Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013
por Sérgio Lavos

Ainda há quem tenha dignidade, integridade e coerência neste mundo onde a mentira é lei e a pulhice regra. Isto aplica-se a Miguel Esteves Cardoso, o autor do texto, e a António Arnaut, o homenageado nestas linhas: 

 "Já me tinha esquecido da integridade. Deve ter sido isso que me fez chorar. É aquilo que tem António Arnaut, um dos fundadores do Serviço Nacional da Saúde (SNS) que, sofrendo de cataratas nos olhos, não só recusa todos os favores dos amigos para ser operado no sector privado, como insiste em ser operado pelo SNS, como qualquer utente anónimo.


No PÚBLICO foi justamente elogiado por denunciar a campanha cada vez mais descarada para propagandear as empresas hospitalares com fins lucrativos à custa dos hospitais públicos do SNS.

António Arnaut tem dinheiro e amigos para já estar livre das cataratas há mais de seis meses. Mas escolheu esperar e sofrer para ser igual às ideias dele. Que, no caso dele, foram tornadas em instituições que beneficiam todos os portugueses, salvando as nossas vidas. Há um aspecto, no entanto, que ainda é mais corajoso e honesto: é que António Arnaut, para além de rebelde, ainda acredita na qualidade do SNS que criou. Não é acreditar: sabe que o SNS tem qualidade. Tem é medo que a privatização obsessiva em curso liquide o SNS. Entenda-se: vender a algumas empresas endinheiradas, por um preço baixo, tudo o que pertence a todos os portugueses, por ter sido completamente pago pelos impostos que pagamos.

António Arnaut não é um mártir: é um grande político que usa todos os meios ao dispor dele para conseguir o que deseja para os outros. Para os outros, com ele próprio incluído. Ele quer ser - e é - como todos nós."

 

MIGUEL ESTEVES CARDOSO, PÚBLICO, 24/09/2013

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por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 5 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos

As "reformas" no ministério do competentíssimo Paulo Macedo também estão a correr a bom ritmo. Tudo de acordo com o plano: da troika, do Governo, de Deus. Quando hospitais começam a recusar doentes por causa dos cortes orçamentais, como está a acontecer com o de Cascais - que se saiba, porque nos outros a situação não será diferente - sabemos que estamos no bom caminho. E quando esses tratamentos são recusados a doentes oncológicos, nos IPO's do país, então podemos ter a certeza de que tudo de facto não poderia estar a correr melhor. Paulo Macedo é um génio da finança que aumenta taxas moderadoras e corta nos tratamentos a doentes, terminais ou não, tudo em nome da sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. Este plano divino, posto em prática pelo Governo PSD/CDS com o apoio da troika, deixa de fora as classes privilegiadas do país, incluindo os governantes que decidem, pois claro. Quem tem dinheiro, se por acaso tiver o azar de ser diagnosticado com cancro, poderá sempre ser tratado num hospital privado ou até mesmo no estrangeiro. Os pobres, que morram. Quanto mais depressa, melhor; até porque um doente oncológico é um peso para o SNS, um número que tem de ser melhorado. Está tudo a correr bem, é assim o bonito ajustamento. 


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2012
por Miguel Cardina

 

Cavaco Silva está de férias no Algarve mas interrompeu o seu merecido descanso para inaugurar um hospital privado, em Albufeira, pronto em cerca de um mês. Instado a comentar notícias como esta, que apontam para um corte de 200 milhões no SNS em 2013, o presidente lá explicou que está de férias no Algarve, em merecido descanso, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, haja paciência. E lá seguiu para o corte do bolo.


por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012
por Sérgio Lavos

 

Calhou estar agora a ler Histórias de Londres, um delicioso livro de viagens de Enric González (antigo correspondente do El País na capital britânica), recentemente editado pela Tinta da China na excelente colecção de relatos de viagem coordenada por Carlos Vaz Marques. A passagem que transcrevo é exemplar:

 

"A revolução conservadora de Margaret Thatcher - permita-se-me a digressão - teve consequência profundas no National Health Service, o antigo e de longa data exemplar sistema britânico de saúde pública. Descentralizou-se o sistema, deu-se autonomia aos hospitais, fomentou-se a competição entre eles e criou-se um pseudomercado da doença, cuja eficácia se media em número de tratamentos: quem captava o maior número de pacientes, recebia o maior volume de recursos públicos. Simultaneamente, favoreceu-se com incentivos fiscais a subscrição de seguros privados. Tudo isso conduziu, como noutros países europeus, a um sistema sanitário cada vez mais classista: clínicas totalmente privadas para os muito ricos, centros certificados e com um nível excelente no tratamento de treçolhos, panarícios, tornozelos torcidos e outros males baratos, e à lenta decadência dos serviços dedicados às doenças mais graves, aquelas que nunca poderão ser rentáveis. Thatcher e o seu cinzento sucessor, John Major, levaram no entanto a coisa a extremos nunca vistos na Europa continental. Desistia-se de operar fumadores cardíacos porque eles tinham escolhido a sua sorte, ou punham-se de parte os tratamentos mais dispendiosos, inclusive quando se tratava de crianças à beira da morte, se as probabilidades de êxito fossem escassas. A palavra de ordem era reduzir custos. (...)

Nos últimos anos da administração conservadora, os noticiários da televisão e as páginas dos jornais transformaram-se numa galeria permanente de doentes em lista de espera, rostos cianosados e dramas terríveis. Chegou a ser relativamente comum ir fazer uma operação a França ou à Alemanha, aproveitando os convénios europeus de reciprocidade. Entretanto, os thatcheristas protestavam contra os "reaccionários" que se opunham às suas reformas. John Redwood, um ministro tory comparável pela sua frieza ao Mr. Spock de Star Trek - uma comparação que não fazia justiça a Mr. Spock -, afirmou a certa altura que tudo não passava de "um choque entre liberdade e servidão". Palavras de Redwood: "Nós, do lado da liberdade, propomos que o paciente possa escolher o local onde quer tratar-se e o tipo de tratamento que recebe, e que decida individualmente o custo que quer que o tratamento da sua doença concreta tenha". Ou seja: tenho um caroço no peito mas só posso gastar 50 libras; creio, em nome da liberdade de escolha, que vou optar por um tratamento de pomada na minha própria casa.

 

 Qualquer semelhança com a actual realidade nacional não é pura coincidência.

 

(Sublinhados meus.)


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

«Serviços de internamento cheios obrigam a pôr doentes nos corredores do Sta. Maria.

 

Uma fonte próxima da principal unidade do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN) disse mesmo ao PÚBLICO que “o Hospital de Santa Maria virou um autêntico hospital de campanha” nos serviços de internamento, “porque é o cenário que mais se assemelha à realidade vivida nestes serviços nos últimos tempos”

 

 “Além dos 21 utentes que podem receber em camas no internamento, quase todos os serviços estavam com 10 utentes internados ao longo do corredor numa maca”

 

José Pinto da Costa apontou ainda a crise como outra razão para o excesso de afl uência ao hospital, que levou a que muitas pessoas deixassem de ter um seguro de saúde.» 

 

 

De realçar o falhanço da estratégia do antigo gestor da Medis, Paulo Macedo, para convencer os utentes a recorrerem aos serviços de saúde privados, destruindo assim o SNS. Por causa da crise, e mesmo com um agravamento brutal das taxas cobradas pelos serviços de saúde públicos, não há dinheiro para CUF's ou Hospitais das Luzes. Só os ricos continuam a poder ter esse privilégio. Em tempos de acelerado empobrecimento, as desigualdades sociais crescem ainda mais no país mais desigual da UE.

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por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

E que se lixem os doentes.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
por Ana Mafalda Nunes
Aphex Twin - Ventolin *música asfixiante para as massas
 

Anteontem, o Ministro da Saúde fez-nos saber que existem um milhão e setecentos mil contribuintes sem médico de família e que tem como objectivo cobrir esta lacuna do Serviço Nacional de Saúde até ao final do mandato.

 

Ontem, Paulo Macedo anunciou mais uma série de medidas que visam o corte da despesa na saúde, entre as que aqui foram comentadas, propõe que já a partir de Novembro, (curiosamente) o início do período crítico para quem sofre de problemas respiratórios, se acabe com comparticipação dos broncodilatadores e antiasmáticos. Medida que asfixiará, ainda mais, um milhão de portugueses - esses malvados que não sabem respirar de forma gratuita.

 

Hoje, não me admiraria se o “Senhor Poupança no Farelo para gastar na Farinha” viesse anunciar que tem o problema da falta de médicos solucionado. Dado que sem terapêutica preventiva e de controlo a esperança de vida de um asmático decresce, presumo que passe pela cabeça estapafúrdia deste iluminado, que o número de portugueses sem médico de família venha a ter um nível de redução bastante significativo, deixando de existir a necessidade de criar despesa com a contratação de clínicos. E mais, tendo como bónus a criação de emprego e movimentação da economia no sector funerário. Desta forma, asfixiam-se dois coelhos com uma só facada.

 


por Ana Mafalda Nunes
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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Definitivamente, o nosso caríssimo ministro da Saúde está a mostrar serviço. Seria de esperar, com o seu currículo. O homem com a fama de ter endireitado a Direcção-Geral de Impostos - fama e proveito, diga-se, e nisto da cobrança de impostos a eficiência cai sempre bem à direita, sobretudo quando a mão fiscal não chega às contas fora do país e às grandes fortunas e limita-se a ser inflexível como quem não pode fugir, a agora sacrossanta classe média assalariada e os profissionais liberais. Mas adiante. O homem que conseguir cobrar mais impostos do que os seus antecessores tornou-se uma espécie de messias para um hipotético governo de direita. E quando a direita chega ao poder, lá está ele. Paulo Macedo corre mesmo o rico de ser o único ministro unânime de um Governo rapidamente caído em desgraça. As comadres do PSD - Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes e até o todo-o-terreno Vasco Graça Moura - apressaram-se a dar estaladas no bebé da incubadora e agora preparam-se para esmagá-lo impediosamente. Enquanto isso, o catita Passos Coelho saltita por Berlim e Bruxelas em nobre missão de apajamento da longínqua suserana do país, deixando o governo entregue a um novato da política, Vítor Gaspar, que se multiplica em anúncios de medidas e entrevistas televisivas, e a um estranhamente ausente Álvaro, chamado três vezes ao parlamento e três vezes negando (como Tomé) a pretensão dos aborrecidos deputados. Não iremos especular sobre um possível retiro espiritual em Montreal; debrucemo-nos antes sobre o herói - até agora - deste Governo, Paulo Macedo. Competência não lhe falta, julgando não só pela referida eficácia na DGI mas também pelo invejável currículo na área da Saúde. Um cínico poderia dizer que não, ele não tem experiência na área da Saúde. Mas caramba, picuinhices, meus amigos, isso são meras picuinhices. Alguém que foi vice-presidente (não executivo) de várias empresas do Millenium BCP, a saber, Grupo Segurador; Ocidental e Médis, Companhia Portuguesa de Seguros de Saúde (entre outras), está mais do que habilitado a tomar conta do sector e a tornar rentável o que é um peso enorme para o Estado. E as medidas anunciadas nos últimos dias indicam que se vai no bom caminho - talvez por isso eu não entenda a irritação deste senhor (e não se preocupe, que eu não me senti mal tratado; já pelo Governo que o senhor apoia, isso é outra história), primeiro porque não explica porque está irritado e segundo porque eu percebo muito bem - que absurdo achar-se o contrário - que "o nosso país de direitos e regalias para todos está alegremente falido"; por isso é que o Governo PSD/CDS está a trabalhar no sentido de transformar este num país de direitos e regalias para alguns. E Paulo Macedo é um dos pontas-de-lança do processo de demolição do Estado Social em curso. Por esta razão, parece-me também absolutamente natural que ele tenha escolhido um antigo gestor do BPN que levou duas empresas na área da Saúde à falência - ou perto disso - para liderar um grupo que vai estudar a criação de mecanismos que "sejam incentivadores de geração de receita própria". Um serviço social que gera receita não será um ovo de Colombo; os hospitais EPE são o exemplo vivo disso: geram receita à conta dos dinheiros que recebem do Estado. Já os hospitais públicos, é a desgraça que se conhece: dão um prejuízo brutal tratando de doentes de todas as classes sociais. Onde já se viu? Temos, definitivamente, de acabar com este estado de coisas. Por isso fica aqui o meu agradecimento e uma ou duas sugestões a Paulo Macedo: que tal fundir os hospitais e os centros de saúde com as repartições das finanças? Ou os bancos de sangue com os gabinetes de atendimento da Médis? Os recursos que se poupariam deste modo, a "receita" que não se recolheria! 


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Em quatro Passos:

 

- Nomear como ministro da Saúde alguém ligado a diversas empresas com interesses nesse sector.

 

- Anunciar cortes que levarão a uma degradação significativa do Serviço Nacional de Saúde.

 

- Nomear alguém próximo para estudar os cortes e pensar numa solução que passe pela criação de mecanismos que "sejam incentivadores de geração de receita própria", de preferência tendo passado por empresas acima de qualquer suspeita, como é o caso do BPN, alguém que se possa invejar de ter um currículo inigualável na área da gestão de serviços de saúde e que possa constituir com sucesso uma comissão liquidatária do sector.

 

- Entregar o que restar à gestão de privados (de preferência, às diversas empresas por onde o ministro passou), transformando um direito humano universal num direito a que só pode aceder quem tem (muito) dinheiro. 


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011
por Miguel Cardina

 

Diz Cavaco Silva no seu manifesto de candidatura:

 

«O debate em torno do Serviço Nacional de Saúde não deve ser marcado por preconceitos ideológicos, de um lado e de outro. Neste domínio, mais do que questionar a existência ou não do Serviço Nacional de Saúde – algo que, verdadeiramente, não importa sequer debater -, o que interessa é discutir que formas existem para garantir a sua sustentabilidade, garantindo o acesso de todos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados de saúde.»

 

Atente-se nos bolds. Em primeiro lugar, a ideia de que o debate sobre o SNS não deve ser marcado por “preconceitos ideológicos”. Ao considerar a “ideologia” – a política, em suma – como preconceituosa, Cavaco está a revelar o modo como ele próprio a entende: enquanto tarefa de “gestão” praticada por um estrito e opaco conjunto de tecnocratas. A expressão que se segue - “de um lado e de outro” - ajuda a salientar o carácter aparentemente neutral da actividade. Como se, no fundo, o que estivesse em causa fosse traçar uma bissectriz entre duas posições extremadas e encontrar a recomendável solução intermédia. Um meio-termo a-ideológico que neste caso concreto não passa de fumaça retórica. A defesa da integridade do SNS é uma posição extremada? O outro pólo de radicalismo é o aniquilamento completo do sistema? O meio-termo exige o financiamento da oferta privada de saúde de modo a que se possa criar um sistema paralelo robusto e competitivo?

 

No fundo, Cavaco Silva sabe que a saúde está na mira do apetite privado e o apetite privado sabe que tem em Cavaco o seu representante. Só que há trabalho a fazer. Num país onde ainda persistem fortes bolsas de pobreza e insegurança, o Serviço Nacional de Saúde constitui uma das mais fortes traves de confiança das populações. Portanto, convém frisar bem que a sua existência “não importa sequer debater”. O que importa debater é a sua “sustentabilidade”. Só que Cavaco não pretende falar da suborçamentação ou do despesismo no quadro de um serviço de saúde público e universal. Pretende, isso sim, terminar com uma pirueta arriscada, sugerindo que se calibre a busca de formas de sustentabilidade com a garantia de acesso à saúde de todos “independentemente da sua condição económica". Estará Cavaco a elogiar um sistema que se propõe tratar todos os cidadãos por igual, independentemente do seu rendimento? Ou, pelo contrário, considera que o Estado deve acarinhar o florescimento   de uma alargada rede privada de saúde, que necessariamente remeterá o tratamento dos pobres para um serviço público de saúde mínimo e descapitalizado?

 

Quer-me parecer que a segunda hipótese é a que mais se aproxima do espírito do parágrafo. No fundo, o trecho está bem mais próximo do projecto de revisão constitucional do PSD do que da Constituição que Cavaco pretende jurar e fazer cumprir.

 

Publicado também em Alegro Pianíssimo


por Miguel Cardina
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira
Não usar uma mini-saia no trabalho pode significar menos dinheiro no fim do mês. Esta é pelo menos a ideia da clínica espanhola San Rafael, em Cádis, que retirou a dez recepcionistas e enfermeiras o seu prémio de produtividade, por não usarem a saia curta que faz parte do uniforme obrigatório. As mulheres recusaram o traje estipulado, que além de deixar as pernas descobertas obriga ao uso de um avental justo e pouco prático. Assim, no fim do mês receberam menos 30 euros, o preço por andarem com os tradicionais fatos de saúde.

por Daniel Oliveira
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Sábado, 29 de Março de 2008
por Daniel Oliveira
Os Centros de Saúde de Sete Rios, Benfica, Lumiar e Alvalade estão a proceder à avaliação dos médicos levando em conta a adesão a greves. Um dos parâmetros da grelha de avaliação contabiliza faltas por “greve/impedimento legal/nojo” - sendo possível chegar à identificação de quem foram os grevistas, pois o quadro inclui os números das cédulas profissionais. O CDS já pediu explicações à ministra da Saúde, alegando que está em causa o direito constitucional à greve. (no "Expresso")

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira



Não usar uma mini-saia no trabalho pode significar menos dinheiro no fim do mês. Esta é pelo menos a ideia da clínica espanhola San Rafael, em Cádis, que retirou a dez recepcionistas e enfermeiras o seu prémio de produtividade, por não usarem a saia curta que faz parte do uniforme obrigatório. As mulheres recusaram o traje estipulado, que além de deixar as pernas descobertas obriga ao uso de um avental justo e pouco prático. Assim, no fim do mês receberam menos 30 euros, o preço por andarem com os tradicionais fatos de saúde.

por Daniel Oliveira
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Sábado, 15 de Março de 2008
por Daniel Oliveira



«A colocação de piercings na língua vai ser proibida em Portugal. O PS entregou ontem na Assembleia da República (AR) um projecto-lei que proíbe a colocação daqueles acessórios na língua e na boca, bem como "na proximidade de vasos sanguíneos, de nervos e de músculos", o que inclui os órgãos genitais.» (Público)

por Daniel Oliveira
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira



Eduardo Barroso, Director-Geral da Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação, pagou a si mesmo 277 mil euros pela disponibilidade total para operações que não fez e pela dedicação exclusiva para um trabalho que efectuou enquanto acumulava funções no Hospital da Cruz Vermelha.
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por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira
O Diogo acha que é por isto que eu apoio Obama. Saudades da Союз Советских Социалистических Республик (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, para os que, ao contrário de mim, não aprenderam a escrever em russo com cinco anos de idade).



As minhas razões são mais pequenas, com menos ambição. Mas entendo os medos do Diogo. Ele vive em pânico com o socialismo. Vê-o em todo o lado, debaixo de cada pedra, escondido em cada alçapão. Aliás, ele, como nós, vive num continente onde resistem vários estados bolcheviques. Serviço de saúde público e universal, educação universal e gratuita, Estado Providência. Tenham medo, muito medo! Não queiram viver sobre a opressão destes monstros. Não vêem finlandeses, suecos e dinamarqueses a tentar saltar a fronteira e a pedir asilo aos EUA? Cuidado com o a ditadura socialista e com os tenebrosos projectos de Josef Hussein Obama e Vladimira Rodham Clinton.


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira
Para a maioria dos leitores do Arrastão, a remodelação foi indiferente. Logo depois, aparecem os que concordam com a saída dos dois ministros. No entanto, há 20% que concordando com a saída da ministra da Cultura pensa que o ministro da Saúde deveria ter ficado. Apenas 8% acham que deviam ter ficados os dois e 7% acha que devia ter saído Correia de Campos e ficado Isabel Pires de Lima.

[poll=9]



O seguinte inquérito resulta da super terça-feira de ontem. Com o candidato republicano praticamente decidido, resta o confronto entre democratas. Obama o Hillary? É esta a pergunta.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
No programa Quadratura do Circulo, Pacheco Pereira (cito de cor) responde que se a ministra resolvesse adiar o encerramento das urgências em Anadia à espera de uma melhor alternativa isso seria errado. Porque é simbólico. Porque as pessoas perceberiam que podem conquistar as coisas na rua. E sublinhou: mesmo que tenham razão. Ou seja, a razão das pessoas e a sua saúde não interessam para nada. Porque na política, para Pacheco Pereira, tudo se resume a uma encenação de autoridade. Mesmo que se esteja errado.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
«Tenho dúvidas que se esteja a salvar o Serviço Nacional de Saúde. Pode acontecer que o serviço público fique só com os coitadinhos»
Ana Jorge à revista Visão, no dia 17 de Janeiro de 2008 (sem link)

«Acredito na reforma em curso e no Serviço Nacional de Saúde»
Ana Jorge à Lusa, no dia 29 de Janeiro de 2008
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira


Sócrates diz que foi "sensível aos protestos" e compreendeu "o sentimento psicológico das pessoas". Mas ao ouvir o debate no Parlamento e a entrevista ao seu número dois e clone Silva Pereira ao canal 2 fiquei com a sensação que não percebeu bem o que está em causa. As pessoas estão-se nas tintas para quem lhes fecha as urgências e os SAP. E o problema não é de comunicação, nem sequer é o estilo arrogante do ministro que parte. O problema são na realidade dois problemas: falta de credibilidade do Estado e sentimento de abandono.

A credibilidade: as pessoas não acreditam nas garantias de que as solução que estão a ser implementadas são melhores do que aquelas que têm. Não trocam o certo pelo incerto. Não é apenas conservadorismo ou imobilismo. É experiência em lidar com os nossos poderes públicos e o sentimento de que nos últimos dez ou quinze anos não pararam de perder com mudanças que os governos garantiam ser para melhor.

O abandono: o Interior tem visto fechar correios, escolas, urgências e estações de caminhos de ferro. Quando são serviços imprescindíveis acabam por ser os privados a substituir o que era público e fechou. A única coisa que parece chegar-lhes a casa são auto-estradas, para sairem de lá mais depressa. Muito do que estava a ser feito por Correia de Campos podia parecer racional do ponto de vista estatístico (muito nem isso é), mas a sensação de segurança de cada cidadão não se mede estatisticamente. E não é pura ilusão. Isso é ainda mais evidente quando falamos de saúde. Sobretudo a dos cidadãos mais velhos, que já se sentem completamente desprotegidos em tudo o resto.

Se Sócrates não pretende mudar de rumo na política de saúde não compreendeu nada e não foi sensível a coisa nenhuma. Trabalhou para os jornais e para os opinadores. Só que os medos fundados e infundados das pessoas são uma coisa muito mais profunda. É indiferente quem seja o ministro. Há forma de fazer bem: não mudar o que está bem e, para o que está pior, dar melhor antes de tirar. Ao afirmar que «não encerraremos mais urgências antes de existirem alternativas» Sócrates pode ir pelo caminho certo. Com a condição de saber que há matérias em que a confiança demora a conquistar-se e que não basta a opinião de burocratas para a garantir. Demora mais tempo do que a mudança de humor de colonistas e jornalistas.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
“O primeiro-ministro compreendeu as consequências negativas desta política. Espero que esta remodelação tenha um carácter não pessoal mas político”
Manuel Alegre

«Acredito na reforma em curso e no Serviço Nacional de Saúde (SNS)»
Ana Jorge, nova ministra da Saúde e apoiante de Manuel Alegre

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

antonio_correia_de_campos.jpg


Renascença garante que Correia de Campos e Isabel Pires de Lima vão sair do governo.


A ser verdade, fica a dúvida: mudam os ministros, vão mudar as políticas na saúde e na cultura?


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira

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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira

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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
Paulo Teixeira Pinto indica que passou “à situação de reforma em função de relatório de junta médica”. Certamente ainda mal refeito da forma como foi corrido do BCP e da Opus Dei, este banqueiro de 46 anos foi considerado inapto para o trabalho, apesar de já ter arranjado um cargo numa consultora financeira.

por Daniel Oliveira
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
Apresentei aqui as minhas dúvidas sobre o acerto do tema escolhido pelo Bloco de Esquerda para a moção de censura. Já esta iniciativa é mais do que acertada, no tempo e no conteúdo. Pode assinar aqui (ou no papel) a petição em defesa do Serviço Nacional de Saúde geral, universal e gratuito, já que quem, quanto mais não fosse por razões históricas, tinha obrigação moral e política de o defender é quem o está a destruir. Entre os subscritores desta petição estão João Semedo, Manuel Alegre, António Arnaut, o recém-reeleito bastonário dos médicos Pedro Nunes e o ex-bastonário dos farmacêuticos e antigo presidente do Infarmed, José Aranda da Silva.

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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
A Ordem dos Farmacêuticos estima que 400 farmácias encerrem com a abertura ao público das farmácias hospitalares, tendo pedido à Autoridade da Concorrência um parecer sobre esta medida, por considerar que estes últimos estabelecimentos terão uma posição dominante no mercado.

Mais concorrência desleal: os hospitais públicos às clínicas privadas, a escola pública aos colégios, a segurança social às seguradoras, as associações mutualistas à funerárias, os sindicatos aos advogados, a polícia aos seguranças privados, as forças armadas aos mercenários...

Não deixa de ser curioso ouvir os farmacêuticos, há anos com um mercado condicionado de forma quase feudal, a falar de posição dominante e de concorrência.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
Gostava com os nossos juízes publicassem a lista de empregos que os infectados com HIV podem ter. E, já agora, em que condomínios e bairros podem viver, que escola e Universidade podem frequentar, que bares e restaurantes podem usar, em que transportes públicos podem andar, a que horas do dia podem passear na rua, se podem ter filhos em casa. Claro que para isto juízes e juristas não devem consultar nenhum médico da especialidade. Para quê baralhar decisões judicias com conhecimentos técnicos? Que decidam depressa para começarmos a construir sanatórios. Não os queremos por aí à solta, pois não?

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
"¿Por qué faltan médicos aquí? Hay pocas universidades y el colegio de médicos está encantado", explica Campillo. "Son pocos y tienen mucho poder", añade Herrero. "Y tratan de mantener su élite apretando en el numerus clausus", dice Pazos.
Médicos espanhóis em Portugal, no "El País", via Causa Nossa.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira


Sobre Sicko, de Michael Moore, replublico aqui o texto que escrevi no “Expresso” há uns meses e o excerto de 15 minutos que aqui postei.


Para abrir o apetite

Eram escusadas as lágrimas e a pequena manipulação emocional no último filme de Michael Moore, ‘Sicko’, sobre o sistema de saúde americano. Os factos chegavam. Por cada cidadão, gastam-se nos EUA mais de sete mil dólares por ano em saúde. O dobro dos europeus. O triplo dos portugueses. Para acudir a todos? Pelo contrário. 43 milhões de americanos não têm acesso a qualquer cuidado de saúde e por isso mesmo morrem 18 mil por ano. Para ter melhor? Pelo contrário. A qualidade do sistema de saúde americano, quase exclusivamente garantido por seguradoras, põe os Estados Unidos no humilhante 37º lugar do “ranking” da Organização Mundial de Saúde. Os dez primeiros são quase todos europeus. Segure-se: Portugal está em 12º. E cerca de metade da mortalidade infantil por mil nascimentos da que é registada nos EUA. Um número a reter.

O documentário conta histórias na primeira pessoa. Um amputado que teve de escolher o dedo que poderia ver de volta olhando para o seu saldo bancário. Uma mulher que não foi aceite por uma seguradora por ser demasiado gorda. Um médico que assina de cruz todas as recusas e ganha um bónus por cada tostão que poupa à empresa.

Da próxima vez que alguém, para defender a privatização do serviço público de saúde, lhe falar de liberdade de escolha e de qualidade dos serviços veja este filme. O europeu gasta menos e pode escolher entre o privado e o público. O americano gasta mais para poder escolher entre as seguradoras e coisa nenhuma. E mesmo assim terá de negociar a sua vida.

por Daniel Oliveira
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Domingo, 21 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira
O site do cancro da mama está com problemas pois não têm o nº de acessos e cliques necessários para alcançar a quota que lhes permite oferecer 1 mamografia gratuita diariamente a mulheres desprivilegiadas. Demora menos de um segundo para ir ao site e clicar na tecla cor de rosa que diz: "Free Fund Mammograms".É só lá ir e espalhar a notícia. Demasiado fácil.
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007
por Daniel Oliveira



Há uns anos, como assessor parlamentar, quando o BE tinha apenas três deputados, passei algum tempo à volta de um projecto de Lei para que a medicina dentária fosse integrada no Serviço Nacional de Saúde. A lei previa uma implementação faseada. O ideal é que em vez de uma lei fosse uma política governativa. Mas as regras parlamentares deixam à oposição pouco espaço para lá do legislativo.

O projecto era bastante conservador, já que, com alguma injustiça, não incluía os médicos dentistas na carreira médica hospitalar para não se somarem a todas as resistência a previsível e feroz oposição da Ordem dos Médicos. Considerava que era a forma de abrir uma porta e que depois seria muito mais fácil conseguir ir mais longe. Era a lei possível para tentar passar e para, quando aplicada, ir vencendo resistências.

Foi muito pedagógico ver o resultado. O PCP não gostou por causa da questão da carreira. Os restantes partidos ainda menos e não se pode dizer que se tenham dado ao trabalho de elaborar grande argumentação. E percebe-se porquê. A comunicação social não estava na sala.

Havia uma qualquer trica na eleição de um qualquer vice-presidente de uma qualquer bancada e no lugar reservado aos jornalistas estava apenas um. Os outros andavam numa correria desatada pelos corredores por causa de um assunto que dois dias depois não tinha ficado na memória de nenhum deles. O que ali se debatia, pelo contrário, afectava milhões de pessoas. Mas era irrelevante perante uma pequena luta de galos numa bancada parlamentar. A maior parte dos jornalistas, apercebi-me em conversas posteriores, nem sequer tinha qualquer consciência da importância do tema, que considerou, à primeira vista, bastante esotérico.

A discussão do projecto foi despachada numa hora. Chumbadíssima porque seria incomportável garantir o mais elementar dos direitos de saúde.

A Ordem dos Médicos Dentistas, que inicialmente ajudou na elaboração de um projecto que era tecnicamente difícil, passou a estar contra quando o governo lhe acenou com a promessa de mais contratualizações público-privado. Agora, leio boqueaberto o mesmo bastonário que reuniu várias vezes comigo e que no último minuto virou as costas à entrada da medicina dentária no SNS a queixar-se que «enquanto não houver médicos dentistas nos centros de saúde ou sistemas de concessão, as pessoas estarão excluídas da saúde oral» (Público). Largou a primeira pela segunda (bem mais interessante para os médicos dentistas já instalados nos seus consultórios e sem levantar a malfadada questão do estatuto na carreira hospitalar), ficou sem nenhuma e agora repete o que o ouvi dizer então mas que não levou até ao fim. Esperemos que seja desta, mas desta já o estou a ouvir com um pé atrás. Porque naquela altura só os estudantes de medicina dentária se moveram e apareceram nesse dia nas bancadas, atónitos perante o desinteresse de deputados, comunicação social e seus futuros colegas. A Ordem estava a tentar assinar um negócio entre os consultórios dos seus membros e o Estado. Médicos dentistas nos centos de saúde? Fiquei seguro que não o queriam.

No fim da semana passada pude ler no Público o que já então se sabia e foi mesmo o principal argumento para o projecto: «cerca de metade da população portuguesa não tem capacidade para pagar uma consulta de medicina dentária». Uma grande parte dos portugueses pura e simplesmente passa uma vida sem ir ao dentista. Temos a pior saúde oral da Europa, ao contrário do que acontece em grande parte de outras áreas médicas. Os números são dignos do Terceiro Mundo.E a razão é apenas esta, como muito bem diz o João Rodrigues: não existe no Serviço Nacional de Saúde e, como seguramente não compreenderá João Miranda, os privados não garantem naturalmente o bem estar da maioria da população. Sobretudo em países pobres.

E não há medicina dentária no SNS porque a maioria dos deputados se recusa a representar quem os elegeu, os jornalistas de política vivem submersos na espuma dos dias e são absolutamente insensíveis à realidade social do país em que vivem e as corporações representam apenas os seus profissionais seniores. Como disse, foi muito pedagógica esta minha experiência.

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O director do DN aceita que o projecto de troca de seringas nas prisões «levará, seguramente, à diminuição de casos de doenças contagiosas, como a sida, a hepatite e a tuberculose, contraídas nas prisões», mas considera que assim se «assume uma derrota». O que é preciso é continuarmos firmes, sempre ao lado dos presos (não demasiado perto, para não sermos infectados), vendo-os a morrer enquanto a nossa consciência se sente muitíssimo bem com as vitórias futuras.

Note-se que ninguém vai distribuir droga aos presos ou facilitar mais a sua entrada nas prisões. A droga está nas lá hoje, quando ninguém distribui seringas. Por isso, a afirmação de que este programa «provocará, igualmente, um aumento do consumo e do tráfico de substâncias proibidas» é um absurdo lógico. Ele apenas garantirá que os presos não dividem seringas infectadas e, crime dos crimes, não continuará a fingir que a droga não existe. A não ser que o caro director do DN ache que a possibilidade de infecção é uma boa forma de prevenção. Que quanto pior, melhor.

Os detractores do programa acham que o pragmatismo é um pecado e têm sobre a matéria uma posição meramente teórica. Mas não se devem preocupar em demasia. Ainda não é hoje que alguém tenta que a entrada nas prisões não seja um bilhete para a morte. Também o programa de troca de seringas nas prisões, que deveria começar hoje depois de 15 anos de discussão e quase um ano da aprovação de uma lei no Parlamento, ainda só arranca numa "vertente teórica". Fazem bem em fazer acções de formação. Escusavam era de fazer tanto alarido com a coisa. Assim, o director do DN perdeu uma noite de sono por nada.
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Sábado, 15 de Setembro de 2007
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Como assinalou o Zero de Conduta, o Guardian foi verificar se o que Moore andava a dizer sobre o sistema de saúde em Cuba era verdade. E era. Agora, sei pelo DN (via oBiToque) que um autarca do PSD de Vila Real de Santo António fez um acordo com uma cidade cubana para encontrar saídas para doentes em filas de espera.

Duas conclusões rápidas: nem uma ditadura deixa de ser uma ditadura por ter um excelente sistema de saúde, nem um excelente sistema de saúde deixa de ser excelente por ter sido criado por uma ditadura. E uma terceira: talvez fosse possível aprendermos a fazer o mesmo em democracia.
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Sábado, 14 de Julho de 2007
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Em estreia absoluta, o Arrastão e o Zero de Conduta lançam aqui um resumo de 12 minutos do filme que está a deixar, mais uma vez, a direita americana irritada. Realizado pelo homem que mais comichão lhes faz. É o melhor filme dele e está a relançar o debate sobre o serviço nacional de saúde nos EUA.
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Terça-feira, 10 de Julho de 2007
por Daniel Oliveira


Via Zero de Conduta

O sucesso do filme de Michael Moore nos Estados Unidos já está a levar a direita americana a extraordinárias teses. A última: o Serviço Nacional de Saúde é responsável pelo aumento do terrorismo. A julgar por este momento de análise, o sistema de saúde norte-americano tem pelo menos uma grande vantagem: o acesso a alucinogénos está bastante facilitado.

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