar (excerto de uma média-metragem de 30 minutos que se pode ver na íntegra no Youtube).


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

This Too Shall Pass, OK Go. Como sempre nos OK Go, a música nem é má (média, vá). Mas o vídeo é qualquer coisa. Contudo, não é o melhor do ano; isso veremos lá mais para a frente.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

Flash Delirium, MGMT. O anti-single no anti-álbum da década. O que quer que seja que isto queira dizer (e agora me lembro que prometi a mim próprio que iria finalmente ouvir com atenção a discografia completa dos Pink Floyd - fica para 2011).


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

On Melancholy Hill, Gorillaz. Mas um excelente álbum, Plastic Beach, do projecto paralelo de Damon Albarn que se tornou uma das mais importantes bandas do momento. E agora com dois ex-Clash (Mick Jones e Paul Simonon) a comporem o ramalhete de grandes músicos. E a animação de Jamie Hewlett é, como sempre, um primor.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

São Sete Voltas P'rá Muralha Cair, Tiago Guillul. Rock cristão num blogue de esquerda? Se for Guillul, absolutamente. Grande música e um vídeo ainda melhor.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Giving Up the Gun, Vampire Weekend. A melhor música de um álbum a meias-tintas, inferior ao primeiro. E o vídeo tem estilo, a fazer lembrar as experiências geek de Wes Anderson.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 26 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

Born Free, M.I.A. O vídeo-choque do ano.


por Sérgio Lavos
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