«A França está a um passo de ter uma lei que permite cortar o acesso à net a quem for apanhado a partilhar ficheiros. Esta lei, que Sarkozy entende como um “decisivo momento para o futuro de uma Internet civilizada”, permite que os operadores de comunicações passem a monitorizar todo o tráfego que circula na rede, instalando um sistema que vigia a autenticidade dos conteúdos transferidos.»
Zero de Conduta


30 respostas ao post “Um Big Brother para te civilizar”  

  1. 1 1  Roberto C. Parada

    Com jeitinho, em Portugal também vem aí essa bela medida contra esses terroristas. A falta de organizações de direitos e privacidade por cá vai-se fazer notar na indiferença que esta notícia vai receber…

    “Associações portuguesas querem protecção anti-pirataria semelhante à adoptada em França”
    http://tek.sapo.pt/4M0/788435.html

  2. 2 2  kruzeskanhoto

    A malta das K7 piratas das feiras ainda vai voltar a fazer negócio…

  3. 3 3  Paulo Querido

    myito bom sobre este assunto é também o Miguel Caetano no Remixtures.

  4. 4 4  Isabel Coutinho

    É a União Europeia, estúpido!

  5. 5 5  Sérgio

    Não sou a favor da pirataria.
    Tudo o que as editoras têm de mau não desculpabiliza o download ilegal de ficheiros.
    Porém isso combate-se com outros modelos de negócio, não com algo que vai ser o percusor de tempos de horror.

  6. 6 6  isento

    So falta meterem nos um chip no olho do cu para saber onde tamos.

  7. 7 7  Luís

    Isto é uma pouca vergonha, um verdadeiro atentado linguístico à la wittgenstein. Chamar pirataria, ou roubo, ao download de um produto que sofre de não-rivalidade no consumo é mais que uma liberdade linguística, é uma mentira. Nós economistas, ou eles economistas, já não sei, deviamos dar-nos ao trabalho de desmascarar isto, mas nunca há tempo - ou dinheiro.

  8. 8 8  Ricardo Ramalho

    Mas isto já está a ser tratado p’la malta do file sharing…

    A partir do momento em que se usem protocolos com fortes cifras e mudanças constantes de portos de acesso e outros truques, quero ver o que os senhores das editoras e outros porcos do género a conseguirem provar seja lá o que for. Claro que vai ser mais chato para o Zé Ninguém piratar seja lá o que for, mas isso até vem por bem. A pirataria, no geral, não é algo bom.

  9. 9 9  Sérgio

    Ó Luís, troca-me lá isso por miudos.. então se eu editar um album, e a malta ao invés de comprar vai se aproveitar de todo o investimento que fiz em estudio, instrumentos, músicos sem gastar um tostão é o quê?
    Se eu fizer um par de sapatos ninguém tem dúvida que é meu, mas se compor uma música esta já é do mundo?

  10. 10 10  Sérgio

    A questão é que os extremistas do file sharing não fazem mais do que dar aos poderes instituídos desculpas para nos retirar mais da nossa liberdade.
    É lixado ser o tipo andrajoso com a placa a dizer “o fim está próximo” mas eu continuo: daqui a 50 anos os que de nós estiverem vivos verão que esta pedra do sarkozy é das primeiras na construção daquilo que um certo autor chamou O Ministério do Amor.

  11. 11 11  Pedro Sá

    Essa lei é completamente desproporcional.

  12. 12 12  Work Buy Consume Die

    Desculpem lá, mas sacar um MP3, usufruir do mesmo sem pagar um chavo não é um direito. Concordo a 100% com o que o Sérgio disse: Os modelos de negócio de música alteraram-se com o iTunes e serviços afins. O seu sucesso foi comprovado, mas ainda assim há quem pense que sacar um MP3/software/filmes/livros (riscar o que não interessa) e não pagar por eles é um direito garantido.

    Lá por comprarmos um Porshe não nos dá o direito de andar a 200Km/h na autoestrada, da mesma forma que ter banda larga e gigas de downloads internacional não nos dá o direito de sacar tudo “à bruta”.

    Voltando ao post, parece-me óbvio que Sarkozy não vai ter sucesso com esta medida: Quem controla o utilizador na internet ou o seu ISP? Quem sabe se não estou a fazer downloads no trabalho ou num ciber-café? Há medidas para passar ao lado da monitorização, mas como é óbvio, Sarkozy e a direita quem “monitorizar” a internet por outras razões…

  13. 13 13  Mouzinho

    O Daniel talvez não saiba que a lei visa também bloquear sites com determinado tipo de conteúdos: incitação ao terrorismo, ódio racial. O que acha?

  14. 14 14  Miguel F. Carvalho

    esse controlo representará o fim da Internet como a conhecemos…

    passamos a ter a internet que existe na China ou Birmânia…

    não querem ter também acesso ao meu netbanking?

  15. 15 15  JV

    A França faz efectivamente mal em pugnar contra falsificação de programas informáticos e a violação do direito de autoria e propriedade intelectual. Impedir que cidadãos livres e honestos obtenham 50 CD’s ao preço de um clique, com a desculpa safada de que os programadores e os músicos gastaram milhares a produzir e a promover os seus produtos, realmente, é de um totalitarismo atroz.

  16. 16 16  Fado Alexandrino

    É só fumaça.
    A ideia, a ir para a frente, é combater as organizações que fazem da pirataria modo de vida.
    Quem como eu tira cinco ou seis filmes não lhes interessa.
    De qualquer maneira quando deixar de poder tirar esses filmes, é claro que não os vou comprar, simplesmente mando desligar a Internet.
    Posso perfeitamente viver sem ela, mas eles não podem viver sem mim e sem os outros.

  17. 17 17  Luís

    Sérgio, se produzir um sapato, este sapato ou é de quem o comprar ou é de quem o roubar, não pode ser dos dois. Se produzir uma música e eu fizer o download, isto não tem qualquer efeito sobre a quantidade disponível da sua música. O download não é um roubo, será outra coisa qualquer, mas não estamos a roubar nenhum bem. Inventaram depois a ideia de ser um bem intangível, transparente, invisível, seja lá o que for, mas é tudo uma treta linguística para proteger o interesse das indústrias já de si multimilionárias. Os radiohead e outras bandas inteligentes é que já perceberam isso e em vez de se preocuparem capitalizaram nisso. A verdade é que não vejo as bandas e os realizadores gozarem de orçamentos inferiores desde que os downloads começaram, o que demonstra que é uma indústria ainda mais lucrativa do que era antes.

  18. 18 18  José Henriques

    NÃO GOSTO NADA DE SER VIGIADO, AINDA POR CIMA POR UNS PARANÓICOS ANTI-TERRORISTAS, SENDO QUE TÊM UM CONCEITO “MUITO PRÓPRIO” DE TERRORISMO, E DEFENSORES DA GRANDE PROPRIEDADE PRIVADA. oU SERÁ QUE OS DOWNLOADINGS CHATEIAM QUEM CRIA, OU AS GRANDES COMPANHIAS QUE DET~EM OS DIREITOS DO QUE ELES CRIAM, ÀS VEZES SABE-SE LÁ COMO!
    e NO CASO DAQUELES QUE, COMO POR EXEMPLO mANU cHAO, QUE DISPONIBILIZAM AS SUAS CRIAÇÕES LIVREMENTE NA NET?

  19. 19 19  Luis Fraga

    Caro Daniel
    Não terei problema se de futuro em Portugal, acontecer o que eventualmente acontecerá em França. A continuar assim, as coisas estarão tão más, que não terei dinheiro para pagar a internet.
    Mas direi feliz:
    “Big Brother de pobre, é espreitar no buraco da fechadura”.
    Luis Fraga

  20. 20 20  José Henriques

    NÃO GOSTO NADA DE SER VIGIADO, AINDA POR CIMA POR UNS PARANÓICOS ANTI-TERRORISTAS, SENDO QUE TÊM UM CONCEITO “MUITO PRÓPRIO” DE TERRORISMO, E DEFENSORES DA GRANDE PROPRIEDADE PRIVADA.

    SERÁ QUE OS DOWNLOADINGS CHATEIAM QUEM CRIA, OU AS GRANDES COMPANHIAS QUE DETÊM OS DIREITOS DO QUE ELES CRIAM, ÀS VEZES SABE-SE LÁ COMO?
    e NO CASO DAQUELES QUE, COMO POR EXEMPLO mANU cHAO, DISPONIBILIZAM AS SUAS CRIAÇÕES LIVREMENTE NA NET?

  21. 21 21  João Gomes

    Fado Alexandrino,
    Ora cá está um tema em que estou totalmente de acordo com a sua opinião.
    Deixe-me, apenas, acrescentar que quem mais porá resistência a este tipo de “controle” serão precisamente os operadores. Para não irem à falência…

  22. 22 22  JV

    «Se produzir uma música e eu fizer o download, isto não tem qualquer efeito sobre a quantidade disponível da sua música»

    Se eu produzo uma música é para vender CD’s e obter dinheiro com isso. Se alguém a puser na net, e o senhor a conseguir «sacar» a custo zero, não me parece muito difícil perceber que eu estou a ser roubado.

  23. 23 23  JV

    «A verdade é que não vejo as bandas e os realizadores gozarem de orçamentos inferiores desde que os downloads começaram»

    Quando o aborto era proibido em Portugal, muitos defensores da lei de ‘84 diziam que não era preciso mudar nada porque havia muito que nenhuma mulher era sentenciada a uma pena de cadeia por tal acto. Dizer que uma atitude ontologicamente errada é desculpável se não causar dano constitui um erro de argumentação, como suponho que sabe.

  24. 24 24  Paradiso

    Esta é a única solução para que a anarquia e FarWest da Internet termine. Uma música que lhe dá prazer ouvir, um filme que o emociona é fruto do trabalho de muitas pessoas que não são amadoras e que precisam da justa remuneração do seu trabalho.

    Por isso, por favor assinem:

    http://www.ipetitions.com/petition/lutacontrapirataria/

  25. 25 25  Luís

    “Dizer que uma atitude ontologicamente errada é desculpável se não causar dano constitui um erro de argumentação, como suponho que sabe.”

    Não considero que seja ontologicamente errada. Não considero um roubo, pelas razões que apresentei.

  26. 26 26  Paradiso

    Este é o único caminho para que haja um minimo de ordem pelo mundo da Internet. Este este de coisas está a falir centenas de micro e pequenas empresas, tal como os video clubes, tudo porque há uma total inércia do poder politico nesta matéria e um sentimento de impunidade generalizado nesta matéria.

    Já circula um abaixo assinado sobre este assunto, aqueles que partilham este ponto de vista, por favor assinem em:

    http://www.ipetitions.com/petition/lutacontrapirataria/

  27. 27 27  JV

    «Não considero um roubo, pelas razões que apresentei.»

    Lamento, mas não procedem. A autoria e a propriedade intelectual são direitos consagrados, e perfeitamente justos. Pelo que a reprodução ilícita desses produtos constitui um crime de roubo como outro qualquer - reoubar propriedade intelectual não é menos grave do que roubar propriedade «palpável» só porque a segunda não se vê. Veja os argumentos que aduzi no comentário 22.

  28. 28 28  Luís

    JV, pelo facto de estar consagrado na lei não quer dizer que eu concorde. Acho que é uma utilização abusiva do termo roubo, com objectivos claros de monopolizar um bem cultural. É uma inevitabilidade que a forma como estes bens são distribuidos e vendidos seja alterada radicalmente, e há várias bandas e realizadores que já entenderam isso. Os outros vão perecer. Esperemos, pelo menos. O Chris Anderson já antecipou o período em que todos os bens culturais serão gratuitos, pagos com publicidade e com concertos pagos, e assim espero.

  29. 29 29  JV

    «JV, pelo facto de estar consagrado na lei não quer dizer que eu concorde. Acho que é uma utilização abusiva do termo roubo, com objectivos claros de monopolizar um bem cultural.»

    Como é evidente, nada há que torne uma prescrição legal necessariamente boa. Mas é o que sucede neste caso: de facto, os bens culturais que são sacados da Internet, músicas no caso vertente, são fruto do trabalho de produtores, letristas, músicos, intérpretes, etc. Todo esse trabalho é direccionado para a produção de discos, que devem ser vendidos para que lucrem. Os concertos são uma parte do trabalho que têm - esta é outra parte, feita com toda a justiça.
    Se um músico quiser disponibilizar as suas músicas na internet e haver-se com as vantagens e incovenientes de ter como única fonte de rendimentos os concertos que faz, é perfeitamente legítimo. Mas se opta, como muitos, pela edição discográfica, então tem o direito de ver salvaguardada a propriedade que detém sobre uma obra que é sua. Trabalhou para produzir o disco, bem como dezenas de outras pessoas, que dependem das vendas para ganharem a vida. Torna-se, por isso, ilegítimo e ontologicamente errado obter as músicas por outra via.

  30. 30 30  Ricardo Ramalho

    O modelo de negócio TEM que mudar, a pirataria não vai acabar, muito p’lo contrário! Vai continuar e em força! Porque o modelo das editoras chulas e das MPAA E RIAA terá o seu fim enquanto o seu modelo de negócio dos anos 80 não mudar. A malta que adere a sistemas como o iTunes (e agora a loja de mp3 da amazon) acaba por ser beneficiado. Compra só o que quer, as músicas que quer sem ter levar com o que não quer.

    E montes de bandas já deixaram editoras e afins para trás! Olhem casos como os dos Nine Inch Nails ou dos Radio Head. Ou até cá em Portugal, os Santos e Pecadores! Estes dão o seu trabalho para a comunidade (por um valor meramente simbólico) e vivem dos seus concertos! Quem quiser comprar cd’s pode comprar-lhes directamente (no caso dos NIN).

    Parece-me que irá ser por aí… Não será concerteza o caminho dos DRM e outras tretas à la Big Brother.

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