Quinta-feira, 15 de Novembro de 2012
por Sérgio Lavos

Menos de vinte e quatro horas depois, torna-se evidente que não só o Estado de Direito não foi respeitado pela PSP que atacou manifestantes indefesos, como sobretudo foi suspenso depois, quando a polícia se espalhou pelas ruas circundantes da Assembleia e começou a prender indiscriminadamente cidadãos, tivessem ou não estado presentes na manifestação. Mais de 100, de acordo com os relatos dos jornais e de activistas. O acesso a um advogado, obrigatório por lei, foi proibido pela polícia. O contacto com o exterior não foi permitido. E várias agressões policias tiveram lugar dentro das esquadras. Se isto não é uma grave ofensa ao Estado de direito, não sei o que possa ser. Não podemos aceitar métodos semelhantes às ditaduras sul-americanas, detenções ilegais e desaparecimentos de cidadãos inocentes que visam sobretudo a intimidação da população resistente. Que tanto Cavaco - responsável enquanto primeiro-ministro pelas cargas policiais mais violentas em democracia - como Passos Coelho - um perigoso arrivista - defendam a actuação da polícia não é surpreendente. É um sinal claro de que o o regime se prepara para estender o estado de emergência às liberdades cívicas fundamentais. Poderá haver muitos portugueses que concordem com esta suspensão da democracia. Mas os verdadeiros democratas não poderão pactuar com isto. Deixámos de ter soberania económica e financeira. Se abdicarmos da soberania política e democrática, colocamo-nos além de qualquer salvação. Este Governo e este presidente têm de ser parados porque são uma ameaça à democracia. Custe o que custar.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (22) | partilhar

Quarta-feira, 14 de Novembro de 2012
por Sérgio Lavos

A violência de 10 ou 20 pessoas na manifestação - estar uma hora a atirar pedras e garrafas é estúpido, desnecessário e contraproducente - não deve desculpar a extrema violência da polícia, agindo em matilha contra manifestantes pacíficos - a esmagadora maioria dos que se encontravam à frente da Assembleia. Agredir grávidas, mulheres e velhos não é "manter o estado de direito". É provocar o medo nos manifestantes de hoje e temor nas pessoas que poderão aparecer em futuros protestos. E tudo indica que o aumento anunciado ontem nos ordenados terá tudo a ver com esta mudança de atitude das forças policiais. Ficamos esclarecidos: a polícia existe para defender o Estado repressor, não os cidadãos que é suposto proteger. O relato de quem presenciou mais este acto de violência de Estado (encontrado no Facebook de Luís Varatojo):

 

"AQUILO QUE HOJE SE PASSOU, DO PONTO DE VISTA DE UM MANIFESTANTE PACÍFICO:
Para que não vinguem as mentiras da Administração Internas aqui têm o meu relato do que realmente se passou em frente à assembleia. 
Sim, é verdade que cerca de 20 a 30 pessoas passaram mais de uma hora a atirar petardos, pedras e garrafas à polícia. Por essa razão, os outros 99% de CIDADÃOS PACÍFICOS mantiveram a devida distância, para nem serem confundidos nem fazerem parte da acção de alguns animais. A certa altura, as pessoas perceberam que algo se estava a passar. Demasiadas movimentações de polícia na Assembleia demasiado organizadas.
Cá em baixo, numa das laterais um grupo de polícia à paisana abandona rapidamente a manifestação. Mais tarde, as televisões diriam que as pessoas foram avisadas para dispersar. Cá de baixo, posso-vos dar uma certeza, nenhuma pessoa com uma audição normal ouviu um único aviso.
A polícia disparou cerca de 4 a 6 petardos pela manifestação e carregou. Como estávamos todos bem afastados, os CIDADÃOS PACÍFICOS não fugiram. Mas quando vi um pai a fugir com o filho no colo e a levar bastonadas percebi que quem estava atrás das viseiras já não eram pessoas. 
Fugimos, mas por mais rápidos que tentássemos ser, eram pessoas a mais para conseguirem ser mais rápidas que a polícia. Felizmente não recebi carga, infelizmente porque atrás de mim tinha um escudo humano a tentar fugir. Ao meu lado, um senhor tentava fugir com a mulher de cerca de 50 anos, que chorava com a cara cheia de sangue. Não, esta senhora não levou com pedras dos manifestantes. Esta senhora estava cá atrás. Esta senhora levou com um cassetete.
Fugimos para uma rua afastada, onde pensávamos estar todos seguros e mostrar à polícia que não queríamos estar na confusão, nós os CIDADÃOS PACÍFICOS. Nada nos valeu, pois a polícia perseguiu as pessoas pelas várias ruas em redor da Assembleia, carregando em todos. O que me safou foi uma porta aberta de um prédio, onde me refugiei com mais 8 CIDADÃOS, incluindo jornalistas da Lusa. O que lá fora se passava era incrível. Uma senhora de idade que chegava a casa tentava entrar no seu prédio mas a polícia gritava-lhe para que descesse a rua. 
Só mais de 30 minutos depois conseguimos sair e o que mais me impressionou foi a quantidade de sangue que havia pelos passeios, bem longe da Assembleia.
NÃO ACREDITEM EM MENTIRAS. ERA POSSÍVEL NÃO TER PERSEGUIDOS CIDADÃOS PACÍFICOS QUE FUGIAM POR RUAS AFASTADAS MAIS DE 200 METROS DA ASSEMBLEIA.
Mesmo quando estava “barricado” no prédio, mesmo com a porta fechada tive, pela primeira vez, muito medo da polícia.
O que sinto agora não é nem raiva, nem revolta. É um vergonha enorme e uma imensa e profunda TRISTEZA.
É assim que se tira a vontade ao povo civilizado de se manifestar. Tira-se-lhe a esperança."

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (51) | partilhar

Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012
por Sérgio Lavos

 

Em Espanha e na Grécia as botas cardadas do austeritarismo são calçadas pela polícia, sendo cada vez mais evidente que a receita apenas conseguirá ser aplicada recorrendo-se à violência de Estado e distorcendo-se os valores democráticos - nenhum povo pode aguentar durante muito tempo um alto nível de desemprego e o empobrecimento generalizado sem se revoltar. 

 

*A foto mostra o responsável de um bar da área onde aconteceu a manifestação de ontem impedindo que a polícia entrasse atrás de manifestantes. Votante do PP, indignou-se com o total descontrolo dos agentes.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Quinta-feira, 21 de Junho de 2012
por Sérgio Lavos

 

Rui Rio, conhecido como "O Entaipador Implacável da Ribeira", decidiu uma vez mais enviar os gorilas da polícia municipal para vandalizarem um projecto cidadão que tinha ocupado um espaço público deixado ao abandono, no caso a biblioteca infantil Ivo Cruz. Não devemos duvidar: Rui Rio prefere o vazio à cultura, a violência institucional à participação cidadã na construção da cidade do Porto. Como vi escrito no Facebook, assim que Rio ouve falar em cultura, saca dos tapumes. Modos de vida. Mas não é isso o mais intrigante neste caso de assoberbamento cro-magnon do presidente da câmara portuense.

 

No dia em que a biblioteca foi assaltada pela polícia, o Diário de Notícias noticiou o caso. O bizarro da situação é que o jornal saiu para as bancas cerca de três horas antes do caso ter acontecido. A notícia - sem assinatura - falava em "injúrias e agressões a agentes", quantifica o número de pessoas identificadas e especula sobre a origem dos ocupantes do espaço. Este extraordinário exercício da adivinhação dado à estampa no Diário de Notícias teve pouca repercussão na realidade; a efectiva vandalização do espaço pela polícia, acontecida três horas depois desta notícia ter começado a ser lida, acabou por decorrer sem "injúrias e agressões" nem outros fenómenos paranormais de monta.

 

Contactado pela associação que ocupara o espaço, o provedor do DN defendeu o jornal dizendo que a notíciaa tinha sido escrita com base num comunicado da polícia enviado na noite anterior. Fantástico país, este, em que membros da polícia se dedicam a escrever notícias que depois enviam aos jornais, e ainda por cima notícias sobre o futuro, sobre o que ainda está para acontecer. Fabulosa nação, também, aquela em que um jornal - por sinal, o mais antigo publicado em Portugal - recebe notícias redigidas pela polícia e as publica como sendo suas e verdadeiras.

 

Contado não se acredita, dirão. Mas eu acrescento: a verdade e a realidade, tudo vão, tudo ilusório. Acreditamos no que queremos acreditar, mesmo que seja má ficção escrita por um péssimo polícia.

 

Adenda: o provedor do jornal, Óscar Mascarenhas, deixou na caixa de comentários um esclarecimento sobre a sua actuação que julgo ser premente deixar aqui. Diga-se que nunca duvidei da competência de Óscar Mascarenhas, que tem mostrado, em outras situações ocorridas no DN - por exemplo, o caso da contra-notícia enviada pelo Governo para a redacção no dia de uma greve de transportes - bastante competência e sobretudo independência nas suas análises, nunca se furtando a criticar e a melhorar os procedimentos do jornal para o qual trabalha.  Aqui fia então, com um pedido de desculpas pelo equívoco cometido:

"Caro Sérgio Lavos:
Não fui contactado pela associação nem defendi coisa nenhuma. Já esclareci no blogue respetivo e repito-o aqui:
Pretendo retificar aqui um equívoco. "O provedor do leitor deste jornal foi contactado, e defendeu que aquela peça foi baseada num comunicado da polícia enviado na noite anterior". Esta afirmação não corresponde à verdade. A Sra. Patrícia Dias da Silva contactou-me (sem me dizer se representa ou não mais alguém, mas isso é indiferente) e respondi-lhe: "Já recebi uma reclamação anterior sobre esta notícia e pedi esclarecimentos urgentes à Direção do DN, sendo certo que a notícia parece sustentar-se em informações fornecidas por forças policiais.
Obrigado pelo alerta." Não "defendi" coisa nenhuma, prometi averiguar e bem dispensava que a minha resposta fosse tão completamente deturpada. A análise do que aconteceu sairá na edição de amanhã, dia 23, do DN. Oscar Mascarenhas (Provedor do Leitor do DN).


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (26) | partilhar

Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

 

Duas pessoas decidem juntar-se à porta de um lugar público frequentado a distribuir folhetos. As pessoas passam, umas aceitam, outras recusam, algumas não chegam a parar. Se os folhetos forem de publicidade a uma cadeia de supermercados ou a uma loja de uma marca de luxo, essas duas pessoas poderão distribuir até ao fim a sua publicidade. O mesmo acontecerá com os distribuidores de jornais gratuitos, no meio do trânsito ou na rua. Se essas duas pessoas forem distribuir esses folhetos publicitários em frente a um Centro de Emprego, poderão fazê-lo à vontade, ninguém as incomodará. Mas se essas duas pessoas estiverem a distribuir folhetos com informação ao desempregados que entram e saem do Centro, informação sobre os seus direitos, sobre a melhor forma de se organizarem, então correrão o risco de serem identificadas pela polícia (que todos nós pagamos) e serem levadas a tribunal pelo crime de "manifestação sem a devida autorização". Isto aconteceu em Portugal, no dia 26 de Abril de 2012. A comissária Carla Duarte, porta-voz da PSP, veio dizer que um ajuntamento de duas ou mais pessoas já pode ser considerado uma manifestação. Trinta e oito anos depois de uma ditadura que proibia "ajuntamentos" por serem subversivos. Bem sabemos que à polícia muitas vezes falta bom-senso e, sobretudo, conhecimento da Constituição que é suposto defender. Mas este caso, que se soma a tantos outros acontecidos nos últimos meses, é mais um sinal de que alguma coisa insidiosamente preocupante começa a emergir neste país em plena suspensão da democracia. Porque o vulgar polícia de rua não aje desta maneira se não tiver as chefias do seu lado. E no topo da hierarquia está, uma vez mais, o ministério da Administração Interna, o único cujo orçamento foi reforçado para este ano. Miguel Macedo e o Governo PSD/CDS a que pertence sabem muito bem o que estão a fazer. Se isto não é gravíssimo e inadmissível, então começo seriamente a pensar que o limiar da decência há muito foi ultrapassado.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (82) | partilhar

Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
por Miguel Cardina

O DN de hoje informa na primeira página que "a PSP prepara tolerância zero nas manif's do 25 de Abril" (e do 1º de Maio), fazendo-se referência aos incidentes de 22 de Março. Se tivermos na mente o que então se passou - a intervenção policial desmesurada e as tentativas posteriores de branqueamento informativo, paulatinamente desmontadas na rede e em alguma comunicação social - torna-se clara a receita engendrada pela "ordem da desordem": insuflar o medo, iniciar a provocação, justificar antecipadamente a violência.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quarta-feira, 28 de Março de 2012
por Miguel Cardina

 

Sobre o assunto, ler o Ricardo Noronha, a Joana Lopes, o Party Program e o José Vítor Malheiros.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (29) | partilhar

Sábado, 24 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

Ainda estou para ouvir as explicações de Arménio Carlos e da CGTP sobre a agressão por sindicalistas ao grupo dos Precários Inflexíveis na chegada à Assembleia. E já agora também gostaria de saber o porquê da demarcação que o líder da intersindical fez das outras manifestações do dia da Greve. Se as agressões policiais e as declarações sucessivas da direcção da PSP e de Miguel Macedo são expectáveis - ninguém espera de gente com tendências salazarentas que algum dia consiga ser sincera ou que tenha vergonha na cara - da CGTP eu - e muitos outros - esperaria um repúdio claro das declarações do MAI e da violência da PSP*. Até agora, nada. Triste, e a confirmação de que CGTP é, cada vez mais, parte do problema e não da solução. A intersindical caminha a passos largos para se tornar o rosto da institucionalização da contestação. Mais importante que os direitos dos trabalhadores ou a miséria dos desempregados parece ser a posição de demarcação dos movimentos sociais que foram aparecendo. Quando uma intersindical esquece desta maneira os direitos dos mais desprotegidos e dos trabalhadores que é suposto defender, quem ganha será sempre quem detém o poder, quem está a destruir o país. Enquanto sindicalizado num sindicato que pertence à CGTP, sinto-me muito pouco representado. E, sobretudo, revoltado. O silêncio da CGTP é ensurdecedor. E inadmissível.

 

*O Pedro Viana tem razão: a CGTP não se incomoda com os elogios de um proto-salazarista como Miguel Macedo?


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (89) | partilhar

por Miguel Cardina

Os participantes hoje na comemoração dos cinquenta anos do início em Lisboa da "crise de 62" aprovaram um texto onde manifestam preocupação sobre a actuação desproporcionada da polícia na passada quinta-feira. Como se diz no texto, disponibilizado pela Joana Lopes, «os jovens de 1962 não podem tolerar em democracia o que repudiavam em ditadura.» Segue a moção na íntegra:

 

MOÇÃO
Há 50 anos, a indignação perante uma carga policial sobre estudantes que pretendiam comemorar o Dia do Estudante deu origem ao luto académico que hoje aqui evocamos. 
Há dois dias, vimos nas televisões as imagens de polícias carregando de novo sobre jovens, com uma violência desmedida e desproporcionada. Mais vimos o espancamento de jornalistas, pondo em risco a isenta cobertura da carga policial. 
Os jovens de 1962 não podem tolerar em democracia o que repudiavam em ditadura. Assim, os participantes na Crise Académica de 1962, reunidos na Cantina da Cidade Universitária em 24 de Março de 2012, decidem: 
- Manifestar o seu repúdio pelos actos de violência policial verificados em Lisboa e no Porto a 22 de Março de 2012; 
- Dar conhecimento desse repúdio a Suas Excelências o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro; o Ministro da Administração Interna, o Inspector-Geral da Administração Interno e o Sr. Provedor de Justiça, assim como aos órgãos de Comunicação Social. 
Cantina da Cidade Universitária 
24 de Março de 2012

por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

“na greve de 24 de Novembro detivemos um homem que estava a dar pontapés nas grades frente à Assembleia da República, mas quando já estava algemado disse que pertencia às brigadas de investigação criminal da PSP”

 

O ministro Miguel Macedo sempre negou que estivessem agentes provocadores na manifestação de 24 de Novembro. Os testemunhos de quem lá esteve sempre afirmaram o contrário. Os agentes provocadores não são admissíveis por lei, e são também um sinal claro de que a violência durante as manifestações interessa muito mais ao Governo do que aos manifestantes, que estão ali apenas a protestar - mesmo que haja alguém mais exaltado. Se esta revelação - a que se acrescenta a confirmação de que a ordem para os polícias agressores veio de cima -, feita por uma fonte do corpo de intervenção da PSP, não é grave, não sei o que poderá ser. Afinal, este é ainda um Estado de direito, ou não? A Miguel Macedo, depois das contradições, das mentiras e depois do que aconteceu na quinta-feira - manifestantes e jornalistas agredidos com uma brutalidade de cão danado - apenas resta um caminho: o da saída. Obviamente, demita-se.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (29) | partilhar

Sexta-feira, 23 de Março de 2012
por Miguel Cardina

Diz a Joana Lopes:

 

Quem anda às voltas com os factos ligados ao 50º aniversário do Dia do Estudante, e passou a tarde de ontem em manifestações nas ruas de Lisboa, não pode deixar de associar cargas policiais, separadas por cinco décadas, mas que nem por isso se tornaram menos brutais e desproporcionadas.

 

Do Castanheira de Moura ao Chiado vão poucas dezenas de quilómetros e, pelos vistos, ligeiras diferenças de comportamento. Não foi para aqui chegarem que muitos lutaram contra a ditadura e o que está a acontecer é absolutamente inadmissível em democracia.

 

E quem cala consente, agora como há cinquenta anos.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

José Goulão, fotojornalista da Lusa, foi empurrado e agredido, e, já no chão, identificou-se como jornalista. Mas nem isso evitou que continuasse a levar bastonadas do polícia que todos nós, contribuintes, pagamos.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (48) | partilhar

por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (62) | partilhar

Quinta-feira, 22 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (53) | partilhar

Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

Finalmente, os media começam a noticiar os sérios abusos cometidos pela polícia no dia da Greve Geral, sobretudo na manifestação que desceu até ao Parlamento.

 

Hoje, o Jornal de Notícias dá voz aos protestos de João Palma, líder sindical do Ministério Público: "A confirmarem-se os agentes provocadores, é grave". E a Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados: actuação da PSP foi "vergonhosa e indigna" e "Devem ser exemplarmente punidos os comandantes policiais ou membros do Governo que permitiram essas práticas".

 

Os indícios de que terá havido ordens superiores para que agentes infiltrados fingissem provocar os seus companheiros fardados são evidentes e tanto o director da PSP, Guedes da Silva, como o ministro da tutela, Miguel Macedo, têm de responder por estes abusos.

 

(Via 5 Dias).

 

Adenda: mudei a imagem (retirada daqui) para que quem anda entretido com cortinas de fumo perceba bem o que é um agente infiltrado e provocador. Mas podem continuar a assobiar para o lado - eu é que não tenho tempo para desconversas e tonterias.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (74) | partilhar

Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Hoje de manhã, na Antena 1, Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna, garantiu que não havia polícias inflitrados na manifestação de ontem. Mentiu. Para além dos relatos de pessoas que lá estiveram e viram elementos à paisana a proibir fotografias, há outros que afirmam haver elementos que estavam na manifestação apenas para provocar distúrbios. Há fortes suspeitas de que o incidente que se tornou a notícia principal dos telejornais tenha sido instigado por um infiltrado, alguém que, assim que foram derrubadas as barreiras, passou do lado dos manifestantes para o dos polícias fardados. E depois há este vídeo, de um outro infiltrado a sacar de um cassetete e a espancar brutalmente um manifestante que entretanto tinha sido preso por outros polícias à paisana. O polícia que acabou por ir parar ao hospital estava neste último grupo e tudo indica que terá sido ferido pelo seu próprio colega - vê-se isso no vídeo.

 

Os sinais são evidentes: o único ministério que viu o seu orçamento reforçado foi o da Administração Interna; regularmente, saem notícias para os jornais referindo "grupos anarquistas" que ninguém sabe quem são e que acabam, estranhamente, por nunca aparecer nestas manifestações; e começam a tornar-se regra hábitos de vigilância que Portugal não via desde o tempo da PIDE e dos seus bufos. Pior do que a mentira descarada do Governo, é o destino da nossa democracia. Os seis meses de suspensão pedidos por Manuela Ferreira Leite podem vir a tornar-se reais. E mais prolongados. Quem se preocupa?

 

Adenda: o vídeo original foi apagado do Vimeo. Não gosto de teorias da conspiração, mas que é muito estranho, é. Fica a versão que está no YouTube.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (84) | partilhar

Sábado, 4 de Junho de 2011
por Sérgio Lavos

Três jovens já pode ser considerado um ajuntamento? E por que é que os polícias não se quiseram identificar? Entretanto, na Grécia, as coisas acontecem. E nós continuamos a dormir. Amanhã, não esquecer em quem se está a votar.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

 

Ontem, um manifestante Vader foi agredido pela polícia presente no comício do PS; aqui há uns meses, uma vergonhosa acção da polícia, concertada com a CGTP, criou um cordão sanitário entre a manifestação anti-Nato e um grupo minoritário considerado mais perigoso. Há notícias que lemos falando de confrontos entre polícia e anarquistas, mas que no fundo se tratam de agressões brutais das forças policiais a quem democraticamente se manifesta. A tudo isto, os media dão cobertura, calando-se ou emitindo comunicados da própria PSP, sem terem a mínima vontade de ouvir a outra parte envolvida. Esta notícia do Correio da Manhã é um execrável exemplo deste jornalismo unicelular, que abdicou de pensar na informação que lhe foi passada. O que se aconteceu no 1.º de Maio em Setúbal foi um claro abuso da polícia, violência desmedida contra manifestantes que já tinham dispersado e que estavam apenas a conviver. Muito nervosismo dos agentes, ordens vindas não se sabe de quem para não dar tréguas, bastantes feridos, alguns em estado grave, o uso de balas de borracha à queima-roupa e de munições reais. Inadmissível. As imagens falam por si. Até quando vamos aceitar isto?


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Segunda-feira, 2 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

 

 

 

 

No Vias de Facto, Ricardo Noronha conta o que aconteceu na manifestação do 1.º de Maio em Setúbal. Um excerto:

 

(...) Após algumas centenas de metros na cauda da manifestação da CGTP, da qual estava separada apenas por um cordão de agentes da PSP (cerca de 5), a manifestação anti-autoritária seguiu um rumo diferente, em direcção ao bairro da Fonte Nova, uma das zonas da cidade mais carregadas de memória histórica pelas lutas operárias de vários anos. Mais uma vez, e apesar de não haver qualquer agente da PSP nas imediações, a manifestação prosseguiu o seu rumo pacífico e combativo, gritando palavras de ordem e comunicando com a população e os transeuntes. Após cerca de duas horas, chegou ao Largo da Fonte Nova, onde foi ligada uma aparelhagem sonora na parte de trás de um carro. Tocava Zeca Afonso. 
O pessoal dispersou pelo largo e pelas ruas à volta, a conviver. Não houve qualquer dano a qualquer tipo de propriedade, nenhum conflito com os moradores. Aliás, não chegámos a estar ali mais do que vinte minutos.
Chegou um carro com dois polícias (talvez fossem mais, mas só dois se aproximaram), que solicitaram que o volume fosse reduzido, o que aconteceu. Na conversa que se seguiu, enquanto um dos polícias pediu a uma das pessoas que estava junto do carro que se identificasse, o outro começou a ordenar às outras pessoas que se afastassem. Quando a pessoa que estava junto do carro respondeu que não tinha identificação, o agente em questão imediatamente a agarrou e lhe disse que tinha de ir à esquadra. 
Quem estava à volta teve apenas tempo para se aproximar para perguntar o que se passava, uma vez que no espaço de 30 segundo chegou uma carrinha, de onde saíram meia dúzia de agentes que começaram a disparar tiros de caçadeira. Repito, chegaram a alta velocidade, pararam, saíram e
dispararam. Várias pessoas foram atingidas pelo que se veio a revelar serem tiros de borracha (aqueles mesmos que tiraram um olho a um adepto do Benfica há duas semanas). Foram disparados para o ar tiros de pistola de fogo real.
Começaram a chegar vários carros da PSP, enquanto os agentes no local aproveitaram a surpresa para isolar cerca de 3 ou 4 manifestantes (o primeiro, que não tinha identificação, e mais alguns que se aproximaram ),  que começaram a espancar no chão enquanto lhes atiravam gás pimenta para os olhos. Perante este cenário, os restantes manifestantes avançaram, puxaram os que estavam a ser espancados, defenderam-se da melhor maneira possível e recuaram para o outro lado do Largo. Quando a polícia resolveu continuar a investida, foi recebida por uma chuva de pedras e garrafas. Alguns manifestantes pegaram em chapéus e mesas de uma esplanada vizinha, para se defenderem. Um carro da PSP que chegou a alta velocidade foi embater numa carrinha de um morador/comerciante que ali estava estacionada, danificando-a. Para trás ficou o indivíduo que vem aparecendo em várias fotografias e que quase ninguém conhecia. Várias testemunhas afirmam que ele foi baleado no chão com uma caçadeira, quando já estava detido pela polícia.
O resto da manifestação dispersou em pequenos grupos, que foram literalmente "caçados" pelas ruas de Setúbal, onde continuaram a ser disparados tiros de borracha e efectuadas detenções com grande aparato, para estupefacção da população que passava e assistia a polícias sem identificação que ameaçavam, insultavam e empurravam todos os que tinham um ar suspeito. A senhora da PSP que parecia coordenar as operações deu indicações pela rádio segundo as quais deveriam ser detidas todas as pessoas que usassem "roupa preta" ou tivessem um "aspecto esquisito".  Alguns manifestantes foram detidos dentro de cafés e metodicamente espancados dentro da carrinha antes de serem conduzidos à esquadra.
Testemunhei tudo o que relato em pessoa, com excepção do que aconteceu após a carga inicial, quando toda a gente dispersou em pequenos grupos pela cidade. Pude em todo o caso ver as marcas deixadas pela PSP nos corpos de vários manifestantes (e não só, muitos moradores também apanharam simplesmente por terem vindo à rua tentar acalmar a polícia) e cruzar diversos relatos e versões que se confirmam mutuamente. 
A polícia mente quando afirma que foi recebida à pedrada e mente de forma descarada quando refere comportamentos impróprios por parte dos manifestantes. Tal como no 25 de Abril de 2007 fomos premiados com a notícia de montras estragadas e cocktails molotovs que ninguém chegou a ver, no 1º de Maio de 2011 a PSP procura inverter as responsabilidades pelos acontecimentos, escrevendo um  romance policial de escassa qualidade. (...) 

 

Chegados aqui, várias questões se colocam, desde o excesso da carga policial até à reiterada mentira nos comunicados da polícia de cada vez que um caso destes acontece. Mas o que me parece mais grave é o silêncio dos media perante estes acontecimentos. Os mesmos jornais e televisões que denunciam os excessos dos regimes autoritários árabes, do Egipto à Síria, calam-se quando agentes da polícia portugueses usam balas reais em manifestações pacíficas e atiram aos joelhos balas de borracha. Quando esses agentes percorrem as ruas de uma cidade portuguesa em busca de indivíduos "vestidos de preto" ou de "aspecto esquisito". Dos cordões policiais em manifestações pacifistas ao uso de armas com munições reais contra gente que se limita a estar na rua, um caminho muito perigoso foi percorrido. Num país que não denuncie estes casos graves, que não os evite, que não castigue os abusos claros das autoridades policiais, eu não quero viver. 

 

*Fotografias via Spectrum.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar


pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador