Terça-feira, 20 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

Uma semana depois de Nicolas Sarkozy ter endurecido o discurso anti-imigração, adoptando algumas das bandeiras da Frente Nacional, acontece o crime de Toulouse. E recorde-se, o presumível autor destes crimes contra judeus será o mesmo que matou três militares magrebinos durante a semana passada. As palavras de Sarkozy - uma "tragédia terrível", um "drama abominável" - estão prenhes de uma extraordinária hipocrisia. Quando é o próprio presidente a veicular um discurso de ódio e de desconfiança em relação aos estrangeiros, surpreendente seria que não aparecessem extremistas - e por favor não chamem lunáticos a esta gente, que eles sabem muito bem o que estão a fazer - a pôr em prática o que as palavras dos políticos deixam subentendido. Fracos líderes fazem fraco povo. Sarkozy é o exemplo claro disto.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 7 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

 

Os primeiros expulsos serão uma tal de Carla Bruni, a sua irmã Valeria, e toda a sua família italiana, e a seguir será Pal Sarközy, imigrante húngaro, e Andree Malah, judia de origem grega.

 

Parece que o ressentimento em relação às suas próprias origens não é exclusivo de um certo austríaco de origem judaica e bigodinho ridículo.

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por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

"Banco central alemão compara países endividados a alcoólicos."

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por Sérgio Lavos
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Domingo, 26 de Dezembro de 2010
por Miguel Cardina

Um cidadão egípcio veio a Portugal e raptou o filho de 4 anos, que vivia cá com a mãe portuguesa. José Manuel Fernandes acha que esta história justifica a tirada de D. José Policarpo, que há dois anos atrás disse que "casar com um muçulmano é meter-se num monte de sarilhos". Desconheço se o egípcio é adepto do islamismo e quais os contornos específicos deste caso dramático (para além do que é apresentado na reportagem da SIC). A verdade é que isso também não parece importar a José Manuel Fernandes: basta-lhe ter como bússola o anátema "civilizacional". Quando se der um caso inverso, ou um português matar a sua companheira estrangeira, será a vez de em coerência aplaudir o líder religioso que disser "casar com um cristão é meter-se num monte de sarilhos". Acontece que isso é coisa que pode agradar aos pregadores do "choque de civilizações" mas que não traz nada de bom aos cidadãos. Que são sempre mais complexos e mais plurais do que o rótulo externo que lhe querem colar.


por Miguel Cardina
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Domingo, 17 de Outubro de 2010
por Sérgio Lavos
Infelizmente, parece que os "alarmistas" têm razão. Fixem estes nomes: Angela Merkel, Nicholas Sarkozy, Silvio Berlusconi. Não queria repetir-me, mas houve um tempo em que a direita dita "democrática" também não se preocupou muito com a ascensão da direita menos "democrática". Deu no que deu. Agora, parece acontecer algo de inédito: é a própria direita dita "democrática" que se transveste de direita menos "democrática" e se começa a preocupar com os, pelos vistos, principais culpados da crise, os imigrantes. O futuro, parece, é dos chamados "moderados". De Angela Merkel, Nicholas Sarkozy, Silvio Berlusconi. E não será surpreendente que David Cameron embarque no mesmo Titanic. Fixem estes nomes: serão eles os coveiros da Europa.
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por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 21 de Setembro de 2010
por Sérgio Lavos


O Arrastão também pode cumprir a função de serviço público. E como parece haver bastante confusão na cabeça de muitos dos nossos comentadores, aqui vão algumas definições de racismo.

Em inglês:

Although the term racism usually denotes race-based prejudice, violence, dislike, discrimination, or oppression, the term can also have varying and contested definitions. Racialism is a related term, sometimes intended to avoid these negative meanings. According to the Oxford English Dictionary, racism is a belief or ideology that all members of each racial group possess characteristics or abilities specific to that race, especially to distinguish it as being either superior or inferior to another racial group or racial groups. [4]
The Merriam-Webster's Dictionary defines racism as a belief that race is the primary determinant of human traits and capacities and that racial differences produce an inherent superiority or inferiority of a particular racial group, and that it is also the prejudice based on such a belief. The Macquarie Dictionary defines racism as: "the belief that human races have distinctive characteristics which determine their respective cultures, usually involving the idea that one's own race is superior and has the right to rule or dominate others."
According to Charles V Hamilton and Kwame Ture (aka Stokely Carmichael) it (racism) is the predication of decisions & policies on considerations of race for the purpose of subordinating a racial group (ethnicity) and maintaining control over that group. (
Aqui)

Racism can be used to refer to prejudice based on race against one person or a group of people; it can be expressed either overtly or subtly. Overt racism is perhaps the easiest to identify. It is fairly simple to see that the actions of the Ku Klux Klan, for example, are racist. They openly proclaim superiority of the white race and inferiority of non-white races.

Subtle racism is a much stickier topic, and much harder to identify. Cultures that contain multiple races often defer to the race that feels it is being attacked in order to define what constitutes subtle racism. For example, the standardized tests that are generally required in applying to a United States college, such as the SAT or ACT, are sometimes argued to be subtly racist because they say non-Caucasians who come from backgrounds steeped in poverty generally don't score as well. Lack of good schools, good books, and stable home environments may adversely affect the test results for those students.

While many problems can be cited in reference to racism, one results from the overgeneralizations that are made in race grouping. The Asian group, for example, includes Koreans, Vietnamese, Japanese, Chinese, and Thai. The failure to understand the distinctions between the cultural values of Koreans generally and Vietnamese generally, for example, can be characterized as subtly racist. There is an inherent assumption that all Asians must be the same, and little recognition that the Asian race comes from hugely diverse countries and cultures. The same holds true for the Hispanic race, a group that shares European ancestry with the various Latin Native Americans. Assuming that an Asian person is Chinese or that a Hispanic person is Mexican may be characterized as subtly racist. (Aqui)

Em francês:

« Le racisme comprend des idéologies et des pratiques basées sur la construction de groupes sociaux, classés selon leur origine et leur provenance, auxquels sont attribuées des caractéristiques collectives évaluées implicitement ou explicitement et considérées comme difficilement modifiables, voire pas du tout. » (Johannes Zerger, Was ist Rassismus?, Göttingen 1997, p.81) Cette définition élargit donc la sphère d’application du terme « racisme », qui concerne non seulement les « races biologiques », mais également tous les groupes ethniques considérés comme différents. Vous trouverez de plus amples informations concernant cette dernière définition dans le tableau suivant (en allemand) : « Was heisst Rassismus? » (« Qu'est-ce que le racisme? », pdf, 1 page).
Nous vous conseillons également la lecture du texte « Racisme » et du papier de discussion « mots-clés sur le racisme » de la Commission fédérale contre le racisme (CFR).
La définition proposée par Albert Memmi lors des différents débats a suscité beaucoup d’intérêt : « Le racisme est la valorisation, généralisée et définitive, de différences, réelles ou imaginaires, au profit de l'accusateur et au détriment de sa victime, afin de justifier une agression ou un privilège. » (Albert Memmi, Le racisme, Gallimard, 1982
) (Aqui)

Curiosamente, em português apenas se encontram algumas definições menos completas do que as que eu publico. Mas o Google está apenas a um clique de distância. Agora, é só tentar perceber onde se enquadra a vossa visão de outras etnias, em particular da cigana.

O tom paternalista é um brinde extra. Vocês (comentadores) merecem-no.
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Domingo, 19 de Setembro de 2010
por Sérgio Lavos
A discussão ainda vai no adro, e, infelizmente, o problema continuará e será mais grave no futuro, mas há coisas que, se não me espantam, pelo menos confirmam algumas suspeitas. A começar pela ideia feita de que praticamente não há racismo em Portugal. Um mito, claro, e é apenas surpreendente que a extrema-direita não tenha mais votos - isto, se acharmos que o CDS-PP não é extrema-direita. Desde que o caso da expulsão dos ciganos de Leste de França começou, tem-se provado o quanto o mito é falacioso. Basta passar os olhos pelos comentários das notícias on-line sobre o tema ou abrir as caixas de comentários dos blogues mais visitados (Arrastão incluído) para se perceber como está enraizado o preconceito na sociedade portuguesa. Não, não é uma provocação, é a verdade (e os leitores que discordem disto, aconselho-os a pesquisarem sobre o racismo, quais as definições formais e a evolução ao longo da História). Nos blogues de direita que tomaram uma posição de repúdio perante a política de Sarkozy, então, pode-se observar o fenómeno em plena carburação. N' O Cachimbo de Magritte, por exemplo, Carlos Botelho tem publicado uma série de textos certeiros e informados, todos com comentários que roçam a abjecção, a ponto de alguns comentadores insultarem o autor e ameaçarem não voltar a visitar o blogue. Sintomático. A reacção de muitos ao texto de Vasco Pulido Valente será igualmente reveladora. Não vale a pena teorizar sobre as causas, mas vale a pena perceber que, trinta e seis anos depois da descolonização, as mentalidades não terão mudado assim tanto. Nem sequer me parece que a razão deste preconceito se funde na actual crise: quem dela se está a aproveitar, até agora, são os políticos populistas. O povo, claro, vai atrás; o que estava adormecido acorda em todo o esplendor. Conhecemos a história.
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por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos
Mais um texto, este de Filipe Nunes Vicente, que mostra muito bem o que está em causa:

(...) O artigo 109 da Constituição da República de Weimar garantia todos direitos de cidadania aos ciganos Contudo, em Julho de 1926, uma lei da Bavária obrigou ao internamento compulsivo (por dois anos ) de todos os Sinti e Roma que vagueassem em bandos e não fizessem prova de emprego. A lei tornou-se lei federal em 1929. Os ciganos, zigeuner ( do alemão "intocável") , passaram a ser encerrados nos Zigeneurlager, sobretudo depois dos Jogos de 1936. Claro que foram sujeitos às mesmas discriminações de judeus e deficientes mentais no que ao apuramento da raça dizia respeito. O dr. Robert Ritter, psiquiatra e fanático darwinista, dirigiu a partir de 1938 os estudos raciais. Ajudado por Sophie Ehrhardt e Eva Justin ( antropólogo e psiquiatra) concluiu em 1940 que 90% dos ciganos alemães eram mestiços e produto do acasalamento com o sub-proletariado criminoso e anti-social. Depois da guerra ,estes cientistas ( sim, não eram beatos nem evangelistas, eram...cientistas) continuaram a trabalhar n a univesidade de Tubingen (Ritter suicidou-se em 1950).
Não me interessa comparar pontualmente esta ou aquela medida de um político europeu com o pathos nazi. Isso , pese a boa intenção de alertar, afasta-nos do essencial. Podem pensar que são simples coincidências as actuais deportações de ciganos, ou podem ver, de novo, o que acontece quando metemos no mesmo jarro o nacionalismo e a crise económica e financeira.
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Sábado, 18 de Setembro de 2010
por Sérgio Lavos
(...) E não torna, porque há outra face em que a política de Sarkozy se aproxima e até às vezes se confunde com a política de Hitler. Não é por acaso que a França resolveu escolher os ciganos como objecto do seu rigor e não escolheu, por exemplo, os portugueses. Os ciganos são uma minoria étnica vulnerável e não têm um Estado que os defenda, e os portugueses não são e têm o mais velho Estado da Europa, ainda por cima membro da UE, para falar por eles. Promover colectivamente um pequeno grupo de "estranhos", sem protecção, a bode expiatório de uma crise grave e à superfície irresolúvel é uma antiga técnica do populismo, que Sarkozy (como Hitler) não hesitou em usar. Só que, por força, ela estabelece sempre sem exame uma culpa colectiva e aponta ao cidadão comum os "culpados" de um "crime" imaginário.

Qual é o verdadeiro "crime" dos ciganos? Em primeiro lugar, a "raça" (uma noção mais do que ambígua). Em segundo lugar a cultura, que, neste caso, incluiu o nomadismo. E, em terceiro lugar, a recusa de se "integrar" na sociedade francesa, presumindo que existe um único modelo de "sociedade francesa". Ora, como muitas vezes já se verificou, estas três "razões" levam directamente ao ódio e à perseguição. E aqui Viviane Reding não se engana, a II Guerra mostrou a que extremos pode chegar e com que rapidez se pode espalhar o estigma imposto por uma autoridade nacional a uma minoria étnica. Berlusconi já permitiu 315 "intervenções" do Estado em acampamentos de ciganos. Pior ainda, consta que a santificada Angela Merkel se prepara para expulsar 12.000. Onde fica nisto e para onde vai a "Europa" dos direitos do homem?

Um perigoso esquerdista, Vasco Pulido Valente, na sua crónica do Público.
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por Sérgio Lavos
Os critérios de alguns bloggers são fascinantes. Anda-se há dois meses a falar da expulsão de ciganos de França, e apenas hoje, quando sai uma notícia sobre criminalidade em Alcains, é que se torna importante a etnia das pessoas em questão. Pode-se depreender então que, no caso das deportações decididas por Sarkozy, o que importa é que quem é expulso se dedica ao "tráfico de droga, à mendicidade e aos pequenos furtos", o que, na óptica de jcd, é critério suficiente para estigmatizar e empurrar para fora do país toda uma comunidade. Já no caso de hoje, os criminosos (que o são, e julgo que foram presos os culpados dos desacatos e os suspeitos dos homicídios - correcção, parece que os dois mortos eram os autores dos disparos) devem ser identificados como "ciganos", não vá dar-se o caso do povo não ter percebido. Resumindo, jcd, faz (sem surpresa, mesmo não se apercebendo disso) exactamente o mesmo que Sarkozy: toma a parte (quem está fora da lei) pelo todo (a comunidade cigana), tentando deste modo enviesadamente justificar um acto político ensaiado em França com a criminalidade de alguns indivíduos portugueses (deve ser uma demonstração do efeito borboleta). Nada de extraordinário, este tipo de raciocínio é o pão nosso de cada dia nas caixas de comentários do Arrastão. Em que ficamos? O que conta é o crime ou a etnia? Nestas questões, teremos sempre os "liberais" do costume  para nos esclarecer - mas seria tão bom que lessem com olhos de ler a crónica de Vasco Pulido Valente, hoje no Público.
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por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010
por Sérgio Lavos
Parece que a jogada de Nicholas Sarkozy - o anúncio veraneante de dureza no combate à criminalidade, o que, descontado o jargão político, significa perseguir ainda mais as minorias empobrecidas que vivem no país - não resultou, e ele vai caindo a pique nas sondagens. Vai daí, abdica-se da dureza - e do namoro com a falange lepenista - e pede-se moderação nas deportações. Expulsá-los, mas com jeitinho, não vá o eleitorado flutuante de extrema-direita recém conquistado assustar os outros votantes na UMP. Foi você que falou em ideologia e princípios?

por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 24 de Agosto de 2010
por Sérgio Lavos


Quando os nazis levaram os comunistas, não protestei, porque, afinal, eu não era comunista. Quando levaram os social-democratas, não protestei, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando levaram os sindicalistas, não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando me levaram a mim, já não havia ninguém que protestasse.

A julgar pelos comentários que encharcam este post, as palavras de Martin Niemöller, pastor protestante alemão que se opôs ao regime nazi (palavras que costumam ser atribuídas a Bertolt Brecht) ainda terão razão de ser. A preocupação neste caso sobrepõe-se à precaução que me diz que aqueles que insultam o fazem apenas por ignorância ou medo do que não conhecem. Precaução também porque sei que estas minorias são sempre ruidosas, gostam de exibir o preconceito e a intolerância como quem exibe uma bela farpela domingueira, esburacada e rançosa. E mais uma história edificante, para quem ainda queira aprender alguma coisa (e estão à vontade para me chamar paternalista), deixada pelo comentador dedo político:

“Conotações pejorativas (que matam!)

O ‘dedopolitico’ conheceu, em determinada altura da sua vida, um ‘cidadão de nacionalidade portuguesa’ que, emigrado em França disposto a trabalhar em tudo o que lhe aparecesse para melhorar as suas condições de vida (e a da sua família), lhe disse, que o que mais lhe custou no inicio desse tempo, não foi, a falta de dinheiro, a fome, ou as más condições em que vivia, mas sim, quando ia à escola buscar os seus filhos, ter de ouvir os autóctones a dizer-lhes: “Portugais? Sale race”!*

* Portugueses? Raça suja! (tradução livre) “

Agora, venham de lá essas pedras.

(A citação de Niemöller, devo-a ao Miguel Serras Pereira).

por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
por Sérgio Lavos


Por vezes, o passado parece reflectir-se no presente de forma tão evidente que as semelhanças não podem deixar de provocar alarme. Em França, o processo de repatriação de ciganos romenos avança, e o que mais surpreende é o silêncio do resto da Europa perante uma acção que evoca um passado de perseguição étnica que não deveria repetir-se. Não nos podemos esquecer de que os roma, que chegaram à Europa na Idade Média, foram o outro alvo das políticas de limpeza étnica encetadas pelo Terceiro Reich, e no final da Segunda Guerra Mundial pelo menos 500 mil ciganos tinham morrido, em campos de concentração ou executados pelo exército nazi. Falar deste tenebroso passado de exclusão não é um exagero, até porque a "experiência"  sarkozyana também está a ser tentada na Itália de Berlusconi. Em tempos de crise, a Europa parece querer virar-se para o "outro", para o estrangeiro, e isso é o pior que nos pode acontecer - é sintomático que tal fenómeno tenha lugar no país do "caso Dreyfuss", a França que Sarkozy parece querer transformar no sonho totalitário de Jean-Marie le Pen. É preciso que não se torne norma, para que não se repita o passado.

(Sobre este tema, a crónica de Rui Tavares, hoje no Público, é exemplar - sem link, mas neste post Miguel Serra Pereira tem a gentileza de republicar alguns excertos. Assim como este texto de Rui Bebiano.)

por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 20 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira



Os mesmos que viveram debaixo do abjecto Apartheid atacam agora imigrantes de Moçambique e do Zimbabwe, culpando-os pela sua pobreza. O racismo vive da estupidez e do egoísmo. Aqui ou na África do Sul. E não escolhe cores. Escolhe sempre os mais miseráveis entre os miseráveis. Os mais fracos entre os mais fracos. E, mesmo quando os agressores são pobres, não merece desculpa. Nem aqui nem na África do Sul. Porque quem escolhe o mais fraco para descarregar a sua revolta é tão opressor como o que o oprime. E igualmente cobarde. Não merece desculpa.


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira



Amanhã, dia 22 de Abril, será inaugurado no Largo de São Domingos, o Memorial às Vítimas da Intolerância em Lisboa. Por iniciativa de Sá Fernandes apoiada pelo PS e pelo movimento "Cidadãos por Lisboa". A 19, 20 e 21 de Abril de 1506 foram barbaramente assassinados e queimados cerca de dois mil judeus em Lisboa. Os acontecimentos tiveram início junto ao Convento de São Domingos e culminaram em duas enormes fogueiras, no Rossio e na Ribeira.

Mais sobre o Massacre de Lisboa aqui.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 27 de Março de 2008
por Daniel Oliveira



Confesso que hesitei se postava ou não este vídeo. Em princípio, não publico aqui propaganda de extrema-direita. Defendo a liberdade de expressão que o senhor Geert Wilders, um deputado da extrema-direita holandesa (sobre o qual já tinha escrito no Expresso), não aceita para os outros (propondo que o Corão seja proibido na Holanda). Defendo que o homem tem direito à palavra. Não obrigatoriamente no meu blogue, claro. Mas ver este vídeo pode ser muito elucidativo do que é e a quem serve a islamofobia. Posto aqui este inenarrável vídeo de propaganda racista, onde se misturam imagens chocantes, frases soltas e declarações incendiárias não identificadas. No vídeo quase amador, mas que foi divulgado hoje e já corre o mundo, o deputado não hesita em mostrar a imagem de um decapitado, que as televisões, por respeito à sua família, não exibiram.

Quem daria crédito a frases assim retiradas da Bíblia ou da Tora? E não faltaria por onde pegar em textos que lidos literalmente e sem contexto histórico só podem dar disparate. Ninguém decente. Mas a ignorância é sempre amiga do racismo. E a táctica do racismo é sempre a mesma: colar a todo um povo e a toda uma cultura os crimes de alguns para pôr o medo a render poder.

Geert Wilders não quer saber nada sobre o Islão ou sobre o Mundo muçulmano. Wilders nem sequer nos quer dar uma imagem do fundamentalismo islâmico. Geert Wilders quer nos dizer que o Islão é, ele mesmo, criminoso. Quer chafurdar no medo e assim ganhar poder. Exactamente como os nazis queriam explicar ao povo que os judeus eram culpados de tudo o que de mal lhes acontecia.

Nada distingue o senhor Wilders dos pais da criança que, no vídeo, repete que os judeus são uns porcos. São feitos da mesma massa estúpida e ignorante que nos levou, ao longo da história, para todas as tragédias. Uma diferença: Wilders é deputado e sabe muito bem porque faz o que faz e porque diz o que diz.

O que aqui vemos não é assim tão diferente da propaganda que o anti-semitismo espalhou e espalha sobre os judeus e a sua história. Nem da propaganda que radicais muçulmanos (mesmo os que não optam pelo terrosimo) espalham sobre os judeus e os ocidentais. Geert Wilders faz parte dessa velha família de incendiários, que na sede de poder espalha o medo do outro e ódio pela diferença. Este "documentário" é apenas um retrato do senhor Wilders, um dos mais populares políticos holandeses.

Mas aqui fica. Porque vivemos em sociedades livres e não daremos a este senhor o gosto da vitimização. Não será silenciado. Ao oriente diremos: sabemos que a maior parte dos muçulmanos não são isto. Saibam que a maior parte dos europeus não são Geert Wilders.

Como ateu e laico (os únicos que foram sempre perseguidos por todos os fanáticos de todas religiões), não respeito nenhuma religião mais do que outra. Apenas sei de uma coisa: aquele que me disser que há um povo, uma religião e uma cultura criminosa por natureza será seguramente o que não hesitará em matar em nome da sua autoproclamada superioridade cultural. Sempre foi assim, sempre assim será. O que assusta? É que também por cá esta gente começa a ser levada a sério. Olhem para a história e vejam onde isto acaba.

Que ninguém se engane: estes homens que usam a defesa dos direitos de umas minorias para expulsar da Europa outras minorias serão os primeiros a esmagar qualquer minoria se acharem que isso lhes dará popularidade e poder. O princípio é sempre o mesmo. Só mudam as personagens.

PS: o facto de ter postado este vídeo não abre a porta da caixa de comentários a insultos racistas, sejam contra quem forem.

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
«Hassan Askari, o novo herói de Nova Iorque, nasceu há 20 anos em Manhattan, mas passou a juventude no Bangladesh, a terra dos pais. Muçulmano cumpridor, regressou há um ano aos Estados Unidos para estudar Economia e a sua vida dividia-se entre o Berkeley College e o restaurante de East Village onde trabalha algumas horas. Até que, irritado com a indiferença dos outros passageiros do metro, saiu em defesa de três jovens judeus atacados numa carruagem por um grupo de anti-semitas. Askari foi esmurrado, mas a sua intervenção permitiu a um dos agredidos puxar o travão de emergência. Chegou então a polícia, que deteve dez pessoas, incluindo um homem que exibia uma tatuagem de Cristo, e que tinha sido o primeiro a agredir Walter Adler, Angelica Krischanovich e Maria Parsheva. O seu erro? Terem respondido com "Feliz Hanuka" ao "Feliz Natal" desejado por outros passageiros. Celebrada em Dezembro, a festa judaica das luzes assinala a reconquista do Templo de Jerusalém no século II a. C., mas para o homem com a tatuagem só podia ser uma provocação: "Não foi nessa altura que os judeus mataram Jesus?" De seguida as agressões, verbais ("Judeus de merda") e físicas.

Nova Iorque conta com dois milhões de judeus, mais que Jerusalém ou Telavive. Mas em Manhattan, onde desde os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 contra as Torres Gémeas os seguidores do Islão são olhados com desconfiança, teve de ser um muçulmano a acudir aos judeus, perante a indiferença dos outros passageiros que seguiam para Brooklyn. "Fiz apenas aquilo que tinha de fazer", explicou Askari. Não se lembrou de grandes referências históricas, a esses tempos em que perseguidos na Europa os judeus encontravam refúgio no mundo islâmico, desde Marrocos ao Império Otomano»

Por Leonídio Paulo Ferreira, no DN

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira


«Afinal, a análise dos A-T-C-G de James Watson, as quatro letras do alfabeto genético com que se constrói a molécula de ADN de todos os seres vivos, revela que 16 por cento dos genes do cientista norte-americano são de origem negra, um valor 16 vezes acima da média dos europeus brancos.

Um desfecho irónico, depois da polémica em que Watson esteve envolvido em Outubro, por ter afirmado a um jornal britânico que os negros são menos inteligentes do que os brancos.»

por Daniel Oliveira
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Domingo, 2 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
Pano do PNR: «Mugabe racista não é bem-vindo»

por Daniel Oliveira
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Domingo, 25 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira


"A proposta de edificação de um memorial às vítimas do massacre judaico de Lisboa de 1506, agendada para discussão e aprovação pela Câmara Municipal de Lisboa para o passado dia 31 de Outubro, foi adiada "sine die" e corre o risco de ficar esquecida ou subvertida no seu sentido cívico. Em nome da memória do horrendo crime cometido em Lisboa nos dias 19, 20 e 21 de Abril de 1506, que vitimou milhares de cristãos-novos baptizados à força pelo Rei D- Manuel I em 1497, os cidadãos signatários desta petição reclamam da Câmara Municipal de Lisboa que mantenha e execute a proposta tal como foi concebida e na simbólica data prevista de 19 de Abril de 2008."

Assina a petição.

por Daniel Oliveira
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Sábado, 10 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
Os cinco eurodeputados do partido da Grande Roménia decidiram retirar-se do grupo parlamentar de extrema-direita do Parlamento Europeu - Identidade-Tradição-Soberania (ITS) -, devido aos insultos contra o seu país feitos pela sua colega italiana de bancada, Alessandra Mussolini. Desta forma, o primeiro grupo parlamentar de extrema-direita do PE que foi criado em Janeiro com 23 membros, deixa de ter o número mínimo de deputados para poder continuar a existir.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
A cedência ao eleitoralismo e a desistência do centro-esquerda italiano bateu no fundo. A propósito da lei de extradição proposta pelo governo de esquerda italiano a pensar nos romenos, cuja aplicação a Comissão Europeia já avisou que vai verificar atentamente, que está a causar revolta na Refundação Comunista e mesmo nos deputados da antiga DS e que conta com o apoio entusiasmado da direita e da extrema-direita, o director do jornal "il Manifesto" escreveu: «é preferível o retorno de Berlusconi à berlusconização de nós próprios». Defendi aqui a permanência da Refundação no governo. Mas é evidente que, como em tudo na vida, há fronteiras que a ética não pode passar.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
Perante um caso de violação e assassinato por um cigano romeno, em Roma, o governo italiano reuniu-se de emergência, o líder do recém criado Partido Democrático, Walter Veltroni, contactou o presidente da república romena e, com Romano Prodi, apresentou um decreto lei para o repatriamento expedito de cidadãos comunitários que cometam crimes. Ou seja, para reagir politicamente a um crime de um particular (o que já é uma asneira) avançam-se com medidas a pensar em todo um grupo e manda-se a cidadania europeia para as urtigas.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira


«A comunidade muçulmana vai ter de sofrer até pôr a casa em ordem. Que tipo de sofrimento? Não os deixar viajar. Deportação — lá mais para o fim da estrada. Supressão de liberdades. Revistar pessoas que pareçam ser do Médio Oriente ou do Paquistão. Coisas discriminatórias, até magoar a comunidade inteira e eles começarem a ser duros com os filhos deles.»

Confesso que não conhecia esta pérola de Martin Amis (que descubro agora ter sido já bastante citada), transcrita num artigo do Rui Tavares, dita numa entrevista há já algum tempo. Há quem, recordando o terror nazi, esteja atento (e bem) aos sentimentos anti-semitas contra os judeus. Mas muitas vezes se esquecem que as vitimas podem mudar repetindo-se o sentimento e se colocam na primeira linha do caminho para o horror. A islamafobia não choca porque já parece natural. Pelo menos tolerável. Também parecia, nos anos 30, o ódio aos judeus. Como muito bem ilustram estas palavras do senhor Amis, a islamofobia é o anti-semitismo do século XXI. Está lá tudo: o ódio e a bestialização do outro. E exultação do "politicamente incorrecto", tão na moda, não é mais do que a quebra de todas as fronteiras morais. Estas palavras do senhor Amis, como as alarvidades do senhor Watson, estão para lá do tolerável. E só a demonstração sem contemplações da nossa repugnância pode impedir que das palavras se passem aos actos.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira
3+3=7 e os pretos são um bocado burros.

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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira
Sobre o movimento de defesa do Doutor James eu-sei-que-os-pretos-são-burros-porque-fiz-testes-à-minha-mulher-a-dias Watson, Pedro Sales escreve este excelente post. Parece que se for politicamente incorrecto um cientista pode dizer as barbaridades científicas que quiser sem que isso belisque a sua credibilidade.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
A origem animista é mais relevante do que a a religião muçulmana para o número de excisões, dizem Armelle Andro e Marie Lesclingand, do Instituto de Estudos Demográficos francês, que avançam com estes números: três quartos das etíopes são excisadas e só um terço da população é muçulmana, enquanto no Niger, em que quase toda a população é islâmica, há apenas 2% de mulheres excisadas. Há, no Mundo, mais de cem milhões de mulheres são vítimas de mutilações sexuais

por Daniel Oliveira
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