Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

Estava pacificamente a ler este texto do Ricardo Alves quando me deparei com a palavra "tolinho". Mas depois vi melhor e era "todinho". Tolinho, no entanto, seria mais apropriado. Para classificar o voto contra do PCP na votação de hoje. Parece que até votou contra o projecto do seu own private Idaho, o PEV. Tolinho, sim, e contudo coerente. Não interessa que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja legal e que os membros de um casal de gays ou lésbicas possam adoptar individualmente. É absurdo? Direi mais, é de loucos. Mas o PCP, na senda de um passado de perseguição aos homossexuais, manteve-se fiel aos seus princípios e votou na hipocrisia. Prefere que gays e lésbicas possam casar, levar filhos de anteriores casamentos, engravidar - no caso das mulheres, - adoptar sozinhos, mas nunca, credo, nunca, que dois pais ou duas mães possam ter o mesmos direitos que um homem e uma mulher que vivam juntos ou até separados. Que o CDS-PP (menos um deputado, valha-me Deus, menos um) tenha votado contra os projectos do Bloco de Esquerda e do PEV, não admira. Também não surpreende que ao deputado Telmo Correia cause asco a clarificação do que é escondido; a direita cristã tem cunha metida junto de Nosso Senhor Deus Todo Poderoso para a precipitação em tempo de seca, para a resolução dos problemas de emprego e para homossexuais que não conseguem sair do armário. Mas nunca terá para quem abertamente assume a sua identidade sexual e deseje ter uma família tal qual como os cidadãos que escolhem não casar-se com uma pessoa do mesmo sexo. "Contraria o criador", tal "experimentalismo social" e não, não se ouviu isto num púlpito de uma qualquer seita protestante norte-americana, mas numa bancada do Parlamento português. Sinceramente, não sei e prefiro não saber em que estaria Telmo Correia a pensar quando fez tal afirmação. O líder do seu partido que trate do problema. Adiante. Que o CDS e o PSD se entricheirem neste moralismo hipócrita, é previsível. Não surpreende - e parabéns aos deputados dos dois partidos que votaram a favor dos projectos, demonstrando que ainda há liberdade no meio de tanta beatice. Que o PS vote de forma táctica, aceito - é difícil exigir mais ao partido da abstenção violenta. Mas que o PCP alinhe na farsa, enfim, é uma tristeza. Seria pedir muito esquecerem os tempos de perseguição a Júlio Fogaça? Deixarem de ser tolinhos está apenas nas vossas mãos. Ceder ao preconceito não está nos genes, é uma escolha de vida.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (151) | partilhar

Terça-feira, 19 de Abril de 2011
por Sérgio Lavos

Deveriam ter o BE e o PCP aceitado encontrar-se com a troika infernal do FMI? Haverá questionáveis razões calculistas que terão levado à decisão dos partidos, mas julgo que a questão dos princípios terá sido essencial. O FMI é a mais horrenda extensão das políticas do austeritarismo prosseguidas pelo PS e apoiadas por PSD e CDS. A recusa do BE e do PCP em ouvirem o FMI não significa, ao contrário do que alguns de direita querem fazer crer, que estes partidos se coloquem de fora do processo democrático. Estão fora, sim, das políticas económicas que levarão o país ao descalabro económico. Portanto, uma posição de princípio. Participar no processo democrático, neste caso, significa recusar o diálogo com os nossos carrascos e encontrar outras formas de lutar contra as imposições de fora que apenas vão reforçar as políticas erradas que conduziram o país ao descalabro. Democracia, lamentamos, não é sinónimo de liberalismo económico selvagem. Estiveram muito bem os dois partidos nesta situação, e poderá este ter sido o empurrão decisivo em direcção a uma verdadeira política de protesto contra o pensamento único ultraliberal.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

Terça-feira, 5 de Abril de 2011
por Sérgio Lavos

Por enquanto, é apenas uma possibilidade, e não poderemos estar demasiado optimistas, mas a concretizar-se uma aproximação entre BE e PCP, será uma óptima notícia. Os dois únicos partidos de esquerda com representação parlamentar (não insistam, um PS em que 93% dos militantes elege José Sócrates como secretário-geral é um PS que desistiu da ideologia e apenas pensa em manter o poder e o círculo que dele se alimenta) têm uma oportunidade única. Este é verdadeiramente o tempo de esquecer rivalidades, calculismos eleitorais sectários e velhas fracturas. Sim, é uma questão de interesse nacional, mas a sério, não o que defende a tríade do poder (PS, PSD, CDS, não esquecer) e a política do austeritarismo. E mais interessante se torna, se analisarmos a votação dos dois partidos nas últimas legislativas à luz de uma eventual coligação: dos 31 assentos parlamentares actuais passaria para 39 (retirado do Margens de Erro, via 5 Dias). Se não quisermos mais do mesmo, este pode ser o caminho necessário.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (47) | partilhar

Quarta-feira, 28 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
Principais queixas: a RTP beneficia o governo; o Bloco de Esquerda é levado ao colo.
Principais conclusões da ERC em relação ao ano de 2007: a SIC dá mais espaço ao PS e ao governo do que a RTP; com votações semelhantes ao CDS e ao PCP, o BE tem de três a cinco vezes menos notícias que o CDS e três vezes menos do que o PCP.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
«Primeiro foi o PS a mostrar sinais de preocupação, com o discurso do Governo a chegar-se notoriamente à esquerda. Na passada semana foi o PSD, pela voz de Manuela Ferreira Leite, a vir dizer que o crescimento do PCP e BE é preocupante. As várias sondagens dão os dois partidos em subida - em conjunto atingem níveis próximos ou acima dos 20%. Razão para os dois "grandes" se preocuparem?

"Há sintomas de ser uma alteração estrutural, que veio para ficar", defende Rui Oliveira e Costa, responsável da Eurosondagem, referindo que esta tendência já se fez sentir "em 2007 e tem-se acentuado em 2008". Pedro Magalhães, investigador do Instituto de Ciências Sociais e director do centro de sondagens da Universidade Católica defende que é preciso mais tempo para avaliar, dado que estamos perante uma "tendência que tem cerca de seis meses". Mas este é um cenário "que tem lógica se observarmos o que se passa no panorama político": "O governo do PS tem tomado uma série de medidas que afectam os interesses de grupos sociais e de grupos de cidadãos que podem ser mobilizados pelos partidos mais à esquerda."

Significará isto que o eleitorado que está a reforçar os dois partidos vem do PS? Pedro Magalhães diz que as sondagens não permitem dar uma resposta clara - o que exigiria estudos de painel, pouco utilizados em Portugal. "Mas julgo não estar a cometer nenhum erro se disser que os eleitores que têm reforçado o PCP e o BE - sobretudo o Bloco - são eleitores da ala esquerda do PS", acrescenta. Os mesmos que se desviaram dos candidatos oficiais nas presidenciais e nas autárquicas de Lisboa, para votar em Manuel Alegre e em Helena Roseta.»

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

Domingo, 11 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira


Que os partidos se critiquem uns aos outros é normal. Faz parte do jogo democrático. Mas é suposto que as críticas tenham algum conteúdo. Este tipo de textos gratuitos, publicados no órgão central de um partido político, são de tal forma infantis que provam apenas que o "Avante!" entrou em roda livre. Começou com os elogios a Estaline, acabou nisto: uma acção política normalíssima, como tantas que o PCP e todos os partidos organizam, é comparada, vá-se lá saber porquê, a um comício de Salazar e a uma "patuscada". Porquê? Um texto que, pelo absurdo, além de publicitar a iniciativa de um partido concorrente, apenas dá sinais de um desvario completo.

Compreende-se que o ano de 1968 não traga boas memórias a alguns comunistas. Mas então que venham ao debate e se deixem de criancices.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (37) | partilhar

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
A moção de censura do PCP ao governo tem sido referida como uma forma de pressão junto da CGTP, para que esta não chegue a acordo com o governo em matéria de lei laboral. Acho a acusação injusta. Antes de mais, não acredito que haja espaço para um acordo. As posições estão muito distantes. E mesmo que elas existissem, o PCP continuaria a ter o direito a uma estratégia própria e à sua própria agenda. Ela não deve ser substituida pela agenda da maior central sindical. A acusação não pretende, aliás, diminuir o PCP. Pretende retirar credibilidade às criticas dos sindicatos, dando a entender que elas correspondem a uma estratégia partidária e que, no fundo, a CGTP está mais próxima das propostas do governo do que se quer fazer querer. Não é verdade.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira
«Mas devo dizer que neste momento sentimos haver um esforço claro do MPLA no combate à corrupção. Neste aspecto, pode dizer-se que, havendo um problema, não se sente a corrupção como um fenómeno instalado e em desenvolvimento, mas antes como uma situação que está a ser encarada e combatida pelo MPLA.»

«O MPLA como partido em si mesmo está a procurar no plano político, económico, social e da própria transparência democrática fazer um esforço, que me pareceu sério, para corrigir erros, para corrigir situações e também um pouco, de algum modo, para voltar aos valores e aos ideais que foram o ponto de partida do movimento de libertação.»

«Mas existe a vontade de não transformar a sociedade angolana numa sociedade capitalista no sentido clássico é um objectivo. Consegui-lo-á? Essa é a questão.»

Jerónimo de Sousa
tags: ,

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (45) | partilhar

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira





Ao escolher no mínimo seis dirigentes por partido e podendo apenas votar-se três, o último inquérito acabou por dar um excelente retrato político dos leitores do Arrastão. E serve também para perceber, dentro de cada área política, quais são as preferência dos leitores. A escolha de três em seis, 13 ou 11 tinha este objectivo: que as pessoas votassem mesmo em políticos da sua área próxima, não desvirtuando os resultados.

Votaram 1337 pessoas. Algumas (muito poucas) não escolheram três candidatos. No total, houve 3.929 votos. Para contabilizar a influência política de cada partidos entre os inquiridos são estes votos que têm de ser contabilizados. Por aqui, mais do que saber da popularidade de cada partido, fico a saber o perfil partidário dos visitantes do Arrastão.

Assim, os seis dirigentes dos Bloco de Esquerda somaram 1129 votos, o que representa 28,7% dos votos. Se lhes juntarmos os votos em José Sá Fernandes, passa para 1293 votos (32,9%).

Os 13 dirigentes do PS somaram 814 votos (20,7%). Se lhes juntarmos os ministros independentes Teixeira dos Santos e Maria de Lurdes Rodrigues e o militante do PS e líder da UGT, João Proença, passa para os 960 votos (24,4%). Se lhes somarmos ainda a dissidente Helena Roseta fica nos 1088 votos (27,7%).

O seis dirigentes do PCP tiveram 513 votos (13,1%). Mas se juntarmos Carvalho da Silva, militante do PCP e dirigente da CGTP, passa para os 783 votos (19,9%). E se ainda lhe somarmos os votos na dissidente Luísa Mesquita passa para os 806 votos (20,5%).

Os 11 dirigentes do PSD tiveram 424 votos (10,8%). Mas juntando os votos no Presidente Cavaco Silva passa para os 551 (14%).

Os seis dirigentes do CDS somaram apenas 191 votos (4,9%).

Interessante é ver as diferenças dentro de cada área política. E aqui já podemos voltar a fazer tendo como universo o número de votantes e não de votos.

No Bloco de Esquerda, Ana Drago ficou em primeiro lugar, foi a política mais votada de todo o painel e a grande surpresa deste inquérito. Teve 403 votos. 30% dos leitores escolheram a deputada entre os seus três preferidos. Francisco Louçã vem logo a seguir, como 365 votos. 27% dos inquiridos escolheram o seu nome na lista dos seus três preferidos.E estes dois destacam-se em todo o painel. Depois vem Miguel Portas, com 164 votos (12%). Fernando Rosas teve 120 votos (9%). Luís Fazenda teve 48 votos (4%) e Helena Pinto 29 votos (2%). Se juntarmos José Sá Fernandes ao grupo, é o terceiro mais votado do BE e o sétimo do painel, empatado com Miguel Portas: teve 164 votos (foi escolhido por 12% do total de votantes, ficando muito próximo da votação de António Costa).

No PS, José Sócrates destaca-se claramente: tem 247 votos e foi escolhido por 18% dos inquiridos. Depois vem António Costa (com 170 votos e 13%) e Manuel Alegre (com 162 votos e 12%). Muito mais abaixo estão os restantes: José Vieira da Silva (3% e 45 votos); Elisa Ferreira (3% e 37 votos); Augusto Santos Silva (2% e 28 votos), Pedro Silva Pereira (2% e 26 votos), Luís Amado (2% e 23 votos); Edite Estrela (1% e 20 votos), Alberto Martins (1% e 20 votos), Jaime Gama (1% e 15 votos), Francisco Assis (1% e 15 votos - atrás de Elisa Ferreira) e Vitalino Canas (5 votos). Todos estes estão atrás dos dois ministros independentes: Texeira dos Santos (6% e 74 votos) e Maria de Lurdes Rodrigues (5% e 71 votos). O secretário-geral da UGT, João Proença, teve apenas um voto e ficou em último lugar no painel. Caso ainda fosse do PS, Helena Roseta estaria em quarto entre os socialistas, com 10% e 128 votos.

Entre os dirigentes do PCP, Jerónimo de Sousa fica em primeiro. Tem 176 votos (13%), seguido do deputado António Filipe, com 118 votos (9%), de Ilda Figueiredo (5% e 68 votos), de Bernardino Soares (5% e 62 votos), de Honório Novo (4% e 53 votos) e de Francisco Lopes (3% e 36 votos). No entanto, se contarmos com o coordenador da CGTP, Carvalho da Silva, as coisas mudam de figura. Fica bastante à frente de Jerónimo de Sousa e é o terceiro na lista dos cinquenta políticos. Teve 270 votos. Um quinto dos inquiridos votou nele. Luísa Mesquita, que é agora deputada independente, teve 23 votos (2%).


O PSD tem um vitorioso claríssimo: Rui Rio, que até ultrapassou o Presidente da República. Teve 161 votos (12%) e foi o único dirigente de direita nos primeiros 10 lugares das escolhas dos leitores do Arrastão (depreendendo-se que não terá sido pelo voto de pessoas de esquerda, que tinham muito por onde escolher). Muito depois vem Pedro Santana Lopes, com 40 votos, Pedro Passos Coelho, com 35 votos e António Capucho, com 35 votos, com 3% cada um. A lista segue: Ângelo Correia (2% e 33 votos), Fernando Seara (2% e 29 votos), José Aguiar-Branco (2% e 26 votos), Marques Mendes (2% e 21 votos), Luís Filipe Menezes (1% e 19 votos), José Ribau Esteves (1% e 14 votos) e Miguel Relvas (1% e 11 votos). Note-se que o líder do PSD é o ante-penúltimo da lista do PSD e ficou 41º da lista dos 50. Cavaco Silva é, depois de Rui Rio, o político de direita mais votado. Teve 127 votos (10%) e ficou em 12º.


No CDS acontece o memo que em todos os partidos (menos no PS): o líder é ultrapassado por outro militante. Em primeiro fica Teresa Caeiro, com 55 votos (4%). Só depois vem Paulo Portas, com 41 votos (3%). António Pires de Lima tem 37 votos (3%), Diogo Feio, com 29 votos, e Nuno Melo, com 26 votos (2% cada um) e Luís Nobre Guedes com 3 votos (ficou em penúltimo).

Assim, os grandes vencedores deste inquérito (o mais participado de sempre do Arrastão, apesar de dar um pouco mais de trabalho do que os outros), é, antes de mais, Ana Drago. E depois Francisco Louçã. O outro é seguramente Carvalho da Silva, que fica em terceiro, percebendo-se que aqui, onde há muitos leitores do BE e do PS, consegue muitos votos desta área. José Sá Fernandes fica bem e parece agradar a muitos bloquistas. José Sócrates e António Costa conseguem uma boa votação. E por fim, à direita, a vitória vai para Rui Rio. No CDS, vence Teresa Caeiro, que consegue ficar à frente de Portas.

Aqui ficam os resultados do inquérito:

[poll=14]



O próximo inquérito é sobre os Jogos Olímpicos na China. Qual seria a atitude mais correcta a ter em relação aos Jogos Olímpicos da China? O boicote; Aproveitar os Jogos Olímpicos para denunciar a violação de direitos humanos; Os países não se devem envolver nos assuntos internos da China; Não se deve confundir um acontecimento desportivo com questões políticas.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (56) | partilhar

Sábado, 29 de Março de 2008
por Daniel Oliveira
«Agora, o tema mediático, servido por um simpático Dalai Lama, caixeiro-viajante do império, é a «questão» tibetana, que visa apresentar a China, gigantesco país onde convivem há séculos muitas nacionalidades, como um Estado opressor, visando, pelo menos, estragar-lhe os Jogos Olímpicos. Se forem só os jogos... É que a União Soviética, destroçada também pela ingerência externa na convivência exemplar que soube construir, continua a ser um exemplo de como o imperialismo sabe ganhar com a desunião dos povos.»
Avante!

Nem discuto o conjunto do texto (que podem ler) e o que ele revela dos reflexos condicionados e da a ausência de reflexão sobre imperialismos, nacionalismos, direito à autodeterminação, diferentes formas de resistência e, já agora, do que foi o socialismo real e do que é o regime chinês. Fico por o bold que é de minha responsabilidade. Ouviram falar das deportações em massa? De povoamentos forçados para alterar a demografia de repúblicas inteiras? Das sanguinárias razias estalinistas? Se ouviram foram enganados. Nunca aconteceu. Tudo não passou numa «convivência exemplar».

Não tendo percebido o que se passou antes, é normal que no PCP não tenham percebido o que se passou com as ex-repúblicas soviéticas depois de 1989. E agora explica-se tudo pelo caminho mais fácil. De facto, ignorando a história quem pode ser lúcido a olhar para o presente? Não aprendendo com o passado, como pode o PCP não deixar de repetir o erro: o de apoiar mais uma ditadura imperial. E no caso, com uma pequena agravante para um comunista: uma ditadura imperial onde reina um capitalismo sem quaisquer direitos para os trabalhadores.
tags: ,

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (83) | partilhar

Terça-feira, 11 de Março de 2008
por Daniel Oliveira
"A liberdade é algo que o País deve a Mário Soares, a Salgado Zenha, a Manuel Alegre... Não deve a Álvaro Cunhal nem a Mário Nogueira"
Augusto Santos Silva

Posso hoje não concordar com o que Álvaro Cunhal queria para Portugal. Mas sei que Portugal lhe deve muito na luta contra a ditadura. As dívidas não pagam o que os outros poderiam ter feito, mas o que realmente fizeram. E acontece que Cunhal esteve preso largos anos, foi clandestino e exilado, arriscou a vida e, como Mário Soares, lutou contra a ditadura. E isso devemos-lhe. Que, para reagir à contestação política, um ministro do PS (e ex-esquerdista) repita o discurso mais básico do CDS é sinal de grave desorientação.
tags: ,

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (61) | partilhar

Sexta-feira, 7 de Março de 2008
por Daniel Oliveira


Via Zero de Conduta

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Daniel Oliveira


O arquivo do jornal "Avante!", do tempo da clandestinidade, já está disponível on-line. Uma excelente iniciativa do PCP que facilita a vida a historiadores e interessados. Apesar de ser livre de manter reservados os arquivos do Partido, seria mais uma ajuda abri-los a estudiosos do Estado Novo. Pelo menos até uma data suficientemente distante (e que não envolva comunistas ainda vivos), garantindo assim o direito do PCP à legitima reserva de informação. A decisão cabe ao PCP e ninguém o pode criticar por não o fazer. Mas fica aqui o apelo. Seria uma excelente ferramenta para os historiadores do Estado Novo e da luta anti-fascista. Estou convencido que este é um primeiro passo nesse sentido.
tags: ,

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 2 de Março de 2008
por Daniel Oliveira
Acho excelente que o PCP tenha feito uma manifestação com a sua bandeira, como fazem os restantes partidos nas suas iniciativas e de diferentes formas. A agenda de um partido, decidida pelos órgãos de um partido, deve ser assumida como uma acção partidária. Gostava que depois desta experiência de clareza, que correu muitíssimo bem, o PCP desse o passo seguinte: deixar que os movimentos sindicais e sociais sejam autónomos, participando neles com espírito de abertura, sem impor a sua agenda partidária e eleitoral. Seria um excelente sinal de honestidade democrática, como foi a realização desta manifestação assinada por quem a deve assinar. Depois disto, seria coerente acabar com a fraude política que são os "Verdes" (que é já um pouco patética e só fica mal a quem a continua a alimentar) e deixar que os militantes comunistas que são simultaneamente dirigentes sindicais obedeçam, no sua acção sindical, aos trabalhadores sindicalizados e não às "orientações do partido". A clareza e a separação de águas seria excelente para a esquerda, para os movimentos sociais e para o próprio PCP. Foi dado o primeiro passo. Correu bem. O PCP está da parabéns.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (73) | partilhar

Sábado, 1 de Março de 2008
por Daniel Oliveira



«41,3% dos eleitores não querem ver reeditado o cenário de poder absoluto de um só partido. Maioria absoluta só em coligação. Os defensores da maioria absoluta pura e dura resumem-se a 13%. Um terço dos inquiridos (33%) não se importava mesmo que o próximo Governo fosse de maioria relativa.
Sondagem Expresso/SIC/Rádio Renascença/EurosondagemNa sondagem feita pelo "Expresso" a esmagadora maioria dos eleitores diz que preferia que o governo não tivesse maioria absoluta. E destes, a maioria preferia um governo de coligação. Entre outras leituras possíveis, tentemos ler isto como um recado para a esquerda vindo dos seus eleitores. Sem tirar daqui conclusões sobre o que o PCP, BE e PS deveriam fazer (uma coligação com Sócrates seria um absurdo político, quando os grandes argumentos contra este governo vêm justamente da sua esquerda), vale a pena reflectir, para lá das circunstâncias actuais, sobre um sentimento dominante numa grande parte do eleitorado de esquerda que nunca teve qualquer correspondência com as estratégias das direcções do PS do PCP e do Bloco. Muitos eleitores de esquerda gostavam que os partidos à esquerda do PS viessem um dia a assumir um papel de parceiro governativo ou pelo menos de força de pressão sobre os socialistas. Este sentimento existe em algum eleitorado do PCP e em muito eleitorado do PS e do BE. Mas a verdade é que, com o sectarismo do PCP, a cultura de contra-poder do Bloco e o centrismo patológico do PS é improvável que tal venha alguma vez a ser possível.

Não deixa de ser preocupante este divórcio entre a esquerda partidária e uma parte não negligenciável dos seus eleitores. A mesma que leva a que, para o Bloco, seja tão difícil ocupar um lugar que lhe seria natural: destino de grande parte do eleitorado descontente do PS, que dificilmente votaria PC e não vota à direita. O Bloco cresce em eleições e sondagens. Mas não passa a fasquia que assuste os socialistas e os obrigue a repensar a sua estratégia política. E era o único partido em condições para o fazer. Só que, para isso, o eleitorado socialista mais à esquerda precisava de acreditar que o BE quer mesmo um dia transformar os seus votos em poder. Nunca seria com Sócrates, todos sabemos e respiramos de alívio por isso. Mas o problema é que ainda é difícil acreditar que viesse a ser com alguém. E é isto que deixa a esquerda bloqueada enquanto projecto de poder e transformação política do país. E um dos principais objectivos do Bloco deveria ser desbloquea-la. Porque os eleitores de esquerda só se livrarão de líderes como Sócrates se acreditarem que pode aparecer, à esquerda de Sócrates, alguma alternativa.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (43) | partilhar

Sábado, 16 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira

sozinho.JPG



Com todos as restantes tendências a defender a filiação da CGTP na Confederação Sindical Internacional, a maior central sindical do Mundo, o PCP impôs à Intersindical o isolamento. Depois de durante anos ter mantido a CGTP com uma forte ligação a uma organização internacional dominada pelos sindicatos do Leste da Europa, que nunca fizeram uma greve ou um combate político pelos seus trabalhadores (a Federação Sindical Mundial, que hoje agrupa sindicatos da Síria, Cuba, Coreia do Norte, Vietname ou Bielorrússia), o PCP continua a não aceitar a mudança dos tempos e a manter a CGTP refém da sua cegueira.112 delegados votaram a favor da integração na CSI, mas a disciplina de voto entre os militantes do PCP falou mais alto. Florival Lança, o responsável pelo departamento internacional, decidiu não falar durante o congresso e não presidir a qualquer sessão de trabalho, para não ter de subscrever esta inacreditável decisão.

Recorde-se que fazem parte da CSI a CUT e a CGT, do Brasil, a CGIL, de Itália, as Conissiones Obreras, de Espanha, e a CGT, de França, centrais com as quais a CGTP sempre teve relações políticas muito próximas e, algumas delas, com fortes relações com os partidos comunistas dos seus países. Mas o PC português é muito especial na sua forma de olhar o Mundo e, por isso, muito especial tem de ser a a CGTP. A CSI tem 311 centrais sindicais filiadas e representa 168 milhões de trabalhadores de 155 países.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (61) | partilhar

Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira
Mais escandaloso do que o coordenador da Comissão de Trabalhadores da mais importante fábrica para a economia nacional não estar no próximo Conselho Nacional da CGTP é nem sequer ter sido proposto pelo seu sindicato (o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul, dominado pela linha ultra-ortodoxa do PCP e tem num quinto dos seus associados trabalhadores da Autoeuropa) como delegado ao congresso. É extraordinário. Desse sindicato, o representante na direcção da CGTP será Manuel Bravo, funcionário do sindicato sem empresa e por isso alguém que não se deixa influenciar pela realidade no terreno.

A razão porque o PCP não quer António Chora no congresso (os delegados não são eleitos directamente pelos trabalhadores) não é por ele ser do Bloco de Esquerda. É porque tem prestígio entre os seus camaradas de empresa que o conhecem, já que é lá que ele trabalha, e que, ano após ano, votam de forma esmagadora na lista que ele encabeça; é porque tem uma estratégia que não se limita a dar mais e mais derrotas aos trabalhadores na ilusão de que assim reforça a luta; é porque apesar de ser dirigente partidário obedece aos trabalhadores da sua empresa e não às decisões do seu partido; e é porque não depende de negociações entre correntes partidárias na CGTP para ter peso sindical. O seu peso sindical vem de onde tem de vir: dos trabalhadores.

Se não tivesse medo de o ver à solta, o PCP também mandava borda fora Carvalho da Silva, responsável pela devolução de muita da credibilidade que a CGTP mantém, assim como dispensa os representantes eleitos pelos trabalhadores da Autoeuropa no congresso da Intersindical. O PCP não hesita em fragilizar qualquer movimento unitário, em enfraquecer os sindicatos quando mais deles precisamos, se isso significar que não deixa de os controlar. E como se viu pela tentativa de correr com Carvalho da Silva, apesar da sua evidente popularidade, não se trata apenas de ter militantes seus nos lugares chave. Trata-se de ter militantes da linha que tomou conta do partido. Nem nos seus confia se não forem funcionários obedientes.

A força da luta sindical mede-se em vitórias para os trabalhadores. E esse é o balanço que o PCP não quer fazer. Prefere mostrar quem manda. Os nossos patrões, dignos do século XIX, agradecem. Sócrates também.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
Jerónimo de Sousa recusa divulgar ficheiros do PCP e considera que o processo de verificação do número de filiados do seu partido tem por base uma "visão de ingerência" da parte do Tribunal Constitucional. Instado pelo DN, ontem, em Coimbra, o líder do PCP, foi claro: "Não iremos entregar nenhum desses nomes no Tribunal Constitucional". Tudo porque o secretário-geral defende, acima de tudo, o primado do "direito à privacidade dos cidadãos".

O Estado não tem que saber da filiação partidária dos cidadãos. E ao aprovar uma lei idiota e inútil que não cuida do direito à privacidade correu este risco. O PCP não entrega e os ficheiros. E agora? O Tribunal Constitucional ilegaliza o PCP? Não me parece. E não o fazendo, o que fará se os pequenos partidos extra-parlamentares lhe seguirem o exemplo e se recusarem a entregar os seus ficheiros? Trata-os de forma diferente? Espero que o PCP mantenha esta posição e torne assim esta lei impraticável. Porque é anti-democrática e viola o direito fundamental à privacidade.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
«Ao atingirem-me do modo que o fizeram, com intuito de eliminarem o incómodo que lhes constituía a minha participação na discussão das suas propostas medíocres e injustas para as populações, mais das vezes impossíveis de se porem em prática, ou, caricatas em termos de gestão autárquica, deram com esse seu pérfido objectivo um sério golpe na credibilidade da capacidade e da actuação política do partido, aos olhos de todos os marinhenses.
Foi uma campanha contra o militante que sou, mas que visava, como veio a confirmar-se pela conclusão dos factos, retirar-me condições para o exercício da função de presidente da Câmara, para que fui eleito pelos votos do eleitorado marinhense. (...)
Em termos políticos não tenho projectos e sinceramente depois de um balde de água fria com que acabei de ser brindado, ou melhor, lavado da política, são fortes as razões para a colocar bem longe dos meus horizontes. Estes meus "amigos", com esta partida que me fizeram, conseguiram uma coisa que nem a PIDE conseguiu: desinteressarem-me e afastarem-me da política.»

João Barros Duarte, presidente da Câmara da Marinha Grande, eleito pelo PCP e depois afastado do lugar pelo partido contra a sua vontade.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (73) | partilhar

Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
Ao que parece, a não celebração do funeral de uma comunista não foi responsabilidade do padre. Este escreveu uma carta de resposta ao 24 horas. Fica reposta a verdade. E os agradecimentos ao Miguel Marujo que aqui a trouxe.
tags: ,

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira



Segundo o "24 horas" um padre em Silves recusou fazer um funeral a uma militante comunista católica, que levava sobre a urna a bandeira do PCP. (via Canhotices)

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (40) | partilhar

Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira

Luísa Mesquita



Nota do Secretariado da Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP:
«A assunção por cada membro do Partido dos mandatos exercidos em sua representação, vistos como uma tarefa e expressão da intervenção colectiva e não como um emprego ou forma de vida pessoal, constituiu um dos princípios fundamentais do funcionamento do Partido que marca o carácter distintivo dos comunistas face ao poder e ao seu exercício. A recusa de Luísa Mesquita representou, assim, uma grave violação de princípios fundamentais do funcionamento do Partido e um desrespeito por compromissos éticos e políticos.»
Depois segue-se una longa lavagem de roupa suja a que o PCP habitualmente se dedica neste processos para se concluir:
«Perante a persistente intenção de usurpar um mandato que lhe não pertence, o PCP reafirma que o respeito por princípios éticos e políticos pautados pelo elementar critério de dignidade pessoal e respeito pelos valores colectivos, exigem que Luísa Mesquita coloque à disposição do Partido que a elegeu os lugares que exerce em sua representação, restituindo assim o mandato à força política e ao projecto que lho facultou.»

Apenas dois pormenores.
O primeiro: a insinuação, presente noutros momentos do comunicado, de que não obedecendo às ordens do partido a eleita está a tratar o lugar de deputada como «emprego» ou parte da sua «vida pessoal». Para lá do partido está a ganância e o oportunismo. Isto aplica-se, em geral, a militantes do PCP que por alguma vez não obedecem à direcção e, claro, a toda a gente que faz política fora do PCP. Não sei quantas vezes ouvi isto de militantes do PCP (e infelizmente não só) sobre não sei quantas pessoas. Todos são oportunistas e vendidos. Os ataques ao carácter são sempre o primeiro argumento e último argumento. E Luísa Mesquita sabe que o pior está para vir. Nem imagino as histórias que se contam, neste momento, nas sedes do PCP, sobre a péssima militante, a péssima cidadã, a péssima comunista e provavelmente a péssima mãe, esposa, prima e tia que sempre foi Luísa Mesquita. E, claro, há quanto tempo denunciava em si a semente do oportunismo. De bestial a besta costuma ser um saltinho.

Em nenhum momento lhes ocorre que, perante um afastamento de deputada politicamente injustificado (que posição tomou Luísa Mesquita para que lhe fosse exigido que pusesse o lugar de deputada à disposição? Que incumprimento do dever de deputada houve até esse momento?), alguém decida, com a mesma convicção que se envolveu na vida política, não acatar uma ordem que considera ilegitima. Sabendo-se que tantas vezes essa acusação de apego ao "emprego" vem de funcionários vitalícios sem nenhuma vida profissional passada contra pessoas com provas dadas nas suas respectivas profissões.

O segundo: «Perante a persistente intenção de usurpar um mandato que lhe não pertence...» O PCP pode dar as voltas que quiser, mas o mandato pertence a Luísa Mesquita. O PCP, feroz defensor da Constituição Portuguesa, tem obrigação de o saber. Pode não gostar. Pode até não concordar. Pode mesmo tentar mudar as regras e a lei. Mas não há uma lei para o país e outra para o PCP. O mandato de deputado é de cada deputado e ao o ocupar nenhum deputado eleito o está a usurpar.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
Deputada Luísa Mesquita expulsa do PCP
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira


O líder da Juventude Centrista apontou hoje o presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Bernardino Soares, como um dos principais protagonistas dos "distúrbios revolucionários" do "Verão Quente" de 1975, altura em que tinha apenas quatro anos.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
O governo desta ditadura socratiana da burguesia, com máscara democrática, está progressivamente a desenvolver, na dialéctica do processo, uma política em que despontam já matizes neofascistas.
Miguel Urbano Rodrigues

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (26) | partilhar

Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira
«Estamos perante uma concentração do sector financeiro nas mãos de uns quantos, ainda por cima sem a garantia de que fique nas mãos do capital nacional»
Jerónimo de Sousa a propósito da fusão BCP com o BPI

«Os operários não têm pátria. Não se lhes pode tirar aquilo que não possuem. (...) As demarcações e os antagonismos nacionais entre os povos desaparecem cada vez mais com o desenvolvimento da burguesia, com a liberdade do comércio e o mercado mundial, com a uniformidade da produção industrial e as condições de existência que lhes correspondem.»
Manifesto do Partido Comunista
tags: ,

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira
O comité central do PCP retirou a Luísa Mesquita a confiança política enquanto deputada e enquanto vereadora na câmara municipal de Santarém, deixando àquela direcção regional do partido a decisão sobre outras sanções disciplinares.

Presidente da Câmara de Setúbal, presidente da Câmara da Marinha Grande e deputada Luísa Mesquita. Três casos de recentes de pessoas que, vá-se lá saber porquê, estavam convencidas que tinham sido eleitas.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (38) | partilhar

Terça-feira, 2 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira
A estrutura concelhia do PCP da Marinha Grande anunciou hoje que João Barros Duarte, presidente da Câmara Municipal local, renunciou ao mandato autárquico, sendo substituído no cargo a partir de amanhã pelo seu vice-presidente, Alberto Cascalho. Em conferência de imprensa, o dirigente comunista Filipe Andrade apontou a necessidade de renovação e a idade de Barros Duarte como as causas para a substituição a meio do mandato. A Lusa tentou obter um comentário junto de Barros Duarte, mas o ainda autarca não estava contactável.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (51) | partilhar

Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
por Daniel Oliveira
"A maior violação dos direitos humanos é impedir que um povo tenha direito à sua soberania, à sua liberdade" Jerónimo de Sousa.
Não, não foi sobre o Tibete. Nesse caso aplica-se a regra do respeito pelas relações diplomáticas com outros países. Foi em defesa das FARC.
Via Troll Urbano
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
por Daniel Oliveira



«As instituições devem respeitar, no quadro do direito internacional, as relações diplomáticas com outros países e, nesse sentido, não se pode ter relações económicas, políticas e diplomáticas com certos países e depois procurar contrariar essa perspectiva justa do prestígio das instituições com uma visita de circunstância»
Jerónimo de Sousa

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (42) | partilhar

Sábado, 8 de Setembro de 2007
por Daniel Oliveira
Sobre a celebração da revolução de 1917 na Festa do "Avante!", escreve-se esta pérola: «Não seria muito diferente celebrar a peste negra, o holocausto, o último tsunami ou a SIDA». O grande problema dos que se julgam no lugar certo da história, sejam eles comunistas ou liberais, é que rapidamente deixam de se dar ao trabalho de pensar. Não é que não consigam, apenas ninguém lhes exige esse esforço quando falam dos derrotados.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (15) | partilhar

Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007
por Daniel Oliveira
Falar de "cariz fascizante" para se referir ao governo de Sócrates não é tornar a oposição a um péssimo governo mais eficaz. É enfraquecer a oposição através do ridículo e banalizar palavras que um dia poderão vir a ser necessárias. De tanto gritar que aí vem o lobo...
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (41) | partilhar

Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
por Daniel Oliveira
Já é da praxe. Todos os anos a indignação com os convidados do PCP à Festa do Avante toma conta da blogosfera e dos jornais. Justa e merecida indignação, acrescento eu. Mas ainda estou à espera do facto de partidos como o MPLA e o RCD, do ditador tunisino Ben Ali, só para pegar em dois de muitos possíveis exemplos, manterem com o PS uma estreita relação de amizade e cooperação, convidando-se mutuamente para os seus congressos, merecer pelo menos duas linhas de incómodo.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (26) | partilhar

Quinta-feira, 12 de Julho de 2007
por Daniel Oliveira

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 11 de Julho de 2007
por Daniel Oliveira
Sobre o livro de Zita Seabra, que vou comprar hoje para ler nas férias e sobre o qual já ouvi falar muito bem e muito mal por pessoas que estiveram no PCP e que respeito, vale a pena ler este post de Nuno Ramos de Almeida. Como não li o livro, não subscrevo nem deixo de subscrever a opinião dele. Tem relevância por corrigir, por experiência própria, alguns factos do livro. Voltarei ao tema.
tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 6 de Julho de 2007
por Daniel Oliveira



Vi ontem a longa entrevista de Zita Seabra à RTP por causa do lançamento do seu livro de memórias políticas. Valeu a pena. Não para conhecer a história do PCP ou sequer para conhecer o pensamento político de Zita, se é que ele realmente existe. Foi um retrato psicológico muitíssimo interessante. Zita Seabra fez um retrato robot do militante comunista. E, para ela, esse retrato robot só pode ser o retrato do seu passado. É impossível, tem ela a certeza, que alguém fosse diferente. Se diz que era, mente.

Os militantes comunistas, todos eles, são frios, insensíveis, duros, desumanos, incapazes de sentimentos e de solidariedades que não sejam estritamente políticas. Todos estalinistas, todos obedientes, todos prontos para disparar à primeira ordem.

Uma resposta rápida a uma pergunta rápida quase passou desapercebida. E, no entanto, ela é mais esclarecedora do que tudo o resto. “Tem amigos no PCP?” Resposta sem que se tenha apercebido de como era trágica: “Não”. Dá que pensar. Alguém que dedicou toda a sua vida a um partido, que quase só tinha amizades nesse partido, diz que de meia vida não guarda um só amigo? Dirão: foi o que lhe fizeram. Ou dirão: todos a mal-trataram. Ou dirão ainda: quem sai do PCP é excomungado das relações pessoais. E a isso eu respondo que é mentira. Conheço demasiadas pessoas que saíram do PCP. Algumas de forma ainda mais traumática e em tempos mais difíceis do que Zita Seabra. Não conheço nem uma que não guarde de lá amizades para a vida. Note-se que não faço nenhum julgamento moral do facto. Era o que mais faltava. Apenas acho que ele revela uma dimensão que no caso do PCP nunca pode ser desprezada: a dimensão humana.

Por razões que não interessam aqui, reparei na forma como Zita Seabra se referiu a pessoas que lhe foram tremendamente próximas e não só politicamente. Chamou-lhes “camaradas”. Apenas, sem mais. E ao ouvir isso apercebi-me que não sendo o PCP apenas o que Zita Seabra pinta, ela era e continua a ser o que de mais trágico se conhece da cultura comunista. A verdade é que Zita Seabra sempre representou, como dirigente, o pior da cultura estalinista do PCP. E, no lado humano como olha para a sua história, continua a representar. Não mudou a sua natureza: as pessoas como instrumentos, a desumanização do adversário e esquematismo mental. Está lá tudo. Não, não eram nem são todos como ela.

É por isso natural que Zita Seabra olhe para cada comunista à sua imagem e semelhança. A ela não pode passar pela cabeça que o problema não era apenas ideológico. Era humano. E que outros (tantos e tantos) tenham vivido e continuem a viver o “ser comunista” de uma forma diferente. Terá muita razão em muitas coisas que disse sobre a cultura do partido. O problema é que repete uma das mais graves: as pessoas não existem para lá do que foram e do que são no partido. E como é assim que sente, teve “camaradas” e não lhe ficaram “amigos”.

E depois vem o seu precurso pós-PCP. Que fique claro: é tão legítimo como outro qualquer. Mas Zita Seabra acha que não. Os outros saíram para negociar no mercado do PS. Ela saiu sozinha e é livre. Os outros nunca cortaram com o seu passado e mentem em relação a ele. Ela é honesta e diz toda a verdade. O esquema mantém-se: se outros seguem um caminho diferente o problema não é político, é de carácter. O mesmo julgamento de que foi vitima faz ela aos restantes.

Sair do PCP é uma experiência dura. Terá sido especialmente dura para uma mulher com o percurso de Zita Seabra. Mas ao ouvir a entrevista percebi melhor porquê: Zita Seabra saiu do estalinismo que desumanizava o outro. O estalinismo é que não saiu dela. Ela olha para o PCP e o que vê é a sua imagem reflectida no espelho. Que não aceite que podia ter feito diferente, como tantos e tantos fizeram (e muitos deles continuam no PCP), é natural. Seria talvez um processo bem mais doloroso. Mas outros o fizeram. E talvez por isso não sejam tão severos. E talvez por isso do PCP guardem amigos e não apenas ex-camaradas.

A Zita Seabra aconselho “A Vida dos Outros”. Não sei se o perceberia. As pessoas são mais do que as suas convicções. E apesar de tudo o que ouvi ontem e me deixou estranhamente incomodado, por razões que ultrapassam em muito a política, acredito que Zita Seabra também fosse mais do que as suas convicções do passado e seja mais do que as suas convicções no presente. Só que isso complica muito o julgamento moral que fazemos de nós próprios. Se tivermos sido apenas um instrumento da ideologia, parecendo que assumimos todas as culpas não assumimos culpas nenhumas.

Do livro falarei quando o ler.

tags:

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (46) | partilhar


pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador